Apesar dos eventos que aconteceram esta sábado neste país à beira-mar plantado, ainda consegui ver alguns bocados das Seis Horas de São Paulo. Vi que muitos dos meus amigos e conhecidos foram a Interlagos ver as máquinas de perto, tirar fotos com os pilotos que gostaram de tirar, algo que nunca será visto na Formula 1, dada a proximidade e a facilidade das pessoas a circularem no paddock. Vi isso nos álbuns que colocaram no Facebook. Li isso através das crónicas do Daniel Médici, e observei a cara de felicidade do Rodrigo Mattar, longo adepto da Endurance e que para ele, mesmo estando ali em trabalho, deve ter sentido como que tivesse ganho a lotaria.
O resultado das Seis Horas de Interlagos vai ficar na história da Endurance, pois foi a primeira vitória do Toyota Hybrid, duas corridas após a sua estreia em Le Mans. Alexander Wurz e Nicolas Lapierre conseguiram bater os Audi e-tron de Marcel Fassler, Andre Lotterer e Bernard Treulyer, bem como Tom Kristensen, Alan McNish e Lucas di Grassi - o brasileiro num "one-off". Provavelmente, ouviram-se muitos suspiros de alivio, o primeiro em Tóquio, a sede da Toyota, por ver que a aposta começa a dar os seus primeiros frutos, em Paris, sede da FIA, pois por fim, outra marca que não a Audi venceu o Mundial de Endurance, relançada esta temporada graças aos esforços de Jean Todt, e em Le Mans, na sede da ACO.
Até aposto que em Inglostadt, sede da Audi, se devem ter lançado alguns suspiros de alivio por desta vez não terem ganho...
Apesar de faltar mais três provas para o final do campeonato - passagens pelo Bahrein, Fuji e Xangai - muito provavelmente o campeonato aquecerá mais um pouquinho, mas parece que a Audi tem isto controlado, com os pilotos a controlarem entre si quem vai ser o campeão. Mas creio que aos poucos observamos que a Endurance está a ser uma aposta ganha. Vi as caras felizes dos meus amigos "petrolheads" em Interlagos, vi a felicidade no rosto de Emerson Fittipaldi, um dos organizadores das Seis Horas de Interlagos, vi a felicidade de muitos profissionaism na sala de imprensa, a posarem ao lado do enorme troféu, mais bonito do que as "poias" corporativas que agora vemos nos pódios da Formula 1. Aliás, com a colocação agora de uma espécie de "pódio-padrão", fico com cada vez mais a sensação de que agora sim, é um entretenimento e não uma competição.
Mas voltando às Seis Horas, creio que esse impacto positivo - que compensou a falta de público na pista brasileira - poderá fazer com que no ano que vêm, provavelmente mais gente venha ao autódromo e ver de novo aquelas máquinas. O impacto foi grande e positivo, é isso que observo de fora, e é essa a marca que fica. Os próximos anos irão ver, quer no caso das Seis Horas de Interlagos, quer no WEC em geral, se esta é uma aposta ganha. É por isso que gosto de automobilismo: é muito mais do que a Formula 1. E os que tiveram lá, podemos dizer que são verdadeiros "petrolheads".









