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quarta-feira, 28 de abril de 2021

A imagem do dia


Há trinta anos, Imola vivia um dia e chuva, tal como aconteceu há semana e meia. Como nesse já distante ano de 1991, um carro com motor Honda triunfou por ali, com Ayrton Senna na frente de Gerhard Berger, e um "underdog", o finlandês Jyrki Jarvi Letho (que todos conhecem como J.J.), que a bordo de um Dallara, conseguiu o seu único pódio da sua carreira. 

Mas quem se lembra dessa corrida de há três décadas, sabe que foi uma prova onde poucos chegaram ao fim, com os dois Lotus a pontuaram na única vez naquele ano. Mas uma volta antes disso, não era o que se esperava, porque na quinta posição estava um solitário belga que fazia a sua primeira corrida do ano, na terceira prova da história da carreira de uma obscura equipa, que não deveria ter existido, mas foi obrigado a ser feito para cumprir os seus compromissos.

Falo da Modena. Ou Lambo. 

Eric van der Poele era o elo final da cadeia, que começara muito antes, quando um mexicano, Ernesto Gonzalez Luna, afirmava ter 20 milhões de dólares para fazer a sua própria equipa de Formula 1. Com isso, comprou motores Lamborghini e encomendou um chassis a Itália. Dentro da equipa, estava Mauro Forgheri, o mítico engenheiro que trabalhara para a Ferrari por mais de 25 anos, e que tinha saído no final de 1985 para ir trabalhar para o rival, que na altura era controlado pela Chrysler, então presidido por Lee Iaccoca.

O motor V12 foi feito em 1989, para a Larrousse, e depois para a Lotus, e em 1991, estava nos chassis da Ligier, e a nova equipa seria ótima para construir mais motores. Mas um dia, algures em 1990, Luna desapareceu de cena, e com "o bebé" nos braços, o projeto avançou, mas sem o nome da Lamborghini envolvido, pelo menos em termos oficiais, porque quem estava ao leme era Carlo Patrucco.

O Lambo 291 não foi grande coisa, apesar de Nicola Larini o ter qualificado em Phoenix e o levar até ao fim na sétima posição, a quatro voltas do vencedor. Imola era a terceira corrida do ano, e com a pré-qualificação, e os Jordan de outra galáxia, dois lugares estavam em jogo para o resto do pelotão, e dois deles eram os Dallara. Isso significava que Van de Poele e Larini não tinham grandes chances. Mas em Imola, o piloto belga conseguiu um primeiro feito, o de colocar fora da corrida o Dallara de Emmanuele Pirro

Contudo, colocar o carro entre os 26 que corriam no domingo era outra tarefa monumental. Os motores Lamborghini eram pesados e gulosos, e tinham tendência para quebrar. Contudo, quando funcionavam, tinham velocidade, e na sexta-feira, Van de Poele conseguiu o 21º tempo, bem dentro da qualificação. E no dia seguinte, a chuva fez a sua aparição, tinha conseguido o segundo milagre: qualificar-se.

A corrida foi o que foi: nada aborrecida. A começar pelo despiste de Alain Prost na Rivazza na volta de aquecimento (!) até a colisão de Nigel Mansell com o Brabham de Martin Brundle, na primeira volta, acabou com os dois McLaren, incólumes, com os únicos a acompanhar serem os Tyrrell de Stefano Modena e Satoru Nakajima. Pouco depois, eles abandonaram. 

Com o passar das voltas, os abandonos entre os da frente aconteciam, e Van de Poele passava mais alguns carros, graças à potência do seu Lamborghini V12. E perto do fim, ele estava nos pontos. Era quinto, e se conseguisse essa pontuação, teria garantida a passagem para o grupo principal, saindo de vez da pré-qualificação. Aliás, com Letho a caminho de um pódio garantido, feitas as contas, na segunda metade da temporada, eram eles e a Dallara que sairiam, mantendo por lá a Jordan, porque aina não tinham pontuado. 

Era um milagre da sobrevivência, e na última volta, era uma certeza. Mas... a ter algum problema, tinha de ser ali. A bomba de combustível cedeu, e o sonho virou pesadelo. Os maiores beneficiados? Os Lotus: Mika Hakkinen conseguia ali os seus primeiros pontos da sua carreira, e Julian Bailey, o único na Formula 1, e ele que correu também pela Tyrrell...

Faltou um pouco para a história do "underdog" ter dado sucesso. Van de Poele não sabia, mas iria ser a única vez que correu naquela temporada. O nono posto final, com quatro voltas de atraso, não refletiu o que foi aquela corrida. 

No final do ano, a Lambo fechou as portas, acabando por ali a experiencia.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

GP Memória - San Marino 1991

Tinham passado cerca de cinco semanas desde a corrida de Interlagos quando a Formula 1 chegou a Imola, palco do GP da San Marino, terceira prova do ano. Algumas equipas como a Arrows, Benetton e Brabham tinham reservado a corrida italiana para mostrar as suas novas máquinas, e numa era em que os bicos estavam a ser levantados, cada uma destas equipas mostrava a sua versão, sendo que o Benetton B191, desenhado por John Barnard, era o mais interessante deles todos e provavelmente iria fazer com que todos seguissem a tendência.

No caso da Arrows, as dificuldades com o motor Porsche continuavam, e para piorar as coisas, Michele Alboreto tinha tido algumas semanas antes a um forte embate na curva Tamburello quando testava com o chassis novo. Felizmente, sobreviveu incólume.

Em termos de pilotos, havia uma alteração: o sueco Stefan Johansson decidiu ir embora da AGS e no seu lugar veio o italiano Fabrizio Barbazza, um estreante nestas lides, na mesma altura em que a marca decidiu pintar o seu carro de vermelho a azul em vez do branco que tinham antes. Mesmo com estas mudanças, o carro de Barbazza foi um dos que não conseguiu passar na qualificação, a par do seu companheiro Gabriele Tarquini e dos Footwork-Arrows de Alex Caffi e Michele Alboreto. Antes, na pré-qualificação, o Dallara de Emmanuele Pirro, o Lambo de Nicola Larini, o Coloni de Pedro Matos Chaves e o Fondmetal de Olivier Grouillard também tinham ficado pelo caminho.

Nos treinos, Ayrton Senna fez de novo a pole-position, mas a diferença para o segundo classificado, o Williams-Renault de Riccardo Patrese, tinha sido de uns meros 0,080 segundos. Uma qualificação mais apertada do que o normal para o piloto brasileiro. Alain Prost era o terceiro, tendo a seu lado o segundo Williams de Nigel Mansell. Na terceira fila estava Gerhard Berger, no segundo McLaren, com Stefano Modena no sexto posto, no seu Tyrrell. A quarta fila tinha o segundo Ferrari de Jean Alesi na frente do primeiro Minardi-Ferrari de Gianni Morbidelli. Pierluigi Martini, no segundo Minardi, e Satoru Nakajima, no segundo Tyrrell, fechavam o "top ten".

O dia da corrida anunciava chuvoso, e assim aconteceu meia hora antes da corrida, com uma chuvada algo forte que ameaçava "acquaplanning" em algumas zonas. Assim sendo, os pilotos começaram a fazer a volta de aquecimento o mais cuidadosamente possivel. Mas quando os carros passavam pela Rivazza, deu-se o desastre: alain Prost perde o controlo do seu carro e vai para a berma, perante os atónitos "tiffosi". Gerhard Berger também comete o mesmo erro, mas continua em frente e consegue manter o motor a trabalhar. Já Prost não tinha essa sorte, pois fizera um pião e deixou o motor calar-se. A sua corrida terminava ainda antes de começar.

Na partida, Senna larga mal e é superado por Patrese, com Modena a saltar para o terceiro posto, aproveitando o buraco deixado antes por Prost. Mas mais atrás, o seu companheiro Mansell tinha problemas devido à caixa de velocidades. Afundara-se no pelotão e para piorar as coisas, sofreu um toque do Brabham de Martin Brundle, que causou um pião na entrada da reta da meta, ficando por ali. Na segunda volta, o Benetton de Nelson Piquet fica pelo caminho na travagem para a Tosa, e depois é a vez de Alesi, que se despista no mesmo local que Piquet quando passava Stefano Modena, na luta pelo terceiro posto.

Nas voltas seguintes, a chuva para e o asfalto começa a secar, fazendo com que Senna se aproximasse de Patrese, mas isso não se devia à melhor performance do brasileiro: o motor Renault estava a falhar, e na nona volta, o italiano vai às boxes. Ainda regressa à corrida, mas pouco mais podia fazer. Em menos de dez voltas, a McLaren via grande parte da concorrência a ser eliminada, e o terceiro era... Modena, no seu Tyrrell.

Por essa altura, o asfalto secava e os pilotos trocavam para pneus slicks. Os Tyrrell andavam atrás dos McLaren, mas em poucas voltas, Nakajima e Modena desistiam com problemas de transmissão nos seus carros, e aos poucos, o pelotão ficava assustadoramente pequeno. O Benetton de Roberto Moreno herdou o terceiro posto e lá permaneceu durante boa parte da corrida, com o Dallara do finlandês J.J. Letho atrás de si. Mas na volta 55, o motor de Moreno falha e perde o terceiro posto a favor do finlandês.

Mas iria haver mais drama no final. O Lambo-Lamborghini do belga Eric Van de Poele conseguira sobreviver à hecatombe e ia a caminho de dar os primeiros pontos à novata equipa quando a sua bomba de combustivel avaria a meio da última volta. Van de Poele era quinto e acabou a corrida na nona posição.

Assim sendo, Senna era o vencedor, acompanhado no pódio por Gerhard Berger e J.J. Letho, no seu primeiro (e unico pódio) da sua carreira. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Minardi de Pierluigi Martini e os Lotus de Mika Hakkinen e Julian Bailey, que tinha largado para a corrida... na última fila da grelha de partida. Seria a unica vez que pontuariam naquele ano e para ambos os pilotos, eram os seus primeiros pontos da sua carreira.

Fontes: