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sábado, 29 de março de 2014

A mais recente polémica do Top Gear

Top Gear é o Top Gear. Provavelmente um dos programas mais carismáticos da cadeia de televisão BBC, já leva doze anos de emissões no seu atual formato, pois as suas origens remontam a 1977. Os seus apresentadores, Jeremy Clarkson, James May e Richard Hammond, são conhecidos por todos os "petrolheads" espalhados pelo mundo, e Clarkson é conhecido por às vezes ser politicamente incorreto, pois ele é politicamente de direita e conservador - por exemplo, esteve no funeral de Margaret Thatcher, no ano passado.

E ao longo destes doze anos de programa, o Top Gear teve a sua quota parte de polémicas, muitas delas com Clarkson como protagonista. A mais recente têm a ver com a passagem dos três pela Birmânia e Tailândia, onde foram construir uma ponte de bambu naquele que deveria ser o Rio Kwai, recriando aquilo que os prisioneiros de guerra britânicos, australianos e holandeses fizeram na II Guerra Mundial, que foi uma ponte para os japoneses, ao custo de quase cem mil vidas.

Ora, duas semanas dpeois da emissão do programa, soube hoje pelo Jalopnik que uma atriz anglo-indiana (e com raízes goesas) Somi Guha, também conhecida como Somi de Souza, está a processar o Top Gear e a BBC com um objetivo único: cancelar o programa. A razão tem a ver com um comentário racista aos asiáticos do sul feito durante o programa. Ela instruiu os seus advogados para que colocassem a cadeia de televisão em tribunal por "discriminação feita por um organismo público", e quer que esta pague um milhão de libras, mais uma desculpa pública e o cancelamento do programa.

O tal momento que causou toda esta polémica têm a ver com este pedaço de diálogo, onde ambos falam da ponte concluida, e passa uma habitante local por ela (que coloco aqui em inglês):

"Clarkson: That is a proud moment. But, there's a slope on it. 
Hammond: You're right, it's definitely higher on that side."

"Slope" significa "encosta", mas na Asia do Sul, que compreende o território da India, Bangladesh, Birmânia, Malásia, etc, era um termo usado nos tempos coloniais para designar os asiáticos do sul. E ela (parece que só ela) notou que essa palavra têm outro significado. E para mim, que já viu este episódio, a unica coisa que vi naquele monento era uma ponta com um lado mais inclinado do que outro. Claro, Clarkson não é inocente - sempre falou mal de todos os tipos de estrangeiros, mas nada que fosse totalmente ofensivo. Pior foi quando naquele episódio dos camiões, ele disse que todos os camionistas matavam prostitutas. Isso é que é ofensivo!

Enfim, veremos quais serão os próximos episódios, pois creio que isto pode não ficar por aqui.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Youtube Top Gear Teaser: o que podemos esperar da temporada 21...


À medida que se contam os dias até que comece a nova temporada do Top Gear, a BBC colocou um pequeno "teaser" de 30 segundos, onde se pode ver de tudo: tanques, o McLaren P1 em Spa-Framcochamps, Alfa Romeos contra "jet-skis", numa corrida de camiões... na Birmânia e o Zenvo STI. Belo carro!

Parece que vai valer a pena.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Extra-Campeonato: Era o que eu esperava

Como seria de esperar, a Junta Militar Birmanesa respondeu da unica maneira que sabe: com violência. Desde há três dias, altura em que ordenou o recolher obrigatório, que a policia, o exército e as forças anti-motim reprimem com violência as manifestações pró-democracia, feitas primeiro pelos monges e depois pela população em geral. Oficialmente fala-se em nove mortes, mas fontes diplomáticas falam em muito mais. Acho que qualquer número por estes dias tem mais alguns zeros atrás...


Quanto aos monges, muitos dos mosteiros foram assaltados pelo exército e estes foram levados para parte incerta, desconhecendo-se a sua sorte. foram eles que tiveram força para começar a contestar as medidas arbitrárias tomadas pelo regime militar, que há algumas semanas atrás aumentou os preços do gás e da gasolina em mais de 500 por cento(!)

Pelas últimas noticias, as coisas em Rangoon estão a acalmar, naquele silêncio das valas comuns. Pelo menos na capital, o exército e a policia conseguiram manter a ordem, e os manifestantes são cada vez menos. E a provincia? Há relatos não confirmados de que em algumas cidades, o exército passou para o lado dos revoltosos, e que há combates que configuram verdadeira guerra civil... mas nada disso pode ser confirmado (ou desmentido), pois o governo controla as totalmente as comunicações. A ligação à Internet foi cortada, e não se pode telefonar para fora do país, a não ser que tenha um telefone por satélite...

Fora do país, a comunidade internacional pressiona os paises que podem influênciar a Birmânia para que esta ceda e inicie contactos com a oposição. A China já deu algum sinal, a Rússia ainda não pondera as sanções, a ASEAN (do qual a Birmânia faz parte) já se sente incomodada com este seu membro. Uma coisa é certa: Estados Unidos e União Europeia querem mais sanções aos governantes birmaneses.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Extra-Campeonato: O fabuloso destino da Birmânia

Por estes dias, estamos todos pregados na televisão, assistindo a enormes manifestações vindos de um dos países mais pobres da Ásia, governada por uma terrivel Junta Militar, que reprime os descontentes ao mínimo sinal: trata-se da Birmânia.

Desde o inicio do mês, altura em que o governo decidiu aumentar o preço da gasolina em mais de 500 por cento(!), o povo perdeu o medo e decidiu sair à rua. Mas quem lidera este protesto não é o povo comum, mas sim os monges budistas, a maior autoridade moral do país, os unicos que são respeitados até pelos militares.

Por estes dias, dezenas (senão centenas) de milhares de pessoas manifestam todos os dias nas principais cidades do país, exigindo não só a revogação das medidas impostas, como também o abandono do poder por parte dos militares, e as negociações com a Liga Nacional para a Democracia, da Nobel da Paz (em 1991) Aung San Suu Kyi. Os militares já responderam da pior forma possivel: desde ontem que foi instaurado um recolher obrigatório nas principais cidades, e a policia começou a reprimir as manifestações. As primeiras informaçãos falam de pelo menos cinco monges mortos.


Esta revelação da pior face dos militares, frente a monges budistas, que se manifestam pacificamente, sem recurso à violência, mostra que a tirania é mesmo assim: autista, violenta e desprezível em relação ao destino do povo. Esta Junta está no poder desde 1962, e quando em 1988 reprimiu violentamente manifestações sememlhantes, matando mais de três mil pessoas, só cedeu graças a pressões exteriores das potências ocidentais e da China. Foram realizadas eleições em 1990, mas e Junta Militar não reconheceu os resultados e colocou a lider da oposição em prisão domiciliária, onde se encontra neste momento.

E agora coloca-se esta pergunta: Estamos a assitir o principio do fim? Bom, já se vislumbra a reacção das potências ocidentais, nomeadamente as europeias, que pediram uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, apelando a mais sanções à Junta Militar Birmanesa. Mas para haver qualquer mudança, é preciso convencer as potências da região, aquelas com o qual a Junta tem as mellhores relações (China e India) de que a mudança só faria mais bem do que mal. E sendo o país rico em petróleo e gás, a chave para a resolução do problema é convencer estas duas potências a convencer a Junta que o seu tempo acabou. Se isso acontecesse, acho que, pelo menos por uma vez, iria a ver a "realpolitik" a funcionar para o lado dos bons. Não acham?