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terça-feira, 1 de março de 2022

A imagem do dia


Danny Ongais rodando em Jacarépaguá durante o fim de semana do GP do Brasil de 1978, ao volante do Ensign. Boa parte da carreira de Ongais no automobilismo deve-se a Ted Field, principalmente entre 1975 e 1986. Field era um herdeiro do jornal Chicago Sun-Times, nascido em 1953 e nessa altura, era alguém que tinha dinheiro para perseguir os seus sonhos. Em 1974 viu Ongais a correr e decidiu adquirir um chassis de Formula 5000 e criar a Interscope Racing, só para ele correr. 

E deu certo: em 1975, foi para a IndyCar e em 1977, arranjou um chassis Penske para correr nas etapas americanas da Formula 1, Estados Unidos e Canadá. Em Watkins Glen, Ongais foi o último da grelha e não foi longe devido a acidente. Na corrida seguinte, em Mosport, não foi muito mais longe, ao ser 22º na grelha, mas beneficiou do atrito que foi aquela prova, acabando na porta dos pontos, ao ser sétimo, mas a duas voltas do vencedor. E pior: o carro que ficou na sua frente, o Surtees de Vittorio Brambilla, tinha-se acidentado na última volta, e acabaria por pontuar!

Em 1978, Field comprou um lugar na Ensign para Ongais para as corridas sul-americanas, Argentina e  Brasil. Partindo sempre do fundo da grelha - 21º em Buenos Aires, 23º de Jacarépaguá - nunca chegou ao final. Pouco depois, adquiriram um Shadow DS9, que serviu de teste para desenvolver o carro para aquela temporada, correndo em Long Beach e em Zandvoort, mas nunca conseguiu se qualificar para as duas provas. 

No inicio de 1979, Ongais estava em Paul Ricard, para testar o Shadow. A ideia era de ficar com um dos lugares, com o outro a pertencer a Jan Lammers. O teste até correu bem, mas o outro candidato era um jovem de 20 anos chamado Elio de Angelis. O italiano tinha tudo a seu favor: velocidade, juventude e dinheiro, porque era proveniente de uma família milionária. E com tempos melhores, acabou por ficar com o lugar. Os resultados ao longo desse ano confirmaram que a escolha foi bem feita, porque em 1980, o italiano rumou à Lotus. 

Com isso, terminou a passagem de Ongais pela Formula 1. Mas a ligação à Interscope e a Ted Field continuou por muitos e bons anos, dando por exemplo, o triunfo nas 24 Horas de Daytona em 1979, num Porsche 935, e até uma aventura de meter um motor Porsche Turbo num chassis ordenado construir por ele. Mas isso conto mais tarde. 

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

The End: Danny Ongais (1942-2022)


Danny Ongais, "o havaiano mais veloz do mundo", morreu neste sábado aos 79 anos de idade, em Anaheim, na Califórnia, anunciou hoje a família. Ele não resistiu a complicações cardíacas. Piloto versátil nos anos 70 e 80 na IndyCar, também teve participações na Endurance e na Formula 1, nas temporadas de 1977 e 78, em carros privados e duas corridas pela Ensign, não conseguindo pontuar.

Nascido a 21 de maio de 1942 em Kahului, no Hawaii, a sua carreira começou em 1960 nas motos, antes de passar para as corridas de "drag" no meio da década, sendo vice-campeão da NHRA em 1966 na classe Top Fuel, batendo  Don “The Snake” Prudhomme. Três anos depois, em 1969, ganhou na classe Funny Car, correndo em carros preparados por Mickey Thompson. Um ano antes, inscreveu um carro para ele nas 500 Milhas de Indianápolis, mas não foi aceite por... falta de experiência.

Apesar desta contrariedade, ele participou em mais de 300 tentativas de recorde de velocidade em diversas categorias, em Bonneville, no Utah.

Nos anos 70, começou a competir nas provas da SCCA (Sports Car Club of America), e em 1974, chamou a atenção de Ted Field, herdeiro do fundador de um dos jornais de Chicago e entusiasta do automobilismo. Field fundou a Interscope Racing, correndo desde a IMSA até a USAC, categoria anterior à IndyCar, passando pela Formula 5000 e em 1977, na Formula 1.

Nesse ano, Ongais participou nas corridas americanas a bordo de um Ensign inscrito pela Interscope, conseguindo um sétimo posto no GP do Canadá de 1977. No ano seguinte, participou nas duas primeiras corridas do ano, com a Ensign, e ainda correu o GP de Long Beach, com um Shadow DN9, sem conseguir se qualificar.

Nesse mesmo ano, conseguiu aquilo que foi uma das suas melhores performances nas 500 Milhas de Indianápolis. Segundo na grelha, liderou por 71 voltas até à 145ª passagem pela meta, quando o seu motor explodiu e acabou ali a sua corrida.  Nesse ano, triunfou em cinco provas, acabando em oitavo na classificação geral.

Em 1979, ao lado de Hurley Haywood, triunfou nas 24 Horas de Daytona num Porsche 935, e mais tarde, em Indianápolis, conseguiu a seu melhor classificação de sempre, com um quarto lugar. 


Mas dois anos depois, também em Indianápolis, sofreu o pior acidente da sua carreira. Na volta 63 das 500 Milhas de Indianápolis, depois de ter saído das boxes, tentava passar um carro atrasado quando bateu fortemente no muro na curva 3 desintegrando o seu carro. Gravemente ferido nas pernas, no braço direito e no abdómen, ficou meses em recuperação até regressar ao volante. Cinco anos depois, em 1987, corria pela Penske quando sofreu um acidente forte na qualificação, obrigando a que ele chamasse Al Unser Sr no seu lugar. Ele foi correr e acabou como triunfador, conseguindo a sua quarta vitória nas 500 Milhas. 

Retirado da competição, em 1996, aos 54 anos, foi chamado para regressar ao cockpit por um motivo forte: a Team Menard precisava de um substituto para Scott Brayton, morto durante uma sessão de testes nas 500 Milhas de Indianápolis. Tinha conseguido a "pole-postion" e pediu a ele se poderia guiar o seu carro. Ele aceitou e apesar de largar da 33ª e última posição, conseguiu fazer uma proba sem erros, acabando na sétima posição. A sua última participação foi em 1998, sem se conseguir qualificar. Dois anos depois, entrou no Motorsports Hall of Fame of America, pelos seus feitos nas categorias em que participou.

sábado, 29 de maio de 2021

A imagem do dia


Neste fim de semana temos as 500 Milhas de Indianápolis, uma das proas mais marcantes do automobilismo mundial. E neste ano da morte de Bobby Unser, uma das lendas do "brickyard" americano, lembro-me das circunstâncias da sua terceira e última vitória no "brickyard", em 1981. Um triunfo que durou... cinco meses. E durante esse tempo, Mário Andretti foi declarado vencedor, como vêm na foto. Uma vitória oca, se preferirem.

Naquele ano, a IndyCar ainda vivia a cisão entre as equipas e a USAC. Estas tinham criado a CART em meados de 1979, mas a USAC ainda era a dona das 500 Milhas de Indianápolis, e os pilotos precisavam dela, porque era das corridas com maior prestigio nos Estados Unidos. Apesar das duas partes em conflito, ambos concordaram em ter os pilotos da CART numa prova da USAC, e todos eles estavam no "Brickyard" naquele dia 24 de maio de 1981 para uma prova que teve de tudo. Incluindo uma das maiores polémicas até então.

Antes da polémica, o primeiro momento critico começa na volta 58 quando Rick Mears chega às boxes para o seu reabastecimento. Os mecânicos correram para o seu carro, mas a mangueira decidiu deitar metanol antes de chegar ao depósito de combustível e este, que não produz chama visível, caiu em cima de Mears, que teve de sair do carro, em pânico porque ninguém conseguia apagar o fogo invisível que o metanol produz. Acabou por ser o seu pai a pegar um extintor e apagar esse metanol. Apesar de quatro pessoas acabarem no hospital, e Mears ter de falhar uma corrida por causa das queimaduras sofridas, o incidente foi o suficiente para mudar o procedimento de reabastecimento e as mangueiras, treze anos antes do incidente de Jos Verstappen no GP de Alemanha de 1994.  

Cinco voltas depois, na olta 63, e na curva 3, o carro de Danny Ongais bate no muro e explode em mil pedaços, causando bandeiras amarelas. A visão do piloto nos destroços, vistos nas câmaras da ABC americana, faz com que todos fiquem chocados e convencidos que o veloz havaiano, então com 39 anos, estava morto. Na realidade, sobrevivera ao choque, mas ficara muito ferido e demoraria um ano até voltar à competição.

Mas a polémica maior começou na volta 145, quando Tony Bettenhausen e Gordon Smiley tocam-se e há bandeiras amarelas. Suficiente para o pelotão ir para as boxes, para um último reabastecimento. Entre eles estavam Bobby Unser e Mário Andretti. Na saída das boxes, com o Pace Car a controlar o pelotão pelas curvas 1 e 2, com Unser na frente do italo-americano. Bobby passou 14 carros antes de entrar no pelotão no final da curva 2, sem passar a linha branca. Andretti passou menos carros - cinco ou seis, as imagens não são claras - e diz à equipa que Unser tinha quebrado as regras. No final da corrida, Unser triunfa pela terceira vez na sua carreira, aos 47 anos, mas logo a seguir, a Patrick Racing, equipa de Andretti, decide protestar, e as horas seguintes são passadas com os comissários a ver as imagens, até decidirem, às oito da manhã do dia seguinte, que Unser seria penalizado em um lugar, declarando Andretti vencedor.

Unser, piloto da Penske, não gostou da decisão e apelou imediatamente. E as tensões estavam ao rubro entre ambos que no jantar, quando Andretti recebeu o envelope onde deveria estar o dinheiro, não tinha nada. E o Pace Car que recebeu de presente, não tinha vindo com as chaves. Para o outro lado, não era uma vitória justa. E ainda não tinham encerrado o caso.

A razão? Roger Penske tinha lido o livro de regras da USAC e viu que este não era claro quando à velocidade do carro quando estava dentro da linha de saída das boxes. Ele afirmou que na realidade, não estava na pista até acabar essa linha e entrar atrás da fila que seguia atrás do Pace Car. E Unser tivera o cuidado de não pisar e transpor essa linha. A USAC viu as regras e decidiu que... tinha razão. Elas eram omissas naquela situação em concreto e na dúvida, ele fizera tudo certo.

A 9 de outubro de 1981, o Tribunal de Apelo da USAC decidiu 2 contra 1 que Unser deveria ser declarado vencedor, e essa penalização seria convertida numa multa de 40 mil dólares. Andretti apelou até ao Tribunal de Apelo da FIA, mas este julgou improcedente.

As coisas arrastaram-se a certo ponto que Unser achou por bem pendurar o capacete de vez, porque já tinha 47 anos e era o primeiro piloto a triunfar no "Brickyard" por três décadas consecutivas e e sair por cima era bem melhor. Andretti ficou amargurado por ter comemorado uma vitória que acabou por ser "oca", e o melhor exemplo é a foto. De uma vitória que acabou por não ser reconhecida.

domingo, 21 de maio de 2017

Youtube IndyCar Crash Classic: O acidente de Danny Ongais (1981)

Hoje, Danny Ongais faz 75 anos de idade. O único havaiano da história do automobilismo, teve uma carreira longa em várias provas nos Estados Unidos, mas também incluiu algumas corridas na Formula 1, entre 1977 e 1978. Sempre veloz, nunca venceu nas 500 Milhas ou na USCA e na CART, mas a sua velocidade sempre impressionou, especialmente quando correu nos Porsches da Interscope Racing, de Ted Field.

Contudo, como é fim de semana de Indianápolis, recordo de um terrivel acidente com quase 36 anos: em 1981, Ongais corria num carro da Interscope quando bateu bem forte na Curva 3. Apesar da destruição e da maneira horrivel como ficou o piloto, recuperou o suficiente para poder correr no ano seguinte... e isto, numa altura em que a segurança era bem menos da que existe agora. 

Quanto à sua carreira no "Brickyard", o seu grande ano já tinha acontecido em 1979, com um quarto lugar, mas ainda conseguiu resultados de relevo, especialmente em 1996, quando já tinha 54 anos e foi correr no carro do malogrado Scott Brayton, depois de este ter feito a pole-position e ter sofrido o seu acidente mortal durante uma sessão de treinos livres. Ongais acabou a corrida no sétimo posto.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Biografias - Danny Ongais (3ª e última parte)

(continuação do capitulo anterior)

Após o acidente de Ongais nas 500 Milhas de Indianápolis, muitos afirmaram que os seus dias de pilotagem estavam acabados, devido à severa natureza dos seus ferimentos. O médico da CART, Dr. Steve Olvey, afirmou depois o seguinte: "Naquela altura, ele era provavelmente um dos pilotos sobreviventes que estavam em pior estado que jamais tinha visto". E de facto, os seus ferimentos eram extensos: fraturas expostas em ambas as pernas, bem como traumatismos toráxicos, mas após ter passado o resto do ano em reabilitação, ele voltaria às pistas no inicio de 1982, em Daytona, para a IMSA.

Ongais estava de volta à forma, com muitas pole-positions, mas apenas com uma vitória, em Pocono. Voltou a Indianápolis para guiar o Interscope, onde se qualificou no nono lugar, mas a sua corrida ababou na volta 62 com um acidente, mas sem consequências, desta vez. Poucas semanas depois, estava ao volante de um Porsche da Kremer Racing, com Ted Field e Bill Whitington, mas a corrida durou pouco, devido a um problema de motor.

Em 1983, Field decidiu que era altura de largar o automobilismo para prosseguir uma carreira como produtor cinematográfico e discográfico (fundou depois a Interscope Records), mas continuou a patrocinar Ongais nos anos seguintes. Foi para Indianápolis, onde não chegou mais uma vez ao fim, e no ano seguinte voltou para fazer uma temporada inteira na CART, com um chassis March, onde conseguiu um pódio e um nono lugar nas 500 Milhas de Indianápolis, depois de ter largado da 11ª posição. Em 1985 continua com uma nova versão do chassis March, conseguindo algumas posições de relevo, como um sexto lugar em Miami, mas a partir de 1986, as suas participações na CART tornam-se mais esporádicas, devido também à própria natureza do havaiano fora das pistas: tímido, quase reclusivo. 

Contudo, em 1987 - graças aos bons ofícios de Ted Field - Ongais conseguiu um lugar na Penske, ao lado de Danny Sullivan e Rick Mears. Mas ele sofre um acidente na qualificação, do qual resulta uma concussão craniana, e os médicos o proíbem de correr. Roger Penske, que sofria nesse ano com a ineficácia do seu chassis, decidiu fazer uma troca radical - foi buscar chassis March - e trouxe Al Unser Sr. para o lugar de Ongais. Este acabou por vencer a corrida, aquela que viria a ser a sua quarta vitória no "Brickyard". Ongais correu mais umas provas, mas aquilo veio a ser a sua última temporada na CART.

Após isso virou-se para a Endurance, onde acabou em quarto nas 12 horas de Sebring de 1988, ao lado do sul-africano Sarel van der Merwe e do alemão Louis Krages (a.k.a John Winter) mas após as 24 horas de Le Mans, em 1988, a bordo de um Nissan, ao lado de Michel Trollé e o japonês Toshio Suzuki, pouco se ouviu dele nos anos seguintes. Acompanhou a aventura do seu filho Brian na Indy Lights, em 1989, mas este cedo desistiu de uma carreira no automobilismo, e Danny Ongais desapareceu de cena.   

Contudo, em 1996, o panorama automobilistico americano estava em ebulição. Tony George decidira criar uma liga independente da CART, levando consigo as 500 Milhas de Indianápolis. Uma série de pilotos inexperientes, para além de muitos veteranos, apareceram para tentar a sua sorte, e Ongais foi um deles. Com 54 anos de idade, ainda estava para as curvas, e mostrou algum do seu talento. Mas a meio dessa qualificação, o poleman, Scott Brayton, sofreu um despiste fatal e teve de se encontrar rapidamente um substituto. Ongais, a conselho de Al Unser Sr., foi o escolhido.

Apesar de partir da 33ª e última posição, Ongais voou nas voltas iniciais, passando para a 19ª posição nas primeiras voltas. Abrandado por uma série de bandeiras amarelas, sofreu um pião devido a problemas em lidar com o Turbo do seu Menard, mas depois voltou ao ritmo e continuou a subir lugares. No final, acabou num respeitável sétimo lugar, e os aplausos de toda uma multidão, que tinha assistido ao regresso de uma lenda. Em 1998, tentou pela última vez, aos 56 anos, mas acabou por não se qualificar, devido a outro forte impacto no muro, que o deixou com uma concussão, semelhante ao que aconteceu em 1987.

A patir de então, só fez mais duas corridas, em 2000 e 2002, e recebeu as honrarias devidas pela sua longa carreira, com mais de 40 anos em várias categorias. Entrou no Motorsports Hall of Fame of America e no Hawaian Sports Hall of Fame, e hoje em dia vive na Califórnia, cuidando da coleção de automóveis de Ted Field, o seu amigo de longa data da Interscope. E participa ocasionalmente em eventos de automóveis antigos.

Fontes:

terça-feira, 22 de maio de 2012

Biografias - Danny Ongais (2ª parte)

(continuação do capitulo anterior)

Em 1974, Ted Field era um jovem de 21 anos muito, mas muito rico. Herdeiro de uma fortuna que envolvia negócios imobiliários e dos media em Chicago - que detinha e geria o "Chicago Sun-Times", por exemplo - Field tinha uma paixão pelo automobilismo, e decidira gastar algum por ali, em corridas como a Can-Am ou a USAC. E viu em Ongais o piloto ideal para o seu projeto, devido à sua rapidez e enorme adaptabilidade para guiar em qualquer máquina. Para isso, fundou a Interscope Racing, com o havaiano - agora a caminho dos 33 anos - ao volante.

Em 1975, deixou de lado os dragsters e passou a correr nas pistas, com um Lola T300 na Formula 5000. Apesar de ter sido uma temporada dificil, pois o seu carro não era eficaz, venceu na última corrida do ano, em Riverside, acabando em terceiro numa divisão regional da categoria, para além de participações na IMSA, os Gran Turismo americanos. Ainda participou na Race of Champions, onde se qualificou na segunda posição, mas nao participou na corrida devido a problemas mecânicos, resultantes de um acidente na corrida anterior, também em Riverside.

Na temporada seguinte, Ongais particiaria de novo na Formula 5000 com Field e por fim, na USAC, com Parnelli Jones. Se as coisas na primeira categoria até foram regulares, andando sempre nos lugares da frente - mas não ganhando nenhuma corrida, na Indycar, participa na ronda na oval de Ontario, onde se qualificou no 11º lugar e teve a sua corrida terminada com um forte embate no muro, devido a um... golpe de vento. O acidente foi forte, mas safou-se com meia dúzia de arranhões.

Em 1977 tem por fim a sua primeira temporada a tempo inteiro na USAC, ao serviço da Parnelli, com alguns bons resultados para começar, e um forte embate no muro em Phoenix, antes da sua primeira participação nas 500 Milhas de Indianápolis. Foi sétimo na qualificação e até andou bem durante parte da corrida, fazendo a volta mais rápida, mas as coisas acabaram cedo devido a um problema de motor. No resto da temporada, venceu em Michigan, e fez três pole-positions, acabando no 12º posto na classificação.

Quanto ao seu amigo Ted Field, este decidiu dar-lhe uma temporada na IMSA, mais concretamente na classe GT, a bordo de um Porsche 934. Houve muitas corridas onde Ongais andou bem, mas sofreu problemas vários que o impediram de vencer, mas venceu duas corridas, em Laguna Seca e Brainerd. E no final do ano, Field o propôs que fosse experimentar uma outra categoria: a Formula 1. Ele achava que Ongais era o piloto perfeito, e já tinha arranjado um chassis ideal para isso, pois a Penske tinha saido de cena no ano anterior e os seus carros ainda eram válidos no pelotão. Prova disso era que a ATS estava a usá-los na sua equipa.

Field comprou-lhe um PC4 que sobrava e inscreveu Ongais para as duas corridas em solo americano, a começar em Watkins Glen. Pouco familiarizado com o carro, só conseguiu o penultimo tempo da grelha, mas quando a corrida começou, ele subiu em apenas cinco voltas para a 15ª posição, até que ele exagerou numa curva e bateu. Na prova seguinte, em Mosport, melhorou um pouco, partindo da 22ª posição da grelha. A corrida foi de atrito, e surpreendentemente, Ongais ia sobrevivendo aos desastres, e perto do fim, rodava muito perto dos pontos. Na volta 78, Vittorio Brambilla teve um acidente com o seu Surtees devido a uma mancha de óleo provocado pelo Lotus de Mário Andretti, e de repente, o sexto posto era possivel. Mas ele já tinha duas voltas de atraso e teve de se contentar com o sétimo lugar final.

Estes resultados foram encorajadores para Field e Ongais, que decidiram participar na temporada seguinte. Mas em vez de comprar um chassis e montar uma equipa, decidiram colocá-lo numa equipa, neste caso a Ensign. Ongais teve problemas em se adaptar, fazendo modestas qualificações e tendo duas desistências em Buenos Aires e Jacarépaguá, e após isso, Field decidiu adquirir um chassis Shadow DN9 para participar em Long Beach. Contudo, esse chassis também estava a estrear-se na equipa principal e o americano não foi nada bem, não conseguindo sequer pré-qualificar-se. A meio do ano, testaram em Silverstone e tentaram de novo a sua sorte em Zandvoort, mas não conseguiram pré-qualificar-se.

No final, decidiram concentrar-se na Indy, onde teve uma grande temporada, com cinco vitórias e uma memorável participação nas 500 Milhas de Indianápolis, onde se qualificou no segundo lugar, mas abandonou quando seguia na segunda posição. Aliás, foi o seu estilo "win or wall" que impediu de ser campeão nesse ano, pois tinha conseguido a pole-position em mais cinco corridas, mas em quase todas elas acabou por desistir, como por exemplo, nas idas da Indy aos circuitos ingleses, onde Ongais dominou, mas não chegou ao fim. 

Contudo, no inicio de 1979, Ongais voltou a entrar dentro de um Formula 1, em Paul Ricard, onde a Shadow estava a testar os seus carros. Foi rápido, mas depois foi batido por um jovem italiano de 20 anos, que ficou com o direito de correr pela equipa nessa temporada. Seu nome? Elio de Angelis.

Mas esse ano não foi só de más noticias. No inicio, ele, Ted Field e Hurley Haywood participaram como pilotos nas 24 Horas de Daytona com um Porche 935, onde deram cabo da concorrência, e venceram com folga, apesar de um problema com o turbo, que os obrigou a parar na última hora da corrida. Mas isso foi mais do que suficiente para que Ongais parasse imediatamente antes da linha de chegada e esperasse para que o relógio marcasse a hora. Quando assim aconteceu, engatou a marcha e cruzou a meta, chegando ao lugar mais alto do pódio.

Na Indycar, por fim acabou as suas primeiras 500 Milhas com um honroso quarto lugar, no chassis Parnelli, e no campeonato, foi sexto classificado, num chassis que estava a ficar crescentemente datado. No final do ano, Field decidiu encomendar o seu próprio chassis, com motor Porsche V6 Turbo, pensando que assim poderia solucionar o seus problemas de chassis e de motor. Mas estes eram tempos tensos nas corridas americanas, pois a CART tinha sido uma cisão das equipas por causa do problemas dos custos de construção dos chassis e dos motores Turbo, e o facto de quererem que as coisas fossem feitas "em casa". No final, as equipas não estavam muito interessadas no projeto da Porsche, embora o objetivo fosse apenas as 500 Milhas de Indianápolis, que nessa altura não estava sancionado na CART, mas sim na USAC. 

O projeto abortou, mais por causa da Porsche, mas continuaram a correr nesse ano na CART, com Ongais a ser terceiro em Watkins Glen. E tentou a sua sorte pela primeira vez nas 24 Horas de Le Mans, com um 935 da Kremer Racing ao lado do francês Jean-Louis Lafosse. Retirou-se quando seguia na oitava posição.

Em 1981, Ongais correu mais na IMSA, mas quis tentar a sua sorte nas 500 Milhas de Indianápolis. Com um chassis próprio - que a imprensa batizou de "Batmobile" - e apesar de partir na 21ª posição da grelha, rápidamente partiu ao assalto dos lugares da frente. Estava em quarto quando foi às boxes, onde a sua paragem fora desastrosa, deixando cair o motor e perdendo 46 segundos. Irado, partiu apressadamente das boxes, danificando a sua embraeagem, e foi aí que teve um dos seus piores acidentes da sua carreira, perdendo o controlo do seu carro meia pista adiante, na Curva 3. O carro "chicoteou" e bateu de frente contra o muro, a mais de 300 km/hora, sofrendo ferimentos graves em ambas as pernas e no torax.

(continua amanhã

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Biografias - Danny Ongais (1ª parte)

O Hawai deve ser o estado americano que menos se pode ser associado com o automobilismo. Uma das “mecas” do surf, tem uma rica e complexa mistura de povos, que vão desde os de origem europeia – ingleses, escoceses e muitos portugueses – até aos nativos havaianos, passando pelos asiáticos, como os japoneses e os filipinos. E é nessa mestiçagem que apresento alguém que, muito antes de Lewis Hamilton, se tornou no primeiro mestiço a andar na categoria máxima do automobilismo.

Com uma carreira extremamente longa e diversificada, onde andou em motos, drag racing e claro, nas quatro rodas, quer nas ovais americanas, quer nas pistas de Endurance europeias, tornou-se num dos maiores expoentes do desporto americano nos anos 70, 80 e 90, encerrando a carreira quase com sessenta anos de idade. O seu estilo louco deu-lhe alcunhas como “O Havaiano Voador” ou “On-Gas”, pelo seu estilo de pedal sempre a fundo, especialmente nas ovais. Muitas vezes, esse seu estilo resultou em acidentes feios, sendo o mais famoso a sua batida nas 500 Milhas de Indianápolis de 1981, onde ficou gravemente ferido, mas recuperou o suficiente para prolongar a sua carriera por mais uma década.

Fora dela, era uma personagem tímida, quase reclusiva, do qual muitos afirmariam que era nas pistas qe se sentia vivo. No dia em que comemora 70 anos de vida, hoje falo de Danny Ongais.

Nascido a 21 de maio de 1942 em Kaluhui, na ilha de Maui, começou cedo a sentir o sabor da velocidade. Em 1957, ainda com 14 anos, começou a correr em motociclos, e pouco depois, começou a ter bons resultados. Pouco depois, cumpriu o serviço militar como paraquedista, e enquanto esteve estacionado na Alemanha, começou a observar o panorama automobilístico da zona, mais concretamente, as maquinas que existiam. No regresso à sua ilha, em 1960, tornou-se imediatamente campeão estadual durante três anos consecutivos.

Por essa altura, Ongais experimentava o “drag racing” e adaptou-se às mil maravilhas. Tornou-se de novo campeão estadual e no inicio da década de 60, começa a correr no continente americano, primeiro como membro da equipa de Richard Leong, um conterrâneo seu, mas depois arranja o seu próprio carro e desenvolve a sua própria carreira. A oportunidade de correr acontece em 1962 quando Jim Nelson se retira e precisa de um piloto para a sua equipa recém-formada. Ongais ofereceu-se para guiar.

Anos depois, Jim Nelson recordou esse momento: "Disse-lhe: 'Guia o mais rapidamente que tu puderes’. Ele entrou lá dentro e… foi mais rápido do que eu à primeira! Tinha uma habilidade natural para guiar tudo. Não lhe fazia qualquer diferença se era a gasoline ou um ‘funny car’. Tinha a coragem e a habilidade para guiar

A adaptação foi veloz. Vence o título a AHRA em 1963 e no ano seguinte, constrói o seu carro que o chamou de “Chevy, Too” (Chevy, também). De inicio, os seus rivais podem ter achado graça, mas no final do ano, tinha vencido títulos na AHRA Winternationals, a UDRA Nationals e Winternationals e a NHRA Division Championships. E foi nesse mesmo ano que ocorre o primeiro caso que o coloca nas noticias: numa prova em Riverside, ele e o seu rival sofrem quebras mecânicas no inicio da corrida. Imediatamente, Ongais sai do carro e empurra-o até à meta, só para poder vencer aquela corrida. A Hot Rod Magazine nomeia-o como Personalidade do Ano.

Continua a correr em "drag racing" nos anos seguintes, em associação com Mickey Thompson, mas já pensa em experimentar outras formas de corrida, nomeadamente nos circuitos. Em 1968 tem a sua primeira tentativa, correndo em duas provas da então USAC, mas os resultados não são animadores. Sendo assim, os organizadores das 500 Milhas de Indianápolis decidiram rejeitar a sua candidatura, afirmando ser "demasiado inexperiente para correr no circuito"... Assim sendo, decide ir para Bonneville com Thompson, para bater vários recordes a bordo de um Ford Mustang Mach 1, o mesmo carro que levou ao "drag racing", na categoria "funny car". O ano foi coroado com um registo de 55-2 em termos de competição, e foi coroado como piloto do ano na sua categoria.

Em 1970, Ongais decide correr para John Manzamian, que decide no final desse ano vender a sua equipa para Vel Militich, que pouco depois associa-se ao ex-piloto Parnelli Jones para fazer uma das equipas mais conhecidas do seu tempo. Contudo, durante esse tempo, fica na drag racing até 1974, quando tem por fim a oportunidade que queria para correr em circuitos. Compra um chassis Lola e vai correr no campeonato americano de Formula 5000, promovido pela SCCA (Sports car Club of America) e começa a surpreender tudo e todos, graças á sua adaptabilidade. Vence o título da Northen Pacific na Formula A e na Race of Champions, em Road Atlanta, Parnelli Jones arranja-lhe um Lola que era de Mário Andretti e termina a corrida em segundo lugar para espanto de todos os que assistiam a tudo, incluindo um jovem rapaz de 21 anos e herdeiro de uma fortuna de Chicago: Ted Field.

(continua amanhã)