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quarta-feira, 1 de abril de 2026

A imagem do dia (II)






Parece mentira, mas já passaram 25 anos! 

Nesse dia, em 2001, acontecia o GP do Brasil e aquele foi uma corrida para recordar. E não foi só pela manobra, mas também pelas coisas que aconteceram antes... e depois. É que, por exemplo, ela quase começou... sem Rubens Barrichello.

A partida daquele Grande Prémio foi atribulada. No caminho para a grelha, o carro do piloto brasileiro "apagou-se" entre a Descida do Lago e o Laranjinha, a parte mais sinuosa - e mais lenta - da pista. Desesperado, Rubinho correu até às boxes para ir buscar o seu carro de reserva, e conseguiu alinhar a tempo do seu sexto posto na grelha.

E a partida não foi fácil. Mika Hakkinen queimou a sua embraiagem e a sua corrida acabou ali. Três voltas atrás do Safety Car, com Michael Schumacher a aquecer os pneus, com o Williams de Juan Pablo Montoya logo atrás, a fazer a mesma coisa. Este era a sua segunda corrida na Formula 1, e as expectativas do colombiano na categoria máxima do automobilismo eram elevadas, por causa dos seus feitos nos Estados Unidos: duas temporadas, o título da CART no seu ano de estreia, em 1999, numa corrida marcada pela morte de Greg Moore, e a vitória nas 500 Milhas de Indianápolis no ano 2000.

Mesmo que o adepto médio não soubesse muito bem quem era Juan Pablo Montoya - o terceiro colombiano na Formula 1, depois de Ricardo Lonfoño-Bridge e Roberto Guerrero - não ficaria muito tempo à espera. Mal o Safety Car recolheu às boxes e os carros preparavam-se para fazer o S de Senna, o piloto da Williams, na sua segunda corrida na Formula 1, abordava Schumacher de forma ousada e passou, numa manobra, no mínimo, intimidante. Tinha sido o seu cartão de visita para o mundo, e claro, Schumacher soube disso da segunda pior maneira...

Mas claro, a corrida não acabou ali. Rubens Barrichello acabou na volta quatro por causa do seu carro de reserva, e Montoya, veloz naquela tarde, começou a distanciar-se e aproveitando bem as paragens para reabastecimento, tinha aberto uma vantagem de cinco segundos para David Coulthard por alturas da 40ª volta.

Nessa altura, Montoya dobrava o Arrows de Jos Verstappen, o pai de Max Verstappen. Contudo, na travagem para a Descida do Lago, Verstappen Sr. falha a travagem e acaba na traseira do colombiano, acabando o sonho e fazendo dele o "mau da fita". 

David Coulthard herdou a liderança, mas entretanto, a chuva ameaçava cair no autódromo, e quando aconteceu, os pilotos meteram os intermédios. Assim ficaram por algum tempo, antes da chuva acabar e a pista secar. Mas por essa altura, a corrida estava a chegar ao fim e houve os que arriscaram ficar com os intermédios até à bandeira de xadrez. E um deles foi Coulthard, que bateu Schumacher e conseguiu a sua primeira vitória da temporada. E a acompanhá-los no pódio, o inesperado Sauber de Nick Heidfeld, que também decidira ir com os intermédios até ao final.

Mas hoje em dia, o que todos se lembram de Interlagos foi uma manobra. Um cartão de visita para o mundo da Formula 1. "Big Balls", diria James Hunt, se tivesse visto isto. 

terça-feira, 24 de março de 2026

As imagens do dia






Em 1991, Ayrton Senna andou muito perto de perder a vitória no GP do Brasil. E por duas vezes, ambas para as Williams de Nigel Mansell e Riccardo Patrese. Primeiro, ele perdeu a quarta velocidade, e ele tentou manter o ritmo colocando as outras marchas, e depois do piloto britânico ter ido às boxes, ele ia a caminho de o apanhar, para o passar e dar à equipa a primeira vitória do FW14. Contudo, na volta 50, por causa de um furo causado por destroços na pista, teve de ir novamente às boxes, trocar de pneus, e regressar à pista. Ele tentou recuperar o tempo perdido, mas a caixa de velocidades quebrou na volta 59, que causou um pião, e a chance perdeu-se.

Com isso, o segundo lugar era de Riccardo Patrese, e ele estava relativamente longe, mas com o passar das voltas, ele aproximou-se. Senna parecia ter tudo controlado, mas quando perdeu a terceira e quinta velocidades, bem perto do final, a corrida para Senna passou a ser um calvário. Porque andar de sexta velocidade em certas curvas não era fácil. Aliás, ele por pouco não deixou cair o motor abaixo. Com isso, Patrese aproximou-se, e também poderia ter apanhado o brasileiro da McLaren. Mas ele mesmo tinha problemas na sua caixa de velocidades, e decidiu que o melhor seria chegar à meta.

A sobrevivência de um implicou a sobrevivência do outro. Imagino o que é manter o carro a funcionar só com uma marcha naquelas voltas finais. Num tempo onde as caixas de velocidades semiautomáticas ainda eram uma novidade - Ferrari e pouco mais - e cada chegada era celebrada, entendo o épico que foi levar aquele carro até ao fim só com uma marcha válida. Ainda por cima, era o líder do campeonato e deveria ter presente os eventos do ano anterior, onde, liderando com alguma folga, tocou no Tyrrell de Satoru Nakajima, quebrou a asa frontal, foi às boxes e acabou a corrida em terceiro, com Alain Prost como vencedor. Esse pensamento deveria estar na sua cabeça, de certeza.

E depois - isso só soubemos anos depois da morte dele - o grito que deu quando cortou a meta. Não foi um de exultância, foi mais um alivio pelo suplicio ter acabado. Queria ganhar a sua corrida caseira, que perseguia há tento tempo, e fez de tudo para o conseguir.

No final, no pódio, aquele sofrimento era genuíno. Com caibrãs no braço, erguer aquele troféu deverá ter sido o equivalente a levantar um haltere de 200 quilos. Mas tinha de mostrar ao mundo o gesto, pois não sabia da situação. Iriam contar essas circunstâncias mais tarde, chegando até quem duvidasse disso. Mas ele não era ator, era piloto de Formula 1. E naquele dia, conseguia outro "título": o de ganhar na sua corrida caseira, ainda por cima, em Interlagos.

Senna sairia do Brasil com a pontuação máxima, 12 pontos na frente do segundo classificado, e feliz com a vitória caseira que perseguia desde o inicio da sua carreira. Mas a temporada era longa, e tudo poderia acontecer. 

domingo, 25 de janeiro de 2026

As imagens do dia






Há meio século, a 25 de janeiro de 1976, a Formula 1 começava a temporada em terras brasileiras. Era a primeira vez que a Formula 1 começava no Brasil, desde a sua chegada ao calendário, em 1973, porque a corrida na Argentina, que normalmente deveria ser a prova de abertura, foi cancelada por razões politicas - o país estava em agitação social, e dali a dois meses, haveria um golpe de estado.

Em Interlagos, havia dois pilotos no qual os olhos tinham postos: James Hunt, na McLaren, e Emerson Fittipaldi, na Copersucar. Aliás, a presença do piloto brasileiro na equipa fundada pelo seu irmão, tinha causado sensação na pré-temporada, e na pista brasileira, debaixo de calor, havia esperanças legitimas de que ele poderia fazer uma corrida onde não passasse vergonha. 

E não passou. Aliás, andou perto de um grande resultado.

Primeiro que tudo, a Copersucar decidira inscrever um segundo carro, para uma jovem esperança chamada Ingo Hoffmann, que guiava na Formula 2. Pegando no velho FD03, iria tentar se qualificar e chegar ao final da corrida, naquela que iria ser a sua primeira experiência na Formula 1. Quanto a Emerson, tinha o novo FD04 para experimentar, e estava esperançoso. 

Ao longo do fim de semana brasileiro, Emerson andou bem, conseguindo o terceiro tempo nos treinos de sexta-feira, apenas batido pelos Ferraris de Niki Lauda de Clay Regazzoni, e caindo para quinto no sábado, e o seu tempo de 2.33,3 era menos de um segundo do "poleman". James Hunt... o seu substituto na McLaren! Entre eles, estavam os Ferrari de Niki Lauda, o campeão do mundo, e o de Clay Regazzoni, e o Shadow de Jean-Pierre Jarier, que tinha sido o "poleman" em 1975 e quase tinha ganho nesse ano, antes do seu carro falhar e entregar a liderança para José Carlos Pace, no seu Brabham. 

Que nesse ano, adaptavam-se aos motores Alfa Romeo da pior maneira: Pace poderia largar de decimo, mas Carlos Reutemann estava cinco lugares mais abaixo. Hoffmann era vigésimo... mas não era último. 

Na corrida, Clay Regazzoni ficou com o comando, batendo Hunt, mas na nona volta, o comando ficou nas mãos de Lauda, que não largou até ao final. Emerson Fittipaldi parecia ter largado bem, sendo terceiro no final da primeira volta, mas depois começou a ter problemas com o motor, e começou a ser engolido pelo pelotão. Acabou na 13ª posição, a três voltas do vencedor, e dois lugares mais abaixo de Hoffmann, que chegara ao fim com o velho FD03.

No pódio, Lauda começava o ano como acabara: a ganhar e a marcar a sua posição na sua candidatura ao título. Regazzoni perdera tempo para consertar danos depois de bater no Shadow de Jarier, e em voltas seguintes, quer ele, quer Hunt desistiriam. No pódio, a acompanhar o austríaco, estavam o Tyrrell de Patrick Depailler e o Shadow de Tom Pryce

No calor de São Paulo, tinja acabado de começar uma das temporadas mais excitantes da história do automobilismo. E Emerson tinha mostrado o potencial da máquina. O que não sabia era que seriam mais as corridas onde acabariam mal que aquelas onde acabaria bem.     

domingo, 9 de novembro de 2025

Formula 1 2025 - Ronda 21, Interlagos (Corrida)


A quatro corridas do final, a Formula 1 chegou a um lugar que faz de tudo para ser popular, e do qual os pilotos sabem que serão bem recebidos. Um lugar que a Liberty Media sabe que tem sorte por tê-la, porque os locais adoram a velocidade, os pilotos e toda a parafernália à volta. No país do Carnaval, os habitantes fazem um Carnaval sempre que o "circo" chega a esta cidade, que alberga, em termos de calendário, o segundo mais antigo circuito, batido apenas por Monza (a pista italiana existe desde 1922, Interlagos, na sua primeira versão, existe desde 1940, com a atual a aparecer em 1990).

E na cidade onde Ayrton Senna nasceu, viveu e se encontra sepultado, a sua presença é presente - não omnipresente, e os pilotos se lembram quem é ele e qual é o seu legado. Ainda por cima, durante a semana, circularam fotos de Andrea Kimi Antonelli no cemitério do Morumbi, a ler uma biografia do piloto brasileiro. E falo dele, não só por causa da sua presença por lá, mas também por alguns olharem para ele e ver algumas semelhanças com Senna...

No dia da corrida, num domingo nublado, a noticia mais interessante da hora foi o de Max Verstappen, que sendo 16º na grelha, decidiu largar das boxes para mudar o motor e mexer no "setup", para poder evitar qualquer confusão por trás, mas também acredita num eventual milagre, por causa do tempo instável deste domingo em São Paulo. Esteban Ocon também irá largar as boxes, mas ele mexeu em menos coisas no seu carro.

E estava mesmo instável: a 20 minutos do começo, a ameaça de chuva era presente. Quase todos eles partiam de médios, mas todos os tipos de pneus "slicks" estavam presentes: Kimi Antonelli começava com moles, Max Verstappen com duros.

Na partida, tudo correu bem para Lando Norris, que aguentou Kimi Antonelli. As coisas pareciam ter sido normais, mas no inicio da segunda volta, entra... o Safety Car. Então porquê? Ora, parece que Lance Stroll empurrou Gabriel Bortoleto para a parede na curva Laranja. Um pouco atrás, o Ferrari de Lewis Hamilton tinha o nariz destruído depois de ter sido tocado pelo Williams de Carlos Sainz Jr. Os destroços foram suficientes para a entrada do Mercedes vermelho.

Algumas trocas de pneus, reparação de danos, retirada dos carros que desistiram, e nas cinco voltas seguintes, a situação foi essa. A corrida recomeçou no inicio da sexta volta, com Piastri ao ataque para passar Kimi Antonelli para ficar com o segundo posto, mas toca no Mercedes do italiano, que por sua vez tocou no Ferrari de Charles Leclerc, cujos danos eram irreversíveis e a sua corrida acabaria por ali. Depois deste incidente, o australiano acabaria por ser penalizado em 10 segundos. 

No meio disto tudo, Max tinha subido para 13º, mas logo depois, trocou os seus pneus para médios, caindo para o final do pelotão. Poderia ser médios, mas com o tempo como está, tudo poderia acontecer. A corrida regressou à normalidade na volta oito, com os McLaren na frente de Kimi Antonelli... e Hadjar, quarto. Russell era quinto, mas apanhou o francês na volta 11, para ser quarto.

Nas voltas seguintes, Max começou a passar piloto atrás de piloto, e na volta 18, era nono, numa altura em que as primeiras paragens para troca de pneus começavam a acontecer. Hadjar e Gasly foram  às boxes, e com isso, o neerlandês já era sétimo. Lawson foi às boxes na volta 20, e com isso, Max era sexto. Antonelli para na 22, e os McLaren eram, dos da frente, a serem os últimos a pararem. 

Perto da metade da corrida, os McLaren pararam. Norris foi o primeiro, na volta 31, para colocar moles, caindo para quarto, atrás de Max, enquanto Piastri parou mais tarde, por causa da penalização que teria de cumprir. Norris tentava apanhar Max para ser terceiro, no inicio da volta 33, e esperava que Russell e Piastri irem para as boxes e regressar à liderança. Russell foi na volta 35, ao mesmo tempo que Max ia para as boxes pela segunda vez, para ter médios calçados. 

Na wolta 39, Hamilton era o terceiro piloto a retirar-se da corrida, ao mesmo tempo que Oscar Piastri foi às boxes para fazer a sua trocar de pneus, colocando moles. Com isto, Norris liderava, na frente de Antonelli e Russell, com Max em quinto, na frente de Piastri, que era sétimo. 

Antonelli voltaria a parar na volta 48, caindo para sexto, e iria tentar apanhar Max para chegar a um lugar no pódio. E isso iria ser complicado: era segundo, depois de Russell ter parado na volta seguinte. Mas o neerlandês via Piastri a aproximar-se, com tempos meio segundo mais rápido.

Norris parou na volta 51, regressando em segundo com médios usados, com Max a liderar - depois de ter largado das boxes! - mas os McLaren estavam atrás dele. Piastri parou na wolta 52, mas o australiano regressava em sétimo, que pouco depois, passou Bearman para ser sexto. Na 54ª passagem pela meta, foi a altura de Max ir trocar pela terceira vez, regressando em quarto, com moles, depois de Norris e dos dois Mercedes. Max era quarto, mas tinha Piastri logo atrás dele.

Na volta 62, Max estava na traseira de Russell, que lutava contra os seus travões, e passou-o na curva para o S de Senna... por fora. Depois, foi atrás de Antonelli, com as voltas a acabar para o apanhar. 

A parte final foi de cortar a respiração. Max queria apanhar Antonelli para ser segundo, mas apesar do italiano ter tido uma hesitação na última volta, o italiano manteve o sangue frio e ficou com o segundo posto. Atrás, Piastri tentou apanhar Russell - ambos ficaram não muito longe da luta pelo segundo posto - mas apesar de se aproximarem, nenhum deles o passou. Norris acabou por triunfar, e era o que interessava, nesta luta pelo título. 

Bearman foi sexto, na frente dos Racing Bulls, o Sauber de Hulkenberg e o Alpine de Gasly. E todos quase juntos, quem diria!

Agora faltam três corridas (mais uma sprint) para o final da temporada. E continuamos a ter três candidatos ao título. 49 pontos entre Lando e Max (390 contra 341), com 83 pontos em jogo, foi uma corrida foi bem entretida... e o campeonato será bem disputado até ao final.

sábado, 8 de novembro de 2025

As imagens do dia




As imagens falam por sim. Foi, no mínimo, assustador. É que falamos de dois choques, um deles que levou 57 G's (a outra batida levou 34 G's). No final da reta da meta, a caminho do S de Senna, o Sauber de Gabriel Bortoleto bateu forte no muro, não uma, mas duas vezes. Aparentemente, há duas chances para o acidente: ou o DRS não foi desligado de forma automática, e o carro ficou descompensado por isso, ou houve uma quebra da direção do seu carro. 

E por causa da extensão dos seus danos, pois o acidente aconteceu  na última volta da corrida "sprint" do GP do Brasil quando passava o Williams de Alex Albon, o carro acabaria por não alinhar na qualificação da corrida de Interlagos. Mas felizmente, apesar dos impactos, o piloto nada sofreu. 

Em termos de corrida, Lando Norris acabou por triunfar na corrida "sprint", na frente de Andrea Kimi Antonelli e George Russell. Oscar Piastri bateu na corrida, e vê Norris a ir embora na classificação geral. Daqui a bocado é a qualificação, onde aparentemente, Lando Norris poderá ter vantagem.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Meteo: Interlagos poderá ser chuvoso


Ainda faltam menos de duas semanas, mas a Formula 1 poderá encarar um fim de semana chuvoso em Interlagos. Com uma jornada dupla pela frente - corrida sprint no sábado â tarde - a previsão do tempo é forte, com mais de 85 por cento de chuva ao longo dos três dias, com temperaturas a rondar entre uma minima de 15 e uma máxima de 21 graus na sexta-feira e sábado, e de 16 a 20º Celsius no domingo. 

Claro, ainda falta muito, e as perspectivas meteorológicas poderão mudar ao longo dos próximos dias, mas a ideia de um final de semana chuvoso numa altura decisiva do campeonato é algo que poderá apimentar o final de semana paulista.  

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

A imagem do dia






Há 20 anos, em Interlagos, Fernando Alonso fazia o seu famoso gesto para comemorar o seu primeiro título mundial. E claro, tornava-se no primeiro espanhol a ser campeão do mundo. Mas foi também a última vez que um colombiano subia ao lugar mais alto do pódio numa corrida de Formula 1. 

O GP do Brasil de 2005, em Interlagos, era a antepenultima corrida antes do final do campeonato. Fernando Alonso, piloto da Renault, tinha um avanço de 25 pontos sobre Kimi Raikonen, da McLaren, numa temporada onde Michael Schumacher estava bem discreto, apenas tendo ganho uma corrida nessa temporada - o infame GP dos Estados Unidos, em Indianápolis. Aquele dos seis carros em pista. Apesar de tudo, era terceiro na geral, com 55 pontos. Metade que tinha o espanhol da Renault antes da corrida brasileira.

Para ser campeão, bastava um terceiro lugar para Alonso nessa corrida, mesmo que Kimi ganhasse essa corrida, porque os 25 pontos de diferença entre os dois - usava-se o sistema de pontos que existia desde 2003 - era o suficiente para decidir o título sem precisar das corridas asiáticas do campeonato, Japão e China.

Na qualificação, Alonso conseguiu a pole-position, o que era fantástico para ele, pois partia de melhor lugar que a concorrência. Kimi era apenas quinto, enquanto a seu lado na primeira fila tinha outro McLaren, o de Juan Pablo Montoya. Michael Schumacher era sétimo, a quase um segundo de Alonso, enquanto Jarno Trulli, no seu Toyota, e Takuma Sato, piloto da BAR, tinham mudado os seus motores e perdiam 10 lugares na grelha. Claro, houve beneficiados, como Tiago Monteiro, que com o seu Jordan, partia de 11º, a sua melhor posição na grelha até então na temporada.

Tinha chovido antes da corrida, mas já havia uma trajetória seca, ideal para manterem os pneus slicks. Jacques Villeneuve partia das boxes, e na partida, enquanto os da frente se portavam bem, com Alonso a ir embora do pelotão, atrás, um toque entre os Williams de Mark Webber e António Pizzonia, mais o Red Bull de David Coulthard, obrigava à amostragem das bandeiras amarelas. Kimi Raikkonen e Michael Schumacher tentavam recuperar posições antes da entrada do Safety Car, para recolher os destroços dos carros acidentados na primeira curva. 

Pizzonia e Coulthard abandonaram de imediato, Webber foi às boxes para reparar os estragos. Ficou 20 voltas e regressou à pista.

Na terceira volta, a corrida recomeçou com Montoya ao ataque, para o passar. Ele conseguiu, e a partir dali, começou a abrir uma vantagem que desse para ganhar. Raikkonen era terceiro, mas não conseguia apanhar e passar Alonso, para tentar adiar a festa do título.

Alonso fez o seu primeiro reabastecimento na volta 22, antes dos McLaren, deixando Raikkonen em segundo, provavelmente com a McLaren a querer parar uma ou duas vezes, mas Montoya foi às boxes na volta 28, três antes de Raikkonen, que parou na 31. O segundo reabastecimento aconteceu na volta 55 para o colombiano, quatro antes de Kimi, que parou na 59. 

Alonso, instalado na terceira posição, já tinha o que queria, e apenas levou o carro até à meta, altura em que assistiu à dobradinha da McLaren, com Montoya a triunfar, 2.5 segundos na frente de Raikkonen. 

Alonso cortou a meta, a 24,8 segundos do vencedor... e logo a seguir, começaram os festejos. Afinal de contas era histórico: a Espanha era a mais recente nação a entrar no Panteão dos Campeões, e Alonso batia um recorde de precocidade que pertencia, até então, a Emerson Fittipaldi, alcançado 33 anos antes.

terça-feira, 25 de março de 2025

A imagem do dia




Há 35 anos, a Formula 1 regressava a Interlagos. A altura poderia ser de festejo, mas na realidade, a situação financeira estava apertada. O governo do novo presidente da República, Fernando Collor, decidiu sequestrar as poupanças que a população tinha nos bancos, obrigando-os a tirar apenas um determinado valor, para tentar conter a inflação - sem grande resultado - ao ponto de haver manifestações.

Claro, Jean-Marie Balestre, o então presidente da FISA, e novo "inimigo público número 1" no Brasil, sorria com a situação. E numa conferência de imprensa, tirou uma "bicada" monumental sobre toda esta situação:

É que tenho o perverso prazer de enfrentar um público em delírio. Gostaria de informar o público brasileiro que este é o nosso campeonato mundial, da FIA. Já tivemos problemas na Córsega com o Campeonato Mundial de Ralis e tivemos de lhes lembrar que se não tomassem as medidas necessárias, ficariam sem o campeonato. E, olhem que eles são mais bravos do que os brasileiros. Não nos atiram com tomates, mas bombas. E de qualquer forma, os brasileiros agora nem dinheiro têm para comprar tomates…

Senna competia pela primeira vez na sua cidade natal. E tirando o "karting", nunca tinha corrido competivamente em qualquer outra categoria que não a Formula 1, era esta a sua estreia na catedral do automobilismo brasileiro, que recebia novamente a Formula 1, depois de uma década de ausência. Poucos eram os sobreviventes dessa última vez, em 1980, um deles era Alain Prost. Nesse ano era um estreante na Formula 1, pela McLaren. Agora, era tricampeão do mundo, e a fazer a sua segunda corrida pela Ferrari. 

Todos pensavam que seria um passeio no parque para Senna. Ele até tinha colaborado na renovação da pista - fora ele que idealizou o S de Senna - e como teria o melhor carro do pelotão, era fazer a pole-position e acelerar até à meta, no primeiro posto, e dar uma moral num povo que sofria. Sim, ele já era o ídolo que o povo torcia, porque o Brasil desejava heróis e o futebol não era suficiente. Só que existia um problema. Até 1990, Senna nunca tinha ganho no Brasil. O seu melhor resultado tinha sido um segundo em 1986, nos tempos da Lotus, batido por Nelson Piquet.

E a sua fama de apressado quando dobrava pilotos muitas vezes o traía.

Até foi uma corrida competitiva. Escapou da carambola na primeira curva, quando Jean Alesi, Riccardo Patrese e Andrea de Cesaris se envolveram, com o piloto da Dallara a ficar em pior estado, e aproveitava dos problemas dos outros, fossem por causa do carro ou por causa dos outros - Nigel Mansell teve problemas com um rollbar quebrado, Thierry Boutsen teve uma paragem na boxe desastrosa na sua Williams, Patrese tinha problemas com a pressão do óleo - mas o único que se safava era Prost. Adaptado à caixa de velocidades semi-automática, era segundo e tentava apanhar Senna, que por alturas da 40ª volta, tinha um atraso de 10 segundos sobre o brasileiro.

E depois aparece Satoru Nakajima. O japonês da Tyrrell iria perder uma volta, mas o brasileiro o apanhou na parte lenta do circuito, entre o Pinheirinho e o Bico de Pato. Não se entenderam, e a asa da frente ficou partida. Da surpresa, passou para a decepção, e depois, alguém tinha de ser o culpado. Afinal, alguém interferiu na caminhada vitoriosa. E logo ele, o mais inocente deles todos... 

Senna foi às boxes, trocou de asa, mas o downfornce não era o mesmo e não conseguiu apanhar Prost, que naquele dia... fez tudo bem.

E foi mesmo. Sexta vitória no Brasil, um recorde que já era seu, o primeiro vencedor no Interlagos novo, e mais um número redondo para as estatísticas: 40 vitórias na Formula 1. Balestre deve ter saído de São Paulo com um enorme sorriso na cara... 

Mas independentemente do resultado, todos sabiam que iria ser uma temporada competitiva. E um duelo Ferrari-McLaren, como muitos gostam.         

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

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O GP do Brasil de 1980 ficou muito perto de ser cancelado. Os pilotos acharam que a pista era muito perigosa, por causa da sua superfície ondulada, e as condições não eram as melhores, até em termos de asfalto, especialmente depois de terem estado em Buenos Aires, onde o asfalto se derreteu durante a qualificação da corrida argentina. Depois de muita reclamação, acabaram por aceitar correr ali, mas vetaram idas futuras à pista de Interlagos. 

Na realidade, o GP do Brasil era para ter acontecido em Jacarepaguá, mas como a superfície da pista tinha se afundado - a pista tinha sido deito num aterro na região da Barra, no Rio de Janeiro - não havia tempo para fazer as obras necessárias. Logo, apenas em 1981 é que a Formula 1 foi para lá. 

Mas o fim de semana brasileiro foi memorável para alguns pilotos. Se para René Arnoux, foi ali onde conseguiu a sua primeira vitória na Formula 1, depois da desistência de Jean-Pierre Jabouille, vitima da pouca fiabilidade do seu Renault, o segundo classificado estava estático, porque tinha alcançado o seu primeiro pódio da sua carreira. E apenas estava a começar a sua segunda temporada completa na Formula 1.

Então com 21 anos, Elio de Angelis tinha chegado à Formula 1 depois de uma temporada sem brilho na Formula 2, onde tinha conseguido apenas quatro pontos. Chegado a um teste no circuito de Paul Ricard com meio milhão de dólares no bolso, tinha conseguido o lugar na Shadow, depois de ter superado o havaiano Danny Ongais. A sua adaptação ao carro até nem tinha sido mau, e de uma certa maneira, os rumores que tinham lançado ao longo do ano anterior, ainda ele estava na Formula 3, de que tinha sido considerado como um possível sucessor de Niki Lauda e Gilles Villeneuve, mostravam que existia algum fundamento. 

Contudo, apesar das boas performances, os resultados não correspondiam, por causa do seu chassis, já antiquado, de uma equipa que estava a chegar ao seu limite. Um quarto lugar na sua última corrida do ano, em Watkins Glen, foi o suficiente para atrair as atenções de Colin Chapman, que no final de 1979 decidiu contratá-lo para a sua equipa, ao lado de Mário Andretti

Com uma equipa financiada por David Thiemme, um homem que enriquecera com o comercio de petróleo - vivia-se o segundo choque petrolífero, por causa da queda do Xá do Irão - a Lotus, surpreendentemente, não tinha feito com o modelo 81 um carro ousado em relação aos modelos anteriores. Sabendo que não queria fazer um passo em falso, um carro fiel seria melhor do que ousadias como o 80, que foi um fracasso. E ainda por cima, com os motores Turbo, a aerodinâmica tinha de ser uma mais-valia.

As coisas até correram bem em termos de grelha quer na Argentina, quer no Brasil, com De Angelis a ser sétimo na grelha na pista brasileira, um segundo pior que o Renault de Jean-Pierre Jabouille. Depois, na corrida, o piloto passou a aproveitar os maus resultados dos pilotos da sua frente, como Jabouille e Gilles Villeneuve, ou Didier Pironi, que tinha sofrido um problema nas saias laterais do seu Ligier, tinha caído para o último lugar e acabou a corrida na quarta posição, suficiente para que Enzo Ferrari ter olhado para ele e pensado para ser seu piloto a partir de 1981. 

No final, De Angelis cruzava a meta com 21 segundos de atraso para Arnoux e na frente de Alan Jones, o vencedor do GP argentino, a bordo do seu Williams, e tinha conseguido consolidar a sua liderança no campeonato. Para o jovem piloto italiano, parecia que este resultado era o sinal de os sinais de alegria de Colin Chapman, que acabara a corrida agarrado a Thiemme, a festejar, que a aposta nele tinha sido bem sucedida. Restava saber se o futuro iria cumprir essas expectativas.      

domingo, 26 de janeiro de 2025

A imagem do dia (II)



Há 50 anos acontecia o GP do Brasil de 1975, e no final dessa corrida em Interlagos, acontecia a primeira dobradinha brasileira na Formula 1, com José Carlos Pace na frente de Emerson Fittipaldi na corrida, e com o piloto da McLaren a disparar no campeonato, saindo dali com 18 pontos. E também, com mais uma corrida onde Jean-Pierre Jarier a não conseguir chegar ao final, depois de ter liderado por 32 voltas esse Grande Prémio, parecendo ir a caminho de uma vitória que parecia ser sua. 

Mas a corrida - que deu a Jochen Mass o seu primeiro pódio da sua carreira - ficou marcado por outros pequenos incidentes. Um deles foi o de limpar o asfalto de cacos de garrafas partidas, atirados por aqueles que estavam nas bancadas, esperando no calor pela corrida, e por causa disso, ela foi adiada por alguns minutos. E o Copersucar, que estreava ali o seu FD02, não largou de último e acabou na 13ª posição, a uma volta do vencedor. 

Para Pace, "Môco" para os amigos, este foi um grande dia para ele, mas lutou para isso. O calor que se fazia sentir foi tal que se arrastou até ao pódio para receber o troféu e apreciar o champanhe do vencedor, mesmo ao lado do seu compatriota. E mesmo que tenha sido um triunfo "caído do céu" por causa da desistência de Jarier, ele, que estava na Formula 1 desde 1972, quando começou a correr com o March da Williams, este tinha sido um triunfo merecido, ainda por cima, alcançado em casa. 

E ele, que tinha chegado à Brabham a meio de 1974, depois de meia temporada a sofrer pela Surtees, era o culminar dessa sua escolha. Chegado à equipa em julho, conseguiu duas voltas mais rápidas e um pódio no GP dos Estados Unidos, em Waktins Glen, mostrando que era um excelente piloto e finalmente tinha aproveitado a chance de ser alguém no automobilismo. E agora, em Interlagos... se os brasileiros comemoravam o facto de ter um dos seus a ganhar ali, para Pace, era o melhor dia da sua carreira. Até ali.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

A imagem do dia


Os restos do chassis Fittipaldi FD01, regressado à sua oficina, nos arredores do circuito de Interlagos, ainda chamuscado com o incêndio em Buenos Aires, durante o GP da Argentina.

Depois do que aconteceu na sua prova de estreia, a Copersucar-Fittipaldi não perdeu tempo. Sabia que havia muita coisa para melhorar, depois da curta corrida em Buenos Aires, e eles não queriam fazer feio perante eles. Afinal de contas, corriam em casa. O FD01 estava chamuscado, mas logo ali, quer Wilson Fittipaldi, quer Ricardo Divila, sabiam que aquele carro tinha de ser refeito, com os novos cálculos em termos aerodinâmicos. E tinham de apressar, se queriam correr em Interlagos. 

Mas tinham confiança: testado fortemente na pista, sabiam onde melhorar e meteram essas modificações. Uma nova entrada de ar superior, deslocamento dos radiadores da traseira para os lados, como muitos carros tinham na altura. Tinha-se tornado mais covencional, e claro, mais funcional. E as modificações foram feitas em contra-relógio, porque o GP brasileiro estava à esquina. 

Anos depois, Divila explicou as modificações feitas:

O FD02 era uma variação de radiador, lateral ao invés de traseiro, previstos para serem testados no GP do Brasil caso tivéssemos problemas de temperatura nas corridas quentes (Brasil, África do Sul). O modelo original todo carenado era para os circuitos de alta, com retas longas e curvas rápidas. Acabamos usando já em Interlagos, no GP, pois o 01 ficou muito danificado no acidente de Buenos Aires e não tivemos tempo de refazer tudo.

O carro ficou pronto a tempo da corrida brasileira, e as esperanças eram grandes. Afinal de contas, tinham ensaiado por horas a fio e feito milhares de quilómetros. Queriam fazer melhor, eram a equipa da casa, queriam chegar ao final da corrida, o objetivo seguinte. O sonho continuava, mesmo que o carro tenha regressado chamuscado. E o público queria os ver correr.

domingo, 3 de novembro de 2024

As imagens do dia





Este GP brasileiro foi arrancado a ferros, digamos assim. Mas Interlagos é uma grande pista, tem um grande público - e agora este ano, com os argentinos, será mais - e quando a chuva aparece, ainda consegue ser melhor. Em muitos aspetos, é um grande democrata, implica mais do piloto que do carro, e o que vimos hoje foi esse triunfo.

Mas também nesta tarde de domingo, queria mostrar alguns momentos que simbolizam esta corrida, e a Formula 1, em geral. Como retratos do momento, o contrário da frase "a imagem que vale por mil palavras", aqui explico alguns dos momentos desta corrida, que acabam por ser momentos que decidem este campeonato. E acho isso mesmo: hoje, o campeonato foi decidido debaixo de chuva, em solo brasileiro, e mostrou quem é melhor piloto, deixando os carros de lado. 

Momento 1: Lance Stroll saiu na volta de aquecimento, acabando na gravilha.

As imagens desse momento apareceram nas redes sociais, e claro, as pessoas são cruéis. Sempre foram, especialmente quando se trata de Lance Stroll, cujo pai comprou a Aston Martin e gastou centenas de milhões de dólares - o último dos quais, quando contratou Adrian Newey para trabalhar nos chassis, a partir de 2026. É o piloto menos adorado do pelotão e pior, tudo isto acontece no Brasil, que tem como piloto de reserva um brasileiro, Felipe Drugovich, campeão de Formula 2 em 2023.

Das bancadas, ouvia-se "Drugovich, Drugovich". E momentos depois, quando acabou na gravilha, os insultos viraram para "burro, burro, burro!

Os brasileiros, como outras nações automobilísticas por excelência, acham-se numa espécie de "direito divino" para ter os seus pilotos na Formula 1, e desde 2020, não tem. E quando reparam no talento desperdiçado por um filho de papá... não perdoam. 

Um amigo meu disse isto nas redes sociais: "Hamilton homenageou Senna antes da corrida, Stroll homenageou Prost na volta de apresentação." Sem dúvida, o piloto canadiano está sob pressão. 

Momento 2: A conferência de imprensa pós-corrida de Lando Norris.

Lando Norris, sexto classificado do Grande Prémio, falou o seguinte na conferência de imprensa pós-corrida: "Tu fazes uma aposta e lucras com isso. Isso não é só talento, é sorte". 

Sinceramente, quem viu a corrida, e depois ouviu isto, tende a pensar que é conversa de mau perdedor. Ele partiu da pole-position e perdeu-a na primeira volta para George Russell, ao mesmo tempo que MaxWerstappen ganhou cinco lugares na grelha, no começo de uma das melhores corridas da sua carreira. Norris errou algumas vezes na corrida, e acabou num pálido sexto lugar, perdendo pontos e se calhar, entregou o campeonato ao piloto neerlandês. 

Max é um tubarão, um assassino. As manobras de defesa que ele anda a fazer contra Norris nas corridas anteriores podem ser censuráveis, mas o britânico não tem esse "killer instinct". Pode ter outras coisas, ritmo e velocidade, agora que tem um excelente chassis e está na posição de conseguir dar o título de Construtores à McLaren, algo que não acontece desde 2008, mas é porque Oscar Piastri também colabora. E nos momentos decisivos, ele encolhe, ou sai perdedor. 

E há algo intrinsecamente errado na declaração dele. Para teres talento, tens de ter sorte. Max, em 2016, em Interlagos, e debaixo da chuva, teve uma manobre onde perdeu a traseira, e conseguiu controlar o carro, não só evitando bater no muro, como seguiu em frente e conseguiu regressar ao ritmo. Se fosse outro, teria batido no muro ou parado na pista e perdido tempo precioso. Sangue-frio? Sim. Mas também sorte. E com sorte, também ganhas corridas e campeonatos. 

E há outra coisa que está contra Norris: como é que faz pole-positions se no dia seguinte, não sabe arrancar bem e as perde na primeira curva? Nunca vi isso em Senna, Schumacher, Prost, Hakkinen, Montoya... nem sequer Gilles Villeneuve, que só conseguiu duas poles na sua vida. Se fosse eu, aconselharia o Norris a ver os filmes das partidas do canadiano e ver como ele conseguia passar seis ou oito carros para estar entre os da frente. Ou então, ver a partida do Max esta tarde, da 17ª posição.        

Eu temo que Norris seja em secundário, como Mark Webber ou David Coulthard. A sua chance é agora e irá perdê-la.   

Momento 3: A conferência de imprensa pós-corrida.

Max Verstappen, bem-disposto, questionou: “Estou curioso para saber onde andam os media britânicos por aqui. Será que tiveram que correr para pegar o voo?” 

A sala explodiu em gargalhadas.

Max poderá ter agora uma razão para se vingar da imprensa britânica. Aguentou durante todo este tempo a arrogância de - não da imprensa especializada - mas de uma certa imprensa tabloide que, nacionalista que é, sempre torceu para os seus pilotos, que acharam serem melhores que ele. Em muitos aspetos, aguentou as suas declarações - e a tensão entre ambos os lados começava a ser palpável ao longo dos meses - e hoje exerceu a sua vingança. E pode ter esse direito, e claro, no final, ganhará o campeonato.

Mas isto dá voltas. Apesar de hoje poder mandar a "boca", ganhou sarna para se coçar. Certa imprensa - voltem a ler, tabloides - não o perdoará. Guardará a humilhação para o dia onde se podem vingar. Isto não acaba aqui, se quiserem.

Mas hoje, claro, é o dia dele. 

Estes foram os momentos de um domingo de chuva em Interlagos. E é uma pegada, um momento na Formula 1, se calhar para mais tarde recordar.  

Formula 1 2024 - Ronda 21, Interlagos (Corrida)


Domingo iria ser um dia muito longo. Tão longo que alguns pilotos, no final de sábado, decidiram ajustar os seus despertadores para as 4:30 da manhã. As circunstâncias eram anormais: por causa da chuva constante, a qualificação fora adiada para domingo de manhã, a partir das 7:30, e depois dela, os pilotos andaram a reparar os carros para que pudessem estar prontos a tempo de correram. 

Como se esperava, à hora da corrida, as nuvens pairavam, cinzentas e ameaçadoras, sobre a pista. A pista estava húmida, e alguns duvidavam que mesmo com toda esta antecipação, se esta corrida iria chegar até ao fim.

A grelha estava toda baralhada. E mesmo baralhada! Max Verstappen, por exemplo, era o terceiro a contar do fim, por causa da má posição na grelha e da penalização que tinha de cumprir. Pior que ele, só Nico Hulkenberg e Guanyou Zhou. Em contraste, Lando Norris, o piloto que caça Max no campeonato, é o poleman e tinha uma grande chance de apanhá-lo na classificação geral, com George Russell e... o Racing Bulls de Yuki Tsunoda

E um ausente: Alexander Albon, que deveria partir de sexto. Carlos Sainz Jr iria partir das boxes.  

Todos os pilotos arrancavam com os pneus verdes, os intermédios, apesar de não estar a cair naquele momento. A previsão meteorológica fala que choverá 20 minutos depois da partida, e Max terá, claro, de passar toda esta gente para chegar aos da frente, e nos pontos. 


E logo na volta de apresentação... Lance Stroll saía da pista na curva 4, a Descida do Lago, caindo na gravilha. Resultado final? Primeira desistência da corrida, partida abortada e menos uma volta na contagem final. Mais alguns minutos para uma volta de apresentação, e as nuvens apareciam ameaçadoramente no céu, querendo despejar o seu conteúdo. Ao mesmo tempo, as bancadas cantavam, jubilantes. Não lhes interessava muito o que passava na pista, eles faziam a sua própria festa.

Nova volta de formação, tudo correu bem... e na partida, Russell conseguiu passar Norris, e enquanto não houve colisões entre eles, Max começou a passar piloto atrás de piloto, chegando a décimo no inicio da segunda volta. Em contraste, Pérez fez um pião e caiu para o fundo do pelotão. Logo na segunda volta, começou a cair pingos de chuva no terceiro sector, o da meta, mas isso não impediu dos pilotos acelerarem na pista. Tanto que Max era nono na quinta volta, passando Pierre Gasly.

Por esta altura, Norris já estawa na traseira de Russell, tanto passá-lo, com eles a afastarem de Tsunoda, o terceiro. Atrás, Max corria muito bem na chuva - quase um segundo mais rápido que boa parte do pelotão - e aproximava-se dos da frente. Na décima, passou Piastri e subiu para sétimo, e depois, passou Lawson. Entretanto, Hamilton despistou-se e foi apanhado por Franco Colapinto, que o atacou na travagem para o S de Senna. Quando o argentino passou, a multidão - parte dela argentina - entrou em delírio. 

Agora, as coisas estavam mais calmas. Max estava trancado atrás de Charles Leclerc, em sexto, num comboio liderado por Yuki Tsunoda, com Esteban Ocon entre eles. Todos se defendiam nas suas posições, e Max via os da frente irem embora. Na frente, Russell tinha dificuldades em aguentar Norris na liderança, mas contava com as condições para manter o comando. 


Max tentou atacar Leclerc na volta 23, mas o monegasco defendeu-se bem, na sua quinta posição. Charles Leclerc foi o primeiro a entrar nas boxes, na volta 25, mantendo intermédios, com Nico Hulkenberg a fazer o mesmo na volta seguinte. Na mesma altura, Norris atacava Russell na altura em que a chuva caia com mais força, e Nico Hulkenberg se despistava na curva 1, ficando preso por momentos. Era a volta 28, e o Safety Car Virtual entrava, e as boxes estavam agitadíssimas.

Acabado o Safety Car Virtual na volta 29, com Norris e Russell nas boxes, colocando intermédios, Max ficou na pista, acabando no comando. Tsunoda, Lawson e Pérez colocaram pneus para chuva total, porque por esta altura... era o dilúvio. Foi o suficiente para a entrada do Safety Car, imediatamente depois de Norris ter passado Russell na Reta Oposta. E no meio disto tudo, quem liderava? Esteban Ocon, no seu Alpine, com uma vantagem de sete segundos antes da entrada do Safety Car da Aston Martin. Era a 30ª volta.


Mas na volta 32, a bandeira vermelha. A razão? O Williams de Franco Colapinto bateu forte na subida para a reta da meta, e o carro ficou no meio da pista. Ainda não tinham chegado à metade da prova, o que até foi bom, quando muitos pensavam no pior. 

Os minutos foram passados com os carros a esperar por uma melhoria das condições, que só aconteceram por volta das 14 horas locais. A chuva tinha deixado de cair, com os pilotos a falarem nas estratégias para o futuro, sobre se continuariam com os pneus de chuva ou os intermédios. E no meio disto tudo, descobriu-se que Hulkenberg regressou com ajuda, e iria ser desclassificado.

A corrida recomeçou na volta 34, com Ocon na frente da corrida...  com Ollie Bearman e Guanyou Zhou a sairem de pista. Nessa volta, os pilotos tentaram ter aderência com pneus frios, e alguns tinham dificuldades nisso, como Norris - que perdeu o lugar para Russell - e Leclerc, que foi desafiado por Piastri, mas aguentou. E na frente, Ocon começava a afastar-se do pelotão. 

Os pilotos lutaram por aderência, e as coisas estavam complicadas. Visibilidade reduzida, e na volta 40, nova entrada do Safety Car, por causa do despiste de Carlos Sainz Jr, que acabou nas barreiras. Todos juntos, esperando pela limpeza e recomeço. Que aconteceu na volta 43, com Ocon na frente de Max.


O recomeço aconteceu com... Max ao ataque. Passou Ocon e começou a ir embora, mostrando ousadia, e que ele tinha tudo para ganhar. Em contraste, Norris saiu de pista no S de Senna e caiu para sétimo, e Fernando Alonso foi pior: despistou-se e caiu para último. Nas voltas seguintes, Norris tentou recuperar o tempo perdido, no meio do mau tempo e da visibilidade reduzida, mas depois, descobriu-se que ele era bem mais lento em termos de tempo que Max, numa média de segundo e meio por volta. Na 56ª passagem pela meta, altura em que os pontos iriam ser recolhidos na totalidade, Max tinha quase 10 segundos de vantagem sobre Ocon.

A parte final mostrou Russell a tentar apanhar Pierre Gasly para chegar ao pódio, mas a realidade foi esta: apesar das lutas e diversas tentativas de ultrapassagem, nada aconteceu de especial. E na frente, dando um avanço de 13 segundos sobre a concorrência, Max Verstappen rumava à meta para um triunfo daqueles que ficam nos livros, e com toda a certeza, um título mundial que, se calhar,  já era seu desde o inicio.


E assim também acabava um dia muito longo em Interlagos. A coisa boa é que depois disto, há uma pausa de duas semanas até Las Vegas, no regresso à America.        

Formula 1 2024 - Ronda 21 (Qualificação, segunda tentativa)


Poderemos falar porque é que a Formula 1, neste dias de hoje, teme a chuva. A razão? Não está preparada, simples. Posso falar dos maus pneus da Pirelli, uma inutilidade, aparentemente - os azuis, não os verdes, os intermédios. Poderemos também falar da pista em si, que aparentemente, com as mais recente intervenções, o escoamento da chuva piorou, especialmente em tempestades como aquela. Circulou ontem - e ainda circula - um vídeo onde veículos de todo-o-terreno passam sobre uma poça de água grande, do qual esta se acumulou ali por ação da gravidade e nada fazia escoar. Uma falha grave, imperdoável se fosse num autódromo europeu, por exemplo.

Mas também lembro de Suzuka 2014. Uma corrida debaixo de um tufão, onde os organizadores não quiserem alterar os horários, e acabou em tragédia. Esta geração mais nova já não aceita a morte numa competição como esta, não só porque é imoral, como também dá um grande prejuízo à competição. 

Resultado final: a qualificação acontecerá às 7:30 da manhã de domingo, e a corrida às 12:30. E as razões são bem simples: o tempo será pior neste domingo. A última vez que a Formula 1 começou bem cedo foi há 40 anos, em Dallas. E foi por causa de um asfalto que derretia com o calor, e tentaram correr sem acabarem por ser cozidos dentro dos seus cockpits... 

Com as portas abertas bem cedo - com algum atraso, mas aconteceu - a qualificação começou com céu carregado a asfalto húmido. E por causa disso foram logo para a pista, marcar tempos e despachar, digamos assim. Mas isso da pressa, como sabem, é inimiga da perfeição, apesar de terem calçado os pneus de chuva. 


E nos primeiros riscos, as saídas. Primeiro, Liam Lawson, depois Lance Stroll, que por muito pouco, poderia ter ficado preso na relva, mas continuou. Lando Norris queixava-se do "acquaplaning", e Valtteri Bottas arriscou, colocando intermédios. Primeiros tempos feitos... o primeiro despiste sério, o de Franco Colapinto, que acabou nas barreiras e fez acionar a bandeira vermelha.

Os minutos passados a tirar o carro do piloto argentino foram suficientes para que caísse uma carga de água no circuito, e claro, os que tinham pneus intermédios acabariam por calçar os de chuva, e aguentassem até esta abrandar. Essa gente, especialmente os que estavam na área de eliminação, só tinham uma coisa em mente: uma volta limpa, sem bandeiras amarelas. 

Alguns conseguiram... mas outros não. Yuki Tsunoda e Alex Albon conseguiram, mas Lewis Hamilton não. George Russell estava aflito, mas conseguiu um tempo entre os da frente, bem como Max Verstappen e Lando Norris, passando para a fase seguinte. Quem não conseguiu, e foram faxer companhia a Colapinto foram Lewis Hamilton, Oliver Bearman, Nico Hulkenberg e o Sauber de Zhou Guanyou.

Poucos minutos depois, aconteceu a Q2, e o tempo não estava melhor. Oscar Piastri tentou a sua sorte com pneus intermédios, e deu-se bem. Pouco depois, os pilotos trocaram de compósitos e os tempos começaram a baixar. Max fez 1.27,771 - era o possível... antes de Oscar Piastri tirar seis décimos ao tempo do neerlandês. 


Contudo, a dez minutos do final da sessão, Carlos Sainz Jr sai de pista e as bandeiras vermelhas foram mostradas pela segunda vez na sessão. Por essa altura, Piastri tinha melhorado para 1.25,179... mas os carros recolheriam às boxes por mais algum tempo, para tirar o Ferrari do lugar onde estava. 

Mas o regresso não durou muito: a um minuto do final, quando todos tentavam a sua sorte, evitando ficar de fora da Q3, Lance Stroll foi para a pista... e saiu rapidamente. Bateu forte, a sessão foi interrompida. Aliás, foi prematuramente terminada, com os Red Bull de fora: Max em 12º - 17, por causa da penalização - e Pérez em 13º. A fazer companhia estava Carlos Sainz Jr, por causa da batida, o Sauber de Valtteri Bottas e o Alpine de Pierre Gasly. Por incrível que pareça, mesmo com a batida, Lance Stroll era... oitavo na grelha! Tinha passado para a Q3, como, por exemplo, os Racing Bulls de Liam Lawson e Yuki Tsunoda. Lando Norris era o melhor, com Fernando Alonso em segundo. 

E agora, a Q3. 


Que não começou muito bem. Primeiro, apesar de não chover, as chances eram muitas de cair água das nuvens eram grandes. Os pilotos se esforçavam para marcar tempos, com Lando Norris a marcar 1.24,158, seguido de longe por Alex Albon, no seu Williams. Fernando Alonso tinha marcado um tempo porque sim, e quando puxava pelo carro, perdeu o controlo e bateu no muro de pneus, causando a segunda interrupção por bandeira vermelha. E o segundo Aston Martin para arranjar, muito trabalho para os mecânicos, sem dúvida. 

Removido o Aston Martin, com mais de uma hora de qualificação passada, e quando regressou, os pilotos começaram a marcar tempos para ficar o mais à frente possível na grelha, e com os intermédios calçados. Contudo, a três minutos e meio do final, nova amostragem das bandeiras vermelhas, com o acidente forte do Williams de Alex Albon. O piloto saiu do carro pelo seu pé, mas a Williams iria ter muito para reparar no pouco tempo que iriam ter até à corrida. Era a quinta bandeira vermelha da qualificação, o suficiente para algumas temporadas de Formula 1... 

No regresso, a chuva não aumentou e os pilotos mantiveram os intermédios. Os McLaren foram para a pista, mas avisados para não exagerarem, enquanto Russell ficou nas boxes à espera do último momento para entrar em pista, com os pneus ainda nas mantas de aquecimento. Contudo, Norris foi ao ataque, e faz 1.23,405, contra... Russell, que marcaria 1.23,578. Piastri tentou, mas perdeu o controlo do carro, sem bater, como Charles Leclerc, e o sortudo da manhã foi... Yuki Tsunoda, que conseguia 1.24,111, e a melhor posição de um piloto japonês numa grelha de partida na história. Ocon era quarto, no seu Alpine, ele que também gosta de correr à chuva, na frente de Liam Lawson, no segundo Racing Bulls. 


E assim acabou uma das mais complicadas qualificações da história do automobilismo. Um dia depois da data prevista, e com cinco bandeiras vermelhas. E agora é ver como será à tarde, à hora da corrida... com Lando Norris a ver o seu adversário bem atrás. Espero que tenha consciência que ele é muito bom à chuva.   

sábado, 2 de novembro de 2024

Formula 1 2024 - Ronda 21, Interlagos (Tentativa de qualificação)


Não há tempo, não há tempo. Como o coelho que está sempre a olhar para o relógio, no "Alice no País das Maravilhas", a Formula 1 só tem tempo para desempacotar, correr e empacotar. Afinal, este é o final de três semanas seguidas de Formula 1, que começou em Austin e na semana passada, estava na Cidade do México. Mas o mais interessante é que isso é só metade do espetáculo, porque os espectadores fazem a outra metade. A mais visível.

A grande novidade do fim de semana é na Haas. Kevin Magnussen está doente e no seu lugar, é chamado Oliver Bearman pela segunda vez pela equipa, depois de Singapura. O jovem de 19 anos deu-se bem na sexta-feira, colocando o seu carro na Q3 para a Sprint Race, confirmando que poderá ser um excelente piloto num futuro próximo.   

Depois da dobradinha da McLaren na corrida sprint - e de Oscar Piastri ter cedido o primeiro posto a Lando Norris - reduzindo a distância para Max em... dois pontos, a qualificação iria decorrer algumas horas depois desta corrida. Contudo, os comissários viram que o neerlandês poderia ter feito uma infração na altura do Safety Car Virtual, que lhe deu cinco segundos de penalização, caindo para quarto nessa corrida... e Norris ganhou mais um ponto. 


Mas neste sábado, apesar do tempo aparentava sol e calor, quando chegou a hora da qualificação, temia-se chuva. E quando chegou, foi o habitual "toró", ao ponto de, na hora quando deveria arrancar a qualificação, esta foi adiada até que a chuva parasse. E os minutos passaram, passaram... passaram. E a chuva não parava. 

16 horas... a chuva caía. 

E passavam os minutos... a chuva caía. Tinha sido forte, e em algumas partes, existia poças de água, onde os carros de todo-o-terreno tinham dificuldades em passar. Logo, os carros de Formula 1 não iriam passar ali, de forma alguma. Nas bancadas, as pessoas divertiam-se, à sua maneira, no jeito bem brasileiro de gostar da coisa. Cartazes a imitar memes das redes sociais, argentinos a saudarem Franco Colapinto como se fosse a reencarnação de Juan Manuel Fangio, gente a tratar Lewis Hamilton como brasileiro adotado - só faltam eles arranjar uma brasileira e oferecerem-lhe aulas gratuitas de português - todos se divertiam no meio da chuva. Afinal de contas, estavam em Interlagos, e a chuva até faz parte do folclore. 

Mas com o aproximar do final do dia, cerca das 18 horas locais, as chances de adiamento aumentavam. E a chuva abrandava, mas não parava. O Aston Martin que servia de Safety Car dava voltas à pista, mas nada mostrava que as condições estavam no mínimo para correr. E perto das 17 horas locais, a noticia: nada haveria para o resto do dia, a qualificação teria de ser amanhã, se fosse possível.  

Depois, no final do dia, souberam-se algumas coisas: houve inundações na cidade - precisamente em Interlagos - com ruas inundadas. E depois, também se soube dos horários da qualificação. 7:30 da manhã, três horas antes do Grande Prémio. É que é a melhor altura do dia, porque eles preveem chuva bem forte na parte da tarde. E claro, não querem perder tempo.


Poderemos falar sobre as razões porque evitam a chuva, mas isso seria um post à parte. Contudo, neste final de semana, com uma antecipação da corrida que não via em 40 anos, eu temo que este tenha sido a primeira parte de um pesadelo. Veremos.