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quarta-feira, 4 de março de 2026

As imagens do dia









Se estivesse vivo, Jim Clark faria hoje 90 anos. O piloto escocês, que correu entre 1960 e 1968, sempre pela Lotus, foi um dos melhores de todos os tempos, apesar de ter corrido em apenas 72 Grandes Prémios, antes de morrer numa corrida de Formula 2, a 7 de abril de 1968, aos 32 anos. 

Hoje em dia, para a geração "Drive to Survive" pensa que a Formula 1, o nome "Jim Clark" pouco ou nada diz, mas até aos dias de hoje, ele tem alguns feitos que provavelmente, nem Max Verstappen, nem Lewis Hamilton, nem se calhar Lando Norris ou Oscar Piastri alguma vez alcançarão: um "Grand Chelem". E o que é isso? Significa que determinado piloto fez a pole position, a volta mais rápida, alcançou a vitória na corrida e ficou com a liderança em todas as voltas.

E os números do escocês, que sempre quis ser tratado como "agricultor", são impressionantes. Por oito vezes, conseguiu esse "Grand Chelem", e entre o primeiro e o último, conseguiu-o em... três anos e 32 corridas: o GP da Grã-Bretanha de 1962, o GP dos Países Baixos de 1963 - ganhou dando... uma volta à concorrência - o GP de França de 1963, o GP do México de 1963, o GP da Grã-Bretanha de 1964, o GP da África do Sul de 1965, o GP de França de 1965 o GP da Alemanha de 1965. Detalhe: tirando a corrida sul-africana e alemã de 1965, todos foram conseguidos com o modelo Lotus 25, o primeiro monocoque da história da Formula 1. Os outros dois foram com o modelo 33.

Mais alguns detalhes: para além dele, apenas Alberto Ascari e Sebastian Vettel conseguiram "Grand Chelems" em corridas seguidas. Clark é o único que conseguiu em três temporadas seguidas. E empatado com Ascari, que o conseguiu em 1952, Clark foi campeão em 1963 e 1965 com uma pontuação cem por cento vitoriosa. E no caso de 1963, o escocês deitou fora... 19 pontos, pois ele tinha conseguido 73 pontos, mas apenas 54 foram contabilizados. E se todos os pontos dessa temporada contabilizassem, a distância para o segundo classificado, que seria o americano Richie Ginther, seria de... 39 pontos (73 contra 34)

Em 1965, conseguiu os pontos necessários: 54. 

Quanto sofreu a sua morte trágica, em abril de 1968, Clark tinha um palmarés monumental. Já viram aquele que ainda não foi batido, mas por exemplo, era o recordista de mais vitórias por temporada, sete. E de poles, pois tinha 33. e tinha acabado de superar Juan Manuel Fangio em número de vitórias, com 25 - o argentino mandou depois um telegrama de parabéns pelo feito. 

O recorde de vitórias foi batido em 1973 pelo seu compatriota e amigo, Sir Jackie Stewart, que o colocou em 27, e em 1984, Alain Prost conseguiu igualá-lo. Mas quatro anos depois, Ayrton Senna o bateu, ao conseguir oito vitórias nessa temporada. E no ano seguinte, o brasileiro alcançou-o nas poles, elevando-o para 65. 

O das vitórias... depois de Stewart, ficou nas mãos de Alain Prost, que o elevou para 51, em 1993 e depois, nas mãos de Michael Schumacher, que o elevou para 91, em 2006, para finalmente chegar às mãos de Lewis Hamilton, que passou da barreira das cem, estando agora com 105. 

Mesmo tendo corrido pela última vez há 57 anos, as suas 25 vitórias o colocam na décima posição dos pilotos mais vitoriosos, igualado com Niki Lauda. Em termos de Reino Unido, é o quarto com mais vitórias, batido apenas por Stewart, Nigel Mansell (31 vitórias) e Lewis Hamilton.  

Em contraste... Clark nunca ganhou o GP do Mónaco. O melhor que conseguiu foi um quarto lugar em 1964. Em contraste, fez quatro pole-positions (1962,63,64 e 66) e duas voltas mais rápidas (62 e 67). 

E se foi o vencedor dominante das 500 Milhas de Indianápolis, no modelo 38, feito para aquela corrida, com motor Ford, poucos sabem que no inicio da carreira, participou nas 24 Horas de Le Mans, onde em 1960, conseguiu um terceiro lugar na Aston Martin DBR1 da equipa Border Reivers. E quando em 1962, Chapman decidiu mandar um Lotus 23 para Le Mans, chateou-se com os organizadores e decidiu retirar o carro. 

E ainda ganhou a Tasman Series, uma competição que acontecia na Austrália e Nova Zelândia, em 1965, 1967 e 1968. Para além do tricampeonato, obteve também um recorde de 15 vitórias na competição, entre 1964 e 68.

Mais um detalhe interessante: apesar das vitórias, o que impressionava aos mecânicos era a maneira como fazia, porque ele poupava o material. Aparentemente, os pneus dele poderiam ser usados em... quatro corridas seguidas, e os pedais poderiam durar, em média, três vezes mais. Derek Wild, um dos seus mecânicos, contou a certa altura uma história onde "se colocasses todas as caixas de velocidades na minha frente, numa ordem aleatória, conseguia ver qual eram os de Clark só pelo aspecto, porque eram os que tinham menos gasto". 

Ele nunca forçava os carros, conduzia de forma mais suave possível, o mais rapidamente possível.  

Outro detalhe: odiava correr à chuva. Mas algumas das suas maiores vitórias foram... à chuva, como o GP da Bélgica de 1963. A sua tática era simples: se fosse o "poleman", arrancar o mais rápido possível e afastar-se da concorrência de forma a fazer a sua corrida até à bandeira de xadrez. Era simples, mas genial. 

E para finalizar: sabem onde foi o seu primeiro pódio na Formula 1? Foi em 1960 e em terras portuguesas, mais concretamente, no circuito da Boavista!

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Youtube IndyCar Video: O teste de Mick Schumacher em Homestead

No mês que vêm, o alemão Mick Schumacher, filho de Michael Schumacher, irá fazer a sua estreia na IndyCar, e claro, tinha de fazer um teste nas ovais, para, por exemplo, se adaptar bem a pistas como Indianápolis, que vai acontecer no final de maio. 

E esta semana, deu algumas voltas na oval de Homestead, para se adaptar e ficar com uma ideia do que irá ter de lidar ao longo da temporada que aí vem. 

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

IndyCar: Mick Schumacher corre pela Rahal


O alemão Mick Schumacher será piloto da Rahal Letterman Lattigan (RLL) para a temporada de 2026 da IndyCar Series. O anuncio foi feito nesta segunda-feira. De acordo com o comunicado oficial, o piloto alemão correrá com o número 47, ao lado de Graham Rahal e Louis Foster.

Estou muito feliz por confirmar hoje que vou competir na Indycar Series no próximo ano com a Rahal Letterman Lanigan Racing. Com experiência tanto na Fórmula 1 como em corridas de resistência, e tendo competido em várias categorias ao longo dos anos, tenho conhecimentos e capacidades que certamente contribuirão para uma grande parceria. A RLL ​​preparou-me muito bem durante os testes, e tenho a certeza de que podemos construir muito juntos.", começou por afirmar o piloto de 26 anos no comunicado oficial da marca.

Também fiquei imediatamente entusiasmado com o carro e com o estilo americano do desporto automóvel, que se destaca por ser mais focado nas corridas puras e diretas, e é precisamente esse aspeto que mais me entusiasma. E, claro, estou curioso para novas experiências e sempre interessado em expandir os meus horizontes. Para mim, uma nova jornada está a começar aqui, e estou ansioso pelo início da temporada.”, concluiu.

Penso que falo por todos na RLL quando digo o quão felizes estamos por receber o Mick na equipa e na Indycar. O seu teste connosco no circuito de rua do IMS [Indianápolis Motor Speedway] foi excecional – impressionou todos os membros da equipa. Todos saímos daquele evento determinados a fazer o que fosse possível para trazer o Mick para o nosso programa. Estamos muito felizes por ele ter escolhido juntar-se a nós e mal podemos esperar para começar a trabalhar.”, afirmou Bobby Rahal.

Filho de Michael Schumacher, Mick correu durante duas temporadas - 43 corridas - na Formula 1 pela Haas, competiu mais recentemente no Campeonato do Mundo FIA de Endurance (WEC) em 2024 e 2025 pela Alpine, no lugar que acabou por ser ocupado por António Félix da Costa.

A temporada de 2026 da Indycar Series tem início com o Firestone Grand Prix de St. Petersburg, a 1 de Março. O calendário de 17 corridas inclui novos palcos em Arlington, Texas, e Markham, Ontário, Canadá.

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Rumor do Dia: Tsunoda considera ir para a IndyCar?


A incerteza sobre o seu futuro na Formula 1 poderá levar o japonês Yuki Tsunoda para a IndyCar, pela Dale Coyne. Com apenas 25 pontos no campeonato, pouco menos de décimo dos 285 que Max Verstappen tem até agora, o futuro para o piloto da Red Bull, que entrou na equipa na terceira corrida do campeonato, está em dúvida no final da temporada, com Isack Hadjar a ser o candidato ao lugar. E segundo conta Tony Donohue, do IndyCar Reported, a IndyCar poderá ser uma hipótese, especialmente porque a Dale Coyne tem motores Honda, que apoiou a carreira de Tsunoda desde o seu inicio.

"Tem havido rumores de que Yuki Tsunoda poderia estar no carro nº 19 da Dale Coyne Racing, com o apoio da Honda, obviamente, para a temporada de 2026”, começou por falar Donohue no podcast Unverified no YouTube. "Penso que saberemos na próxima semana, se não me engano, e não acredito que ele regresse ao seu carro na Formula 1. Mas isso é certamente um rumor.

Ele afirmou que começou a ouvir o rumor em setembro, e que se intensificou nas últimas semanas.

Tinha ouvido falar disso, e isso foi novamente mencionado por alguém que, acredito, se o assunto chegasse à sua mesa, seria algo que já teria sido discutido”, acrescentou Donohue. “Obviamente, nada é oficial, mas acho que Yuki Tsunoda está certamente cotado para ocupar a segunda vaga na Dale Coyne Racing.”, concluiu.

Não é a primeira vez que se fala neste tipo de rumores. Em 2024 Tsunoda testou um carro da IndyCar, o que fez pensar nessa direção, antes de ficar mais uma temporada na Racing Bulls.

sábado, 20 de setembro de 2025

A imagem do dia





No sábado, 20 de setembro, Juan Pablo Montoya tornou-se "cinquentão". O piloto colombiano, um dos mais velozes e mais excitantes do seu tempo, nas suas passagens pela Williams e McLaren, entre 2001 e 2006 - uma carreira notavelmente curta na Formula 1. Diz-se isso, comparado com a NASCAR e IndyCar, onde ganhou em 1999, empatado em pontos com Dario Franchitti, mas como tinha mais vitórias, ficou com o ceptro. 

Conhecido pela sua condução espetacular, encantando e ganhando muitos fãs, a sua inconsistência e a sua impaciência impediu que alcançasse o título na categoria máxima do automobilismo, especialmente em 2003, quando tinha tudo para poder bater Michael Schumacher na luta por esse título. Mas também foi nesse ano que ganhou nas ruas do Mónaco, ele que ganhou por duas ocasiões nas 500 Milhas de Indianápolis, em 2000 e 2015 - a maior diferença de anos entre vitórias.

E hoje, falo sobre as 500 Milhas do ano 2000. E como isto levou a Chip Ganassi a trocar de lado.

Quem conhece a história, sabe que desde 1996 que acontecia uma cisão entre CART e a IRL. Se grande parte das equipas estavam na primeira, na segunda, eles tinham a corrida mais importante do ano: a Indy 500. É por causa disso que as grandes equipas de então - Chip Ganassi, Penske, Newman-Haas, entre outros - estavam na CART. 

Mas a Chip Ganassi decidiu tentar a sua sorte na série mais "pequena". Afinal de contas, eles tinham a melhor corrida. Que não diminuía o seu interesse, mesmo sem os principais pilotos. Ainda por cima, eles tinham o campeão de 1999, o colombiano Montoya. 

Ele era mesmo veloz: campeão da Formula 3000 em 1998, no ano seguinte, tinha triunfado na sua primeira temporada, apesar de ter igualado com Dário Franchitti no campeonato, ganhando porque tinha mais vitórias (sete contra três do escocês). 

A entrada da Chip Ganassi na Indy 500 foi bem recebida no pelotão da IRL, apesar de ser um "one-off". Montoya e Jimmy Vasser, campeão da CART em 1996, eram considerados entre os favoritos, numa edição com duas mulheres no pelotão: as americanas Lyn St. James e Sarah Fisher. Contudo, o "poleman" foi Greg Ray, relegando Montoya para o segundo lugar, enquanto Vasser foi sétimo. 

O dia da corrida foi bem comprido. Chovera durante boa parte do dia, e a pista estava molhada na hora em que a corrida deveria começar. Montoya e Vasser tinham estado, 24 horas antes, em Nazareth. para correrem pela CART, numa corrida que tinha sido adiada - deveria ter corrido em abril, mas foi adiada devido à queda de neve naquele final de semana. 

Quando Mari Hulman George deu a famosa ordem "Drivers, Start Your Engines!", eram duas da tarde, e pouco depois, a corrida começou. Ray liderou nas 27 primeiras voltas, com Montoya logo atrás, até ao momento em que ambos chegaram perto de um grupo de pilotos atrasados. Ray hesitou, mas Montoya não, e passou para a frente. Seis voltas depois, ele e Ray pararam nas boxes e a Chip Ganassi conseguiu fazer uma paragem mais rápida, mantendo o colombiano na liderança.

Sem bandeiras amarelas, a liderança aumentou para 21 segundos sobre o segundo, mostrando ter controlo da situação. Apenas na volta 66, quando Ray tocou o carro no muro da curva 2, por causa de um golpe de vento, é que houve as primeiras bandeiras amarelas da corrida.

O recomeço durou pouco tempo: nos primeiros metros, Lyn St. James bateu no muro da curva 1 e leva com ela a outra mulher-piloto, Sarah Fisher. Mas na frente, Montoya mantinha tudo sob controle, ao ponto de, por alturas do meio da corrida, ter cinco segundos de vantagem sobre Vasser. 

Duas bandeiras amarelas, nas voltas 143 e 158, este último por causa do acidente de Sam Hornish Jr., não intimidaram Montoya que, apesar de uma tentativa por parte de Buddy Lazier, manteve o comando da corrida. Apenas perdeu na volta 174, quando foi às boxes para o reabastecimento final, mas regressou cinco voltas depois, para ir até à meta como vencedor, numa das demonstrações de condução mais dominadoras da história da competição. Apesar de ter ganho com sete segundos de diferença sobre Lazier, ninguém teve dúvidas quem tinha sido o piloto daquela tarde no "Brickyard". 

Para além disso, aquele domínio da Chip Ganassi naquela tarde demonstrou o inicio de uma migração das principais equipas da CART para a IRL. Em 2001, ano em que Montoya se estreava na Formula 1 com algum estrondo, Penske e Green estavam presentes, e em 2004, com a falência da entidade que geria a CART, todos os que podiam, foram para a IRL para poderem correr na maior corrida de automobilismo da América, a par da Datyona 500.

Montoya iria regressar 14 anos depois ao Brickyard... para ganhar em 2015. 

Feliz Aniversário, Juan Pablo Montoya!

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Rumor do Dia: Palou poderá estar a falar com a Red Bull?


O jornal americano "Indianápolis Star" - normalmente bem informado - afirmou durante o fim de semana que Alex Palou poderá estar a conversar com a Red Bull no sentido de ficar com o lugar na temporada de 2026. O piloto espanhol, quatro vezes campeão da IndyCar nas últimas cinco temporadas, é conhecido pela sua consistência a bordo do carro da Chip Ganassi

Caso a Red Bull queira ele no lugar de Yuki Tsunoda, não seria a primeira vez que a Red Bull liberta um piloto da Ganassi. Em 2017, conseguiu garantir Brendon Hartley para a Toro Rosso, também através de um acordo de saída contratual. 

Contudo, nenhum dos lados - nem Red Bull, nem a Chip Ganassi - confirmou a noticia. Ainda por cima, o contrato de Palou com a Chip Ganassi termina no final da temporada de 2026. 

Mesmo que exista algo nos bastidores, há uma pedra no sapato: É que em 2022, Palou protagonizou um litígio contratual ao procurar assinar com a McLaren de Formula 1, situação que levou a equipa de Chip Ganassi a recorrer aos tribunais para segurar o seu piloto. Mais tarde, Palou chegou a assinar um contrato com a McLaren válido para 2024-26, tendo até realizado testes e uma participação em treinos livres de F1 no Grande Prémio dos Estados Unidos. 

No entanto, no verão de 2023, Palou decidiu romper com esse acordo, originando um processo judicial em curso no Reino Unido, no qual a McLaren reclama mais de 30 milhões de dólares em compensações. Se for para avançar nesse sentido, terá de haver uma resolução para este conflito.

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Youtube Motorsport Vídeo: Alex Palou é bom suficiente para a Formula 1?

Alex Palou é o piloto do momento na IndyCar Series. Triunfador recente nas 500 Milhas de Indianápolis, poderá estar a caminho de ganhar o seu quarto título na competição. E claro, há gente que começa a perguntar sobre o piloto espanhol: e a Formula 1?

Apesar do talento e destes serem carros diferentes dos da Formula 1, há quem defenda que não deva ir. Claro, é uma competição diferente, mas a Formula 1 olha pelo seu próprio umbigo e acha que Palou se iria desmanchar, desperdiçar o seu talento. 

E o mais recente vídeo do Josh Revell parece querer fazer lobby para que ele... fique.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

A imagem do dia (II)




O americano A.J. Foyt, lenda da IndyCar, e um dos quatro pilotos que ganharam as 500 Milhas de Indianápolis por quatro ocasiões, para além de ter ganho as 24 Horas de Le Mans e as 500 Milhas de Daytona, entre outros, comemora hoje o seu 90º aniversário. Mas se eu disse que ele já correu em três Grandes Prémios de Formula 1, acreditaria?

Como sei que acredita do que falo, pergunta-me: onde? Bom, foi em Indianápolis! E eu estou a falar a sério. 

Entre 1950 e 1960, a Formula 1 decidiu que as 500 Milhas de Indianápolis iria fazer parte do calendário, para dar ideia que era uma competição internacional - as outras corridas eram na Europa - mas nenhum piloto de Formula 1 ia competir para lá, e os americanos iriam correr nas outras corridas do calendário. Houve uma tentativa, em 1952, com a Ferrari a levar Alberto Ascari para essa pista, mas correu muito mal, e não foi mais tentado até ao final da década. 

Contudo, como Foyt se estreou no "Brickyard" em 1958, tecnicamente, competiu em três edições do Mundial de Formula 1. A sua primeira tentativa na pista aconteceu depois de ter começado a competir aos 18 anos, nos Sprint Cars. A 26 de agosto de 1956, com 21 anos, no Minnesota State Fair, ele superou 21 carros para acabar a ganhar a prova, dando uma demonstração de velocidade e arrojo. Foi a primeira de 28 vitórias naquilo que era a USAC National Sprint Car e claro, começou a dar nas vistas entre o pessoal da categoria superior. 

Em 1957, estava por lá, com alguns resultados de relevo, mas foi apenas em 1958 que fez a sua primeira participação em Indianápolis. Num Kuzma/Curtis inscrito pela Al Dean Racing, Foyt foi discreto, e a sua corrida acabou na volta 148, devido a um despiste. No ano a seguir terminou a corrida na décima posição - a única vez que acabou no período onde a competição fez parte da Formula 1 -  e em 1960, a corrida foi discreta e ela acabou na volta 90, com problemas na embraiagem.

Curiosamente, se a corrida tivesse ficado no calendário por mais uma temporada, a de 1961, Foyt... teria vencido. Ele é neste momento o mais antigo triunfador da maior prova da IndyCar ainda vivo, quase 64 anos depois de ele ter cruzado a meta no lugar mais alto do pódio. Ele ganharia mais três vezes: em 1954 - a última vez que um carro com motor à frente triunfaria - em 1967 e 1977, numa das maiores secas que um piloto teve entre duas vitórias, já superado por gente como Juan Pablo Montoya, cujas vitórias estão separadas por 14 anos. 

Dito isto, A.J. ainda está hoje em dia envolvido na sua equipa, que faz parte do pelotão da IndyCar, um exemplo de longevidade tão grande quanto a da sua carreira, ele que apenas pendurou o capacete em 1993, depois de tentar se qualificar para as 500 Milhas... pela 36ª vez. Parabéns, A.J! 

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Noticias: Bottas recusa Indycar... a tempo inteiro


O finlandês Valtteri Bottas revelou que recusou correr a tempo inteiro na IndyCar em 2025, mas abre a possibilidade de experimentar as 500 Milhas de Indianápolis. Sem chances de correr a tempo inteiro na próxima temporada, e provavelmente a caminho de ser piloto de reserva na Mercedes, o finlandês afirmou que não descarta experimentar uma ida ao "Brickyard" para experimentar as sensações de correr naquela oval. 

No Qatar, antes do fim de semana do Grande Prémio, ele revelou que foi uma decisão consciente. 

É uma decisão consciente, acho que vem demasiado depressa.", começou por afirmar à Autosport britânica.Digamos, por exemplo, que, ao entrar numa temporada completa da IndyCar após 12 anos de Formula 1, sinto que é um pouco rápido demais porque é muito trabalho árduo e muita familiarização a ser feita e todas essas coisas.", continuou.

Por isso, sim, prefiro dedicar um pouco de tempo a descobrir o que vem a seguir e partir daí. Sim, tive conversas e abordagens neste momento. Deixei bem claro que o ano que vem rápido demais [para mim]. 2026 ainda é uma chance de entrar num bom carro. Minha prioridade continua a ser a Fórmula 1. Se isso não acontecer em 2026, então [a IndyCar] será realmente interessante para mim no futuro."

Sobre se recebeu alguma oferta apenas para correr as 500 Milhas de Indianápolis, Bottas respondeu: 

Ainda não. Recebi uma oferta sólida para a temporada completa de 2025, mas apenas para a Indy 500, ainda não entramos em detalhes. Mas como eu digo, primeiro preciso de definir qual é o trabalho diário para [a temporada de 25] e partir daí.", começou por comentar.

"Quer dizer, a Indy 500 sempre esteve na minha lista, sempre fui fã dos V8 Supercars e todos esses tipos de competições. Então, no momento, ainda estou de mente aberta e só preciso... primeiro preciso decidir qual é o meu próximo passo e então veremos."

"Não me deixaram fazer nenhum rali nos últimos dois anos. Então seria ótimo voltar a isso, divertir um pouco.", concluiu.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

The End: Parnelli Jones (1933-2024)


Parnelli Jones, piloto e dono de equipa norte-americano, morreu nesta terça-feira aos 90 anos de idade. A noticia foi dada esta noite pelo seu seu filho, P.J. Jones, que referiu que estava doente com Parkinson desde há algum tempo. Vencedor das 500 Milhas de Indianápolis de 1963, era o segundo piloto mais antigo ainda vivo, batido apenas por A.J. Foyt. Para além disso, alcançou feitos na Trans-Am e NASCAR.

Para além de ter sido piloto, foi também dono de equipa, e teve pilotos como Mário Andretti, Al Unser Sr., Johnny Rutheford e Joe Leonard, entre outros, ganhando em duias edições das 500 Milhas de Indianápolis, sendo dos muitos poucos que ganhou como piloto e dono de equipa. Chegou até a correr na Formula 1, com resultados modestos.

Rufus Parnell Jones nasceu a 12 de agosto de 1933 na localidade de Texarkana, no Texas. Cedo mudou-se para a California, onde começou a correr em "midgets", com um dos seus amigos, Billy Calder, a chamar de "Parnelli" para evitar que os seus pais soubessem que corria. É que ele tinha 17 anos quando começou...

Ao longo dos anos 50, tinha ganho corridas na Midget Class da NASCAR Pacific Coast Late Model Series, uma série regional, e em 1960, ganha um título na Sprint Car Series, na classe Midget. Foi o suficiente para, aos 26 anos de idade, alcançar o interesse de A.J. Agajanian, e o levar para Indianápolis e a USAC. Na sua primeira participação, acabou como "Rookie do Ano", depois de liderar parte da corrida e um acidente o ter ferido num olho, mas conseguiu levar o carro até ao fim na 12ª posição.


Em 1963, Jones participa nas 500 Milhas conquistando a pole-position, no seu Watson-Offenhauser de motor dianteiro. Foi o primeiro a bater a média de 150 milhas por hora - 241 km/hora - e também foi mais rápido que os Lotus-Ford de Jim Clark e Dan Gurney. Andou na frente entre as voltas 26 e 63, e regressou à liderança na volta 96, do qual não largou até à meta, triunfando frente a Clark e Foyt. Mas existiu uma polémica sobre a hipótese de desclassificação a qualquer piloto que largasse óleo na pista da parte do chefe dos comissários, Harlan Fengler. No final, depois do despiste de Eddie Sachs na volta 193, alegadamente por causa do óleo largado do carro de Parnelli Jones, Fengler decidiu não desclassificá-lo e manter a vitoria, apesar de Colin Chapman ter pensado em protestar, deixando em paz, afirmando que se ganhasse na secretaria, não seria popular para os adeptos.

Dois anos depois, Parnelli foi segundo classificado, atrás do Lotus de Clark. 

Em 1967, Parnelli entrou no carro a turbina, o STP-Paxton, que tinha como motor uma antiga turbina de helicóptero. Sexto na grelha, Parnelli liderou em 171 das 200 voltas da corrida, e parecia que iria ganhar quando um rolamento da transmissão quebrou - algo que na altura custava... seis dólares (!) e a vitória caiu ao colo de A.J. Foyt. No ano seguinte, os carros a turbina perderam progressivamente a competividade, por causa de regulamentos nesse sentido.


Entretanto, Jones foi convidado para participar numa corrida no deserto ao volante de um Ford Bronco. Inicialmente, não queria participar, alegando estar farto de correr em terra, mas depois, voltou atrás e participou numa corrida no deserto do Nevada. Apesar de não ter acabado, ficou viciado nesse tipo de corridas e em 1969, estava na primeira edição da Baja 1000, ao lado de Bill Stroppe, liderando boa parte da corrida, mas não chegando ao fim. Depois, foi participar na Trans-Am a bordo de um Mustang Boss 302 da Bud Moore Engeneering, acabando em segundo lugar, batido apenas por Mark Donohue. Ganhou cinco corridas em 1970 e a equipa ganhou o campeonato.

As suas útimas participações como piloto foram em 1971 e 72, quando ganhou as Baja 1000, tornando-se no primeiro piloto a ganhar quer as 500 Milhas, quer a Baja 1000.

Um tempo antes, a partir de 1970, monta a sua equipa, em conjunto com Velko "Vel" Miletich, seu parceiro de negócio. Com Al Unser ao volante, ganharam o campeonato desse ano e de 1971, com ele a ganhar também nas 500 Milhas de Indianápolis, num chassis Colt. O outro piloto, Joe Leonard, ganhou os campeonatos de 1970, 71 e 72, tornando-se uma das equipas mais importantes do pelotão. 

Em 1974, tinham Mário Andretti e contrataram Maurice Philippe, que tinha estado na Lotus, e com o apoio da Firestone, construíam um carro para a Formula 1. Estreando-se no GP do Canadá de 1974, acabaria no GP de Long Beach de 1976, depois de 16 Grandes Prémios, seis pontos e uma volta mais rápida. Por essa altura, Jones começava a desenvolver uma versão Turbo de um motor Ford, com a ajuda de  Larry SlutterTakeo "Chickie" Hirashima. Começado a usar a partir dessa temporada, a Cosworth ficou com o projeto e acabou poe evoluir naquilo que se tornou no DFX, que viria a ganhar todas as corridas de Indianápolis de 1978 a 1987.

Nos anos 90, o seu filho PJ Jones entrou na competição, correndo por quatro temporadas na CART, curiosamente na All American Racers, de Dan Gurney. A sua carreira foi longa, mas mais modesta que o seu pai. Jager Jones, filho de PJ e seu neto, participou em 2023 na Indy NXT, a categoria abaixo da IndyCar. 

segunda-feira, 27 de maio de 2024

A(s) image(ns) do dia

Há um domingo por ano onde ficamos pregados ao ecrã para ver automobilismo. Esse costuma ser no final de maio, mais ou menos entre o meio e o final primavera, e acontece nos dois lados do Atlântico, um na Europa e outro na América. 

E, de uma certa forma, este último domingo de maio de 2024 ficará na memória por muitos motivos.

No Mónaco, foi uma corrida que valeu por dois momentos. E o segundo entrou na história, não só do automobilismo, como a do próprio micro-estado europeu. Parecendo que não, o Mónaco é uma cidade-estado, reinado por uma monarquia, cujas garantias de existência são assegurados pela França. E não tem muitas coisas com que possa se representar. Por exemplo, não tem uma equipa nacional de futebol, e o seu principal clube joga na I divisão francesa.

E no domingo, fez-se história: desde 1929 que houve apenas um piloto monegasco a ganhar a corrida caseira. Foi em 1931, e quem o conseguiu foi Louis Chiron, um dos melhores pilotos da pré-guerra, que andou em carros da Bugatti, Alfa Romeo e Mercedes, entre outros. Em 1950, aos 51 anos, conseguiu ainda um terceiro lugar na sua corrida natal. E esse foi o único pódio na história da Formula 1, até chegar Charles Leclerc

Mas ele, até 2024, não tinha conseguido um resultado de relevo. Claro, uma pole-positon em 2021 que não resultou em nada - um acidente na qualificação resultou em danos internos que o impediram de correr - este ano, também resultou em pole-position, a primeira sem ser com Max Verstappen. Contudo, quem é monegasco, não quer saber muito se os dez primeiros são os mesmos que partiram. O que lhe interessa é que no domingo, fizeram história. 

Não é por acaso que Alberto II esteja feliz como uma criança naquele pódio. O seu pai, o principe Ranier, nunca viu uma coisa dessas, apesar de ter conhecido Louis Chiron. Mas ouvir o hino nacional monegasco naquele local... não tem preço. Não admira que ele chorasse no pódio. Quantas vezes ele não sonhou com este domingo?

E para o próprio Leclerc, não só é o final de uma corrida sempre marcada pela má sorte - nem um pódio tinha! - como de uma certa forma, conseguiu o seu sonho. E neste momento, irá pensar certamente no seu pai, Hervé, que morreu em 2017, quando o seu filho estava prestes a entrar na Formula 1. De onde estiver, tenho a certeza que está a comemorar o sucesso do seu filho. 

Quanto a Indianápolis, deveria ter acontecido quase uma hora depois da corrida monegasca. Mas na hora da corrida... os céus desabaram. Sim, previa-se chuva pelo meio dia e meia local, e quando aconteceu, interrompeu as cerimónias por mais de duas horas. Quando a chuva se foi embora e a pista começou a secar, viram que havia uma luta contra o tempo, porque havia um limite da corrida acabar pelas 20.15 locais, por causa da luz natural. Logo, tinham de correr rapidamente. 

Mas a chuva tinha limpou a pista, e com ela, a borracha acumulada. Logo, as chances de batidas iriam ser reais. E foi o que aconteceu... na segunda curva da pista, na primeira volta. E aconteceriam mais duas batidas - e o motor rebentado da Katherine Legge, a única piloto presente - antes da volta 50, para colocar a corrida perto do limite. No final, acabaram por ser oito, as situações da bandeiras amarelas. 

No final, como no ano passado, decidiu-se na última volta. Já com o lusco-fusco a envolver tudo, o mexicano Pato O'Ward, no seu McLaren, passou o Penske do americano Josef Newgarden, o vencedor das 500 Milhas do ano anterior, e parecia que ia a caminho da vitória. Mas na reta oposta, a duas curvas do final... ele reagiu e passou-o, para espanto de muitos... e júbilo de muitos outros. Porque ia fazer história.

Newgarden deu à Penske a sua 20ª vitória no "Brickyard", e pela primeira vez desde 2002, com Hélio Castro Neves, conseguiu repetir a vitória - "back to back", como afirmam os americanos. E claro, o delírio dos outros contrastou com a derrota de O'Ward: ele saiu do carro a chorar. 

E merecia: algumas voltas antes, controlou o carro por três vezes para evitar uma batida no muro que poderia ter terminado a sua corrida.       

Quanto à McLaren, que hoje tinha Mr. Brown... engraçado, mas real: nas três corridas de hoje, conseguiu ter um carro no segundo lugar: Jake Hughes na Formula E, Oscar Piastri na Formula 1 e agora, Pato O'Ward nas 500 Milhas. Como dixem os britânicos... "close, but no cigar".

Mas do final, valeu a pena estar acordado até perto da uma da manhã para assistir a isto. As 500 Milhas de Indianápolis são dos melhores espetáculos do automobilismo.

sábado, 25 de maio de 2024

A imagem do dia


Nas vésperas de mais uma edição das 500 Milhas de Indianápolis, a organização eu a todos os vencedores ainda vivos um casaco azul com o símbolo do Indianápolis Motor Speedway, muito semelhante aquilo que os golfistas recebem em Augusta quando ganham o Masters.

E a foto é muito boa: todos estes senhores, exceto Roger Penske, ganharam pelo menos uma edição das 500 Milhas. E perto do troféu estavam os múltiplos vencedores, como Hélio Castro Neves, Rick Mears e A.J. Foyt, os únicos que tem quatro triunfos ainda vivos.  

Há notáveis ausências na foto: Parnelli Jones, Gordon Johncock, Tom Sneva, Danny Sullivan, Eddie Cheever, Jacques Villeneuve e Juan Pablo Montoya. Mas os que estão lá é uma constelação de grandes pilotos. Para além dos que falei, estão gente como Al Unser Jr, Bobby Rahal, Emerson Fittipaldi, Takuma Sato, Marcus Ericsson, Dario Franchitti, Tony Kanaan e claro, Mário Andretti

É, sem dúvida, uma foto cheia de significado, especialmente numa edição que, em muitos aspectos, poderá ser bem interessante de se seguir, num domingo que estará cheio de automobilismo. Da manhã até à noite. E o casaco, embora simbólico, poderá ser algo que entrará na história das 500 Milhas com algum significado.   

sexta-feira, 17 de maio de 2024

Youtube Motorsport Crash: O acidente de Nolan Siegel em Indianápolis

Estamos nos dias da qualificação para as 500 Milhas de Indianápolis, e claro, estão a acontecer alguns acidentes graças às altas velocidades que os carros andam - cerca de 370 km/hora - e ao jovem Nolan Siegel, também não escapou ao encontro com os muros, nesta tarde de sexta-feira. 

Felizmente, não aconteceram danos pessoais, mas ele deu umas cambalhotas no ar.

Neste final de semana saberemos quem fará a pole-position e ficará nas primeiras filas da grelha da edição deste ano da corrida mais importante da América.  

segunda-feira, 8 de abril de 2024

A imagem do dia


Esta segunda-feira, parte dos Estados Unidos passou por um eclipse solar total, o primeiro em sete anos. Hoje, ele passou por estados como o Texas, Indiana, Ohio, Pensilvânia e Nova Iorque, entre outros. E um dos sítios onde todos puderam assistir ao espetáculo na sua totalidade foi no Indianápolis Motor Speedway. 50 mil espectadores foram lá para ver algo que demora muito menos que uma volta de qualificação das 500 Milhas, que acontecerá dentro de um mês.

A NASA decidiu fazer uma transmissão em direto de lá e contou com a presença de Alexander Rossi, o vencedor da edição de 2016, onde explicou a colaboração do sol no aquecimento, quer do asfalto, quer dos pneus, necessários para uma boa volta no "Brickyard". A explicação é instrutiva, mas o que todos queriam ver era o espetáculo que não aparece todos os anos, nem em todas as décadas. A última passagem no território americano foi em 2017, mas antes, tinha sido em 1979, e o próximo só aparecerá lá para... 2045.

Esta totalidade é um momento único, porque não se repetirá mais... ali, em Indianápolis, se calhar em 2099, mas não será tão "total" como foi hoje. Ou seja, este é um acontecimento único, de uma vida. Quando reaparecer, se calhar passarão séculos desde este dia. Que fica guardado na memória dos que experienciaram. 

Apesar de tudo, este é um grande espetáculo, o que a Natureza nos dá.  

sábado, 11 de novembro de 2023

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Nesta segunda parte sobre a (má) relação entre automobilismo e Las Vegas, lembro hoje outra experiência que acabou mal. Esta foi na IndyCar.

Como já disse ontem, a CART correu em 1983 e 84 no Ceasar's Palace, no circuito que foi construído para a Formula 1. Contudo, apesar de também ser a corrida que encerrava o calendário - foi ali que Mário Andretti conseguiu o seu último título, e o primeiro pela Newman-Haas, em 1984 - a competição deixou de ir à cidade no final desse ano e o circuito foi demolido, estando agora no seu lugar alguns edifícios.

Apesar de uma passagem fugaz da ChampCar em 2007, somente em 2011 a IndyCar pensou na "cidade do pecado" para a sua competição. E como das outras vezes, seria a corrida final. E foi tudo feito para que fosse um grande espetáculo.     

Nesse ano, já havia na cidade uma "superspeedway", construída e usada pela NASCAR. Os organizadores fixaram um prémio bem chorudo, e tentaram atrair pilotos de outras categorias para irem lá correr. A ideia era trazer ex-pilotos de Formula 1, por exemplo, mas no final, só conseguiram um piloto: Dan Wheldon. Nesse ano, ele só tinha corrido numa prova, as 500 Milhas de Indianápolis... e ganhou. Numa das vitórias mais dadas da história do automobilismo quando J.R. Hildebrand bateu no muro na última curva da última volta da corrida. Ainda assim, acabou em segundo.

Wheldon regressou, atraído pelo dinheiro, e também porque tinha de se treinar para a temporada seguinte - ia correr pela Andretti - e os organizadores queriam que ele partisse de último, para tentar algo impossível: ganhar a corrida. Se conseguisse, ganharia metade do prémio. Parecia ser improvável, mas ele tentou. E até pintou um capacete especial para o evento, que tinha roleta e catas de poker. Tipicamente Las Vegas. 

Como sabem, acabou mal. Uma carambola na 12ª volta acabou com Wheldon catapultado contra as redes e acabou por sofrer um acidente mortal, aos 33 anos de idade, e meses depois do seu maior triunfo no automobilismo - que tinha ganho pela segunda ocasião. A corrida foi imediatamente  cancelada, e mais tarde, a IndyCar foi depois criticada pelo fato de eles terem corrido ali, numa pista onde um "big one" - uma enorme carambola - onde 15 carros foram envolvidos e terminou na morte do piloto britânico, era inevitável por causa da quantidade de carros que corriam juntos, separados por centímetros, a mais de 320 km/hora. 

Em suma, tinha tudo para acabar mal. Só não se sabia quando. 

Não acho que seja agoirento, e entendo a ideia de atrair gente - mais turismo - para uma das cidades mais visitadas da América e do mundo. E desejo toda a sorte do mundo para eles. Contudo, todas as experiências anteriores resultaram em fracasso. Portanto... é bom que façam as coisas muito bem feitas. Nem que seja para contrariar a má relação entre automobilismo e esta cidade. 

Caso contrário, a aposta sai pela culatra e isto será mais um (mau) episódio. E ainda por cima, já foram investidos algumas dezenas de milhões de dólares, por causa do paddock que foi construído de raiz.   

quarta-feira, 23 de agosto de 2023

IndyCar: Ericsson vai para a Andretti


A Andretti Autosport anunciou esta quarta-feira que o sueco Marcus Ericsson será seu piloto para 2024. O piloto de 32 anos, vencedor das 500 Milhas de Indianápolis em 2022 e segundo classificado em 2023, é o atual sexto classificado no campeonato, e pilotava pela Chip Ganassi até agora. 

Apesar desta transferência, a Andretti não especificou se o piloto irá ocupar o lugar de Romain Grosjean - que em 2024 correrá na IMSA, ao serviço da Lamborghini - ou do canadiano Devlin DeFrancesco, que têm contrato com a equipa até o fim desta temporada.

No caso do piloto francês, a sua inconsistência está a ser mais notada ultimamente, e a sua perda na Andretti faria uma mossa na equipa, dada a sua popularidade. 

Regressando a Ericsson, em termos de palmarés, o piloto tem quatro triunfos na IndyCar, onde chegou em 2019, depois de cinco temporadas na Formula 1, entre Caterham e Sauber, onde conseguiu como melhor resultado um oitavo lugar no GP da Austrália de 2015. Ao todo, obteve 18 pontos.  

quinta-feira, 6 de julho de 2023

IndyCar: As possibilidades para 2024


A IndyCar corre para 17 corridas no seu calendário para 2024, menos sete que a Formula 1 - mas eles têm um calendário mais compacto, entre fevereiro e setembro - e esta semana, o jornal Indianápolis Star falou que existe a chance de um evento extra-campeonato a acontecer no estrangeiro, algo que não acontece desde 2008. E que poderão estar a almejar corridas na América do Sul, nomeadamente Argentina e o Brasil.

A Argentina é uma conversa em desenvolvimento que [tem tudo para] ser promissora”, começou por afirmar Mark Miles, CEO da IndyCar. Miles, que fez uma viagem ao país no final de março deste ano com Ricardo Juncos, mais o vice-presidente da PEC, Michael Montri, e Tony Cotman, o designer de pistas de corrida, do qual a IndyCar se apoiou para vários projetos nos últimos anos. “Recebemos muitos ‘recebidos’, mas muitos deles não fazem sentido para nós, quando você pensa sobre nosso pensamento atual de que [uma corrida internacional] não deveria acontecer durante o campeonato. E quando você pega, digamos, a Europa, quando funciona em quais países da Europa Ocidental, em termos de clima? Nunca se passam [menos de] seis meses sem que alguém ou alguém em nome de alguém não entre em contato [de uma nova entidade que deseja sediar uma corrida].”, continuou.

De facto, a IndyCar esteve em Termas de Rio Hondo para avaliar a viabilidade de uma corrida por lá, e a demonstração foi bem concorrida, com 40 mil pessoas a assistir, mostrando a paixão que os argentinos tem pelo automobilismo.  

Miles afirmou que as noticias sobre a possibilidade de uma corrida em Interlagos em junho de 2024 são "prematuras", porque as conversações, embora existentes, estão ainda numa fase inicial. 

Eu não diria que estamos numa [conversação longa] com o Brasil como estamos [neste momento] com a Argentina”, disse Miles. “Pode ser porque ainda não nos conectamos realmente, mas não tivemos nenhuma conversa substantiva lá.

Miles afirmou que em 2024 haverá 17 corridas, e que uma delas poderá ser Milwaukee, no regresso da oval que lá existe. Ou seja, para acontecer, Iowa poderá deixar de ser uma jornada dupla para ser uma singular. Contudo, circuitos como Portland, tem o contrato com a IndyCar a terminar nesta temporada, e as conversações para a sua renovação estão a caminho. Roger Penske e Mark Miles também andam a falar com os donos de Road America no sentido de voltar a acolher a competição, que não vai lá desde 2015. Contudo, isso só acontecerá se poderem fazer algumas modificações a nível de segurança. 

segunda-feira, 29 de maio de 2023

A(s) image(ns) do dia






As 500 Milhas de Indianápolis são dos melhores espetáculos do mundo. Mesmo que o inicio seja muito americano - demasiado para alguns estômagos - no final, o que o povo gosta é a espontaneidade. Dos pilotos, especialmente. Mas também os gestos da organização são dignos de louvor. 

Que assistiu à corrida sabe que a primeira parte foi algo semelhante a uma corrida de paciência, com os pilotos a obedecerem a estratégias para poderem estar na melhor posição possível para as 50 voltas finais. Aliás, quase ficamos com metade da corrida sem acidentes, e bandeiras amarelas. 

A grande maluquice (se quisermos) aconteceu a partir da volta 150. As bandeiras vermelhas apareceram três vezes nas últimas 30 voltas, mas no final, que recomeçou a três voltas da meta, deu para uma última passagem emocionante, onde Joseph Newgarden passou Marcus Ericsson - que quase ganhou a corrida pela segunda ocasião consecutiva (!) - e no final, conseguiu triunfar. Pela primeira vez, o piloto da Penske triunfou... e foi comemorar para o meio da multidão, de forma espontânea, para alegria de todos, quer na pista, quer em casa, quer no grande edifício, onde o "capitão", que agora era o dono da IndyCar, estava feliz por mais um triunfo. 

E a senhora a beijar o Brickyard? Bom, a história poderia ter começado mal, mas acabou bem. 

Tudo começou quando outro sueco, Felix Rosenqvist perdeu o controlo do seu McLaren na Curva 1 - aparentemente, escorregou o seu carro, mas pode ter tido um problema na sua direção - bateu e entrou um pião, atingindo o Andretti de Kyle Kirkwood, que capotou na curva 2, e raspou o roll-bar no solo por mais de 200 metros. Eles saíram incólumes, mas no choque, uma das rodas de Kirkwood foi arrancada e saltou para fora da pista. Temeu-se que caísse na bancada, mas falhou por sorte. Acabou por cair no parque de estacionamento, caído num carro. Um Chevrolet Cruze branco. Amolgou o guarda-lamas e pouco mais.

Cedo, os organizadores descobriram o proprietário do carro. Que afinal, era uma proprietária. E no final do dia, no pôr do sol, deram-lhe uma visita que não poderia esquecer. E era daquelas que adoram as 500 milhas, porque... já repararam no que tinha vestido? Um vestido xadrez!

Youtube IndyCar vídeo: Os melhores momentos das 500 Milhas de Indianápolis

Depois do GP do Mónaco, muitos de nós não deixaram o ecrã de televisão para assistir a uma das melhores corridas que a América inventou: as 500 Milhas de Indianápolis. Foi uma corrida fluida até perto dos dois terços da corrida, altura em que os acidentes começaram a fazer parte do jogo, acabando com uma bandeira vermelha a pouco menos de 10 voltas do fim, e um final de cortar a respiração. 

Eis um vídeo com os melhores momentos dessa corrida.  

quinta-feira, 25 de maio de 2023

Youtube Motorsport Video: Porquê importa assistir às 500 Milhas de Indianápolis

O fim de semana que aí vêm será glorioso. Teremos o GP do Mónaco à tarde, as 500 Milhas de Indianápolis mais tarde, e NASCAR pela noite (europeia). E de uma certa forma, a corrida no "Brickyard" é considerada como uma das melhores coisas que existe à face da terra - as 24 Horas de Le Mans é outra - e como muitos conhecem a sua história - a sua primeira edição aconteceu em 1911 - alguns questionam a razão dela ter de acontecer. 

Pois bem, o Josh Revell decidiu fazer este vídeo para explicar esta corrida, porquê surgiu e o que representa. Sentem-se porque merece passar 12 minutos das vossas vidas.