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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

As imagens do dia







Em alturas de rali de Monte Carlo, e como temos - pelo menos, na altura em que se escrevem estas linhas, um sueco na liderança - a história que se segue fala de um dos muitos pilotos suecos que correram no WRC e no Grupo B ao longo da década de 80, e que tendo tido alguma fama, o seu final trágico é uma daquelas histórias de "lugar errado, à hora errada". Falemos então de Lars-Erik Torph.

Nascido a 11 de janeiro de 1961 - se estivesse vivo, teria feito 65 anos - em Saffle, na Suécia, começou em 1980, no rali da Suécia, num Volvo 142, voltando a competir no rali dos 1000 Lagos, na Finlândia, abandonando em ambos os eventos. Quatro anos depois, no rali da Suécia, acaba em quinto lugar ao volante de um Opel Ascona da Opel Team Sweden.

Dois anos depois, Torph é escolhido para correr pela Toyota oficial, que nesse ano alinha com um Toyota Celica de Grupo B da Toyota Team Europe (TTE). Liderado pelo seu compatriota Ove Andersson, e alinhando ao lado de outro compatriota seu, Bjorn Waldegaard, Torph ajuda na dobradinha da marca japonesa nos ralis do Quénia e da Costa do Marfim, os eventos africanos do WRC, e consegue um quarto lugar no Olympus Rally, uma prova americana que ficou simbolizado como o último rali do Grupo B.   

Com esses resultados, Torph conseguiu o sexto lugar no campeonato do mundo, com 40 pontos.

Para 1987, continua na Toyota, que alinha nesse ano com um Supra 3.0, mas na Suécia, alinha com um Audi 80 Quattro, acabando na 11ª posição. No Safari, mesmo com febre durante parte do rali, acaba a prova na terceira posição. Irá participar no Rally Olympus, mas um problema no motor impede de chegar ao fim. 

A quarta prova foi o rali da Costa do Marfim, onde alinha pela Toyota. As coisas até corriam bem para a equipa, mas no segundo dia do rali, o avião da equipa, um Cessna 340, cai e mata o diretor de equipa, e ex-navegador, Henry Liddon, e o seu adjunto, Nigel Harris. Em sinal de luto, Ove Andersson manda retirar os carros da prova. 

Em 1988, alinha em duas provas, e na Suécia, entra com um Audi Coupé Quattro privado, acabando na terceira posição, atrás dos Lancia Delta de Markku Alen e de do Ford Sierra 4x4 Cosworth de Stig Blomqvist. Uma participação no rali Safari, no Quénia, com um Volkswagen Golf GTi, acabou prematuramente por causa de problemas de motor.  

O trágico final de Torph foi uma situação típica de "lugar errado, à hora errada". Em 1989, o Mundial começou, em vez de ter sido em Monte Carlo, foi na Suécia. Ali, ele correu num Volkswagen Golf de Grupo A, e para Monte Carlo, ele e o seu navegador, Bertil-Rune Rehnfeldt, um navegador com mais de 25 anos de experiência - e com 51 anos nesse inicio de 1989 - decidiram não competir neste rali e ajudar no reconhecimento das especiais para outro piloto sueco, Fredrik Skoghag.

Com Monte Carlo a ter fama de superfícies geladas, Torph e Rehnfeldt estavam a dar a Skoghag as melhores notas possíveis para o piloto. Isso acontecia antes da passagem dos carros nas especiais, dias antes. A 23 de janeiro de 1989, decorriam as cinco primeiras especiais do rali de Monte Carlo, e ambos assistiam à passagem dos carros, como espectadores, num lugar aparentemente seguro.

Contudo, quando chega a quinta especial, em Château St.Michel-de-Boulogne, está na estrada o Lancia Delta de Alex Fiorio, piloto da Jolly Club - e filho de Cesare Fiorio, que por muitos anos foi o diretor da Lancia. Havia gelo na superfície, e Fiorio anda a mais de 145 km/hora quando perde o controlo e sai da estrada. Segundo testemunhos da altura, o carro perdeu o controle e virou para a direita, embatendo numa pedra, virando depois para a esquerda, capotando na encosta por cerca de trinta metros. Um primeiro grupo de espectadores foi atropelado no lado esquerdo da estrada, enquanto um segundo grupo, que caminhava por um trilho mais abaixo, foi parcialmente atingido pelos destroços do Lancia Delta.

Muitos espectadores foram salvos graças a reflexos rápidos, mas, infelizmente, não foi o caso de Lars e Freddy, que morreram no terrível acidente. Fiorio e Luigi Pirollo, seu navegador, no entanto, ficaram em choque, mas saíram ilesos. Outros três espectadores também tinham ficado feridos e por causa disso, a especial acabou por ser interrompida. Skoghag, chocado com o que aconteceu aos seus amigos, abandonou voluntariamente o rali.

Uma possível razão para o acidente foi que o Lancia Delta de Fiorio estava a usar uma embraiagem eletrónica e estava a dar problemas. No dia anterior, Fiorio também tinha despistado por causa da embraiagem e ferira ligeiramente dois espectadores. 

O legado de Torph é importante nos ralis suecos. Existe um fundo memorial com o seu nome, e que ajudou pilotos como Per-Gunnar Andersson, Emil Bergqvist ou Pontus Tidemand, entre outros. E o campeonato sueco tem um rali em seu nome, o Lars-Erik Torph Memorial Rally. 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O piloto do dia - Lars Erik Torph

Hoje em dia, existe na televisão um programa de seu nome “Mil Maneiras de morrer”, onde se mostram todo o tipo de mortes estranhas, de maneiras totalmente bizarras. Caso algum dia se interessarem em mortes desportivas, certamente este seria um forte candidato, pois ele esteve no local errado à hora errada, quando assistia a um rali e foi atropelado por outro concorrente. Apesar de uma carreira pequena e interessante, com quatro pódios, é mais lembrado pelo seu bizarro fim, em Monte Carlo, como espectador. No dia em que se completariam 55 anos sobre o seu nascimento, hoje falo de Lars-Erik Torph.

Nascido a 11 de janeiro de 1961 em Säffle, na Suécia, Torph começou cedo a participar em ralis, fazendo a sua estreia em 1980, aos 19 anos, com um Volvo 142, no rali local, fazendo o mesmo mais tarde no Rali dos Mil Lagos. Em ambos os eventos, ele não chegou ao fim. Nos anos seguintes, usou alguns carros como o Opel Ascona, onde conseguiu os seus primeiros pontos, acabando no quinto lugar no Rali da Suécia. No ano seguinte, num Volkswagen Golf GTI de Grupo A, acabou o rali dos Mil Lagos na nona posição.

Essas performances foram mais do que suficientes para que em 1986 passasse a ser piloto oficial da Toyota, que usava o modelo Celica TCT de Grupo A, participando no Rali Safari e da Costa do Marfim, acabando ambos no segundo posto, perdendo apenas para Bjorn Waldegaard. Ainda participou no Rally Olympus, nos Estados Unidos, acabando no quarto posto. Contudo, esta participação apenas em três ralis foi mais do que suficiente para ser quinto classificado no campeonato desse ano.

Em 1987, Torph correu em três provas pela Toyota, num modelo Supra, mais o rali local a bordo de um Audi 80 Quattro. Na Suécia, acabou na 11ª posição, fora dos pontos, enquanto que no Safari, ficou na terceira posição, atrás de Walter Rohrl e Hannu Mikkola, apesar de ter estado doente ao longo do rali, com uma febre persistente. Na Costa do Marfim, estava a caminho de um bom resultado, quando um avião que levava três elementos da TTE, entre os quais o seu diretor, Henry Liddon, caiu, matando-os. Ove Andersson, que era o diretor técnico da marca, decidiu retirar os carros do rali, em sinal de luto.

Para a temporada de 1988, Torph Tinha se inscrito para o Rali da Suécia com um Audi Coupé Quattro, ao lado da sua navegadora Tina Thorner. O seu desempenho levou a chegassem no terceiro posto, conseguindo o seu quarto pódio da sua carreira. Mais parte, participou no Rali Safari ao volante de um Volkswagen Golf GTi, mas acabou por desistir, vitima de um problema de motor.

A temporada de 1989 começou na Suécia, nos primeiros dias do ano, onde Torph iria guiar um Audi Coupé Quattro pela Team VAG Sweden, mas o seu rali acabou mais cedo devido a problemas de ignição. No final desse mês era o rali de Monte Carlo, numa das poucas vezes em que não abriu o Mundial de ralis. Torph e o seu navegador, Bertil-Ruhne Rehnfeldt, estavam a assistir o seu compatriota Frederik Skoghag, sendo seus batedores para um rali que tinha superfícies de gelo.

A 23 de janeiro de 1989, o Rali de Monte Carlo já se encontrava na sua quinta especial quando ambos assistiam a passagem do rali numa curva, que vinha após um pequeno salto. O dia estava claro, mas havia alguma neve e gelo no asfalto, o que fazia com que os pilotos fizessem aquele local com alguma prudência. Contudo, quando passou o Lancia Delta de Alessandro Fiorio (filho de Cesare Fiorio, então o diretor desportivo da Lancia) que perdeu o controlo do seu Delta 4WD após o tal salto, seguindo em frente e caindo na valeta, precisamente no local onde estavam Torph e Rehnfeldt. Ambos tiveram morte imediata, e Torph tinha comemorado o seu 28º aniversário precisamente doze dias antes.