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quarta-feira, 11 de março de 2026

As imagens do dia







Há 25 anos, em 2001, Tommi Makinen triunfava no Rali de Portugal, com o seu Mitsubishi Lancer Evo WRC, batendo o Ford Focus WRC de Carlos Sainz Sr. por 8,6 segundos, numa das distâncias mais estreitas até então. E claro, depois de um "showdown" na especial de Ponte de Lima, após a ultrapassagem de Sainz na especial anterior.

O que alguns sabiam, quando o rali chegou ao fim, depois de 22 especiais, era que poderia ser o último em algum tempo. Desde há alguns anos, especialmente depois de 1998, quando morreu o seu diretor e fundador, César Torres, que o rali estava em perigo, porque havia algum "lobby" para colocar no calendário do WRC o rali da Alemanha, uma prova em asfalto.

E para além do "lobby" para tirar Portugal para ajudar a Alemanha - afinal de contas, um dos mercados mais poderosos da Europa e do Mundo, que nunca tinha tido um rali no WRC - outro motivo ajudou para o desfecho: o tempo. O final de inverno de 2001 foi dos mais chuvosos até então. Semanas e semanas onde não se viu um raio de sol, em certas partes do país, e para piorar as coisas, menos de uma semana antes, a 4 de março, uma ponte centenária tinha caído na localidade de Entre os Rios, no preciso momento em que passava um autocarro de excursão, matando 59 pessoas, num dos piores acidentes rodoviários da Europa até então.

O rali tinha o seu centro nevrálgico em Matosinhos, mas se no primeiro dia, o tempo ajudou um pouco, nos dias seguintes, parecia que havia uma conspiração meteorológica: nevoeiro, chuva, muita água, lama, mesmo muita lama. As classificativas rapidamente ficaram destruídas pela passagem dos carros. Pouco mais de 25 por cento dos pilotos participantes chegariam ao final. Apesar de tudo, foi um rali competitivo entre Makinen e Sainz Sr, onde nenhum deles perdeu de vista um do outro, ao ponto de, na última especial, o piloto finlandês ficou à espera no final para ver o que o espanhol da Ford fazia, se tinha conseguido ou não passá-lo, é dos momentos mais icónicos da história do WRC. 

Mas de resto, foi um inferno aquático. Os reconhecimentos, para as marcas, foram um pesadelo, e para os privados pior. Muito pior. A Hyundai, por exemplo, era a única equipa que usava carros de tração a duas rodas nos reconhecimentos e Kenneth Eriksson recordou o calvário, anos depois: “Em quase todos os troços ficámos presos. Tentar conduzir na lama tornou-se impossível, era muito complicado concentrarmo-nos em fazer notas de ritmo adequadas.

Na sexta-feira do rali, dia 9 de março, os três primeiros troços desse dia, Vizo, Fafe/Lameirinha e Vieira/Cabeceiras, deveriam ter sido todos repetidos, mas apenas o Vizo teve segunda passagem, já que os restantes dois troços foram cancelados, por motivos de segurança. A razão? Nuvens muito baixas, que impediam a movimentação de equipamentos de segurança - uns juravam que tinha sido uma ambulância presa, outros, o helicóptero não poderia levantar com uma cobertura tão baixa.

E os pilotos - bem como os navegadores - ficaram impressionados com o que estava a acontecer. “O Safari com chuva é um verdadeiro passeio comparado com este Rali de Portugal”, disse na altura Nicky Grist, co-piloto de Colin McRae na Ford. Até os carros da organização sofriam nas especias, ficando presos. “Não há muito mais a dizer quando um carro da organização fica atolado. Isso significa que não havia mesmo condições de segurança”, disse Richard Burns, então piloto da Subaru.

No final, e numa altura em que o WRC tinha 14 provas no calendário e queriam "chutar" um rali para dar lugar à Alemanha, o escolhido foi um dos originais - estava no calendário desde 1973, no primeiro ano da competição. Foram aproveitadas as falhas, nomeadamente as questões de segurança - curiosamente, nada tinha a ver com os espectadores, bem mais comportados que nos tempos "selvagens" dos anos 80 do século anterior - e o rali caiu do calendário.

O rali acabaria por regressar em 2007, mas a condição para o seu regresso era de que tinha de ser realizado no Algarve.  As autoridades locais ofereceram bom apoio comercial, e era uma área em que o tráfego e a quantidade de espetadores era menos problemática. Contudo, os espectadores queriam que o rali regressasse para o Norte, pois para eles, era onde batia o "coração" dos ralis. O regresso só aconteceu em 2014, 13 anos depois deste março muito chuvoso. 

E nos nossos dias de 2026, o rali de Portugal, apesar de percorrer no Norte e Centro do país, e acontece a meio de maio, em vez de ser no meio de março, continua a ser bem popular entre pilotos e espectadores, e voltou a ter o prestigio que tinha antes. Quanto à Alemanha, o rali que substituiu, a partir de 2002, apesar de uma paisagem de vinhedos e de classificativas como a Panzerplatte... já não acontece desde 2019.   

terça-feira, 6 de outubro de 2020

WRC: Toyota dia que não haverá ordens de equipa entre seus pilotos


A Toyota anunciou esta terça-feira que não haverá ordens de equipa entre seus pilotos no rali da Sardenha, que acontece neste final de semana. Tommi Mäkinen, o chefe de equipa da Toyota Gazoo Racing, afirmou que não é adepto de ordens de equipa, deixando assim os seus pilotos lutaram pelo título, tendo sempre em mente o título de construtores para a Toyota.

Ainda preciso de falar com os pilotos, mas não vejo qualquer possibilidade de ordens de equipa na Sardenha. Sabem que não sou grande fã disso. O Elfyn [Evans] tem o pior lugar para começar e o Seb [Ogier] tem o segundo pior. Nunca se sabe o que pode acontecer”, disse Mäkinen ao site dirtfish.com.

O mais importante é o título de construtores. Claro que não podemos ter o risco de ter carros a lutar, mas ainda temos de ver”, finalizou.

Neste momento, a Toyota lidera o mundial de Construtores com 174 pontos, mais nove pontos do que a Hyundai.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

WRC: Toyota toma conta da sua operação a partir de 2021


Depois dos sucessos que Tomi Makinen está a ter com o seu programa de ralis no WRC, a Toyota decidiu que a partir de 2021 as operações serão feitas a partir da fábrica. Makinen ficará como conselheiro da equipa. Apesar desta mudança de mãos, tudo fica na mesma:  a base de operações é nas instalações de Puppola, perto de Jyväskylä, na Finlândia, enquanto a construção dos carros é em Tallinn, na Estónia.

No comunicado oficial, Tomi Mäkinen afirmou que o “objetivo do projeto da Toyota no WRC era retornar às operações no mundo dos ralis com uma organização flexível, algo que só acontece com uma companhia pequena. Posso dizer, com felicidade, que esse objetivo foi atingido e agora é tempo de eu ter outros desafios com a Toyota. Quero agradecer ao Akio Toyoda [Presidente da Toyota Motor Corporation] por ter confiado em mim e apoiado este projeto”.

Desde que a Toyota regressou ao WRC, em 2017, a Toyota ganhou o Campeonato do Mundo de Construtores em 2018 e levou Ott Tänak e Martin Järveoja ao título Mundial em 2019. Em 2020, a equipa lidera também o Campeonato de Construtores e no Campeonato tem dois dos seus pilotos nos dois primeiros lugares: o galês Elfyn Evans e o francês Sebastien Ogier.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

WRC: Meeke vai para a Toyota para tentar o campeonato

Kris Meeke, com quase 40 anos, vai para a Toyota para tentar a sua sorte no campeonato. Pelo menos é essa a sua intenção. Em declarações à revista inglesa Motoring News, o britânico revelou a sua ambição para 2019 e seguintes, ao serviço da Toyota Gazoo Racing.

O meu principal objetivo é o sucesso, quero ser Campeão do Mundo de Ralis e ainda acredito que posso sê-lo. O ambiente na Toyota é muito bom, completamente diferente do que já tive na minha carreira e por isso vamos tentar aproveitar esse sentimento e tentar ser Campeão do Mundo” disse.

Meeke, despedido da Citroen depois do Rali de Portugal, terá nova chance em 2019 com os carros da Toyota. E Tommi Makinen, o seu diretor, também já disse que os seus pilotos - Ott Tanak, Jari-Matti Latvala e o próprio Meeke - terão oportunidades iguais para lutarem pelo título.

Todos terão as mesmas chances e faremos o máximo possível com os três carros para tentar obter os melhores resultados possíveis. Mas o que eles fazem, e o que conseguem fazer, cabe a eles, vamos deixá-los concentrarem-se na condução”, começou por dizer.

Quero que o Kris aproveite. Nós vimos este ano com Jari-Matti, quando lhe tirámos pressão, a velocidade, o prazer e os resultados apareceram. O Kris tem que pilotar para se divertir, isso é o mais importante. Eu não quero que ele sinta qualquer pressão, e se ele o conseguir pode tirar o melhor do carro”, concluiu.




quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Rumor do Dia: Meeke assina pela Toyota

Kris Meeke pode já ter assinado pela Toyota. Segundo conta hoje a Autosport britânica, o piloto britanico de 39 anos andará nos carros de Tommi Makinen em 2019, provavelmente em substituição de Esapekka Lappi, que irá para a Citroen. O anuncio oficial será feito a 18 de outubro, antes do Rali da Catalunha.

Makinen não quis dar pormenores sobre essa hipótese, mas admitiu que Meeke e o irlandês Craig Breen têm potencial para correr na sua equipa. "Realisticamente, não estamos pensando em muitas opções se quisermos lutar pelo campeonato dos fabricantes", começou por dizer Makinen.

"Estamos nos preparando para possíveis mudanças [na equipa]. Estamos investigando possíveis [alternativas] e temos boas chances. Não há nada a dizer no momento. Estamos trabalhando [em conjunto com a sede] no Japão sobre este assunto agora.", concluiu.

Quem o acolheria de bom grado na equipa é o estónio Ott Tanak. Durante o Rali de Gales, elogiou o piloto britânico. "Não é uma escolha minha, mas Kris é um piloto rápido. Todos nós sabemos disso", disse Tanak à Autosport. 

"No geral, acho que seria uma equipa forte.", concluiu.

Meeke, de 39 anos, foi despedido no final de maio, após o Rali de Portugal, devido aos acidentes sofridos ao longo da temporada. Ele, que deu à marca do "double chevron" o seu primeiro pódio da temporada no México, um terceiro lugar. 

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

WRC: Toyota quer Meeke

Kris Meeke poderá voltar ao WRC em 2019, desta vez como piloto da Toyota, depois da saída traumática da Citroen, nesta primavera. 

Em declarações ao site motorsport.com, Tommi Makinen, o responsável máximo da equipa fino-japonesa, revelou ter falado com o piloto britânico, despedido depois do acidente que teve no Rali de Portugal, e "ele pode ser uma opção, uma possibilidade. Iremos falar com o Japão e olhar para diferentes opções. Tivemos uma conversa telefónica recentemente.

Makinen reconhece que Meeke "é um piloto rápido, por vezes até rápido demais. Penso que ele tem idade e experiência, e acho que pode ter um bom desempenho.

Aos 39 anos - nasceu a 2 de julho de 1979 - Meeke correu na Citroen entre 2013 e 2018, conseguindo como melhor resultado nesta temporada um terceiro lugar no Rali do México, até sofrer acidentes no rali de Portugal, o suficiente para que fosse despedido. Durante o seu tempo na marca do "double chevron", Meeke conseguiu as suas cinco vitórias que tem na sua carreira, começando no rali da Argentina de 2015 e acabando no Rali da Catalunha de 2017.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

The End: Timo Makinen (1938-2017)

O finlandês Timo Makinen, lenda dos primeiros tempos dos ralis e um dos primeiros "finlandeses voadores" ao lado de Rauno Aaltonen e Pauli Toivonen, morreu hoje aos 79 anos, anunciou a imprensa finlandesa. Piloto de ralis ao longo dos anos 60 e 70, venceu por três vezes o Rali dos Mil Lagos e o Rali RAC, em carros como o Mini Cooper, o Saab 96 e o Alpine A110, entre outros.

Nascido a 18 de março de 1938 em Helsinquia, começou a correr em 1959 no Rali dos Mil Lagos (atual Rali da Finlândia), a bordo de um Triumph TR3. Nos anos seguintes, correu a bordo do Austin-Healey e em Minis, acabando por ser segundo classificado no Rali RAC de 1963, num Austin-Healey. No ano seguinte, correu em Minis, e foi aí que conseguiu a sua primeira grande vitória, o Rali de Monte Carlo de 1965.

Dois anos depois, Makinen foi protagonista de um momento inesperado: durante o Rali dos Mil Lagos, o seu capô abriu durante a temida classificativa da Ouninpohja. Sem poder espreitar para fora do carro - o seu capacete era demasiado grande! - Makinen teve de confiar no seu instinto para poder acabar o rali em condições. Mesmo assim, conseguiu o terceiro melhor tempo nessa classificativa. E isso até deu uma aura de misticismo neste rali, que acabou por vencer pelo terceiro ano consecutivo (tinha também vencido em 1966).

Quando o Mundial de ralis foi criado, em 1973, Makinen era piloto oficial da Ford, vencendo pela quarta vez o Rali dos Mil Lagos e o Rali RAC. Iria ser a primeira de três vitórias consecutivas, repetindo em 1974, também num Ford Escort (fora segundo no Rali dos Mil Lagos) e 1975 (com um terceiro lugar no rali finlandês). A sua última grande vitória nos ralis foi em 1976, no Rali da Costa do Marfim, a bordo de um Peugeot 504, tendo como navegador um francês chamado Jean Todt.

A sua carreira foi até 1980 em vários carros, essencialmente Peugeots e Ford. Contudo, voltou em 1994 ao Rali de Monte Carlo, a bordo de um Rover Mini Cooper, para comemorar os 30 anos da estreia da marca nos ralis. Acabou por desistir na segunda especial devido a problemas de motor.

Em 2010, Makinen foi um dos primeiros induzidos ao Rally Hall of Fame, ao lado da Rauno Aaltonen, Paddy Hopkirk e o sueco Erik Carlsson. Ars longa, vita brevis.