sábado, 23 de maio de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 5, Canadá (Qualificação)


Já não estava habituado a isto: uma Formula 1 tão espaçada. Claro, alguém me lembrará do ano da pandemia, mas foi excepcional, e muitos, se calhar traumatizados, poderão ter recolhido isso para o fundo das suas mentes. Eu próprio ainda afirmo que 202 nunca existiu. Mas aqui é diferente: as guerras no Golfo Pérsico e a maneira como montaram o calendário para esta temporada fazem com que estejamos na quinta daquilo que deveria ser a sétima corrida de uma temporada de 24, que foi reduzida para 22... provisoriamente. 

Para carregar na crueldade da Liberty Media, os fãs do automobilismo terão de se dobrar, ou arranjar dois ecrãs porque na hora da corrida mais querida da temporada, está a dar as 500 Milhas de Indianápolis! Caso não saibam, a CART e a IRL tentaram fazer a mesma papagaiada em 1996 e não correu bem. Acho que por lá não há muitas memórias disso. Mas há gente que não esquece, mesmo que tenham passado 30 anos...

Deixando isso à parte, a pista canadiana, construída na ilha artificial de Notre Dâme - feita de propósito para a Expo 67 de Montreal, para comemorar o centenário do Canadá como federação - no fim de semana de um Grande Prémio de Formula 1, desde há muito tempo, considero que é a altura em o espírito do Gilles Villeneuve anda por ali e decide, só por si, dar ainda mais espetáculo que o normal num Grande Prémio. Exemplos? As marmotas que moram por ali - aquilo é um parque público - e que são despertadas sempre que os carros começam a circular. E que são um perigo. Perguntem ao Alex Albon se já tem carro para hoje...

Sábado parece ser um bom dia para correr, especialmente a tal "sprint race", e os Mercedes parecem ser os favoritos à primeira fila, mas com as brigas durante essa corrida sprint, parecíamos ter mais um motivo de atração, agora de George Russell começou a pisar nos passos de Kimi Antonelli para mostrar que é o mais velho e que ele deveria ser o favorito ao título, não o juvenil piloto de Bolonha. 


Com os céus nublados, mas sem chover, na hora combinada, os 22 pilotos entravam novamente em cena em busca dos melhores tempos, poucas horas depois da corrida sprint.

As primeiras voltas serviram para aquecer as borrachas macias usadas - Pirelli vermelhos - na corrida sprint, e o primeiro a marcar tempo foi Oscar Piastri na casa do 1.15 alto, mas logo depois, Max Verstappen ter feito um tempo mais baixo, na casa de 1.14, quase um segundo melhor. Lanndo Norris melhorou, ficando no topo da tabela, algo que nem Antonelli, nem Russell conseguiram tirar, nesta primeira tentativa. 

Mais tarde, depois de Max Verstappen ter feito um ar da sua graça, Andrea Kimi Antonelli conseguiu fazer 1.13,380, seguido por Lando Norris e Oscar Piastri, o primeiro a 123 centésimos, e o segundo, a 179. mostrando que os McLarens estão, realmente, entre a primeira e a segunda força. Isack Hadjar é o quarto melhor, na frente de Max, apenas nono entre os melhores. Russell estava um pouco mais acima, oitavo. 

Mas na parte final, entre os eliminados, haveria alguma novidade, além dos Aston Martin e os Cadillac? Sim, Alex Albon, no Williams que tinha sido reconstruido, depois do acidente de ontem com a marmota, e o Haas de Esteban Ocon, que ficou a menos de segundo e meio do primeiro. E a pouco mais de 70 centésimos de Gabriel Bortoleto, o mais perto dos que ficaram na Q2.

Poucos minutos depois, começava a segunda parte, com os pilotos agora com os pneus moles novos, querendo marcar melhores tempos, e o primeiro a fazer isso foi Isack Hajdar, no seu Red Bull. Pouco depois, Lando Norris fez melhor, e depois, Andrea Kimi Antonelli ficou muito perto do segundo 12 e agarrou o primeiro lugar da tabela, com Russell apenas em quinto. Hadjar voltou a subir ao segundo lugar, enquanto Max Verstappen tinha de se contentar com o sexto posto.


A parte final foi a correr. Enquanto George Russell falhava uma tentativa de chegar ao topo da tabela de tempos, Lewis Hamilton conseguia-o, com 1.13,041, 38 centésimos mais veloz que o seu compatriota da Mercedes, enquanto Kimi Antonelli se metia no meio. Mas Isack Hadjar tinha a última palavra, quando marcou o tempo de 1.12,975, o único acima de 1.13, e claro o melhor da Q2. 

Quem ficou na fronteira, da parte de fora, foram os Audis de Nico Hulkenberg e Gabriel Bortoleto, o alpine de Pierre Gasly, o outro Haas de Oliver Bearman, o segundo Williams de Carlos Sainz Jr. e o segundo Racing Bulls de Liam Lawson.

E agora, a parte final, a que iria dar pole.

Com todos sem pneus moles novos, o primeiro a marcar tempo foi Lando Norris, à frente de Lewis Hamilton e Oscar Piastri. A primeira tentativa de Russell foi abortada pelo próprio piloto enquanto Antonelli tinha feito o quarto melhor tempo. O seu companheiro de equipa parecia não ter aderência nos seus pneus, e parecia que não teria uma chance para ficar no primeiro posto.

Mas no momento final... conseguiu. Apesar de Kimi Antonelli ter conseguido 1.12,636, e ficar na frente de Lando Norris, a menos de um centésimo do italiano, Russell conseguiu arrancar, na sua última tentativa, um sensacional 1.12,578 e ficar com a pole do GP do Canadá. Um tempo de se tirar o chapéu, sem dúvida! 


E agora, amanhã, no dia da corrida, pode se esperar um cenário diferente, mas pode-se afirmar que na Mercedes, eles tem dois pilotos, e ambos sabem tirar os seus truques, para espanto do público. 

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