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sexta-feira, 12 de junho de 2020

The End: Eppie Wietzes (1938-2020)

O canadiano Eppie Wietzes, piloto que correu em dois Grandes Prémios nos anos 60 e 70, morreu na quarta-feira aos 82 anos de idade. O anuncio foi feito pela sua familia, e a causa da sua morte foi uma insuficiência cardíaca.

É triste dizer que Eppie faleceu ontem à noite. Ele estava confortável, embora frustrado com a súbita progressão da doença. Ele teve insuficiência cardíaca e foi exasperada por outras complicações menores, mas demais para o seu corpo superar.”, afirmou sua esposa, Barb, no seu comunicado oficial.

Nascido a 28 de maio de 1938 em Assen, na Holanda como Egbert Wietzes, foi para o outro lado do Atlântico aos 12 anos de idade e em 1958, aos 20 anos, começou a envolver-se no automobilismo, correndo em pequenas máquinas de V8, como o AC Cobra, na cena automobilística canadiana. A partir de 1967, começou a tomar interesse na Can-Am, correndo num Ford GT40, e nesse mesmo ano, teve a sua primeira experiência com a Formula 1, correndo num Lotus 49 semi-oficial no GP do Canadá, onde recebeu assistência externa e acabou desclassificado.

A partir daí, começou a concentrar-se na Can-Am, Trans-Am e na nova Formula 5000, onde se tornou no campeão canadiano em 1969 e 70, correndo num Lola T142 e num McLaren M10B. Nesse ano, também esteve no campeonato americano, onde foi quarto classificado, repetindo o feito em 1971.

Ao longo da primeira metade da década, o piloto esteve nessa competição, quase sempre guiando McLarens e Lolas, e em 1972, venceu em Donnybroke. O melhor que conseguiu foi de novo um quarto lugar na temporada de 74.

Nesse ano, regressou à Formula 1 para aceitar correr no GP do Canadá, a bordo de um Brabham BT42, mas não foi longe. Contudo, um ano antes, foi o Pace Car para essa corrida, e entrou na história ao entrar na pista com o seu Porsche 914, causando mais confusão no pelotão da Formula 1, quando apareceu na frente do Iso-Marlboro de Hownden Ganley, deixando três carros para trás!

Nos anos 80, saltou para a Trans-Am, onde acabou por vencer o campeonato de 1981 a bordo de um Chevrolet Corvette. E nesse ano, foi segundo classificado nas Seis Horas de Mosport, ao volante de um Lola-Chevrolet T600, ao lado de Brian Redman

Em 1987, perto dos 50 anos, decidiu pendurar o capacete e em 1993, tornou-se membro do Canadian Motorsport Hall of Fame, um dos primeiros a entrar, ao lado de Bill Brack e Gilles Villeneuve.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

The End: Tony Adamowicz (1941-2016)

Tony Adamowicz, um dos pilotos mais proeminentes nos Estados Unidos no final dos anos 60 e inicio dos anos 70, morreu esta segunda-feira em Costa Mesa, na Califórnia. Tinha 75 anos e tinha sido diagnosticado no ano passado com um tumor cerebral. A carreira dele, encerrada em 1989 após as 24 Horas de Daytona, teve passagens pelo Trans-Am, Can-Am, IndyCar e Formula 5000, por mais de duas décadas.

Adamowicz, de origem polaca, nasceu a 2 de maio de 1941 em Port Henry, Nova Iorque, e ingressou no exército, onde acabou por ser colocado na Casa Branca como especialista em comunicações, durante as administrações Eisenhower e Kennedy. Em 1964, saiu do exército, e perseguiu uma carreira no automobilismo, primeiro no SCCA, e em 1968, decidiu correr da Trans-Am, a bordo de um Porsche 911 de um concessionário do Connecticut. Foi uma grande temporada, sendo vice campeão, com seis vitórias, e foi campeão na classe de 2 litros.

No ano seguinte, ele moveu-se para a Formula 5000, onde adquiriram um Eagle, e foi campeão, batendo o inglês David Hobbs por um ponto. Tentou depois a sua sorte em 1970 nas 500 Milhas de Indianápolis, mas acabou por não se qualificar. No ano seguinte, ao lado de Ronnie Bucknum, correu nas 24 Horas de Daytona, onde foi segundo classificado a bordo de um Ferrari 512 da NART. Mais tarde, nas 24 Horas de Le Mans, desta vez ao lado de Sam Posey, terminou a corrida no terceiro posto. Nesse ano, também fez algumas corridas na Can-Am, a bordo de um McLaren, terminando no sétimo lugar da classificação.

Adamowicz passou depois para Trans-Am, regrerssando à Formula 5000 americana em 1973, para terminar na oitava posição. Depois disso, ficou-se pela TRans-Am, que virou o campeonato IMSA, correndo essencialmente em Nissans, acabando por vencer o campeonato de 1981 na classe de GTU, com um Nissan 280ZX, e os campeonatos de 1982 e 1983 na classe GTO com outro Nissan 280ZX Turbo. Depois disto, regressou à Endurance, sem grande sucesso, terminando a sua carreira em 1989, após as 24 horas de Daytona.

A partir dali, concentrou-se dos clássicos, onde correu a bordo do Eagle no qual venceu o campeonato de Formula 5000 de 1969, e onde aproveitava para rever os seus amigos e matava as saudades do automobilismo, sendo um dos que marcou toda uma geração. Ars longa, vita brevis, Tony.   

sábado, 15 de agosto de 2015

A imagem do dia

Na segunda parte da série de artigos que homenageiam Mark Donohue, que faz 40 anos da sua morte no próximo dia 19, falo sobre a sua eclética carreira no automobilismo americano, e não só.

Em 1966, ao mesmo tempo em que Donohue andava em Le Mans com os GT40, tinha surgido em terras do "Tio Sam" a Trans-Am, uma competição onde corriam carros de turismo modificados. A principio, apareceram carros como os Alfa Romeo (a primeira corrida foi ganha por... Jochen Rindt), mas cedo apareceram os "muscle cars" como os Ford, Dodge, Chevrolet, Pontiac, entre outros. Mas de inicio, os carros da marca da oval eram... Cortinas, preparados pela britânica Alan Mann Racing.

Em 1968, a Penske investia pesado na categoria, com Chevrolet Camaros. Donohue já participava na competição desde o ano anterior, vencendo algumas corridas. Mas nesse ano, o piloto começou a vencer a sério, ao ponto de conseguir o campeonato para a Roger Penske. E repetiu o feito no ano seguinte, apesar de nesses tempos, não haver um titulo oficial de pilotos (apenas em 1975 é que tal aconteceu).

Contudo, no final de 1968 aconteceu um episódio controverso, e mais um exemplo do "unfair advantage". Donohue e Penske descobriram que caso mergulhassem o carro num banho ácido, o carro ficaria mais leve, sem contudo comprometer a integridade do chassis. Com isso em mente, apetrecharam os Camaros e venceram o campeonato sem problemas. Mas no final da época, os comissários descobriram que os carros estavam abaixo do peso regulamentar e queriam desclassificá-los. Penske interviu e avisou os organizadores que caso fizessem, a Chevrolet iria retirar o apoio à Trans-Am, onde todas as marcas já estavam presentes e investiam fundo. Com essa hipótese presente, a organização decidiu manter como estava, mas modificou os regulamentos no sentido de fazer pesar os carros antes das corridas.

Mas isso não os impediu de continuar a sujeitar os carros aos banhos de ácido. Fazendo isso em sitios estratégicos fez reduzir o peso dos carros, e cedo todos começavam a fazer a mesma táctica. Donohue venceria mais um campeonato em 1971, com o AMC Javelin, vencendo as sete últimas corridas da temporada, monopolizando o pódio na última prova do campeonato.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Youtube Motorsport Classic: Trans-Am, Long Beach, 1988


Esta vi há uns dois dias no Flatout. A história têm a ver com a estreia do Audi 200 na primeira corrida da temporada de 1988 da Trans-Am americana, numa temporada onde acabou por dominar o campeonato, com os pilotos Hurley Haywood e os alemães Hans-Joachim Stuck e Walter Rohrl.

Claro que, com essa brincadeira, as construtoras americanas, como a Dodge, Pontiac, Ford e outros, decidiram arranjar maneira de os banir na temporada seguinte, e modificaram os regulamentos com o propósito de "nacionalizar" os componentes do carro, inviabilizando a chance de marcas estrangeiras de correr por ali, se não colocassem os seus chassis em preparadoras americanas. Claro, a Audi não se importou, pois tinha conseguido o que queria.

Mas a corrida em si demonstra um ponto alto da categoria. Naqueles dias, pessoal que corria na NASCAR, CART ou outras categorias poderia aparecer ali. E a grelha era bem colorida: tens Scott Pruett (que mais tarde conseguiu uma carreira bem razoável na CART e foi multiplo vencedor em Daytona), tens Paul Gentilozzi (fundador da Rocketsports que deu cartas na CART, Indycar e NASCAR) tens mulheres-piloto como Lyn St. James... e o ator Paul Newman, que corre aqui num Nissan 200SX e nesta corrida é protagonista de uma manobra arriscada que não resulta. E falamos de 1988, altura em que ele já tinha... 63 anos.

Contudo, a corrida é marcada pela tragédia, com a morte de Dan Croft, que aos 47 anos, tornara-se na (ate agora) a unica morte na história do circuito de Long Beach. O acidente foi bem foete, pois bateu por duas vezes nos muros de proteção. Por causa disso, a corrida ficou interrompida por uma hora.

A corrida foi transmitida pela ESPN, e podem ver aqui na integra.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

O piloto do dia: Mark Donohue (1ª parte)

Este foi um homem multifacetado: correu em todas as categorias de automobilismo nos Estados Unidos, deixando uma marca em cada um deles. Conduziu o mais potente carro de corridas jamais construído, e que levou ao fim da Can-Am; foi vencedor nas 500 Milhas de Indianápolis, venceu na NASCAR, deu nas vistas nas 24 Horas de Le Mans e foi o piloto-fétiche de Roger Penske. Somente a Formula 1 o matou. Hoje falo-vos de Mark Donohue.


Este americano nasceu a 18 de Março de 1937, em Summit, no estado de New Jersey (teria agora 70 anos). Licenciou-se em Engenharia Mecânica em 1959 na Brown University e algum tempo depois começou a fazer corridas a bordo do seu Corvette de 1957. Ganhou a sua primeira corrida em que participou, o que chamou à atenção de um dono de equipa novato: Roger Penske.


Mas foi com outro piloto e dono de equipa, Walt Hansgen (1919-1966), que Donohue começou a competir a sério, primeiro nas corridas da SCCA (Sports Car Club of América), e depois quando Hansgen pediu-o para que corresse com ele nas 12 Horas de Sebring de 1965 a bordo de um Ferrari 275, onde terminaram em 11º lugar.


No ano seguinte, é convidado pela Ford para que guiasse um dos seus GT 40 nas 24 Horas de Le Mans, com o australiano Paul Hawkins. Contudo, as coisas correram mal e ele só fez 12 voltas naquele ano. Em 1967, Donohue voltaria a Le Mans para correr com o Ford GT 40 numero 4, como parceiro de Bruce McLaren, o vencedor do ano anterior. Nem sempre se davam muito bem, mas no final terminaram em quarto lugar da classificação geral, numa corrida ganha pelos americanos Dan Gurney e A.J.Foyt.

Nesse mesmo ano, com Hansgen morto num acidente de Formula 2 em França, Donohue é convidado para guiar um Lola T70 Mark III no United States Road Racing Championship (um antecessor da Can-Am). Quem o convida? Roger Penske. A sua parceria iria durar firme e sólida até à morte deste, em 1975.


O Lola T70 Mark III foi uma máquina vencedora nas mãos de Donohue: em oito corridas possíveis, participou em sete e venceu seis, ganhando o campeonato. Continua a correr na Can-Am em 1968, agora a bordo de um McLaren M6A com motor Chevrolet, teve mais dificuldades, mas conseguiu defender o título.



Ao mesmo tempo que fazia corridas no United States Road Racing Championship, corria também na Trans Am Séries, a bordo de um Chevrolet Camaro. Torna-se Campeão nacional nesse ano, e repete o feito em 1969, a bordo do mesmo Chevrolet Camaro, inscrito por Roger Penske.


Nesse mesmo ano, Donohue e Penske decidiram aventurar-se na Indy 500, envolvimento que irá durar até 1973. Nesse primeiro ano, com um Lola-Offy (Offenhauser). Termina em sétimo, e vai ser eleito o “Rookie do Ano” pela organização. No ano seguinte, faz ainda melhor, ao ser segundo, num Lola-Ford.

Em 1971, enquanto corrida para o seu terceiro título na Trans-Am desta vez a bordo de um AMC Javelin, corre nas 500 Milhas de Indianápolis, desta vez com um chassis McLaren, onde desiste cedo. Mas no final do ano, estreia-se na Formula 1, no Grande Prémio do Canadá, a bordo de um McLaren inscrito por Penske. E dá nas vistas, ao acabar em terceiro, à frente do carro oficial, de Denny Hulme! Esses quatro pontos farão com que se classifique na 16ª posição na classificação final.