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quarta-feira, 13 de novembro de 2019

A imagem do dia

Por muito que se diga que Michael Schumacher foi um dos melhores pilotos da história do automobilismo, ninguém esquece deste dia. E por muito que se justifique este acto por parte dos defensores do piloto alemão, e diga que outros tinham feito antes, os factos são estes e nada escapa disso: Schumacher impediu - de propósito ou não - Damon Hill de prosseguir no GP da Austrália de 1994, e ao fazer isso, tornou-se campeão do mundo. E sorriu quando soube desse facto. E hoje passam-se 25 anos sobre uma das manobras mais polémicas da história da Formula 1, que aconteceu no circuito urbano de Adelaide.

Hoje em dia ainda se sente essas consequências. Quando se fala do alemão, pode-se falar dos seus feitos, mas também se fala de Adelaide 1994 e Jerez 1997, quando se sente a hostilidade de Sebastian Vettel por parte dos fãs, em contraste com a devoção desses mesmos a Lewis Hamilton, parece a repetição de eventos agora com um quarto de século, sem mortes e guerras. Claro, esses fãs, que exasperam tudo nas redes sociais, esquecem-se que Hamilton e Vettel não tem nada a ver com essa luta. Respeitam-se na pista e dão se bem fora dela. Mas neste mundo em que vivemos, estas coisas não se esquecem e há quem faça com que as gerações seguintes peguem o preço, porque para eles, é um crime imprescritível, para toda a eternidade.

Que Schumacher tinha tudo para vencer o campeonato, tinha. Apesar das dúvidas sobre a sua máquina, das tragédias de Imola e da paranóia securitária das semanas seguintes, das desclassificações em Silverstone e das suspensões na ronda ibérica, tudo para levar Damon Hill ao colo e evitar que o título fosse decidido quatro corridas antes contra a Williams - uma ironia, dado o domínio nas duas temporadas anteriores -  no final, foi em Adelaide que tudo se decidiu. Com um toque, e com o alemão a sair melhor. Não na fotografia, claro, mas no "score" geral.

Quem beneficiou com tudo isto foi um veterano: Nigel Mansell. Orfã de campeões do mundo, a Formula 1 foi buscar Mansell, que vivia uma segunda vida na CART, para correr as rondas finais da temporada. Um quarto posto em Suzuka, à chuva, deu alguma dignidade, mas com os odis primeiros de fora em Adelaide, fez o que tinha a fazer e comemorou a sua 31ª e última vitória, aos 41 anos de idade, ao lado de outros dois veteranos, Gerhard Berger e Martin Brundle. Mansell continuaria por mais um ano, na McLaren, mas entrou mais nos anais da ridicularia que outra coisa.

Quanto ao que aconteceu, as discussões podem estar hoje muito mais diminuídas do que agora, mas ficou para sempre. De uma certa forma, estes são apenas os primeiros 25 anos da eternidade. 

terça-feira, 5 de novembro de 2019

A imagem do dia

Há 30 anos, acontecia uma das corridas mais molhadas da história da Formula 1. Em Adelaide, uma lotaria escolhia não os melhores, mas sim os mais capazes de sobreviver nessas condições. E se Thierry Boutsen mostrou que, pela segunda vez na sua carreira, se dava muito bem à chuva, outros mostravam-se de fora inesperada. Tão inesperada que a sua percepção mudou a partir desse dia.

Satoru Nakajima tinha 36 anos naquele 5 de novembro de 1989. Sepre tinha sido piloto da Lotus até então, embora ali já tinha assinado pela Tyrrell na temporada de 1990, já que a equipa fundada por Colin Chapman estava a deslizar para a sua decadência definitiva, apesar de uma temporada decente com o modelo 101, desenhado por Mike Coulghan e Frank Dernie. Mas o Judd V10 não era o Honda Turbo e a não qualificação no GP da Bélgica dos seus dos pilotos mostrou isso.

E mais: Nakajima não tinha pontuado até ali. Um sétimo posto em Portugal tinha sido o seu melhor resultado, mas nessa altura, não contava para os pontos. 

A qualificação fora "in extremis", pois tinha sido o 23º na grelha. E no dia da corrida, houve confusão, não só por causa das condições atmosféricas, como também as tentativas dos pilotos de que a corrida não acontecesse, e Alain Prost, na sua última corrida pela McLaren, decidiu até nem sequer voltar a sentar-se no carro na segunda partida, depois da sua primeira interrupção com bandeiras vermelhas. Apesar dos protestos, a vontade da FOCA e os organizadores levou a melhor.

Nakajima detestava circuitos citadinos e correr à chuva, e tinha as suas razões. Mas venceu os seus receios e sentou-se no carro. Era a última vez que faria isso nessa temporada. Mas tudo poderia ter acabado mal, se tivesse ficado na primeira volta, depois de um despiste na primeira chicane e ter cruzado a meta num distante último posto.

Sete pilotos tinha,-se retirado nas primeiras sete voltas, e quando Ayrton Senna se despistou na volta 13, depois de bater na traseira do Brabham de Martin Brundle, as desistências tinham-se elevado para doze. Mais três aconteceram no final da volta 19, quando Nelson Piquet também bateu na traseira do Osella de Piercarlo Ghinzani. Era um "destruction derby" à chuva, mas entre os seus pingos, Nakajima sobrevivia. E já se aproximava dos pontos.

Quando Eddie Cheever desistiu, na volta 42, apenas oito carros rodavam no asfalto. Seriam esses que chegariam à meta, e nessa altura, o piloto japonês era quarto. E ele aproximava-se de Ricciardo Patrese, o terceiro. Ele tentou ir buscá-lo, e foi nessa altura que, na volta 64, fez a sua volta mais rápida, também numa altura em que a chuva tinha diminuído um pouco. Contudo, a chance de ser o primeiro japonês no pódio não aconteceu. Mas tinha feito história.

Nakajima abandonou a Formula 1 no final de 1991, mas a sua performance desse dia ficou na memória, por ter sido a mais fantástica de alguém improvável.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

A imagem do dia


Nunca é tarde para ser surpreendido. Esta semana, descobri estas imagens no site da Motorsport Imagens do fim de semana do GP da Austrália de 1993, quase há 26 anos. E era a reação do pessoal da McLaren depois do que tinha acontecido com Ayrton Senna e Eddie Irvine na corrida anterior, no Japão.

O pessoal conhece a história: Irvine, estreante na Formula 1 na Jordan, teve uma condução... reprovável no caminho do sexto posto e respectivamente do primeiro ponto da sua carreira. E nesse caminho, por exemplo, colocou fora de pista o Arrows de Derek Warwick e não ajudou muito quer Senna, quer Damon Hill quando eles o dobravam. 

Nas boxes, enquanto a Jordan comemorou a dupla pontuação - Rubens Barrichello foi quinto - Senna apareceu e disse das boas sobre a atitude de Irvine na pista. A discussão azedou e trocaram-se uns murros. E claro, a noticia do incidente correu mundo, com a FIA a repreender ambos e a suspendê-los, com essa suspensão... suspensa. Alguém quer saber porque o Eddie Irvine levou aquelas corridas de suspensão? Não foi só por causa da carambola de Interlagos...

Mas o espantoso foi ver como a McLaren reagiu a isto. É certo que o GP da Austrália era a última corrida do campeonato, era a última corrida do brasileiro na McLaren, e em Adelaide, todos estavam bem-dispostos e com bom humor. E de uma certa forma, foi assim que os mecânicos reagiram à atitude lutadora de Senna, que fazia inveja a Muhammad Ali... e claro, ele venceu ali pela 41ª e última vez, saindo da McLaren pela porta grande.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

A imagem do dia

De repente, passou um quarto de século. De como boa parte da década de 80 terminou naquele dia, pois não foi só Alain Prost e o seu quarto título mundial. Foi o dia da última vitória de Ayrton Senna, o dia em que Riccardo Patrese pendurou de vez o seu capacete, depois de 256 Grandes Prémios. Ainda tivemos Andrea de Cesaris que provavelmente não tinha lugar para correr em 1994, mas que ainda iria ter uma chance de participar à custa das desgraças de outros, numa temporada atipica.

Mas naquele dia em Adelaide, ver encerrada uma temporada em que Prost dominou de forma burocrática e Senna deu o seu melhor numa máquina inferior - há quem diga que este provavelmente poderá ter sido a sua melhor temporada - e no final, a rivalidade entre ambos foi exatamente isso: uma rivalidade. Não uma guerra, e nenhum deles queria o pescoço um do outro. Apenas queriam ganhar.

Senna sabia que tinha um rival e soube aproveitar isso para dar o melhor de si. E em muitos aspectos, ele beneficiou, e noutros, foi Prost o beneficiado. No final, o francês tinha mais títulos e vitórias que o brasileiro, mas o francês tinha mais quatro temporadas que ele, e tudo indicava que bastava uma temporada ao mais alto nível para Senna o alcançar. E ainda por cima, ele iria ficar com o lugar dele. Não era oficial, mas todos no paddock sabiam.

Contudo, todos também sabiam que iria haver novos regulamentos para 1994, e boa parte da electrónica iria ser banida. E quem se adaptasse melhor a esses novos regulamentos sairia melhor. E não seria a Williams... não sabíamos, mas estávamos vivendo a bonança antes da tempestade.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Youtube Formula 1 Classic: Formula 1 antiga com grafismo moderno

"Clássicos Modernos", conhece essa expressão? Pois bem, este repaz decidiu fazer algo bem simples, que foi pegar em videos antigos de Formula 1 e colocar os gráficos modernos que existem hoje em dia, neste ano da graça de 2018.

Eu direi que ficaram bons, embora tenha ficado a faltar uma imagem da qualificação, por exemplo. Acho que teria ficado completo. Mas mesmo assim, vejam na mesma.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Formula E: Adelaide quer acolher uma corrida

O circuito citadino de Adelaide, palco de corridas da Supercars australiana e da Formula 1 entre 1985 e 1995, deseja acolher a Formula E num futuro próximo. O bilionário Sanjeev Gupta decidiu apoiar a ideia de receber essa competição nas ruas da cidade australiana.

Numa coluna de opinião no jornal local The Advertiser, Gupta afirma que sediar uma corrida de Fórmula E se encaixa "perfeitamente com a paixão do Estado [da Austrália do Sul] pelo automobilismo e energia renovável".

Gupta, de origem britânica, decidiu no ano passado comprar a antiga fábrica de automóveis da Holden em Elizabeth, nos arredores da cidade, com o intuito de construir carros elétricos. E a oferta de Adelaide tem concorrência: Surfers Patadise e Perth desejam acolher a Formula E, que querem aproveitar a vaga de janeiro de 2019 que ainda não foi preenchida, e do qual as provas sul-americanas de Santiago do Chile e Punta del Este são as favoritas. 

Valdis Dunis, outro milionário que está à frente da candidatura de Adelaide à Formula E, colocou argumentos fortes para a cidade receber a competição: “Nosso maior argumento de venda é que organizamos muito bem a Fórmula 1, fazemos a [corrida de] Bay para Birdwood, o desafio solar, o Adelaide 500 - temos uma verdadeira cultura automotiva que as outras cidades não têm. Fizemos a melhor corrida de Fórmula 1 do mundo e as pessoas da Fórmula E nos dizem o quanto gostariam de trazer uma corrida para Adelaide”, concluiu.

A nova temporada da Formula E começará em dezembro, nas ruas de Riade, a capital da Arábia Saudita.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

A imagem do dia

Um momento em que fica na história: o pneu Goodyear de Nigel Mansell rebenta com todo o seu aparato em plena reta Brabham, a mais de 280 km/hora, a poucas voltas do fim do GP da Austrália e de um eventual título mundial.

A revista Motorsport classificou recentemente o GP da Austrália de 1986 como o mais emocionante da história da Formula 1, e as razões são mais do que muitas. Falamos de três candidatos ao título, do qual venceu o que menos esperavam. O favorito liderou durante boa parte da corrida, e mesmo quando tal não aconteceu, estava sempre na frente dos seus adversários, até que o tal pneu rebentou na volta 62, em plena reta Brabham, no qual controlou com uma mestria soberba, evitando males maiores.

Nelson Piquet poderia ter ganho, se tivesse passado Alain Prost. Tinha pneus mais novos, e maior andamento que o francês, mas tinha de estar atento à gasolina, tal como ele. Tanto que Prost parou mal cruzou a meta, e algo incrédulo, foi comemorar o mais inesperado dos seus quatro títulos mundiais. Agora imaginem se tivesse parado uma ou duas voltas antes, se aquele motor TAG-Porsche fosse um pouco mais guloso. como aconteceu, por exemplo, na Alemanha...

Mas, de facto, foi um final impressionante, daqueles do qual ainda nos lembramos, após este tempo todo. O símbolo de uma era que ficou nas mentes de toda uma geração que a viveu.

Formula 1 em Cartoons - Austrália 1986 (Pilotoons)

Há precisamente 30 anos, a temporada de Formula 1 desse ano encerrava com estrondo. Não da forma como está no desenho, mas certamente que Alain Prost poderá ter feito o seu "vodoo" sobre os pneus do "brutânico"...

Já agora (ainda não falei sobre isto por aqui) aproveito para dizer que o Bruno Mantovani anda a promover a financiamento do seu livro "Contos Velozes", onde os seus cartoons e as respectivas histórias serão compiladas em livro. Caso queiram ver - e colaborar - podem clicar neste link.

sábado, 2 de julho de 2016

A(s) image(ns) do dia

Vinte e dois anos e meio separam estas imagens. A primeira é do GP da Austrália de 1993, com Ayrton Senna a vencer pela 41ª vez na Formula 1, a bordo de um McLaren, com Alain Prost a subir ao pódio no segundo posto, na última vez em que o piloto francês corria na categoria máxima do automobilismo.

Esta tarde, em Londres, ambos os nomes voltavam a subir juntos a um pódio de uma corrida de carros, desta vez noutra categoria, e com os seus descendentes. Nicolas Prost, filho de Alain, vencia a corrida da Formula E em Londres, na frente de Bruno Senna, sobrinho de Ayrton. E Alain Prost estava no pódio para os saudar.

Para muitos, parece um regresso ao passado, mas ali não há rivalidade. Há admiração e respeito, porque ambos os pilotos não sairam aos seus ascendentes em termos de categoria máxima do automobilismo. Nicolas nunca lá chegou, Bruno foi modesto na Hispania, Renault e Williams, não estando lá desde 2012. Felizes na Formula E e na Endurance, ambos chegaram a andar juntos, como Nelson Piquet Jr, filho de Nelson Piquet, outro dos pilotos do qual houve uma rivalidade com Ayrton.

A coisa boa disto tudo é que as rivalidades fazem parte da pista, e não contaminam as familias. Os descendentes são todos amigos uns dos outros, e quem mais alimenta essa rivalidade são os adeptos mais fanáticos. Tudo passa, e o que fica são os resultados e os duelos na pista. As coisas boas, para que todos recordemos.

E esta tarde, voltamos a ver dois nomes miticos juntos, num pódio. E como não aconteceu na Formula 1, só demonstra que há mais automobilismo para além dele. 

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A imagem do dia (II)

Passam hoje exatamente 20 anos sobre o momento em que Portugal entrou na história da Formula 1. Não tanto em termos de circuitos - isso já tinha sido feito em 1958, na Boavista - mas sim quando um piloto chegou aos pontos num Grande Prémio de Formula 1. E para o próprio piloto, este desfecho foi o culminar de algo que começou em maio de 1994.

Campeão da Formula 3 alemã em 1992, vice-campeão da Formula 3000 em 1993, Pedro Lamy chegou à categoria máxima do automobilismo em setembro desse ano, pela Lotus, que procurava um substituto para Alex Zanardi, que se tinha lesionado no GP da Bélgica desse ano. A estreia de Lamy aconteceu em Monza, e não comprometeu, conseguindo andar ao nível do seu companheiro, Johnny Herbert. E a mesma coisa iria acontecer no inicio de 1994, com um oitavo lugar no GP do Pacifico, que naquela altura ainda não dava pontos.

Mas a 24 de maio de 1994, o desastre aconteceu quando perdeu o controlo do seu Lotus no circuito de Silverstone. Nunca houve fotos, mas uma descrição desse dia indicava que a asa traseira se soltou, e ele embateu numa ponta na zona de Abbey, destruindo o carro, indo parar fora da pista. Lamy, então com 22 anos, partiu ambas as pernas e deitou fora o resto da sua temporada.

A partir dali, foi mais de um ano de reabilitação, com o objetivo único de regressar à Formula 1. Uma reabilitação feita na Alemanha e na Áustria, no sentido de ficar em forma o melhor possível e tentar a sua sorte na categoria máxima do automobilismo, numa espécie de contas por soldar. E isso aconteceu a meio de 1995, quando substituiu Pierluigi Martini. E com o Minardi do fim da tabela - apenas melhor do que Forti e Pacific - conseguiu alguns resultados meritórios, como um nono posto em Budapeste e Nurburgring.

Mas foi em Adelaide que foi a sua corrida. 17º na grelha, dois lugares abaixo de Luca Badoer, seu companheiro de equipa, suportou o calor australiano e uma pista citadina em que, se saisse fora da linha, era capaz de se despistar a bater na parede. Nem sempre conseguiu escapar das armadilhas - despistou-se a meio da corrida, mas pode prosseguir - conseguiu no final um meritório sexto posto, a três voltas do vencedor, Damon Hill. Foi uma grande festa na boxe, pois não pontuavam desde o GP de França de 1994, quando Pierluigi Martini acabou a corrida no quinto posto.

Houve consequências: a FIA deu-lhes dinheiro para a equipa, os custos de transporte foram aliviados, pois entraram no "top ten", e o piloto português pode ficar mais uma temporada na marca sem problemas. E 1996 foi a sua primeira temporada a tempo inteiro na equipa de Faenza. E a última...

Mas não fazia mal, pois tinha entrado na história da Formula 1, e do automobilismo deste país. Vinte ano depois, este piloto com cara de garoto ainda dá cartas na Endurance, ao serviço da Aston Martin, e é considerado como um dos melhores veteranos, com uma rica carreira, que teve também passagens pela Endurance, com dois segundos lugares nas 24 Horas de Le Mans.

A imagem do dia

Mika Hakkinen têm uma longa carreira recheada de êxitos. Bicampeão do mundo, Michael Schumacher disse certa vez que foi o adversário que mais temeu em pista ao longo da sua carreira. E como sabem, em 1998 e 1999 conseguiu batê-lo e lutou como pôde em 2000, incluindo aquela fabulosa ultrapassagem em Spa-Francochamps.

Mas nada disso poderia ter acontecido caso Hakkinen não tivesse sobrevivido ao acidente que teve em Adelaide, na Austrália, fez vinte anos esta terça-feira. Se um bombeiro não tivesse feito uma traqueotomia de emergência naquela sexta-feira à tarde, nunca teríamos visto a segunda parte da sua carreira e lamentaríamos o desaparecimento precoce de um talento automobilístico, como lamentamos pilotos como Roger Williamson ou Francois Cevért, por exemplo. 

O acidente de Hakkinen foi mesmo forte, e mesmo grave. Causada por um furo lento, no impacto, quebrou não só o seu nariz, como os danos bloquearam as suas vias respiratórias, que o impediam de respirar. E também quase por milagre que o finlandês não quebrou o seu pescoço, pois as forças G foram bem fortes naquele impacto que sofreu contra a barreira de pneus na pista australiana.

No final, a história de Hakkinen foi uma excepção, se quiserem. Conhecemos os casos de pilotos que após um choque, não recuperam totalmente aquilo que eram dantes - como muitos falam de Felipe Massa, por exemplo - mas no caso dele, foi ao contrário: tirando nove pódios, todas as vitórias, poles e voltas mais rápidas foram conseguidas após o acidente em Adelaide. 

De uma certa maneira, parece que houve males que vieram por bem. Mas há vinte anos, a sua bela carreira poderia não ter acontecido.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

A imagem do dia

Uma foto de Frank Williams, no pódio, a celebrar a terceira vitória consecutiva da equipa, diante de Keke Rosberg e dos pilotos da Ligier, Jacques Laffite e Philippe Streiff. Há precisamente 30 anos, a Formula 1 chegava pela primeira vez à Austrália, mais concretamente ao circuito urbano de Adelaide, para a última corrida daquela temporada.

Apesar de ser a primeira vez, não era território virgem: nos anos 60, havia a Tasman Cup, um conjunto de corridas na Austrália e Nova Zelândia, onde os pilotos iriam correr enquanto que a Formula 1 entrava em hibernação por causa do inverno no Hemisfério Norte. Nessa competição, Bruce McLaren, Jim Clark e Jackie Stewart foram os campeões, com o escocês da Lotus a vencer o seu último título em 1968, meses antes da sua morte, em Hockenheim.

Em Adelaide, naquele tempo dos Turbo, era uma corrida de resistência, para saber quem é que resistiria a uma corrida que se estendia ao limite das duas horas. Para piorar as coisas, no dia da corrida, estavam 35ºC de temperatura, o que destruía tudo que fosse mecânico. E ao fim de duas horas, apenas oito carros chegaram ao fim, e apenas os Ligier ficaram na mesma volta do vencedor. E com a famosa colisão entre Laffite e Streiff, na última volta!

Mas aquela corrida também significava o final de uma era para muita gente. A Renault e a Alfa Romeo retiravam-se pela porta pequena, depois das duas construtoras terem investido mundos e fundos e saiam frustrados. Os franceses, por não terem conseguido um título mundial, apesar de terem inaugurado uma era na Formula 1, e os italianos, nem sequer venceram corridas, apesar de terem tido pilotos como Mário Andretti, Patrick Depailler, Riccardo Patrese ou Andrea de Cesaris.

Aquela tarde de Adelaide também significava para Niki Lauda o final de uma era. Após 171 Grandes Prémios e três títulos mundiais, tinha cumprido a sua missão e poderia cuidar dos negócios com a sua companhia aérea. As quatro temporadas com a McLaren, após uma primeira retirada, no final de 1979, foram recheadas de êxito, com oito vitórias e o título mundial de 1984.

Mas o que nenhuma daquelas pessoas, naquela tarde australiana, sabia, era que tinham visto pela última vez Frank Williams a subir a um pódio pelo seu próprio pé. Três meses depois, no sul de França, Williams sofreu um acidente onde quebrou o seu pescoço e perdeu para sempre a sua capacidade de andar.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Formula 1 em Cartoons - GP Austrália 1986 (Pilotoons)

O GP da Austrália é a prova de abertura do mundial, mas até 1995, era a prova de... encerramento. E claro, foi local de eventos decisivos. E o maior de todos foi a da edição de 1986, quando Nigel Mansell tinha o titulo na mão, mas um furo a alta velocidade na Brabham Straight fez perder essa chance a favor de Alain Prost.

E é isso que o Bruno Mantovani lembra hoje nos seus Pilotoons.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A foto do dia

Deste momento, muito se escreveu nestes últimos vinte anos. Nunca negarei que não sou fã de Michael Schumacher devido a este seu lado negro. Tudo aquilo que alcançou posteriormente demonstrou que ele é um dos melhores pilotos de sempre do automobilismo, e do qual merece todo o nosso respeito. Mas sei perfeitamente que outros pilotos consagrados têm os seus lados negros: Alain Prost fechou Ayrton Senna em 1989, Senna abalroou Prost no ano seguinte, e ambos continuam a ser respeitados e admirados.

Contudo, a ideia de que Schumacher usava de todas as táticas para vencer passou na cabeça de muita gente, e ainda por cima, sendo alemão e a má reputação dos alemães, não ajudou muito, para além da sua atitude. A sua primeira decisão polémica separou águas: os que gostam de Schumacher e os que odeiam. Três anos depois, quando tentou em Jerez de la Frontera a mesma gracinha com Jacques Villeneuve, e a FIA o puniu, desclassificando-o, houve uma sensação de justiça por aquilo que tinha feito em Adelaide.

Foi o final polémico de uma das temporadas mais atribuladas da história da Formula 1. Acidentes, mortes, desclassificações, ilegalidades, suspensões... tudo isso numa altura em que tivemos mais de 40 pilotos dentro de carros de Formula 1, equipas que lutaram para sobreviver e piloto de qualidade duvidosa ao lado de talentos.

E foi também nessa corrida que vimos embora alguns pilotos lendários, como Michele Alboreto, ou vimos outros pilotos a mudarem de oceano, como Christian Fittipaldi. Nigel Mansell venceu pela última vez na Formula 1 e a Lotus fez aqui a sua última corrida na encarnação começada por Colin Chapman. De uma certa maneira, aquela corrida de Adelaide tornou-se no final de uma era na Formula 1. 

domingo, 23 de março de 2014

Youtube Motorsport Demonstration: Demonstração de Nissans em Adelaide

Já têm umas duas semanas, pois foi na altura do fim de semana inaugural dos V8 Supercars, em Adelaide: uma competição entre Nissans: um GT-R, o Altima V8 que faz parte do campeonato, e um NISMO elétrico.

Querem ver como acabou? Vejam o video. 

Vi esta no blog Quatro Rodas e um Volante. 

domingo, 2 de março de 2014

Youtube Motorsport: O duelo na Clipsal 500, em Adelaide

Este fim de semana começa o campeonato V8 australiano, com o habitual Clipsal 500, no circuito urbano de Adelaide. E a primeira corrida do fim semana começou bem, com um final bem interessante entre o Jamie Wincup, no Ford Falcon da Red Bull e o Scott McLoughlin, de 19 anos, com o Volvo V60 da Polestar, e que logo na estreia da máquina nessas paragens, acabou por dar um lugar no pódio.

E a luta foi bem dura. Leal, mas bem dura. Vale a pena, apesar de ser... pelo segundo lugar.

domingo, 10 de novembro de 2013

Adelaide 1993: o final de uma era

Como o tempo voa: no passado dia sete de novembro completaram-se vinte anos sobre aquele GP da Austrália de 1993. Uma corrida onde tudo estava decidido, mas que toda a gente sabia que era o final de uma era gloriosa da Formula 1, e do automobilismo em geral.

Ao longo daquela temporada sabia-se quem iria ser o campeão: Alain Prost. Uma máquina do outro mundo, o Williams FW15, projetada por Adrian Newey (onde é que já vimos isto?) tinha feito regressar o piloto francês, que após ter saído da Ferrari pela porta pequena, no final de 1991, e vendo as poucas alternativas, decidiu que o melhor seria ficar a assistir das tribunas o domínio de Nigel Mansell na pista, a bordo do Williams FW14. 

Mas enquanto assistia a tudo isso, foi assegurar o seu futuro: logo em fevereiro de 1992, começou a falar com Frank Williams para ficar com o lugar em 1993, num contrato de duas temporadas. Sabendo que a Renault gostaria de ter um francês nas suas fileiras, o acordo foi veloz, mas ficou secreto até setembro daquele anos, quando foi revelado. Mansell - que tinha trabalhado com Prost na Ferrari em 1990 e detestou - ficou furioso e decidiu sair da Formula 1 com o seu titulo mundial e rumar aos Estados Unidos e a uma CART no seu auge. Bernie Ecclestone, que nunca escondeu a hostilidade por concorrência, aproveitou para retaliar e foi buscar Michael Andretti, colocando-o na McLaren, para ser "devorado" por Ayrton Senna. Porque digo isso? Bom, quando em março li a entrevista dele ao site brasileiro Grande Prêmio, pelo Renan do Couto, entendi que não gosta de falar sobre a sua passagem pela Formula 1...

Mas estou a fugir ao assunto: o "tetra" de Alain Prost foi uma linda auto-estrada, mas com mais buracos do que os que Nigel Mansell teve. Primeiro porque o FW15C não conseguiria ser a máquina que foi o chassis anterior, mas foi superior à concorrência. Depois, Damon Hill não era um parceiro que ameaçasse Prost, mas quando o filho de Graham Hill aprendeu o suficiente, começou a brilhar, a partir da segunda metade da época. E por fim, de uma certa forma, teve Ayrton Senna, que provavelmente deve ter feito a sua melhor temporada de sempre.

A temporada de Senna em 1993 é aquela que muitos sonham atualmente com Fernando Alonso: um piloto campeão com um mau chassis e um mau motor. Os alonsistas muitas das vezes olham para a temporada de 1993, porque querem provar que Sebastian Vettel é o campeão que muitos apregoam porque corre com o chassis desenhado por Adrian Newey E agarram isso como lapas desde que Alonso o disse na qualificação do GP da Índia de 2012. O problema dessa gente é que não conseguem admitir que Alonso e Vettel se equivalem, e Vettel não é o "burocrata" que Alain Prost se tinha tornado em 1993. Portanto, nesse campo, a história não se repete.

Como disse, o título de Prost foi burocrático. Fez o suficiente para ser campeão, e quando o conseguiu, no Estoril, anunciou que se iria embora de vez. Tinha 38 anos e 51 vitórias, e achava que era mais do que suficiente para ficar na história. É verdade, mas quem se recorda da corrida portuguesa, sabe que ele deixou-se ficar atrás do Benetton de Michael Schumacher, que ali conseguiu a sua segunda vitória da sua carreira. A segunda... de 91 corridas a terminar no lugar mais alto do pódio.

Contudo, quero concentrar-me na corrida de Adelaide. Nessa altura, Senna estava na mó de cima: vencera em Suzuka e tinha feito a pole-position na pista australiana, a única até então naquela temporada. Já se sabia que Senna iria sair da McLaren, após seis temporadas de excelentes serviços, especialmente naquela última, onde tinha vencido quatro corridas, uma delas, a de Donington Park, após uma primeira volta épica, colocando os Williams "no chinelo", num carro inferior, com motor Ford cliente, pois a prioridade nesse ano era a Benetton, de um Michael Schumacher a mostrar que era um bom piloto.

A corrida não teve grande história em si: Senna foi para a frente na primeira curva - onde Pedro Lamy seria o primeiro desistente, quando foi tocado pelo Larrousse do japonês Toshio Suzuki - e aguentou as coisas até à volta 24, quando foi às boxes e perdeu o comando para o Williams de Prost. Recuperou o lugar na volta 29 e nunca mais de lá saiu até à meta. Ali, tirou uma bandeira brasileira que tinha no seu bolso e a mostrou para toda a gente ver, comemorando a sua 41ª vitória da sua carreira.

Alain Prost, contudo, não foi o único piloto que encerrou a sua carreira nesse dia: discretamente, na oitava posição, estava o Benetton de Riccardo Patrese, tinha parado na volta anterior, mas estava ali a completar a sua 256ª participação na Formula 1. Um longo caminho aquele italiano tinha percorrido desde 1977, no Mónaco, ao volante de uma Shadow. E também outro veterano pendurava o capacete naquele dia: o britânico Derek Warwick, ao volante do seu Footwork-Arrows, depois de mais de uma década de bons serviços, na Toleman, Renault, Brabham, Arrows e Lotus. E parecia que esta seria a última corrida de Andrea de Cesaris, depois de uma péssima temporada na Tyrrell, mas conseguiu uma extensão em 1994, na Jordan e Sauber, e conseguiu chegar aos 204 Grandes Prémios com um recorde: nunca venceu qualquer vez.

Nas boxes da McLaren, todos choravam: Ron Dennis, Jo Ramirez e depois, o próprio Senna. Sabiam todos que era o final de uma era dourada naquela equipa, recheada de títulos e vitórias, e também de momentos dificeis que tinham conseguido superar. Todos sabiam em Woking que uma era na Formula 1 tinha acabado. E depois no pódio, Senna, magnâmio, brindava Prost. Era o reconhecimento que todos esperavam de que Prost tinha sido o seu melhor e mais duro adversário da sua carreira. Nem sempre as coisas foram leais, mas ali, não havia inimizade ou ódio.

Quanto a Prost, parecia que o seu sentimento era de alívio: "Fiquei feliz por ter subido ao pódio. Claro que teria gostado de ganhar, mas foi dificil. Esforcei-me muito para manter a concentração. Paciência, é o fim da história. Depois da bandeirada [de xadrez], na minha volta de arrefecimento, disse para mim próprio que podia suspirar: em treze temporadas de Formula 1, nunca me feri gravemente!", disse na conferência de imprensa após a corrida.

No dia a seguir, no jornal francês "L'Équipe", o jornalista Francois Reste escrevia o seguinte:

"Como nas cédulas de dinheiro, revelando em filigrana o rosto de uma personagem célebre, a carreira de Alain Prost teve sempre a sombra de Ayrton Senna. Desde 3 de junho de 1984, num GP do Mónaco chuvoso, que revelara o novo prodigio, o cenário da Formula 1 se articulou à volta destas duas personagens principais, que chegaram ao paroxismo da sua rivalidade em 1988 e 1989, os anos da sua co-habitação na McLaren, levados com inteligência, mas pontuados por uma severa ruptura.

Durante esses quase dez anos, os feitos de Prost não teriam talvez tido a mesma importância se Senna não existisse, e o contrário também é verdade. Será agora necessário nos habituar à ideia de um sem o outro. como um casal jamais separado. Senna sem Prost, será um pouco sem Dom Quixote sem o Sancho Pança.

Se já dá para sentir o enorme vazio que a "aposentadoria" de Prost vai fazer a partir de 1994, Senna ficará mais órfão que todos nós. Ao volante da sua Williams-Renault, o último campeão mundial ainda em atividade, vai sentir-se bem solitário, mau grado todos esses jovens ainda longe de terem atingido a sua dimensão: Schumacher, Hill, Hakkinen, e o nosso Alesi. A sua caça aos recordes de Prost, notadamente de vitórias, para o qual já só faltam dez sucessos, fará provavelmente sobressair ainda mais a ausência do seu alter ego. 

Senna sabe tudo isso. Como homem inteligente e sensível, não pode deixar de pensar nisso no momento em que derramou uma lágrima depois da chegada deste emocional GP da Austrália. este romance que acaba de chegar ao fim com o adeus de Alain Prost, e também um livro que se fecha sobre ele. Na sua nova vida que chega, haverá um pouco da sua juventude que se vai."

Aquela era, do qual jornalistas como Francois Reste, Francisco Santos e outros estavam a anunciar o seu fim naquele novembro de 1993, menos de seis meses depois, em Imola, os amantes do automobilismo em geral, e da Formula 1 em particular, iriam sentir de forma dura, inesperada e cruel, este sentimento de orfandade. Contudo, naquele fim de semana, Senna conseguiu demonstrar a Prost que se sentia órfão de um adversário, pois era com eles que conseguia se motivar. E eles já eram amigos. Acho que se algum dia Hollywood consiga fazer um filme sobre esses dois, gostaria que mostrasse essa face.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

GP Memoria - Austrália 1987

Com o título mundial dado a Nelson Piquet e com a ausência confirmada de Nigel Mansell, nesta última corrida da temporada, a Williams pediu nesta corrida de Adelaide à Brabham que libertasse mais cedo o seu futuro piloto, o italiano Riccardo Patrese, para correr ao lado de Piquet na Williams, o que foi acedido da parte da equipa que iria ficar ausente da Formula 1 por uma temporada. No seu lugar, a equipa trouxe o campeão de Formula 3000 daquele ano, o italiano Stefano Modena.

Na qualificação, a Ferrari queria aproveitar o seu bom momento de forma para fazer um brilharete, e assim aconteceu: Gerhard Berger conseguiu a pole-position, na frente do McLaren TAG-Porsche de Alain Prost. A segunda linha era constituida por pilotos brasileiros, com Nelson Piquet, no seu Williams-Renault, a ser mais veloz do que Ayrton Senna, no seu Lotus-Honda. O belga Thierry Boutsen era o quinto, seguido pelo segundo Ferrari de Michele Alboreto. Riccardo Patrese adaptava-se bem ao Williams-Honda, sendo o sétimo na grelha, na frente do segundo McLaren-TAG Porsche de Stefan Johansson. A fechar o "top ten" estavam o segundo Benetton de Teo Fabi e o Brabham-BMW de Andrea de Cesaris.

O Osella de Alex Caffi ficou com o 27º posto da grelha, impedindo-o de alinhar na corrida australiana.

Na partida, Piquet saltou para o comando, mas no final da reta Brabham, Berger conseguiu meter o carro de forma a recuperar a liderança, deixando Piquet, Senna e Prost logo atrás. Pelo meio, o Minardi de Alessandro Nannini sofreu um acidente e terminava ali a sua temporada. Nas voltas iniciais, parecia que as coisas iriam ser assim, mas pouco depois, Prost passa Senna e fica com o terceiro posto. Com o passar das voltas, Berger começa a afastar-se de Piquet, enquanto que Senna tentava não perder Prost de vista, mas as coisas andavam muito calmas na frente, sem grande história, numa corrida que iria ser de atrito.

O único grande momento foi a meio da corrida, quando Senna, depois de parar nas boxes para novo jogo de pneus, começou a puxar pelo carro, apanhando Alboreto e Prost na travagem para a reta da meta e passando do quarto para o segundo lugar, numa manobra bem ousada. Piquet tentou aproximar-se destes dois pilotos, e aproveitou a falha nos travões de Alain Prost, na volta 53, mas na volta 58, uma falha nos travões o colocou também fora de combate.

Na frente, Berger era inalcançável, com Senna e Alboreto logo atrás. Atrás, Patrese parecia ter o quarto lugar seguro, mas na volta 76, o seu motor explode e encosta-se à berma, fazendo com que este fique nas mãos de Boutsen.

Quando a bandeira de xadrez é mostrada, Berger era o vencedor sem contestação, seguido por Ayrton Senna e Michele Alboreto, com o Benetton de Thierry Boutsen, o Tyrrell de Jonathan Palmer e o Lola-Ford de Yannick Dalmas nos restantes lugares pontuáveis. Contudo, nas verificações, os comissários disseram que os as entradas de ar extras dos travões não eram legais e desclassificaram Senna, fazendo com que todos subissem mais um lugar, e colocando no sexto posto o AGS de Roberto Moreno, a primeira vez que quer equipa, quer piloto, chegavam aos pontos.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

GP Memória - Austrália 1992

Duas semanas depois de Riccardo Patrese ter vencido no Japão, máquinas e pilotos rumavam ao circuito australiano de Adelaide, que seria o palco do GP da Austrália, a prova final de um campeonato onde a Williams dominou tudo e todos, e onde Nigel Mansell, por fim, tinha conseguido o tão desejado titulo mundial. Mas nessa última corrida do ano, iria ser também a última corrida de Mansell na Formula 1, dado que ia correr para os Estados Unidos, descontente com o facto da Williams ter contratado Alain Prost para a temporada seguinte.

E também poderia ser a última corrida para Ayrton Senna, que descontente com o carro que tinha na McLaren, e com a Honda a abandonar a competição, parecia que iria ter uma batalha perdida em 1993, pois já se sabia que Alain Prost iria regressar à Formula 1 como o natural favorito à vitória na competição. E assim, já pensava fazer a mesma coisa que Prost: um ano sabático.

Sem alterações no pelotão, no final das duas sessões de qualificação, Nigel Mansell foi o melhor, seguido do McLaren de Ayrton Senna. Riccardo Patrese era o terceiro, seguido pelo segundo McLaren de Gerhard Berger. Michael Schumacher era o quinto, seguido pelo Ferrari de Jean Alesi. Andrea de Cesaris, no seu Tyrrell-Ilmor, era o sétimo, mostrando a boa forma da equipa neste final de temporada, na frente do segundo Benetton de Martin Brundle. E a fechar o "top ten" estava o Ligier de Eric Comas e o Lotus de Mika Hakkinen.

A corrida começou com Senna e Mansell na frente, e cedo, ambos os pilotos se distanciavam do resto do pelotão. Atrás, houve confusão quando Pierluigi Martini (Minardi), Olivier Grouillard (Tyrrell) e Michele Alboreto (Footwork-Arrows) se envolveram numa carambola, colocando os três carros fora de combate e um quarto ao retardador, quando Mauricio Gugelmin passou por cima de destroços que fizeram cortar o cabo de um dos travões. Isso viu-se na sétima volta, quando o piloto brasileiro ficou sem travões e bateu forte no muro. Felizmente, sem consequências.

Na frente, Mansell e Senna batiam-se pela liderança, até que no final da 17ª volta, o brasileiro travou tarde demais no gancho anterior à meta e tocou na traseira do Williams, colocando ambos os pilotos fora de combate e dando a liderança a Riccardo Patrese. Contudo, o italiano - que também estava na última corrida pela Williams - estava a ser assediado por Gerhard Berger, que também na sua última corrida pela McLaren. A meio da corrida, Berger colocou pneus novos e caiu para o terceiro lugar, atrás de Michael Schumacher.

Patrese parecia estar mais tranquilo na liderança, mas na 51ª volta, Patrese tem problemas de motor e encosta à berma, cedendo a liderança para Berger, que tinha entretanto passado Schumacher. Atrás, Brundle era terceiro, com Alesi relativamente atrás dele.

No final, Berger conseguiu a sua segunda vitória da temporada, na frente dois dois Benetton de Schumacher e Brundle. Jean Alesi foi quarto, no seu Ferrari, enquanto que nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Ligier de Thierry Boutsen e o Jordan-Yamaha de Stefano Modena. Para estes dois, seria a última vez que chegariam aos pontos, e para Modena, seria a sua última corrida na Formula 1.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Os tributos feitos no final de uma era

Ontem, depois de ter reagido ao artigo da Serena sobre os dezoito anos aquele Grande Prémio da Austrália de 1993, onde Alain Prost e Ayrton Senna correram juntos pela última vez, lembrava-me, enquanto escrevia o meu artigo sobre essa data, que tinha na minha biblioteca particular o anuário do Francisco Santos sobre essa temporada e sobre esse Grande Prémio, tão marcante em termos simbólicos por tantos motivos.

Assim sendo, mal tive a oportunidade, decidi resgatar o livro e transcrever para aqui o que foi escrito nessa altura, as declarações dos pilotos e aquilo que se esperava para a temporada de 1994, pois acho que é importante, mesmo para nós fazermos o nosso descernimento sobre aquilo que se falava e aquilo que sabemos agora.

Primeiro que tudo - e um pouco na continuação do artigo de ontem - andei a ler os relatos desse GP australiano. As choradeiras de Senna quando se despediu de Jo Ramirez, uma das lendas da McLaren, e no final da corrida, quando se abraçou a Ron Dennis, depois de ter dado à McLaren a sua última vitória ao serviço da equipa - e da carreira, como sabemos agora. E ainda o "tio Ron" teve a audácia de afirmar: "Nunca é tarde demais para mudar de ideias..."

E depois de se abraçarem, de o colocar no pódio, lado a lado, o homenageando como admirável adversário que o foi, Senna disse na conferência de imprensa, em tributo à equipa que se despedia e tinha ajudado a escrever as suas páginas mais douradas: "O mais importante é guardar os bons momentos que vivemos juntos, e quero agradecer a todos os nossos patrocinadores e a todos os que me ajudaram. Ganhei amigos e o respeito deles. E tenho por eles os mesmos sentimentos, isso é o mais importante. Esta temporada deu-nos um desafio muito duro, que enfrentamos".

Depois, Prost disse o que tinham sido a sua última corrida na Formula 1: "Quando se sabe que enfiamos o nosso capacete integral pela última vez, e que pomos as luvas pela última vez, e que escorregamos para dentro de um cockpit de um Formula 1, é difícil manter a concentração. Hoje esta realmente motivado, queria fazer uma boa corrida. Mentalmente não é nada fácil abordar a nossa última corrida: queremos fazer o melhor possível, evitando ao máximo cometer um erro.

Fiquei feliz por ter subido ao pódio. Claro que teria gostado ganhar, mas foi difícil. Esforcei-me muito para manter a concentração. Paciência: é o fim da história. Depois da bandeirada, na minha volta de arrefecimento, disse para mim próprio que podia suspirar: em treze temporadas de Formula 1, nunca me magoei gravemente!"

No dia seguinte, um artigo escrito pelo jornalista desportivo francês Franoics Reste, no jornal L'Équipe fala sobre o fim da carreira de Alain Prost e a sua interligação com Ayrton Senna, principalmente no seu auge nos temps da McLaren:

"Como nas cédulas de dinheiro, revelando em filigrana o rosto de uma personagem célebre, a carreira de Alain Prost teve sempre a sombra de Ayrton Senna. Desde 2 de junho de 1984, num GP do Mónaco chuvoso que revelara o novo prodígio, o cenário da Formula 1 se articulou à volta destas duas personagens principais, que chegaram ao paroxismo de sua rivalidade em 1988 e 1989, os anos da sua coabitação na McLaren, levados com inteligência, mas pontuados por uma severa rutura.

Durante estes quase dez anos, os feitos de Prost não teriam talvez tido a mesma importância se Senna não existisse, e o contrário também é verdade. Será agora necessário nos habituarmos à ideia de um sem o outro. Como um casal jamais separado. Senna sem Prost, será um pouco D.Quixote sem o seu Sancho Pança.

Se já dá para sentir o vazio que a aposentadoria de Prost vai trazer a partir de 1994, Senna ficará ainda mais orfão que todos nós. Ao volante do seu Williams-Renault, o brasileiro, o último Campeão do Mundo ainda em atividade, vai se sentir bem solitário, mau grado todos esses jovens ainda longe de terem atingido a sua dimensão: Schumacher, Hill, Hakkinen e o nosso Alesi.

A sua caça aos recordes de Prost, notadamente o de vitórias, para o qual já só restam dez sucessos, fará provavelmente sobresair ainda mais a sua ausência do seu alter ego. Senna sabe tudo isso. como homem inteligente e sensível, não pode deixar de pensar nisso no momento em que derramou uma lágrima dpeois da chegada deste emocional GP da Austrália. Este romance que acaba de chegar ao fim com o adeu de Alain Prost, é também um livro que se fecha sobre ele. Na sua nova vida que chega, haverá um pouco da sua juventude que se vai."

Num dia como hoje, em que o mundo inteiro presta tributo a Joe Frazier, a sombra de Muhammad Ali nos seus dias de auge do boxe, em meados dos anos 70, e que se ausentou da vida para fazer parte dos livros de história, recordar aquilo que se falou sobre aquele já distante sete de novembro de 1993 e o que representa esse dia nos dias de hoje, agora que sabemos o final da história, demonstra até que ponto se tornou importante.