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quinta-feira, 19 de junho de 2025

Youtube Motorsport Video: O Van Diemen RF81 de Ayrton Senna

E esta semana, no "Classicos com História", a série do "Jornal dos Clássicos" que está na sua segunda temporada, temos o primeiro monolugar de Ayrton Senna: o Van Diemen RF81 onde ele competiu na Formula Ford britânica.

Foi com ele que em 1981, acabado de desembarcar no Reino Unido com a sua mulher, começou a competir na Formula Ford 1600, onde acabou por triunfar, o primeiro dos muitos triunfos da carreira do piloto brasileiro.  

quarta-feira, 1 de maio de 2024

Youtube Formula 1 Vídeo: A "corrida do século"

Roland Rat contra Roland Rat. Estranho, não é? Mas a coincidência entre um boneco animado e um piloto de corridas era demasiado bom para deixar passar despercebido, e em 1985, existia um desenho animado onde um rato era capaz da animar os garotos no canal de televisão TV-am. A personagem apareceu dois anos antes, em 1983, e tornou-se num sucesso. 

Quando nesse ano surgiu um austríaco com uma coincidência de nomes, Roland Ratzenberger, o que se tornou numa piada de "paddock" transformou-se rapidamente num desafio, que acabou em Silverstone, numa corrida entre as personagens. Ratzenberger, que ao mesmo tempo tinha um excelente sentido de humor, também tinha olho para a oportunidade de dar nas vistas, aceitou o desafio. 

Os carros? Roland, o boneco roedor, tinha um Ford Anglia rosa, enquanto Roland, o piloto, tinha o seu Formula Ford. 

Curiosamente, o desafio vai para o ar no último episódio de Roland Rat na TV-am. Em setembro, começou, mas na BBC, e Roland, o piloto, aproveitou a exposição - tinha o seu nome em letras carregadas no seu carro - para ser segundo classificado na Formula Ford Festival em 1985, em Brands Hatch, acabando por ganhar no ano seguinte.  

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Youtube Motosport Video: A ascensão de Ayrton Senna à Formula 1

Não se fala muito sobre os dias anteriores à chegada de Ayrton Senna à Formula 1. Um excelente piloto nos karts, vice-campeão do mundo por duas vezes - e sua maior frustração - começou a correr em 1981 na Formula Ford, no Reino Unido, palco dos melhores campeonatos do mundo, e cedo impôs a sua marca, que foi ainda mais acima, até à Formula 3 e os seus duelos com Martin Brundle, até chegar aos primeiros testes e a sua estreia na Toleman, em 1984.

Ora, quem conta hoje toda esta história é o Josh Revell, que fez este vídeo sobre esses dias onde o automobilismo começava a conhecer este jovem de São Paulo e ver do que ele era capaz de fazer na pista.  

terça-feira, 7 de abril de 2015

Youtube Racing Crash: Mauricio Gugelmin, Formula Ford Festival, 1982


O Formula Ford Festival, que acontecia todos os anos em Brands Hatch, era uma das maiores realizações automobilisticas não só na Grã-Bretanha, como do mundo inteiro. Já houve três brasileiros a vencê-la (Chico Serra em 1977, Roberto Moreno em 1980 e Niko Palhares, em 1989), mas poderia ter havido mais um.

A edição de 1982 foi uma luta pela liderança entre Julian Bailey e Mauricio Gugelmin, piloto catarinense e amigo pessoal de Ayrton Senna e a briga no circuito "indy" foi tal que na curva antes da meta, ele tentou passar Bailey, mas fugiu de traseira e capotou, sem consequências.

O video não têm narração, só som ambiente, mas pode-se ver a preocupação do doutor em ver se ele está mesmo bem, enquanto ele vê o seu rival a vencer a corrida. Mas no final, ambos compensaram: chegaram à Formula 1, com diferentes sortes: Gugelmin na March-Leyton House e depois na Jordan, Bailey na Tyrrell e Lotus.  

sábado, 28 de março de 2015

Youtube Motorsport Report: Damon Hill, FF2000, 1984

Este video é bem interessante, pois não é todos os dias que vemos uma matéria feita a um piloto no inicio da sua carreira. Mas a pessoa em questão não era um qualquer: era Damon Hill, filho de Graham Hill, num video feito em meados de 1984, quando ele começou a ter uma carreira na Formula Ford 1600 e Formula Ford 2000.

No video, feito pela BBC, para além de Hill e do que fez para conseguir alcançar os patrocínios que conseguiu para ter uma temporada confortável na competição, fala nas esperanças e ambições do filho de Graham Hill, apesar das reticências... da mãe.

Agora, sabemos do resto: todas as esperanças e ambições foram alcançados e em 1996, doze anos após esta reportagem, Damon Hill tornou-se no primeiro filho de campeão a ser campeão do mundo por direito próprio.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Youtube Motorsport Classic: Formula Ford Festival, Brands Hatch, 1986


O Francisco Cunha colocou este video no fórum do Motorart, e eu resolvi meter aqui também: este é o video completo do Formula Ford Festival de 1986, provavelmente uma mais mais concorridas, renhidas e fantásticas corridas que jamais vi na minha história do automobilismo. Normalmente disputado no circuito de Brands Hatch, é disputado desde 1972 e já teve vencedores como Derek Daly, Johnny Herbert, Eddie Irvine, Jan Magnussen, Jenson Button e Mark Webber, bem como os brasileiros Chico Serra, Roberto Moreno e Niko Palhares.

O video que coloco aqui é o da corrida final da edição de 1986, dominado por um jovem austriaco de 26 anos, de seu nome Roland Ratzenberger, que teve de bater pilotos como o suiço Philippe Favre, o britânico Steve Robertson - o atual manager de Kimi Raikkonen - e o finlandês J.J. Letho, entre outros participantes, como Paul Warwick, o irmão de Derek Warwick, que iria ter um trágico fim em 1991, em Oulton Park, quando corria na Formula 3000.

Vale a pena ver a corrida. Divirtam-se, porque vão gostar do final. E recordar quer Ratzenberger, quer Favre.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Mais um Brabham a caminho!

Depois de sabemos que a terceira geração da dinastia Brabham vai a caminho, graças a Matthew Brabham, filho de Geoff Brabham, que esta temporada lidera a Formula Star Mazda, soube-se esta tarde que outro Brabham vai começar a sua carreira nos monolugares. Sam Brabham, filho de David Brabham e primo de Matthew, vai começar a correr este ano na Formula Ford britânica, ao serviço da JTR, a campeã da modalidade.

É ótimo ter assinado com uma das mais experientes equipas de Formula Ford do Reino Unido. Passando para os monolugares vai ser o maior desafio que tive até agora, e vai ser importante trabalhar com companheiros de equipa mais experimentados do que eu. Apesar de correr há pouco tempo, mas a aprendizagem intensa que tenho tido até agora fez com que que me adapte depressa, aprender com o carro e com os circuitos.”, afirmou ao site oficial da competição.

O pai, David, não escondeu o orgulho por ter o seu filho a competir: “São excelentes noticias para o Sam Sair dos karts para a Formula Ford, e indo para uma equipa como a JTR, é histórico para a nossa familia porque é outro piloto da terceira geração que progride neste desporto. Mathhew já está a ter a sua carreira e ver Sam a fazer isto significa que são tempos excitantes para a familia", comentou.

Atualmente com 18 anos, Sam Brabham vai correr pela JTR, campeã da modalidade. Antes disso, ele esteve no karting, onde conseguiu bons resultados na Senior Rotax Max, quer no campeonato britânico, quer no europeu. Veremos como se comportará nos monolugares, mas o seu primo está a andar bem.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Youtube F1 Classic: The Formula 1 Story, BBC



Lembram-se há uns tempos de um video da Nike, creio eu, de um jogador de futebol a treinar-se arduamente para conseguir o seu lugar na equipa, com os altos e baixos típicos da profissão? Pois bem, a BBC decidiu fazer a sua versão desse video, só que colocando as coisas para o lado da Formula 1. Desda a infância, passando pelos karts, Formula Ford, etc...

Ao ver o video, pergunto-me: aquele até poderia ter sido eu. Teria a sua piada!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Os primeiros tempos de Ayrton Senna

Comemorou-se ontem, creio eu, os trinta anos da primeira vitória de Ayrton Senna em monolugares. O "Beco" estava prestes a fazer 21 anos, corria nesse ano na Formula Ford 1600, na sua primeira temporada a correr no estrangeiro e até estava... recém-casado com uma rapariga chamada Liliane Vasconcellos. O casamento durou pouco, porque, segundo ela, ele só pensava em carros. Uma obsessão, dizemos agora.

Quem recordou este dia foi o fotógrafo Keith Sutton. Hoje em dia é um dos monstros sagrados da fotografia automobilistica, a par outros como Rainer W. Schlegemilch, Paul-Henri Cahier e muitos outros, mas em 1981 era mais um jovem à procura do seu lugar ao sol. Sutton afirma que a sua passagem por Brands Hatch era um acaso: tinha ganho um bilhete de graça da British Rail que tinha vindo... numa promoção da Kellog's.

"Tinha acabado de chegar ao paddock de Brands Hatch quando Senna se aproximou de mim, pois me tinha reconhecido de uma corrida anterior em Thruxton. Queria saber porque é que tinha tirado fotos dele. 'Você é um fotógrafo profissional?' Respondi: 'sim, claro'. Depois prossegiu: 'Bom, preciso de fotos para poder enviar para o Brasil numa base regular. Pode-me ajudar?' Respondi naturalmente que sim, mas sob a condição 'que me pagasse para fazer tal coisa!'"

Senna - que no seu carro era ainda identificado como "A. da Silva" - venceu uma das mangas na versão mais curta do circuito, a versão Indy, e sob o instável tempo inglês, tinha a pole-position para a corrida final e venceu com 9,5 segundos de vantagem sobre o segundo classificado, o mexicano Alfonso Toledano. Quanto a Sutton, ele diz que "tinha acabado de assistir à performance de um jovem talentoso e carismático, que estava a caminho de ser uma das lendas da Formula 1". A relação de trabalho e de amizade durou até ao final dos dias de Senna, em 1994.

Hoje em dia parece um evento normal, mas em 1981, a divulgação dos feitos de um piloto no estrangeiro era algo do qual pouco se pensava, pelo menos para pilotos do seu calibre que aventuravam no estrangeiro. É certo que ele não era o primeiro, nem o último a fazer essa estrada, mas nessa altura, os brasileiros olhavam mais para Nelson Piquet e falavam da equipa Fittipaldi e de um dos seus pilotos, Chico Serra. Quando leio os arquivos da revista brasileira Quatro Rodas, noto o crescente destaque que ela dá a Senna à medida que os meses de 1981 e 82 passam.

Um bom exemplo que vi foi o fim de semana do GP da Belgica de 1982, em Zolder. No meio das noticias sobre a corrida e do acidente mortal de Gilles Villeneuve, há um pequeno destaque sobre a presença de Senna numa corrida da Formula Ford 2000 e do fato de algumas equipas de Formula 1 estarem de olho nele, e uma delas, se a memória não me falha, era a Williams. Interessantemente, recordei uma reportagem da TV finlandesa, onde estavam nessa mesma equipa (Keke Rosberg era o seu piloto numero um) e há um "flash" a meio da reportagem onde ele aparece.

Em 1983, quando faz a sua temporada na Formula 3 inglesa, o destaque a Senna é tão grande como a Formula 1, e à medida que essa temporada se transforma em uma parada triunfal, com vitórias atrás de vitórias, já todos falam na inevitabilidade do "Beco" ir para a categoria máxima do automobilismo, culminada com os testes feitos na Willams, McLaren e Toleman. Em suma, a grande lição que Senna deu nesses anos é que talento sem divulação é a mesma coisa que não ter talento. Sem um "manager" propriamente dito, encontrou alguns bons parceiros para divulgar os seus feitos e "pavimentou" a sua entrada na Formula 1. O seu talento nato, as vitórias e os títulos fizeram o resto.

Em suma, muitos devem saber quando e com quem ele testou na sua primeira passagem pela Formula 1, mas acho que pouca gente se lembrava deste dia. Muitos talvez lembrem que o ano de 1981 representou a sua estreia nos monolugares, mas este pormenor de Brands Hatch, tenho sérias dúvidas. Mas enfim, agora que sabemos o que fez e a sua vida deu um documentário, pode-se olhar para esse dia e sabermos quando é que a sua carreira começou a ser construida.

P.S. Enquanto escrevia este post, descobri algo raro no Blog do Gomes: uma entrevista feita a Lilian Vasconcellos, a sua unica mulher. No meio de toda esta avalanche sobre Senna, ela quase foi esquecida, jogada para canto. Aliás, não ficaria admirado se muitos estavam convencidos que ele nunca se tinha casado e que só teve duas mulheres na vida, a Xuxa e a Adrianne Galisteu. pois bem, isso é treta.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

As entrevistas da Blogosfera

Confesso que já não ando a fazer esta parte há algum tempo, mas tenho planos para voltar a fazer isso no defeso. Até lá, posso mostrar duas coisas que foram feitas por participantes na blogosfera, e ambas imperdíveis.

O primeiro é o Alexandre Carvalho, no seu blog Almanaque da Formula 1. Pode não publicar todos os dias, mas consegue ter uma qualidade que muitos de nós adorariam ter, pelo menos nesse capítulo. E a sua mais recente entrevista é com Bertrand Gachot, ex-piloto belga (nascido no Luxemburgo e filho de pai francês) que em 1991, quando corria na Jordan, fora preso devido a uma rixa com um taxista em Londres, meses antes. E o seu substituto nessa altura foi um jovem chanado Michael Schumacher. Actualmente, Gachot é o presidente da Hype, uma firma de bebidas energéticas. Para a ler na integra, cliquem aqui.



A segunda entrevista foi feita pelo Leandro Verde, com um piloto belga que ele viu num video há muito tempo. E porquê este piloto em particular? Porque ele teve um acidente algo arrepiante em Zandvoort em 1990, e por incrivel que pareça... sobreviveu sem um unico arranhão. Tando que ele estava de volta ao carro duas semanas depois, em Zolder. O nome desse senhor é Marc Delpierre, agora com 40 anos, e até teve uma carreira razoável nos monospostos, antes de de se concentrar numa carreira de relações publicas, no Mónaco. Para a ler na íntegra, cliquem aqui.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Historieta da Formula 1: A incrível vida de Enrique Mansilla

Se procurarem por este nome nas estatísticas da Formula 1, não o encontrarão, pois ele nunca lá chegou. Mas eu o coloco aqui porque ele foi o primeiro rival de pista para um jovem brasileiro, então com 21 anos, que começava a sua carreira europeia na Formula Ford: Ayrton Senna.

Enrique "Quique" Mansilla, piloto argentino, depois de iniciar a carreira na sua terra natal, tinha vindo para a Inglaterra, com o apoio da Marlboro Argentina. Na Formula Ford, encontrou-se com Senna, e a sua rivalidade em pista, por vezes não terminava bem... em Mallory Park, um desentendimento em pista acabou com os dois da relva, e Senna partiu para a briga. A transcrição da "conversa" existe no Forum Atlas F1 Bulletin Board.




Ayrton: Vocé esta maluco? argentino de mierda, como me vas hacer eso!!!


Quique Mansilla: Paráaa pibe, a mi no me toqués, brazuca cagón..!!, aprendé a perder, boludo!!


Ayrton: Yo te voy a romper la cara idiota., que mierda te crees???


Quique Mansilla: No me toques porque te rompo la cara., sacame las manos, ó...Enrique


Benamo: Paren carajo!!.., flaco vós tranquilo., paraaaaaá., soltalo, déjense de joderrr!!!!


Ralph Firman: Stop, stop., you both morons.., don't heard me????Enrique Benamo: Sergio, agarralo a este boludo.


Em 1982, Senna vai para a Formula Ford 2000, enquanto que Mansilla corre na Formula 3 britânica, a bordo de um dos carros da West Surrey Racing. É um dos candidatos ao título, mas... em Abril, o seu país invade as Falkland (Malvinas para os argentinos), e por uns meses, não participa no campeonato. No final desse ano, ainda consegue ser o terceiro classificado, e tem um teste de Formula 1, a bordo de um McLaren Cosworth, em conjunto com o irlandês Tommy Byrne e o inglês Dave Scott. Mansilla foi o mais lento dos três, a 3,5 segundos de Byrne, que nesse mesmo ano, tinha feito cinco corridas na Formula 1 ao serviço da Theodore Racing...


Em 1983, Senna está na Formula 3 britânica, batendo recordes atrás de recordes, e Mansilla está na Formula 2. Contudo, um acidente em Hockenheim, enquanto testava o seu carro, deixou-o quase cego de um olho, devido ao deslocamento de uma das retinas. No ano seguinte, rumou para os Estados Unidos, para correr na CART e na então Can-Am, e em 1985, dava por encerrada a sua carreira automobilistica.


O mais extraordinário vem depois: tornou-se prospector de ouro e diamantes! Partiu para Africa, mais concretamente a Libéria e a Serra Leoa, que nos anos 90 mergulharam em guerra civil, uma das mais crueis que aquele continente jamais assistiu (crianças-soldado, e pessoas com membros decepados...). Mansilla foi apanhado no meio do conflito, e foi preso durante cinco meses na Libéria, até que foi libertado graças aos seus contactos com o então presidente Charles Taylor. Depois ficou até ao inicio da década a trabalhar para Taylor, e agora voltou à sua Argentina natal, gozando uma vivência muito mais calma...


Esta extraordinária historieta, e muito mais, podem lê-la na F1 Nostalgia, o blog do "soviético" Rianov Albinov.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

A vida de Gilles Villeneuve - 1ª parte, o inicio

Lá no Forum do Autosport tenho um senhor, de seu "nickname" Villickx, que nos brinda de quando em quando com exclenetes artigos sobre os seus ídolos. E desde há algumas semanas, ele anda a colocar uma extensa biografia sobre a vida do Gilles Villeneuve. E como daqui a alguns dias comemoramos mais um aniversário da sua morte, achei por bem colocar aqui esta história. Já escrevi a biografia dele no ano passado, mas este vai um pouco mais longe...


Hoje, coloco a primeira parte dessa biografia, que abarca os primeiros 24 anos de vida. Nos próximos dias coloco as outras partes, à média de um por dia.



GILLES, o meu tributo. - 1ª Parte (1950/1974)



Eram 6 horas da manha em Richelieu na província do Quebéc no Canadá, e no dia 18 de Janeiro de 1950 (e não 52, como muitas biografias mencionam por culpa de Gilles), quando nasceu, Joseph Gilles Henri Villeneuve, filho de Georgette e Seville Villeneuve, que se transformaria num dos maiores ídolos e um ícone do automobilismo de competição mundial.

Gilles possui uma história totalmente diferente dos pilotos da sua época ou dos anos sucedâneos e assim cativa pela diferença, pelo espírito, pelo facto de ter vencido porque simplesmente teve talento para isso.

Gilles Villeneuve e as suas características de piloto e homem já foram por muitos descritas mas para mim ele é sinónimo de uma paixão e entrega á competição automóvel num nível até então nunca alcançado e foi a prova que nem sempre as leis da Física se aplicavam de modo igual, a todos.

A presença de Gilles num grid de um GP, mesmo que num longínquo 18º lugar, significava, para mim, a convicção de que algo ou tudo podia acontecer pois era assim que ele era…fazia sonhar, e mais importante ainda, fazia … acontecer. Mas como me dizia o meu Pai…é melhor começar pelo começo.

O Pai de Gilles, Seville, profissionalmente, era afinador de pianos e a sua Mãe Georgette, uma dona de casa. Não possuíam grandes posses mas as suficientes para uma vida simples e boa. Viviam numa pequena cidade de 4.000 habitantes chamada Richelieu, no interior do Quebéc e mais tarde mudaram-se para Berthierville. O pequeno Gilles desde muito cedo demonstrou uma preferência por questões mecânicas sendo os seus brinquedos preferidos tudo que fosse mecânico como carros, camiões, guindastes, etc. e as suas brincadeiras eram essencialmente á volta das potencialidades dos mesmos.



Um pouco mais velho e sob a batuta do Pai apaixonou-se e descobriu a musica tornando-se num razoável tocador de piano e um compulsivo estudioso e tocador de trompete. Os estudos estavam em 12º lugar nas suas prioridades e o seu sonho de criança era tornar-se no melhor trompetista (para não variar), do mundo. Estudava e praticava uma média de 5 a 6 horas por dia, para desespero da família, calculo eu. Alcançou um excelente nível com esse instrumento mas desde sempre se queixou que o seu saliente beiço superior o impedia de progredir pois magoava-se muito e essa foi a desculpa final para abandonar essa actividade alguns anos mais tarde.

Em miúdo, Gilles que era um péssimo e desinteressado aluno foi inscrito pelos seus Pais, não por isso mas por um estilo de educação, no Seminário de Jolliette como interno. Odiou cada dia, cada refeição, cada regra. Livre e sonhador, como era, não é de se estranhar. Tinha 10 anos quando pela primeira vez o seu Pai, conhecido na região por conduzir rápida e loucamente e também sofredor de vários acidentes automobilísticos, o deixou guiar a carrinha VW da família. Apaixonou-se para sempre.

Com 15 aninhos e sem carta espatifou o Pontiac Grand Parissienne 66, a nova aquisição e motivo de orgulho familiar, após tê-lo roubado á sucapa. Despistou-se, á noite e á chuva, a 160km/h levando no seu percurso dois postes telefónicos. Destruição total do carrinho mas “desta vez” não o conseguiu levar de volta as boxes...ups, casa. Aos 16 anos obteve finalmente a carta e vários outros acidentes ocorreram e o seu Pai descreveu-o assim: “Gilles era desprovido do sentimento do medo. Ele guiou sempre muito rápido, no limite. Ele sempre fez tudo o que guiava ir à velocidade que aquilo dava”.

Foi também aos 16 anos que conheceu e começou a namorar aquela que seria a sua mulher e mãe dos seus filhos: Joann Barthe. Nesta altura já Gilles (muito tarde para os padrões actuais) buscava a competição mas no ambiente em que estava enquadrado não tinha grandes hipóteses e assim restava-lhe algumas corridas de dragsters e um oval em terra que existia nos arredores da sua Berthierville, que ele “comia” numa pick-up de 5ª mão ou no seu Ford Mustang de 67. Pela primeira vez assistiu a uma corrida no recém inaugurado circuito de Mont Tremblant em St. Jovite e dessa experiência relatou o seguinte: “Tudo aquilo pareceu-me completamente inacessível para mim. Tudo era caríssimo. Mas também reparei nos pilotos e achei que 90% deles eram uns piços. Travavam cedo demais, faziam as curvas todas erradas. Pensei que aquilo era fácil. Achei que eu conseguia fazer melhor que eles”.

No Canadá caem em média, em cada ano, 1,60mt de neve e todos os desportos de Inverno são extremamente populares. Nessa época surgiu com uma imensa popularidade o snowmobile que basicamente é uma moto de quatro rodas, sem rodas e com 2 pequenos skis dianteiros e uma “lagarta” de borracha para propulsionar o zingarelho. Esta moto tornou-se muito popular e as marcas existentes competiam entre si em campeonatos organizados como forma de se promoverem.


Gilles era um excelente praticante destas maquinetas que chegavam aos 160 km/h e após alguns bons resultados em corridas amadoras com uma moto dada pelo seu Pai aceitou um convite da Skyroule para se tornar um dos seus pilotos oficiais no campeonato do Quebéc. Estávamos nesta altura em 1970 e ainda sem ter 20 anos completos casou com Joann no dia 17 de Outubro pois … estava já na calha o futuro campeão de champ-cars e de F1 Jacques Villeneuve. Nas snowmobile, primeiro com a Skyroule, e depois com a Motoski, Gilles era o homem a bater pois a sua técnica pessoal e a sua coragem ilimitada tornavam-no inalcançável. Nesse ano foi campeão do Quebéc e ganhou ainda o Campeonato Mundial de 440cc em Nova York, para de seguida no dia 17 de Abril de 1971 se tornar o pai babado do pequeno Jacques.


Na época de 71/72 aos comandos das Alouette, Gilles repetiu o título de campeão do Quebéc ganhando 10 das 14 provas desistindo por problemas mecânicos as outras 4. A época de 72/73 viu Gilles ganhar o campeonato Canadense de Snowmobile e o nascimento da sua filha Melanie. Contudo, o snowmobile só podia ser praticado no Inverno e o complemento ideal era o automobilismo que se praticava essencialmente na Primavera e no Verão e Gilles, que tinha esgotado a categoria de snowmobile ganhando tudo o que havia para ganhar, e a conselho de um seu mecânico, inscreveu-se em 73 na famosa escola de condução de competição Jim Russel, em Mont Tremblant.

Sem qualquer dificuldade “licenciou-se” com mérito e obteve a sua licença desportiva. “Sai de pista por diversas vezes. Mas, diverti-me imenso e ganhei 70% das corridas”. Assim, Gilles descreveu a sua primeira experiência competitiva em 4 rodas no Campeonato do Quebéc de Formula Ford. Com pouquíssimo dinheiro, pois as únicas receitas que tinha para sustentar a família e a competição provinha dos prémios de corrida do snowmobile, e sem nome na categoria, Gilles correu neste campeonato com um carro já com dois anos. Contudo ele era muito melhor que a concorrência directa e ganhou o titulo de "Rookie do Ano" e Campeão da categoria em 1973 ganhando 7 das 10 corridas disputadas.

Na snowmobile, mais uma vez, Gilles ganhou o que havia a ganhar na sua terra e ganhou a mais prestigiada corrida da categoria em Eagle River no Wiscosin/USA, na categoria rainha de 650cc contra os melhores pilotos internacionais. Para 1974, e após a sua excelente estreia em 4 rodas na F. Ford, Gilles já só pensava em como evoluir nas categorias e a única evolução que existia era a Formula Atlantic. A Formula Atlantic era já bastante sofisticada para os padrões Canadenses pois usava motores Ford Cosworth de 1600cc preparados em Inglaterra e pneus slicks, e era para ai que Gilles queria ir.

Com um background já muito razoável em outras categorias, com uma enorme popularidade pessoal e com boas referências pessoais conseguiu negociar um lugar na Ecurie Canada por USD 70.000, que era a participação de patrocínios do piloto que a equipa exigia. Gilles não tinha um centavo disponível e a única possibilidade de fazer algum dinheiro era através da venda do único bem que possuía: a casa móvel onde morava com a sua mulher e os seus dois filhos desde que tinha casado. Mas mesmo essa casa estava hipotecada ao Banco!

Gilles não hesitou e comunicou á mulher que a casa tinha sido vendida e que dai em diante não haveria vida fácil. Dali em diante a família viajaria de corrida em corrida na caixa aberta do pai de Gilles e de noite dormiriam acampados numa pequena tenda. Nos testes de pré-época, e para piorar ainda mais a situação Gilles, apesar de mostrar uma rapidez instantânea, destruiu os dois March da equipa e o dinheiro da equipa desaparecia a olhos vistos.

Quando o campeonato começou só havia pneus para 4 corridas. Na estreia, no circuito de Westwood, em Vancouver, costa Oeste do Canadá, Gilles conseguiu um 3º lugar depois de uma emocionante corrida que deixou a equipa muito optimista mas … foi só isso que conseguiu. A equipe tinha seríssimos problemas financeiros não evoluía e os pneus não esticaram. Nas outras 5 corridas, Gilles só conseguiu terminar uma, no 22º lugar após sofrer problemas eléctricos.

Vários tinham sido os acidentes que Gilles já tinha sofrido desde os seus 15 anos, quando roubou o carro do seu Pai. Nas snowmobiles, vários foram os voos a mais de 100km/h, e nos carros Gilles fez justiça ao nickname que mais tarde Enzo Ferrari lhe daria que seria de "Príncipe da Destruição", mas nunca se tinha magoado seriamente até ao dia 1 de Julho de 1974, quando no exigente e belíssimo circuito de Mosport, Gilles destruí mais uma vez o pequeno March amarelo contra os guard-rails. Desta vez foi grave e como consequência Gilles partiu uma perna de forma grave o que o impediu de correr algumas corridas. Mesmo com a perna engessada tentou faze-lo e só não o fez porque não conseguia cumprir a regra que obrigava os pilotos a saírem em 60 segundos do carro!

No final da época, Gilles estava falido, mas também totalmente obcecado com a sua carreira pois sentia que podia triunfar, sentira o gosto e não ia abandonar o seu sonho.

(continua amanhã)