sexta-feira, 1 de julho de 2016

Critica cinematográfica a "Steve McQueen: The Man and Le Mans"

Ontem à noite tive a oportunidade de ver o documentário "Steve McQueen: The Man & Le Mans", feito em 2014 para falar sobre a obsessão do ator Steve McQueen (1930-80) sobre a ideia de filmar as 24 Horas de Le Mans, em 1970. As filmagens atribuladas e o mau resultado nas bilheteiras provocaram um impacto na vida e carreira do ator, que durante as filmagens divorciou-se da sua primeira mulher, Nelle Adams, e onde o piloto David Piper sofreu um acidente que lhe causou a amputação da sua perna direita abaixo do joelho.

O filme começa com uma conversa de McQueen no seu leito de morte, no verão de 1980, depois de ter ido ao México para tentar encontrar um tratamento para remover os seus tumores no pulmão. Ele afirmou que estava convencido que os tinha por causa do seu contacto com amianto - que havia nos fatos de competição nos finais dos anos 60 e inicio dos anos 70 - e o stress que tinha tido ao lidar com a industria de Hollywood.

Depois prossegue com o contexto em que o filme foi feito, numa altura de revolução cultural em Hollywood, o fim do "star system" e o experimentalismo em termos de direção dos filmes, e a obsessão de McQueen em fazer um filme sobre automobilismo. Tinha querido fazer "Grand Prix", mas não conseguiu, tentou fazer outro filme, o "Day of the Champion", com John Sturgees, mas que não deu certo, porque foi feito demasiado tarde (Grand Prix ficou pronto mais cedo) e também os problemas que passava devido à sua personalidade e as coisas que tinham acontecido em Hollywood, especialmente com os homicídios de Sharon Tate e Jay Sebring, às mãos de Charles Manson e dos seus alcóltos. McQueen era para ter ido à festa dessa noite, e descobriu depois que estava na lista dos alvos a abater por Manson.

No documentário, falam Adams e Chad McQueen, seu filho, que faz um "tour" a Le Mans para recordar os tempos que lá passaram. Fala-se da Solar Produtions e do feito de McQueen em Sebring, quando foi segundo ao lado de Peter Revson e de como o isso fez ser respeitado pelo meio, e fala-se sobre os pilotos que ajudaram a fazer o filme, especialmente três deles: os britânicos Derek Bell, Jonathan Williams e David Piper. Para Williams - que guiou o Porsche 908 modificado com três câmaras de filmar, uma à frente e duas atrás - esta seria a sua última aparição pública antes de morrer, em 2014.

Também se fala sobre as atribulações das filmagens, que duraram três meses, e que custou mais de 1,6 milhões de dólares fora do orçamento (era para ser de seis milhões), e das tensões entre o produtor, o realizador (era para ser John Sturgees, mas desistiu a favor de Lee Katzin) e o ator, que andava obcecado com a sua visão do filme, contra a visão "hollywoodesca" do resto, especialmente quando não havia um argumento, e quando existiu, as visões divergentes sobre o que a personagem deveria ser. McQueen queria uma personagem "falhada", algo que os produtores estavam contra. Fala-se de que houve mais de um milhão de és de filme que nunca foi usado e que tinha sido destruído, mas na realidade, muita dessa filmagem acabou por sobreviver.

É um documentário bem feito, onde não se pode observar sem sentir uma melancolia por ver as obsessões de um homem serem desfeitas pela realidade das coisas em 1970. De sentir responsabilidade pela vida dos pilotos presentes - a cena em que escreve aos produtores para darem as receitas do filme à familia de David Piper era algo que o próprio nunca soube até que entregaram a cópia da carta ao próprio - e no final, ele conta a desilusão que foi fazer o filme, que acabou também por destruir o casamento, devido às constantes infidelidades do ator.

No final, observamos a obsessão de um homem que estava à frente do seu tempo, e mesmo que a sua visão não fora concretizada na sua totalidade, o filme acabou por se tornar num culto para os fãs de McQueen e os "petrolheads" por esse mundo fora. São 112 minutos que vale a pena serem vistos.

Caso queiram ver o filme, basta seguir este link e fazer o "download"

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