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domingo, 20 de maio de 2012

Extra-Campeonato: a Taça da Académica

Quando era criança, a minha avó fartava-se de contar o dia em que foi ao Largo da Portagem, em Coimbra, para receber os jogadores que tinham ganho a primeira edição da Taça de Portugal, em junho de 1939. A minha avó tinha na altura 20 anos e já tinha conhecido a pessoa que viria a ser mais tarde o meu avô, um policia que fazia as suas rondas e certamente nessa tarde deveria estar de serviço para conter a multidão que tinha saído para receber os seus heróis.

A Académica é a segunda equipa que toda a gente gosta de torcer em Portugal, depois dos "três grandes". No meu caso em particular, tem mais razões para além da simpatia: o estádio ficava perto da casa dos meus avós, no Bairro Norton de Matos, o meu pai e os meus tios foram atletas da AAC, e claro, eu estudei em Coimbra, quer nos meus primeiros dois anos, quer muito mais tarde, quando frequentei a universidade. Conheci amigos parta a vida e escrevi muitas crónicas de jogo ao serviço do jornal universitário "A Cabra". A Mancha Negra, a claque da Académica, é das mais antigas do país - tem 27 anos - e até fui à inauguração do estádio de Taveiro, o Sergio Conceição, e a reinauguração do Calhabé, ou agora denominado "Estádio Cidade de Coimbra".

Vi o clube penar durante anos na II Divisão e a regressar à primeira, com os festejos de qualquer subida a se confundirem, muitas vezes, com a Queima das Fitas, e muitas vezes - uma vez em particular, em 2003 - a comemorar manutenções como se fosse a vitória na final da Liga dos Campeões. Não foram raras as vezes que cruzei, nos tempos de Universidade, quer com o Campos Coroa, quer com o seu sucessor, João Moreno. 

Confesso que pensava que isto não era possivel, mas aconteceu. Tenho pena de não estar lá e comemorar na Praça de República ou no Largo de Portagem, ou na Praça 8 de Maio, onde fica a Câmara Municipal e a Igreja de Santa Cruz. Gostaria que a minha avó estivesse viva para ver isto, pois tinha a certeza que teria adorado ver a Académica ganhar, mas morreu vai fazer dois anos no mês que vêm. Mas não estou triste, porque acho que onde quer que esteja - e todos os que já cá não estão, briosos jogadores e técnicos da Academica - hoje é um dia glorioso para Coimbra em geral, e para o Organismo Autónomo de Futebol em particular. BRIOSA!

quarta-feira, 14 de março de 2012

Extra-Campeonato: O alargamento da Liga

Por estes dias todos falam sobre isso: a assembleia geral da Liga de Futebol decidiu ontem que o campeonato de futebol seria alargado para 18, com a agravante de que nenhum clube desça de divisão e que os dois clubes primeiros classificados da II Liga subam de divisão no final da época. Para "melhorar" as coisas, também decidiram que essa mesma II Liga passasse a ter 22 equipas, colocando ali as equipas B de Sporting, Braga, Benfica, Porto, Maritimo e Vitória de Guimarães. As medidas acontecerão a partir da temporada de 2012-13.

Nestes últimos dois ou três dias, toda a gente urra de indignação, e expressões como "vergonha" estão a ser usadas a torto e a direito, afirmando que isso coloca o futebol português num bueiro digno de um campeonato qualquer no Corno de África ou das Ilhas Falkland. Pessoalmente, eu já esperava isto tudo. Esperava desde o momento em que elegeram o novo presidente da Liga Profissional de Futebol, Mário Figueiredo.  No inicio do ano, quando este presidente foi eleito, apoiado pelos clubes pequenos como Gil Vicente, Vitória de Setubal ou o Feirense - que foram os mais vocais nessa eleição - eu sabia que as consequências seriam estas. E essa gente tem a sua própria agenda, e um dos seus objetivos era um alargamento imediato, sem descidas, e não descansou ate conseguir.

O problema é que aquilo que eles queriam era subverter a maneira como este campeonato se iria decidir. Mudar as regras a meio do ano, fazendo com que este seja um campeonato onde ninguém desce, à boa maneira americana, e onde até o último classificado tinha garantido mais uma temporada na I Divisão, logo, recebendo "os três grandes", não se vê nas principais ligas europeias. E este alargamento contraria tudo o que se escreveu e se mostrou, em vários estudos feitos por instituições como a Delloitte: o alargamento é mais um prejuízo do que um lucro, e que idealmente, a I Liga portuguesa seria lucrativa se tivesse 12 equipas, no máximo, jogando a três voltas, como acontece na Escócia, por exemplo.

Contudo, esta decisão contraria a realidade portuguesa. Uma realidade onde, numa era de "vacas magras"  ouve-se cada vez mais que há salários em atraso nas equipas quer da primeira divisão, quer da segunda, onde se tenta contratar barato, principalmente no Brasil, preterindo o jogador português, que não tem outra opção senão emigrar para outros campeonatos, como o romeno e o cipriota. Há quem diga que por essas bandas hajam mais jogadores portugueses a jogar do que no próprio campeonato nacional. É a consequência de vivermos na União Europeia, é certo.

Mas o que esta decisão da Liga demonstra é que passou-se de uma hegemonia para outra: a hegemonia dos grandes para a dos pequenos. E se um já era mau, o segundo tende a ser pior. É que agora, eles querem negociar em bloco as transmissões televisivas, como se faz em vários sitios na Europa, como Inglaterra, França, Espanha ou Alemanha. Uma iniciativa louvável, é certo, mas quanto é que vão pedir à Olivedesportos ou a outra cadeia de TV que esteja interessada no negocio? 

Exemplos: o Benfica não quer ganhar menos de 40 milhões de euros por ano, e rechaçou recentemente uma proposta de 22,5 milhões, e era maior do que o que o Porto ganha (18 milhões), o que o Sporting ganha (13 milhões). Ocontrato acaba em 2013, creio eu, e Luis Filipe Vieira muito provavelmente vai esperar que o contrato chegue ao fim para negociar os seus termos e condições, provavelmente com um "plano B" na manga.

É certo que esse bloco não vai querer valores tão altos assim, mas vamos supor que dez clubes pequenos exigam 10 milhões de euros por ano à Olivedesportos. São cem milhões de euros que essa entidade iria pagar a cada temporada, e não estou a ver que eles tenham esse dinheiro, ainda mais quando os grandes querem ser principescamente pagos para se mostrarem na montra europeia. O Benfica só recebe oito milhões das receitas televisivas, a sorte é que tem imensas outras fontes de receita, como a publicidade e o "merchandising".

Em suma, tudo tem a ver com o dinheiro. E visibilidade. Estando na II Divisão não são nada, na I Divisão, recebem os "grandes", logo, os seus estádios enchem e recebem dinheiro da TV. Na II Divisão, os estádios estão vazios, não há receitas, logo, o dinheiro acaba antes do final do mês. Mas toda a gente sabe que o alargamento, ainda mais com a mudança das regras feita a meio do jogo, só faz mais mal do que bem.

P.S: No momento em que escrevo isto, a Federação Portuguesa de Futebol, na pele do seu presidente (e ex-presidente da Liga), Fernando Gomes, já afirmou que irá vetar esta decisão do alargamento, alegando que há um protocolo que foi assinado pelas anteriores direções da Federação e da Liga, válido até 2013. Um veto que os clubes grandes aprovam, mas que os mais pequenos já responderam, ameaçando parar o campeonato. De fato, esta história não acabará por aqui nos próximos dias, mas sinceramente, não acredito nas ameaças urradas, por exemplo, por um "analfabruto" como o António Fiúza, o presidente do Gil Vicente.    

sábado, 3 de março de 2012

Extra-Campeonato: Futebol e uma estupidez chamada clubite

Primeiro que tudo, uma declaração de interesses: sou benfiquista. Gosto do Benfica, mas gosto mais de futebol. Quero ver um jogo de futebol, quero ver as coisas muito para além da "clubite", e desde há muito tempo que me convenço que os verdadeiros apreciadores de futebol são uma minoria muito pequena. Os restantes noventa e muitos por cento só gostam de futebol porque é para ver o seu clube ganhar, que é para gozar na cara dos outros no dia seguinte, no trabalho ou na escola.

Porque digo isto? Um pouco de história: quando somos miúdos, até ainda antes de ir para a escola, somos forçados a "escolher" pela sociedade à nossa volta. Começa em casa, com os nossos pais, depois são as outras pessoas, o nosso grupo de amigos, que nos forçam a dizer: estás conosco ou estás contra nós? É complicado, e depois alinhamos. É assim com o futebol, ou na igreja, ou noutro lado qualquer, quer seja aqui, na Grã-Bretanha, no Brasil ou na Conchinchina. E como o futebol é o desporto de massas, é assim que o mantêm vivo. Depois podemos apanhar a coisa no momento em que está na mó de cima, em que é a equipa vencedora. Alinhamos porque é a equipa que vence, a vitória no domingo faz alimentar o nosso ego e no dia seguinte, no recreio da escolha, encontramos o menino ou a menina "do contra" e gozamos na cara. É assim, é instintivo.

E a coisa mantêm-se tão viva que os "apreciadores de futebol", essa enorme massa, não vêm os podres da competição, uma delas é o facto da International Board não mudar as regras em relação aos árbitros e da inclusão da tecnologia para os auxiliar em situações duvidosas, como foras de jogo milimétricos ou bolas que entram dentro da baliza por centímetros e vão para fora, mas que não contam porque o árbitro ou o fiscal de linha não viu. Nesse aspecto, é como o Vaticano: não vê que a tecnologia mudou, evoluiu e não deseja acompanhar os tempos, para não estragar a essência do "beautiful game". Gostam de polémica, porque assim, mantêm as rotativas a funcionar, e fazem com que as pessoas falem de futebol por dias a fio.  

O famoso lance de hoje à noite, do 3-2 a favor do Porto, de facto é marcado em fora de jogo, mas é daqueles milimétricos. Umas vezes marca-se, outras não. Os árbitros são humanos e erram. Andei a noite toda a ver no Facebook as asneiras que se leram por ali, e só confirma a cada dia que passa, a minha teoria de que mais de 90 por cento não sabem ver futebol. Não sabem. Não no sentido de ver o fora de jogo, que existe, mas no sentido de colocar as mãos à cabeça e pensar: "espera aí, se a TV vê e o fiscal de linha não, quem vou confiar? Na TV. E se a TV marca melhor os fora de jogo que o árbitro, então o que é que estão ali a fazer? Mais valia meter um sensor para acompanhar as jogadas de ataque e assinalar os fora de jogo, por muito milimétricos que sejam". 

Caso resolvido, certo? Errado. A FIFA sabe disso tudo, mas não quer, não lhes interessa. Os burros somos nós, que não nos revoltamos, não nos organizamos, não fazemos "lobby" para mudar as coisas por lá. Somos cegos nos nossos "clubites". Cegos nos benfiquistas que perdem, ao afirmar que a culpa é do árbitro ou do fiscal, quando esquecem que na realidade, se perdeu o jogo a partir do momento em que o Jorge Jesus tirou o Aimar no campo, o único pensador de jogo que o Benfica tem. A expulsão do Emerson e a recuperação do Porto são meras consequências.

Mas como digo, não querem ver isso. Perferem dizer que "a culpa é do fiscal de linha", o que me aborrece bastante e me faz dizer asneiras. O que eles quererão fazer com isto? Protestar na Liga de Futebol? E depois? Querem a repetição do jogo? Anular retroactivamente o golo? Repetir o jogo? Que querem? Cegos na sua clubite, não se consciencializam que só estão a fazer figura de parvos, que não interessa como, o resultado é este e não há volta a dar.  

Mas os portistas que não se riam muito porque também são cegos na sua clubite. Lembram-se todos os dias, é certo, que devem tudo o que são ao Pinto da Costa, mas a esmagadora maioria pensa que ganham os campeonatos e as taças por "intervenção divina do Papa". Tendem a esquecer que tem um grande departamento de futebol, construído durante ano a fio, que sabe ler as necessidades e neste mercado de Inverno, foram às comparas. Trouxeram o Lucho Gonzalez e arranjaram o Janko, "o pinheiro" que o Paulo Sérgio implorava no inicio da época passada no Sporting. Sabem ler o mercado, e vai ser assim, enquanto não chegar o dia em que o Roman Abramovich não aparecer no Estádio das Antas com um camião cheio de dinheiro para os comprar. Até lá, sou o primeiro a reconhecer que os campeonatos e as taças já tem um destino traçado, pelo menos em oito das dez vezes. Para esta geração, o F.C. Porto é o maior, e daqui a  menos de dez anos passará o Benfica em numero de campeonatos e taças. 

Adeptos? Talvez daqui a duas gerações. Mas só se mantiverem a pedalada, o que realisticamente não acredito. O Pinto da Costa não bebeu a poção da imortalidade, o Antero Henrique não bebeu a poção da imortalidade, tal como o José Maria Pedroto não bebeu, e como todos os outros clubes, corre sempre o risco de "guerra civil", quando desaparecer a "cola" que os mantêm unidos. E sem colas, ou parafusos, não há estrutura que aguente. 

E a mesma coisa acontece no Benfica: o Luis Filipe Vieira é um génio de finanças e "marketing". Mas tem um obstáculo formidável pela frente, e já viu que será muito dificil derrubá-lo. E vai rezar para que o Pinto da Costa vá primeiro do que ele. Sim, estou há muito tempo convencido disso: ambos os presidentes ficarão nos seus lugares de modo perpétuo. Sairão dos seus cadeirões no dia em que morrerem, quais Kim-il Sungs de trazer por casa. Os dois principais clubes de Portugal mais se assemelham, por estes dias, a um Vaticano ou se perferiem, Pyongyang.

No final, digo isto: se acabarem no primeiro lugar, para mim, deveriam dar a taça não ao Vitor Pereira, mas sim ao Antero Henrique, o chefe do departamento de futebol do Porto. Este treinador é um "idiota útil", porque na realidade, só prova que é a máquina do Porto que ganha. Podem meter quem quiser, até o macaco Adriano, que já sabemos quem no final do ano irá levar as faixas. Embora diga esta noite que ele hoje arriscou... e ganhou. A próxima vez que Vitor Pereira viverá uma coisa destas vai ser quando treinar um Recreativo do Libolo ou a Liga Muçulmana, porque não é um treinador excepcional. Nem é um treinador por ali além. Aliás, é o ex-adjunto do André Villas-Boas, outro exemplo acabado da velha frase do Mário Wilson, mas aplicado ao FCP: "Qualquer um que treine o Porto, arrisca-se a ser campeão". Oito em cada dez vezes, isso é real. 

Quanto ao outro lado... não quero dizer nada, por enquanto. Só digo isto: terça-feira há o jogo com o Zenit. Veremos como o Benfica reagirá a mais este desaire. Espero que o Jorge Jesus consiga refletir sobre este tempo que vive e como sacudir esta crise. Porque caso contrário, será o Nigel Mansell dos treinadores do Benfica: podia ganhar todos os campeonatos, mas vai perder mais do que ganhou. 

Espero estar enganado. 

No final, parabéns ao Porto, porque os vencedores são o que são porque lutaram para conseguir. E tiveram sorte no final. Fico triste pelo Benfica, porque não merecia perder. E sempre que isto acaba assim, lembro-me daquela velha frase que o Gary Lineker disse, num calorento dia de junho de 1990: "o futebol são onze contra onze e no final ganha a Alemanha".

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

The End: José Torres (1938-2010)

O Destino gosta de pregar estas partidas: no dia em que a Selecção joga o seu primeiro jogo de qualificação para o Europeu de 2012 é o mesmo em que José Torres, o "Bom Gigante" decidiu sair da vida para passar à história, aos 71 anos e depois de estar a sofrer da Doença de Alzheimer há quase dez anos.

Dizer que foi um dos melhores da sua geração é ser um pouco redutor. Dizer que venceu nove campeonatos nacionais e ter emparelhado com Eusébio na que foi, talvez, a melhor dupla atacante de sempre do futebol português, é talvez ser modesto. Mas se acrescentarmos três finais europeias e um terceiro lugar no Mundial de 1966, em catorze anos de passagem pelo Benfica, talvez as gerações mais novas fiquem com uma boa ideia da importância que foi este jogador, que tinha 1,91 metros num país de "baixinhos" como foi o nosso.

Nunca o apanhei como jogador, apesar de saber que jogou até aos 42 anos em clubes como o Vitória de Setubal e o Estoril, mas apanhei-o mais tarde, como seleccionador nacional. Achei um pouco estranho ver alguém sem grande experiência de banco em algo tão importante como a equipa nacional. Mas apanhei. E ouvi-lo a dizer "deixem-me sonhar", nas vésperas de um jogo impossível como era o que iam jogar contra a Alemanha Ocidental, que não perdia em casa desde 1950, era mesmo um sonho. Até aquele remate impossível de Carlos Manuel e o consequente carimbo para o Mundial de 1986, no México. Fez o impossível... para depois estragarem tudo.

Mas agora não é hora de recriminações. É hora de recordar o seu talento e as suas contribuições para o futebol português. Ars lunga, vita brevis.

domingo, 9 de maio de 2010

Extra-Campeonato: E vão 32!

Cheguei agora a casa, depois de ver as celebrações nas ruas da minha cidade. E quando falo da minha cidade, falo de todas as cidades deste Portugal: de facto, ver o Benfica campeão nacional, depois de cinco anos de ausência, é um feito. Foi o culminar de um ano em que ganhou o melhor clube, o que jogou melhor futebol. E ainda por cima, numa temporada onde apareceu um outsider chamado Sporting de Braga, que lutou pelo título até à última jornada, o que é fantástico.

Em qualquer praça central deste país existiram nesta noite, hordas de pessoas a comemorar este título. Não só o comemoram porque é o clube do seu coração, mas também porque foi o que praticou melhor futebol, que atraiu os portugueses e não só. A tática usada pelo seu treinador, Jorge Jesus, fez-me lembrar, em certos momentos, o "futebol total" á boa maneira holandesa. E isso resultou não só em vitórias, como em goleadas. Os 5-0 dados aos ingleses do Everton foram um bom exemplo para a Europa e o Mundo, para não falar de em termos de campeonato nacional, uns fantásticos 8-1 dados ao Vitória de Setubal, todos em casa.

No momento em que escrevo estas linhas, estão dezenas de milhares de pessoas na Praça Marquês de Pombal, no centro de Lisboa, esperando pela chegada do autocarro com os jogadores, treinadores, dirigentes e a mascote, a águia Vitória. Talvez o Sporting rivalize neste tipo de multidão, mas creio que nem mesmo o Futebol Clube do Porto, no seu local emblemático que é a Avenida dos Aliados, consegue colocar tanta gente durante tanto tempo como fez esta noite o Benfica. E não digo isso como adepto, mas mais como observador privilegiado, que já viu dezenas de festas como esta. É simplesmente uma demonstração da força e a mistica deste clube. São factos e não alucinações colectivas.

Aos vencedores, dou os parabéns, pois mereceram. Aos vencidos, espero que sejam dignos e pensem que para o ano volta tudo à estaca zero: dezasseis clubes aspirando ao título nacional, ano após ano.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Extra-Campeonato: O imparável Sport Lisboa e Benfica

Não me meto com o futebol, porque sei perfeitamente que o "desporto de massas" é constituido por dois tipos de adeptos: os que gostam do seu clube e os que odeiam os outros. Raros são os verdadeiros adeptos de futebol, e que sabem as regras devidamente. Já houve alturas que detestei, e já jurei que nunca falaria de clubes, especialmente do meu, porque neste meu país provoca os festejos de muitos e a azia de muitos mais. E depois, este é um blog de automobilismo, e neste país, 85 por cento dos blogs desportivos tem a ver com futebol ou do clube que mais gostam.


A unica excepção tem a ver com a Selecção Nacional, mas esta de momento está num processo dificil de apuramento, onde conseguiu com dificuldade e graças à ajuda de outros, a qualificação para o "playoff" contra a Bósnia-Herzegovina. Só lá para o meio de Novembro é que vai tentar resolver a sua situação, espero que favorável para as nossas cores, e que consigamos o passaporte para a Africa do Sul.


Mas a excepção de hoje tem a ver com o clube do qual sou adepto desde os meus nove anos: Sport Lisboa e Benfica. Desde que venceu o título de 1994, o clube mergulhou numa crise que demorou imenso a sair dela. Desde então, só conseguiu um título de campeão nacional, duas Taças de Portugal, uma Taça da Liga e uma Supertaça. O máximo que conseguiu em termos europeus foi uns quartos de final da Liga dos Campeões em 2006, onde caiu aos pés do Barcelona, que foi em frente para vencer o título daquele ano.


Desde há muito tempo que não conserva um treinador por mais do que um ano, um ano e meio. E já deu gigantescos tiros nos pés, como quando no final de 2000, correu com um jovem José Mourinho, poucos dias depois de um monumental vitória de 3-1 sobre o Sporting. E quem aproveitou isso tudo? Futebol Clube do Porto. Entre 1995 e 2009 só não ganhou em quatro ocasiões: dois para o Sporting (2000 e 2002) Boavista (2001) e o Benfica, em 2005.


Nesse periodo, o clube do Porto chegou ao pinaculo da Europa, vencendo consecutivamente a Taça UEFA (2003) e a Liga dos Campeões (2004) tudo graças ao dedo genial de José Mourinho. Em contraste, o Benfica arrastou-se por lugares mais ou menos secundários, chegou a nem participar nas competições europeias, esteve à beira do abismo graças às acções de um presidente, João Vale e Azevedo, um homem que se provou mais tarde ser um notório burlão. Neste momento está em Inglaterra, tentando evitar a todo o custo ser extraditado para Portugal onde iria cumprir várias sentenças, essencialmente por fraude e burla.


Mas aos poucos, parece que a maré mudou. O actual presidente, Luis Filipe Vieira, chegou ao poder em 2003, e o actual director desportivo, Rui Costa, uma velha glória do clube e que aprendeu muito a maneira como se gere em Itália (passagens por Fiorentina e AC Milan), gere o departamento desde que pendurou as botas em 2008. Esta época, depois de uma aposta mal sucedida em Quique Flores (irónicamente, namora com a modelo húngara Orsi Fehér, irmã do malogrado Miklos Fehér) decidiu fazer aquilo que é uma tendência nacional: apostar na "prata da casa".


Foram buscar ao Sporting de Braga um treinador de 55 anos chamado Jorge Jesus, com muita experiência na primeira e segunda divisão nacional, nem sempre com experiências bem sucedidas, mas que com os "Guerreiros do Minho", levou a equipa ao quarto lugar do campeonato, bem como a alguns feitos na Taça UEFA, chegando aos oitavos de final no ano anterior. Pegou em alguns dos jogadores, e apesar de ter deixado escapar o colombiano Falcao para o F.C. Porto, conseguiu dois bons jogadores ao Real Madrid: o espanhol Javi Garcia e o argentino Javier Saviola, que conjuntamente com o paraguaio Oscar Cardozo e o argentino Pablo Aimar, foram um tridente ofensivo potencialmente bom. Saviola e Aimar voltavam-se a juntar, após dez anos de ausência no River Plate.


Tinha as naturais expectativas de um inicio da época, e quando vi as vitórias nos jogos de pré-época e as taças conquistadas nos "Torneios de Verão", sorri, mas não dei muita importância. Dei mais importância quando os vi a passarem imensas dificuldades contra o Maritimo, do qual somente uma cabeçada salvadora do Weldon (seu velho conhecido no Belenenses) impediu o Benfica de arrancar o campeonato com uma derrota. Ganhou a seguir em Guimarães, mas apenas nos descontos, graças a uma cabeçada de Ramires.








Mas não tinha reparado atentamente no resultado do jogo com o Vorskla Poltava, para a nova Liga Europa, onde deram 4-0 e fizeram uma exibição de gala. E só voltei a reparar nas táticas de pressão, dos homens no segundo poste, na circulação de bola, nos cinco jogadores que partem para o ataque, e onde quase qualquer boa oportunidade resulta em golo, quando vi o 8-1 dados ao Vitória de Setubal, o 5-0 que deram ao Leixões, o 4-0 que deram ao Belenenses... mas pensei que seria com equipas mais modestas. Julgava que isso não aconteceria fora de Portugal, ou contra equipas mais fortes.










Mas não. Depois de darem 6-0 ao Monsanto, da II Divisão B, na Taça de Portugal, deram 5 ao Everton na Liga Europa (marcando três golos em pouco mais de cinco minutos!), e hoje à noite, deram mais seis golos (e anularam mais dois!) ao Nacional da Madeira, que impõe respeito a clubes europeus na mesma Liga Europa. Olho para aquele plantel, aqueles onze jogadores, aquele ataque de loucos, e eu, adepto benfiquista, pela primeira vez em muito tempo, começo a pensar: este é o plantel que arrisca-se a ganhar tudo? Mas MESMO tudo?


Essa é, obviamente, uma pergunta do qual só teremos resposta no final da época. Nos últimos três jogos, este clube marcou 17 golos, sofrendo apenas um. Jorge Jesus é um entendido de futebol, apesar de não ter um curso superior, como tem Mourinho. Aprendeu nos campos de futebol, como toda a gente. Mas é um apaixonado das táticas, ouviu todos os que lhe treinaram, e percebe da coisa como pouca gente. Não sabe falar bem, como Mourinho, mas não é arrogante e não se proclama como "O Especial". Perfere mostrar resultados, e aos 55 anos, deram-lhe aquilo que sempre desejou: treinar um grande. E este ano, o resto de Portugal, e a Europa em geral estão a descobrir Jesus e a ver o regresso à Europa de um gigante adormecido.


Onde isto acabará? Desconheço. No próximo fim de semana vai jogar con tra o Sporting de Braga, que este fim de semana perdeu os seus primeiros pontos na deslocação ao Rio Ave, e agora está igualado com a equipa da Luz, mas que é superado graças aos golos benfiquistas. O Braga, agora treinado por Domingos Paciência, antigo avançado do F.C. Porto, é a sensação do campeonato, mas não tanto, pois desde há algum tempo faz o papel de "quarto grande" e é o trampolim de treinadores para os Três Grandes. Antes de Jesus, Jesualdo Ferreira treinou o clube por dois anos, antes de uma curta paragem por Boavista e ingresso no Porto, onde ganhou três campeonatos.


O Braga já visitou e recebeu Porto e Sporting, e ganhou em ambos os casos. Desta vez, vai receber em sua casa o clube da Luz, num jogo onde os ingressos já esgotaram há muito, sinal do entusiasmo que este jogo está a causar. Se o Benfica superar o Braga, consolida o seu primeiro lugar e provavelmente afastarámais um pouco. Mas ainda não jogou com Sporting e mais importante, F.C do Porto. Esses serão dois embates decisivos. Se os superar, então, começo a acreditar que não só poderá ser campeão, como também, caso tenha tempo, continue a ter sorte e pontaria, arrisca-se a abrir um capítulo e ficar na história deste clube centenário. E espantar a Europa do futebol, mostrando que em Portugal há mais Mourinhos. Mas este tem nome divino.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Extra-Campeonato: Adiós, Camacho!

Pela segunda vez em menos de sete dias, estou a quebrar o juramento que fiz a mim mesmo, de que nunca iria falar sobre futebol nacional neste blog, a não ser que fosse a Selecção Nacional. Mas o assunto é grave: a saída de José António Camacho do comando técnico do Benfica, a oito jornadas do final de um campeonato com um vencedor antecipado desde Novembro: o F.C. Porto.



Como benfiquista, estou triste e desiludido por esta temporada. E a minha descrença pelo futebol português, já de si grande, piorou ainda mais com isto. A última vez que vi três treinadores a comandar este clube foi em 2000/01, e acabamos em sexto lugar, fora da Taça UEFA, e sem títulos. Este ano, temo que isso se repita...


Contudo, já esperava esta atitude de Camacho. Já tinha feito duas vezes, no Real Madrid, quando ele viu que havia demasiadas interferências na maneira como gerir o futebol profissional. E num plantel que tinha Galácticos como Luis Figo, Zinedine Zidane, David Beckham... Este ano, pensava que ele iria aguentar a época, e lutar para conquistar alguma coisa, mas no final fartou-se, viu o desalento nas caras dos jogadores, e viu que não estava ali a fazer nada. E aquele 2-2 contra o último classificado (que ironia, o clube da minha terra!) deve ter sido a gota de água para ele.



Agora, o Fernando Chalana vai aguentar o barco até ao final da época. É um homem da casa, logo, conhece bem os jogadores, pode ser que consiga jutar alguns dos cacos e salvar a época. Agora, tem que planear a próxima época, o que significa começar do zero, em muitos aspectos. Doi exemplos desse "zero": um substituto para Rui Costa, e um lateral direito de jeito, já que Luis Filipe e Nelson não servem...


Mas claro, José António Camacho não é o unico responsável pelo descalabro benfiquista. Luis Filipe Vieira, o nosso presidente, tem culpas no cartório, pois despediu Fernando Santos depois de um empate fora, na primeira jornada, com o Leixões, julgando que Camacho seria a panaceia para todos os problemas. No final, mais valia não ter mexido em nada. E agora, com Rui Costa a director desportivo, como vai ser? Vieira sabe que este é a ultima cartada que pode jogar, pois caso contrário, tudo de bom que fez desde 2003 (o saneamento financeiro, os novos sécios, o novo estádio...), pode ir tudo abaixo por causa do mesmo motivo: os resultados.



E sabem o irónico nisto tudo? É que estamos em segundo, ainda estamos na Taça UEFA e somos semi-finalistas da Taça de Portugal. Enquanto isso, o nosso rival da Segunda Circular, o Sporting, perdeu 2-0 com o Guimarães e é quinto classificado, atrás de Guimarães e Vitória de Setubal. E Paulo Bento continua... olha, façam como os Monty Python: assobiem para o lado fixe da vida!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Extra-Campeonato: 21:25 da noite, 25 de Janeiro de 2004

O tempo voa, e quando damos por ela, já passaram quatro anos. Naquele Domingo à noite, não assisti ao jogo, por ser transmitido num canal codificado. Ouvi o relato na rádio, mas desliguei-o antes do golo do Benfica. Nem me recordava que aos 60 minutos, o treinador Jose Antonio Camacho metia Miklos Fehér no campo, em substituição de João Pereira, hoje a jogar no Sp. Braga. E que perto do fim, ajudou Fernando Aguiar marcou o golo da vitória.


Não vi nada disso. Estava no meu quarto, a ver um documentário do Discovery Channel sobre Nova Iorque. Fiu acordado para a realidade quando começo a ser bombardeado com SMS a dizer: "O que é que se passa com o Fehér?". Quando recebei a terceira ou quarta mensagem a perguntar a mesma coisa, foi quando saí do torpor.



Voltei a ligar o rádio, e a ouvir o desespero que tu entendias entre linhas, dos comentadores de serviço, que viram-no a cair. Eles e os 17 mil que lá estavam no estádio, desafiando a chuva e o frio, naquele 25 de Janeiro de 2004, no Estádio D. Afono Henriques, em Guimarães. Depois, as TV's que decidiram colocar, repetidamente até quase à nausea, os momentos entre a amostragem do cartão amarelo e ele a cair no chão, inanimado e provavelmente já morto.


Conseguiram revivê-lo momentaneamente, e levaram-no para o hospital da cidade, ali quase ao lado. À medida que os minutos passavam, era um país em espanto que ficava em suspenso: vive ou morre? Por volta das 10 e meia da noite, sentia que as coisas tinham levado a pior. Mandei um SMS com esses receios, e os que responderam alinhavam pelo mesmo. A confirmação da sua morte só aconteceu à meia-noite.


E de repente, o país desportivo esqueceu-se das suas quase estupidas rivalidades para se unir na dor de um jovem jogador, ainda por cima estrangeiro, como se fosse um deles. Isso espantou os próprios hungaros, que testemunhei numa conversa que tive com um deles, cerca de dois anos depois: ele me dizia que se ele jogasse num clube alemão, não teria visto nem um décimo do que nós fizemos... talvez por isso que haja agora muitos adeptos do Benfica na Hungria.


Eu vi um país em pranto. Vi filas de gente no Estádio da Luz, e coroas de flores a tapar o chão, onde estava o caixão. Vi jogadores unidos em pranto. Vi TV's a acompanharem o carro funerário que o levava de Guimarães para Lisboa. E os jogadores a chorar em unissono à volta do caixão. José Mourinho e Reinaldo Teles no Estádio da Luz a depositar uma coroa de flores. Uma loucura, no ano em que iriamos receber as selecções europeias...


Cheguei a ouvir portistas(!) a criticar Pinto da Costa pelo facto de não ter aberto a boca a lamentar a morte dele, pois ele foi um ex-jogador do F.C. Porto, que saiu de lá por divergências com o empresário que o representava. Mas também, desportivamente jogando, nunca "pegou de estaca" nem no Porto, nem no Benfica. E nesses dias, estava a ser negociado o seu empréstimo ao Marítimo...


E também cheguei a ouvir esta "estória": o realizador que estava a filmar esse jogo tinha gravado a queda de Fehér de frante (nós o vimos a cair de costas) e que tinha recebido ofertas milionárias (para cima de 50 mil euros) de TV's e jornais sensacionalistas para comprar a fita, para poderem ganhar "prime time" nos Telejornais e primeiras páginas nos seus pasquins. Ele simplesmente recusou o dinheiro e destruiu a fita. Ainda bem, poupou-nos a mais sofrimento.


Hoje passam-se quatro anos. Até aquele dia, o 25 de Janeiro era a data de aniversário de Eusébio da Silva Ferreira, o maior futebolista português de todos os tempos. Agora... o Benfica retirou para sempre a camisola 29, continuamos a falar de Fehér, mas não é Miklos, é Orsi, uma modelo famosa. Por uma incrível coincidência, amanhã joga-se um Guimarães-Benfica. O homem que queria Fehér no Marítimo, Manuel Cajuda, treina o Guimarães. O treinador do Benfica, que disse ao jornal Marca que aquele tinha sido um dos momentos mais tristes e impotentes da sua vida, está de volta: José António Camacho. Outra coincidência: O F.C. Porto prepara-se, tal como há quatro anos, para ganhar o título com grande avanço.


Coincidências a mais, não é? Espero que fiquem por aqui. Mas tenho de confessar isto: por muitos anos que viva, não vou conseguir esquecer aquele 25 de Janeiro, às nove e meia da noite...

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Extra-Campeonato: A Taça de Portugal


Até foi giro ver o Sporting a ganhar a Taça de Portugal. Sendo o favorito, não tinha mais do que cumprir a sua obrigação. Seria mau demais ver o Belenenses ganhar o caneco (apesar de ter o Jesus como técnico) Mas pronto, cumpriu, mesmo que a sua tendência para marcar nos primeiros minutos tenha acontecido... ao contrário!


Ali tu vês que aquela lagartagem é diferente dos outros clubes. Sendo um "Clube da Elite" (como dizem o pessoal das Produções Fictícias nas crónicas das terças-feiras no Jornal "A Bola"), eles têm massa associativa, que sofreu a bem sofrer naqueles 18 anos (1982-2000) em que não ganharam qualquer campeonato. Ah, e quando eles ganharam, vi muitos benfiquistas a comemorar com eles! Como é obvio, eles não ganharam este ano, mas se existisse um vencedor moral, seriam eles, pela equipa e pelo treinador que têm.


O Paulo Bento é um treinador de futuro. Soares Franco diz que quer fazer dele "o Ferguson de Alvalade". Não tou a ver os "Green Lions" a se transformarem numa máquina de ganhar títulos, (pelo menos num futuro próximo) mas sei que o Sporting é um clube diferente. Pode ser que isso aconteça. Mas também vejo o Paulo Bento como alguém que mais cedo ou mais tarde vá treinar a Selecção Nacional, e ser tão bom como Scolari... E se um dia treinar o Benfica, era daqueles que o receberia de braços abertos, bem como qualquer ex-jogador sportinguista que venha jogar conosco. Afinal de contas, o Simão foi formado na "cantera" leonina...


Eu sei que sou benfiquista, é certo, e podem ver isto como sendo hipócrita ou outra coisa qualquer, mas não é. Eu sei que no futuro mais ou menos distante, se eles não venderem essas pérolas ao desbarato, se o Paulo Bento continuar a produzir talentos dessa "cantera" de Alcochete, o futuro é deles. Ah! E eles não têm nenhuma obssessão com o vizinho da Segunda Circular. Apenas rivalidade amigável. Pelo menos é assim que vejo os sportinguistas...


E agora, fecha-se a época 2006/2007. O que interessa agora, neste momento, é a Selecção Nacional, que vai jogar no Sábado uma cartada decisiva frente à Belgica. Agora, é altura de esquecer as rivalidades e remar todos para o mesmo lado: o da Selecção. Força rapazes!

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Extra-Campeonato: O título do F.C.Porto

Depois de 90 minutos jogados, eis o resultado final. Digamos que era o vencedor esperado, pois temos um campeonato em que temos 16 equipas e o tipo que ganha o caneco é sempre o mesmo. Ganharam o seu 22º título em 100 anos de história. Sim, não estou enganado, pois essa é a data real da sua fundação: 1906, e não 1893, como alguns dizem. Até na data da fundação, o Jorge Nuno aldrabou...

Bem, continuando: Porque é que este clube regional consegue ganhar títulos?


Não é só por ter um bom plantel, tão bom que qualquer treinador obscuro tem a garantia de ser campeão. Sim, os dois últimos treinadores que passaram por aquela casa, penaram durante anos para conseguir aquilo que tanto almejavam: ser campeão nacional. Quanto é que apostam que depois de do Jesualdo sair do Porto vai ganhar mais algum campeonato? Ninguém...




Continuando... também temos o sistema, que alegadamente por meios obscuros, conseguem que a mesma equipa regional chegue ao final de cada Liga com o caneco na mão. Porque será? E depois, temos a figura seu presidente, o Jorge Nuno, que é o que é há 25 anos, e que conhece toda a gente por dentro e por fora, que sabe exactamente o que fazer para alcançar os títulos. Nâo é verdade? E depois têm o desplante de dizer que "este mandato será o meu último". Pelo amor de Deus, quem é que acredita nisso? Toda a gente sabe, de uma forma ou de outra, que aquele homem só sairá daquela cadeira num pijama de madeira...




O aquilo que tem mais piada são os seus adeptos. Tu topas, que da arraia-míuda dos três grandes, os portistas são os menos instruidos. Reparem: quem é o fã modelo? O Benfica têm o Barbas, e é dono de um restaurante. O Sporting têm o Dias Ferreira ou Jorge Gabriel, mas um é advogado e outro é apresentador. E depois temos o Porto, com o Emplastro, E o que é? Um pobre coitadito, cujo passatempo é aparecer atrás dos jornalistas quando estão em directo...




Enfim... Parece que têm todos ar de drogados ou algo parecido. E depois, quando ganham, mandam todos a mesma boca: "SLB, SLB, filhos da p***, SLB". Ou seja, não interessa se estão contentes ou tristes. O que importa é mandar o Benfica para o car****. E depois chamam aos lisboetas de "marroquinos" ou "mouros". Querem saber como se chamavam antes do Pedroto ter inventado aquela dos "dragões"? Andrades...




Ao fim e ao cabo, eles podem ser os melhores, mas em termos de adeptos, são uma minoria. De Coimbra para baixo, são poucos os que foram para a rua comemorar o título. Garanto-vos eu!




Em jeito de conclusão, pode-se dizer o seguinte: tenta-se fazer com que este campeonato seja parecido com o inglês, ou com o italiano, mas na realidade, as coisas acabam sempre a lembrar os campeonatos dos antigos países do Bloco do Leste, em que os campeões eram combinados à ultima jornada, onde o clube do Exército tinha que ganahr, em deterimento do clube da Policia...


E pronto... ano que vêm há mais! Ah, e preparem-se que amanhã leremos as postas de pescada do Miguela Sousa Tavres sobre o título... Vamos a ver se é para rir ou para vomitar para cima do seu artigo!

domingo, 20 de maio de 2007

Extra-campeonato: Hoje decide-se tudo!

Pois é. Hoje é a última jornada da Liga Portuguesa, e temos três candidatos ao título, separados por dois pontos. Melhor final não se podia desejar, mas para a minha equipa ser campeã, só se acontecesse uma catástrofe de dimensões bíblicas nas hostes portistas e sportinguistas...


Enfim. Como definiria esta campeonato que acaba hoje? Nâo foi tão equilibrado como se pensava. Esta decisão ponto a ponto é o resultado do desperdício dos favoritos ao título (o F.C. Porto), que foi aproveitado pelo Sporting. E se existisse um campeão justo, seriam eles, se não tivessem sido roubados à força toda em Alvalade, contra o Paços de Ferreira...


Porque é que não digo que o Benfica deveria ganhar o título? Porque não tinha suplentes de jeito, e as lesões não ajudaram. Ora era o Rui Costa, ora era o Nuno Gomes, ora era o Miccoli... e quando teve a oportunidade de dara estocada final no Porto, não conseguiu. Nâo é tanto o demérito do Fernando Santos (acho que devia ficar mais uma época), mas enquanto não existir um plantel equilibrado e forte, as hipóteses de um título nacional ficam sempre um pouco curtas...


E já agora, quem desce de divisão? Vitória de Setubal, Desportivo das Aves ou Beira-Mar? As Aves vão jogar em casa do F.C.Porto, e são os melhores colocados para permanecerem na I Liga, mas seria excelente se conseguissem incomodar o Porto. Um empate seria o ideal para eles, pois permaneciam e ainda faziam um favor ao Sporting... isto é, se os "lagartos" ganharem ao Belenenses.


Enfim, os dados estão lançados. Às 21 horas de hoje (hora local) teremos um novo campeão nacional...

terça-feira, 15 de maio de 2007

Extra-campeonato: A decisão do título nacional

Nunca vi nada parecido na minha vida. à entrada da uyltima jornada da Liga Portuguesa, temos três candidatos ao título nacional. E todos tem hipóteses de ganhar!


O F.C.Porto tem agora 66 pontos, o Sporting 65 e o Benfica, o terceiro classificado, tem 64. Tudo isso aconteceu depois dos jogos de Domingo, em que Benfica e sporting ganharam, enquabnto que o Porto foi à Mata Real, casa do Paços de Ferreira, para empatar a um golo, depois de ter andado muito tempo a perder...


E porquê isto tudo? Porque o Porto, que teve o pássaro na mão, está a deixá-lo fugir, com alguns empates e derrotas comprometedores. E os adversários, emsmo estando em pior forma (como o Benfica) aproveitam. Um exemplo: o Benfica não perde há 19 jogos, desde meados de Novembro...


Mas quem pode ganhar o campeonato? Acho que é o Sporting. Está na mó de cima, tem um plantel mais jovem, e costuma marcar logo nos primeiros minutos. Ora, se fizer isso logo no inicio da última jornada, em que recebe o Belenenses, pode cirar uma pressão adicional sobre o Porto, que recebe em casa o Desportivo das Aves, que luta para não descer...


Já vi este filme há dois anos, e não acabou bem para o Porto, quando recebeu a Académica de Coimbra, no Dragão. Estavam a ganhar 1-0, quando o Joeano a meter a bola dentro das redes, empatando a partida e dando o título de bandeja ao Benfica. Adorei, não só por ser benfiquista, mas também pore na altura estudar na Universidade de Coimbra, e torcer pela Académica...


Honestamente, gostaria de ver o filme a repetir-se, mas é a minha costela de adepto que o pede. Analisando mais a frio, como sou espectador ocasional de futeboladas, e o meu desporto favorito mete quatro rodas e um motor, para mim, vou ver a coisa à distância, no sofá de minha casa. Mas se o meu clube ganhar, vou comemorar na rua, ai vou.