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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

O truque na manga de Elon Musk

Sabia-se desde há muito que estava para aparecer um camião da Tesla, para tentar responder às necessidades de um veículo de transporte de longo curso, que também tem a sua quota-parte na poluição atmosférica. Contudo, nesta madrugada, a última coisa que se esperava nessa apresentação era que Elon Musk mostrasse ali o novo Roadster!

Primeiro que tudo, numa altura em que o Model 3 está a ter problemas de escoamento na produção - o próprio Musk admite que esses problemas poderão ser resolvidos no inicio do ano que vêm - a Tesla vinha há algum tempo dizer que iria apresentar uma versão para pesados dos seus veículos elétricos. E na sua apresentação, apareceu com um pacote completo: um camião pesado, ou seja com mais de 3,5 toneladas, com uma aceleração de 0 a 100 km/hora de cinco segundos, só o cavalo mecânico, e com o reboque, mais 36 toneladas de carga, será de vinte segundos.

Terá uma autonomia de 800 quilómetros com uma só carga, e o posicionamento do condutor e no meio da cabine, muito semelhante ao posicionamento do McLaren F1 de 1992. Aliás, o próprio Musk disse que o camionista "estaria posicionado como um piloto de automóveis". E quanto à autonomia, apesar de haver quem haja céticos, na apresentação, a empresa afirmava que 80 por cento das viagens são feitas em distâncias inferiores a 400 km.

É o maior desafio de Musk até agora. É verdade que desafios não são um problema para o multimilionário americano de origem sul-africana, mas ter um camião elétrico é território desconhecido para ele, e como já foi dito acima, pode ser apenas uma proposta para resolver um problema existente, que é a camionagem, que representa uma percentagem importante no transito das estradas um pouco por todo o mundo e claro, um contribuidor para a emissão de gases com efeito de estufa, pois a esmagador maioria desses camiões usam motores Diesel.

Mas a nova geração do Roadster foi o truque na manga de Musk nessa apresentação, pois não era nada esperado. Até hoje, especulava-se sobre o carro. Falava-se que poderia aparecer depois de 2020 e algumas pessoas, especialmente os que passavam os "referral codes" nos seus canais do Youtube onde as pessoas poderiam ter um desconto de mil dólares na compra de um Model 3 - que ainda tem 18 meses de lista de espera - tinham dito que já tinham direito a ter um Roadster, mesmo antes de se saber os desenhos do carro.

Agora, já se sabe: com um design a fazer lembrar o McLaren, terá uma bateria de 200 kW - o mesmo que tem os carros da Formula E, e as acelerações são impressionantes: eles prometem um limite de velocidade superior a 250 milhas por hora, ou... 402 km/hora, tão poderoso como o Bugatti Chiron ou o Koeingssegg Agera, para além de um "0 aos 100" em meros 1,9 segundos! E a autonomia está colocada em 620 milhas, ou seja, 997 quilómetros com uma só carga. São mil quilómetros, para arredondarmos as coisas. E é neste momento, o carro em produção com a maior autonomia de sempre.

Em suma, este Roadster está a entrar no domínio dos hipercarros. Contudo, há coisas que ainda não se sabem, como por exemplo, o eu peso. É que o Chiron, por exemplo, pesa duas toneladas, enquanto que o Agera tem 1395 quilos, o suficiente para colocar o recorde de velocidade de carro de produção nos 447,2 km/hora. E claro, sendo um hipercarro elétrico, o preço tem de ser condizente: 200 mil dólares, com uma reserva de 50 mil para os primeiros mil clientes.

Veremos se tudo isto será real. Sim, digo isto porque ainda existe aqueles que gritam a plenos pulmões que Musk é uma fraude e que ele falhará espectacularmente naquilo que muitos falam que é "banha da cobra". Mas com este carro, poderá marcar uma era nos hipercarros.   

domingo, 15 de janeiro de 2017

Como é o Top Gear noutros lados?

Sei perfeitamente que o Top Gear já não é o mesmo depois da BBC ter despedido o "gorila" Jeremy Clarkson, arrastando consigo os outros dois apresentadores o Capitão Lento (James May) e o "Hamster" (Richard Hammond). E a primeira temporada do Top Gear após estes três foi, no mínimo, cacofónico. Chris Evans, Eddie Jordan, Sabine Schmitz, Rory Reid, Chris Harris e sobretudo Matt LeBlanc (o Joey de "Friends") estiveram ali presentes, acabando com Evans a ir embora no final da temporada, depois de se apresentar como... o triunfo da BBC.

Com a 24ª temporada a ser gravada, e reduzidos em um elemento, e enquanto nos deliciamos a ver os "Três Estarolas" no seu "The Grand Tour", calhou por acaso, durante esta semana, ver episódios dos Top Gear noutros lados. A BBC, nestes últimos anos, exportou o programa para outros países, com muita gente a dizer que isso é um erro, e o melhor - e único - é ver os originais, os ingleses, e tudo o resto é treta. Chamem-lhes criticos ou puristas, mas as criticas existem, e os "spinoffs" também.

Até agora, já houve programas com esse nome na Austrália, Estados Unidos, França, Itália, Rússia, China e Coreia do Sul. E provavelmente poderemos ter outros programas noutros lados. Tive a oportunidade de ver os programas feitos em França, Itália, e Estados Unidos, pois estão em atividade, embora no caso americano, o programa iria deixar de ser emitido no Canal História a partir do final do ano passado. Apesar disso, eles querem andar à procura de outro canal para emitir.

Comecemos pelos americanos. Um trio de doidos - o comediante Adam Ferrara, o especialista Rutlege Wood e o piloto Tanner Foust são os apresentadores da versão americana, onde eles essencialmente se metem em desafios com carros, de origens mais doidas que se podem julgar, e no final, experimentam um supercarro. E o mais interessante de tudo foi o último episódio, onde eles foram a Cuba, sendo mais um dos programas que aproveitou o levantamento do embargo americano à ilha para filmar toda aquela arqueologia automobilística, mas também a sede dos cubanos pelos seus carros... sejam eles os americanos dos anos 50, ou os Ladas soviéticos.


No caso francês, eles já vão na sua terceira temporada. Os apresentadores também são três: o ator Philippe Lelouche, o piloto Bruce Jouanny e o jornalista Yann Maret-Menezo, que tem umas vestimentas... excêntricas. Como disse, está agora a começar a terceira temporada, e para terem uma ideia, na semana passada andavam em aulas de condução com... Jacques Laffite.

O italiano é recente, só tem uma temporada. Os apresentadores são ecléticos: o apresentador Guido Meda, o "chef" italo-americano (sim, um chef!) Joe Bastianich e o piloto Davide Valsecchi, campeão da GP2 em 2012. 


Destes três, há diferenças entre eles. Se as versões francesa e italiana seguem um pouco o original - os testes são feitos em aeródromos, há um The Stig, fazem desafios, convidam celebridades para andar num carro "normal" (um Dacia Sandero na versão francesa, um Seat Ibiza na versão italiana) e testam supercarros - no caso americano, houve alterações, privilegiando o entretenimento. Não há pista, o The Stig aparece cada vez mais raramente e as celebridades a testar o Suzuki Swift desapareceram. Esse foi o único que conseguiu ir para além da versão original.

Há outra coisa do qual faz com que as coisas dêm certo: a química entre apresentadores. Vi essa química nos três americanos e de forma surpreendente, nos três franceses. Na versão italiana, ainda é cedo para se ver, mas na nova versão britânica, a cacofonia estragou bastante essa parte. Mas vi química entre o Rory Reid e o Chris Harris, quando apresentavam o "Extra Gear", o "spinoff" que arranjaram para o Top Gear. Por causa disso, na próxima temporada, vão juntar esses dois ao "Joey", que se adaptou muito bem aos ares ingleses. E já agora, o Chris "Monkey" Harris também têm a sua dose de polémica, pois como Clarkson, também é um desbocado.

Em suma, o Top Gear pode ter conserto, assim que se estabilizarem, mas não serão mais o antigo. Quanto aos outros, vai depender dos gostos dos espectadores. A versão francesa até que é bem recebida, no canal RMC Decouvérte, enquanto que o italiano, ainda tem de se ver. ainda está um pouco a seguir o guião inglês (o episódio onde atravessam Roma em vários tipos de veículos é uma cópia do que os Três Estarolas fizeram em Londres e St. Petersburgo) e libertar-se disso não é fácil. Não sei se por questões legais, se por falta de imaginação dos argumentistas, mas os americanos, de uma certa forma, conseguiram. 

Vamos a ver se os outros conseguem fazer coisas originais, porque até pode ser uma maneira deles prolongarem o programa.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Os Sete e o Top Gear

Quem cresceu nos anos 80 neste retângulo à beira-mar plantado (como eu) lembram-se dos livros de Enyd Blyton, como "Os Cinco" e "Os Sete", quase invariavelmente acompanhados por um cão. Esse grupo de crianças e pré-adolescentes tropeçavam em mistérios que invariavelmente acabavam com os "maus dos livros" a serem presos pela policia. Por estas bandas houve - e há - uma versão nacional, com os livros de "Uma Aventura...".

Poderemos dizer disto do novo alinhamento do "Top Gear", mas... não. Não é que não seja algo totalmente novo. Basta recuar até ao final do século XX para ver como era o programa nesse tempo. Também era povoado com muita gente - tinhas o Clarkson, mas tinhas também Tiff Neddell e Vicky Butler-Henderson, entre outros. E nesse tempo, era um programa um pouco parecido com um programa qualquer sobre automóveis, onde se mostravam modelos novos, davam-se dicas sobre consumo, mecânica, etc. Um pouco como podem ver agora no "Fifth Gear", o programa semelhante no Channel 4 inglês.

Agora, poderemos dizer que o novo Top Gear vai ser povoado. Teremos Eddie Jordan e Chris "Monkey" Harris, para além da Sabine Schmitz, do Matt LeBlanc, e Rory Reid, o rapaz do canto esquerdo que juro, nunca ouvi falar. Teria tido mais piada se fosse o Idris Elba (outro petrolhead), mas não quero acreditar que isto tenha sido um alinhamento "politicamente correto". Sabendo que a BBC luta para controlar estas coisas, é uma chance que está sempre em cima da mesa.

Não creio que isto seja um quadro estável, tenho o meu cepticismo. E como eu, muitos milhares, que foram habituados durante muitos anos a três apresentadores que dizendo o que vinham na alma, divertiam-se imenso e passavam esse gosto a nós, os espectadores. Fazer um "back to basics", só porque a BBC quer apaziguar os seus criticos, seria - pelo menos para mim - um recuo, e provavelmente as ameaças de muitos de que não verão mais o programa, podem ser realidade.

E depois, pergunto-me: como vão encaixar sete no programa? Presumo que não vão aparecer todos em todos os episódios, pois seria uma cacofonia - ou então, o programa teria duas horas - e claro, duvido que vão fazer as mesmas coisas que os "três estarolas" faziam. Vocês veriam Sabine e o Eddie, por exemplo, nas selvas africanas a bordo de um carro de 1500 libras? Talvez não...

Enfim, apesar do meu ceticismo, veremos no que isto vai dar a partir de 8 de maio. Desejo-lhes sorte, embora ache que as botas que eles vão calçar serão muito grandes...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O novo apresentador do Top Gear

No meio das tropelias que temos visto nas noticias, parece que o pessoal do Top Gear anunciou outro apresentador que alinhará ao lado de Chris Evans na nova encarnação do programa, que irá para o ar a partir do dia 8 de maio. O ator americano Matt LeBlanc, o Joey Tribbiani da série "Friends" aparentemente será o co-apresentador (oficial) do programa, ao lado do The Stig. 

Um legitimo "petrolhead" (é frequente ser visto nas boxes de alguns Grandes Prémios de Formula 1), LeBlanc, atualmente com 48 anos, já apareceu no programa na encarnação anterior, como um dos convidados para a "Estrela Num Carro Razoável", conduzindo um Kia Ce'ed. 

Este é o segundo apresentador a ser confirmado, embora se fale que outros nomes, com a alemã Sabine Schimtz e o britânico Chris Harris possam também ser apresentadores do programa.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Youtube Automobile Presentation: A nova temporada do Top Gear... França

Ano passado, a RMC Decouvérte decidiu fazer a sua própria versão do Top Gear. Arranjaram três apresentadores, fizeram algumas coisas fixes e aparentemente as coisas correram suficientemente bem para que fizessem uma segunda temporada, que se vai estrear algures este mês.

Eis o video de apresentação da nova temporada. Parece que não são muito fãs do Fiat Multipla...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Estes vão ser os apresentadores do novo Top Gear

Desde que Jeremy Clarkson foi despedido do Top Gear, em março, que se fala o que vai acontecer ao programa. Desde há algum tempo que se sabe que o radialista Chris Evans será o apresentador principal, mas não se sabia muito bem se ele iria apresentar o programa sozinho, ou teria outros apresentadores. Contudo, hoje, o Daily Telegraph anuncia que poderão existir mais... três, uma delas uma mulher, e um ex-piloto de Formula 1 poderá andar por ali.

E eles são (para além de Evans): Chris Harris, Sabine Schimtz e David Coulthard.

Chris Harris é um apresentador conhecido... mas não na televisão. Ele faz um programa no Youtube chamado "Harris on Cars", onde faz como todos os outros, ou seja, experimenta carros. Quanto a Coulthard, estamos conversados (para quem conhece o seu palmarés no automobilismo), mas +ara quem não conhece, direi que tem 247 Grandes Prémios de Formula 1, entre 1994 e 2008, em equopas como Williams, McLaren e Red Bull, vencendo por 13 vezes, fazendo 12 pole-positions e 18 voltas mais rápidas, bem como esteve 63 vezes nos pódios de Formula 1.

Sabine Schmitz, a piloto alemã de 46 (nasceu a 14 de maio de 1969) anos é conhecida por ser a "rainha do Nurburgring", por conhecer o Nordschleife como se fosse a palma das mãos. Para além disso, já apresentou um programa de automóveis na Alemanha, o "D Motor", e de quando em quando compete, como aconteceu este ano no WTCC, no... Nordschleife.

Contudo, estas noticias surgem numa altura em que outro jornal britânico, o "The Guardian", noticia que Lisa Clark, um dos executivos do programa, e Alex Renton, que trabalhou no programa nos últimos dez anos, abandonaram o "Top Gear" quando faltam cinco meses da sua estreia, que será a 8 de maio. Clark foi o substituto de Andy Wilman, que seguiu com os apresentadores anteriores para fazer o programa no canal Amazon Prime, e aparentemente foi embora para "perseguir novos projetos".

"Gostaríamos de agradecer a Lisa por todo o seu incrível trabalho ao longo destes últimos cinco meses, preparando o novo Top Gear para um cronograma de filmagem bem ocupado em 2016 e planeando o seu regresso para o mês de maio", declarou a BBC no seu comunicado oficial. O seu substituto vai ser conhecido após o Ano Novo.

Veremos no que isto irá dar. O programa, como sabem, aparecerá a meio de 2016.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Clarkson, May e Hammond vão... para a Amazon

Por fim, chegou o anuncio, mas o destino não era aquele que todos esperavam. De facto foram para um canal de assinatura, mas não para o Netflix: Jeremy Clarkson anunciou esta manhã que o programa será transmitido no Amazon Prime. "Estou muito excitado por anunciar que Hammond, May e eu assinamos um acordo com a @AmazonVideo", contou na sua conta do Twitter.

Segundo ele, a primeira temporada começará a ser produzida daqui a poucas semanas e estará no ar no inicio de 2016 para os subscritores da Amazon Prime, o canal de subscrição da Amazon.

As reações até agora estão a ser mistas: se por um lados, estão contentes por saber que o programa vai voltar, por outro, estão um pouco chateados por saber que vão ter de pagar para os ver. A companhia já reagiu, promovendo aos potenciais subscritores a hipótese de experimentar o canal por 30 dias, sem custos adicionais.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Quem quer ser apresentador do Top Gear?

Com Chris Evans escolhido como apresentador do Top Gear, o radialista britânico vai começar a ver candidatos a preencher os lugares deixados vagos por James May e Richard Hammond. E vai vê-los da maneira mais simples possível: videos de 30 segundos de candidatos que provavelmente virão um pouco por todo o mundo. E porquê? Ele anda a pedir a todos nós: fãs, famosos, e todo e qualquer "petrolhead" que goste do programa.

"A forma como Richard e James foram encontrados foi através de uma audição", disse Evans ao TopGear.com. "Então, o que nós vamos fazer são audições. Não apenas para pessoas famosas, ex-famosas, aspirantes a famosos, mas para as pessoas que assistem ao programa.", continuou.

As condições não são muito exigentes. "Você pode ser um mecânico, um piloto amador, um bombeiro, quem está construindo o seu próprio Land Rover na sua garagem durante cinco anos, mas você tem de saber sobre carros. Pessoas vindas de todo o mundo são bem-vindos, mas você tem que ter pelo menos 16 anos. Nós esperamos que tenha vontade de mudar para o Reino Unido, pois provavelmente é também uma necessidade", declarou.

No entanto, não quer fazer isto uma espécie de American Idol. "Não há absolutamente nenhuma garantia de que os futuros apresentadores saiam daqui". Descrevendo o que ele quer, Evans afirmou o que pretende ao TopGear.com: "Deve ser apenas você, a câmera da cintura para cima. Sem acrobacias, sem truques, apenas você mesmo falando para a câmera. Se a equipa de produção achar que gosta do clip, essa pessoa pode ser convidado para o Reino Unido para uma nova audição", concluiu.

Os clipes podem começar a ser mandados a partir de amanhã, e podem tentar a vossa sorte a partir daqui. http://www.topgear.com/uk/car-news/do-you-want-to-present-top-gear-chris-evans-2015-06-18

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Youtube Onboard: A apresentadora que não quis gritar

Não sei se foi por orgulho ou se foi por outra coisa, mas a pensar que a senhora não gritou enquanto que era guiada num circuito algures na Alemanha, é algo invulgar...

Já agora, o piloto em questão é a lenda dos ralis, Walter Rohrl (campeão do mundo em 1980 e 1982) e a senhora é uma das apresentadoras da Auto Bild, Barbara Schöneberger.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Extra-Campeonato: a polémica do Tonight Show

O terramoto no Haiti desviou-nos as atenções de uma polémica que acontece neste momento numa das cadeiras de TV americanas, a NBC, principalmente dos programas de "Late Night Show", no qual têm dominado nos últimos anos. E no meio da tempestade estão dois dos melhores apresentadores da América: Conan O'Brien e Jay Leno e o The Tonight Show, que está no ar há mais de 50 anos.

Desde que começou, em 1954, só teve cinco apresentadores: Steve Allen, Jack Paar, Johnny Carson, que o apresentou durante 30 anos e moldou o show ao que conhecemos hoje, Jay Leno e Conan O'Brien. Em 2009 houve a mais recente mudança, de Leno, que apresentava o programa desde 1992, para Conan O'Brien, que então apresentava o "Late Night Show" com muito sucesso desde 1993, após uma curta estadia como argumentista n' "Os Simpsons".


Desde 2004 que a NBC prometera a O'Brien que iria ficar no lugar de Leno quando o contrato dele expirasse, em meados de 2009. Promessa cumprida, e o apresentador, conhecido por ser ruivo e ter um estilo muito mais adaptado da Costa Leste, mais citadino e cosmopolita, em contraste com o estilo "blue collar" de Leno, começou a sua função a 1 de Junho deste ano.

Só que ao longo dos meses, as audiências não reagiram como a NBC esperava. Perdendo telespectadores não só para o seu rival David Letterman, da ABC, mas também para a TV por cabo e as outras plataformas, a NBC decidiu reagir, tentando colocar as coisas como eram dantes, já que Leno apresentava o seu proprio programa, o "Jay Leno Show", que também não tinha as audiências esperadas, para além das queixas das estações afiliadas da NBC, devido ao facto do horário prejudicar-lhe as suas audiências.

Resultado: a 10 de Janeiro pediram a Conan O'Brien que começasse o seu programa mais tarde, das 22 horas para as 23:05, enquanto que O'Brien, cujo programa começava às 23:35, mudaria para as 00:05. Isso seria esperado no mês de Fevereiro, pois é a altura dos Jogos Olimpicos de Inverno, que vão acontecer em Vancouver, e no qual a NBC tem os direitos de transmissão. Contudo, a direcção disse que isto seria permanente a partir do dia 1 de Março. Contudo, esse é um horário "sagrado", pois o programa começou sempre a essa hora, desde 1955. O'Brien reagiu, afirmando que isso faria que o seu "programa da noite" fosse apresentado "no dia seguinte" e que era uma quebra no contrato assinado com a cadeia de TV.

Resultado: imensos fãs apoiaram O'Brien, especialmente nas redes sociais da Net, como o Facebook e o Twitter, o mais famoso dos quais é a o cartaz onde diz "I'm with Coco", e muitos apareceram com uma peça de roupa de laranja, a cor mais próxima do seu cabelo ruivo. Após duas semanas de negociações, a NBC e O'Brien chegaram a um acordo, onde ele sairia da estação e do Tonight Show ao preço de 45 milhões de dólares, 28 milhões para ele e 12 milhões para a sua equipa, e a última emissão iria para o ar a 28 de Fevereiro de 2010, para ser substituido por Leno, que fará algo inédito: é o primeiro apresentador a regressar ao The Tonight Show, nos 55 anos de história deste programa.


Mas agora, os estragos estão feitos. A NBC tem a sua reputação destruida, muitos afirmam que Leno tem a reputação danificada, e O'Brien talvez seja o grande vencedor desta parada, pois sendo a "vitima", e tendo ganho admiradores e simpatizantes neste feudo, provavelmente é agora uma das personagens mais populares da actualidade. E vai para casa mais rico...


Até lá, O'Brien, que sempre levou isto da unica maneira que sabe, ou seja... gozando, e esta semana já demonstou esse gozo à sua própria estação, ao desbaratar 1,5 milhões de dólares em dinheiro da publicidade. Por puro gozo!