quarta-feira, 9 de setembro de 2026

A história do GP de Espanha (última parte)


No próximo fim de semana, a 13 de setembro, a Formula 1 correrá no novo circuito de Madring, uma pista semi-urbana nos arredores de Madrid, a capital espanhola. É claro que existem muitas expectativas em relação ao que será esta nova pista no Grande Prémio - a curva em relevo que foi construída é um motivo de curiosidade, de facto - mas isto faz lembrar de uma coisa: o GP de Espanha é um evento centenário, e Madring é a mais recente pista de um conjunto de locais onde o automobilismo passou, pelo menos desde... bem, desde há mais de um século, em 1913.

Depois de na segunda-feira ter falado dos primeiros tempos, e depois, da pista de Pedralbes, na cidade de Barcelona, onde recebeu a corrida de encerramento dos mundiais de 1951 e 1954, e de na segunda parte, falou-se sobre os esforços para o regresso da Formula 1 a terras espanholas, com a construção da pista permanente de Jarama e a alternância com o veloz, e perigoso, circuito de Montjuich, no meio da cidade de Barcelona, nesta terceira e última parte, fala-se da construção de pistas como Jerez, em 1986, e de Montmeló, nos arredores de Barcelona, em 1991, da sua consolidação no calendário, e o seu regresso a Madrid.

 


FUENGIROLA, JEREZ E MONTMELÓ, UMA NOVA ERA


Em 1984, tentou-se o regresso, com a ideia de fazer uma pista nas ruas de Fuengirola, uma cidade balnear na província de Málaga, no sul da região da Andaluzia. Contudo, os problemas levantados foram de tal ordem que a ideia foi cancelada, e no lugar do GP de Espanha, veio o GP de Portugal, marcado para outubro, no autódromo do Estoril. 

Quando se tentou novamente, em 1985, e falhou, por causa de problemas de organização, o "alcaide" de Jerez, Pedro Pacheco Herrera, pediu a Sandro Rocci, um engenheiro de formação, que desenhasse um circuito permanente nos arredores da cidade, com a ideia de ter a Formula 1, a MotoGP e também de promover a industria local dos "sherries", um licor adoçado, do mesmo tipo do Vinho do Porto. 

A pista ficou pronta a 8 de dezembro de 1985, embora com as bancadas e as boxes ainda em construção, e a primeira corrida foi para o Espanhol de Turismos. Mas em abril do ano seguinte, tornou-se na segunda prova do calendário, e foi ganha por Ayrton Senna, que bateu Nigel Mansell por 13 centésimos de segundo. 

Apesar de um novo circuito permanente ter sido aplaudido, tinha os mesmos defeitos de Jarama: estreita e sinuosa. E como era longe de Madrid, Barcelona ou até de Sevilla, poucos eram os espectadores que vinham ver o Grande Prémio: raramente teve mais que dez mil espectadores. Em contraste, o GP de Espanha de motociclismo, que acontecia em abril ou maio, atraía, em média... 120 mil espectadores. 

Em 1990, a Catalunha decidiu construir um circuito permanente nos seus arredores, mais concretamente em Montmeló. Mas enquanto se desenhava a pista, a Formula 1 disputava ali a sua corrida, uma semana depois do GP de Portugal. Na qualificação de sexta-feira, o Lotus de Martin Donnelly bateu fortemente contra o guard-rail, destruindo o carro e ferindo gravemente o seu piloto. Muitos consideraram que a pista era suficientemente perigosa para ser tirada do calendário, mas a Formula 1 correu novamente em 1994 e 97, quando foi o GP da Europa. Nessa altura, a pista foi modificada, colocando uma chicane no lugar onde Donnelly bateu, bem como mais retas, para tirar a sinuosidade da pista.

O circuito da Catalunha ficou pronto a tempo da edição de 1991 do GP de Espanha, e ali assistiu-se a um duelo entre Nigel Mansell e Ayrton Senna, em plena reta da meta, e numa corrida húmida - a chuva fez a sua aparição - onde o britânico levou a melhor, num campeonato que acabou por ser ganho por Senna.

Em 1992, a corrida foi transferida para maio, a meio da primavera, e tornou-se, alternadamente com Imola, na prova inaugural da fase europeia do calendário. Nigel Mansell ganhou nesse ano, e até ao final da década, foi a Williams a ganhar boa parte das corridas. Notáveis excepções aconteceram em 1994 e 1996, quando Michael Schumacher foi o vencedor, especialmente na edição de 96, que aconteceu debaixo de chuva e tornou-se na sua primeira vitória ao serviço da Scuderia. 

Desde então, a Formula 1 aconteceu sempre em Montmeló, apesar da aparição de Valência, entre 2008 e 2012 - mas sempre foi o GP da Europa, nunca o GP de Espanha - e de ter sido das poucas corridas que aconteceram em 2020 e 2021, onde os anos da pandemia impediram a realização de boa parte das corridas inicialmente marcadas. 

Agora, 35 anos depois da última transferência, a Formula 1 regressa a Madrid, mas não saiu de Barcelona: haverá um GP da Catalunha, e até 2031, alternará em termos de calendário com outras pistas um pouco por toda a Europa. 


O Madring é uma pista mista: construída perto do pavilhão principal da Feira de Madrid, o IFEMA, em pouco menos de um ano, tem 5416 metros, 22 curvas, numa mistura de curvas lentas, de média e alta velocidade. Uma delas, já chamada "La Monumental", semelhante à última curva de Zandvoort, terá um ângulo de 13 graus, e para além disso, haverá bancadas com capacidade para 110 mil espectadores. Contudo, um mês antes, num evento de teste, com carros de Formula 3, houve mais de duas dezenas de amostragens de bandeiras vermelhas, podendo potencial um fim de semana complicado para máquinas e pilotos.

Resta saber se, com o GP espanhol a acontecer no seu nono circuito da sua sua história, o sucesso e o prestígio continuará. Pelo menos sabemos que eles correrão ali até 2035. 

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