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quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Formula E: McLaren divulgou a sua dupla para a próxima temporada


A McLaren anunciou a sua dupla de pilotos para a próxima temporada da Formula E que começará no final do ano. Para além do veterano Sam Bird, que aos 37 anos é já dos poucos "originais" da competição -foi um dos que alinhou na primeira corrida, em Pequim, em 2014 - a equipa terá Taylor Barnard, de 20 anos, que correu em três provas de 2024, conseguindo cinco pontos.

Como foi já dito, Sam Bird tem 125 ePrixs no seu currículo, com 12 vitórias, 27 pódios e seis poles, mas teve uma temporada de 2024 parcialmente encurtada por causa de uma lesão, onde foi substituído por... Barnard, que então com 19 anos - nasceu a 1 de junho de 2004 - tinha-se tornou no piloto mais novo de sempre a alinhar numa corrida da competição elétrica.

Zak Brown, o CEO da McLaren, afirmou sobre esta nova dupla: 

À medida que entramos no nosso terceiro ano a competir na Fórmula E, estou muito satisfeito por termos uma forte formação de pilotos composta por Sam e Taylor. Ambos provaram ser talentos impressionantes, tanto na Fórmula E como noutras categorias. Estou ansioso por aproveitar as suas capacidades e conhecimentos para ajudar a levar a equipa de Fórmula E da McLaren ao sucesso na 11ª temporada.

Já Barnard afirma sobre esta oportunidade de regressar ao cockpit de um Formula E:

"Estou entusiasmado por correr ao lado do Sam esta temporada e tenho a certeza que vou aprender muito com ele”, começou por afirmar, sobre Sam Bird. “É um dos pilotos mais experientes da grelha e espero que juntos possamos somar muitos pontos e conquistar alguns troféus para a equipa. É uma oportunidade incrível poder continuar a viagem com a equipa como piloto de Fórmula E a tempo inteiro e mal posso esperar para começar.

A nova temporada começa a 7 de dezembro nas ruas de São Paulo, no Brasil.  

domingo, 1 de março de 2015

A foto do dia (II)

Jean Alesi, no GP do Mónaco de 2001 ao serviço da Prost GP, numa foto de Paul-Henri Cahier. Para terminar esta semana dedicada a Alain Prost, na comemoração do seu 60º aniversário, não poderia deixar de falar sobre a sua aventura como construtor. Desde 1989 que Prost pensava na ideia de ser chefe de equipa, e discutiu isso com John Barnard. Aliás, queria até que o projeto avançasse em 1990, mas nunca houve suficiente dinheiro para isso. Aliás, conta-se que Prost é um notório forreta...

Como já disse há uns dias, Prost desejou a Ligier, com a ideia de ter uma "Ecurie de France". Namorou com a Renault para ter os melhores motores, e isso complementava o chassis, ou seja, a melhor tecnologia do hexágono. Depois de muitas lutas, e de uma primeira tentativa em 1992, conseguiu comprar a Ligier no inicio de 1997 a Flávio Briatore. Rebatizou de imediato com o seu nome, mas o motor era o Mugen-Honda e o chassis ainda era o JS45, bem desenhado por Loic Bigois

Essa combinação, aliado a pilotos como Olivier Panis e o japonês Shinji Nakano, e também os pneus Bridgestone, fez com que tivessem a melhor temporada em muito tempo. Panisa subiu duas vezes ao pódio e numa altura, era o terceiro classificado. Mas depois, um acidente no Canadá fraturou ambas as pernas e ficou de fora por meio ano. Jarno Trulli veio no seu lugar e conseguiu um quarto lugar em Hockenheim, e uma grande corrida em Zeltweg, até que o seu motor explodiu, provavelmente a caminho de uma vitória.

Mas depois da grande temporada de 1997, as coisas correram mal: com os franceses Peugeot, os carros a chamarem-se de AP, desenhados por John Barnard, acabaram por decair as suas prestações. Só conseguiram um ponto no famoso GP da Bélgica, e em 1999, foram mais sortudos com o segundo lugar em Nurburgring, ambos às mãos de Jarno Trulli. Parecia que estavam a caminho dos velhos tempos da Ligier, uma década antes. Em 2000 foi a catástrofe: zero pontos. 

E nessa altura, Prost acolhia um velho amigo seu, Jean Alesi. Já longe dos seus bons tempos na Ferrari e Benetton, o francês dava o seu melhor contra uma máquina que se arrastava no fundo do pelotão.Em 2001, substituiu os Peugeot pelos Ferrari, rebatizados de Acer, a marca de portáteis. E aí, as prestações foram mais estáveis, mas a dupla de pilotos era instável. Começou com o argentino Gaston Mazzacane, depois por Luciano Burti, e a meio do ano, Alesi chateou-se com o seu patrão e foi-se embora depois de dar um sexto lugar na Alemanha. Entrou Heinz-Harald Frentzen, mas no GP da Belgica, Luciano Burti choca com Eddie Irvine na veloz Staevlot e acaba em cheio no muro de proteção. Para o seu lugar entra o checo Tomas Enge.

Nessa altura, Prost luta para manter a equipa de pé, à medida que não consegue os patrocinadores franceses que quer. No final do ano, depois de conseguir quatro pontos, declara falência - tinha dívidas de 30 milhões de dólares - e a equipa fecha portas, terminando o sonho francês na Formula 1. O episodio afetou Prost, que nunca deixou de afirmar o seu desgosto pelo fracasso da ideia de uma "Ecurie de France".

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Youtube Formula 1 History: Magaret Thatcher e Ron Dennis, McLaren, 1986

Magaret Thatcher, a Dama de Ferro, morreu esta manhã aos 87 anos, após um AVC que sofreu em sua casa. Primeira ministra entre 1979 e 1990, marcou toda uma geração, para o mal e para o bem. Um bom exemplo disso é fazer uma curta pesquisa no Youtube e ver quantas musicas é que foram feitas a lembrar dela, ao longo destes tempos, a grande maioria contra ela...

Sobre a senhora, escreverei mais tarde. Até lá, fico com este video da visita que a então primeira-ministra fez às instalações da McLaren em 1986, na companhia de um jovem - e com muito cabelo... - Ron Dennis, onde ele mostra o processo de construção de um Formula 1. E também se pode ver ela a conversar com John Barnard, o projetista do McLaren MP4/2, que daria dois títulos mundiais a Alain Prost (que esteve presente na visita), e que antes, tinha dado o tricampeonato a Niki Lauda.

Detalhe final: não sei se é do salto que a senhora levava, mas ela é mais alta que Prost... 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Bólides Memoráveis - McLaren MP4-1 (1981-83)


(...) Em 1980, a Mclaren era uma sobra do que tinha sido meia década antes. Dez anos depois de terem perdido o seu criador, Bruce McLaren, a equipa tornou-se numa das maiores do campeonato, graças a chassis como o M23, que deu títulos de pilotos a Emerson Fittipaldi, em 1974, e a James Hunt, dois anos depois. Mas nessa altura, vivia um lento declínio. Não venciam desde 1977, com Hunt ao volante, e os modelos a seguir, como o M26 e o M29, foram verdadeiros fracassos, com John Watson ao volante e um jovem “rookie” francês, de seu nome Alain Prost. Assim sendo, a Marlboro, patrocinadora da marca, encostou Teddy Mayer à parede e lançou um ultimato: ou aceitava fundir-se com a sua equipa de Formula 2, ou retirava o seu apoio. Aflito, cedeu. (...)

(...) Contratado [John Barnard], ele decidiu trazer para a Formula 1 um material compósito que já usava com êxito na CART: a fibra de carbono. Leve e ao mesmo tempo resistente suficiente para aguentar fortes impactos, começava a ser um material que era usado em certas partes dos carros, mas não como um todo. Barnard pediu à americana Hercules Aerospace para que construísse um carro adaptado a esse material, o que foi feito em relativamente pouco tempo, graças à sua experiência na CART.  

Quando foi a altura de batizar o carro, decidiu-se que iria usar a nomenculatura de MP4, para comemorar a fusão de ambos os projetos. O que não sabiam então era que todos os carros até aos dias de hoje teriam essa sigla. (...)

O artigo que coloco hoje no portalf1.com fala sobre um dos carros mais marcantes da História da Formula 1. é provavelmente o primeiro carro moderno, pois foi feito em fibra de carbono, um material leve e resistente, que provou vezes sem conta que era seguro, mas incrivelmente rápido, mesmo tendo um motor Cosworth, que começava a ser mais lento do que os Turbo que tinham a Renault, Ferrari e depois, Hart e BMW. 

Foi desenhado por John Barnard, e era o seu primeiro projeto realmente seu na Formula 1, depois de ter ajudado no desenho do McLaren M23 e após uma passagem bem sucedida pelos Estados Unidos, onde desenhou o Chaparral 2K de efeito-solo. Iria ser também o primeiro de uma data de projetos bem sucedidos, primeiro na McLaren, depois na Ferrari e Benetton, numa carreira que durou até 1997. E também foi o chassis que fez regressar Niki Lauda da sua retirada de cena, em 1982.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

McLaren MP4/2: a história de um chassis campeão

"A era Turbo foi um periodo onde muitos dos carros projetados são considerados como alguns dos melhores da história da Formula 1. Em plenos anos 80, os carros, já feitos em fibra de carbono, albergavam um conjunto de motores cuja potência muitas vezes rondava os 700 cavalos em corrida, e nos treinos, com pneus de qualificação, alcançavam até 1500 cavalos de potência, como os franceses da Renault, pioneiros nessa tecnologia. Um dos mais memoráveis projectos desse tempo foi o McLaren MP4/2, projectado por John Barnard, que foi um vencedor no seu tempo. Nas suas três temporadas, entre 1984 e 1986, conseguiu três títulos de pilotos e dois de Construtores."

É o primeiro parágrafo do artigo que escrevi hoje sobre um dos chassis mais bem sucedidos de todos os tempos, o McLaren MP4/2. Desenhado por John Barnard, foi o primeiro a acolher todas as potencialidades do motor TAG Porsche Turbo, pedido por Ron Dennis e financiado por Mansour Ojjeh, seu sócio na empresa e dono da Techniques D'Avant Garde, TAG.

Entre o GP do Brasil de 1984 e o GP da Austrália de 1986, o seu palmarés é impressionante: 22 vitórias, sete pole-positons, 16 voltas mais rápidas, três títulos mundiais de pilotos, dois de construtores. Um dos melhores chassis da história da categoria máxima do automobilismo, guiados por nomes como Alain Prost, Niki Lauda e Keke Rosberg, um daqueles que sem o qual a década de 80 nunca será totalmente contada. E podem ler hoje no site Pódium GP, basta seguir este link.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Bolides Memoráveis - Ferrari 640 (1989)

Não é habitual falar sobre modelos da Ferrari, mas é demais salientar que este ano comemora-se o 20º aniversário do primeiro modelo com uma caixa semi-automática no volante. E era num modelo Ferrari! Foi o primeiro modelo a ser construído após a morte do seu fundador, Enzo Ferrari, e marcou o caminho para os modelos a seguir na Formula 1.


Desenhado pelo inglês John Barnard, o Ferrari 640 era o primeiro modelo da Scuderia no regresso dos motores atmosféricos. Sendo um novo modelo, significava um novo motor, e a marca voltou aos clássicos motores V12, de 3,5 litros, com um ângulo aberto a 65 graus, que foram imagens de marca do Cavalino Rampante. Neste caso em concreto, o motor tinha uma potência máxima a rondar os 660 cavalos. Fabricado em fibra de carbono, tinha um nariz fino e uns pontões laterais finos, próximos do eixo frontal, no sentido de maximizar o efeito aerodinâmico. De início, a entrada de ar frontal situava-se nos lados do carro, mas a partir do México foi colocado um pontão mais convencional, por cima do capacete do piloto.


Foi um carro preparado desde o início. O desenvolvimento da caixa de velocidades automática foi feito ao longo do ano anterior pelo brasileiro Roberto Moreno, piloto de testes da marca, com o modelo 639, e ele contava que as caixas partiam-se, de início, a cada 10 a 50 quilómetros de teste. Quando o carro ficou pronto a tempo do início da temporada, ainda havia problemas de fiabilidade, e os pilotos da marca, Gerhard Berger e Nigel Mansell (que vinha da Williams e tinha sido o último piloto que Enzo Ferrari escolheu em vida), tiveram de lidar com muitas desistências devido à pouca fiabilidade dessa caixa de velocidades.


O sistema de caixa desenvolvido pela Ferrari funcionava da seguinte maneira: por detrás do volante, duas manetes em forma de borboleta, em cada lado do volante sobressaíam. Depois de engatada uma primeira marcha, as mudanças eram feitas com essas manetes, sendo que com a esquerda se reduzia a velocidade, e com a direita, aumentava. Era mais fácil fazer a mudança do que nas caixas convencionais, pois não se largavam as mãos do volante, logo, tendo maior controlo sobre o carro, o facto da caixa ser electrónica e não hidráulica, como as convencionais, fazia com que fossem muito mais eficazes.


No primeiro Grande Prémio do ano, no circuito brasileiro de Jacarépaguá, muitos dos problemas de fiabilidade dessa caixa ainda estavam presentes, e ambos os pilotos receavam que as coisas não corressem bem à Scuderia no dia da corrida, mas nada disso aconteceu. O carro resistiu bem e Nigel Mansell aproveitou os azares alheios para vencer na sua primeira corrida ao serviço da Scuderia, a primeira vitória de um carro de caixa semi-automática e a de um piloto inglês num carro italiano desde John Surtees, em 1966. Provavelmente, foi uma corrida onde tudo deu certo.


Mas nesse “milagre” havia uma explicação racional: nos treinos, Barnard decidira mudar a posição da bomba hidráulica que alimentava a caixa de velocidades. No sítio onde estava, esta sobreaquecia e entrava logo em “tilt”. Com essa mudança, os problemas tinham desaparecido, e Mansell partira rumo à vitória.


Mas essa vitória foi de pouca dura: os problemas não ficaram logo resolvidos, e Mansell não pontuou nas cinco provas seguintes (quatro desistências e uma desclassificação no Canadá) mas na segunda metade da temporada, Mansell sobe cinco vezes consecutivas ao pódio, incluindo uma nova vitória no sinuoso traçado de Hungaroring, depois de uma magnifica ultrapassagem a Ayrton Senna, quando este hesitou em dobrar o Onyx de Stefan Johansson. No final do ano, Mansell foi quarto no campeonato, com 38 pontos.


Em claro contraste, o seu companheiro Gerhard Berger teve a incrível proeza de não terminar as primeiras onze (!) provas do ano, devido essencialmente a desistências. Mas uma delas foi particularmente arrepiante: na terceira volta do GP de San Marino, perdeu o controlo do seu carro na Curva Tamburello e bateu violentamente no muro, arrastando-se por várias dezenas de metros e pegando fogo. A rápida intervenção dos bombeiros e a resistência do carro evitou males maiores, algo que cinco anos mais tarde não iria acontecer com o seu amigo Ayrton Senna…


Contudo, Berger teve o sabor da vitória, ao subir ao lugar mais alto do pódio na corrida do Estoril, prova onde, ironicamente o seu companheiro Nigel Mansell empurrou para fora Ayrton Senna, quando “lutava” pela segunda posição, desconhecendo que tinha sido desclassificado devido a uma manobra irregular nas boxes (falhara a entrada na box da Ferrari e fizera marcha-atrás). No final, o piloto austríaco ficou com 21 pontos e o sétimo posto do campeonato.


Quanto à marca do Cavalino, os 59 pontos e o terceiro lugar na classificação dos construtores deram-lhe esperanças para o futuro. E a melhoria do sistema de caixa de velocidades semi-automática fizeram com que não mais abandonassem o sistema a partir de então, tornando-se um padrão até aos dias de hoje.


Chassis: Ferrari 640
Projectista: John Barnard
Motor: Ferrari V12 de 3,5 Litros
Pilotos: Nigel Mansell e Gerhard Berger
Corridas: 16
Vitórias: 3 (Mansell 2, Berger 1)
Pole-Positions: 0
Voltas Mais Rápidas: 4 (Mansell 3, Berger 1)
Pontos: 59 (Mansell 38, Berger 21)


Fontes:

Santos, Francisco – Formula 1 89/90, Ed. Talento, Lisboa/ São Paulo, 1989.

http://en.wikipedia.org/wiki/Ferrari_F1_640
http://www.f1technical.net/f1db/cars/638 (as características técnicas do carro)
http://www.gptotal.com.br/2005/Colunas/Eduardo/20050901.asp (sobre o carro e sobre a manobra de Mansell na Hungria, que lhe deu a vitória na corrida)