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sexta-feira, 26 de abril de 2019

A imagem do dia

Hubert Hahne de prego a fundo no March 701, durante o fim de semana do GP da Alemanha, no principio de agosto de 1970. Transferido para Hockenheim às pressas, depois de uma ameaça real dos pilotos de boicotar Nurburgring, caso esta não fosse modificada para ser mais segura, o GP da Alemanha iria tentar ter um piloto local na grelha. Mas não aconteceu: Hubert Hahne, piloto da BMW na sua equipa de Formula 2, tentara a sua sorte, inscrevendo individualmente um March de Formula 1, com o dinheiro do grupo de jornais Axel Springer, que era dona de, por exemplo, o Bild, na altura, o jornal mais lido da Europa. Mas não conseguiu mais do que o último tempo, não se qualificando.

Irado, processou a fábrica, afirmando que esta lhe tinha dado um chassis com defeito. A March, que tinha Max Mosley como um dos seus fundadores - era o M - retorquiu que o carro não tinha nada de defeituoso, e chamou o sueco Ronnie Peterson para que desse algumas voltas nele em Silverstone, para ver o que se passava. Quando ele conseçou a fazer tempos tão bons quantos os carros de fábrica, guiados por gente como Chris Amon e Jo Siffert, Hahne desistiu da queixa. Poucas semanas depois, abandonou o automobilismo, afirmando que este chegou a um limite intolerável. Como muitos pilotos do seu tempo, tinha visto muitos pilotos morrerem, alguns deles seus amigos, como Gerhard Mitter e Jochen Rindt.

Hahne foi um dos pilotos mais interessantes da Alemanha dos anos 60. Essencialmente, andou nos Turismos e na Formula 2, especialmente ao serviço da BMW, ajudando a desenvolver os 2002 de primeira geração. Talvez seja por isso que nunca se interessou verdadeiramente pela Formula 1, como piloto: ser piloto de fábrica tinha as suas vantagens, especialmente quando em 1969 se tornou vice-campeão europeu, ao serviço da marca bávara. Foi ao serviço deles que, por exemplo, venceu as 24 Horas de Spa-Francochamps de 1966 ao lado de Jacky Ickx, e triunfou no Europeu de Turismos. Mas foi com um Alfa Romeo GTA que, por exemplo, foi o primeiro a fazer o Nordschleife em menos de dez minutos, ao volante de um carro de Turismos.

No período pós-Wolfgang Von Trips no automobilismo alemão, e depois da Porsche ter desistido da Formula 1 para apostar na Endurance, Hahne era um dos alemães que era seguido. Não havia muito mais, pelo menos até ao aparecimento de outros como Rolf Stommelen ou Jochen Mass, essa numa geração seguinte. Apesar de, tirando esta aventura na fase final da sua carreira, nunca se ter envolvido na Formula 1, foi as suas corridas nos Turismos que o tornaram famoso na sua Alemamha natal. E foi também por aí que os seus parentes também se aventuraram no automobilismo: Armin Hahne, seu irmão mais novo, venceu as 24 Horas de Spa-Francochamps em 1982 e 83, e o Bathurst 1000, em 1985, todos a bordo de Jaguares, sendo um dos raros estrangeiros a vencer a mítica prova australiana. E o seu sobrinho Jorg van Ommen, piloto da DTM nos anos 80 e 90 em carros da Mercedes.

Hubert Hahne morreu esta quarta-feira aos 84 anos, na sua Essen natal. Ars longa, vita brevis

The End: Hubert Hahne (1935-2019)

O alemão Hubert Hahne, um dos pilotos alemães mais importantes dos anos 60, morreu na quarta-feira aos 84 anos. Era o irmão mais velho de Armin Hahne, famoso por correr em Turismos duas décadas mais tarde, e tio de Jorg van Ommen, piloto que andou no inicio dos anos 90 no DTM alemão, ao volante de um Mercedes.

Apesar da sua carreira ter sido mais focada nos turismos, também teve participações nos monolugares, especialmente na Formula 2, onde foi ice-campeão em 1969, bem como quatro participações na Formula 1 entre 1966 e 1970, três deles quando os carros de Formula 2 podiam participar, embora sem pontuar para o campeonato. Para além disso, foi campeão europeu de Turismos em 1966, ao volante de um BMW, equipa onde correu em boa parte da sua carreira.

Nascido a 28 de março de 1935 em Essen, Hahne começou a correr em 1960 com um NSU, mas três anos depois, passou para um BMW 700CS, começando a sua carreira nos Turismos no ano seguinte, quando a marca bávara decidiu apostar a sério na categoria. Acabou por ser campeão nacional, e no ano seguinte, pegou no modelo 2002, e em 1966, deu nas vistas quando venceu as 24 Horas de Spa-Francochamps ao lado de um jovem local, então com 21 anos, chamado Jacky Ickx. No final desse ano, tornou-se campeão europeu e foi o primeiro piloto que fez menos de dez minutos no Nordschleife, numa corrida de suporte do GP da Alemanha.

Nessa altura, também aposta nos monolugares. A Formula 2 já existia há algum tempo, mas foi nesse ano que decidiram fazer um campeonato europeu. Alinhou nesse ano num chassis Matra, inscrito pela Tyrrell, onde acabou no nono posto. Nos dois anos seguintes, andou com chassis Lola, com motor BMW, pela equipa oficial, alternando com as provas nos Turismos. 

O seu grande ano foi 1969. Piloto oficial da BMW, ao lado de Gerherd Mitter e do austríaco Dieter Quester, num pelotão recheado de pilotos de Formula 1, o seu melhor resultado foi um segundo lugar em Hockenheim, no Jim Clark Trophy. Contudo, como os pilotos de Formula 1 não podiam pontuar no campeonato de Formula 2, em duas ocasiões, ficou com os pontos máximos, acabando vice-campeão, com 28 pontos, menos nove que o campeão, o francês Johnny Servoz-Gavin.

Mas também foi nesse ano que sofreu o seu ponto mais baixo. Durante a qualificação para o GP da Alemanha, Mitter sofreu um acidente fatal no Nordschleife, obrigando à retirada dos carros da BMW, incluindo Hahne, da grelha de partida.

Em 1970, a aventura da BMW não corria muito bem na Formula 2, e ele decidiu correr com um chassis March no GP da Alemanha. Foi a primeira e que alinhou num chassis de Formula 1, mas conseguiu o pior tempo e não alinhou na prova. Um mês depois, o seu amigo Jochen Rindt morre em Monza, e aos 35 anos, achou que era a melhor altura de pendurar o capacete.

Depois, viu os seus familiares terem carreiras nos Turismos, especialmente o seu irmão Armin, enquanto era o representante da Lamborghini na sua Essen natal.