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segunda-feira, 5 de maio de 2025

Youtube Automotive Video: Um inesperado símbolo ucraniano de resistencia

A última coisa que muitos poderão ouvir falar vinda da Ucrânia é uma industria automóvel, ainda mais: um "carro do povo". Mas isso existe, e chama-se "Zaporozhets". Construído na cidade de Zaporhizia, no centro do país, no tempo da União Soviética, o carro tinha um motor traseiro e um design semelhante ao NSU Prinz, existiu durante mais de 30 anos, e arrastou-se depois do final da URSS, e do renascimento da Ucrânia. 

Exportado para todo o Leste Europeu - a piada na então Jugosláwia era que "o carro é para toda a vida: uma vez na tua posse, nunca mais o livrarás dela!" - tornou-se depois num símbolo de orgulho nacional, especialmente depois da invasão russa de 2022. E ironicamente, foi o primeiro carro de... Vladimir Putin!

Neste vídeo da Deutsche Welle, fala-se do carro, da sua história, das suas esperanças e resistências e o símbolo de um país em luta pela sua independência. 
 

sexta-feira, 4 de março de 2022

A(s) image(ns) do dia



Nesta sexta-feira, ao final da tarde, foi uma doideira circular ao pé da minha casa. Agora está mais calmo. Mas a razão de todo este pânico é que na segunda-feira haverá um aumento de preço absolutamente forte. A gasolina aumentará 9 cêntimos por litro, mas o gasóleo é que sofrerá o maior aumento: 15 cêntimos.

Filas intermináveis de carros para abastecer, em pânico porque pensavam que não teriam tempo para encher o depósito. E mesmo com a primeira boba fechada, a que está mais ao pé da minha casa, fechada, vi dezenas de carros a circularem ali, pensando que estaria aberta para abastecimento. Na outra bomba que visitei, a fila era grande quer para reabastecer, quer para pagar. 

Isto é a consequência da guerra russo-ucraniana. Provavelmente vamos a caminho de um choque petrolífero semelhante aos de 1973 e de 1979, o primeiro por causa do Yom Kippur, o embargo petrolífero árabe ao ocidente por causa do seu apoio a Israel, e o segundo por causa em embargo ao petróleo iraniano, consequência da queda do Xá e a ascensão do regime teocrático dos "ayatolahs", aliado com a tomada da embaixada americana, do qual fizeram reféns os seus funcionários por 444 dias. 

Ao contrário das outras vezes, estamos melhor preparados para isto: por causa das alterações climáticas, há alternativas para isto. Poderemos trocar por um carro elétrico, ou poderemos deixá-lo em casa e andar e transporte público. E se começássemos a fazer isso, encher os autocarros, poderia ser que existisse mais linhas, mais horários e mais a circular, variando conforme a cidade. 

Logo, em vez de reclamar, agir seria melhor.

Aliás, isto fez lembrar uma conversa que tive com uma velha amiga minha. Ela é professora, e encontrei-a na minha hora de apanhar o autocarro para casa. No meio da conversa, contou-me que tinha trocado de carro no ano passado, um carro... a gasolina. Cujo preço ao litro é o mais caro, e o menos eficiente. E quando soube do preço que pagou pelo carro, cerca de 21 mil euros, fiquei mais espantado ainda. É que por esse preço - mesmo pago a prestações - poderia ter um Renault Zoe ou um Nissan Leaf, ambos elétricos e se calhar, ambos novos. Ainda por cima, já são carros que têm uma autonomia de 300 quilómetros, no mínimo, e quase não custam nada para reabastecer... dizendo melhor, recarregar. 

Em 2021, 25 por cento dos carros novos em Portugal eram elétricos, e previa-se um aumento para os 35 por cento este ano. E não se previa nem esta guerra, nem este possível choque. E fala-se que na semana que vêm, haverá novas sanções à Rússia, e podem passar por um embargo petrolífero. Com as alternativas que existem, não trocar de carro ou deixá-lo em casa... não vou dizer que seja persistir no erro, mas tem de mudar de atitude o mais depressa possível.  

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

O piloto mais odiado do mundo


Já se falou muitas vezes de Nikita Mazepin, o piloto russo da Haas que lá chegou graças à fortuna do seu pai, um dos oligarcas ajudados por Vladimir Putin, o líder russo. Dimitri Mazepin, de 53 anos, é o dono da Uralchem, que se especializa em fertilizantes, e patrocinou em larga medida a Haas F1. Contudo, nestes últimos dias, com a Russia a entrar em conflito com a Ucrânia, as coisas ficaram de mal a pior para ele, a família... e o resto. É que não bastou o cancelamento do GP da Rússia, em setembro, em Sochi, e a retirada dos patrocinadores paternos do chassis da Haas, poderá vir mais... e pior.

Um exemplo? A Federação Automobilística da Ucrânia, inscrita na FIA, pediu à entidade máxima do automobilismo para que exclua Mazepin da Formula 1, que retire a sua Super-Licença, segundo uma recomendação do COI para a exclusão de atletas da Rússia e da Bielorrússia de competições internacionais. A razão para isso foi, oficialmente, a violação da trégua olímpica que está em vigor até 20 de março, data da final dos Jogos Paralímpicos de Pequim. A possível exclusão de Mazepin da Formula 1 não era algo que não se previa, aliás, começou a ser discutido logo na sexta-feira, quando foi cancelado o GP russo, falando logo que Pietro Fittipaldi, o neto de Emerson Fittipaldi e piloto de reserva da marca, iria guiar no seu lugar.

Claro, há gente que aproveita a ocasião para ir bem longe. Exemplo? Jeremy Clarkson. O antigo apresentador do Top Gear e conhecido por ter uma lingua bem afiada, decidiu escrever esta frase no Twitter: “Nikita Mazepin. Seu retardado de m****. Vai correr para a Rússia sozinho. Perdias ainda assim.

Apesar de tudo que esteja a levar, Gunther Steiner achou que o "orangotango" foi longe demais. E foi defender o rapaz: 

Ouvi falar sobre o tweet de Jeremy Clarkson acerca disso. Talvez tenha sido feito num momento de fúria ou algo assim, porque foi bastante direto. O melhor é não olhar para o que está lá porque, neste momento, ele não tem nada a ver com isto. Só precisamos de continuar e ver onde isto vai parar e trabalhar. Esperemos que ele [Mazepin] consiga manter a cabeça erguida e continuar a trabalhar”.

Mazepin junior é uma pessoa acossada. Dá a cara - quer queira, quer não - a um país, que neste momento cometeu o imperdoável na ordem e harmonia das nações. E tem de pagar um preço por terem pisado o risco. O povo russo está agora a pagar o preço pelas ações do seu ditador. Não é só os soldados que morrem esturricados pelas balas e misseis de um povo que está a dar tudo para defender a sua terra, porque ninguém lhes disse que são os maus da fita, mas também é os que saem à rua, enfrentando o frio e os cassetetes da policia, em dezenas de cidades do vasto império, protestando contra Putin e as suas decisões, e provavelmente a partir de hoje, sofrerão na carteira o isolamento do mundo, a desvalorização da sua moeda, o aumento do custo de vida, o de não poderem voar para lado algum nos seus aviões. 

E a cada dia que passa, este turbilhão tem consequências imprevisíveis. E Mazepin pagará o preço por estar no lado errado da História, na pior altura possível. Não creio que alinhe em Shakir a 20 de março.  

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

O GP russo está em perigo... ou nem por isso?


Todos sabemos que, por muito que amemos automobilismo e não queiramos saber o que se passa lá fora, o mundo nos irá bater à porta. É inevitável. E com Vladimir Putin, o novo czar russo, a querer mandar na Ucrânia, e o Ocidente a impor sanções para evitar que entre até Kiev e derrube o governo legitimo, o desporto poderá ser afetado com tudo isto. 

A UEFA, organismo máximo do futebol europeu, já disse que poderá retirar a final da Liga dos Campeões de São Petersburgo, e a Formula 1 anda a monitorizar os eventos para saber se viabiliza ou não o GP da Rússia, que se disputa em Sochi, mas em 2024, será em Igora Park, nos arredores de São Petersburgo. A corrida será em setembro, mas poucos acreditam que o conflito se arraste até lá.

A Fórmula 1 está a monitorizar a situação na Rússia e na Ucrânia”, disse Craig Slater, repórter da Sky UK. “De momento, a corrida em Sochi aparentemente vai acontecer, já que não é até setembro. Essa é a situação no momento”, acrescentou.

Só que nestas coisas, há alguns problemas. Por exemplo, o futebol depende do dinheiro da Gazprom, a gigantesca firma russa de petróleo e gás, do qual boa parte da Europa está dependente, especialmente nos meses de inverno. Por agora, não está incluída no pacote de sanções, mas é provável que esteja na mira da Europa mais adiante, caso haja uma escalada na guerra. Se assim for, os interesses russos serão afetados.

E a Formula 1 tem uma equipa que é bem apoiada por russos. O pai de Nikita Mazepin, Dimitri Mazepin, é um homem muito rico (a sua fortuna pessoal ronda os 1,5 mil milhões de dólares) e a sua firma, a Uralchem, é o maior complexo químico do país e claro, patrocina a Haas. Não há conhecimento direto das suas relações com o presidente Putin, mas os seus negócios ao longo dos últimos vinte anos, desde os mais visíveis até aos mais polémicos, aconteceram com o beneplácito do governo, logo, apoia-os. E isso poderá ser um possível alvo de sanções mais tarde, caso a Europa persiga os oligarcas que enriqueceram desde o final da União Soviética, em 1991, e desde que Putin chegou ao poder, no ano 2000.

Resta saber qual será a ação da Formula 1, nomeadamente, a Liberty Media, sobre este caso. Como tem muitas maneiras de receber dinheiro, desde os sauditas até às criptomoedas, os rublos poderão ser algo do qual eles não se importam de sacrificar, só para estarem de bem com o mundo. Mas os exemplos do passado - furar o boicote desportivo do regime do apartheid na África do Sul até 1985, por exemplo - não abonam nada a favor da competição...

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

As sanções internacionais e a ameaça de boicote sobre o GP da Rússia

A cada dia que passa sobre o conflito russo-ucraniano, e as hipóteses de sanções quer por parte da União Europeia, quer dos Estados Unidos aumentam, dado que os russos parece que se envolvem cada vez mais no leste do país, com o envio de armas - e ao que parece, tropas - o nervosismo cresce dentro do meio da formula 1 sobre o GP da Rússia, em Sochi, a 12 de outubro. É sabido que Bernie Ecclestone está disposto a levar a corrida para adiante, mas poderá ter as coisas dificultadas pois hoje surgiram rumores de que a Europa e os Estados Unidos poderão recomendar um boicote cultural e desportivo à Rússia. E isso poderá passar pelo Grande Prémio e pelo Mundial de Futebol, que ser realizará em 2018.

Nos próximos dias existirão reuniões da NATO, en Swansea, no País de Gales, e na sexta-feira, a União Europeia revelará o pacote de sanções que aprovou na semana passada em Bruxelas. E a imprensa internacional fala que serão sanções bem duras à Rússia, que poderão envolver desde restrições no mercado de capitais, embargo tecnológico e por último, isolamento internacional de eventos desportivos e culturais. E se o Mundial de 2018 ainda é um evento distante, já a Formula 1 é mais próximo, e isso está a causar ainda mais nervosismo, apesar das repetidas garantidas por parte de Bernie Ecclestone de que a corrida se realizará.

"Boicotar realizações desportivas internacionais passará a ideia de um regresso à Guerra Fria", afirmou um analista do grupo de consultadoria Euro Asia Group ao jornal Financial Times. "Contudo, isto vai ferir mais os russos do que propriamente a União Europeia", concluiu.

Contudo, Bernie Ecclestone continua a afirmar que apesar das ameaças, tudo vai acontecer conforme o planeado. E é ele próprio que diz que "temos um contrato e respeitamos contratos", como ele também elogiou Vladimir Putin e a maneira como ele faz as coisas. "Ele é confiável. Ele quer que a corrida aconteça e vamos fazer com que ela aconteça", afirmou numa entrevista ao jornalista Chris Sylt.

Que Bernie adora pessoas com poder, isso não é novidade. Já elogiou Adolf Hitler, Robert Mugabe e Margaret Thatcher no passado, e Putin encaixa no estilo de pessoa autoritária que ele sempre gostou e gosta. Contudo, sabe-se há muito que a história do GP russo mexe com as pessoas dentro do meio, e isso viu-se há mês e meio, quando no fim de semana do GP da Hungria, os rebeldes russos na Ucrania abateram um avião malaio. Logo, surgiram as perguntas sobre se ainda estariam dispostos a ir à Rússia. E isso incomodou o pessoal da Formula 1, como Christian Horner, da Red Bull.  

Contudo, a ideia do boicote cultural e desportivo é algo que a União Europeia poderá deixar para mais tarde, caso haja um agravamento da situação no Leste do país, apesar de existir conversações em Minsk entre ambos os lados para chegar a um acordo de paz. Contudo, é melhor esperar pelo final da semana para saber o que Estados Unidos e Europa decidirão fazer para penalizar a Rússia, e até que ponto este conflito no Leste ucraniano irá afetar a Formula 1.

Se o pior acontecer, as tensões no próprio paddock aumentarão certamente, pois faltam nesta altura cinco semanas para o Grande Prémio. E mais perguntas incómodas serão colocadas, a começar agora, em Monza...

quinta-feira, 17 de julho de 2014

E vamos ter um Grande Prémio russo, não é?

Sabemos há meses que as coisas no leste da Ucrânia andam em algo que dito de outra forma, podemos chamar de guerra civil. E sabemos que as coisas na primavera andaram bem perto de um conflito entre Rússia e Ucrânia, não só devido ao que se passa no leste russofono, como também ao que aconteceu na Crimeia.

Contudo, as coisas andavam relativamente calmas até ao inicio da semana, altura em que houve uma escalada. Primeiro, um aumento da concentração das tropas russas na fronteira, ontem, mais sanções vindas dos Estados Unidos contra empresas russas, e esta tarde, um avião malaio (outro Boeing 777, o MH17) caiu no Leste da Ucrânia, com 295 pessoas a bordo, provavelmente abatido por um míssil terra-ar vindo do lado rebelde.

Não é novo: os rebeldes já abateram aviões militares ucranianos, mas estavam a voar a relativa baixa altitude, e uma das batalhas que houve nesta guerra civil envolveu a tomada do aeroporto de Donetsk entre os rebeldes e o exército ucraniano, em maio. Contudo, isto poderá ser uma escalada grave, de consequências imprevisíveis, semelhante do que aconteceu a 1 de setembro de 1983, quando Migs russos abateram o Boeing 747 das linhas aéreas coreanas, o KAL007 que tinha entre os seus passageiros um senador americano. Em plena guerra fria, esse abate aqueceu muito as coisas, que eu me lembre.

O que me impressiona é que os rebeldes tenham agora mísseis capazes de derrubar aviões a 35 mil pés de altitude (cerca de 11 mil metros) e mesmo que tenham feito, foi porque acharam que era um avião da força aérea da Ucrânia. E agora que vejo na televisão, em canais internacionais como a CNN e a BBC, e no Twitter as primeiras imagens dos destroços do avião malaio, pergunto-me: como é que isto vai acabar? É que a 5 de outubro, a Formula 1 vai a Sochi para correr o Grande Prémio da Rússia. Daqui a dez semanas, mais coisa, menos coisa. Mesmo que haja todas as garantias de segurança, como é que o mundo estará nesse momento, com o mundo a colocar os russos como "maus da fita" e provavelmente com apelos ao boicote, a incerteza em relação ao futuro é agora... uma certeza.

E claro, as coisas agora no leste da Ucrânia agora poderão piorar.

P.S: O Luis Fernando Ramos, o Ico, disse esta tarde no Twitter que voou nesse avião em abril de 2009, quando foi a Kuala Lumpur para cobrir o GP malaio. No mínimo, arrepiante.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

A dependência automobilística do dinheiro russo

E nestes dias que correm, quando um mal surge na Formula 1, parece que nunca vêm só. Continua a ter a ver com a politica, mas já vai além do duelo entre Jean Todt e Bernie Ecclestone. A situação periclitante no leste da Ucrânia, com as ameaças de guerra civil entre o governo central e as "regiões rebeldes" pró-russofonas do leste, para além da ameaça de invasão russa, a tomar forma a cada hora que passa, arrisca a uma reação em cadeia da comunidade internacional. E esta já começou, logo após a tomada da Crimeia por parte da Rússia: os Estados Unidos e a União Europeia aplicaram sanções económicas a bancos e pessoas estritamente ligados ao presidente Vladimir Putin. E algumas dessas entidades, nomeadamente o banco SMP, têm investido bastante no automobilismo, nomeadamente na Endurance, na IndyCar – Mikhail Aleshin – e na Formula 1, com Serguei Sirotkin e Daniil Kvyat.

Muitos desses oligarcas que andaram nos últimos anos a ligar-se a Vladimir Putin também começaram a fazer ligações à Formula 1, particularmente a Sauber e a Marussia. A equipa suíça tenta desde meados de 2013 atrair capital russo, chegando a dar em compensação um lugar como piloto de testes ao jovem Serguei Sirotkin, de 19 anos, no sentido de o preparar para a Formula 1 em 2015, enquanto que a Marussia, apesar de ter sede inglesa e ser gerida pela Manor, é financiada pelos oligarcas. Primeiro, Nicolai Fomenko, o fundador dos automóveis Marussia, e depois por outro oligarca, que aparentemente, no final de 2013, pagou todas as dívidas da fábrica contraídas até agora.

No caso do banco SMP, esta foi fundada e têm como grande acionista o banqueiro Boris Rotemberg, cuja fortuna pessoal rondava os 1,7 mil milhões de euros no final de 2013. Para além do futebol - e proprietário do clube Dinamo de Moscovo - ele está envolvido na Endurance, através da SMP Racing, bem como quatro carros da Ferrari na European Le Mans Series. Na IndyCar, são eles que bancam a aventura de Mikhail Aleshin na Sam Schmidt Motorsports, enquanto que na Formula 1, quando se soube que Daniil Kvyat fora escolhido na Toro Rosso em detrimento de António Félix da Costa, falava-se que o banco russo tinha contribuído com a equipa de Faenza na ordem dos 15 milhões de euros.

Sem o dinheiro russo, devido ao congelamento das contas, poderá ser quase impossível a estas equipas financiarem as suas operações, pelo menos no curto prazo, e teme-se pelo futuro, o que poderá levar ao encerramento das suas atividades, pois o dinheiro fornecidos pelas equipas não é o suficiente para pagar as contas. Daí que a Sauber e a Marussia, estarem agora a puxar por uma limitação de custos, pois só assim as suas operações se tornam sustentáveis.

Para além disso, existe um problema que surgir no horizonte num futuro próximo: como será em outubro, quando a Formula 1 ir a Sochi, palco do Grande Prémio da Rússia? Se Bernie Ecclestone ainda mandar no circo, e a situação continuar a estar como está, poderemos ver de novo os exemplos do passado (África do Sul, Bahrein) e muito provavelmente ignorará as sanções internacionais e levará o pelotão à cidade olímpica, a 12 de outubro. Mas dependendo do que acontecer até lá, muito provavelmente a comunidade internacional poderá não ser tão passiva assim neste caso, como foi em 2012 com o Bahrein, onde ele ignorou os apelos ao boicote, preferindo receber o dinheiro e ir para a pequena ilha do Golfo Pérsico, num autêntico “business as usual”.

Em suma, vamos esperar para ver. Esta quinta-feira houve conversações a quatro (Rússia, Ucrânia, Estados Unidos e União Europeia) em Genebra e tudo indica que houve progressos. Vamos a ver como acabará esta história.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Youtube Motor Collection: os carros do filho de Victor Ianucovich


Se neste sábado mostrei-vos fotos da coleção de automóveis do ex-presidente ucraniano Victor Ianucovich, hoje mostro-vos outra coleção - mais frota de automóveis - ucraniana: a do filho, que partilha o mesmo nome do pai. A coleção é tipicamente russa, para impor respeito, com jipes imponentes, mas com algumas coisas interessantes. Um Mercedes-Benz mais clássico, outro SLS descapotável, num Volkswagen Phaeton, alguns "camiões" - exclusivos - e todos com algo em comum: são pretos.

O custo? Cerca de dois milhões de dólares.

Vi isto no Jalopnik.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A coleção de automóveis de Victor Ianucovich

Todos nós temos visto o que anda a acontecer na Ucrânia, e os receios de uma guerra civil foram bem reais durante a semana, quando a policia disparou sobre os manifestantes na Praça da Independência, matando mais de cem pessoas. Esta sexta-feira à noite, governo e oposição assinaram um acordo de transição, que praticamente acabou com três meses de conflito, que começou em novembro, quando o presidente Victor Ianucovich decidiu renunciar a um tratado de associação com a União Europeia, a favor de uma aproximação com a Rússia, de Vladimir Putin.

Ora, este sábado, estão a acontecer algumas coisas bem interessantes: a Rada, o parlamento ucraniano, decidiu destituir Ianucovich, e algumas centenas de pessoas foram à casa de verão dele, para ver se ele andaria por aí. Não o encontraram, mas descobriram que a sua mansão era enorme, com lagos, um jardim zoológico particular... e uma coleção de automóveis. Soviéticos, na sua esmagadora maioria.

O Jalopnik fala disso esta tarde, quando começaram a receber posts e fotografias no Twitter, com pessoal a tirar fotos da coleção. Vêm-se muitas limusinas ZIL, Volgas, Chaikas, e algumas motos. Todas soviéticas ou de origem soviética.

E claro, isso tudo têm um preço de manutenção. Daí que haja a sua própria bomba de gasolina, e também há alguns barcos na sua garagem...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Um exemplo da beleza de Inessa Tushkanova

Sendo um apreciador da Playboy em todos os seus aspectos, depois de ter postado sobre ela, fiquei curioso para ver o ensaio que a piloto ucraniana Inessa Tushkanova fez, depois foi repartida por mais duas revistas, na Lituânia, e na Republica Checa, este último em novembro de 2011.

Bom, a senhora pode não ter as "curvas" que encantam muitos, mas a sua beleza é mais do que óbvia. Basta procurarem no Google pelas fotos do ensaio, mas esta já diz muita coisa.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Conheçam Inessa Tushkanova

Aparecem sempre raparigas a quererem correr em carros, andem eles em pista ou nas classificativas de rali. Muitos torcem o nariz em relação a isso, porque ainda consideram que o automobilismo é uma coisa de homens. E quando vemos 95 por cento de pilotos nas pistas, queremos acreditar que temos razão. 

Mas há excepções, e muitas de nós conhecemos os seus nomes: Michele Mouton, Danica Patrick, Lella Lombardi, Sarah Fisher, Vanina Ickx, etc... e em termos de cargos dirigentes, projetistas ou engenheiras, mais raras ainda. A mais conhecida é Monisha Kalternborn, a manda-chuva da Sauber. Contudo, poderemos ter de acrescentar mais um nome: Inessa Tushkanova.

Ucraniana de nascimento, tem 25 anos e compete no nacional de ralis da Finlândia, a bordo de um Mitsubishi Evo IX. O talento é razoável, diz quem já a viu, mas tem mais uma particularidade: já posou nua na Playboy. E o seu trabalho já foi visto em três países: Rep.Checa, Lituânia e claro, Ucrânia.

Quando lhe perguntaram a razão pela qual decidiu sentar no seu carro apenas com as luvas de competição na revista fundada por Hugh Hefner, respondeu: "Ninguém gosta de ver mulheres no automobilismo, que é um desporto dominado por homens, porque temos mais facilidade em atrair  patrocinadores. A revista é prestigiosa o suficiente e ajuda-me a fazer relações publicas e a tornar-me conhecida".

Pergunta-se se ela até sabe da coisa. Bom, existe algo do qual temos de tirar o chapéu: é ambiciosa e quer aprender. Daí ela ter ido para a Finlândia e ido correr na equipa que venceu o campeonato do ano passado. Veremos se ela é bem sucedida, e desejamos-lhe sorte para ela.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Extra-Campeonato: A vida continua

Todos os dois anos, sejam europeus ou mundiais, as coisas acontecem da seguinte forma: a imprensa - rádio, jornais e TV - empanturra-nos à força com um muro autêntico de noticias e anuncios sobre a seleção, até ao limite do bom senso. Na TV são diretos atrás de diretos, com os "chouriços" do costume, a perguntas às pessoas banalidades sobre "quanto é que vamos ganhar e quer e vai marcar os golos". Nas rádios, os comentaristas, que deixaram o cérebro em casa ou no hotel, gritam barbaridades antes, durante e depois dos jogos, sendo o "grau zero" alcançado quando alguém marca um golo. Agradecem aos santos e os elevam a heróis, não se coibindo de passarem por ridicularias que faziam corar qualquer estudante de jornalismo. Aliás, se este era o objetivo, pergunto-me qual é a utilidade de perder quatro anos da tua vida numa universidade, não é?

Esta é a razão pelo qual critico estas alturas: o comportamento bacoco daqueles que deveriam ser os "profissionais de imprensa" mas que na realidade quase me fazem lembrar macaquinhos de crachá.

No meio disto tudo, os jogadores são mais vítimas do que réus, porque fazem os seu trabalho e deram o seu melhor. Nestes vinte dias - aliás, um mês, se contarmos com o periodo de estágio - deram o seu melhor. Muitos passaram da depressão à euforia, especialmente depois do jogo com a Alemanha. Não alinhei nem num, nem no outro lado. Calei-me porque achei que era cedo demais e ele iria reagir, como vi que eles reagiram contra a Dinamarca e a Holanda, naquele "grupo da morte". Fizeram o seu melhor e passaram, contra todos os que achavam que iriamos ser eliminados sem apelo nem agravo.

Que podeiamos ter ido à final e levado o caneco? Claro, toda a gente esperava isso. Mas eu não tinha feito promessas de andar pelado pela rua se o conseguissem, nem iria cantar o hino bocacamente. Não iria comemorar "vitórias morais" ou segundos lugares. Apenas digo que fizeram uma campanha normal e foram o mais longe possivel. Parabéns, podiamos ter ganho, mas hoje não foi. Alguém tinha de perder e azar dos azares, foram nós.

E é como escrevo no título: a vida continua. Boa sorte aos espanhois no domingo e agora, eles que vão de férias, pois em setembro tem a qualificação para o Mundial, no Brasil. E quero que eles vão lá.

Digo outra coisa ao Cristiano Ronaldo. Gostava que não fosse obcecado com a conquista de troféus ou "canecos", quer no Real, quer na Selecção. Vai ser uma pessoa muito frustrada ao longo da vida se for obcecada com isso. Ele que goze o momento, que só faz bem para ele.

Quanto ao resto... bom, vou comprar algodões para os ouvidos. Ou tiro o som da minha TV.  

terça-feira, 26 de abril de 2011

Extra-Campeonato: Chernobyl, 25 anos depois, ou como a questão nuclear nunca sairá de cena

A comemoração dos 25 anos do desastre de Chernobyl calha por coincidência numa altura em que discutimos um novo desastre nuclear, num outro pais. Mas como dizem os médicos, "cada caso é um caso", e Fukushima não é Chernobyl por tudo: diferente central, diferente construção e fabricação, diferentes circunstâncias. No caso japonês, falamos de um devastador terramoto, ao qual deveria resistir, e pelos vistos, não resistiu. Aliás, fala-se que aquela central em particular teria grandes dificuldades em resistir a uma terramoto de grau acima de sete na escala de Richter. E o evento de 11 de março foi de 9.0...

Lembro-me desses dias de Chernobyl. O primeiro aviso veio da Suécia, quando no inicio de maio as autoridades locais avisaram os soviéticos que uma nuvem radioativa tinha passado por eles, vindo do seu pais, e pediram explicações. Primeiro houve silêncio, depois surgiram os rumores, que se fortaleceram nos dias a seguir. E por fim, depois das autoridades ocidentais terem começado a insistir fortemente nos soviéticos para exigirem saber o que se passava, eles cederam. Mikhail Gorbachov, o lider soviético da altura, fez uma comunicação inédita ao pais para dizer o que se passara na noite de 25 para 26 de abril em Prypiat, no norte de Kiev, a capital ucraniana. Aliás, esta cidade de quatro milhões de habitantes somente se salvou porque os ventos daquela noite sopravam para norte-noroeste, fazendo com que a nuvem voasse atraves da Bielorussia e Rússia, parando na Suécia e Finlândia.

Tal como aconteceu em 1986, todos questionavam o nuclear, fazendo com que alguns paises decidissem cancelar os planos de construção de centrais nucleares. Podia ser uma energia limpa, não poluente, mas os resíduos são dificeis de serem tratados e a radioatividade pode ficar presente durante dezenas de milhares de anos na atmosfera. Logo, os custos de desmantelamento dessas centrais serão largamente elevados. Em suma, o nuclear tem muitas mais coisas contra do que a favor.

Fukushima acontece numa altura em que as grandes potências tinham começado a virar para o nuclear como uma alternativa à energia vinda das ondas, das eólicas e da solar. Os seus defensores vendem-na como uma energia limpa, capaz de produzir em grande quantidade aquilo que milhares de ventoinhas ou painéis solares são capazes de fazer. Mas o senso comum sabe que um painel solar ou uma turbina são de fácil montagem e não causam tanto impacto na paisagem do que um mamarracho como uma central nuclear. E por muito que a tecnologia avance, o risco, por minimo que seja, é demasiado alto, sensivel e intolerável para as pessoas. Basta ver os milhares de ucranianos que sofreram, sofrem e sofrerão para as gerações futuras. E os japoneses que sofrerão no futuro com os cancros da tiroide, para não falar do envenenamento causado pela forte exposição à radioatividade...

Não queremos mais que se repita Chernobyl e Fukushima. Mas temo que esta história não esteja encerrada de vez. Veremos mais alguns destes capítulos no futuro.