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terça-feira, 3 de dezembro de 2024

A imagem do dia


Na foto, o argentino Roberto Mieres no seu Maserati numero seis, no GP da Grã-Bretanha de 1955, na pista de Aintree. Sexto na grelha, desistiu na 47ª volta quando o seu motor explodiu. 

Num tempo não muito distante, era relativamente fácil seres um "all rounder". Praticar duas, três quatro ou mais desportos, só para mostrar as suas capacidades até poderá ser normal quando és uma criança, para saber em que és bom, mas fazê-lo na vida adulta, já não é tão fácil assim.

E o piloto que falamos hoje tem uma longa carreira desportiva. Hoje, recua-se muitos anos, até junho de 1955. Estamos em Zandvoort, palco do GP dos Países Baixos, e o automobilismo está ainda em choque com os eventos das 24 Horas de Le Mans, que tinham acontecido no fim de semana anterior. Corridas estavam a ser canceladas - e existia apelos para a proibição do automobilismo na Europa - e a Mercedes, dominadora do campeonato, sofria com a polémica, embora eles tenham sido os menos culpados do incidente. 

E a Mercedes, ironicamente, era a marca dominadora na temporada da Formula 1, com Juan Manuel Fangio e Stirling Moss. Contudo, não corriam sozinhos: tinha a Maserati, Lancia e a Ferrari, e estes tentavam o seu melhor para os apanhar. Os italianos da equipa do tridente tinham dois bons pilotos: o italiano Luigi Musso e o argentino Roberto Miéres. 

A corrida não teve história, exceto dois momentos: a luta que Luigi Musso deu aos Mercedes para os acompanhar, numa corrida extenuante - cem voltas à pista, quase 420 quilómetros! - e a perseguição que Mieres deu aos primeiros, ele que tinha partido de sétimo na grelha. Aos poucos, os carros alemães iam-se embora, e apesar de Moss ter sofrido uma fuga de escape que o deixou intoxicado, acabou a meio segundo de Fangio, o vencedor. Musso conseguiu o lugar mais baixo do pódio, e o único que os acompanhou. Mesmo assim, acabou a 57 segundos do vencedor. E os pilotos da Mercedes foram os primeiros a dar os parabéns pela sua performance. 

Quanto a Mieres, conseguiu o quarto lugar, a uma volta, mas melhor ainda, conseguiu a volta mais rápida, que nesse tempo valia um ponto. E em conjunto com mais duas corridas onde acabou nos pontos, foi oitavo classificado de um campeonato encurtado pelos eventos de Le Mans.

Ele foi mais que um piloto de automóveis. No final da década, quando a sua carreira automobilística estava a chegar ao final, e era um dos representantes da Peugeot na América do Sul, o seu interesse pela vela, que tinha praticado na sua juventude voltou a alimentar e foi selecionado para representar o seu país, a Argentina, nos Jogos Olímpicos de 1960, em Roma, na classe Star. Ali, encontrou-se com o Principe Bira, a única ocasião na história da competição onde dois ex-pilotos de Formula 1 participaram na mesma competição. Mieres foi o melhor sobre Bira, mas nenhum deles ganhou medalhas: o argentino foi 17º, o tailandês - que foi a todas a edições até 1972 - foi o 19º.

Anos depois, Mieres contou que quem o meteu nesse tipo de barco fora... Bira! "A primeira vez na vida subi para um Star, que era o meu barco de corrida com o qual fui olímpico e oito vezes campeão argentino, foi em Cannes. O Príncipe Bira levou-me a velejar durante um tempo. Também nos Jogos Olímpicos de 60 corri contra ele, ele pela Tailândia e eu pela Argentina”, recordou, numa entrevista feita em 1975 para um jornal argentino.

Roberto Casimiro Mieres, que tinha o apelido de "Bitito", morreu a 20 de janeiro de 2012, em Punta del Este, no Uruguai. Ele tinha nascido a 3 de dezembro de 1924 em Mar del Plata. Faria hoje cem anos.   

sábado, 28 de janeiro de 2012

The End: Roberto Mieres (1924-2012)

O ex-piloto argentino Roberto Mieres, um dos últimos sobreviventes ainda vivos dos primórdios da Formula 1,  morreu na passada quinta-feira no Uruguai, onde vivia desde há algum tempo. Contava 87 anos.

Nascido a 3 de dezembro de 1924 em Mar del Plata, na Argentina, era piloto que correu com Juan Manuel Fangio, Onofre Marimon e Froilan Gonzalez, e um desportista com provas dadas em várias modalidades, como o remo, o rugby e a vela, modalidade do qual representou o seu país nos Jogos Olimpicos de 1960, em Roma. Mas a sua carreira automobilistica começou muito antes, em 1947, ao competir com um MG, numa corrida local, onde venceu. 

Três anos depois, juntou o suficiente para tentar a sua sorte num Alfa Romeo, numa corrida em Rosário, onde vence e dá suficientemente nas vistas para que Alberto Ascari e Giusseppe Farina o aconselharem a seguir para a Europa. Aí, a bordo de um Ferrari 125, acabou no quarto lugar no GP des Nations, em Genebra. 

Em 1953, Miéres e contratado pela Gordini para substituir o lesionado Jean Behra, e estreia-se no GP da Holanda, onde não chegou ao fim. Corre mais duas corridas, tendo o seu melhor resultado um sexto lugar em Monza. No ano seguinte, é segundo classificado numa corrida em Buenos Aires e adquire um Maserati para correr no Mundial de Formula 1. Nas últimas três corridas do ano, torna-se piloto oficial, conseguindo dois quartos lugares na Suiça e em Espanha, acabando o ano no 11º posto, com seis pontos.

Em 1955, é piloto oficial da marca, conseguindo pontuar em três corridas e a volta mais rápida no GP da Holanda, prova essa onde acabou no quarto lugar, acabando o ano com sete pontos e o oitavo posto, a sua melhor classificação de sempre. A partir dali não correu mais oficialmente na Formula 1, mas continuou a correr nos Turismos, a bordo de carros como Jaguar e Porsche. A sua última participação foi nas 12 Horas de Sebring de 1960, onde ao lado de Armand van Doren, acabou no quarto lugar.