quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A busca de dinheiro de Ron Dennis

Como sabem, a passada segunda-feira, escrevi sobre Ron Dennis e as razões pelos quais ele anda a desprezar a ideia de ter um patrocinador "master" depois de ano e meio a tentar encontrar um, sem grande sucesso. Nas linhas que escrevi sobre ele, expous algumas razões pelos quais ele não conseguiu, mas nas reações e conversas que tive sobre este assunto - e foram algumas - cheguei à conclusão que era um assunto que não estava suficientemente explicado. E essas conversas também me lembraram de um passado recente que estava "enterrado algures na minha mente", pois lembravam da razão pelo qual Jenson Button foi o escolhido, em vez de Kevin Magnussen.

Como sabem, a McLaren não ganha campeonatos desde 2008, e a sua última vitória em Grande Prémio data de 2012, quando Jenson Button venceu o GP do Brasil. Mas os acontecimentos de 2013 foram desastrosos para a marca de Woking, onde pela primeira vez desde 1980, nenhum dos pilotos subiu ao pódio. E por causa disso, Martin Whitmarsh foi despedido e Ron Dennis foi resgatado da divisão automotiva, como uma solução de emergência para salvar a equipa. Contudo, esta última temporada não foi muito diferente, pois houve apenas dois pódios, ambos na Austrália, e ficaram na mesma posição de 2013 nos construtores, ou seja, o quinto lugar.

Só que mesmo tendo motores Honda, um piloto como Fernando Alonso, um diretor técnico como Eric Boullier e um projetista como Peter Prodromou, este último retirado à Red Bull, nem tudo é perfeito. E aí é que entra a história dos patrocinios. Como podem ver, os dois unicos anuncios nesse sentido foram os da cadeia de televisão americana CNN e os cafés Segafredo, e provavelmente esses dois anúncios, juntos, poderão não ter custado mais do que 20 milhões de dólares. Pelo menos, da maneira como estão colocados os patrocínios. E isso não é muito mais do que "a cova do dente", salvo os devidos exageros.

É que no final do ano passado, foi noticiado que Dennis fez várias viagens à Dinamarca, falando com entidades como o Saxo Bank e a Lego, onde tentou convencê-los a patrocinar a equipa, mas sem sucesso. Daí que se explique porque é que Magnussen não ficou em 2015: caso ambos - ou se calhar um deles - tivesse dado uma resposta positiva, era bem capaz de o filho de Jan Magnussen ter sido o piloto escolhido, em vez de prolongar o contrato de Jenson Button por mais uma temporada, mesmo que o inglês tenha aceite um desconto no salário.

Para melhorar as coisas, neste momento, um dos sócios da McLaren quer vender a sua parte. Trata-se de Mansour Ojjeh, sócio de longa data, fundador e administrados da Techniques D'Avant Garde, ou TAG. Foi ele que em 1981 entrou na capital da equipa, detendo 25 por cento da McLaren Technology Group (Ron Dennis têm os outros 75 por cento), e foi também ele que em 1983 encomendou à Porsche umas série de motores Turbo, que deram à equipa três títulos de pilotos e dois de construtores, e claro, em 1985, comprou a marca de relógios Heuer, que a rebatizou de TAG Heuer. Ojjeh, agora com 62 anos, foi operado em meados de 2012 aos pulmões e deseja reformar-se, altura ideal para que Dennis comprasse a sua parte para ser o dono absoluto da marca. 

Contudo, a intenção de Ojjeh foi anunciada em meados de 2013, e desde então que Dennis procura financiamento para comprar essa parte. Só que os bancos estão relutantes em dar dinheiro para tal, o que se entende de duas formas: ou Ojjeh pede um preço muito alto pela sua parte, ou então, Dennis quer fazer as coisas à sua maneira. E provavelmente quando se fala "à sua maneira", não implica a perda de controlo de parte da sua empresa. Daí as coisas se arrastarem desde então, e sem resolução à vista.

Assim sendo, nem tudo é um mar de rosas no reino de Woking. E os rumores que ando a ouvir, complementados com os resultados dos testes em Jerez, fazem pensar que o risco de Dennis passar por um 2015 muito complicado é bem real. E creio que com esses receios no horizonte, ser um pouco mais humilde perante as adversidades não seria mau de todo, em vez de arrotar dizendo que "não precisamos de mais 'sponsors'". E no dia em que os ricaços do Médio Oriente pararem de comprar os seus McLaren? Ele precisa de voltar a ganhar para que todos esses milhões valham a pena, e é bom que esse motor Honda funcione.  

1 comentário:

Nuno Domingos disse...

o motor honda vai funcionar mas não me pareçe que seja este ano não gostava de ver a mclaren a arrastar-se nas corridas como aconteçeu com a williams a umas temporadas atrás mas pelo andar da carruagem vai ser dificil lutar por vitorias ou podiums esta época
quanto ao patrocinador continuo com a minha ideia todas as equipas precisao de um patrocinador master
algo que a mclaren nao tem esta temporada mais tarde ou mais cedo o ron dennis vai ter de dar o braço a torcer