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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Os tributos ao Prof. Syd Watkins

Os tributos aos professor Syd Watkins, morto ontem aos 84 anos num hospital em Londres, foram enormes e vêm de todos os lados da Formula 1, em puro reconhecimento das suas contribuições para o desenvolvimento da modalidade em termos de segurança. O jornalista britânico Adam Cooper colocou esta tarde um post no seu blog, onde colocou depoimentos da FIA, Jean Todt, a Grand Prix Drivers Association (GPDA), Christian Horner, o diretor da Red Bull, Sir Frank Williams, Ron Dennis, o presidente da McLaren.

"Graças aos seus enormes esforços presentes ao longo de duas décadas, a Formula 1 alcançou os niveis atuais de segurança. A sua contribuição no capitulo dos melhoramentos, quer no capitulo da segurança, quer no capitulo da intervenção médica, foram valiosas. Ao modernizar a intervenção médica, ajudou a salvar as vidas de muitos pilotos de Formula 1, e graças ao seu trabalho, muitos acidentes graves foram evitados", lê-se no comunicado da Grand Prix Drivers Association (GPDA).

Desde a noite passada que muitos atuais e antigos pilotos estão a colocar os seus tributos ao professor nas suas contas do Twitter, demonstrando a sua importância no mundo da Formula 1, colocando ênfase na sua contribuição para que a Formula 1 seja uma modalidade cada vez mais segura, reduzindo a zero os acidentes graves e mortais.

Entretanto, a família, em comunicado, agradeceu as inúmeras mensagens de apoio e fez saber que o seu funeral vai acontecer nos próximos dias, na Escócia. Um memorial em seu tributo será organizado nas próximas semanas em Londres, cujos detalhes ainda não são conhecidos.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Timmy Mayer - 45 anos depois

Quem me "lembrou" hoje sobre Timmy Mayer foi o Daniel Médici, no seu excelente Cadernos do Automobilismo, que por estes dias está a explorar algo que ainda ninguém, pelo menos nos falantes em português, tenha feito: a Tasman Series, uma competição que desenrolava em pistas australianas e neozelandesas, e que teve as suas épocas de glória entre 1964 e 69.


Como é obvio, este nome pode não vos dizer nada, mas se puxarem um pouco pela memória das últimas semanas, certamente recordar-se-ão do seu irmão Teddy Mayer, falecido há algumas semanas. Timmy, irmão mais novo de Teddy, foi um apaixoando por automobilismo, e ajudou a montar a Bruce McLaren Motor Company Ltd. com o seu irmão, Tyler Alexander e outros entusiastas do desporto automóvel.


Teve uma passagem efémera pela Formula 1 (uma corrida, em 1962, pela Cooper), mas tinha planos para correr toda a temporada de 1964 pela Cooper, ao lado de Bruce McLaren. Nessa altura correu na Tasman Series, onde conseguiu quatro pódios, antes da corrida fatal, em Longford, na Tasmânia, quando perdeu o controlo do seu carro numa recta e bateu numas arvores que estavam no caminho, tendo morte imediata.

Algumas semanas mais tarde, McLaren escreveu um artigo de homenagem ao seu companheiro e amigo morto, como forma de tributo ao seu caractér, como uma forma de dedicar o triunfo na Tasman Series daquele ano. Foi aí que escreveu a tal frase que serve de lema a este blog, e que seis anos depois lhe serviu, tragicamente, como seu epitáfio.

Eis o artigo, traduzido na integra:


"Sentamo-nos no topo das boxes, aproveitando o sol de Longford, esperando para que começasse a primeira sessão de treinos: eu, Timy, a sua mulher Garril e os mecânicos - a nossa equipa. Dali, tinhamos a pitoresca vista do campo, e imediatamente abaixo de nós ficava o "Paddock", com coloridos e polidos carros desportivos.


Estavmos felizes. Era o último evento da série. Nos dois meses em que nós corremos, trabalhamos e relaxamos juntos, talvez mais do que todos nós, Timmy estava gozando a temporada. Tinha confessado que adorara verdadeiramente ter estado na Austrália. Inteligente e charmoso, tinha feito dezenas de amigos. Quem não o conhecesse, não acreditava ver um corredor, tinha de o cohnhecer verdadeiramente para notar o seu desejo de competir, fazer algo melhor do que a pessoa ao lado, seja a nadar, e fazer esqui aquático ou a correr.


Então, quando durante a segunda sessão de treinos, soubemos que tinha batido a alta velocidade, soubemos imediatamente que era mau, mas sabiamos que ao menos, estava a fazer o que mais gostava. As noticias de que teve morte imediata foram um terrivel choque para todos nós. Mas quem é que nos diz que nos seus curtos 26 anos de vida fez mais, viu mais, e aprendeu mais do que muitos de nós fizeram nas suas vidas? É trágico, particularmente para nós, os que ficaram para trás. Planos que foram cancelados, e esperanças que desapareceram. Sem homens como Tim, tais planos e esperanças já não significam nada.


Fazer algo bem vale tanto a pena que morrer fazendo ainda melhor, não pode ser loucura. Não consigo dizer isto muito bem, mas sei que isto é verdadeiro. Seria um desperdicio fazer coisas com as habilidades dos outros, mas para mim a vida é medida por realizações e não por anos.


A aqueles que mostraram á sua mulher Garril, ao seu irmão Teddy e aos restantes membros da nossa equipa, as suas simpatias e considerações, quero dizer 'obrigado'. Os vários telegramas que nos chegaram um pouco de todo o mundo são o testemunho do vasto circulo de amigos que tinha e da perda que sentiram.


Timmy era um verdadeiro amigo e um excelente companheiro de equipa"