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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

GP Memória - Africa do Sul 1966

A meio da década de 60, o Ano Novo para muitos pilotos de Formula 1 era passado em paragens sul-africanas, onde se disputavam algumas corridas por lá, integrados no campeonato local de Formula 1 (Sim, existiu. E escrevi sobre eles há pouco tempo), e por vezes o dia de Ano Novo era aproveitado para correr a principal prova do calendário local: o GP da África do Sul.

Em 1966, iriam entrar as novas regras em relação aos motores, que iriam dobrar dos 1.5 litros para os 3 litros, com a maior parte das equipas a construírem motores V12. Contudo, isso era algo que ainda estava no começo, e teriam de arranjar algumas soluções provisórias enquanto os motores definitivos não estavam prontos. E na África do Sul, a corrida veio tão em cima dessa mudança de regulamento que decidiu ser uma prova extra-campeonato, já que iria ser corrido a partir do ano seguinte no circuito de Kyalami, que estava a passar por obras de remodelação.

Apesar disso, algumas equipas oficiais iram participar por ali. A Brabham trouxe dois carros para Jack Brabham  -o único que tinha um carro pronto de acordo dom as novas especificações - e Dennis Hulme, enquanto que a Lotus trazia dois modelos 33 com motor Climax para Mike Spence e Peter Arrundel, que regressava à competição após um ano de ausência devido a um acidente a meio de 1964 em Reims. Já Rob Walker trazia dois Lotus-Climax para Jo Siffert e Jo Bonnier, enquanto que Reg Parnell tinha dois Lotus, um com motor BRM para Innes Ireland, e outro com motor Climax para o australiano Paul Hawkins.

Um BRP também alinhava nesta corrida, para o americano Richie Ginther, enquanto que Bob Anderson alinhava com o seu Brabham BT11 privado.

Já do lado local, eram muitos pilotos, capazes de baterem o pé aos estrangeiros. A scuderia Scribante tinha Dave Charlton e Jackie Pretorious, o primeiro num Brabham-Climax e o segundo num Cooper-Climax, enquanto que o resto alinhava em inscrições individuais. John Love tinha dois carros em seu nome, ambos Cooper-Climax, com o segundo a ser corrido por Tony Jeffries, enquanto que Pieter de Klerk estava num Brabham, Douglas Serruier num LDS-Climax, Sam Tingle num LDS e Clive Puzey num Lotus-Climax. Para finalizar, estava o britânico David Prophet, num Lotus com motor Maserati.

Como seria de esperar, Jack Brabham e Dennis Hulme ficaram com a primeira fila da grelha, com Brabham a ser o melhor, enquanto que Mike Spence entre eles, na segunda posição. John Love era o melhor dos locais, sendo quarto na grelha no seu Cooper. Innes Ireland era o quinto, seguido por Richie Ginther, enquanto que Pieter de Klerk foi o sétimo, seguido por Bob Anderson, enquanto que a fechar o “top ten” estavam o Lotus de Jo Bonnier e o Brabham de Dave Charlton.

O dia da corrida acontecia debaixo de céu nublado e alguma chuva, apesar de ter parado por alturas do inicio da corrida. Na partida, Mike Spence conseguiu ser mais veloz do que os Brabham e ficou com o primeiro posto, enquanto que atrás, John Love tinha problemas e perdia tempo para ajustar o volante, antes de largar e recuperar o tempo perdido.

Na segunda volta, Brabham passou Spence e começou a afastar-se dele, ganhando segundo após segundo nas voltas seguintes, enquanto que ele aguentava Dennis Hulme, enquanto que Innes Ireland era o quarto, adiante de De Klerk. Entretanto, a pista começou a secar por completo e a distância entre Brabham e Spence estava estabilizada nos cinco segundos, ao mesmo tempo que aconteciam as primeiras desistências, com Ginther a despistar-se e a bater em Bonnier, sem consequências fisicas.

Outro dos que se despistaram foi Bob Anderson, com os comissários de pista a decidiram empurrá-lo para o colocar de novo na pista. Isso aconteceu, mas a organização decidiu depois desclassificá-lo por este gesto.

Nada de especial aconteceu até à volta 49, quando a bomba de injeção do carro de Jack Brabham avariou, colocando-o de lado e terminando ali a sua impressionante corrida. Isso deixou Mike Spence na liderança, e isso aconteceu até ao final, com quase duas voltas (!) de avanço sobre Jo Siffert. Peter Arrundell era o terceiro, enquanto que Dave Charlton foi o melhor dos locais, na frente de Sam Tingle e John Love. 

sábado, 19 de dezembro de 2015

A história do campeonato sul-africano de Formula 1 (Parte 3)

(continuação do capitulo anterior)


O PRIMEIRO PATROCINADOR DA FORMULA 1


No primeiro de janeiro de 1968, foi abolida a lei que obrigava as equipas a pintarem os seus carros de acordo com as cores dos seus países. Ou seja, os britânicos não eram mais obrigados a andar de verde, os franceses de azul, os italiano de vermelho ou os americanos de branco com faixas azuis. E isso fez com que os carros pudessem ser pintados de acordo com os seus patrocinadores.

A lenda conta-se que o primeiro a fazer isso foi Colin Chapman, que contactou a Imperial Tobacco sobre se não queriam ter o seu produto nos Lotus de Jim Clark e Graham Hill, logo em janeiro, quando estivessem a correr na Tasman Series. A troco de 60 mil libras para a Formula 1 e a Formula 2, e porque Geoffrey Kent, o presidente da Imperial Tobacco, achou "patriótico patrocinar uma equipa de Formula 1", Chapman ficou creditado como o percursor dos patrocínios na categoria máxima do automobilismo.

Na realidade, não foi bem assim. Na passagem do ano de 1967 para 1968, os pilotos estavam em paragens sul-africanas para correrem na primeira prova do ano, em Kyalami, e entre os Brabham e Lotus verdes, os Ferrari vermelhos e os Matra azuis, havia uns estranhos carros laranjas e castanhos. Eram os carros de John Love, Sam Tingle e Basil van Rooyen, pintados com as cores do seu patrocinador, os cigarros Gunston. Love alinhava num Brabham, Tingle no seu LDS e van Rooyen no Cooper T79 que quase tinha levado Love à vitória no ano anterior. 

Não era um patrocinador novo, pois estava com Love desde 1962, mas nunca pode usar as suas cores nos chassis dos carros que ele arranjou ao longo desses anos. Contudo, com o fim do regulamento que restringia a decoração dos carros às cores nacionais, eles decidiram aproveitar logo no primeiro dia.

Contudo, em termos de corrida, isso de pouco lhes valeu, pois Love não conseguiu mais do que o nono lugar, e o único a chegar ao fim, sendo o melhor dos locais numa corrida marcada pela 25ª e última vitória de Jim Clark na sua carreira, quatro meses antes do seu acidente mortal, em Hockenheim.

Em termos de campeonato nacional, alguns pilotos aproveitaram a proximidade do GP para correrem na primeira prova do ano, em Killarney. Jean-Pierre Beltoise levou o seu Matra à corrida e foi o vencedor, na frente de Jackie Pretorious e Sam Tingle, enquanto que Dave Charlton e John Love desistiram. Mas depois, Love venceu as três provas seguintes, o Rand Autumn Trophy, o Coronation 100 e o Republic Day Trophy, com Pretorious o unico a acompanhá-lo. Basil van Rooyen ven eu no Natal Winter Trophy, numa altura em que Love já tinha um Lotus 49, para vencer em East London e no Rand Winter Trophy, em Kyalami. Jackie Pretorious e Dave Charlton venceram nas duas corridas seguintes, mas Love voltava a ser campeão, com um avanço de 14 pontos sobre a concorrência mais próxima.


A PASSAGEM DO TESTEMUNHO


Parecia que por esta altura não haveria rival para o piloto rodesiano a não ser um seu compatriota, Sam Tingle, este um pouco mais velho do que ele (em 1968 tinha 47 anos!), mas no horizonte já espreitava um piloto com talento, mas sem uma máquina à altura, pois parecia que a Gunston tinha dinheiro mais do que suficiente para conseguir as máquinas mais desejadas da competição. A grande rival da Gunston era a Scuderia Scribante, uma equipa feita no inicio da década por Neville Lederle, para os seus carros, mas que depois foi gerido por Alex Blignaut, que tinha sido piloto em 1963, sem resultados de relevo. Em 1966 passou para o dirigismo, quando Lederle abandonou o automobilismo, mudando o nome para Scuderia Scribante e recrutando Dave Charlton para ser seu piloto.

Nascido a 27 de outubro de 1936 em Brotton, no Yorkshire inglês, Charlton veio para a África do Sul aos dez anos de idade. Cedo abandonou a escola e envolveu-se no automobilismo, primeiro na mecânica, e depois começando a competir, logo em 1960, aos 24 anos, num Austin Healey, vencendo a sua primeira prova, em East London. Contudo, só se virou para o campeonato em 1965, com um Lotus 20 da Ecurie Tomahawk, não conseguindo qualificar-se para a corrida.

No ano seguinte, porém, foi para a Scuderia Scribante, onde ficaria o resto da sua carreira, tornando-se no grande rival de John Love. Venceu três corridas em 1966 (Khumalo, Lourenço Marques e Kyalami), acabando no terceiro lugar do campeonato, e no ano seguinte, duas em Kyalami (Rand Autumn Trophy e o Rand Spring Trophy), sempre num Brabham BT11, acabando de novo no terceiro lugar, atrás de Love e Tingle. Em 1968, a bordo de um Lola-Chevrolet, apenas venceu o Rand Spring Trophy, em Kyalami.

Em 1969, a fasquia ficou bem elevada. A Gunston tinha comprado um Lotus 49 para Love, e ele dominou a competição, enquanto que Charlton apenas conseguiu uma vitória em Khumalo, com o seu Lola. Sabendo que as coisas teriam de se mudar, se queriam quebrar o dominio de Love, teriam de ficar a par em termos de máquina, senão superá-lo. Assim sendo, também arranjaram a máquina do momento, um Lotus 49 ex-de fábrica.

A temporada de 1970 parecia que iria ser como as outras, pois Love vencera na prova de abertura, a 10 de janeiro, na Cape South Trophy, em Killarney. Charlton tinha desistido, mas na Highveld 100, a 31 de janeiro, em Kyalami, Charlton vencia, com Love em segundo, e o mesmo resultado se repetiria na Coronation 100, em Pietmaritzburg. Mas a 6 de junho, quando regressaram a Kyalami, para o South African Republic Festival Trophy, Charlton foi segundo, numa corrida ganha por Pieter de Klerk, mas o seu rival Love tinha sido apenas o sexto.

Apesar desta vantagem, parecia que tudo voltaria à estaca zero quando desistiu na Bulawayo 100, em terras rodesianas, pois o vencedor tinha sido Love. Mas a partir dali, Charlton venceu as cinco provas seguintes, terminando o campeonato como vencedor, com 69 pontos contra os 37 de Love. Pela primeira vez desde 1964, havia um campeão diferente, e Charlton, doze anos mais novo do que Love, era o símbolo do futuro.

(continua amanhã)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

A história do campeonato sul-africano de Formula 1 (Parte 2)

(continuação do capitulo anterior)


JOHN LOVE, O PRIMEIRO DOMINADOR


Em 1963, sem Hocking, os grandes rivais para o campeão Pieterse eram Pieter de Klerk e Neville Lederle, já que outros pilotos, como John Love, tentavam a sua sorte em paragens europeias. Como Pieterse, Lederle tinha também um Lotus 20 para correr no campeonato, e foi algo fácil para ele, pois se tornou campeão com seis vitórias em nove possiveis, contra dois de De Klerk e uma de Syd Van der Vyer. Pieterse não ganhou qualquer corrida.

Já quando a Formula 1 regressou a East London, a 22 de dezembro, Lederle tinha-se lesionado num acidente e não participou, enquanto que todos os pilotos relevantes estavam lá, incluindo John Love, que foi o melhor dos locais... isto, se excluirmos Tony Maggs, que tinha sido décimo na grelha e sétimo na corrida. Maggs continuava a correr a tempo inteiro pela Cooper, e tinha conseguido um segundo lugar no GP de França, numa temporada dominada por Jim Clark.

Maggs continuaria a correr lá fora em 1964, desta vez com um BRM ao serviço da Scuderia Centro Sud, mas quem regressava para correr no campeonato local era o rodesiano John Love, que aos 39 anos, e depois de um acidente que o colocou fora de cena por boa parte do ano anterior, voltava para contrariar o dominio dos sul-africanos.

Nascido a 7 de dezembro de 1924 em Bulawayo, Love tornou-se mecânico antes de competir, quando preparava os motores do seu compatriota Jim Redman. Ele arranjou um Cooper de Formula 3 com motor Norton, que o montou e o fez entrar nas suas primeiras corridas, na Rodesia natal. Em 1958, passou para os automóveis e adquiriu um Jaguar D-Type, onde venceu o GP de Angola, em 1960. Pouco depois, rumou à Europa, participando na Formula Junior a bordo de um Cooper inscrito pela equipa de Ken Tyrrell, e chegou a andar num Mini no BTCC britânico, tendo vencido o campeonato em 1962. Contudo, um grave acidente em Albi, em 1963, quando corria numa prova de Formula Junior, fez cortar as esperanças de ir mais longe no automobilismo mundial. 

Depois de recuperar das suas feridas no braço direito, voltou à Africa do Sul e correu no campeonato local, embora tivesse tido a chance de correr pela Cooper no GP de Itália de 1964, no lugar de Phil Hill. Contudo, não conseguiu se qualificar para essa corrida.

Love já participava no campeonato desde o seu inicio, e foi o primeiro não-sul-africano a vencer em 1961, a bordo de um Cooper-Maserati, no Van Ribbeck Trophy, em Killarney. No ano seguinte, venceu no Rand Autumn Trophy, em Kyalami, antes de se dedicar ao campeonato a tempo inteiro, em 1964. Nesse ano, tinha um Cooper-Climax T55 que tinha arranjado no final da temporada de 1962, para correr no GP sul-africano, e numa temporada com 14 corridas - a maior de sempre, com uma ida à Rodésia e outra a Moçambique - Love entrou a matar em Killarney e Pietmaritzburg, com Clive Puzey a ser o vencedor em Kyalami, na Rand Autumn Trophy.

Depois de três vitórias de Pieter de Klerk no seu Alfa Spacial, Love venceu as três seguintes, incluindo a corrida moçambicana, e só voltaria a vencer no Rand Spring Trophy, a 10 de outubro, mas foi mais do que suficiente para vencer o seu primeiro campeonato. O que não se sabia era que até 1970, ele seria o unico vencedor.

Sem participar na temporada de 1964, a Formula 1 veio à Africa do Sul no dia de Ano Novo de 1965, em East London, com uma série de pilotos locais, tantos que a organização decidiu instalar um limite de 20 carros para participar. Ali, apenas De Klerk, Love, Tingle conseguiram qualificar-se, para além de Tony Maggs, que iria fazer ali a sua última corrida na Formula 1, antes de correr no campeonato local. De Klerk foi o melhor, chegando na décima posição, a seis voltas de Jim Clark, o vencedor.

A temporada de 1965 começou com o australiano Paul Hawkins a ser o vencedor da primeira corrida do ano, o Cape South Easter Trophy, mas nas restantes treze provas, o vencedor foi um só: John Love, fazendo com que a revalidação do seu título fosse uma formalidade. O dominio de Love em 1966 foi um pouco menos óbvio, pois foi o vencedor em sete das treze corridas daquela temporada, com Dave Charlton a vencer em três e Sam Tingle a ser o vencedor numa prova, bem como o britânico Bob Anderson.


O DIA EM QUE O LOCAL QUASE GANHOU


Sem Formula 1 em 1966 por causa do novo circuito, esta voltou a contar no calendário em 1967, sendo o primeiro do ano, e logo... no dia 2 de janeiro. Na lista de inscritos estavam apenas quatro pilotos que alinhavam nesse campeonato: os sul-africanos Luki Botha e Dave Charlton, e os rodesianos John Love e Sam Tingle. Love alinhava com um Cooper-Climax que tinha sido feito para correr na Tasman Series, com um motor de 2,7 litros, bem menos potente do que os carros com 3 litros que já existiam, mas que ainda eram muito frágeis em termos de durabilidade. Contudo, esse motor era muito glutão e o consumo de combustível era bem maior do que o normal, e para isso, Love tinha arranjado um depósito de combustivel suplente para ver se conseguiria ir até ao fim.

Quanto aos outros, Charlton e Botha tinham um Brabham-Climax cada um, e Tingle alinhava com um LDS-Climax.

Apenas com 18 carros inscritos, era fácil para os locais conseguirem resultados de relevo. E assim foi: Love ficou com o quinto tempo, Charlton com o oitavo, ambos entrando no "top ten", entre os grandes pilotos do pelotão da Formula 1. Para ficar com uma ideia, ambos ficaram na frente de, por exemplo, Jackie Stewart!

Na partida, os Brabham ficaram na frente, com Dennis Hulme a comandar as operações, com Surtees e Love logo a seguir. Brabham despistou-se e caiu para o quarto posto, antes de desistir na volta 41, enquanto que Love passou Surtees para ficar com o terceiro posto.

As coisas ficaram assim até à volta 59 quando Hulme começou a ter problemas nos seus travões, obrigando-o também a parar, no sentido de os reparar. O tempo perdido fez com que o líder fosse, sensacionalmente... John Love! E num carro desfasado!

Nas voltas seguintes, a veterania de Love fez com que pudesse andar de forma calma e consistente, poupando a mecânica enquanto podia e mantendo as distâncias. E à medida que se aproximava do fim, parecia que o impossível iria acontecer: uma vitória surpresa de um piloto que não fazia qualquer temporada completa no Mundial de Formula 1.

Contudo, a sete voltas do fim, o sonho acabou. Love notou que o seu Cooper não teria o combustível suficiente para chegar ao fim, e teve de ir às boxes para fazer um reabastecimento. Assim sendo, a liderança caiu nas mãos de outro piloto estreante nestas andanças, o mexicano Pedro Rodriguez, a bordo de um Cooper-Maserati, e só teve de o levar até à bandeira de xadrez, conseguindo estrear-se na galeria dos vencedores. E Love chegou ao segundo posto, a sua melhor posição de sempre, e a única vez que um rodesiano subia ao pódio de um Grande Prémio de Formula 1.

Em termos do campeonato local, Love continuou com o Cooper, mas trocou a meio do ano para ter um Brabham BT20, usado pela equipa oficial em 1966, mas mesmo com o carro antigo, venceu três corridas, antes de conseguir mais cinco com o carro novo, e sewndo campeão com trinta pontos de avanço com o seu maior rival, Dave Charlton, a ser o vencedor apenas no Rand Autumn Trophy e no Rand Spring Trophy, ambos em Kyalami.

(continua amanhã)

sábado, 20 de dezembro de 2008

The End: Sam Tingle (1921-2008)

Eventualmente este nome não vos vai dizer muito, mas Sam Tingle era um dos muitos privados que nos anos 60 aproveitava a vinda da Formula 1 à Africa do Sul para medir forças com os pilotos que vinha de fora, já que nessa altura havia um... campeonato sul-africano de Formula 1. Mas não eram só sul-africanos que participavam. Também tinham pelo menos dois rodesianos que participavam nesta competição, Um foi John Love, o outro era Sam Tingle. Pois bem, Sam morreu esta sexta-feira na Cidade do Cabo, aos 87 anos.

Tingle nasceu em Manchester a 24 de Agosto de 1921, mas cedo mudou-se com os seus pais para a Africa do Sul, onde começou a correr em provas de montanha em 1946, após o fim da II Guerra Mundial. Quatro anos depois, Tingle mudou-se para a Rodésia (actual Zimbabwe), onde correu em várias corridas com MG's e ERA, até ficar com um Connaught, onde ganhou em 1959 o primeiro dos cinco campeonatos nacionais de automobilismo.

Quando a Africa do Sul passou a receber a Formula 1, Tingle foi um dos vários pilotos locais que inscreveu o seu carro, para bater de igual para igual com outros nomes como Graham Hill, Jim Clark, Bruce McLaren ou Jack Brabham, entre outros. Tingle correu com uma fabricação local o LDS (as iniciais de Lucas Douglas Seurrier, que também foi piloto), com motor Alfa Romeo. O seu melhor resultado foi um quinto lugar na edição de 1966, mas não contava para o campeonato.

Em 1967, ele e Love constituiram o Team Gunston, a primeira equipa que apresentou patrocinios numa prova oficial da Formula 1, no GP da Africa do Sul de 1968. A prova aconteceu no Dia de Ano Novo desse ano, e os carros da Lotus ainda estavam pintados de verde e amarelo, já que somente em Fevereiro que Jim Clark andou com as cores da Gold Leaf, na Tasman Series. O seu melhor resultado foi um oitavo lugar na edição de 1969, tinha ele... 47 anos!

Em 1970, um granve acidente durante uma prova local, no circuito de Kilarney, nos arredores da Cidade do Cabo, obrigou a abandonar a competição, mas continuou envolvido no automobilismo. Elaborou um circuito local no Zimbabwe, participou por várias vezes no Goodwood Festival of Speed, com o seu restaurado Brabham BT24. Hoje em dia vivia na Cidade do Cabo, refugio da maior parte dos zimbabueanos brancos que fugiram do regime opressor de Robert Mugabe, o unico presidente da pós-independência. Hoje em dia, um dos seus netos, Sam Tingle, actualmente com 16 anos segue as pisadas do avô no karting. Ars lunga, vita brevis, Sam.