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sexta-feira, 12 de junho de 2020

Youtube Video Trailer: Brock: Over The Top

Peter Brock é uma lenda no automobilismo australiano, principalmente em Bathurst. Vencedor por nove vezes da clássica Bathurst 1000, nove vezes da Sandown 500, outra corrida famosa na Austrália, três vezes campeão nacional, Brock foi aclamado pelos fãs como o "Rei da Montanha".

Quando morreu em 2006, num acidente de carro quando participava no Targa West, a bordo de um Daytona Sportscar, um carro baseado no Shelby Daytona, a sua morte foi sentida por milhões no seu país, e foi-lhe dado um funeral de estado na sua Victoria natal. Hoje, 14 anos depois do seu acidente fatal, ainda é um nome reverenciado.

Contudo, a sua competitividade acarretava um lado negro: depressões e uma vida social agitada - casou por duas vezes, mas teve uma companheira por 28 anos - colocou pressão sobre a sua visa que por vezes era exacerbada na pista. E agora, surge um documentário sobre a sua vida e carreira de seu nome "Brock: Over the Top", que estreará no mês que vêm, e cujo trailer coloco aqui.

terça-feira, 14 de abril de 2020

Youtube Motoring Ad: Chrysler Valliant, 1970

Na semana da morte de Stirling Moss, recuo meio século no tempo, até 1970, quando a Chrysler Austrália apresentou o seu carro, o Valliant, para o publico do seu país. Com 41 anos de idade e já retirado, o piloto inglês falou sobre o motor Hemi, de seis cilindros em linha, uma novidade num carro que já existia desde 1962, e continuaria por ali até 1981, três anos depois das operações da Chrysler Australia serem adquiridas pela japonesa Mitsubishi.

São três anúncios num, mas vale a pena. O mais estranho no meio disto tudo é ver um anuncio australiano de um carro de origem americana, cujo garoto-propaganda é um ex-piloto britânico...


quinta-feira, 2 de abril de 2020

No Nobres do Grid deste mês...

Vivemos tempos únicos nas nossas vidas. O coronavirus obrigou-nos a ficar isolados em casa, num período de quarentena do qual não se sabe muito bem quando acabará. Pede-se para que fique em asa por duas semanas, mas os casos não param de aumentar e é provável que este período de quarentena seja bem maior daquele que se espera. Semanas, talvez meses, vão ter de ser pasados dentro de portas, com consequências ainda incalculáveis para a economia mundial. Uma recessão é inevitável, isso temos a certeza.

Oficialmente, o campeonato da Formula 1 está suspenso. As sete primeiras corridas foram adiadas ou canceladas. Austrália e Mónaco não acontecerão, e tudo o resto foi adiado, até melhor altura. Há quem tema que o campeonato só volte em 2021, e fala-se de uma "supertemporada", a começar em Baku, no Azerbeijão. Mas é provável que lá para agosto, a Formula 1 poderia começar... e é ser otimista.

Mas o que quero falar é das circunstâncias do cancelamento do GP da Austrália. E de como até chegarmos a essa conclusão, foi uma saga digna de puxar os cabelos e criar ansiedade até ao mais calmo dos sujeitos. Os eventos das últimas dez, doze horas antes do cancelamento serve perfeitamente toda uma temporada do "Drive to Survive", com os rumores voaram de hora a hora, minuto a minuto, e demonstraram muitas coisas. Uma delas, a capacidade - ou incapacidade - da Formula 1 ser sensível aos apelos para levar a saúde pública muito a sério, as divisões dentro do pelotão e as atitudes de alguns dos pilotos, que parece terem descoberto algumas verdades sobre o espírito da FOM, caso ainda não tivessem - ou terem esquecido - sobre o seu espírito de "the show must go on" (o espectáculo deve continuar, não interessa como).


(...)

Na quarta-feira, começou a surgir o rumor de que membros da Haas e McLaren estavam com sintomas gripais e isolaram-se. aguardando o resultado dos testes. E já se tomavam medidas: distanciamento social e cancelamento de atividades como as sessões de autógrafos. Mas as pessoas passeavam pelo circuito, e não havia indicações de uma corrida sem espectadores, o mínimo. Os organizadores mandavam mensagens de que tudo estava bem. Mas à medida que as horas passavam, nada estava bem. Quando um membro da McLaren foi testado positivo pelo coronavirus, a equipa reuniu-se de emegência e tomou uma decisão inédita: renunciou à participação no Grande Prémio.


Isto, já por si, seria sinal de alarme para que a FOM agisse de imediato. Para terem uma ideia, nesta altura, a Formula E tinha suspendido a temporada por dois meses, tirando de circulação quatro ePrixs, dois dos quais na Europa: Roma e Paris. Seul e Jakarta foram as outras suas provas. Na IndyCar, a organização tinha decidido que a corrida de St. Petersburg iria acontecer sem espectadores - no sábado, decidiram cancelar a corrida - e mais tarde, a corrida de Long Beach também tinha sido cancelada. Na Endurance, Sebring também tinha sido adiada, em principio para novembro. Mas a Formula 1 ainda não dava sinais de ceder.

E fora do automobilismo, a NBA tinha decidido na noite de quarta-feira suspender o campeonato, com efeito imediato, depois de um jogador ter dado positivo para a doença. Houve jogos que foram cancelados em cima da hora, com espectadores a sentarem-se nos seus lugares e a prepararem para ver os jogos. Poderia ser radical, mas o tempo mostrou que foi a medida correta.

Por esta altura, Lewis Hamilton criticava a atitude da organização em prosseguir com tudo, apesar de todos os sinais em contrário.

Estou muito, muito surpreso por estarmos aqui. É ótimo termos corridas, mas, para mim, é chocante estarmos todos sentados nesta sala e que haja tantos fãs na pista. Parece que o restante do mundo está reagindo, provavelmente um pouco tarde. A NBA foi suspensa, mas a Formula 1 continua trabalhar", declarava o piloto da Mercedes numa conferência de imprensa.

Questionado sobre o fato de a Formula 1 insistir em correr neste fim de semana, Hamilton disparou. “O dinheiro é rei, mas, sinceramente, não sei. Não tenho muito mais a acrescentar”.

Hamilton tinha tocado na ferida. (...)

Nestes dias, o mundo parou para respirar. Presos em casa devido a um vírus do qual não há cura, apenas um tratamento eficaz, para evitar mortes. E para evitar isso, tem de se cumprir um distanciamento social, e como tal, a vida teve de parar. Todas as manifestações desportivas foram adiadas ou canceladas, mas a Formula 1 estava prestes a desobedecer a tudo isto. Até sexta-feira de manhã, os responsáveis máximos da competição queriam levar para a frente, mesmo com os alertas de que a doença já se espalhava e países como a Itália tinha decidido fazer um "lockdown" completo.

É sobre a história de como as coisas se descarrilaram até cabeças mais frias - dizendo melhor, até a realidade - se encaixarem e decidiram que, para um bem maior, até a categoria máxima do automobilismo teve de ver que a saúde das pessoas estava em primeiro lugar. Agora, em casa, discute-se sobre duas coisas: ou não há campeonato, ou existirá uma super-temporada, espalhadas por dois anos, até as coisas voltarem ao normal. As equipas já decidiram um teto salarial, e os novos regulamentos poderão ser adiados para 2022 ou 2023.

Tudo isto este mês no Nobres do Grid.

domingo, 15 de março de 2020

Motores e o coronavirus: As novidades do dia 15

Dia 15, e há mais novidades em relação aos eventos que foram cancelados e à vida que está, neste momento, interrompida, se quiserem.

Como é sabido, o rali do México era a única prova que estava a acontecer, no meio dos adiamentos e cancelamentos. Mas no final do dia de sábado, a prova foi encurtada devido a receios de que o espaço aéreo da Alemanha e da França fossem encerrados nesse dia, e assim sendo, as classificativas de domingo foram canceladas. Sebastien Ogier foi o vencedor, provavelmente na última prova importante que irá acontecer nos próximos tempos, na frente de Ott Tanak e Teemu Suninen.

Entretanto, aqui em Portugal, o rali de Mortágua previsto para os dias 16 e 18 de abril, foi adiado "sine die", acompanhando o rali dos Açores, que também já tinha sido adiado. 

No campo da Formula 1, surgiu noticia na sexta-feira de que Lewis Hamilton tinha estado num evento, em Londres, e posou ao lado da mulher do primeiro ministro canadiano Justin Trudeau. Alguns dias mais tarde, a mulher resultou positivo para o CoVid-19, e também o seu marido, acabando ambos isolados em quarentena. Logo, o piloto britânico estava preocupado com a sua saúde.

Ao mesmo tempo, o site motorsport.com deu mais pormenores sobre as razões do cancelamento. Depois da votação da madrugada, que acabou em empate entre equipas, e de Ross Brawn ter dito que as atividades continuariam na sexta-feira em termos de avaliação, Toto Wolff recebeu um telefonema de Olla Kallenius, o chefe da Mercedes, a meio da noite, que o informou do impacto que o coronavirus estava a ter na Europa. 

A conversa deixou Wolff indeciso - apesar de Kallenius ter dito que cabia a ele a última palavra - e depois, telefonou a Brawn para dizer que tinha mudado de opinião. Eles tinham votado a favor da corrida, e agora apelariam ao seu cancelamento. Por essa altura, a Ferrari, que tinha votado contra, tinha deixado Sebastian Vettel tomar voo de regresso à Alemanha, e assim deixando implícito que não iriam correr com um dos seus carros, juntando-se assim à McLaren, que tinha renunciado depois de um dos seus membros ter testado positivo para o coronavirus.

Por agora, é tudo. Alguns pilotos andam a correr em provas virtuais na Net, com dezenas de milhares de pessoas a assistir, enquanto se espera que a tempestade passe. 

sexta-feira, 13 de março de 2020

Como a Formula 1 saiu (muito mal) na fotografia

Agora é oficial: o GP da Austrália foi cancelado, e é provável que a temporada fique paralisada até maio, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort. Isto, se formos otimistas. Porque se formos ver pelo lado pessimista da coisa, pode-se dizer que 2020 já acabou. Em março.

Mas até chegarmos aqui, foi uma saga, digna de puxar os cabelos e criar ansiedade até ao mais calmo dos sujeitos. Os eventos das últimas dez, doze horas antes do cancelamento são dignas de toda uma temporada do "Drive to Survive", e os rumores voaram de hora a hora, minuto a minuto, e demonstraram muitas coisas. Uma delas, a capacidade - ou incapacidade - da Formula 1 ser sensível aos apelos para levar a saúde pública muito a sério, as divisões dentro do pelotão e as atitudes de alguns dos pilotos, que parece terem descoberto algumas verdades sobre o espírito da FOM.

Então, comecemos pelo momento em que um membro da McLaren foi testado positivo pelo coronavirus. Havia suspeitas, a começar por quatro membros da Haas e o da McLaren, na quarta-feira de manhã. Quando os testes confirmaram positivo, a equipa reuniu-se e decidiu renunciar à participação no Grande Prémio.

Isto, já por si, seria sinal de alarme para o adiamento imediato do Grande Prémio. Por esta altura, a Formula E tinha suspendido a temporada por dois meses, tirando de circulação quatro ePrixs, dois dos quais na Europa: Roma e Paris. Seul e Jakarta foram as outras suas provas. Na IndyCar, a organização tinha decidido que a corrida de St. Petersburg iria acontecer sem espectadores, e mais tarde, a corrida de Long Beach tinha sido cancelada. Sebring também tinha sido adiada, em principio para novembro. Mas a Formula 1 não dava sinais de ceder.

E noutras modalidades, a NBA tinha decidido na noite de quarta-feira suspender o campeonato, com efeito imediato, depois de um jogador ter dado positivo para a doença. Houve jogos que foram cancelados em cima da hora, com espectadores a sentarem-se nos seus lugares e a prepararem para ver os jogos.

Por esta altura, Lewis Hamilton criticava a atitude da organização em prosseguir com tudo, apesar de todos os sinais em contrário. 

Estou muito, muito surpreso por estarmos aqui. É ótimo termos corridas, mas, para mim, é chocante estarmos todos sentados nesta sala e que haja tantos fãs na pista. Parece que o restante do mundo está reagindo, provavelmente um pouco tarde. A NBA foi suspensa, mas a Formula 1 continua trabalhar", declarou o piloto da Mercedes.

Questionado sobre o fato de a Formula 1 insistir em correr neste fim de semana, Hamilton disparou. “O dinheiro é rei, mas, sinceramente, não sei. Não tenho muito mais a acrescentar”.

Ele tocou na ferida. No meio do essencial, esquecemos do acessório. Dois dias antes, a Formula 1 tinha anunciado um grande acordo com a Aramco, a petrolífera nacional saudita, a maior do mundo e que recentemente colocou uma pequena parte do seu capital na Bolsa de Nova Iorque. Não se fala só do maior poluidor do mundo, numa altura em que a Formula 1 declarou querer neutralizar a sua pegada carbónica até ao final da década, mas com o dinheiro que querem e com a intenção da Arábia Saudita em ter uma corrida, "money talks, bullshit walks".

E ao longo da história, a Formula 1 foi assim: antes quebrar que torcer. Foi assim com as corridas que fez em ditaduras um pouco por todo o mundo, ao longo dos 70 anos da competição. Seguiram em frente quando o mundo pediu que não corressem na África do Sul, em 1985, em pleno regime do "apartheid" ou em 2012, quando se pediu um boicote ao Bahrein pelos seus abusos dos direitos humanos, em plena agitação social naquela nação. E nem saberemos o que faria Bernie Ecclestone numa situação destas. Provavelmente ainda incendiaria as coisas, falando disparates à imprensa...

E Hamilton também deveria saber que o lema não oficial deles é "o espectáculo tem de continuar". Afinal de contas, foi o que fizeram quando dois pilotos morreram num mesmo fim de semana...

Nas horas a seguir à renuncia da McLaren, começaram a surgir rumores sobre o cancelamento da corrida. Sinais inicialmente contraditórios, mas depois, durante a madrugada, houve uma reunião entre as equipas para decidir se cancelariam ou não o evento. E na votação... houve empate. Cinco a cinco. Segundo os "insiders", Mercedes, Red Bull, Alpha Tauri, Williams e Racing Point votaram a favor da continuidade, contra Ferrari, McLaren, Alfa Romeo, Renault e Haas. Mais tarde, minutos antes do encerramento, a Mercedes tinha entregue um comunicado a pedir à organização para que cancelassem a corrida. A ser verdade, há muita lágrima de crocodilo.

Pelas oito da manhã de sexta-feira, com gente nos portões, os seguranças barravam a entrada aos espectadores, enquanto se falava do rumor de que Kimi Raikkonen e Sebastian Vettel já tinham rumado para o aeroporto, provavelmente para apanhar um voo para casa. E logo a seguir, o anuncio oficial, depois de Chase Carey ter chegado a Melbourne, depois de um voo de Hanoi, onde tentava convencer as autoridades a não adiar a corrida vietnamita.

E portanto, chegamos a isto. Mas este pode ser apenas o primeiro capitulo da saga. Semana que vêm está marcado o GP do Bahrein, embora a organização tenha decidido realizar sem espectadores. Contudo, como sabem, um elemento da McLaren tem a doença e não se sabe quantos mais estão a incubar. Se neste período de tempo outros surgirão, eles poderão entrar no país? A equipa poderá entrar no país? Ou seja, haverá cenas dos próximos capítulos de uma situação onde todos saíram mal.

A Formula 1, no seu espírito de "o espectáculo continua, não importa a que preço", ficou muito mal retratado na câmara. Os seus dirigentes ficaram mal vistos. A FIA e a FOM, que tem responsabilidades civis, não serve só para receber o dinheiro, deram uma lição de civismo... mas ao contrário. E como já disse em cima, ainda não acabou. O mais provável é que a temporada seja adiada até maio e todos estes Grandes Prémios sejam, oficialmente, adiados. Porque se cancelam, perdem dinheiro, muito dinheiro. E claro, vai menos dinheiro para as equipas para as temporadas seguintes. Vai abalar a Formula 1 no futuro, em mais maneira do que julgam.

Esperemos pelas cenas dos próximos capítulos.

quinta-feira, 12 de março de 2020

Motores e o Coronavirus: A situação do dia 12

As coisas parecem precipitar-se, de minuto a minuto, nesta quinta-feira Quando ler isto, provavelmente estará desatualizado. É uma sexta-feira 13 antecipada, se quisermos assim.

A Formula E vai ser suspensa por dois meses, fazendo reduzir o calendário para nove corridas, levando ao cancelamento das corridas de Paris e Seul. Já a corrida de Jakarta, prevista para o dia 6 de junho, tinha sido adiada para data a determinar, mas provavelmente poderá ter sido cancelada.

No caso da Formula 1, no final da noite passada, foram detectados alguns elementos - quatro da Haas e um da McLaren - com sintomas suspeitos. Estão a ser testados pelas autoridades de saúde do estado de Victoria, e aguardam-se resultados para esta quinta-feira. Por essa altura, continuavam as precauções: as sessões de autógrafos estavam canceladas e a distância mínima entre os jornalistas e os pilotos é de dois metros, pelo menos.

Entretanto, em Hanoi, cresciam os rumores de um possível adiamento do GP do Vietname. Chase Carey esteve na capital vietnamita e parece que qualquer decisão acontecerá até domingo.

Pela manhã, final da tarde em Melbourne, os resultados que ninguém queriam ouvir: um dos elementos da McLaren tinha o coronavirus. A equipa reuniu-se de emergência e após alguma reflexão, decidiu renunciar à corrida. 

A McLaren Racing confirmou esta noite em Melbourne que se retirou do Grande Prémio da Austrália de Fórmula 1 em 2020, após o teste positivo de um membro da equipa para o coronavírus. O membro da equipa foi testado e colocou-se em isolamento assim que começou a apresentar sintomas que estão agora serão tratados pelas autoridades locais de saúde.”, começa por dizer.

A equipa preparou-se para essa eventualidade e dará apoio contínuo ao funcionário que agora entrará num período de quarentena. A equipa está a cooperar com as autoridades locais relevantes para auxiliar suas investigações e análises.

Zak Brown, CEO da McLaren Racing e Andreas Seidl, diretor da equipa da McLaren F1, informaram a Fórmula 1 e a FIA da decisão esta noite. A decisão foi tomada com base no dever de cuidar não apenas dos funcionários e parceiros da McLaren F1, mas também dos concorrentes da equipa, fãs da Fórmula 1 e partes interessadas mais amplas da Formula 1“, concluiu.

Contudo, apesar da renuncia da McLaren, a organização da Formula 1 decidiu seguir adiante, perante a revolta de muitos dos fãs. Mas à hora que se escreve este post, há informações contraditórias: a Sky Sports diz que a corrida vai prosseguir, a BBC, através de Andrew Benson, diz que duas fontes dentro da estrutura da Formula 1 afirmam que a corrida será adiada. Em suma, é a confusão total. Uns falam que são as equipas que pressionam a FOM para que tome a decisão, outras falam que tem de ser a FIA a fazê-lo.

Caso haja o adiamento do GP da Austrália, o dominó poderia ser veloz: as autoridades barenitas poderiam adiar a sua corrida "sine die", mesmo com o isolamento, o GP vietnamita seria também adiado, e a temporada poderia começar na Holanda, ou em Barcelona. Ou na pior das chances, esperar pelo verão europeu para começar a competição.

Entretanto, ontem à noite, a organização do Rali dos Açores, primeira prova do ano do Europeu de Ralis (ERC) e segunda prova do Campeonato de Portugal (CPR), decidiu adiar a prova devido aos receios do coronavirus. Apesar do arquipélago não ter qualquer caso até agora, as autoridades estão a vigiar os aeroportos e os portos para ver se alguém está ou não infectado.

No caso da IndyCar, com o aumento de casos nos Estados Unidos, e com a decisão de proibir os voos vindos da Europa, e com a Florida a lidar com um aumento de casos do coronavirus, o "mayor" de St. Petersburg decidiu que a corrida, por agora, será realizada sem espectadores. Porque a chance de cancelamento da corrida, que acontecerá no domingo, também está em cima da mesa.

Entretanto, por causa da proibição dos voos vindos da Europa, a prova de Sebring do Mundial de Endurance foi oficialmente cancelada, enquanto as 12 Horas foram adiadas para novembro.

E é esta a situação. Mas como disse em cima, as coisas estão a ser revistas de hora a hora...

terça-feira, 10 de março de 2020

Motores e o coronavirus - As novidades do dia 10

Enquanto a Formula 1 faz de tudo para que siga com normalidade, embora avisando que tomará todas as medidas caso a pandemia se espalhe, noutros lados, prevenir parece ser o melhor remédio. 

Esta tarde, a organização do Mundial de MotoGP decidiu adiar o GP das Américas, que deveria acontecer a 5 de abril, no Circuito das Américas, em Austin. Assim sendo, depois do cancelamento do MotoGP no Qatar, e do adiamento do GP da Tailândia para outubro, a corrida americana será a terceira prova a ser adiada. Em principio, o adiamento será para 15 de novembro, empurrando o GP de Valencia para a semana seguinte. 

Em principio, o próximo GP do calendário será o da Argentina, a 19 de abril.  

Na Formula E, com o cancelamento das rondas de Sanya e de Roma, a organização da Formula E pensa seriamente fazer uma ronda dupla em Valencia, no circuito Ricardo Tormo, no fim de semana de 4 e 5 de abril, para evitar ter um buraco enorme no calendário. Contudo, isso poderá ser contraproducente, porque neste momento, a Espanha tem 1622 casos, com 35 mortes a registar, e em sitios como o País Basco e a Comunidade de Madrid, as escolas e universidades estão fechadas.

E em Valencia, as autoridades locais estão de prevenção. As manifestações desportivas não tem espectadores, como os jogos de futebol do Valencia CF, e o governo já prometeu que durante a semana, irá anunciar novas medidas de contenção da doença. E algo parecido com o que a Itália anunciou, ou seja, a paralisação das atividades por duas semanas em todo o país, com altas restrições a circulação de pessoas e bens, pode ser uma possibilidade. 

E para piorar isso, o governo francês também pensa em medidas semelhantes, depois de terem sido anunciados 1616 casos em todo o país, com trinta mortes até agora. O ePrix de Paris é a 18 de abril, e provavelmente também poderá estar em perigo. Quanto ao ePrix de Seoul, previsto para o dia 3 de maio, apesar das autoridades locais terem dito que poderão ter passado pelo pior, a prova continua em dúvida.

segunda-feira, 9 de março de 2020

Automobilismo e o coronavirus - As novidades do dia 9

A cinco dias do GP da Austrália - que vai acontecer, com público - surgiu a noticia de que treze passageiros de um voo da Vietnam Airlines entre Londres e Hanoi, realizado no passado dia 2, têm o coronavirus e foram isolados num complexo residencial nos arredores da cidade. Apesar de todas as precauções que o governo local fez em relação aos casos do coronavirus - isolou uma comunidade de dez mil pessoas a 40 quilómetros da capital, quando ali foram detectadas 16 pessoas com a doença - as autoridades estão a fazer de tudo para que a corrida segue adiante. O GP do Vietname, terceira prova do campeonato, está - por agora - marcado para o dia 5 de abril.

Por causa disso, Mark Hughes, da revista Motorsport, critica a organização da Formula 1 na sua coluna habitual, ao chamá-los de "irresponsáveis" ao permitirem que o calendário se cumpra, apesar dos alertas em contrário. Se o GP do Bahrein vai acontecer sem espectadores, como foi ontem anunciado, o calendário não está a ter qualquer alteração.

"Não importa quantas [vezes eles digam] 'estamos monitorizando de perto a situação' e 'a segurança das pessoas é fundamental', a Formula 1 não é o orgão que pode fazer as chamadas objetivamente. Está financeiramente preso e precisa ser libertado desse fardo. A longo prazo, a Formula 1 não pode arriscar ser vista como a entidade que irresponsavelmente transformou a epidemia em uma pandemia, potencialmente matando milhões. Até que este vírus esteja sob controle, todos nós devemos aceitar que os grandes prémios são um luxo que precisamos adiar.", sentenciou.

Entretanto, a SRO, organizador do GT World Challenge, decidiu cancelar a ronda de Monza, prevista para os dias 17 a 20 de abril, por causa do coronavirus. Como é sabido, este final de semana, o governo italiano decidiu isolar o norte do país, afetando 16 milhões de pessoas nas regiões da Lombardia, Piedmonte, Veneto, Emiglia- Romana e Marche.

Contudo, a IndyCar não espera que o virus perturbe o calendário, apesar de nos Estados Unidos terem sido detectados até agora 617 casos, com 22 mortes. Recorde-se que a temporada começará este domingo nas ruas de St. Petersburg, na Florida. 

Estamos monitorizando activamente a situação e trabalhando em estreita colaboração com as autoridades de saúde pública para garantir o bem-estar de nossos espectadores e participantes do evento. Não esperamos nenhuma interrupção na programação da IndyCar, incluindo a corrida da próxima semana em São Petersburgo e o mês de maio no Indianapolis Motor Speedway", afirmou a Indy Car Series em comunicado oficial

domingo, 8 de março de 2020

Motores e o coronavirus: A situação do dia 8

E neste dia 8, Dia Internacional da Mulher, algo inédito: a Formula 1 vai ter uma corrida à porta fechada. A decisão das autoridades barenitas foi o de se realizar o Grande Prémio sem espectadores, a primeira vez na história da competição, para evitar a propagação do contágio. Até agora a pequena ilha do Golfo Pérsico tem registados 85 casos, sem mortes.

"Em consulta com os nossos parceiros internacionais e com a 'taskforce' Nacional de Saúde do Reino do Bahrein, tomámos a decisão de realizar o Grande Prémio de Formula 1 do Bahrein deste ano como um evento sem espectadores”, começa por se ler no comunicado do circuito internacional de Shakir, via Twitter.

Dada a contínua disseminação do COVID-19 em todo o mundo, realizar um grande evento desportivo, aberto ao público e que permita que milhares de viajantes internacionais e adeptos locais interajam de perto não seria o mais correto a fazer neste momento. De modo a garantir que nem o desporto, nem a sua base global de adeptos, sejam indevidamente impactados, o fim-de-semana da corrida vai ter lugar, mas apenas como evento televisivo”, continua.

"As ações preventivas para prevenir, identificar e isolar indivíduos com o CoVid-19 tem sido bem sucedidos até à data. A metodologia tem sido a de medidas proativas e ação rápida para aqueles que têm o virus, quase todos eles provenientes de pessoas que viajaram [das zonas afetadas]. Medidas agressivas de ordem social foram eficazes no sentido da prevenção da doença.", conclui o comunicado.

A decisão radical da corrida barenita poderá ser usada para as corridas seguintes, nomeadamente o Vietname e até os Países Baixos, palco da primeira corrida em solo europeu, que acontecerá a 3 de maio.

Entretanto, na Austrália, as autoridades locais apertaram com os italianos, mas até agora, nenhuma das equipas foi obrigada a entrar em quarentena em Melbourne. É que a província de Modena, onde se situa a Ferrari, entrou em quarentena neste sábado, mas rodos na Scuderia foram autorizados a viajar, pelo menos até ao outro lado do mundo. Claro, colocam-se dúvidas sobre as corridas seguintes, mas com a decisão barenita, resta saber se no caso do Vietname, que tipo de medidas eles irão usar para contar algum foco da doença. 

Entretanto, em Zandvoort, a organização do GP neerlandês está à espera da evolução da doença e como as autoridades irão lidar com ela. Jan Lammers, o diretor do circuito, afirma que a situação do coronavírus não deve colocar em perigo a realização da corrida.

Vamos deixar isto para o Departamento Nacional de Saúde Pública [dos Países Baixos]. Sei que a saúde global é o mais importante do que um evento desportivo, mas não podemos antecipar nada ainda. Estamos à espera.

O Salão de Genebra, por exemplo, foi cancelado, uma decisão sensata pois também é um evento interior. Zandvoort é ao ar livre, por isso acho que temos mais hipóteses.”, afirmou.

quinta-feira, 5 de março de 2020

Motores e o coronavirus - As novidades do dia 5

Hoje, dia 5 de março, há mais algumas novidades em relação à doença que tem vindo a espalhar rapidamente pelo mundo e do qual começa a ser controlado na China. Primeiro que tudo, o governo australiano decidiu que os controlos a estrangeiros vindos de países como Itália vão ser mais apertados, devido ao alastramento da doença. Neste momento, os italianos lidam com 3089 casos, dos quais resultaram em 107 mortes. E desses 3089 casos, 126 já estão curados e tiveram alta.

O primeiro-ministro [Scott Morrison] anunciou na sua conferência de imprensa os procedimentos e medidas de triagem para pessoas vindas de Itália”, começou por dizer Andrew Westacott, CEO da Grand Prix Corporation, à estação de rádio 3AW de Melbourne. “Acho que os responsáveis pela saúde e até o comité de segurança nacional, não levam em conta eventos mas sim o que é melhor para o o país, levando em consideração todas as informações”, continuou.

O material da Formula 1 chega entre amanhã e sábado/domingo a Avalon. Então todo o staff da Fórmula 1, incluindo as equipas sobre as quais deveríamos falar um pouco mais detalhadamente, chegam de quinta a terça-feira da próxima semana”.

Entretanto, quem decidiu não ir às três primeiras corridas do ano foi a alemã RTL, que irá fazer as suas narrações dos estúdios na Alemanha, devido às restrições das autoridades locais em relação a nacionais vindos de países onde o coronavirus tem vindo a afetar. A Alemanha tem neste momento 444 casos confirmados, sem mortes ainda. 

Entetanto, na MotoGP, o calendário foi modificado. Agora, o GP da Tailândia vai acontecer a 4 de outubro, fazendo mexer na realização do GP de Aragão em uma semana, passando para o dia 26 de setembro. Entretanto, a proposta do Conselho de Saúde local de cancelar eventos desportivos por 30 dias ainda não vai afetar nem as datas das Superbikes (SBK) em Imola, a 9 de Maio, ou o GP de Itália, em Mugello, no dia 31 de Maio. Contudo, a data do ePrix de Roma, a 4 de abril, está sob observação, se a proposta for adiante. 

segunda-feira, 2 de março de 2020

Motores e o coronavirus - as novidades do dia 2

Passadas 24 horas, algumas das noticias que falei ontem confirmaram-se: o GP da Tailândia de MotoGP foi adiado - provavelmente para setembro - e o GP da Austrália de Formula 1 vai por diante, apesar dos receios das equipas italianas. 

Entretanto, esta segunda-feira, soube-se que os pilotos da Renault Academy estão de quarentena num hotel de Tenerife devido a esse estabelecimento hoteleiro estar encerrado porque um dos seus hóspedes foi infectado por essa doença. São eles o brasileiro Caio Collet e o francês Hadrien David, ambos com 16 anos. Também o diretor da Renault Academy, Mia Sharizman, está de quarentena.

De resto, os planos de contingência estão a ser montados, mas a incerteza é o que domina. Se na China, parece que o pico da gripe já foi alcançado, o facto do resto do mundo estar a receber os seus primeiros casos e as autoridades sanitárias estão a fazer o melhor para conter a doença, em certos sítios como a Coreia do Sul, a Itália e o Irão, parece que a doença ainda está no seu começo.

Entretanto, no Bahrein, o Ministério do Interior local indicou a todos os que irão ao seu país - equipas, fornecedores e meios de comunicação social - para referir os países pelos quais os seus elementos passaram ao longo das últimas 14 dias. Eles solicitam em particular sobre quem vem dos Emirados Árabes Unidos, ou seja, Dubai ou Abu Dhabi, pois existe uma interdição de vôos dessas cidades desde o dia 28. O GP do Bahrein acontece no dia 22, e todo o cuidado é pouco, porque a ilha no meio do Golfo Pérsico tem registados 36 casos até agora.

Como se já tem dito, a situação é monitorizada dia a dia, hora a hora. Tudo que é verdade hoje, poderá ser o contrário amanhã, e os piores cenários estão em cima da mesa. No caso da Formula 1, a temporada poderá inciar-se em maio, nos Países Baixos, depois do adiamento ou cancelamento das quatro primeiras corridas do ano. E na MotoGP, a primeira prova poderá ser em Austin ou Jerez, deixando de fora as três primeiras corridas do ano. E na Formula E, depois do cancelamento da corrida de Sanya, quer a próxima corrida, em Roma, quer a de Seul, em maio, são em dois dos paises com mais casos desta epidemia. E claro, nem se fala de outras, muitas outras manifestações desportivas, que foram ou correm o risco de adiamento ou cancelamento por causa desta pandemia. 

Amanhã, nova atualização.

domingo, 1 de março de 2020

Motores e o coronavirus - As novidades do dia 1

Passado o fim de semana, e com os casos a aumentarem fora da China - no país propriamente dito, o foco inicial da epidemia, os casos tem vindo a diminuir - há duas grandes novidades. A primeira é que a corrida de Melbourne, a primeira do campeonato, pode acontecer mesmo sem que a Ferrari e a Alpha Tauri possam aparecer devido a eventuais restrições levantadas pelo governo australiano para os voos vindos de Itália. E o mesmo pode ser aplicado ao Bahrein, apesar das crescentes restrições por parte desse país aos voos vindos de Itália. 

Sobre a corrida australiana, qualquer decisão será anunciada amanhã. A prova é a 15 de março, uma semana antes do Bahrein. E qualquer decisão sobre a segunda corrida da temporada, acontecerá, na pior das hipóteses, em cima da hora.

Contudo, com ou sem planos de contingência - que devem estar ser colocados neste momento - surgiu esta tarde uma novidade: a prova de abertura da MotoGP, no Qatar, que deveria realizar-se no dia 8 de março, foi cancelado para a classe raínha, enquanto continua marcado para a Moto2 e Moto3. As razões têm a ver com a restrição de voos vindos de Itália e Japão. E este cancelamento poderá colocar em dúvida as quatro corridas seguintes, as da Tailândia, Estados Unidos e Argentina. Caso o pior aconteça, a temporada poderá ter de ser adiada até Jerez, onde a 3 de maio acontece o GP de Espanha.

Mas a razão porque o GP qatari foi cancelado apenas para a classe rainha foi porque a Moto2 e Moto3 já estão no emirado para os testes de pré-temporada. Se não estivessem ainda, era provável que também tivessem sido cancelados. E o que tem a ver com a Formula 1? Muito. Caso os italianos apanhem aviões que façam escala no Qatar, o período de quarentena obrigatória é de 14 dias, no mínimo. Logo, o limite é... este domingo, dia 1.

De resto, ainda temos mais algumas dúvidas sobre outras competições. A Formula E, como é sabido, suspendeu - ou cancelou - a corrida de Sanya, prevista para o dia 21 de março e o GP da China foi também adiado. Mas a prova seguinte, a 4 de abril, é em Roma. E Itália é o foco europeu da doença, apesar de estar contida na Lombardia, a mais de 900 quilómetros da capital. Ainda não chegou ao topo, mas é provável que no mês que vai começar agora, todos andam monitorizando a situação. 

Aliás, durante a semana, Jean-Eric Vergne esteve mal de saúde e submeteu-se a uma bateria de exames para despistar uma possível possibilidade do coronavirus. Em França, 130 casos deram positivo e já houve duas mortes. 

Em suma, tudo está mutável, e as certezas de hoje são as dúvidas de amanhã.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Formula 1 e o coronavirus - as novidades do dia 28

No dia em que foi oficialmente cancelado o Salão de Automóvel de Genebra, o mais importante do mundo, Chase Carey foi a Barcelona falar com as equipas sobre a situação. Como foi dito ontem, Vietname e Bahrein decidiram restringir e até cancelar os vôos vindos de Itália, devido a receios sobre a saúde pública e pelo novo foco do coronavirus vir da zona da Lombardia, a norte do país. Carey saiu da reunião afirmando que nada será alterado, mas tudo está sob revisão diária.

É que nas últimas horas, surgiram casos como o piloto de Formula 2 Christian Lundgaard, que apesar de não ter a doença, está sob quarentena e não pode participar nos testes coletivos da competição no Bahrein.

No caso do cancelamento do salão suíço, previsto entre os dias 5 e 15 de março, este acontece depois do governo local ter decidido proibir por duas semanas todos os ajuntamentos com mais de mil pessoas, e isso incluía o Salão Automóvel.

Olhando à atual situação e pelo alastrar do Coronavírus, o Concelho Federal catalogou a situação, na Suiça, como especial em termos de epidemia. Por isso, eventos de grandes dimensões com mais de mil pessoas estão proibidos, com efeito imediato pelo menos até ao dia 15 de março.”, diz o comunicado do ministério da Saúde suíço.

As especulações sobre este assunto nesta sexta-feira falam que o Mundial poderá não começar na Austrália, a 15 de março, mas sim... a 3 de maio, em Zandvoort. Os australianos estão a começar a colocar restrições para certos eventos, e a temporada começará dentro de duas semanas. Cancelamentos em cima da hora é uma hipótese bem plausível, mas as pessoas andam preocupadas com os novos surtos do CoVid-19. Ainda por cima, quando em Espanha teve um forte aumento de casos da doença nesta semana, com focos em Tenerife... e Barcelona. Até agora, foram 33 casos confirmados no país vizinho.

Num panorama em absoluta mutação, o que é verdade hoje poderá alterar-se amanhã.

sábado, 1 de fevereiro de 2020

Youtube Racing: As 12 Horas de Bathurst, ao vivo

Caso queiram ver, ao vivo e a corres, e no Youtube, as 12 Horas de Bathurst, podem ver por aqui.

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

A imagem do dia

Por muito que se diga que Michael Schumacher foi um dos melhores pilotos da história do automobilismo, ninguém esquece deste dia. E por muito que se justifique este acto por parte dos defensores do piloto alemão, e diga que outros tinham feito antes, os factos são estes e nada escapa disso: Schumacher impediu - de propósito ou não - Damon Hill de prosseguir no GP da Austrália de 1994, e ao fazer isso, tornou-se campeão do mundo. E sorriu quando soube desse facto. E hoje passam-se 25 anos sobre uma das manobras mais polémicas da história da Formula 1, que aconteceu no circuito urbano de Adelaide.

Hoje em dia ainda se sente essas consequências. Quando se fala do alemão, pode-se falar dos seus feitos, mas também se fala de Adelaide 1994 e Jerez 1997, quando se sente a hostilidade de Sebastian Vettel por parte dos fãs, em contraste com a devoção desses mesmos a Lewis Hamilton, parece a repetição de eventos agora com um quarto de século, sem mortes e guerras. Claro, esses fãs, que exasperam tudo nas redes sociais, esquecem-se que Hamilton e Vettel não tem nada a ver com essa luta. Respeitam-se na pista e dão se bem fora dela. Mas neste mundo em que vivemos, estas coisas não se esquecem e há quem faça com que as gerações seguintes peguem o preço, porque para eles, é um crime imprescritível, para toda a eternidade.

Que Schumacher tinha tudo para vencer o campeonato, tinha. Apesar das dúvidas sobre a sua máquina, das tragédias de Imola e da paranóia securitária das semanas seguintes, das desclassificações em Silverstone e das suspensões na ronda ibérica, tudo para levar Damon Hill ao colo e evitar que o título fosse decidido quatro corridas antes contra a Williams - uma ironia, dado o domínio nas duas temporadas anteriores -  no final, foi em Adelaide que tudo se decidiu. Com um toque, e com o alemão a sair melhor. Não na fotografia, claro, mas no "score" geral.

Quem beneficiou com tudo isto foi um veterano: Nigel Mansell. Orfã de campeões do mundo, a Formula 1 foi buscar Mansell, que vivia uma segunda vida na CART, para correr as rondas finais da temporada. Um quarto posto em Suzuka, à chuva, deu alguma dignidade, mas com os odis primeiros de fora em Adelaide, fez o que tinha a fazer e comemorou a sua 31ª e última vitória, aos 41 anos de idade, ao lado de outros dois veteranos, Gerhard Berger e Martin Brundle. Mansell continuaria por mais um ano, na McLaren, mas entrou mais nos anais da ridicularia que outra coisa.

Quanto ao que aconteceu, as discussões podem estar hoje muito mais diminuídas do que agora, mas ficou para sempre. De uma certa forma, estes são apenas os primeiros 25 anos da eternidade. 

terça-feira, 12 de novembro de 2019

WRC: Rali da Austrália cancelado

O Rali da Austrália foi oficialmente cancelado, logo, o Mundial de Ralis já acabou por 2019. O anuncio foi feito na madrugada de terça-feira pela organização. Os fogos florestais na área de Coffs Harbour, que estão descontrolados, levaram a esta decisão.

Considerando os melhores interesses e a segurança de todos os envolvidos e, claro, da comunidade em geral, não é apropriado realizar a prova”, disse Andrew Papadopulos, o diretor do Rali Australia, no comunicado oficial.

Os nossos pensamentos estão com a comunidade de Nova Gales do Sul, especialmente as pessoas que perderam entes queridos, meios de subsistência e casas, como resultado dos incêndios no norte desta região, e agradecemos à comunidade do rally pelo seu apoio e compreensão.

Horas antes, a organização tinha tentado salvar o rali, ao apresentar um plano que implicava o encurtamento da prova para 95 quilómetros de classificativas cronometradas, mas depois do cancelamento do Monday Test e dos reconhecimentos, ambas as partes decidiram que o cancelamento seria a melhor situação. Algo do qual as equipas estavam também de acordo.

"O cancelamento do Rally Australia foi a única coisa certa a fazer, com nossos pensamentos, com todos os afetados, seus entes queridos e as pessoas da Nova Gales do Sul afetadas pelos incêndios devastadores. Gostaríamos de enviar nosso mais profundo respeito aos bombeiros", disse a equipa de ralis da Toyota na sua conta oficial do Twitter.

Para além disso, a gala do WRC de final da temporada de segunda-feira à noite no Museu Marítimo Nacional da Austrália, em Sydney, também foi cancelada.

Com isso, Ott Tanak torna-se campeão do mundo de pilotos, que se tinha confirmado na prova anterior, na Catalunha, e a Hyundai ficou com o título de Construtores.

sábado, 9 de novembro de 2019

WRC: Haverá Rali da Austrália?

O Rali da Austrália, prova de encerramento do campeonato, pode estar em risco. Na primavera austral, os incêndios florestais à volta de Coffs Harbour, em Nova Gales do Sul, estão a dificultar as coisas para toda a gente, a menos de uma semana do inicio do rali.

As últimas noticias da zona afirmam que as estradas entre Sydney e Coffs Harbour estão fechadas, bem como o acesso às áreas florestais. Estes incêndios têm sido devastadores para a zona, com  alguma perda de vidas.

Os organizadores têm algumas opções em cima da mesa. O cancelamento é a mais radical, mas mudanças no percurso são a opção mais viável. As classificativas mais a sul da base do rali, em Coffs Harbour, podem ser abandonadas, porque são as mais próximas da área afetada pelos incêndios.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

A imagem do dia

Há 30 anos, acontecia uma das corridas mais molhadas da história da Formula 1. Em Adelaide, uma lotaria escolhia não os melhores, mas sim os mais capazes de sobreviver nessas condições. E se Thierry Boutsen mostrou que, pela segunda vez na sua carreira, se dava muito bem à chuva, outros mostravam-se de fora inesperada. Tão inesperada que a sua percepção mudou a partir desse dia.

Satoru Nakajima tinha 36 anos naquele 5 de novembro de 1989. Sepre tinha sido piloto da Lotus até então, embora ali já tinha assinado pela Tyrrell na temporada de 1990, já que a equipa fundada por Colin Chapman estava a deslizar para a sua decadência definitiva, apesar de uma temporada decente com o modelo 101, desenhado por Mike Coulghan e Frank Dernie. Mas o Judd V10 não era o Honda Turbo e a não qualificação no GP da Bélgica dos seus dos pilotos mostrou isso.

E mais: Nakajima não tinha pontuado até ali. Um sétimo posto em Portugal tinha sido o seu melhor resultado, mas nessa altura, não contava para os pontos. 

A qualificação fora "in extremis", pois tinha sido o 23º na grelha. E no dia da corrida, houve confusão, não só por causa das condições atmosféricas, como também as tentativas dos pilotos de que a corrida não acontecesse, e Alain Prost, na sua última corrida pela McLaren, decidiu até nem sequer voltar a sentar-se no carro na segunda partida, depois da sua primeira interrupção com bandeiras vermelhas. Apesar dos protestos, a vontade da FOCA e os organizadores levou a melhor.

Nakajima detestava circuitos citadinos e correr à chuva, e tinha as suas razões. Mas venceu os seus receios e sentou-se no carro. Era a última vez que faria isso nessa temporada. Mas tudo poderia ter acabado mal, se tivesse ficado na primeira volta, depois de um despiste na primeira chicane e ter cruzado a meta num distante último posto.

Sete pilotos tinha,-se retirado nas primeiras sete voltas, e quando Ayrton Senna se despistou na volta 13, depois de bater na traseira do Brabham de Martin Brundle, as desistências tinham-se elevado para doze. Mais três aconteceram no final da volta 19, quando Nelson Piquet também bateu na traseira do Osella de Piercarlo Ghinzani. Era um "destruction derby" à chuva, mas entre os seus pingos, Nakajima sobrevivia. E já se aproximava dos pontos.

Quando Eddie Cheever desistiu, na volta 42, apenas oito carros rodavam no asfalto. Seriam esses que chegariam à meta, e nessa altura, o piloto japonês era quarto. E ele aproximava-se de Ricciardo Patrese, o terceiro. Ele tentou ir buscá-lo, e foi nessa altura que, na volta 64, fez a sua volta mais rápida, também numa altura em que a chuva tinha diminuído um pouco. Contudo, a chance de ser o primeiro japonês no pódio não aconteceu. Mas tinha feito história.

Nakajima abandonou a Formula 1 no final de 1991, mas a sua performance desse dia ficou na memória, por ter sido a mais fantástica de alguém improvável.

domingo, 3 de novembro de 2019

Youtube Motoring Video: O projeto australiano de velocidade

A busca pelas mil milhas por hora (1609 km/hora) afinal... tem concorrência. Desde há mais de uma década que existe um concorrente australiano com esse propósito, o Aussie Invader 5R. A ideia é alcançar essa velocidade com um único foguetão, mais ou menos ao estilo do Bloodhound SSC. Está a ser construido em Perth, e a pessoa por trás do projeto chama-se Rosco McGlashan, que em 1994, bateu o recorde australiano, ao alcançar os 801 km/hora.

O carro já está a ficar pronto - é um projeto com quase uma década - mas nada ainda se sabe quando ele tentará a sua sorte. É que os britânicos, como sabem, e vêm por aqui, estão já na África do Sul a ensaiarem para a tentativa de recorde, com Andy Green ao volante...

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

A imagem do dia


Nunca é tarde para ser surpreendido. Esta semana, descobri estas imagens no site da Motorsport Imagens do fim de semana do GP da Austrália de 1993, quase há 26 anos. E era a reação do pessoal da McLaren depois do que tinha acontecido com Ayrton Senna e Eddie Irvine na corrida anterior, no Japão.

O pessoal conhece a história: Irvine, estreante na Formula 1 na Jordan, teve uma condução... reprovável no caminho do sexto posto e respectivamente do primeiro ponto da sua carreira. E nesse caminho, por exemplo, colocou fora de pista o Arrows de Derek Warwick e não ajudou muito quer Senna, quer Damon Hill quando eles o dobravam. 

Nas boxes, enquanto a Jordan comemorou a dupla pontuação - Rubens Barrichello foi quinto - Senna apareceu e disse das boas sobre a atitude de Irvine na pista. A discussão azedou e trocaram-se uns murros. E claro, a noticia do incidente correu mundo, com a FIA a repreender ambos e a suspendê-los, com essa suspensão... suspensa. Alguém quer saber porque o Eddie Irvine levou aquelas corridas de suspensão? Não foi só por causa da carambola de Interlagos...

Mas o espantoso foi ver como a McLaren reagiu a isto. É certo que o GP da Austrália era a última corrida do campeonato, era a última corrida do brasileiro na McLaren, e em Adelaide, todos estavam bem-dispostos e com bom humor. E de uma certa forma, foi assim que os mecânicos reagiram à atitude lutadora de Senna, que fazia inveja a Muhammad Ali... e claro, ele venceu ali pela 41ª e última vez, saindo da McLaren pela porta grande.