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segunda-feira, 27 de abril de 2026

A imagem do dia


A vida pós-Formula 1 de Sebastian Vettel está a ser interessante. O piloto alemão, ex-Red Bull, ex-Ferrari e ex-Aston Martin, decidiu ir correr a maratona de Londres, e aos 38 anos - fará 39 em julho - conseguiu um tempo interessante de duas horas, 59 minutos e oito segundos. Para um ex-piloto, do qual se calhar deve se preparar para uma maratona deste tipo há pouco mais de um ano, é um feito, do qual se deve dar os parabéns. Especialmente no dia em que foi batido o recorde mundial da maratona, num tempo abaixo das duas horas de corrida, pelo queniano Sabastian Sawe.

Contudo, o feito que o tetracampeão do mundo tem de ser aplaudido, porque - pelo menos, quem corre a maratona de Londres sabe - ele, sendo amador, fez por uma causa: a Brain & Spine Foundation, uma organização não-governamental que reúne fundos para a pesquisa para o tratamento e cura de lesões cerebrais e na espinal medula. E como todos podem ver da fotografia, Vettel não parece que esteja muito cansado do seu feito. Aliás, houve muita gente que afirmou que Sebastian parece estar a mostrar-se de forma muito... descontraída, parecendo mais ser um maratonista de domingo que alguém que se preparou para uma coisa destas. 

Primeira coisa interessante: mais de 1,1 milhões de pessoas se inscreveram para a edição de 2026 desta maratona de Londres, um recorde. 

E mais interessante foi o que fez a revista Motorsport: resolveu medir os seus "splits" (passagens) em dez, a cada cinco quilómetros, e verificou que foi consistente: os seus tempos andaram entre os seis minutos e 37 segundos e os seis minutos e 50 segundos. É obra, porque não se esforçou nem sentiu cansaço, teve "endurance". Todos os pilotos são competitivos por natureza, e mesmo numa modalidade diferente, mesmo sem qualquer tipo de pressão, esse instinto veio ao de cima. 

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Noticias: Vettel ainda quer tentar a Endurance


O alemão Sebastian Vettel poderá voltar as guiar um monolugar... mas na Endurance. Numa entrevista à Auto Motor und Sport alemã, o piloto de 38 anos afirmou que a Formula 1 está definitivamente descartada, mas não fala muito sobre a ideia de ir substituir Helmut Marko na Red Bull, agora que a equipa se livrou de Christian Horner. E a Endurance já começou a ser uma competição que o atrai.

Não quero excluir a possibilidade de que algo venha a acontecer [correr no WEC]. Houve conversações, mas de alguma forma ainda não resultou”, disse Vettel, citado pelo Auto Motor und Sport, e falando no conversa e teste que fez com a Porsche.

No passado, honestamente, não estava muito interessado em corridas de resistência na minha perspetiva de lutador solitário. Hoje vejo as coisas de forma diferente. Acho totalmente excitante, esta estrutura de equipa, partilhar um carro, fazer compromissos. No desporto automóvel, é difícil dizer: Eu só participo em metade das corridas. O WEC encaixar-se-ia bem com as suas oito corridas, que também são escalonadas de forma diferente da Fórmula 1.””, continuou.

E a Formula 1, a porta está fechada? Vettel afirma que sim, e dá o exemplo dos rookies de 2025.

A Formula 1 terminou para mim. Vê-se isso com os estreantes. Penso que é bom que muitos pilotos tenham sido substituídos. Não é um voto contra os mais velhos, mas a favor dos mais novos. No passado, não me importava quem dos pilotos estabelecidos já não estava a conduzir. O mais importante era que eu pudesse conduzir”, concluiu. 


quarta-feira, 25 de junho de 2025

O regresso de Sebastian Vettel?


Já se falava há algumas semanas, mas hoje o próprio confirmou: Sebastian Vettel poderá regressar à Formula 1, mais concretamente na Red Bull. Não como piloto, mas como dirigente, mais concretamente ficar no lugar de Helmut Marko

A caminho dos 38 anos - que acontecerão a 3 de julho - Vettel, que deixou a Formula 1 em 2022, depois de uma temporada na Aston Martin, anda muito em "low profile" para os seus projetos de sustentabilidade um pouco por todo o mundo, mais recentemente no Brasil. Com Helmut Marko a caminho dos 82 anos, a Red Bull o vê com bons olhos a sua presença, ele que foi piloto entre 2007 e 2014, com quatro títulos mundiais entre 2010 e 2013.    

Em declarações nesta quarta-feira à cadeia de televisão ORF, na semana do GP da Áustria, Vettel afirma que apesar das conversas existirem, não são assim muito profundas, e ainda acha que Helmut Marko ainda tem muito para dar.

"Já surgiram algumas manchetes e ainda me dou muito bem com Helmut. Estamos trocando ideias sobre o assunto", começou por afirmar. "Essas conversas ainda não são tão intensas ou aprofundadas, mas pode ser algo em que eu tenha um papel. Em que forma isso acontecerá, o tempo dirá", continuou.

"Tenho que admitir que não estive muito próximo da Fórmula 1 nos últimos anos, embora eu ache que Marko sabe o que está a fazer. Aconteça o que acontecer, ainda se pode aprender muito com ele", adicionou o tetracampeão. "Marko não é substituível, vamos deixar isso claro. É o tipo de pessoa que ele é e fez muito pela equipe desde 2005; talvez nem seja o objetivo encontrar alguém para substituí-lo". 

"Ele já disse algumas vezes que vai parar, mas ainda está lá, e eu gostaria que ele continuasse por muito tempo. Mas, em algum momento, ele vai sair e sabe disso. É um realista brutal e consegue avaliar as coisas muito bem, saberá quando for a hora certa", finalizou. 

Em 300 Grandes Prémios, entre 2007 e 2022, Vettel ganhou 53 Grandes Prémios, conseguindo 122 pódios, 57 pole-positions e 38 voltas mais rápidas. Depois da passagem pela Red Bull, esteve na Ferrari de 2015 a 2020, acabando a sua carreira com duas temporadas na Aston Martin. 

segunda-feira, 8 de abril de 2024

A possibilidade de um regresso


Sebastian Vettel tirou um tempo para ele mesmo em 2022, aos 36 anos de idade, e depois de 16 temporadas na categoria mais importante do automobilismo. Recentemente, o seu nome regressou à ribalta pelo fato de ter ido à pista de Aragon para testar com a Porsche no sentido de saber se poderá correr ou não no Mundial de Endurance ou nas 24 Horas de Le Mans. Segundo contam as noticias, o piloto alemão fez dois turnos duplos completos, e apesar da marca ter gostado do que viu, acha que fazê-lo correr em 2024 seria prematuro. 

Tudo indica que em 2024, a marca queira apontar para a vitória, e é por isso que terá um terceiro carro oficial para a clássica da Endurance francesa, e que será pilotado pelo francês Mathieu Jaminet, o brasileiro Felipe Nasr e pelo britânico Nick Tandy. Mas à Porsche interessa ter Vettel, porque o pretende que seja um embaixador da marca, e também acha que em 2025, poderá estar pronto para correr em Le Mans e ajudar nas ambições da marca alemã de triunfar novamente, 55 anos depois do seu primeiro triunfo, em 1970. 

Claro, resta saber que quererá o piloto. Aparentemente, deseja uma espécie de regresso, e vê com bons olhos a oportunidade da Porsche. Mas não deseja regressar à vida preenchida dos tempos da Formula 1, e a ideia é fazer algumas corridas no WEC, nunca a tempo inteiro. Nos testes em que fez em Aragon, o piloto reparou que precisa de ganhar ritmo em termos de consistência, e que precisa de mais um grande teste no sentido de saber se é capaz de satisfazer os critérios e claro, tentar a vitória em Le Mans. Aliás, a Porsche queria fazer um teste nos dias 10 e 11 de abril em Paul Ricard, e teria Vettel como participante, mas essa hipótese já caiu por terra.


Assim sendo, as chances poderão acontecer, mas não é para já. Mas seria interessante assistir ao regresso de um piloto popular pelo seu bom humor, e pelas causas que defende.  

terça-feira, 26 de setembro de 2023

WEC: Jota Sport ambiciona um campeão


A Jota Sport, que corre no Mundial de Endurance com um Porsche 963 na classe Hypercar, mais um LMP2, irá ter o seu segundo carro em 2024 e deseja ter um nome forte para o novo alinhamento. E para isso, tem falado com gente como Kimi Raikkonen e Sebastian Vettel

No caso do piloto alemão, a revista alemã Auto Motor und Sport fala que o quatro vezes campeão do mundo estará a explorar a possibilidade de participar na categoria Hypercar do Mundial de Resistência com um Porsche 963 da Jota Sport. E para isso, pretende organizar uma sessão de testes com o seu Oreca da categoria LMP2, para ele poder experimentar a sensação de conduzir um carro deste tipo. 

Vettel respondeu à mesma publicação que “ainda nada está assinado ou decidido, mas tenho o assunto em mente. Ainda tenho tempo para decidir.” Ou seja, a ideia é possível. 

Mas a Jota não pensa só nele: outros dois nomes estão em cima da mesa. Um deles é o polaco Robert Kubica, e o segundo nome é Kimi Raikkonen, que já foi companheiro de equipa de Vettel na Ferrari entre 2015 e 2018. Raikkonen é apontado pela revista alemã Motorsport Aktuell. Ele que já experimentou em 2011 um Peugeot 908 HDi no Motorland Aragon. 

Contudo, a revista revela que há mais um nome na lista para além de Kimi. E esse segundo nome é Jenson Button, campeão do mundo em 2009. Nesse caso, quem reforça a ideia é o site the-race.com. 

Ali, é o próprio piloto de 42 anos que afirma que gostaria de ter um programa a tempo inteiro nas corridas de resistência. Aliás, este ano, o ex-campeão do mundo de Fórmula 1 correu nas 24 Horas de Le Mans com o carro da NASCAR inscrito na Garagem 56, fez três provas da NASCAR Cup Series e irá guiar o Porsche 963 GTP privado da JDC-Miller MotorSports na última prova da temporada do IMSA SportsCar Championship, em Road Atlanta, na corrida de 10 Horas da Petit Le Mans.

Uma coisa é certa: a Jota tem dois carros e quer um nome de peso para reforçar uma equipa que tem como ponta de lança o português António Félix da Costa, ao lado do britânico Will Stevens e o chinês Ye Yifei.

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

A(s) image(ns) do dia




Há 15 anos, se existiam dúvidas, naquele dia anormal, assistíamos ao nascimento de um campeão. À chuva, Sebastian Vettel continuava algo que tinha começado no dia anterior, quando alcançou a pole-position. E melhor ainda, numa temporada onde Felipe Massa e Lewis Hamilton monopolizavam as atenções, os feitos da pequena equipa de Faenza baralhavam as coisas num local onde a Ferrari esperava triunfar sem apelo, nem agravo.

E melhor: o triunfo da Toro Rosso acontecia antes da equipa principal, a Red Bull. 

Mas para chegarmos ali, existe toda uma história. Que começa com a compra da Minardi pela Red Bull, no final de 2005, e mudar de nome a partir do ano seguinte, para Toro Rosso - Red Bull em italiano. A ideia era de ser uma "equipa B" para os energéticos, colocando jovens talentos na Formula 1 antes de irem para a equipa principal. Depois de ter dado lugar a gente como Scott Speed ou Vitantonio "Toino" Liuzzi, o alemão chegou no GP da Hungria de 2007, depois do piloto americano ter acabado mal a corrida anterior, com alegações de que tinha andado à porrada com Franz Tost...

Vettel tinha mostrado potencial, mesmo quando esteve "emprestado" à BMW Sauber na primeira metade de 2007. Apenas no GP da China, corrido debaixo de chuva, ele conseguiu um quinto posto, depois de na corrida anterior, em Fuji, também à chuva, ir em lugares de pódio quando perdeu o controlo do carro e bateu na traseira do Red Bull de Mark Webber em pleno período de Safety Car... 

Em 2008, a temporada começou modesto, até à entrada do STR3, no GP do Mónaco, altura em que os resultados melhoraram imenso. O alemão conseguiu ali mesmo um quinto posto, repetindo o resultado em Spa, depois de um sexto lugar em Nurburgring e dois oitavos no Canadá e na Alemanha. Quanto ao piloto, este estava feliz com a sua "Julie". Afinal de contas, tinha o seu melhor carro até então. 

E depois, chegou Monza. 

A qualificação foi corrido debaixo de chuva, algo que muito raramente se vira naquele circuito, porque a corrida acontecia sempre no final do verão, logo, essas chances seriam muito baixas. Mas ali, a chuva fez a sua aparição, e enquanto gente como Hamilton cometia erros, já o alemão fazia tudo bem, e conseguiria ali a sua primeira pole da sua carreira. A idade? 21 anos e dois meses, o mais novo de sempre. E a primeira fila poderia ter a companhia do seu companheiro de equipa, o francês Sebastien Bourdais, mas calculou mal e ficou apenas com o quarto melhor tempo. 

O dia da corrida foi algo inédito. Nunca a Formula 1 correra Monza em condições de chuva, e a partida aconteceu atrás do Safety Car. E se a Vettel, tudo corria bem, a Bourdais, tudo corria mal. O carro "afogou-se" na volta de aquecimento e teve de largar do último lugar, uma volta de atraso em relação à concorrência. 

A partir dali, fez-se história. No final, Vettel comemorou no pódio, com Gerhard Berger, o diretor desportivo, a seu lado, feliz da vida, e nas boxes, os mecânicos, muitos dos tempos da Minardi, comemoravam como se tivessem ganho o campeonato do mundo. Pudera... naquele dia, era o triunfo dos "underdogs". Era das vitórias mais aplaudidas e mais populares da história do automobilismo. E claro, era o inicio de uma era de um piloto que iria escrever imensas páginas douradas na Formula 1. 

Ah! Já me esquecia. Com os seus 21 anos, Vettel era o piloto mais novo de sempre a ganhar uma corrida, batendo o recorde de Fernando Alonso. E a partir dali, apenas um piloto ganhará a sua primeira corrida mais novo que ele: o neerlandês Max Verstappen, que o conseguia aos 18 anos.      

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Noticias: Vettel nega rumores de Formula E


Sebastian Vettel negou esta semana que irá regressar á competição pela Formula E. O ex-piloto alemão, que pendurou o capacete na Formula 1 em 2022, depois de ter passado pela Aston Martin, referiu na motorpsort.com que as declarações de Thomas Biermeyer, o chefe da Abt Cupra, no final da ronda londrina da Formula E, não tem fundo de verdade.

Eu não estou em negociações para correr na Fórmula E com a ABT Cupra ou qualquer outra equipa. Palavras foram colocadas em minha boca, e eu gostaria de esclarecer que atualmente não estou considerando um regresso ao automobilismo”, afirmou Vettel.

Recentemente, Thomas Biermeyer levantou a possibilidade de o alemão competir na categoria pela equipa germânica, em substituição do neerlandês Robin Frijns, afirmando que a sua participação na competição elétrica 'casaria' com a defesa de Vettel das causas ambientais.

Desde que ele pendurou o capacete, Vettel tem participado no Goodwood Racing Festival, com um FW14 e um McLaren MP4/8, ambos com combustível sintético, alegadamente não poluente e feito através de fontes não poluentes como o hiroelétrica, a solar e a eólica. 

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Rumor do Dia: Vettel na Formula E?


A ABT Cupra irá perder um piloto, o neerlandês Robin Frinjs, para a Envison, mas o seu substituto poderá ser surpreendente. É que Thomas Biermaier, o seu diretor desportivo, insinuou que Sebastian Vettel poderia entrar num dos carros da marca em 2024.

Ao microfone da rádio ran.de, em Londres, durante o fim de semana de encerramento da competição elétrica, Biermeier confirmou a partida de Frijns e fechou-se em copas sobre os nomes para o seu substituto, mas falou que seria alguém da Suíça.

"Os seus planos para o futuro não coincidem com os nossos", começou por afirmar Biermaier, explicando a separação: "O Robin era um amigo, é um amigo e será sempre um amigo", continuou. 

E o seu substituto? "Talvez seja da Suíça, há lá pilotos de corridas que estão muito empenhados no ambiente e fazem muito trabalho de sustentabilidade", concluiu.

A conclusão sobre o nome de Vettel tem a ver com o facto de ele viver no cantão de Thurgau e há anos que está fortemente empenhado na proteção do ambiente e na sustentabilidade. Contudo, apesar disso, ele não é grande fã da eletricidade, querendo mais apostar nos combustíveis sintéticos, mas limpos, e isso está a ser visto com os carros que tem andado recentemente - o Williams FW14 de Nigel Mansell e o McLaren MP4/8 de Ayrton Senna - com a campanha pelos combustíveis sintéticos. 

De qualquer forma, caso Vettel aceitasse o desafio, seria um verdadeiro golpe para o campeonato e para a Cupra, a marca de automóveis espanhola que este ano ingressou na Fórmula E, com colaboração com a alemã Abt, e ficou no último lugar da classificação de equipas, com 21 pontos, com o melhor resultado sido um sexto posto em Roma. 

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Youtube Formula 1 Vídeo: O tributo a Sebastian Vettel

Depois de 15 temporadas, quatro títulos, passagens por BMW Sauber, Toro Rosso, Red Bull, Ferrari e Aston Martin, Sebastian Vettel, e 35 anos, pendurou o capacete. No final do ano, o Josh Revell decidiu fazer um vídeo de tributo ao piloto alemão e à sua longa carreira no topo do automobilismo. Provavelmente o maior da sua carreira, mas é daqueles que vale a pena porque faz jus ao seu palmarés e ao impacto que causou numa geração de adeptos de Formula 1.   

sábado, 10 de dezembro de 2022

Youtube Formula One Video: Os momentos divertidos de Sebastian Vettel

A Formula 1 continua a homenagear Sebastian Vettel, na sua derradeira temporada na categoria máxima do automobilismo. E como ele foi das pessoas mais divertidas da história do automobilismo - quem diria, num alemão! - o pessoal decidiu fazer uma seleção dos melhores momentos do tetracampeão do mundo. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

No Nobres do Grid deste mês...


Já sabíamos isto desde julho, quando se sentou à frente de uma câmara e o anunciou de maneira formal. Mas agora que o campeonato acabou e o vemos sair do carro pela última vez, depois de 300 participações, desde aquele distante ano de 2007, quando substitui Robert Kubica na BMW Sauber, após aquele acidente em Montreal, aí sentimos aquela sensação de “final de uma era”, como já sentimos muitas vezes ao longo das nossas vidas. Eu particularmente, que vejo Formula 1 há mais de 35 anos, e vi já algumas gerações a surgirem, crescerem, amadurecerem e reformarem-se. E pelo meio, alguns regressos.

Não nego que tenho simpatia pelo piloto alemão. Mas não foi por causa daquilo que faz agora. Foi desde sempre, desde os tempos em que era piloto de testes na BMW Sauber e se viu todo o potencial daquele garoto, então com 19 anos. É verdade que se estreou por causa de um acidente e ele cumpriu, levando o carro para um digno oitavo lugar, em Indianápolis. Mas mais do que um piloto veloz, tinha carácter. Sempre se deu bem com a vida, gozava o facto de estar na Formula 1. Afinal de contas, cumpria o seu sonho. (...)


A sua transferência para a Ferrari explica-se por causa de uma coisa: sendo alemão, admirava Michael Schumacher. Nos seus tempos de karting, ele deu prémios a jovens talentos, porque sabia que ali poderia estar o seu sucessor. Se os garotos ficavam com uma fotografia para mais tarde recordar, para Vettel, correr ao lado do seu ídolo foi um sonho concretizado. Aconteceu com ele nos seus últimos dias na Mercedes, mas não interessava: um campeão era sempre um campeão. E nestes últimos tempos, o seu papel de protetor para com Mick Schumacher, filho de Michael, emulava aqueles temos de uma década antes. 

Logo, quando foi para a Scuderia, em 2015, pensava que poderia fazer o mesmo caminho de sucesso. Só que ele se esqueceu de duas coisas: a Ferrari é uma devoradora de pilotos desde a sua fundação – embora a sua grande diferença é que antigamente, os pilotos pagavam com a vida – e segundo, ele não tinha a gente que ajudou Schumacher a ser multi-campeão. Gente como Ross Brawn, Rory Bryne, Jean Todt. (...)


Como em tudo na vida, Sebastian Vettel chegou, viu e venceu, como o campeão que é. Mas para além disso, tem uma personalidade divertida, que com a maturidade revelou ser alguém responsável e consciente do mundo à volta. Os quatro títulos mundiais com a Red Bull mostraram o seu talento, e a ambição de repetir o mesmo na Ferrari, seguindo os passos do seu ídolo, Michael Schumacher, foi o que levou a tentar a sua sorte nos lados de Maranello. Mas sem sucesso. 

No tempo em que pendura o capacete, escrevo no Nobres do Grid sobre a sua carreira e os seus feitos, bem como a sua persona humana, algo raro entre gente que vive na sua própria bolha e esquece, no meio dos seus egos, que são mais privilegiados que julgam. Raros são aqueles que observam para além dela, e Vettel, como Lewis Hamilton, são dos poucos que tinham essa visão.

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Youtube Formula 1 Video: Sebastian Vettel, pela última vez

 
A Aston Martin decidiu fazer um video de 22 minutos para homenagear Sebastian Vettel, na sua última corrida na Formula 1, em Abu Dhabi. Basicamente são as cenas dos bastidores dessa última corrida, as emoções que, quer o piloto, quer aqueles que trabalham com ele.

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

A imagem do dia


Na foto, Sebastian Vettel em novembro de 2021, no fim de semana do GP da Arábia Saudita, quando promoveu uma prova de karting com mulheres-piloto, num país onde até 2019, as mulheres estavam proibidas de conduzir ao volante nas estradas locais.   

No meio dos tributos a Vettel, que pendurou o capacete no final da semana passada, esqueci-me de falar de um aspeto importante, e do qual me fez admirá-lo desde o inicio: a sua pessoa. Primeiro, por ser alguém jovial, num mundo de carrancudos em que só se viam como alvos a abater, uns contra outros, a todo e qualquer custo, e mais tarde na vida, quando se começou a falar das causas do Black Lives Matter ou da defesa dos direitos das pessoas do mesmo sexo.

Quando o vi, sempre sorridente, a sair do seu carro da Toro Rosso e ter umas tiradas em relação aos nomes femininos que dava aos seus bólidos, achei que era um acaso de jovialidade e juventude, de um rapaz que concretizou o seu sonho e o desfrutava. Depois, como falei noutro dia, como ele era amante do humor britânico, e o retrato caricatural a Nigel Mansell no Top Gear, em 2011 - que não era mais do que o seu tributo ao "brutânico", tanto que adotou o bigode e o número 5 - via-se que era um garoto feliz no meio de um concessionário de automóveis multimilionário. 

Mas fora da pista, não tinha nada a ver. Feliz e bem-humorado no paddock, era extremamente protetivo em relação à família - sabemos que é casado e tem três filhas - e aparentemente não se afastou muito das raízes familiares de Heppenheim, a sua terra natal. E viu-se, no fim de semana de Abu Dhabi, que uma das estrelas das boxes da Aston Martin era o pai de Sebastian, que trouxe o seu capacete e o seu primeiro fato de competição e o pendurou no seu armário, para recordação, e também para mostrar ao mundo das suas origens humildes.

E tem outra coisa: durante anos, Sebastian não teve qualquer acesso às redes sociais, pelo menos oficialmente. Nunca vimos nada no Twitter, Facebook, ou TikTok. Só agora, em julho, quando abriu a sua conta no Instagram, para colocar o filme onde anunciava a sua retirada, é que deu sinal de vida oficial nas redes sociais. E desde então, anda a colocar imagens da sua carreira no karting. 

Mas se nos primeiros tempos, era o garoto alegre com aquilo que fazia, depois, se tornou no ser humano consciente do mundo à volta. Se calhar, a sua relação com Kimi Raikkonen poderá ter ajudado um pouco nessa sua descontração - demonstrar que há vida pra além da Formula 1, algo ao qual a certa altura se perde a noção - mas a sua relação com Lewis Hamilton também ajudou a despertar o ativista que estava dentro dele. Se boa parte dos pilotos fazia as atividades, como o ajoelhar no solo, com algum enfado, Vettel e Hamilton - sempre rivais respeitosos - levavam a causa mais longe. O alemão era o único que poderia vestir a camisola arco-íris, ou desenhá-lo no capacete em lugares onde os direitos das pessoas do mesmo sexo estavam em jogo. E mesmo no início deste ano, mostrou-se solidário com a Ucrânia, quando esta foi invadida pela Rússia, pintando o seu capacete com as cores nacionais daquele país e apelando ao final do conflito.

E isto, eram as ações visíveis. Sabemos lá que ações invisíveis ele não fez para ajudar pessoas em perigo. 

Agora que ele vai embora, vemos partir uma personagem rara neste paddock. Um piloto que gostou do que fez, ganhou muito dinheiro com isso, e no final, queria ajudar os outros, não tendo mais nada a provar a ninguém. E pelo meio, decidiu ser uma melhor pessoa por foi educado nessa maneira. Nada mais. 

Acho que iremos ter saudades dele.

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Youtube Formula 1 Video: A carreira de Sebastian Vettel, na rádio

A Formula 1 continua nas homenagens a Sebastian Vettel. E desta vez, fez uma coleção dos seus melhores rádios ao longo da sua carreira de 15 anos, entre 2007 e 2022. E começa com a sua vitória em Monza, e acaba em Abu Dhabi, passando por mais alguns episódios clássicos. 

Confesso que o meu favorito é o dele em Austin, em 2013, comemorando o seu quarto título mundial. Afinal de contas, ele diz algumas verdades da vida, nada mais.  

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

A imagem do dia


Nesta série de posts em tributo a Sebastian Vettel, tinha de caber algo sobre o seu tempo na Aston Martin. Para falar de um dos grandes pilotos que a Formula 1 viu na última década e meia, que é o tempo deste blog, por curiosidade, todos os tempos, bons ou maus, têm de caber aqui. E neste tempo final da sua carreira, falo de uma equipa que teve diversas encarnações, desde a original, a Jordan, passando pela Spyker, Force India e Racing Point, antes de em 2020, Lawrence Stroll o ter comprado para ser a Aston Martin, para o seu filho, Lance Stroll, poder correr. 

Mas para começar um pouco atrás, falo da sua saída da Ferrari. Depois de uma vitória em 2019, em Singapura, que deu a sua segunda pior classificação desde 2014 - nesse último ano na Red Bull, não triunfou em qualquer corrida - a Ferrari tinha sido acusada de ter mexido no seu motor pela FIA. Ambas as partes fizeram um acordo secreto, e a Scuderia pagou com um decréscimo de potência em 2020. Não era algo que afetasse tanto Vettel, porque dentro de Maranello, os dados já tinham sido lançados para o monegasco Charles Leclerc, considerada a nova esperança. Mas como eu já disse em relação aos pilotos da Ferrari, é mais lenha para queimar. 

Contudo, 2020 foi um ano invulgar, em todos os aspetos. Mas na Ferrari, a coisa fez com que fosse a pior temporada desde 1992: apenas três pódios, com Leclerc a conseguir o seu melhor resultado, um segundo lugar na Áustria. Vettel conseguiu um terceiro posto à chuva, na Turquia, mostrando que quando os carros ficam iguais, o piloto até se pode dar nas vistas. E ali, foi a sua pior temporada desde 2008: apenas 33 pontos, com estes a serem distribuídos pelos dez primeiros. Se fosse no sistema desse ano, seria bem pior: apenas teria conseguido onze. No último ano pela Toro Rosso, levou 35 para casa.

Mas em 2021, Vettel estava num lugar mais pequeno e acolhedor. Contudo, em muitos aspectos, era um lugar novo, apesar dos donos anteriores. A adaptação não iria ser fantástica, e o facto de não ter pontuado nas primeiras quatro corridas mostrou isso. Mas no Mónaco, vimos um relampejo do alemão. Primeiro, na qualificação, depois na corrida.   

A qualificação monegasca foi agitada - aquele circuito não perdoa erros - e Charles Leclerc fez a pole-position, apesar de ter batido nos minutos finais, acabando por antecipar o final e prejudicando gente como Max Verstappen, por exemplo. Vettel até conseguiu levar o carro para a Q3, conseguindo um digno oitavo posto, um lugar mais abaixo de Lewis Hamilton, apenas sétimo. O pior resultado para o inglês desde... o GP da Alemanha de 2018. 

E a corrida começava bem, quando se descobriu que o carro do "poleman" tinha um problema no eixo, obrigando a desistir ainda antes do início da corrida, porque as reparações não iriam ficar prontas a tempo. Parecia Jean-Pierre Jarier no GP da Argentina de 1975, quando não aproveitou a pole para nada... assim sendo, todos já ganharam um lugar, mesmo antes dos semáforos se apagarem. Vestappen herdou o lugar.

Para melhorar as coisas, na volta 30, quando Valtteri Bottas foi às boxes para fazer a troca de pneus, um dos macacos para tirar o pneumático corroeu a porca e não podiam tirá-lo dali. Não tiveram outra chance senão obrigá-lo a abandonar a corrida, fazendo aquela tarde uma miserável para os Flechas de Prata. Atrás, Vettel fazia tudo bem, aproveitando as chances para subir uns lugares na classificação geral, especialmente depois de um duelo com o Alpha Tauri de Pierre Gasly, no qual ele acabou por triunfar. Vettel tinha sido o melhor do resto... mesmo que a realização monegasca, a certa altura, ter cortado para mostrar um toque de Lance Stroll do guard-rail, sem consequências de maior!

O quinto lugar final, a mais de 30 segundos de Sergio Perez, o quarto classificado, pode não ser grande coisa, mas soube a vitória. E de uma certa maneira foi o triunfo da veterania e da manha, aproveitando muito bem as particularidades de uma pista citadina. Algumas semanas depois, em Baku, essas manhas, adicionando os azares dos outros pilotos, deu-lhe um segundo lugar algo inesperado, o único da Aston Martin até agora, e o último de Vettel na Formula 1. 

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

A imagem do dia


Sobre os eventos de Montreal, ainda não consigo ver com distância e frieza suficiente sobre a decisão dos comissários de penalizar Sebastian Vettel por aquele erro e ter defendido a sua posição sem tocar no carro de Lewis Hamilton. Mas sei que do outro lado, os fãs do britânico dirão que a punição era justa e o que ele fez foi uma demonstração de mau perder. 

Até pode ser, mas que era uma injustiça, era. Houve exemplos no passado, bem piores, que foram deixados em claro. E até defendia uma posição mais radical do que esta mera troca de placas. Era chegar ao microfone, anunciar a sua retirada da Formula 1 com efeito imediato e não voltar atrás. 

Mas depois, colocando-me na pele dos hamiltonistas, eu seria considerado como mau perdedor. 

Contudo, tenho a certeza que deve ter quebrado alguma coisa dentro da mente de Sebastian Vettel. Se algum dia tiver a oportunidade de o entrevistar, perguntarei isso. 

Reparem... lembram-se daquilo que escrevi ontem sobre Chris Amon e a sua corrida de Charade, em 1972? Eu acho que Vettel sabia que, na Ferrari, não iria conseguir mais nada. E que a sua chance tinha terminado, e ficaria na pilha daqueles que tentaram e não foram bem-sucedidos. Como disse antes, a Scuderia devora todos aqueles que trabalham nele.

Claro, Vettel escolheu ir para a Ferrari. A responsabilidade é dele, e claro, não deverá ter arrependimentos. Mas se alguém falar do que aconteceu naquele dia, em Montreal, aposto que deverá ter uma ponta de amargura, por tudo o que se passou. Pelos comissários e pela FIA. Não pelo Hamilton, que apenas era mais um concorrente, um rival.

Aliás, a relação entre ambos até é bem interessante. Sempre houve respeito entre ambos. Entraram no mesmo ano, um mais tarde que o outro, é evidente, mas tiveram o seu tempo. Quando Vettel dominou, Hamilton quase nunca teve chances de o apanhar, nos seus tempos de McLaren, e no primeiro ano da Mercedes, depois da retirada de Michael Schumacher. Depois, quando a Mercedes dominou, os únicos que pressionaram o britânico foram Nico Rosberg e Sebastian Vettel, numa primeira fase, antes de Max Verstappen. E quando o alemão, nascido no Mónaco e filho de Keke Rosberg, o conseguiu bater, decidiu pendurar o capacete de imediato. Quanto ao segundo, aguentou mais tempo, mas desgastou-se. 

E creio que aquele gesto, de forma irónica e inconsciente, também foi uma forma de afirmar que desistia da luta, e disse que Hamilton era o melhor. A partir dali, Vettel sepultou o piloto ultracompetitivo e decidiu ser mais humano, sentou, andou a ganhar dinheiro e decidiu apreciar a viagem e o privilégio de ser piloto de Formula 1. Nisso, deve ter visto Kimi Raikkonen e seguiu a sua atitude.   

terça-feira, 22 de novembro de 2022

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Será este momento o princípio do fim?

Para algumas coisas, eu creio que sim. Mas pessoalmente, acho que o princípio do fim foi mais tardio - sobre isso falarei mais tarde. Bem vistas as coisas, creio que deve ter sido ali que a sua confiança foi abalada. 

A Ferrari é um sonho. Mas também é um Saturno devorando os seus filhos, como Francisco Goya bem pintou nos seus pesadelos, num dos quadros mais impressionantes que já vi da história da pintura. Se no tempo do "Coomendatore" Enzo Ferrari, os pilotos pagavam com a vida, agora, eles pagavam com a carreira e o prestígio abalado, senão destruído. Poucos são os que voltam a vencer depois de passarem por Maranello. Lá, deixas a alma.

Há alguns anos, li uma entrevista que o Chris Amon fez à Motorsport britânica, que contou sobre a sua incapacidade de triunfar numa corrida de Formula 1, e falou da sua performance no GP de França de 1972, em Charade, com o seu Matra, onde fez tudo bem e ia ganhar... se não fosse um furo, que o relegou para o terceiro lugar. Todos consideram que foi o seu melhor desempenho na sua longa carreira na Formula 1. Amon contou nessa entrevista que esse foi o momento em que fez acreditar que não seria bem-sucedido. Isso e outras razões. 

Não ficaria admirado se um dia, mais tarde, numa entrevista qualquer, se lhe perguntarem ao Vettel sobre essa corrida, se calhar terá uma resposta semelhante. Ou esse, ou o GP do Canadá de 2019.

Mas falemos dessa corrida. Quando todos chegaram a Hockenheim, Vettel vinha de um triunfo em Silverstone, que o deixou na frente do campeonato, com oito pontos de vantagem sobre Lewis Hamilton. E para melhorar as coisas, na qualificação - mais especificamente na Q1 - Hamilton sofreu um problema hidráulico, significando que ele iria partir de 14º, com a pole nas mãos de Vettel. 

Ele tinha tudo para alargar a liderança.

O dia da corrida começou com ameaças de chuva, mas isso não acontecia quando partiram, quando Vettel largou bem e começou a alargar a liderança para Valtteri Bottas, o segundo classificado. O alemão controlava a corrida até à volta 26, quando foi às boxes e trocou de pneus, deixando a liderança para Bottas e regressando em quarto. Vettel começou a subir na hierarquia e na volta 39, depois de passar Kimi Raikkonen, começou a queixar-se do sobreaquecimento dos seus pneus. Hamilton, entretanto, tinha metido ultra-moles. E havia uma razão para isso: iria chover.

Os primeiros pingos de chuva caíram na volta 44, e Vettel, que agora liderava, começava a ter problemas. Primeiro, uma pequena saída de pista. E depois, na volta 52, quando era o líder, não travou a tempo na curva interior do Estádio, acabando na gravilha. Era a catástrofe, ainda por cima, no seu GP caseiro!

O resto acabou por ser marcante. Mesmo com o britânico a atravessar a linha antes das boxes na volta 53, porque o chamaram tarde demais para fazer uma entrada como todas as outras, o britânico triunfou, e para melhorar as coisas, tinha sido um maná dos céus, porque deve ter sido das vitórias mais improváveis e mais imprevistas da sua carreira. E aqueles 25 pontos, com o alemão a conseguir zero, num campeonato até ali bem disputado, era um maná do qual não poderia desperdiçar. 

Mas a partir dali, a sorte de Vettel descambou. Apesar da vitória na Bélgica, por exemplo, os erros em Monza, e sobretudo em Singapura, onde ele e Raikkonen foram eliminados à partida pelo Red Bull de Max Verstappen, deram o caminho do triunfo ao britânico. Tirando 2016, com Nico Rosberg, aquele tinha sido, até então, o ano onde Hamilton sentiu mais dificuldade em alcançar o título. 

E a Ferrari não iria ter mais chances nos próximos tempos. Agora, sabemos, este pode ter sido o começo do fim na Scuderia, o momento em que sentiu ser devorado pela máquina de Maranello.

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

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A mudança de regras em 2014 apanhou a Red Bull desprotegida, depois de quatro anos de domínio. E para piorar as coisas, naquela temporada, Sebastian Vettel ainda foi superado na sua luta interna por um esfomeado australiano chamado Daniel Ricciardo, que conseguiu três vitórias, contra as zero de Vettel, que pela primeira vez desde 2007, não conseguia qualquer triunfo. Aliás, apenas conseguira quatro pódios e tinha sido superado pelo Williams de Valtteri Bottas!

Portanto, ir para a Ferrari parecia ser um passo adiante na sua carreira. Iria sair do casulo da Red Bull, onde praticamente correu em todos os Grandes Prémios da sua carreira - talvez, exceptuando, a sua corrida solitária na BMW Sauber, em Indianápolis 2007 - e muitos achavam que ali, ele se poderia espalhar ao comprido. Mas a jogada do alemão para a Scuderia tinha uma boa razão: queria imitar o seu ídolo, Michael Schumacher, que em 1995 fora contratado a peso de ouro para levantar a equipa e torná-la campeã.

Nessa altura, a "seca" já tinha sete anos de idade, e também o monte que iriam escalar seria muito alto. A Mercedes tinha encontrado a fórmula certa e eles iriam dominar o pelotão, com Lewis Hamilton e Nico Rosberg. Com o britânico a ter o carro dos seus sonhos, o que queriam saber era quando e onde seria campeão, que recordes iria derrubar e se iria a caminho de ser o GOAT do automobilismo. A Ferrari, que tinha dispensado Fernando Alonso para ele tentar de novo a sua sorte na McLaren, que tinha acabado de assinar um contrato para ter motores Honda - e sem ele saber, caminhariam sobre brasas infernais - acolhia Vettel de braços abertos e esperava que ele e o seu companheiro de equipa, o finlandês Kimi Raikkonen, colaborassem para ser "o melhor dos outros".

A entrada nem foi má, quando Vettel foi terceiro em Melbourne, atrás dos dois Flechas de Prata, mas na corrida seguinte, em Sepang, palco do GP da Malásia, as coisas foram mais competitivas. A começar pela qualificação, onde apesar de Hamilton ter sido o "poleman", Vettel largou a seu lado, intrometendo-se entre os Mercedes. Atrás, em quarto e quinto, estavam Daniel Ricciardo e Daniil Kvyat.

E os Manor-Marussia, ainda não estavam prontos para correr em 2015, onde depois e não terem participado na Austrália, não tinham feito tempo para participar na prova malaia.

Com Hamilton a largar bem e manter a liderança, Vettel começou primeiro por resistir aos ataques de Rosberg, especialmente depois de um período de Safety Car por causa de um depiste de Marcus Ericsson. Aí, quase todos os pilotos da frente foram às boxes, trocando de pneus, enquanto Vettel se mantinha de fora, ficando com a liderança. Depois, com o Safety Car nas boxes, ele aguentou os ataques dos Flechas de Prata até à volta 18, quando parou pela primeira vez. Regressado no terceiro posto, apanhou-os rapidamente, passando o alemão na volta 22, e ficando com a liderança quando Hamilton parou uma segunda vez na volta 24.

Vettel parou de novo na volta 38, com a liderança a cair nas mãos de Hamilton, que foi às boxes uma volta mais tarde, acabando com ambos com uma diferença de 12 segundos. Rosberg parou na volta 41, e apesar dos esforços de Hamilton, o alemão manteve a liderança até à meta. 

Era a primeira vitória dele desde o GP do Brasil de 2013, e a primeira da Ferrari desde o GP de Espanha desse mesmo ano, ganha por Fernando Alonso. E claro, um jubilante Vettel comemorava no pódio esse regresso.

No final da temporada, o alemão iria ganhar mais duas corridas, na Hungria e em Singapura, acabando a temporada como "o melhor dos outros", em terceiro lugar. Treze pódios, uma pole, uma volta mais rápida e uma regularidade suficiente para mostrar que tinha matéria de campeão, se estivesse no lugar de qualquer um daqueles pilotos inalcançáveis. 

Agora tinha de ajudar a construir um carro capaz. Mas isso não seria um projeto fácil.

domingo, 20 de novembro de 2022

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No meio dos posts de despedida a Sebastian Vettel, recordo Abu Dhabi 2010, o lugar do primeiro dos seus quatro títulos. E recordo por uma razão muito simples: ele não era o favorito à vitória. Este primeiro campeonato para ele e para a Red Bull foi o resultado de uma parte final impecável contra Fernando Alonso, na Ferrari, contra os McLaren de Jenson Button e Lewis Hamilton, e sobretudo, contra o seu companheiro de equipa, Mark Webber

E até contra alguns que queriam uma hierarquia dentro dos energéticos. Porque a duas corridas do fim, o australiano era o piloto mais bem colocado no campeonato. 

Quando Fernando Alonso tinha ganho o GP da Coreia do Sul, numa prova atribulada debaixo de chuva, e Mark Webber tinha sido altamente prejudicado, com uma colisão na volta 18 com o carro de Nico Rosberg, o espanhol tinha passado para a frente com onze pontos de diferença. Vettel, que desistira na volta 31 com um motor rebentado, estava ainda mais distante: 206 pontos, precisamente 25 do espanhol. Parecia ser uma tarefa quase impossível. Se fosse no ténis, o alemão estaria a encarar o "match point" do espanhol, num 40-15, contra ele.

Faltava Brasil e Abu Dhabi, e ele teria de fazer corridas perfeitas para lá chegar. Ninguém daria nada por ele, e a Red Bull poderia ter dito a ele que para aquela temporada, as suas chances tinham acabado, e deveria apoiar o seu companheiro de equipa. Em Interlagos, a qualificação tinha sido baralhada pela chuva, que deu uma inesperada pole-position para o Williams de Nico Hulkenberg. Mas a seguir, estavam os Red Bull: Vettel na frente de Webber. No final, o alemão ganhou, com Webber em segundo, Alonso em terceiro e Hamilton em quarto. 

Saído de Interlagos, a diferença entre Alonso, com 246, para Hamilton, quarto, era de meros 24 pontos. Todos tinham chances de campeonato. Webber pediu a Helmut Marko para lhe dar uma chance de título, mas ele ficou quieto. Vettel viu nisso como a sua única chance de título, e iria aproveitá-la em Abu Dhabi.

E na qualificação, Vettel foi ao ataque: pole-position, queria definitivamente acabar em primeiro. Mas Alonso apontava... para o Red Bull errado, porque pensava que Webber tinha todas as chances, e Vettel era um isco. 

Na corrida, Vettel foi para a frente, seguido pelos McLaren de Jenson Button e Lewis Hamilton, que, recorde-se, também lutava pelo título. Atrás, Webber e Alonso lutavam por posição, significando que, se um ficasse na frente do outro, seria campeão. Era Alonso que tinha isso controlado, mas havia um problema: estavam abaixo no pelotão. Segundo os cálculos, ele precisava de um sexto posto para ser campeão. 

Mas pela frente tinha um Renault: o do russo Vitaly Petrov. Alonso tentava passá-lo, porque com ele para trás, conseguia os pontos mínimos para ser campeão. Mas à medida que as voltas se aproximavam, Alonso e a Ferrari ficavam crescentemente nervosos, porque na frente, Hamilton não apanhava Vettel.

E quando cruzou a meta, o impensável aconteceu: não só Vettel era o vencedor, como tinha sido campeão. Era o mais jovem de sempre, e pela primeira vez desde 1976, quando aconteceu com James Hunt, o campeão chegou á liderança no final da última corrida. Num campeonato com cinco candidatos durante muito tempo, e com três equipas capazes de alcançar o título, ninguém esperava Vettel ficar com o título. Mas aconteceu.

E ali, começava o domínio de Vettel e da Red Bull. E o dedo indicador, símbolo de triunfo, seria uma visão frequente nos fins de semana de Grande Prémio.     

Formula 1 2022 - Ronda 22, Abu Dhabi (Corrida)


E pronto, fecha o pano para a temporada de 2022. Foram 21 corridas nos quatro cantos do mundo, para depois chegarem ao final em Abu Dhabi, um lugar habitua desde há muito tempo. Com todos os campeonatos já decididos, agora era cumprir calendário até ao final.

E claro, este era o local de despedida de Sebastian Vettel. Mas não era só ele que ia embora da Formula 1. Para Mick Schumacher e Daniel Ricciardo, poderá ser um tempo sabático, continuando como pilotos de reserva, e para o canadiano Nicholas Latifi, provavelmente terá futuro na IndyCar na próxima temporada, quem sabe, poderá seguir uma carreira na Endurance, agora que aparecerão muitas equipas de fábrica que quererão um bom piloto. 

E como este ano, as coisas tinham de acontecer mais cedo, a corrida arrancou ainda com o sol e a luz a dominarem os céus de Yas Marina. Futebol "oblige", certo?


No momento da partida, parecia que Verstappen iria ser passado por Perez, mas saiu melhor, mantendo a liderança. Leclerc foi o terceiro e o pelotão lutava pelo melhor lugar possível. Algumas curvas depois, Sainz Jr atacou Hamilton para ser quarto e o passou, antes do britânico ir para a escapatória e recuperar essa posição. 

Quatro voltas depois, o britânico foi ordenado a devolver essa posição para o outro piloto da Ferrari. Mas o britânico reagiu e tentou voltar à posição que tinha cedido, o que conseguiu. E a partir dali, tornou-se o primeiro duelo da corrida, porque na oitava volta, o espanhol voltou a tentar de novo ficar com essa posição, o que conseguiu. Um pouco atrás, na luta pela oitava posição, Sebastian Vettel conseguia passar Esteban Ocon, antes de perdê-lo na aceleração para a curva seguinte.

A seguir, Hamilton perdia mais um lugar, desta vez a favor de Russell.

As coisas andavam mais calmas até à primeira janela da troca de pneus. Russell, que acabou por cumprir uma penalização, quando regressou à pista... aconteceu no momento em que chegava Lando Norris para trocar os seus pneumáticos. Mas sarna para se coçar... e aconteceu: nova penalização por largada insegura. Um mal nunca vem só.  


Ao longo da corrida, os Red Bull tentavam manter os Ferrari longe deles, esperando que a sua estratégia desse certo. Russell, apesar da penalização, era quinto, muito melhor que Hamilton, enquanto atrás, era cada um por si. Menos para Alonso, que na volta 28, acabava mais cedo o seu campeonato, e a sua estadia na Alpine. A primeira desistência do ano.

A corrida continuava, morna e sem grande história. Apenas havia agitação nas boxes, especialmente depois de Sergio Perez ter feito uma segunda passagem, tentando ser mais rápido que os Ferrari. Mas eles pareciam que não iriam parar, logo, tentando ficar com os outros lugares no pódio e tentar a sua sorte. Perez fazia voltas mais rápidas, mas parecia ser insuficiente para os apanhar. 

Depois, na volta 39, havia agitação quando Mick Schumacher, que queria ultrapassar Nicholas Latifi, e ambos acabaram tocados. Como no ano anterior, o canadiano acabou com a sua traseira no "softwall", mas desta vez, ele tinha sido tocado pelo alemão. Nas reptições, pareciam que estavam a competir em algo sincronizado nos Jogos Olimpicos, pois pareciam rer feito um pião tão exato, um ao lado do outro. Lá prosseguiram, mas para o fundo do pelotão. Quem sentirá saudades dos dois em 2023?

Atrás, Perez fazia uma corrida de recuperação, apanhando Hamilton, e ia atrás de, pelo menos, um dos Ferrari, já que Russell estava penalizado. O mexicano apostava na degradação dos pneus dos carros italianos para os apanhar e chegar onde queria estar. 

Quase no final, um golpe de teatro: Hamilton, que era quarto e segurava Sainz Jr, queixou-se de problemas na caixa de velocidades, mais concretamente de algo no sistema hidráulico. Preso em sétima velocidade, tentou resolver o problema, mas debalde: a sua corrida acabou ali. Um final de temporada pensoso para ele, a primeira sem vitórias para o britânico. Algumas voltas antes, Nicholas Latifi também terminava mais cedo a sua corrida, temporada e carreira na Formula 1.   

Na bandeira de xadrez, Max triunfa numa corrida burocrática, mas Lelcerc, com o seu segundo lugar, conseguiu o que desejava, o seu prémio de consolação: um vice-campeonato, num ano em que todos pensavam que seria o ano da Ferrari, e teve um arranque fabuloso, mas no final, foi aproveitar os erros e problemas mecânicos de Verstappen. E o terceiro posto de Sergio Perez soube a derrota, porque o objetivo de ser o vice acabou por não acontecer.  


E no final... a festa. Um pouco artificial, é verdade, mas temos de consciencializar que agora, a Formula 1 pertence aos americanos, e eles adoram um "showoff". Mas mais do que o fogo de artificio, os "confettis" e o champanhe da treta, porque por ali não se bebe álcool... assistimos à despedida de Sebastian Vettel.

Sabemos que este dia iria chegar, mas vê-lo agradecer ao público, depois de 300 corridas e 16 temporadas, é sinal da nossa idade, da juventude que tínhamos quando o vimos chegar, e os cabelos brancos - quem ainda os têm - e as rugas na cara, sinais do tempo.

No final, até conseguiu pontuar na sua 300ª e última corrida. Mas não importava muito: foi bonita a festa de despedida do Seb, de uma longa carreira, e que com 35 anos e 16 temporadas, já tinha tudo a provar. Agora, provavelmente irá descansar e decidir o que fazer.

E quem já anda aqui há muito tempo, como eu, sabemos que iremos ver mais momentos como este. 

Danke Seb. Auf Wiedersehen.

Agora, para 2023!