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quarta-feira, 27 de março de 2019

A imagem do dia (II)

Ayrton Senna na largada do GP do Brasil de 1994, na frente de Jean Alesi, Damon Hill e Michael Schumacher, numa foto tirada por Paul-Henri Cahier.

E de repente, passou-se um quarto de século. É uma parte impressionante da vida, se formos ver bem. Quando víamos naquela tarde o GP do Brasil de 1994, havia confiança a rebentar pelas costuras, e todos julgavam que seria um passeio para Ayrton Senna e a sua Williams, rumo a um quarto título mundial. Na realidade, não foi. 

Mas também, na realidade, as pessoas acreditavam nisso porque a imprensa os tinha influenciado. Os brasileiros julgavam que na Williams, se Mansell conseguiu e Prost tambem, então cabia a Senna fazer a mesma coisa, se calhar melhor. O que desconheciam - e não olhávamos com atenção - é que os regulamentos tinham sido alterados durante o Inverno e o carro que Adrian Newey estava a desenhar, o FW16, tinha de se adaptar a um tempo onde quase todas as ajudas eletrónicas tinham sido banidas: o controle de tração e a suspensão ativa, entre outros. 

O problema é que o carro adaptou-se mal. E do lado da Benetton, com o seu B194, este deu-se bem. Apesar das desconfianças, nunca totalmente esclarecidas, sobre se havia alguma ajuda eletrónica escondida. 

O que se viu, naquela tarde de Interlagos, que Schumacher venceu Senna na estratégia das boxes, algo totalmente novo na altura - o reabastecimento estava de volta depois de onze anos de ausência - e viamos o surgimento de uma pessoa que era genial nesse tipo de abastecimento: Ross Brawn, alguém que tinha sido mecânico na March e Williams, e projetista na Jaguar de Endurance, antes de ir para a Benetton.

O resultado foi um balde de água fria, mas todos esperavam que as coisas melhorassem nas corridas seguintes, que o resultado fosse rectificado. Toda a gente sabe agora o final da história, mas na altura, foi um autêntico choque. E o que não estávamos a ver naquele momento é que tinhamos assistido ao final de uma era no automobilismo, e o inicio de outro. Numa das temporadas mais discutíveis, polémicas e trágicas da Formula 1.

sexta-feira, 22 de março de 2019

A(s) image(ns) do dia



Fotos tiradas por Bernard Cahier de Peter Revson no GP do Brasil de 1974, a derradeira corrida do piloto americano na Formula 1. Dali a mês e meio, a 22 de março daquele ano, Revson perdia a vida em testes para o GP da África do Sul, em Kyalami.

A carreira de Revson, nascido a 27 de Fevereiro de 1939 e herdeiro da fortuna dos cosméticos Revlon, foi longa e variada. Começou quando estudava em Cornell, e conheceu os irmãos Mayer, Timmy e Teddy, bem como Tyler Alexander. Os quatro foram para a Europa em 1962, para correr na Formula Junior, e depois na Formula 1, onde foram ajudar e reunir esforços com o neozelandês Bruce McLaren.

A primeira passagem pela Europa foi frustrante, e ao regressar a paragens americanas, McLaren não o esqueceu. Foi o piloto da marca na Can-Am e na USAC, o primeiro piloto em Indianápolis, e aquele que substituiu quando o patrão morreu a 2 de junho de 1970. Na Can-Am, ele foi campeão em 1971, e no mesmo ano, conseguiu o melhor resultado até então nas 500 Milhas de Imndianápolis: um segundo lugar.

Em 1972, Revson volta à Formula 1, num calendário de loucos, pois acumulou com Can-Am e algumas corridas na USAC, Indianápolis incluído. A temporada correu bem para ele, que conseguiu quatro pódios e uma pole-position. Numa temporada em que falhou quatro corridas devido a conflitos com as corridas na América. E no ano seguinte, graças ao chassis M23, correu bem melhor, vencendo duas corridas e mais dois pódios.

Mas Teddy Mayer viu a chance de ter Emerson Fittipaldi, e apesar da amizade com Mayer, preferiu o piloto brasileiro, vindo da Lotus. Revson seguiu para outra equipa americana, a Shadow, que estava na Can-Am no inicio da década, mas no ano anterior, tinha-se estreado na Formula 1, conseguindo dois pódios. 

A equipa tinha construído o DN3, desenhado por Tony Southgate, e esperava que fosse melhor que o chassis anterior, o DN1. Revson conseguiu boas classificações nos treinos - quarto em Buenos Aires, sexto em Interlagos - mas não chegou ao fim quer na Argentina, quer no Brasil. Uma semana antes de testar o carro em Kyalami, tinha estado em Brands Hatch para a Race of Champions, onde, debaixo de chuva, chegou ao sexto lugar, numa prova vencida pelo Lotus de Jacky Ickx, depois de ter passado... por fora, o Ferrari de Niki Lauda no Paddock Hill Bend.

Em 2012, numa entrevista à Motorsport britânica, Southgate falou sobre Revson e das circunstâncias do seu acidente fatal. 

“‘Revvie’ era um tipo fabuloso, fácil de lidar e um excelente piloto. Mas, tragicamente, não ficou connosco por muito tempo. Classificou-se na segunda linha na Argentina e para o Brasil na terceira fila da grelha. Então, ele, eu, o nosso mecânico-chefe Pete Kerr e mais outros dois mecânicos fomos para Kyalami, para testes antes do GP sul africano."

Revvie estava muito bem, muito contente com o carro, e então, depois de ter iniciado uma volta, ele não apareceu. Corremos para a parte de trás do circuito e encontramos o carro enterrado sob as barreiras de proteção, do lado de fora de uma curva rápida [Barbecue Bend]. Peter já estava na ambulância quando chegamos. Liguei para o hospital, e eles me disseram que eu tinha que ir para a morgue e identificá-lo. Quando a notícia saiu, foi um inferno, com todos os jornalistas a bater na porta do meu hotel, até que o advogado da família Revson chegou e assumiu o controle."

"Estávamos a usar bastante titânio no DN3, que era então um novo material. Titanio é delicado, tem que ser trabalhado de forma suave e a sua superfície bem polida, e descobrimos que tinha havido uma junta esférica que tinha sido feita de forma grosseira sobre ele, e foi aí que quebrou. Ali [no local do impacto] havia apenas uma camada de Armco e o carro, em vez de ser desviado ou parado, o carro conseguiu entrar até à zona do cockpit.”

Senti-me pessoalmente responsável. Foi uma época muito difícil. Desapareceu o glamour da Fórmula 1, e foi substituído por uma espécie de solidão. Você não tinha outra hipótese que não trabalhar. Claro, na corrida seguinte, substitui todos os componentes de titânio por aço.", concluiu.

Revson tinha perdido um irmão, Charles, num acidente de Formula 3 num circuito dinamarquês. Entre os que tentaram salvá-lo de forma inútil, estavam Dennis Hulme e Graham Hill. O neozelandês, seu amigo e antigo companheiro de equipa na McLaren, na Can-Am e Formula 1, decidiu que iria retirar-se no final da temporada. E pouco mais de seis meses depois de Francois Cevért, a Formula 1 sofria nova perda no seu pelotão.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Youtube Formula 1 Classic: Corridas antigas com gráficos modernos, Vol. 2


O primeiro video foi um sucesso, logo, o seu autor decidiu fazer um segundo video de corridas antigas com os atuais gráficos da Formula 1. 

E entre as corridas escolhidas ficaram a primeira volta do GP da Europa de 1993, em Donington Park, o GP do Brasil de 2001, aquele momento em que o pai do Max Verstappen coloca Juan Pablo Montoya fora de corrida, a chegada do GP de Espanha de 1981 - o gráfico está errado, Jacques Laffite foi o segundo e não Elio De Angelis - e o GP da Alemanha de 1993, quando Alain Prost teve de cumprir um "stop and go" de dez segundos porque cortou a segunda chicane devido ao despiste do Ligier de Martin Brundle.

Apesar de tudo, vale a pena ver!

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Youtube Formula 1 Onboard: As comunicações de Interlagos


Como sempre em qualquer fim de semana de Grande Prémio, eis as comunicações do GP do Brasil, especialmente num lugar onde houve alguns incidentes dignos de registo. Eis dois dos videos desse fim de semana brasileiro.

E a última imagem do primeiro video até é bem interessante de se ver...

domingo, 11 de novembro de 2018

Noticias: Verstappen condenado a dois dias de trabalho comunitário

A FIA decidiu que Max Verstappen vai ter de cumprir dois dias de trabalho comunitário nos próximos seis meses depois de ele ter empurrado Esteban Ocon durante a pesagem após o GP do Brasil, esta tarde. Nem uma multa pecuniária foi dada ao piloto holandês pela sua conduta.

"Os comissários reviram evidências em vídeo das camaras de segurança da FIA e ouviram o piloto do carro 33 [Max Verstappen] e o piloto do carro 31 [Esteban Ocon] e os representantes das equipes", começou por dizer o comunicado da FIA.

O piloto Max Verstappen entrou na garagem de pesagem da FIA, procedendo diretamente ao piloto Esteban Ocon e, após algumas palavras, iniciou uma briga, empurrando ou batendo em Ocon com força várias vezes no peito.

Os comissários realizaram uma audiência em que ambos os pilotos agiram de forma apropriada e cooperaram. Os comissários entenderam que Max Verstappen estava extremamente chateado com o incidente na pista durante a corrida e aceitou a explicação [de Ocon] que não era sua intenção, mas que ele estava “nervoso” o que ocasionou a perda de seu temperamento.

"Embora simpatizando com os argumentos de Verstappen, os Comissários determinam que a obrigação dos desportistas deste nível de atuar apropriadamente como modelos para outros, e nesse caso, Verstappen não cumpriu", continuou.

"Os comissários, portanto, ordenaram que Max Verstappen fosse obrigado a executar dois [2] dias de serviço público sob a direção da FIA dentro de seis meses do incidente."

A decisão foi estabelecida depois de ambos os pilotos terem sido chamados pelos Comissários após o incidente no final do GP do Brasil. Verstappen culpou Ocon pelo incidente que lhe custou a vitória na corrida, que foi para Lewis Hamilton

A imagem do dia

Max Verstappen estava fulo com o que aconteceu, e tinha toda a razão em não levar desaforo para casa. As cenas que teve com Esteban Ocon, depois da corrida, eram esperadas, especialmente com a idade que têm. Falamos de um garoto de 21 anos que deseja ganhar, e teve tudo para ganhar hoje, especialmente depois de ter passado Lewis Hamilton em plena corrida - o que é raro por estes tempos - e ter feito uma inteligente escolha de pneus para esta corrida.

Tudo teria sido perfeito se o piloto da Force India não tivesse aparecido pelo caminho. Ele ainda por cima estava a querer desdobrar o holandês da Red Bull, e ele tinha perdido o duelo quando aconteceu o toque no S de Senna. E o tempo perdido foi mais do que suficiente para Hamilton vencer mais uma corrida. Verstappen tinha consciência que estas chances são muito raras, especialmente com uma Mercedes que domina tudo desde 2014. 

Claro, estes empurrões - ainda por cima, empurrões - não são coisas que se devam fazer entre pessoas que são modelos para os mais novos. Muitos censuram a atitude do piloto holandês por ter feito isso, incluindo terem dito que "não são atitudes de campeão do mundo". Bom, nesse campo... lamento, mas vou ter de vos corrigir.

- James Hunt deu um murro num fiscal em Mosport, no GP do Canadá de 1977.
- Nelson Piquet empurrou em Eliseo Salazar no GP da Alemanha de 1982
- Ayrton Senna quis agredir Nigel Mansell no GP da Bélgica de 1987, depois de ambos terem saído de pista na primeira volta. 

- No GP do Japão de 1993, Senna deu um murro em Eddie Irvine, depois deste ter feito manobras perigosas na sua frente e de ele ter empurrado para fora o Arrows de Derek Warwick.
- Michael Schumacher quis dar um murro em David Couthard depois do escocês não o ter visto no memorável GP da Bélgica de 1998.


Em suma, entendo a ideia de muita gente de que todos os pilotos, altamente mediáticos, deveriam ter um comportamento totalmente "zen", como se fosse eternamente um monge budista, porque todas as câmaras do mundo estão apontadas a eles. Mas é mais um mito do que a realidade. Até os campeões têm o seu mau dia no trabalho, e nem todos levam desaforo para casa. Isto não é uma defesa de um com outro, mas temos de entender estas atitudes, apesar de serem condenáveis.

No final, isto fica na história como mais um episódio para o folclore da Formula 1, ainda por cima num lugar como Interlagos, no fim de semana do GP do Brasil. Veremos como acabará.

Formula 1 2018 - Ronda 20, Interlagos (Corrida)

A história do GP do Brasil é que se pode dizer que, com tudo decidido, não foi aborrecido. Não choveu, é verdade, mas houve lutas, incidentes e competitividade suficiente para que todos ficassem pregados ao asfalto e colados aos ecrãs até ao momento em que foi mostrada a bandeira de xadrez no Autódromo José Carlos Pace, em Interlagos.

Contrariando algumas previsões, o tempo nesta tarde paulista parecia estar azul, com as possibilidades de chuva a serem reduzidas a menos de metade. Mas quem mora na zona diz que o tempo muda num estalar de dedos e na zona Oeste, o tempo já começava a fechar quando os carros estavam na grelha de partida.

A corrida começou com Valtteri Bottas a conseguir passar Sebastian Vettel para ser segundo, enquanto Max Verstappen pressionou Kimi Raikkonen até o passar no inicio da volta três. O holandês estava "em fogo" e passou Vettel na volta seguinte, com os seus supermoles, contra os moles dos Ferrari. O alemão ainda perdeu mais uma posição quando travou demasiado tarde na Curva do Sol e foi passado por Raikkonen.

Com o passar das voltas, o holandês da Red Bull começou a atacar Bottas para ver se ficava com o segundo posto, mas apesar de chegar perto, era mais complicado passar os Mercedes que os Ferrari. 

Na volta 10, o holandês passou Bottas para ser segundo. Durante esse curto tempo, ele já tornava-se no piloto da tarde. Depois, Raikkonen passou ao ataque para apanhar Bottas, que parecia ter perdido ritmo para o resto do pelotão. em poucas voltas, parecia que um comboio se tinha formado atrás dele, com os Ferrari, o Red Bull de Daniel Ricciardo e mais tarde, o Sauber de Charles Leclerc, todos atrás dele.

Na frente, Verstappen apanhava Hamilton, lentamente, mas seguramente. Contudo, as coisas ficaram algo calmas até à altura da volta 19, qiando os pilotos começaram a trocar de pneus. Nessa volta, Bottas trocou para médios, e a mesma coisa fez Hamilton, também na mesma volta. Mas eles tinham ps pneis mais degradados que os da Red Bull e da Ferrari, e cairam para o meio do pelotão. Hamilton era sexto, Bottas o nono. 

Na frente, Verstappen tinha oito segundos de vantagem sobre Raikkonen, e os pneus que tinham calçado desde o inicio aguentavam-se melhor que o esperado... e numa altura em que as nuvens começavam a escurecer. E foi nessa altura, na volta 28, que Vettel meteu pneus médios. Três voltas depois foi a vez de Raikkonen de parar, metendo também médios. E Verstappen ainda se mantinha na pista, com os supersoft que tinha arrancado no inicio da prova.

Com isto, as atenções viravam-se para a luta pelo quinto posto. Bottas aguentava os Ferrari de Vettel e Raikkonen, todos com médios. Vettel deixou-o passar na volta 35, pois o finlandês era mais veloz. A seguir, Verstappen foi às boxes, trocando-os por softs, e tendo Hamilton de novo na frente. Mas os seus pneus eram 19 voltas mais velhos que os do holandês... e a chuva aproximava-se. Lentamente, porque o vento era fraco demais.

Na volta 40, Verstappen atacou Hamilton e passou-o, ficando com a liderança - Ricciardo foi às boxes na mesma altura. O inglês tentou contra-atacar, mas o holandês defendeu-se, e o piloto da Mercedes deixou-o ir embora. Verstappen estava a ir embora, mas na volta 44, Esteban Ocon parecia querer desdobrar-se de Max Verstappen, mas acabaram por se tocar no S de Senna, acabando o holandês a rodar, aparentemente, sem estragos. Mas a liderança caia nas mãos de Hamilton, com o o piloto da Red Bull atrás, a cinco segundos.

Verstappen voltou à pista e tentou recuperar o tempo perdido, mas não se aproximava bastante, provavelmente por causa do chão parcialmente partido. Mas conseguia fazer boas voltas, mesmo com os danos. Atrás, Bottas aguentava os ataques de Ricciardo com dificuldade, enquanto Vettel foi de novo às boxes, colocando supersofts e caindo para sétimo, atrás de Charles Leclerc. Na volta 59, ao mesmo tempo que Vettel passou Leclerc, Ricciardo passou Bottas para ser quarto. Logo a seguir, Bottas voltou às boxes para ser quinto, na frente de Vettel.

A parte final da corrida viu Verstappen a aproximar-se de Hamilton, mas parecia que o inglês tinha tudo controlado para ser o vencedor no Brasil. Mas o quarto classificado estava a meros seis segundos atrás, numa era onde... para chegar é uma coisa, passar é outra. Apesar das facilidades. Contudo, os Red Bull estavam em alta e não iam desistir.

Mas no final, Hamilton venceu e deu o quinto título seguido para a Mercedes. Uma vitória que teria caído melhor para Verstappen, que inconformado, disse "cobras e lagartos" do francês da Force India. E azar dos azares - ou talvez não... - ambos se viram na sala do peso, onde o holandês não deixou levar desaforo para casa e lhe deu uns empurrões, ao melhor estilo Nelson Piquet no GP da Alemanha de 1982...

Em suma, sem chuva, até foi um excelente Grande Prémio. Nem todos acabam assim, mas até se pode dizer que foi uma tarde agradável de se ver, num lugar onde todos gostam de lá estar.

sábado, 10 de novembro de 2018

Formula 1 2018 - Ronda 20, Interlagos (Qualificação)

Com o campeonato de Construtores decidido - mas não o de Construtores, mas isso é uma questão de tempo - máquinas e pilotos foram a São Paulo para um Grande Prémio que até é popular para muitos pilotos, apesar de este ser o primeiro ano em quase meio século onde não há pilotos brasileiros. Mas isso não impediu que as bancadas do autódromo José Carlos Pace, em Interlagos, estarem cheios de espectadores, para verem os carros passar.

A história desta qualificação foi essencialmente com o pessoal a olhar para o céu, por causa das nuvens ameaçantes nos céus de São Paulo. E à hora indicada, a qualificação começou com piso seco, e todos começavam a marcar tempos antes que o boletim meteorológico mudasse velozmente. E nos cinco minutos finais, a chuva começou a cair perto da meta, mas o piso ainda continuou a ficar relativamente seco para marcar tempos. 

Contudo, foi o suficiente para os McLaren, o Williams de Lance Stroll, o Toro Rosso de Brendon Hartley e o Renault de Carlos Sainz Jr. ficarem de fora da Q2.

Com o tempo lentamente a piorar - mas ainda com o piso seco - todos tentaram sair da pista o mais depressa possível na Q2, colocando os pneus supermoles. Rapidamente, colocaram os melhores tempos, excepto os Ferrari, e depois os Red Bull, que colocaram softs, para pouparem um jogo de pneus supermoles para a corrida. Os tempos foram suficientes para ficaram no "top ten" - Vettel ficou a menos de 50 centésimos de segundo do melhor, Valtteri Bottas - mas apenas na segunda metade da Q2 é que o piso molhado começou a prejudicar os tempos dos pilotos.

Mas pelo meio, houve a primeira polémica da tarde, quando Serguei Sirotkin apanhou um susto de Lewis Hamilton quando o viu lentamente no meio da pista. Ele foi para o relvado, mas voltou sem problemas. Claro, todos começaram a exigir penalização ao piloto inglês, mas no final, os comissários decidiram que não iria haver penalização.

No final, com o piso ainda seco na maior parte da pista, Kevin Magnussen, os Force India, Nico Hulkenberg e Serguei Sirotkin ficaram de fora. E entre os que estão na Q3, para além de Mercedes, Red Bull, Ferrari e Sauber, ficaram o Haas de Romain Grosjean e o Toro Rosso de Pierre Gasly.

A Q3 começou com... outra polémica, quando Sebastian Vettel teve problemas durante a pesagem, não desligando o motor e depois ao acelerar... quebrou-os. Pensava-se que isso seria penalização pela certa - ou até exclusão. Mas no final da qualificação, a organização decidiu no final da qualificação que iria multar o piloto em 25 mil dólares.

A chuva não caía fortemente - até tinha parado - e os pilotos começaram a marcar tempos. Primeiro Vettel, depois Hamilton, fizeram o melhor tempo, com o britânico a fazer 1.07,301. Contudo, as nuvens estavam na esquina, e poderiam cair a qualquer momento. Mas isso não impediu que Hamilton tivesse melhorado o seu tempo e manter a pole-position, com Sebastian Vettel a ser segundo e Kimi Raikkonen a ser terceiro, na frente de Valtteri Bottas. 

No final, a chuva não causou qualquer impacto e de uma certa forma, a hierarquia manteve-se. Mas sabendo que no domingo, as coisas poderão ser piores, com uma possibilidade maior de chuva, tudo pode acontecer.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Noticias: GPDA reúne-se em Interlagos para discutir competitividade

A GPDA - Grand Prix Drivers Assoiation - existe, apesar de nem sempre aparecer nas noticias. Como se costuma dizer no jornalismo, as boas noticias não são noticias. Mas quando os pilotos convocam a GPDA e esta aparece nos sites, é por algum motivo pertinente. E aqui, o motivo parece ser os pneus. 

Esta quinta-feira, o seu presidente, Romain Grosjean - sim, ele é o presidente da GPDA - convocou a reunião por causa do desempenho dos pneus nestas últimas corridas, especialmente no México, onde a sua performance caiu de tal forma que causou preocupações com a sua segurança. 

"Eu não acho que alguém pareça estar satisfeito", começou por dizer o australiano Daniel Ricciardo, da Red Bull. 

"Eles queriam um pneu onde nós pudéssemos correr mais por mais tempo, e sinto que estamos perto disso. Mas eu não sei como ter um pneu em que nós possamos esforçar, sem se degradar, então ainda podemos fazer uma corrida com duas ou três paragens nas boxes", concluiu.

Na corrida mexicana, a degradação dos pneus faz com que apenas os quatro primeiros tenham terminado na mesma volta do vencedor.

Contudo, Grosjean quer também falar sobre a competitividade do atual pelotão. "Não é só os pneus", começou por dizer o piloto da Haas.

"Eu não quero falar por todos os outros, mas sinto que precisamos dar nosso feedback e talvez tentar fazer um pouco mais, porque as corridas deixaram de ser divertidas. P6 no México a duas voltas do vencedor? Como você espera ver um carro do meio do pelotão no pódio se eles estão a uma ou duas voltas [dos da frente]? A diferença entre as grandes equipas e as pequenas é muito grande", continuou.

"Além disso, os pneus são tão complicados de entender, de dirigir, se você não tem força negativa, você os destrói e a diferença abre novamente", concluiu.

Se chegarmos a um ponto onde todos ficam felizes com aquilo que discutimos, devemos levá-los adiante para a Liberty ou quem quer que seja. [Não podemos ficar] sentados e não fazemos nada pelo desporto que amamos", concluiu.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Vai chover em Interlagos!

Está a chover por estes dias em São Paulo, e até domingo, esse poderá ser o panorama geral. Com as temperaturas altas, na ordem dos 22 a 26 graus, ao longo do final de semana, é a precipitação que irá causar impacto. Se na sexta-feira, elas poderão ser relativamente baixas, mas constantes - na ordem dos 30 por cento - estas poderão subir no sábado e domingo, altura da qualificação e corrida, podendo causar impacto.

No domingo, as chances de chuva aumentam para perto de sessenta por cento, estando ainda no meio da semana. É óbvio que ainda faltam mais alguns dias, mas a hipótese de termos uma corrida chuvosa pela frente é absolutamente possivel. E uma corrida chuvosa, nos tempos que correm, poderá ser uma onde o Safety Car poderá andar o tempo todo na frente do pelotão...

Veremos o que vai ser este fim de semana.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

GP Memória - Brasil 2003

Duas semanas depois de terem corrido na Malásia, máquinas e pilotos estavam noutro continente, a América do Sul, onde iriam disputar o GP do Brasil, em São Paulo. A Formula 1 estava em festa, pois iria disputar o seu 700º Grande Prémio da sua história, e o campeonato parecia ser competitivo, pois até então tinha tido dois vencedores diferentes, todos da mesma equipa: David Coulthard (Austrália) e Kimi Raikkonen (Malásia), ambos pilotos da McLaren.

A concorrência queria mostrar que também era candidata às vitórias, especialmente a Ferrari, dominadora até então, e a Williams, que acreditava que tinha um bom conjunto de chassis, motor e pilotos.

No final da qualificação, Rubens Barrichello celebrava "em casa" a pole-position, com o McLaren de David Coulthard a seu lado. O mais surpreendente aparecia no terceiro posto, ocupado pelo Jaguar de Mark Webber, que batera o McLaren de Kimi Raikkonen, vencedor na Malásia. Jarno Trulli, no seu Renault, era o quinto e a seguir ficou Ralf Schumacher, na frente do seu irmão Michael. Giancarlo Fisichella era o oitavo no seu Jordan, e a fechar o "top ten" estavam o segundo Williams de Juan Pablo Montoya e o segundo Renault de Fernando Alonso.

No dia da corrida, o tempo estava mau. A chuva tinha sido muita nas horas anteriores à corrida, e na hora da partida, a pista estava ainda muito molhada. Para piorar as coisas, os compósitos da Bridgestone, principalmente os intermédios, não eram adequados para aquele piso, e a organização decidiu que iria começar a corrida atrás do Safety Car.

Enquanto isso acontecia, a pista secava o suficiente para que os pilotos pudessem retomar à corrida como queriam, e alguns aproveitavam para reabastecer, esperando ter de evitar ir de novo às boxes. Um dos que fez isso foi Fisichella, que quando recomeçou, estava na cauda do pelotão.

A pista estava relativamente seca, com uma notória excepção: a curva 3. E iria ser ali que aconteceria muita da ação dessa corrida. Nas primewiras voltas, depois de Barrichello e Coulthard, é Raikkonen que lidera a corrida, até à volta 26, altura em que pára no sentido de se reabastecer. E é nessa mesma altura em que acontece a primeira grande desistência, quando Micharel Schumacher se despista na curva 3 e acaba ali a sua corrida, quase ao lado de Jenson Button, que também tinha desistido devido a despiste.

Coulthard era agora o líder, seguido por Barrichello e Raikkonen. O brasileiro queria apanhar o escocês para vencer a corrida caseira, e apanha-o na volta 45, quando este se reabastece. Mas duas voltas depois, o sistema de combustível do seu Ferrari avaria e vê as chances de vitória se evaporarem. Coulthard voltou a ser o líder, mass na volta 53, vai ter de ir às boxes, dseixando Raikkonen na liderança, com Fisichella atrás de si.

E é nessa altura, no final da volta 55, que Mark Webber perde o controlo do seu Jaguar na curva do Café, acabando por bater no muro de ptoteção. Fernando Alonso, que o seguia, não consegue parar o seu carro e embate fortemente com os destroços espalhados pela pista, obrigando a organização a interromper a corrida com a amostragem da banderia vermelha. É nessa altura em que Fisichella passa Raikkonen para ser o líder... e causa ainda mais confusão. A FIA não sabia dizer se o resultado deveria contar a partir da volta 53 ou 54, e isso determinaria quem iria subir ao pódio. No final, determinou que Raikkonen iria subir ao pódio, seguido por Fisichella. Alonso nem sequer estaria presente: tinha sido levado para o hospital por causa das lesões sofridas no embate.

Apenas uma semana depois é que se saberia a verdade: quando aconteceu o acidente, Fisichella tinha começado a volta 56 na frente da corrida, o suficiente para ser declarado o vencedor. Iria ser a quinta - e última - vitória da Jordan na Formula 1, e ele parou bem a tempo: quando estacionou o carro, este tinha começado a pegar fogo! Os troféus foram depois trocados em Imola, no fim de semana seguinte.

Nos restantes lugares pontuáveis, ficaram o McLaren de David Coulthard, o Sauber de Heinz-Harald Frentzen, o BAR-Honda de Jacques Villeneuve, o Williams-BMW de Ralf Schumacher e o Renault de Jarno Trulli.  

quarta-feira, 28 de março de 2018

A imagem do dia (II)

Naquele pódio de há 25 anos estavam dezasseis títulos mundiais. E uma constelação de estrelas que nunca se tinha visto antes, nem depois. Hoje em dia, podemos dizer que dos cinco de Juan Manuel Fangio, estavam também os três de Ayrton Senna, o vencedor, os sete de Michael Schumacher, e o único que Damon Hill conquistou, mas esse era especial. Afinal de contas, foi o primeiro filho de campeão do mundo a vencer um título.

Mas para além dos títulos, também poderemos encarar os vencedores do GP monegasco, o mais prestigiado de todos: dos seis de Senna, cinco de Schumacher e dois de Fangio, o total chegava aos treze, os vencedores no Principado. 

Mas isso é o que sabemos agora. Em 1993, apenas Senna e Fangio tinham ganho títulos. E os vencedores de Mónaco eram sete. Senna ainda iria acrescentar a sua sexta (e última) vitória, dali a dois meses.

Aquela foi uma corrida onde o tempo teve o seu papel. E Senna jogou bem com ele, sendo o primeiro a trocar antes de todos os outros. Nisso, era muito bom. Tão bom que conseguiu transformar uma penalização de dez segundos, por ter passado Eric Comas numa zona de bandeiras amarelas, numa vitória. Sem isso, era provável que nem tivesse ido ao pódio, pois, por exemplo, Michael Schumacher estava mais veloz, apesar da ameaça de Johnny Herbert ao seu terceiro posto, quase o último "hurra" da Lotus.

A vitória foi bem celebrada na pista e nas bancadas, e o gesto de Senna abraçar Fangio, o grande campeão do passado, em sinal de reverência, foi um gesto que também caiu bem. Mas o que não se sabia era que mais coisas estavam a vir...

domingo, 11 de fevereiro de 2018

A imagem do dia

Colin Chapman atira o chapéu ao ar, celebrando a vitória de Emerson Fittipaldi no Grande Prémio do Brasil de 1973, a primeira corrida oficial de Formula 1 em Interlagos. De uma certa forma, aquele gesto simbólico marcava a entrada do Brasil na categoria máxima do automobilismo, mas o culminar de algo que tinha começado alguns anos antes, no final da década passada, atrás de pessoas como os irmãos Fittipaldi e José Carlos Pace, e outras personagens mais obscuras, mas cujas histórias merecem ser contadas. E uma dessas pessoas é Antônio Carlos Scavone.

Nascido em 1940, Scavone tinha a paixão pela velocidade nas veias, mas também a paixão pelo jornalismo. Foi um dos primeiros pilotos a tentar a sua sorte lá fora, mas no final da década de 60, decidiu ir para o lugar de organizador, tentando trazer os melhores pilotos do mundo ao Brasil.

Sabia que tinham uma boa pista, Interlagos, e em 1970, decidiu organizar o Torneio BUA de Automobilismo, trazendo carros de Formula Ford ao Brasil. Houve corridas em Jacarepaguá, Interlagos, Fortaleza e Curitiba, com ampla cobertura da revista Quatro Rodas. Emerson foi o vencedor, na frente de pilotos como Ian Ashley, por exemplo. O torneio foi tão bem organizado e teve um sucesso avassalador que no ano seguinte, passou a ser um torneio de Formula 2, aproveitando também a ida a pistas argentinas. Com o sucesso dos pilotos brasileiros lá fora, a ambição era a mais alta de todos: a Formula 1. Organizar um Grande Prémio do Brasil. E ele tinha um grande apoio por trás: a Rede Globo.

Em 1972, uma prova de teste foi feita em Interlagos, e por pouco não ia para a frente. Apenas a persistência de Scavone é que foi o segredo do sucesso. Acabou por ser a 31 de março - uma... quinta-feira! - e apenas doze pilotos é que participaram, já que dali a poucos dias, iria começar o campeonato europeu de Formula 2. As obras custaram cerca de dois milhões de cruzeiros, 700 mil dos quais serviram para pagar as despesas das 110 pessoas que ali apareceram, desde mecânicos, gasolina, pneus até os fiscais da FIA para saber se tinham condições para receber a Formula 1. 

Tudo foi feito como se fosse uma prova a sério. A Rede Globo assegurou a transmissão - passou à história como a primeiro evento desportivo a cores no Brasil - e os sessenta mil espectadores entusiastas nas bancadas serviram perfeitamente para cobrir as despesas do Grande Prémio, só pelas receitas de bilheteira. 

No final, foi um sucesso estrondoso. Apenas a vitória de Carlos Reutemann estragou um pouco o que foi uma festa brasileira. A FIA adorou, e marcou a corrida em 1973, duas semanas depois da corrida argentina. E para melhorar as coisas, em setembro de 1972, Emerson foi campeão em Monza. Muito antes de começar, a corrida iria ser um sucesso.

No ano seguinte, era tudo real: mais de cem mil nas bancadas, todos a sofrerem com o calor - e a acalmarem-se com mangueiradas dos bombeiros antes da corrida - e uma corrida impecável de Emerson, a vencer pela segunda vez na temporada - tinha conseguido o triunfo na Argentina, 15 dias antes, batendo Francois Cevért - e era o líder perfeito, com 18 pontos. 

Para Scavone, ver a Formula 1 em Interlagos poderá ter sido o coroar da carreira, mas infelizmente, iria ter pouco tempo mais de vida para gozar. Poucos meses depois, a 11 de julho, ele e o seu colega Julio De Lamare, ambos ao serviço da Rede Globo, iriam a Silverstone para narrar o GP da Grã-Bretanha quando o avião em que iam, um Boeing 707 da Varig, caiu num campo de cebolas nos arredores do aeroporto de Orly, em Paris. Dos 123 passageiros, onze sobreviverem, e ele, infelizmente, não foi um deles. 

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

A insegurança de São Paulo e a decadência do Brasil

A falta de segurança no Brasil é mais do que sabido, especialmente nas grandes cidades. Contudo, no fim de semana de Interlagos, o resto do mundo conheceu da pior forma que o Brasil não é um lugar seguro para estrangeiros. Elementos da Mercedes, da FIA, Williams, Sauber e da Pirelli foram assaltados ou foram vitimas de tentativas de assalto ao longo do fim de semana brasileiro e pilotos como Lewis Hamilton não deixaram de exprimir a sua indignação pela falta de segurança na cidade.

Pois bem. teve consequências: esta tarde, a Pirelli e a McLaren anunciaram que o teste de dois dias, com Lando Norris ao volante, foi cancelado, alegando falta de segurança. Para um país que vai ficar sem pilotos brasileiros no pelotão desde 1969, é um sinal da decadência que alcançou.

Sobre o problema de segurança, esta tarde, o site Grande Prêmio disse que os policiais não puderem atuar devido a uma proibição vinda das autoridades locais de não saírem fora de áreas designadas. E a razão? Marketing. Um agente - que não foi identificado - disse isso à Rádio Bandeirantes. Segundo conta esse testemunho, os agentes estavam até proibidos de se ausentarem dos seus postos para se alimentarem, beberem água ou até ir à casa de banho. Os policiais afirmam que tudo isto poderá ter servido para facilitar os crimes que aconteceram em Interlagos.

O Brasil está a atingir um ponto baixo. Em 2018, não terá pilotos no pelotão, algo inédito em quase meio século. O GP do Brasil, um dos clássicos - está no calendário desde 1973, primeiro em Interlagos, depois em Jacarépaguá, para voltar a São Paulo em 1990 - está a ter dificuldades em arranjar financiamento. Alia-se a isso o mau estado do automobilismo interno brasileiro, com a falta de categorias de promoção, a baixa qualidade dos seus pilotos, e à especulação imobiliária - que fez com que Jacarépaguá fosse demolida a favor da construção do Parque Olímpico para os Jogos do Rio de Janeiro - faz com que se tema pelo futuro do autódromo, construído em 1940.

É que o atual perfeito de São Paulo, João Dória, é a favor da privatização do autódromo, que até dá lucro em termos de realizações desportivas e outros eventos, como concertos de musica. Muitos são contra, afirmando temer que o autódromo tenha o mesmo destino da Jacarépaguá, eventualmente demolido para dar lugar a complexos habitacionais de classe alta. E para isso acontecer, basta que haja algumas coisas, como a retirada do circuito do calendário da Formula 1 e sua degradação, fazendo com que os eventuais proprietários, a serem privados, achem que o melhor seria encerrar a pista e construir casas. 

Por estes dias, tenta-se evitar a privatização do autódromo, em termos politicos, mas se não for forte o suficiente, poderá ser uma batalha perdida, fazendo com que o automobilismo no Brasil caia na irrelevância. Por muitas e boas razões, as coisas por lá estão a degradar-se. E quando o país não vê ninguém interessante a chegar à Formula 1, depois de Felipe Massa, parece que estão a colocar mais pregos no caixão. O que é pena. 

domingo, 12 de novembro de 2017

Formula 1 2017 - Ronda 19, Brasil (Corrida)

Normalmente, a corrida num lugar como o circuito de Interlagos costuma ser algo imprevisível. Ou o tempo não colabora e torna-se numa lotaria, ou então acontece algo na largada que baralha tudo e causa imprevisibilidade no resultado final. Contudo, em termos de boletim meteorológico, hoje as coisas estavam magnificas. Um fabuloso sol primaveril sobre São Paulo tinha eliminado essa chance, mas quando se sabia que Lewis Hamilton tinha trocado de motor e partir das boxes, sabia-se que seria uma prova imprevisível, onde o campeão do mundo teria de escalar lugares para chegar ao dos da frente. E a mesma coisa acontecia a Daniel Ricciardo, por causa da sua troca de motor, por exemplo.

E ainda por cima, Interlagos é um destino popular para os apreciadores de automobilismo. Este escriba sabia, através das redes sociais, que muitos dos seus amigos iriam estar presentes "in loco" para ver tudo o que iria acontecer naquele fim de semana. Se sentia inveja deles? Não. Em muitos aspectos, estavam a cumprir os seus sonhos de criança, observando tudo. E nesse campo, só poderia estar feliz por eles.

A corrida começou com Vettel a conseguir passar Bottas no S de Senna para liderar a corrida, mas atrás, houve treta. Daniel Ricciardo fez um pião no S de Senna, acabando por desistir, mas levando consigo o McLaren de Stoffel Vandoorne e o Haas de Kevin Magnussen. Vandoorne e Magnussen acabaram por desistir, mas Ricciardo continuou. Mais adiante, Esteban Ocon e Romain Grosjean tocvaram-se também na zona da Laranjinha, acabando o francês por desistir. E para Ocon, era a primeira retirada... em uma temporada e meia!

Claro, com todas estas confusões, no final da primeira volta, o Safety Car teve de entrar. As coisas ficaram assim até à volta 6, quando a corrida recomeçou. Se nada aconteceu na frente, exceptuando a ultrapassagem de Massa sobre Alonso para ser quinto, Lewis Hamilton tentava passar carros atrás de carros para tentar chegar o mais possível à zona dos pontos. Conseguiu na volta 9, depois de passar o Toro Rosso de Pierre Gasly.

Na frente, Vettel tentava escapar de Bottas, enquanto que Raikkonen tentava chegar-se ao seu compatriota da Mercedes. Atrás, Hamilton subia lugares atrás de lugares, e no inicio da volta 14, passava Perez para ser sétimo. Ao mesmo tempo, Daniel Ricciardo passava Carlos Sainz Jr. para entrar nos pontos.

A partir daqui, as coisas acalmaram-se na frente, e o que se via eram os pilotos que queriam subir na classificação geral, especialmente Hamilton e Ricciardo. O inglês da Mercedes chegou ao quinto posto na volta 21, depois de passar Felipe Massa. Mas quando isso aconteceu, tinha mais de dez segundos de diferença para apanhar Max Verstappen.

Mas apenas na volta 28 é que aconteceram as primeiras paragens nas boxes. Primeiro, Felipe Massa, e depois, na volta a seguir, Sebastian Vettel, que saiu para a pista na frente de Bottas, mas a aguentar o ataque do piloto da Mercedes. Depois, Raikkonen e Verstappen também foram às boxes para trocar de pneus. Com isso, e com os Flechas de Prata sem parar, Hamilton era o líder. Que contraste, da saída das boxes até ao comando durou apenas 30 voltas! 

Contudo, Hamilton sabia que os seus pneus não estão tão novos com os do Vettel, e lentamente, o piloto da Ferrari apanhava-o. Mas não impressionava e ele continuava a andar na frente, esperando que aqueles pneus aguentassem o mais possível.

Na volta 41, Brendon Hartley parava definitivamente no seu Toro Rosso, uma volta antes de Lewis Hamilton parar para trocar de moles para supermoles. Logo a seguir, Daniel Ricciardo fez a mesma coisa, trocando para o mesmo tipo de pneus. Quando ambos voltaram à pista, o inglês era quinto e o australiano sétimo. Pouco depois, o piloto da Red Bull passou Massa, mas descobriu que tinha mais de 25 segundos de atraso para Vettel, enquanto que os cinco primeiros estavam separados... por seis segundos. Contudo, apenas na volta 59 é que o inglês apanhou Max Verstappen para ser quarto.

A parte final viu todos perto uns dos outros, tentando manter o ritmo. Hamilton tentou apanhar Raikkonen para ver se subia ao pódio ou não. Ele tentou o seu melhor, queimou pneus (enquanto que Lace Stroll ficava sem o pneu frente-esquerda...), mas no final, o finlandês da Ferrari conseguiu aguentar os ataques de Hamilton para ficar com o lugar mais baixo do pódio. Na frente, Sebastian Vettel era o grande vencedor, com Bottas atrás dele, sem o ameaçar, Raikkonen e Hamilton.

Contudo, atrás dos Red Bull de Max e Ricciardo, Felipe Massa lutava com Fernando Alonso para ver se conseguia ficar na frente do piloto espanhol. De uma certa forma, era o seu orgulho que estava em jogo, e no final, aguentou tudo, até de um Sergio Perez que espreitava alguma urucubaca vinda daqueles dois. Não deu, e Massa, de uma certa forma, conseguiu o que queria, ser sétimo, na frente de Alonso e Perez. E Nico Hulkenberg ficou com o ponto que faltava.

No final, a multidão invadiu a pista, Massa teve o final digno que merecia, e num céu limpo, o campeonato chegava a um final interessante. Claro, o pano só cai dentro de duas semanas em Abu Dhabi, mas a temporada própriamente dita deve ter acabado hoje..

sábado, 11 de novembro de 2017

Formula 1 2017 - Ronda 19, Brasil (Qualificação)

Com tudo resolvido em termos de campeonato, agora o que tempos por aí até ao cumprir do calendário não passa de competição pura. Mas se calhar é esse tipo de competição que os fãs poderão gostar mais. Ver bons desempenhos, sem ser pragmático ou querer olhar para a tabela de pontuação e usar a cabeça para arranjar estes ou aqueles pontos... não. É competição pura e dura, e em muitas ocasiões, é onde acontecem algumas excelentes corridas.

Interlagos é um bom local para isso tudo. Já virou um clássico do automobilismo, apesar dos sinais de decadência em termos de lugar e de país. A segurança tornou-se numa questão pertinente, especialmente quando membros de algumas equipas foram assaltadas à saída do circuito, incomodando muita gente.

Mas... sem chuva, a qualificação começou com uma surpresa. Estão a ver o título conquistado e aquilo que escrevi no primeiro parágrafo? Pois bem, Lewis Hamilton estava tão descontraído que se despistou no Laranjinha, quando tentava fazer a sua primeira volta rápida. Resultado final: batida e largada de último. Na realidade, não tanto de último por casa dos penalizados, Daniel Ricciardo e os pilotos da Toro Rosso. Ora bolas!

Ora, com Hamilton fora de combate, parecia que a pole poderia ir para alguém como os Ferrari, que teriam melhores chances para tal, ou então Valtteri Bottas e Max Verstappen, este último que está na mó de cima, com dois pódios (um deles uma vitória), nas últimas três corridas do campeonato. 

A bandeira verde voltou a ser mostrada oito minutos depois, e claro Vettel aproveitou, marcando o melhor tempo, abaixo do um minuto e 10 segundos (1.09,796), seguido de Verstappen. As coisas andaram assim até ao final da Q1, com os Sauber, o Toro Rosso de Pierre Gasly e o Williams de Lance Stroll entre os eliminados.

Quando começou a Q2, a chuva caiu um pouco. Os pilotos foram para a pista o mais depressa possível para marcar um tempo antes que saíssem prejudicados. Foi logo ali que Valtteri Bottas baixou o tempo para 1.08,901, estabelecendo novo recorde da pista. Os Ferrari vieram a seguir, e Fernando Alonso, bem como Felipe Massa, também marcaram bons tempos, os suficientes para passar para a Q3, o que era interessante. Aliás, nesta altura, Massa tinha um tempo que o colocava entre os Red Bull, um pequeno feito.

Bottas acabou a Q2 melhorando o seu tempo para 1.08,638, estabelecendo-se no topo da tabela de tempos, mas a seguir, Vettel faz 1.08,434 e fica com o primeiro posto, com Versatapen, Raikkonen e Ricciardo logo atrás. Alonso e Massa também iam para a Q3, bem como os Renault de Nico Hulkenberg e Carlos Sainz Jr. Sergio Perez completou o "top ten", deixando para trás Esteban Ocon, Brendan Hartley, Stoffel Vandoorne e os Haas de Romain Grosjean e Kevin Magnussen.

A Q3 começa com a incerteza no tempo, logo, quando mais cedo marca tempo, melhor. Bottas chegou e fez 1.08,442, com Vettel a reagir e fazer 1.08,360. E numa altura ideal, porque a chuva começava a intensificar-se.

Mas Bottas não desistiu e por fim, resolveu tudo com um 1.08,322, sem tempo para a Ferrari reagir. Vettel tentou, mas cometeu um erro e não conseguiu. E com Raikkonen também a não conseguir nada, era Valtteri Bottas que marcava mais uma pole para a Mercedes e a sua terceira da temporada... e da carreira.

Assim, a corrida de amanhã transformou-se num bom motivo de interesse para seguir. De uma certa forma, parece-se com o México, com Hamilton a partir do fundo da grelha, procurando por posições, tentando chegar o mais alto possivel, enquanto que o seu rival vai partir mais à frente, tentando diminuir a diferença entre os dois. Aliás, Hamilton disse logo a seguir que iria partir das boxes na corrida de amanhã. A parte chata é que o campeonato já está decidido...  

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Formula 1 em Cartoons - Brasil (Cire Box)



O "Cire Box" parece que andou este tempo todo a trabalhar noutras coisas, porque só agora nesta quinta-feira que surgiu os cartoons sobre o diluviano GP brasileiro, e sejamos honestos... tem a sua piada, especialmente na parte do Safety Car que se faz de "intervalo publicitário"... ou os queixinhas por parte dos pilotos filhos de pilotos.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Formula 1 em Cartoons - Brasil (Riko Cartoon)

Os feitos de Max Verstappen no chuvoso GP brasileiro fazem lembrar Ayrton Senna e Michael Schumacher. E ainda por cima, aquilo que o piloto holandês fez na cidade natal do piloto brasileiro fizeram com que o "Riko" fezesse esse desenho. 

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A imagem do dia

Todos sabiam que Felipe Massa estava a fazer o seu último GP do Brasil da sua carreira, depois de 15 temporadas de bons serviços na Sauber, Ferrari e Williams. Muitos também gostariam de o ter visto a acabar a corrida numa posição honrosa, onde ele poderia se despedir condignamente do seu público, mas pelos vistos, o mau tempo não o deixou. um acidente na volta 46, quando bateu forte na reta da meta, à frente das boxes... e das bancadas, para que todos pudessem ver.

O que vi a seguir foi um daqueles momentos inesquecíveis. Aquele momento em que temos a consciência de que chegamos ao final de uma era, e que não volta mais. Felipe Massa sabia que os seus quinze anos de Formula 1 tinham acabado e não voltava mais a Interlagos como piloto. Ao lugar onde foi campeão do mundo por alguns segundos, antes de Lewis Hamilton chegar a ficar com o título. Ao lugar onde ganhara dois anos antes, onde Michael Schumacher deu o seu último grande espectáculo como piloto, mostrando que queria ir embora em alta.

E claro, todas as emoções apareceram. Todos aplaudiram de pé, pelo excelente piloto que foi. Os espectadores que estavam na bancada, os mecânicos, engenheiros e dirigentes que cruzaram com ele desde 2002, todos a honrarem a sua longa carreira de piloto. Foi longa e dura, não conseguiu o título, mas foi honrosa, mesmo com os episódios deploráveis do GP da Alemanha de 2010, por exemplo. Ou quando um ano antes, na Hungria, todos suspenderam a respiração quando levou com a mola na sua cabeça e se "apagou", entrando em coma por alguns dias, recuperando o suficiente para voltar a um carro de Formula 1 no ano seguinte.

Agora... o Brasil está com medo. É provável que tenha chegado ao fim de uma era. Só fica Felipe Nasr, que fez uma excelente corrida e deu à Sauber os seus primeiros pontos da temporada. E se ficar, vai acontecer num autódromo de Interlagos que poderá mudar de administração, agora que o novo perfeito (presidente de câmara) deseja privatizá-lo. E como no Brasil, há aquela tendência de transformar parques em prédios, o receio de ver desaparecer aquela parte da cidade, aquele autódromo, às mãos da especulação imobiliária, como aconteceu no Rio de Janeiro ao Autódromo de Jacarépaguá, é real. Mesmo que todos digam o contrário, o brasileiro acostumou-se á ideia de que os políticos não dizem a verdade e que o bem público fica em segundo plano, se aparecer um promotor sem escrúpulos. Não é que exista noutros lados, ali é muito pior.

Portanto, ver a despedida emocionada de Massa poderá significar, num extremo, no fim do automobilismo brasileiro. 

Formula 1 em Cartoons - Felipe Massa (Pilotoons)

E desta vez, o Bruno Mantovni não fez uma situação humorística em Interlagos, mas sim uma homenagem a um piloto. Felipe Massa fez o seu último GP do Brasil da sua carreira, e apesar de não ter acabado a prova, teve a despedida que merecia diante do seu público, segurando a bandeira do Brasil nas suas costas, e recebendo os aplausos de toda a gente.

Logo, este cartoon de homenagem a ele não poderia ser melhor apropriado. Parabéns, Felipe!