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domingo, 17 de junho de 2012

24 Horas de Le Mans: o rolo compressor da Audi


Isto já começa a ser como no futebol: Le Mans está a ficar uma corrida de 24 horas onde no final ganha a Audi. Mas o mais interessante nesta edição de 2012 nem foi o facto de tudo se ter ficado decidido pelas oito da noite de sábado, quando o Kazuki Nakajima colocou o Delta Wing do Satoshi Motoyama para a parede e com isso danificou irremediavelmente o seu carro. O mais interessante foi ver que venceu um carro híbrido - o primeiro de sempre - e uma tecnologia de quatro rodas motrizes, o Quattro, que é de uma certa maneira, um vislumbre do futuro que vêm aí, especialmente depois de 2014, quando aparecerem os novos regulamentos e provavelmente, com mais construtores: Lotus, Mazda, Porsche...

A parte final tivemos algum drama, especialmente quando o Audi numero dois, então lider da corrida, guiado por Alan McNish, bateu na zona de Indianápolis, quando faltavam duas horas para a bandeira de xadrez. Perdeu a liderança e o trio de velhotes - os outros dois são Tom Kristensen e Reinaldo Capello - viu desta vez a vitória ser entregue aos mesmos tipos do ano passado: Marcel Fassler, Andre Lotterer e Bernard Tréluyer.

Interessante foi ver o Lola da Rebellion Racing no quarto lugar, o melhor dos privados e o unico a interferir no "rolo compressor" de Inglostadt. Nick Heidfeld, o "eterno segundo piloto" alemão, o francês Nicolas Prost, filho de Alain Prost - será que o pai não quer tentar a sorte em La Sarthe? - e o suiço Neel Jani fizeram uma corrida sem mácula e foram recompensados com esta posição final.

Por fim, não quero deixar de dar uma palavra de apreço ao Pedro Lamy. Só ouvi elogios a ele nas transmissões da Eurosport. Não no sentido bacôco e umbiguista - ou pachequista - mas no facto de muitas pessoas muito ligadas ao meio, como o Domingos Piedade, atual diretor do Autódromo do Estoril e "Team Manager" da Joest nos anos 80, onde venceu duas edições das 24 Horas, que afirmava que o  Michael Bartels lhe disse certo dia que o quarentão de Alenquer - mas ainda com cara de míudo - era como o Banco de Inglaterra: um valor seguro. E foi assim, ao conseguir vencer na sua classe, com o Corvette da Labre Competition, na Classe LMP- GT Am. E vamos torcer para que em 2013, com os novos carros e as novas equipas, ele seja escolhido para uma equipa oficial devido à sua experiência, pois bem merece.

2012 terminou, em 2013 há mais, desejando que não acabe nas primeiras horas da noite...  

domingo, 12 de junho de 2011

O final emocionante das 24 Horas de Le Mans de 2011

Por momentos, o final fez lembrar os eventos da edição de 1969. Ou então o filme de 1970, feito pelo Steve McQueen, muito parco em termos de diálogo, mas verídico em termos de emoção. O que se pode dizer no final desta corrida que... basta à Audi ter um carro a andar que eles ganham. Porque a Peugeot conseguiu levar todos os seus carros ao fim e lutou pela vitória até aos últimos metros, mas não conseguiu bater a Audi, que este ano viu os seus outros dois carros a serem eliminados de forma espectacular.

E no meio daqueles festejos, ver as caras de Olivier Quesnel, a chorar de tristeza por ter estado tão perto e ter perdido, e o olhar perdido de Sebastien Bourdais, por ter ficado mais uma vez "no primeiro lugar dos últimos" e ser cada vez mais um Bob Wollek (um dos melhores pilotos franceses de resistência, morto em 2001 em Sebring) faz-me ter pena deles e da Peugeot, que nesta década que passa está a ficar com a reputação de ser "a equipa que perde para a Audi em Le Mans". É como se fosse a "Leader" dos livros do Michel Vaillant. E claro, o Pedro Lamy repete este ano o seu melhor lugar de sempre, um segundo lugar.

E no lado dos vencedores, ver a cara de contentamento mais "expansivo" do dr. Wolfgang Ulrich justifica-se: primeiro porque é um novo carro, o modelo R18 de cabine fechada, segundo porque tinham perdido em toda a linha na prova anterior, nos 1000 km de Spa-Francochamps e por último, os eventos das últimas horas, primeiro com o Alan McNish e depois com Mike Rockenfeller. Herr Doktor dedica esta vitória à resistência do carro aos piores acidentes que se pode ter, e claro, todos queriam dedicar isto a "Rocky", que está no hospital a recuperar do susto.

Da tensão para a festa. E aos nossos olhos vimos acontecer, sem nos aprecebemos totalmente, que esta é uma edição que vai ficar na nossa memória por muito tempo. E contaremos à nossa próxima geração, que faziamos e que idade tinhamos quando vimos em 2011, num espaço de quinze dias, um piloto a perder a prova a cem metros do fim - em Indianápolis - e uma prova de resistência a ser decidida por quinze segundos. E aos que viram a prova de 1969 ser decidida em 120 metros, poderemos dizer em resposta - nós, os que não estavam nascidos nesse ano - que o de 2011 não foi tão chata assim...