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terça-feira, 22 de maio de 2018

O regresso do Dakar a África?

As dificuldades da organização do Rali Dakar em fazer um percurso extensivo para a edição de 2019 - que vai ser totalmente em solo peruano - faz com que se fale cada vez mais no regresso a África a partir de 2020. Já se falou há uns tempos que representantes do governo argelino estiveram em Paris a falar com a Amaury sports Organization (ASO) e agora, esta terça-feira, a Autosport britânica fala de novo que a hipótese africana está em cima da mesa, algo que não acontece desde 2008.

Em declarações à Autosport britânica, Ettiéne Lavigne, o diretor da ASO, coloca essa chance. "Você pode imaginar que com o contexto deste ano, é uma necessidade para nós pensarmos noutros locais, porque não podemos continuar sofrendo com decisões dos quais não podemos controlar", disse. 

Lavigne fala sobre a decisão do governo chileno que decidiu à última da hora abdicar de receber o rali, o que fez adiar a decisão da organização em apresentar o rali por uma semana.

E a matéria não só confirma os contactos com o governo argelino, como também fala de contactos com os governos de Angola e Namíbia, no sentido de receber a prova no deserto do Kalahari. "Começamos a trabalhar há vários meses para construir contatos em outros países, como Argélia, Angola e Namíbia. Fizemos várias viagens à Argélia para nos reunirmos com os líderes políticos e sabemos que há uma disposição para organizar um evento deste tipo", contou.

"Todas as equipas e pilotos esperam todos os anos para ter um Dakar atraente e interessante. É por isso que você tem que pensar em outros países para as próximas edições", concluiu.

A Argélia era um dos países originais a receber o Dakar, entre 1979 e 1993, enquanto Angola e Namibia foram dois dos países onde o Dakar passou em 1992, quando decidiu ligar entre Paris e a Cidade do Cabo.

sábado, 2 de janeiro de 2016

O Rali Dakar considera um regresso a África

O Dakar 2016 arranca hoje com o Prólogo, em Buenos Aires, mas parece que não há garantias da sua continuidade na América do Sul nos anos seguintes. Depois de sabermos que esta edição teve de ser alterada a meio do caminho quando Peru e Chile desistiram de o ter por causa dos prejuízos causados pelo "El Niño", ficando a Bolivia com boa parte dessa despesa, as garantias de que a Argentina poderá continuar após este ano não estão cobertas, agora que há novo governo em Buenos Aires. Assim sendo, o regresso a África é algo do qual a ASO anda a pensar desde há algum tempo.

Segundo conta numa entrevista publicada hoje no jornal Marca, Etiénne Lavigne, o diretor do Dakar, considera um regresso a África, nomeadamente na parte sul, e confidenciou que andou a conversar com as autoridades angolanas em 2014, com a ideia de fazer um rali que começaria em Luanda e acabaria na Cidade do Cabo.

"No sul de África Angola, Namíbia e África do Sul, há terrenos para montar este tipo de competição", começou por declarar o director de corrida. "Estamos a falar há dois anos com Luanda, a capital da Angola. A geografia do continente permite fazer a prova. No norte de África é impossível devido à situação política", concluiu.

De facto, a imprensa angolana afirmou no inicio de 2014 que a organização pensava fazer um rali trans-nacional, com a ajuda do Ministério da Juventude e Desportos. O projeto foi apresentado em setembro desse ano, mas até então não se tem ouvido falar mais nada. Para piorar as coisas, a situação económica do país, altamente dependente do petróleo, fez com que o interesse possa ter arrefecido.

Marc Coma, agora o diretor desportivo da competição, afirmou que apesar de faltar muito por descobrir na América do Sul, o rali tem uma origem africana, do qual não pode ser negligenciado.  "O Dakar tem sido uma carreira em constante evolução e estabeleceu-se na América do Sul de uma forma que ninguém poderia imaginar em 2009", afirmou. "Há muito para descobrir por aqui, mas também é verdade que as origens do Dakar estão em África, e em algum momento, se existir uma situação no qual pode ser levantado de novo [voltaremos], mas, no momento, infelizmente, não é possível", concluiu.

Resta saber como vão ser as coisas a partir de 2017, mas aparentemente, tudo está em cima da mesa.

terça-feira, 23 de março de 2010

Noticias: Dakar continua na América do Sul para 2011

Depois de muita especulação sobre o futuro próximo do Rali Dakar, que poderia passar por um regresso a Africa já na edição de 2011, a ASO, entidade organizadora, anunciou esta tarde, pela voz do seu presidente, Etiene Lavigne, que a próxima edição continuará a ser na América do Sul, entre os dias 1 e 16 de Janeiro.

Estamos a ver o que pode ser feito em termos de novidades. Temos ideias, na América do Sul, mas em outros países”, admitiu o director do Dakar. Essa declaração levantou imediatamente a hipótese de países como o Peru e o Brasil poderão ser comtemplados. quanto a um eventual regresso a Africa num futuro próximo, é algo que Lavigne não descarta. Contudo... “é complicado levar o Dakar a vários países [africanos] no contexto actual”, sublinhou.

Já os responsáveis pelo Turismo de Argentina e Chile, países que acolheram a caravana em 2010, estavam contentes com este anuncio. “É um sonho tornado realidade. Nos últimos dois anos, para além do aspecto desportivo, conseguimos mostrar a todo o mundo as nossas paisagens e gentes. Estamos muito orgulhosos por receber o Dakar outra vez”, frisou o secretário de Estado do Turismo argentino, Enrique Meyer.

Já o ministro chileno do Desporto, Ruiz Tagle, sublinhou ser “uma honra” ver o Chile confirmado como co-anfitrião do Dakar em 2011. “Gostaríamos de destacar a importância deste evento numa altura em que o nosso país está a sofrer as consequências de um terramoto devastador. Este Dakar vai ajudar-nos a olhar para o futuro e demonstrar que o Chile é capaz de ultrapassar tamanha tragédia”, apontou.

Desde que o Rali Dakar foi anulado no inicio de 2008 devido a ameaças terroristas, este tem vindo a decorrer nas areias da América do Sul, especialmente no Chile e na Argentina. Com um percurso de ida e volta a Buenos Aires, o percurso em detalhe será conhecido ao público no próximo dia 29 de Abril.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Dakar não é só ralis...

Apesar deste ano não ter havido Rali Dakar, isso não implica que a capital do Senegal não tenha mais automobilismo. A prova disso é a recente inauguração do "Circuit de Dakar - Baobabs", um circuito de 4,7 quilómtetros de 21 curvas, que foi recentemente inaugurado pelo mítico Jacky Ickx, seis vezes vencedor das 24 Horas de Le Mans.
E é por causa disso que no fim-de-semana de 21 e 22 de Fevereiro, vai acontecer as primeiras 24 Horas realizadas nesta parte de Africa. Organizada pela Cerventic, que está por detrás das 24 Horas do Dubai, tem 20 carros inscritos na competição, desde Porsches e BMW a alguns Volkswagen Golf TDi, a organização quer afirmar-se como a principal corrida de resistência no continente africano e não deverá ter muitas dificuldades em afirmar-se como tal. Está-se mesmo a ver que o Senegal ficou com o bichinho do automobilismo...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A história de um pequeno milagre

Fazer ralis em lugares recônditos é o melhor exemplo como a carolice, a paixão e o poder de improvisação, muitas das vezes supera a falta de profissionalismo que se pode encontrar em muitos outros lugares do Mundo.

No continente africano, tirando a Africa do Sul e o Norte de Africa, poucos são os países que se podem gabar de ter uma estrutura minimamente profissional. E no Zimbabwe, outrora o "celeiro de Africa", agora governada por Robert mugabe, o homem que está no poder desde a independência, em 1980, e que regista uma inflação multimilionária, fazer este ano o Rali do Zimbabwe foi no mínimo, um milagre.

A história, contada pelo mítico jornalista Martin Holmes no jornal português Autosport, tem todos os contornos de filme de Hollywood: "Há uma adaptabilidade incrível, uma notável 'fuga para a frente' na mentalidade das pessoas. Este é um país onde não existe sequer dinheiro suficiente a circular para, pelo menos, estagnar a inflacção. Os patrocínios, são em géneros, e se for necessário dinheiro, há que vender esses mesmos produtos. Como habitualmente, o evento foi patrocinado pela Dunlop."

O resto da história podem ler aqui, mas em termos competitivos, pode-se dizer que o vencedor foi o japonês Hiroshi Miyoshi, no seu Mitsubishi Lancer Evo IX, à frente de alguns concorrentes sul-africanos. com apenas uma prova por disputar, o vizinho Rali da Zambia, Miyoshi é o virtual campeão africano de ralies. Mas ver uma prova dessas a ser realizada, nos dias que correm nesse país, roça o milagre...

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Extra-Campeonato: A Mudança está a acontecer




Desde o passado Sábado que um país está suspenso do resultado de umas eleições gerais: o Zimbabwe. Um país africano, que já foi governado pela minoria branca (tal como na Africa do Sul), e que desde 1980 é liderado pela mesma pessoa: Robert Mugabe.



A principio um respeitado líder africano, que podia apresentar o país como um caso de sucesso, próspero, e onde todos se respeitavam, a partir de 2000, as coisas perderam o controlo, com a confiscação à força das terras pertencentes a fazendeiros brancos, e entregues à "clique" de Mugabe, cada vez mais com um comportamento ditatorial. Resultado: economia paralisada, inflação galopante, mais de três milhões de emigrantes (actualmente, 80 por cento da minoria branca exilou-se no estrangeiro), e a oposição brutalmente espancada.



Quando se votou no Sábado, temia-se que tudo ficaria na mesma, e que Mugabe só sairia do poder "num pijama de madeira". Tem 84 anos, e muitos tiques de chefe tribal, para além de se falar que ele está demente. A União Europeia impôs sanções aos dirigentes do país, mas o respeito que ele têm dentro da Africa Austral, como sendo um dos homens que se envolveu nas lutas pela libertação colonial foi o suficiente para impôr a sua presença em Lisboa, para a Cimeira Europa-Africa, no passado mês de Dezembro.



Bom, mas desde Sábado, tudo mudou. Primeiro, pensava-se que iria ser uma vitória mais ou menos arranjada de Mugabe e do seu partido, o ZANU-PF. Mas o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, antigo sindicalista e líder do MDC, Movimento para a Mudança Democrática, parecia ter uma palavra a dizer. E a entrada de outro elemento na corrida, o ex-ministro das Finanças Simba Makoni, um dissidente da ZANU, mostrava que poderia haver um sinal de mudança no ar.


Os resultados têm saído a conta-gotas, mas quando saiam, eram no mínimo surpreendentes: a ZANU-PF pderia deputados atrás de deputados, o MDC conseguia competir taco a taco (podendo até alcançar a maioria), e falava-se que na corrida presidencial, Tsvangirai era o líder, mas iria haver uma segunda volta com Mugabe. E que "o Velho" poderia ir embora do poder, e exilar-se na Malásia, e estaria a haver conversações para uma transição de poder pacífica, evitando uma agitação "à queniana" por parte dos partidários da ZANU-PF.


Contudo, todos apelam à calma, pois nada está decidido. Os resultados oficiais ainda não foram divulgados, mas se forem pelo mesmo caminho do das legislativas, uma coisa é certa: o fim de uma era de ditadura e desastre pode estar a chegar a um fim. Nesse lado, tenho esperança. Mas como vai ser o dia a seguir à partida de Mugabe? Tamos a falar de um país com quase um terço da população exilada, um quarto dela a viver com o virus do HIV/SIDA e uma esperança mádia de vida de 36 anos, ao nível de uma Serra Leoa... e a inflação de 100 mil por cento.

quarta-feira, 21 de março de 2007

Extra-Campeonato: A última loucura de "bwana" Mugabe


O Zimbabwe é neste momento o assunto do dia nas bocas do Mundo. Trata-se de um caso perdido em África, pois é liderado pela mesma pessoa desde a sua independência, em 1980, e governa aquilo como se fosse o seu quintal, tentando esmagar todos aqueles que se opõem. O que é pena, pois na altura em que ele tomou o poder, era um dos mais prósperos do continente africano…

Desde há muito que reprime a oposição: ameaças, prisões… mas desde a algumas semanas a esta parte que a coisa piorou. Essa repressão foi tão forte que o seu líder, Morgan Tvansgirai, foi brutalmente espancado pela polícia e teve que ir para o hospital, com ferimentos graves na cabeça. Já teve alta, mas lá continuam as cicatrizes...

Em vez de ele agir correctamente e retirar-se, ensaia a "fuga para a frente", de uma maneira hostil. Já disse que a oposição para "que se vá enforcar", e já ameaçou os diplomatas ocidentais que irá "correr com eles". E a piada é que muitos dos seus vizinhos, que até agora se tinham calado, já começaram a barafustar-se, sabendo que ele já se tornou num embaraço, engrossando a longa lista de ditadores que aquele continente conheceu demasiado bem nos últimos 40 anos.

Há uns tempos atrás, conheci uma pessoa que tinha ido ao Zimbabwe, no ano passado e disse-me que aquele país está à beira do colapso. Tem uma inflação a 1700 por cento, dezenas de milhares de refugiados, sem tecto e a morrer à fome, o campo é improdutivo especialmente depois de ter corrido com os brancos, não eram só os donos da maior parte da terra, como os que sabiam produzir, um desemprego a 80 por cento... tudo isso, segundo ele, é obra de um homem senil (Mugabe tem agora 83 anos)

Ora, isto tudo faz-me lembrar os tais ditadores do passado, como o Idi Amin, (agora retratado em filme) que tiveram megalomanias e abusos de poder, e acabaram mal, depostos por golpes de estado ou assassinados. Algo me diz, em jeito de conclusão, que se aquele país quer ser salvo, a melhor maneira é livrar-se dele.