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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

WRC: Julien Ingrassia: "Vi o Seb estender-se na relva e perder os sentidos”


Julien Ingrassia, o co-piloto de Sebastien Ogier, contou em detalhes o que aconteceu no sábado à tarde quando ele perdeu o controlo do seu carro na 18ª especial, acabando ambos fora de estrada e com o carro severamente danificado. Após terem sido socorridos pela organização, foram transferidos para um hospital, onde passaram a noite em observação até ter alta, no dia seguinte. 

Contudo, Ingrassia - que foi navegador de Ogier até 2022, quando se retirou e foi substituído por Vincent Landlais, e regressou a este rali por indisponíblidade pessoal de Landlais - descreveu na terça-feira, ao jornal francês L’Équipe, os primeiros instantes após o acidente, onde temeu que Ogier estivesse em pior estado: 

Vi o Seb [Ogier] a sair, percebi que não estava ferido, por isso segui o procedimento. Pressionei o botão OK do carro, que indica que não precisamos de assistência de emergência e permite que a especial continue. Mas quando já tinha feito isso, vi o Seb estender-se na relva e perder os sentidos.", começou por afirmar. 

"A partir daí, o acidente ganhou uma dimensão completamente nova. Ativei imediatamente o sinalizador de emergência e fui até ao Seb. Os olhos dele já não pestanejavam. Com a ajuda de dois ou três espetadores, mantivemos a cabeça dele imóvel enquanto eu o abanava com as minhas notas de percurso. Foi um momento preocupante.”, continuou.

Nunca tinha lidado com nada assim na minha vida, mas sabia que era importante manter a calma. Depois de dar o alarme, liguei à equipa para dar uma avaliação médica do que estava a observar. Também desliguei o carro, porque havia o risco de incêndio. Pouco a pouco, com pessoas a falar com ele e todos à sua volta, o Seb foi recuperando os sentidos. Foi nessa altura que chegaram os serviços de emergência.”, concluiu.

Sobre os momentos vividos dentro do carro, Ingrassia descreveu: 

Quando se está dentro do carro, olha-se para a frente e tudo o que se vê são árvores. Felizmente, passámos pelas mais pequenas. Batemos em árvores relativamente jovens que conseguimos partir. A atual geração de carros é incrivelmente forte, e isso ajudou-nos bastante.” 

Quanto à causa do acidente, o copiloto foi claro: 

Analisámos o que aconteceu naquela curva. Tanto quanto sabemos, não houve falha nem do carro, nem do piloto, nem do copiloto. Formou-se um rasto na curva que lançou o carro para a esquerda em vez de permitir que virasse para a direita. É por isso que as imagens 'onboard' parecem tão estranhas.

Ogier está agora a recuperar do susto em casa e já anunciou que estará presente nos últimos quatro ralis da temporada, a começar no Paraguai, no final do mês, para tentar um inédito décimo título mundial. E não será fácil: Ogier é quinto, com 139 pontos, menos 62 que o líder, o galês Elfyn Evans, que foi terceiro no rali da Finlândia. 

quarta-feira, 27 de abril de 2016

O mal-entendido de Julien Ingrassia

Poucos dias depois do Rali da Argentina, parece que rebentou uma polémica dentro do mundo dos Ralis. Julien Ingrassia, navegador de Sebastien Ogier, decidiu "desancar" nos pilotos locais, defendendo que eles não deveriam participar, pois prejudicam o andamento dos pilotos de fábrica, como o de Ogier. 

É antidesportivo e não muito engraçado, que estejamos à espera de terminar em terceiro ou quarto nas segundas passagens por que alguns ‘potes de iogurte’ (no caso em particular, um Ford Ka) de duas rodas motrizes, que correm sob as regras nacionais, não criam as mesmas linhas que um WRC. Por isso, ao sermos o primeiro carro nas segundas passagens, temos de fazer novas linhas ao longo das etapas (como nas primeiras passagens)”, contou o piloto francês à cadeia belga RTBF.

Curiosamente, Ogier e Ingrassia começaram a correr (e ganhar o Junior WRC) em 2008 a bordo de um Citroen C2, que basicamente era o "pote de iogurte" do qual ele reclama tanto...

Contudo, poucas horas depois, Ingrassia escreveu na página de Facebook do grupo "Doidos por Rally" e esclareceu o que ele queria dizer na realidade, afirmando que respeita sempre os pedidos da organização de colocarem os pilotos locais nos seus ralis, e que apenas estava a comentar sobre a prioridade dada a esse tipo de carros em relação aos "carros largos e com quatro rodas motrizes como o Polo".

"Não tenho nada contra qualquer tipo de carros no WRC - e seria muito estupido se pensasse assim, pois não há muitos anos andava num "205 GTi" ou num "206 Cup", gastando as minhas energias e divertindo-me muito", comentou. 

"Foi uma situação totalmente fora do contexto numa entrevista - sim, chamei de 'pote de iogurte' a um Ford Ka, lamento se magoei alguém - mas foi apenas para construir uma imagem de comparação com um "Polo de quatro rodas motrizes". Se forem ler a entrevista completa, não tenho nada contra esses carros, apenas sou contra a sua ordem de largada!", concluiu.

Como podem ver, tudo não passou de um mal-entendido, e é sempre bom ver alguém que esteja disposto a esclarecer tudo, como o próprio navegador do piloto tricampeão do mundo de ralis...