quinta-feira, 2 de junho de 2016

Atravessar a passadeira não é tão fácil como parece

Ontem, por estas bandas, entrou em vigor a carta por pontos. A partir de agora - um pouco diferente do que acontece em Espanha - temos todos doze pontos na nossa carta de condução, e o nosso objetivo é não perder nenhum deles, se queremos mantê-la. E isso fez-me lembrar de um pequeno incidente que aconteceu esta segunda-feira, quando saí de casa. Atravessava calmamente a passadeira para piões que existe na rua à frente da minha casa- ia fazer compras no supermercado mais próximo, por isso, dispensava o automóvel, quando vi um Opel Corsa branco a passar por ali sem abrandar... e eu ainda a atravessava. Corri para não ser atropelado e berrei para o condutor, que tinha parado para pedir desculpa pela manobra. Berrei uns insultos e segui em frente, matutando sobre o que acontecia.

Ontem, descobri que quem não parasse na passadeira para peões, com pessoas a passar, perderia dois pontos na carta de condução. Lembrei-me então do tal incidente, e reparei que quase todos os que não param são idosos, que tiraram a carta no tempo em que isso não existia. Eles ainda acham que as zebras pintadas no asfalto são isso mesmo: coisas pintadas no asfalto, sem saber o seu significado. Tendo eles um carro, acham que as pessoas tem de se afastar da sua frente, se não querem ser passadas por cima. O que não sabem - e provavelmente nunca saberão - é que, como nos cruzamentos com o sinal do triângulo invertido, nas passadeiras, eles perdem a prioridade em favor dos peões. Especialmente as crianças e os idosos.

Parecendo que não, mas os atropelamentos nas passadeiras também são uma chaga. Há uns cinco anos, a média de acidentes mortais nas passadeiras era de 75 por ano em Portugal. A maior parte acontecem no centro das cidades, e muitas das vezes, o sinal para piões - quando existe - está no verde para os pedestres. De uma certa forma, quando visto a pele do peão, sinto-me um cidadão de segunda, com o dobro ou o triplo de cuidados, especialmente nas retas, onde o condutor adora ir a alta velocidade, mesmo estando no meio de uma cidade, por exemplo. Ou acham que cumprem o limite dos 50 km/hora?

Tendo a sensação que as pessoas olham para as passadeiras como um gigantesco "quebra-molas" ou outra coisa qualquer, mas nunca para aquilo que serve realmente. E na altura em que tirei a carta de condução, há mais de vinte anos, não parar na passadeira quando havia peões a atravessá-la, era passível de chumbo no exame de condução. E isso foi uma das razões que não passei a primeira nesse exame...

Em suma, é uma questão de civismo. Se os mais novos sabem o que é isso, os mais velhos já não tem cura. É como os cães e os truques que aprendem, a partir de uma certa idade, o cérebro já não absorve mais nada, e só esperamos que a Natureza siga o seu curso e coloque na estrada pessoas mais preparadas e mais alertadas para as regras do Código da Estrada. Mas depois, quando vemos dezenas de pessoas a atender o telemóvel enquanto guiam, parece que é melhor tirar logo a carta para ver como é que sobreviviam sem automóvel (a propósito, falar ao telemóvel no volante também são menos dois pontos na carta...)

Em suma, vou desejar que esteja sempre atento, porque o risco de ser atropelado sempre existe.

2 comentários:

Diogo disse...

Meu caro.
Parabéns pelo seu blog e pelos seus artigos. Peço-lhe que reveja o texto porque em alguns pontos troca a palavra "peão" por "pião".
Abraços

Paulo Alexandre Teixeira disse...

Não reparei. Obrigado pelo aviso!