quinta-feira, 1 de maio de 2008

GP Memória - San Marino 1983

Há 25 anos atrás, a Formula 1 estava a chegar ao seu quarto fim de semana de competição, o GP de San Marino. Nesta altura, os adeptos tinham visto um campeonato equilibrado, com três vencedores diferentes, mas sabiam que Brabham e Renault eram os melhores carros do pelotão, seguidos de perto pela Ferrari. Todos eles eram carros equipados com motores Turbo, logo, com mais potência do que os motores Ford Cosworth aspirados que equipavam os McLaren e os Williams, por exemplo.

Quando máquinas e pilotos chegaram a Imola, os "tiffosi" ainda tinham em mente aquilo que tinha acontecido um ano antes, quando Gilles Villeneuve e Didier Pironi se envolveram numa batalha fratricida, que desencadeou na trágica morte do carismático piloto canadiano, na prova seguinte, em Zolder. O seu substituto era Patrick Tambay, o melhor amigo do canadiano (e padrinho de baptismo de Jacques Villeneuve). Conscientes disso, os "tiffosi" queriam que Tambay ganhasse, em memória do seu amigo.

Nos treinos, a Ferrari dominava, mas o "poleman" era René Arnoux, tendo a seu lado Nelson Piquet. Tambay era terceiro, tendo a seu lado Alain Prost, no seu Renault. Na terceira fila, o segundo Brabham de Riccardo Patrese alinhava ao lado de Eddie Cheever, no segundo Renault. Supreendente era Manfred Winkelhock, que punha o seu ATS-BMW no sétimo posto, lado a lado com Andrea de Cesaris, no Alfa Romeo.

Coincidência ou não, o terceiro lugar de Tambay era o mesmo que Villeneuve ocupava um ano antes. E os "tiffosi" não se tinham esquecido disso. Tanto assim que desenharam uma folha de ácer no lugar, emocionando o simpático francês pelo carinho demonstrado. Era mais uma das inumeras que existiam ao longo do circuito, mas esta tocou no coração do francês...

Na partida, Arnoux larga na frente, enquanto que Piquet ficava parado na grelha, vendo os outros passar. Empurrado pelos comissários, lá arrancou, mas pouco tempo depois, ele encostou à berma, vítima do motor. Atrás dos dois Ferrari, ia Riccardo Patrese, que queria fazer aqui a prova da sua vida. Logo na primeira volta ultrapassa Prost e instala-se no terceiro posto, atrás dos dois Ferraris, com Arnoux à cabeça. Na volta seguinte, ultrapassa Tambay e na volta sete, ganha a liderança a Arnoux.

Até à volta 20, as coisas andam assim. Depois, o francês do carro 28 vai para as boxes, inaugurar um procedimento que o Cavallino Rampante não fazia há 35 anos: o reabastecimento. Quando chega a vez de Tambay, este faz seis voltas mais tarde, e fica atrás de Arnoux, Prost e claro, Patrese. O italiano certo no carro errado impunha um ritmo acelerado, determinado a ganhar aqui. E parecia que esse paradoxo iria acontecer...

Contudo, à volta 34, é a vez de Patrese reabastecer. Ansioso por ganhar aqui, a sua impaciência levaria a cometer um erro: passa da marca das boxes, danifica uma das pistolas de ar, fazendo com que se arranjasse um substituto. Resultado: 21 eternos segundos perdidos, e o italiano a regressar à pista na segunda posição, com mais de dez segundos de vantagem sobre Patrese. Foi aí que o italiano faz a recuperação da sua vida.

Em quinze voltas, da volta 35 à volta 50, Patrese bate sucessivamente o recorde de pista do circuito e recupera os dez segundos de desvantagem que tinha sobre Tambay. Para piorar as coisas, o motor de Tambay começava a falhar e o Brabham fez a sua manobra de ultrapassagem na volta 55, mais concretamente na Curva Tosa. O silêncio tomava conta do circuito.

Contudo, era de pouca dura. Na curva seguinte, Acqua Minerale, Patrese sai largo e bate no muro de pneus que lá estava. O circuito entra em delírio com esta visão, e o seu piloto numero 27 era de novo o líder! E assim foi até ao final, mesmo com o seu companheiro Arnoux a despistar-se, e perdendo o segundo lugar para Alain Prost. Quando Tambay cruzou a meta, a multidão entrou em delírio. Para eles, era a reparação de uma injustiça, um ano depois do que tinha acontecido. Invadiram a pista e levaram Tambay pelos ombros, levando a que fosse escoltado pela policia para que pudesse chegar ao pódio.

No final, num pódio todo francês, ele afirmou emocionado: "Juro que não era eu que estava pilotando aquele carro. Eu sentia como se Gilles estivesse comigo". Se assim foi, então o espírito de Gilles Villeneuve podia finalmente descansar em paz.

2 comentários:

Lucas Sena disse...

Fan-tás-ti-co

Wilbirá Miranda disse...

27 é um número lendário na F1.