terça-feira, 27 de novembro de 2012

A "teoria da conspiração" de Vettel no GP do Brasil


Como todos sabem, o GP do Brasil deste domingo foi uma corrida onde foi tudo, menos normal. A Sebastian Vettel aconteceu de tudo para que ele acabasse a corrida demasiado cedo, desde um pião na Curva do Sol, logo na primeira volta, devido a um toque de Bruno Senna e Sergio Perez, até a más trocas de pneus num asfalto e num tempo sempre instável que o permitiram chegar até ao sexto posto final, mais do que suficiente para se sagrar campeão do mundo de 2012 pela terceira vez consecutiva.

Contudo, esta tarde corre pelas redes sociais um video editado onde se mostra que em três situações, Sebastian Vettel fez ultrapassagens aparentemente sob bandeiras amarelas e do qual a FIA "fechou os olhos", segundo alguns "especialistas". Martin Brundle, comentador da Sky Sports, disse depois que um dos comissários presentes esclareceu que essas ultrapssagens - especialmente a de Vettel sobre Kamui Kobayashi na Curva do Café, foi feito, na realidade, com as luzes a assinalar... piso escorregadio, logo, eram ultrapassagens validas. Nessa e numa outra ultrapassagem,  não há contestação da decisão da FIA.

A terceira dúvida tem a ver com a ultrapassagem a um Toro Rosso, que aparentemente foi feita em bandeiras amarelas. Sobre isso, o video explica a situação. Posso conceder que essa ultrapassagem é "duvidosa" em termos de regras, mas a FIA, por norma, não acolhe queixas vindas de alguém que não as equipas. E normalmente, quando estas vão para o Tribunal de Apelo, normalmente e decisão inicial não é revertida, a não ser que apareçam provas substancialmente fortes, como aconteceu com o Crashgate, em 2009, um ano depois do acontecido, em Singapura. Para piorar as coisas, não há muito tempo para elaborar uma queixa para contestar o resultado deste Grande Prémio: o prazo termina no dia 30 de novembro.

Portanto, toda esta confusão sobre as "ultrapassagens duvidosas" é uma combinação de más interpretações dos regulamentos - até à explicação de Martin Brundle na Sky Sports, quase ninguém sabia bem interpretar as regras dos sinais luminosos - até ao zelo quase inquisitório que alguns estão a ter, pois estes ainda se agarram a qualquer hipótese, por mais inverosimil que seja, para alterar na secretaria uma decisão que aconteceu na pista. E claro, disso até à "teoria da conspiração", vai um passo.

Veremos como isto vai acabar. Mas na minha opinião, a FIA só mudará o resultado se tiver provas muito fortes. E se uma das equipas protestar o resultado. E por agora, não vejo nem a Ferrari, nem outra equipa qualquer, a protestar isto, e isso é sinal de que ninguém contesta, nem as regras da FIA, nem os seus comissários.

4 comentários:

Unknown disse...

isso é dificil de dizer mas alguem mais achou que a maioria dos pilotos abriram pro vettel passar?

ele é excelente piloto e tem um equipamento que favorece mas ele nao teve dificuldade com ninguem... so com o kobayashi, que joga duro mesmo e precisava mostrar serviço por ser talvez sua ultima corrida. fora isso ele passou como se ninguem tivesse na frente. ate as mclarens, que eram os melhores carros, tiveram dificuldades!

abraço

Alessandro Seara disse...

Curioso, meu caro Paulo...

A maioria das pessoas que questiona as manobras de Vettel considera normal terem quebrado o lacre do Massa em Austin.

Curioso como alguns interpretam as regras de moto tão particular, não?

Paulo Alexandre Teixeira disse...

Alessandro:

Não tenhas dúvidas que quem está a alimentar isso são os espanhois. E já vi uma foto que desmente até a ultrapassagem da Toro Rosso. É que no inicio da reta, há uma bandeira verde agitada por um comissário de pista.

As pessoas, estando em casa, julgam que querem ser mais espertas do que a FIA, ela que observa tudo o que se passa na pista. Julgam que isto é como no futebol, mas... não.

Daniel Médici disse...

Eu estava no autódromo e não hesito em dizer que os sinais luminosos eram de pista escorregadia (listras amarelas e vermelhas). A questão é que a luz amarela se sobrepunha à vermelha - era fácil de se confundir, até mesmo ao vivo, mas um olhar mais atento não deixava dúvidas.