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quarta-feira, 29 de outubro de 2025

A imagem do dia







Depois de Michael Schumacher ter ganho o título de pilotos, ainda tinha de ajudar a equipa para outra tarefa: dar à Benetton o inédito título de Construtores. A Williams, apesar de ter tido metade dos pontos do alemão, tinha dois pilotos suficientemente rápidos para tirar o campeonato das mãos do alemão, da equipa liderada por Flávio Briatore. 

O pessoal não comemorou muito quando Schumacher alcançou o título em Ti-Aida, porque na semana seguinte, iam para Suzuka, correr non GP do Japão. E ainda por cima, como em 1994, a Formula 1 ia encarar mais um Grande Prémio... á chuva! Pelo menos no dia da corrida. Mas isso não impediu que Michael Schumacher ganhasse nova corrida, na frente de um regressado Mika Hakkinen, que tinha ficado ausente por causa da sua operação ao apêndice, e de Johnny Herbert, noutro Benetton. E sem Williams a pontuar, com ambos vitimas de despistes, essa discussão também acabou a uma corrida do final da temporada.

Mas o grande herói dessa corrida foi um que não chegou aos pontos, mas deu espectáculo. Aliás, se formos ver, a parte final dessa temporada de 1995 para Jean Alesi, é mais de um piloto que merecia ter ganho mais de uma corrida, se o carro colaborasse, e se fosse mais rápido que a concorrência. No caso japonês, Alesi teve um excelente final de semana. Com o carro cada vez melhor, e depois de ter conseguido um pódio em Nurburgring - uma corrida que deveria ter ganho, se acabasse cinco voltas antes - em Suzuka, andou muito bem nos treinos, conseguindo o segundo melhor tempo, passado apenas por Michael Schumacher. 

No dia da corrida, tinha chovido na hora anterior à corrida, mas tinha parado no momento em que as luzes se apagaram. Mesmo assim, os pilotos partiram com pneus com rasgos, para poderem espalhar a água.

E foi aqui que começou um espetáculo chamado Jean Alesi.

Largando de segundo na grelha, ele manteve a posição, mas imediatamente a seguir, os comissários afirmaram que ele teria mexido o carro na grelha antes de tempo e obrigaram a passar pelas boxes para tomar uma penalização de dez segundos (já agora, Gerhard Berger, seu companheiro de equipa, também apanhou). Regressou à pista em décimo e na volta seguinte, decidiu calçar pneus "slick", mas até lá, o seu estilo de condução era o equivalente a alguém estar possesso. Um dos pilotos que passou fora Johnny Herbert, e mesmo com os excessos a acabarem com ele na relva, continuou, para depois ir às boxes na volta sete e colocar pneus para pisto seco, embora ainda estivesse húmido.

Schumacher, por exemplo, só foi na volta 10, altura em que Alesi, que ganhava... cinco segundos por volta (!), apanhou o Minardi de Pedro Lamy e tentou passá-lo. Só que ele empurrou para a relva, regressou, sem danos, e foi atrás de gente como Damon Hill, que o passou antes da chicane. Quando chegou ao segundo posto, com aqueles pneus, todos foram às boxes trocar para os de piso seco. 

Na frente, Schumacher mantinha a liderança, depois de Mika Hakkinen ter liderado por uma volta. Apesar do alemão aparentemente ter tudo controlado, começava a ser ameaçado, não por Hill ou Coulthard... mas por Alesi. Mais rápido que o alemão, a diferença tinha diminuído bastante ao ponto de na volta 25, já estar a ver, ao longe, a traseira do Benetton. Mas ali, o azar interveio, quando o seu diferencial cedeu e ele teve de parar de vez. Mais uma desilusão para o francês, mas até ali, tinha dado um espetáculo memorável para os que tinham ido a pista e os que viam a corrida pela televisão.

"Estava a divertir-me muito, mas não seria novamente o meu dia. O veio de transmissão partiu-se e todo o óleo vazou do diferencial.", contou Alesi, muitos anos depois.

E se calhar, até teria feito mais. Na volta 31, depois de Schumacher parar uma segunda vez, a chuva regressou à corrida, mas na zona da curva Spoon, do outro lado da pista. Suficiente para que os Williams de Hill e Coulthard se despistarem ali e acabarem na gravilha, e também a sua tarde automobilística. 

No final, depois dos pilotos do pódio, Eddie Irvine, no seu Jordan, o Ligier de Olivier Panis e o Tyrrell de Mika Salo ficaram nos restantes lugares pontuáveis.     

Anos depois, Alesi falou desta corrida da seguinte forma: "Na minha carreira na Formula 1, houve muitas corridas que deveria ter ganho, mas não ganhei, por isso é bem verdade que aquela que não consegui terminar foi a corrida da minha vida!"

Acho que diz muito, não só da rapidez do piloto, mas máquinas que guiou e do facto de ter estado no lugar certo, mas na altura errada. 

quarta-feira, 11 de junho de 2025

A imagem do dia





Há 30 anos, Jean Alesi deixou de ser o Chris Amon da sua geração para estar ma galeria dos vencedores. E o mais doido é que comemorou no Canadá, nação de um outro mítico piloto da Ferrari... e nos flancos de Michael Schumacher. E pergunto-me: é coisa de gente carismática... ou é o espírito de Gilles Villeneuve, que visita a Formula 1 em todas as vezes que aparece no circuito com o seu nome e consegue tirar alguns coelhos da cartola que surpreendem os fãs?

Mas recuemos a 1995. E falar de um jovem de Avignon, que naquele dia... fazia anos. 

Nascido Giovanni Roberto Alesi, os seus pais são de origem siciliana. O seu pai, Roberto, foi um piloto de rali amador, enquanto geria uma loja de peças para automóveis. E entre o seu circulo de amigos estava Jean Ragnotti, que se tornaria uma das lendas dos ralis, correndo pela Renault e Alpine. Naturalmente, os primeiros passos foram nos ralis. 

Foi tarde para o kart, aos 16 anos, em 1983, foi para a Renault 5 Turbo Cup, ficando por três temporadas, antes de seguir para a Formula 3, que era onde estava em 1986, quando aconteceu o acidente mortal de Elio de Angelis, então piloto da Brabham. Em sua honra, adotou as riscas laterais que usava no seu capacete. Campeão da Formula 3 em 1987, passou logo para a Formula 3000, correndo pela Oreca.

Em 1989, ficou numa segunda temporada na Formula 3000, mas saltou para a Eddie Jordan Racing, que era apoiado pela Camel. O seu maior rival, num populoso pelotão, era Eric Comas, então piloto da DAMS. O companheiro de Alesi era o norte-irlandês Martin Donnelly. Foi uma temporada bem competitiva, e não só conseguiu bater o seu companheiro, como também boa parte da concorrência. E quem estava de olho nele era Ken Tyrrell, cujo talento para encontrar talentos tocava a lenda. Em junho de 1989, depois de se zangar com Michele Alboreto, que tinha regressado à marca depois de ter vindo da Ferrari, pensou em Alesi e no patrocínio que ele trazia consigo. 

Acertados os pormenores, entrou no carro na sua corrida caseira, em Paul Ricard, semanas depois de ter se aventurado nas 24 Horas de Le Mans, sem sucesso. Sem deslumbrar na qualificação, sobreviveu entre os pingos da chuva da carambola na primeira curva, para depois, começar a subir na classificação. A certa altura, já era segundo na geral, sobrevivendo aos problemas que os outros tinham nos seus carros. No final, ficou em quarto e recolheu os primeiros três pontos da sua carreira. Assim sendo, ficou para o resto da temporada, ao mesmo tempo que corria na Formula 3000, competição que queria ganhar. Quando os compromissos colidiam, escolhia a intrerior - alguém faria isso hoje em dia?

No final, conseguiu cinco pontos na Formula 1, enquanto ganhava o campeonato de Formula 3000... empatado com Eric Comas. O desempate foi porque ele tinha mais vitórias que o seu compatriota.

Ficando na Tyrrell a tempo inteiro, logo no inicio de 1990, nas ruas de Phoenix ao liderar por 34 voltas e andar de igual para igual com Ayrton Senna... e ganhando, numa manobra ousada. Senna depois aplicou-se, superou-o e afastou-se, para ganhar a corrida. Algumas provas mais tarde, no Mónaco, conseguiu um segundo pódio, a bordo do novo 019, o carro com o nariz alto. Nessa altura, ele era o terceiro classificado do campeonato, apenas superado pelos McLaren de Ayrton Senna e Gerhard Berger

Naturalmente, as equipas da frente queriam-o. E naturalmente, ele assinou contratos-promessa, especialmente com a Williams. Mas havia um problema: Frank Williams não o anunciava. E entretanto pouco tempo depois, a Ferrari ofereceu um contrato. Naturalmente, sendo italiano, quem não recusaria correr pela Scuderia? E ainda por cima, iria correr ao lado de Alain Prost

No final, Ferrari pagou uma multa de quatro milhões de dólares, e deu a Frank Williams um Ferrari 640, que o expôs no seu museu, em Grove. Três pódios em 1991 até foram bons para ele, mas o que não sabia era que tinha chegado a Maranello na pior altura possível. O 643 foi uma desilusão, Prost foi despedido no final do ano, e em 1992, o F92A foi um dos piores carros da história da Scuderia, do qual apenas dois terceiros lugares foram um (muito) fraco consolo. 

Ser o primeiro piloto de uma Scuderia nas piores alturas da sua história é uma honra que muitos dispensariam, mas a sua paixão galvanizava os "tiffosi", lembrando outros pilotos carismáticos de outros tempos, como Gilles Villeneuve. 

Mas mesmo assim, havia ocasiões onde ele poderia ter ganho... e não aconteceu. O melhor exemplo desses tempos foi no GP de Itália de 1994, onde tinha feito a pole-position, perante os "tiffosi", liderou a corrida com folga até ao momento em que  vai às boxes para reabastecer e quando arranca para a pista... a sua caixa de velocidades falhou.

Na temporada de 1995, as coisas melhoraram um pouco, com dois segundos lugares em Buenos Aires e Imola, e quando a competição chegou a Montreal, ele era quarto no campeonato, com 14 pontos. E ainda tinha conseguido uma volta mais rápida no Mónaco. Quinto na qualificação, parecia que ele iria conseguir um pódio, porque Michael Schumacher estava a ter uma corrida irrepreensível naquele final de semana. Tinha conseguido uma vantagem acima de meio minuto no final da volta 57... quando começou a ter problemas elétricos no seu Benetton, que afetavam a troca de marchas no seu carro. 

Indo para as boxes, Schumacher perdeu mais de um minuto para resolver esse problema, parado. Quando assim fez, descobriram que... não tinham feito a troca de pneus. No final, apesar de ter tentado recuperar o tempo perdido, acabou na quinta posição, enquanto na meta, todo um circuito celebrava de pé a vitória, para depois, trocar as bancadas pela pista, invadindo-a. Entretanto, Alesi ficara sem gasolina e por acaso, Schumacher passou por ali. Ele parou o carro e perguntou se não queria boleia para as boxes. Ele acedeu e lá foi ele, em cima do carro, comemorando a sua vitória perante os tiffosi.

E... não ficaria admirado se alguns deles não pensassem se ele não fosse Gilles reencarnado. Ou que o seu espírito não colocassem alguma justiça neste mundo do automobilismo.

terça-feira, 11 de março de 2025

A imagem do dia






Há 35 anos, a Formula 1 chegava ao centro da cidade de Phoenix em escaldo dos eventos do ano anterior, com Alain Prost na Ferrari e Nelson Piquet na Benetton, entre outras coisas. E a chegada da Life, uma das mais infames da história da competição. 

Mas numa qualificação onde a chuva baralhou a grelha de partida - Pierluigi Martini quase conquistou a pole-position pela Minardi! - a corrida foi disputada com tempo encoberto, a ameaçar chuva numa cidade onde chove muito raramente. Afinal de contas, o Arizona é quase um deserto.

Apesar de partir de quinto na grelha, Ayrton Senna estava confiante que iria acabar aquela corrida no lugar mais alto do pódio e começar a temporada da melhor maneira possível. Afinal de contas, agora era o primeiro piloto a McLaren, a Honda investia milhões no seu motor de 10 cilindros e Gerhard Berger não era ameaça, apesar dos seus esforços para andar ao nível do brasileiro.

Mas ninguém reparava no piloto que estava num excelente quarto posto da grelha, a bordo do Tyrrell 018 do ano anterior - o 019 só apareceria em Imola - e que tinha impressionado muita gente desde o eu primeiro Grande Prémio: o francês Jean Alesi. Então com 25 anos, tinha sido quarto classificado na sua corrida de estreia, em Paul Ricard, chegando a andar em segundo na corrida. Mais duas corridas nos pontos lhe deram oito pontos e um lugar no "top ten" naquela temporada de estreia. E claro, havia boas perspetivas. 

Contudo, na partida, Alesi surpreende tudo e todos ao ser mais rápido e agressivo que Berger e Martini para acabar a primeira curva na liderança! Enquanto Senna era terceiro, desperdiçava algum tempo atrás de Berger, que na nona volta saltou num ressalto do asfalto e falhou a travagem para a primeira curva, deixando Senna ficar com a segunda posição. Com isso, o brasileiro foi à caça de Alesi, que por esta altura já tinha 8,2 segundos de vantagem sobre ele. 

A partir daqui, deveria ter sido uma corrida de perseguição, mas Senna hesitou porque não sabia a duração dos Pirelli da Tyrrell. Só pouco depois é que começou a ir ao seu encalço, e na volta 34, já via a traseira da Tyrrell na sua frente.  Quando tentou passá-lo no final da reta, conseguiu... mas o francês respondeu, com uma manobra arriscada, para ficar novamente com a liderança, perante os espanto de todos!

Mas o brasileiro aprendia depressa, e na volta seguinte, fez a mesma manobra e defendeu-se bem quando Alesi tentou de novo, bloqueando o acesso. 

Por esta altura, Prost já tinha abandonado (volta 17), com a caixa de velocidades avariada e assistia à corrida das boxes. 

O duelo prosseguiu por mais algumas voltas até o francês abdicar da luta para poder ter pneus até ao fim. No final, Alesi tinha dado a melhor classificação de um Tyrrell em sete anos, desde o GP de Detroit de 1983, quando Michele Alboreto ganhou, e ainda por cima, o seu outro piloto, o japonês Satoru Nakajima, ajudou a equipa com um sexto lugar, na sua primeira corrida para eles.   

No final, Senna elogiou Alesi, afirmando que tinha capacidades para ser campeão do mundo, e ele respondeu que era o seu herói. E o resto do mundo sabia que iria falar muito de Alesi dali para diante.   

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

A imagem do dia


Jean Alesi é um dos pilotos mais carismáticos do seu tempo. Piloto da Tyrrell, Ferrari, Benetton, Sauber, Prost e Jordan, entre 1989 e 2001, conseguiu apenas uma vitória em 201 Grandes Prémios. Hoje em dia, aos 57 anos, viu-se correr um modelo Ferrari 312 no GP do Mónaco histórico em 2021 (na foto), liderando até se despistar.

Contudo, hoje, Alesi apareceu nas noticias por motivos insólitos. A policia da localidade de Avignon anunciou que deteve Jean e o seu irmão José depois de se ter feito uma queixa de alguém cujo escritório de arquitetura ficou danificado depois da explosão de um petardo. O incidente aconteceu no domingo à noite, e depois descobriu-se que o local, situado na localidade de Villeneuve-lés-Avignon, era o local de trabalho do seu cunhado, que passa neste momento por um processo de divórcio.

Jean Alesi foi levado pela polícia por volta das 16h de segunda-feira por depredação de propriedade com outras pessoas em posse de explosivos”, disse Antoine Wolf, delegado responsável, à agência AFP. Aparentemente,  Alesi declarou que trouxe “grandes fogos de artificio” da Itália para colocarem na janela do escritório do cunhado, mas “sem imaginar que causariam tantos danos”. O jornal "L’Équipe" declarou que a explosão foi tão grande que quebrou até mesmo os vidros a prova de bala do escritório de arquitetura.

Apesar do incidente, ninguém ficou ferido. “Estou incrédulo pela falta de noção da ‘brincadeira’ feita sem a pessoa se preocupar em saber se alguém está lá”, disse o responsável pela investigação do caso.

Sim, leram bem: foi tudo uma brincadeira que foi longe demais. Jean declarou que queria fazer apenas “uma brincadeira” com o cunhado, que está se divorciando da esposa, e o cunhado de Alesi afirmou que não possui preocupações com o ex-piloto, mas fez um boletim de ocorrência sobre a destruição do local. 

Definitivamente, entrar nas noticias por uma brincadeira e mau gosto é algo do qual só pode acontecer no Natal...

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Youtube Formula 1 Video: Que raio aconteceu a Jean Alesi?

Como todos nós, quem viu há umas semanas a prestação de Jean Alesi no GP do Mónaco histórico, a bordo do Ferrari 312B de 1974, que fui guiado por Niki Lauda, ficou com umas certas saudades da pilotagem agressiva do francês, que há 30 anos, surpreendeu o mundo e jurou que seria um futuro campeão. 

Contudo, quem viu a carreira de fio a pavio sabe que Alesi fez algumas opções bem duvidosas, e ao escolher a Ferrari em 1991 em detrimento da Williams, ficou com a ideia de que desperdiçou uma chance de ouro para ser campeão. Mas depois imagino que poderia ser ele a bordo do FW16 naquela tarde de maio de 1994, em Imola... ou seja, nem todas as realidades alternativas são boas.

E é sobre Alesi que o Josh Revell fez o seu mais recente video.  

quinta-feira, 12 de março de 2020

A imagem do dia

Lembrar-se destas coisas, a meio de uma pandemia mundial, até é um feito. Mas até nem eu poderia deixar passar isto de lado, por causa da data redonda. Do que aconteceu e das circunstancias desse facto.

A 11 de março de 1990, em Vilnius, na Lituânia, o parlamento local decidiu restaurar a sua independência, retirada pela (então) União Soviética cinquenta anos antes. Só ano e meio depois é que se efectivou, mas no dia em que isso acontecia, no outro lado do Atlântico, no outro lado da América, quase no Pacífico, acontecia o GP dos Estados Unidos, num circuito sem história no centro de Phoenix, no Arizona.

Por ali, são raros os dias de chuva. Mas aconteceu. Choveu no sábado, e os tempos de sexta-feira foram os que contaram. Foi por isso que Pierluigi Martini conseguiu a sua melhor posição de sempre, com um segundo lugar, na frente de Andrea de Cesaris, no seu Dallara, Olivier Grouillard conseguiu um oitavo com o seu Osella, Roberto Moreno um 16º posto com o seu Eurobrun, tudo resultados... excêntricos. E os dois italianos ficaram na frente de Ayrton Senna! Em contraste, Nigel Mansell foi 17º e Alessandro Nannini 21º.

Mas não foi a grelha excêntrica que queria falar. Era sobre o dia em que um talento mostrou do que era capaz com uma máquina modesta. Jean Alesi, quarto na grelha de Phoenix, tinha chegado como um cometa a meio de 1989, e começou logo com um quarto posto em Paul Ricard, no seu Tyrrell. O francês, que corria pela equipa de Eddie Jordan na Formula 3000, não tinha passado despercebido pelo olho treinado de Ken Tyrrell, e conseguiu oito pontos na sua meia temporada e um nono posto no campeonato, enquanto era campeão na categoria mais abaixo.

Em Phoenix, ainda com a velha máquina - o 019 só iria aparecer em Imola - Alesi decidiu aproveitar o azar de Gerhard Berger para liderar a corrida. Parecia que iria ser um soluço, até que outros mais fortes o apanhassem, como Senna. Mas quando o brasileiro chegou perto, o francês reagiu. Reagiu ficando em frente a Senna por 25 voltas, com um mero motor Ford V8 contra o Honda V10 que o McLaren tinha. E à medida que as voltas passavam, as pessoas admiravam aquilo que ele fazia.

No primeiro ataque, Alesi se defendeu bem, mantendo a liderança, mas na segunda tentativa, o brasileiro conseguiu. Ele foi-se embora, mas o segundo lugar final não só lhe deu o seu primeiro pódio da sua carreira como o primeiro pódio da marca desde o GP do México, no ano anterior, quando Michele Alboreto tinha sido terceiro.

Alesi pode não ter vencido, mas naquela tarde de Phoenix, mostrou que era capaz com um carro inferior aos McLaren, Ferrari, Williams e Benetton. O futuro se iluminou para ele.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

O video do dia


Uma data de coincidências fizeram com que colocasse hoje este video. Ontem, li uma entrevista que o Mika Hakkinen deu ao podcast da Formula 1, e lá, ele disse coisas interessantes sobre o fim de semana do GP de Portugal de 1993, onde ele, ao fim de mais de meia temporada, teve a sua estreia na Formula 1 ao serviço da McLaren, a equipa no qual ficaria até ao final da sua carreira, em 2001.

Hakkinen tinha assinado para a temporada de 1993, depois de uma "noite de copos" com Keke Rosberg, o seu manager, que tinha em mãos a proposta para correr na Williams, ao lado de Alain Prost. Ele que tinha feito duas boas temporadas na Lotus. Ele achava que a McLaren seria ótimo para o seu talento, que poderia desenvolvê-lo e teria ajuda dos engenheiros e mecânicos para o fazer. E também sabia que Ayrton Senna estava indeciso entre ficar na equipa ou fazer uma sabática, como tinha feito Prost. 

Contudo, Senna ficou na McLaren, depois de fazer um contrato corrida a corrida, valendo um milhão de dólares por prova, e Hakkinen, a opção B, ficou como piloto de testes, vendo os outros correrem. Até que Michael Andretti foi despedido da equipa, mesmo depois de ter feito um terceiro posto em Monza. Estoril foi uma corrida onde ele era titular. E queria impressionar.

"Vou para Portugal para chutar a bunda do Senna e ir mais rápido do que ele", começou por dizer Hakkinen. "Esse era o meu objetivo. Eu sabia que nosso carro não era rápido o suficiente para bater as Williams, mas eu pensei: ‘A única coisa que eu preciso fazer é ser mais rápido que ele [Ayrton]’. E aconteceu. Foi uma volta muito boa. Não acho que eu poderia ter ido mais rápido que fui. Foi uma volta fantástica".

"Eu pensei: ‘Não é possível que o Ayrton vá mais rápido que isso’. E também senti que ele não estava cem por cento psicologicamente. As expectativas dele para o começo da temporada estavam altas e foi por isso que ele decidiu ‘ficar’ na McLaren, então ele começou a perder não a motivação, mas não estava totalmente lá. Então quando eu fui mais rápido ele pensou: ‘Oh, Meu Deus, isso não é bom para mim’", ponderou.

Hakkinen bateu-o por 48 centésimos, mas foi o suficiente para ele ficar com o terceiro posto. E na partida, é o que vêm no video: empurra Prost, para que Senna aproveitasse, caso fosse para a esquerda, mas Jean Alesi foi mais rápido e ficou com o primeiro posto, numa péssima Ferrari, mas com um motor potente. Suficiente para ter os seus "quinze minutos de fama". Senna passou Hakkinen a meio da primeira volta, mas ele não se descolou dele. Contudo, nenhum deles chegou ao fim nessa prova. Quando Senna se foi embora no final da temporada, a McLaren já sabia que teria um piloto tão bom como ele. E claro, Hakkinen seguiu para ser bicampeão do mundo e marcar uma era na equipa de Woking. 

domingo, 17 de novembro de 2019

A imagem do dia


Algures em 1992. Contam-me que foi no fim de semana do GP de Portugal. E de uma certa maneira, a fina-flor da Formula 1. Bernie Ecclestone rodeado de dez dos melhores pilotos do pelotão de então.

Na fila de baixo: Gerhard Berger, Jean Alesi e o seu companheiro de equipa, Ivan Capelli. Na fila de cima, Martin Brundle, Michele Alboreto, Nigel Mansell, Riccardo Patrese, Michael Schumacher, Ayrton Senna e Thierry Boutsen, então piloto da Ligier.

A razão de falar desta foto nem é por causa dos seus interveninentes, mas sim pela pessoa que está por trás da câmara, sem que nós o vejamos. Esta foto é de Terry O'Neil, que morreu este sábado, aos 81 anos, depois de uma batalha contra um cancro na próstata.


A carreira de O'Neil foi recheada de fotografias com celebridades, principalmente com cantores e personalidades carismáticas como David Bowie, Frank Sinatra e Elton John, para além dos atores de Hollywood. Mas também fotografou muito dos "swing sixties", como os Beatles, Roling Stones, The Who ou Led Zeppelin. E em todos eles, mais do que o formalismo, apanhá-los em situações pouco ortodoxas foi a que o tornou famoso. Aliás, uma das suas primeiras fotos foi onde apanhou o então ministro do Interior adormecido num sofá no aeroporto de Heathrow.

Uma das mais icónicas fotos de O'Neil foi tirada a Faye Dunway na manhã seguinte ao Óscar que ela venceu pelo filme "Escândalo na Televisão", em 1977, na piscina do Beverly Hills Hotel. Ali, via-se os jornais que anunciavam o prémio, que rodeava a estatueta em cima da mesa, em destaque. Tudo isto deu não só dezenas de exposições, como também livros e o reconhecimento dos seus pares e do governo, que lhe deu um CBE - Comandante do Império Britânico - no inicio deste ano.

Em suma, O'Neil captou o espírito dos tempos, embora, ao ver esta foto, parece ser diferente daquilo que fez ao longo da sua carreira. Mas também vale a pena. Ars lunga, vita brevis, Terry.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Youtube Motorsport Interview: Uma entrevista com Jean Alesi

Por estes dias, Jean Alesi fez 55 anos de idade, e no inicio do mês que vêm, passarão trinta anos sobre a sua estreia na Formula 1. Em 202 Grandes Prémios, corridos entre 1989 e 2001, em equipas como Tyrrell, Ferrari, Benetton, Sauber, Prost e Jordan, apesar ter ter 32 podios, apenas conquistou uma vitória, para além das duas poles e quatro voltas mais rápidas. 

Neste podcast, o carismático francês - muitos o consideram como um digno sucessor de Gilles Villeneuve - fala da sua carreira de forma bem humorada, sobre um período bem interessante da história da categoria máxima do automobilismo. 

terça-feira, 12 de março de 2019

Youtube Motorsport Video: Cinco bizarrias australianas

No fim de semana do GP da Austrália, que desde 1996 decorre em Melbourne (e antes disso foi em Adelaide), o pessoal da Formula 1 escolheu cinco momentos confusos, desde carambolas, acidentes espectaculares, até... faltas de gasolina. Obrigadinho, Jean Alesi!

sábado, 6 de agosto de 2016

Formula 1 em Cartoons - Hungria (Riko)

Um bocado atrasado, o "Riko" lembrou-se de algo que aconteceu há 15 anos no GP do Japão (e desenhou na altura...), quando um jovem Kimi Raikkonnen atropelou o veterano Jean Alesi no GP do Japão, causando a desistência de ambos. Portanto, ver Kimi agora, veterano de quinze temporadas (esteve fora em 2010 e 2011), a reclamar da ousadia de Max Verstappen, soa a ironia...

terça-feira, 17 de maio de 2016

Doze inacreditáveis auto-eliminações (parte 2)

(continuação do capitulo anterior) 

Na segunda parte destas inacreditáveis eliminações entre companheiros de equipa, que ocorreram no final do século passado e o inicio deste século, algumas destas situações andaram entre o bizarro e o inacreditável, como aconteceu na situação a seguir, graças a... uma mini-câmara de televisão! 

7 - Monza 1995


A Ferrari até estava a ter uma temporada razoável, em 1995, sendo a terceira equipa atrás da Benetton e da Williams, mas só tinha tido uma vitória - inesperada, é certa - no Canadá. Mas em Monza, esteve muito perto de ter uma dobradinha que teria alegrado os "tiffosi". Se não fosse uma câmara de televisão...

O incidente aconteceu na volta 32, quando a câmara se descolou do carro de Jean Alesi, que estava na frente da corrida, após a colisão entre Damon Hill e Michael Schumacher, nove voltas antes. A câmara instalada no carro do piloto francês descolou-se e atingiu a suspensão do carro de Gerhard Berger, forçando-o a desistir. Alesi não teve assim tanta sorte, acabando também por abandonar na volta 45, mas vitima de um rolamento gripado... quando liderava a corrida!


8 - Zeltweg 1999


No ano em que Mika Hakkinen alcançou o seu segundo título mundial, e onde Michael Schumacher esteve afastado meia época por conta de um acidente no GP da Grã-Bretanha, devido a uma perna partida, a McLaren teve de passar muitos obstáculos, causados por... eles mesmos. Como por exemplo na primeira volta do GP da Áustria de 1999.  

Ambos os carros chegaram à curva Remus, com o finlandês na frente, até que o escocês David Coulthard, que era o segundo classificado... tocou no carro do seu companheiro de equipa, colocando-o fora de pista e fazendo-o cair para o fundo da tabela. Quem se aproveitou disto tudo foi Eddie Irvine, que era agora o primeiro piloto da Ferrari, que ficou na frente e acabou por vencer a corrida, com Coulthard no segundo posto e Hakkinen no terceiro.

O finlandês ainda iria cometer mais erros - o de Monza foi memorável, pois levou-o às lágrimas - mas no final acabou campeão do mundo.


9 - Zeltweg 2000


Um ano depois, foram os pilotos da Prost - ex-Ligier - que foram protagonistas. O francês Jean Alesi e o alemão Nick Heidfeld eliminaram-se um ao outro durante a corrida, para embaraço do seu patrão, Alain Prost.

O incidente aconteceu durante a 41ª volta da corrida, quando Alesi tentou passar Heidfeld para ganhar uma posição no final da reta da meta, mas Heidfeld não cedeu, tornando a colisão inevitável. Ambos acabaram no muro de proteção, mais um ponto baixo aos muitos que a equipa viveu nessa temporada, e que acabaram com ambos sem conseguir qualquer ponto para a equipa. 


10 - Indianápolis 2002


O incidente na pista de Indianápolis teve a ver com os pilotos da Williams de então, o alemão Ralf Schumacher (irmão de Michael) e o colombiano Juan Pablo Montoya.

Este incidente aconteceu logo na partida, quando ambos travaram no final da reta da meta. Montoya fico ao lado de Ralf para o tentar passar, e quando o fez, o alemão ficou bloqueado e foi para a relva, acabando por arrancar a sua asa traseira, perdendo duas voltas no processo.

Depois da corrida, Montoya (que acabou na quarta posição) disse que travou bem tarde naquela curva, mas que dera espaço para o alemão poder continuar, sentindo depois um toque lateral. "Quando vi pelo espelho, vi que era o Ralf", contou.


11 - Istambul 2010


Este incidente entre companheiros de equipa aconteceu com Sebastian Vettel e Mark Webber durante o GP da Turquia de 2010, numa altura em que o piloto alemão rumava ao seu primeiro dos quatro títulos mundiais.

O incidente aconteceu na volta 41 do GP turco, com Mark Webber a controlar tudo desde a pole-position, mas Sebastian Vettel aproximou-se rapidamente do seu companheiro de equipa (e ambos estavam a ser assediados pelos McLaren de Lewis Hamilton e Jenson Button), e nessa volta, ele tentou uma ultrapassagem arriscada na travagem para a curva 12, com péssimas consequências para ambos, pois o alemão virou para a direita demasiado cedo, danificando o seu pneu traseiro direito e acabando por abandonar.

Webber continuou, sem grandes danos no seu carro, mas a corrida caiu ao colo dos McLaren, com Lewis Hamilton a levar a melhor sobre Jenson Button, com Webber na terceira posição. A relação entre ambos deteriorou-se, e este não foi o último incidente entre eles até 2013, altura em que o australiano abandonou a Formula 1 e dedicou-se à Endurance. 


12 - Spa-Francochamps 2014


Desde que Nico Rosberg e Lewis Hamilton estão juntos na Mercedes, ambos os pilotos puderam lutar livremente, desde que não eliminassem um ao outro. Exemplos disso aconteceram no GP do Bahrien, no inicio desse ano, mas em Spa-Francochamps, palco do GP da Bélgica, as coisas deram para o torto logo na primeira curva, quando Nico Rosberg forçou uma ultrapassagem para a liderança na curva Les Combes, mas que acabou mal porque a asa do seu companheiro de equipa furou o pneu traseiro esquerdo do piloto inglês, obrigando-o a ficar para trás na grelha de partida, e depois abandonar a corrida.

Para Nico Rosberg, não ficou assim tanto a rir, pois a sua asa ficou danificada e foi obrigado a trocá-la, terminando no segundo lugar. Quem foi o grande beneficiado disto tudo foi o australiano Daniel Ricciardo, que acabaria por ficar com a liderança da corrida e venceria pela segunda vez naquela temporada, e fez com que a relação entre os pilotos se degradasse, com acusações de parte a parte. Mas isso não impediu de Hamilton ser campeão no final do ano.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Doze inacreditáveis auto-eliminações (parte 1)


O GP de Espanha deste domingo, em Barcelona, ficou indelevelmente marcado pela eliminação de ambos os Mercedes logo na primeira volta, deixando para o resto do pelotão a oportunidade de brilhar, com o melhor a ser o jovem holandês Max Verstappen, que aos 18 anos de idade, se tornou no mias jovem vencedor de sempre num Formula 1, e logo na sua primeira corrida na Red Bull!

Contudo, este incidente onde os pilotos da mesma equipa levam a rivalidade até às ultimas consequências, prejudicando-se a si mesmos e à sua equipa, não é uma absoluta novidade na Formula 1. Aliás, nos últimos 40 anos, tem havido vários incidentes onde as aspirações de uma equipa terminam num só incidente, com um a ser eliminado por outro. E isso incluiu o acidente mais famoso da história da Formula 1, bem como mais algumas outras envolvendo campeões do mundo. E também na primeira volta.


Eis doze casos que aconteceram ao longo dos últimos 40 anos, numa matéria que vai ser dividida em duas partes.


1 - Montjuich 1975


Uma das corridas mais polémicas da história do automobilismo, devido às parcas condições de segurança, o GP de Espanha de 1975, o último a disputar no Parc Montjuich, foi também palco de uma incrivel auto-eliminação entre os pilotos da equipa dominante, ou seja, entre os Ferrari de Clay Regazzoni e... Niki Lauda.

No incidente, também houve mais algumas vitimas colaterais, como por exemplo o Parnelli de Mário Andretti, que sofreu um toque do March de Vittorio Brambilla, na confusão da partida. As consequências não foram imediatas, mas aconteceram algumas voltas mais tarde, quando a suspensão do seu carro cedeu, não sem ter feito a volta mais rápida. Quanto aos Ferrari, nenhum deles prosseguiu, mas não estragou a amizade entre eles, nem a caminhada de Lauda para o título mundial. 


2 - Mónaco 1980


Largar no Mónaco é sempre um procedimento complicado, e muitas das vezes, as corridas acabam na primeira curva para muita gente. E em 1980, a primeira curva foi nefasta para alguns pilotos, entre eles... os Tyrrell de Derek Daly e Jean-Pierre Jarier.

Na largada, o piloto irlandês falhou completamente a travagem e subiu para cima do Alfa Romeo de Bruno Giacomelli, levando consigo o McLaren de Alain Prost... e o outro Tyrrell de Jean-Pierre Jarier. O acidente eliminou esses quatro carros logo na curva de Ste. Devote, mas não causou feridos em particular. Apenas uma noite sem parar dos mecânicos para fazer os devidos reparos...


3 - Adelaide 1985


A última prova do campeonato de 1985 era uma estreia: o GP da Austrália, corrido nas ruas de Adelaide. Uma prova de atrito, vencida por Keke Rosberg, na terceira vitória consecutiva para os Williams-Honda, que começavam a mostrar o potencial que iriam largar no ano seguinte. A acompanhar estavam os Ligier-Renault de Jacques Laffite e Philippe Streiff.

Mas isso esteve muito perto de não acontecer. Na penultima volta, Streiff tentou uma manobra arriscada para passar o seu companheiro de equipa e chegar o mais à frente em termos de corrida. A manobra, que aconteceu no gancho, correu mal para ambos os pilotos, que acabaram com um pneu furado no caso de Laffite, e um braço da suspensão no caso de Streiff, mas ambos acabaram a corrida e conseguiram juntos dez pontos para a equipa de Guy Ligier. Mas Streiff (que conseguiu ali o seu único pódio da sua carreira) foi despedido da equipa francesa e foi correr no ano seguinte para a Tyrrell.


4 - Suzuka 1989


Primeira parte da "III Guerra Mundial", como chamam alguns dos entendidos. Em 1989, o duelo entre Ayrton Senna e Alain Prost tinha começado quando - alegadamente - o brasileiro não cumpriu um pacto com o francês sobre quem ficaria na frente naquela corrida. A partir dali, foi um duelo sem tréguas pelo comando do campeonato, favorável ao francês graças aos problemas mecânicos do brasileiro.

Mas na parte final do campeonato, Senna tentava recuperar alguma coisa, apesar de ter sido tocado por Nigel Mansell no GP de Portugal. O brasileiro ganhara em Jerez e precisava de vencer nas duas corridas que faltavam para ter uma chance de campeonato. Senna fizera a pole. mas Prost largou melhor na partida, ficando com o comando até que na volta 43, ao chegar à chicane, Senna tenta uma manobra de ultrapassagem, com o francês a "trancá-lo". Ele abandonou imediatamente o carro, mas Senna ficou dentro, voltando à corrida através da chicane, o que resultou depois na sua desclassificação.

Prost ficou com o campeonato, mas no ano seguinte, quando ambos voltaram a enfrentar-se na primeira curva da primeira volta, Prost já era da Ferrari e Senna estava ainda na McLaren.


5 - Monza 1993


Não é bem uma auto-eliminação, porque quando aconteceu, eles estavam a passar pela bandeira de xadrez, logo, contou o resultado, mas não poderemos deixar de referir o bizarro incidente entre Christian Fittipaldi de Pierluigi Martini nos metros finais do GP de Itália de 1993, ambos num Minardi. O sobrinho de Emerson Fittipaldi lutava pelo sétimo posto (que na altura não contava para os pontos) com o italiano Pierluigi Martini quando na reta da meta, ambos se desentenderam na trajetória e o carro do piloto brasileiro decidiu dar uma cambalhota no ar, perante o espanto de todos.

Felizmente, o Minardi caiu "de pé" e o brasileiro escapou incólume de um acidente que poderia ter acabado bem pior. Mas tem uma excelente história para contar aos netos!


6 - Mónaco 1995


Quinze anos depois da manobra que eliminou os Tyrrell, o Mónaco foi palco de mais confusão em Ste. Devôte, onde entre os eliminados estavam membros da mesma equipa. Na partida, Michael Schumacher e Damon Hill seguiram em frente, mas atrás, David Coulthard teve problemas e sofreu um toque que eliminou os Ferrari de Gerhard Berger e Jean Alesi, fazendo com que a corrida fosse interrompida.

Na realidade, o toque aconteceu porque o escocês estava a ser apertado pelos Ferrari naquela zona, e acelerou para se desembaraçar deles. Mas Alesi tocou na traseira do Williams, e este tocou no carro de Berger. No meio da confusão, os Ferrari também se tocaram um no outro. 

Contudo, os três pilotos tiveram sorte. A corrida ficou interrompida e cada um deles foi para os seus carros de reserva. Berger chegou ao fim no terceiro posto, enquanto que Alesi e Coulthard acabaram por desistir. 

Mas o azar entre pilotos da Ferrari não acabou só ali. Meses depois, noutra pista mítica do campeonato...


(continua amanhã)

sábado, 7 de maio de 2016

Quando mudar a meio do ano fez bem... ou nem tanto (Parte 2)

(continuação do capitulo anterior)

Como sabem, desde ontem que ando a contar dezasseis casos de pilotos que foram substituídos a meio do ano devido à sua má performance, zangas com a equipa ou a acidentes incapacitantes, mas em muitos casos, essas substituições fizeram melhorar a equipa. Outras, nem tanto. E tudo tem a ver, como sabem, com a substituição na Red Bull de Daniil Kvyat por Max Verstappen, do qual tivemos conhecimento esta quinta-feira.

Na segunda parte da série de trocas a meio da temporada, chego aos anos 80 e 90 e recordo alguns dos exemplos de trocas que aconteceram e deram bem (ou nem tanto) às equipas, mas que em certos casos, deram a conhecer ao mundo excelentes pilotos da Formula 1, e isso incluiu a mais famosa de todas.


6 - René Arnoux/Stefan Johansson (1985)


Até hoje, nunca se soube bem a razão pelo qual Enzo Ferrari fez esta troca logo após a primeira corrida dessa temporada, em Jacarépaguá, ainda por cima quando o piloto francês até nem tinha feito uma prova má, tendo terminado na quarta posição. O certo é que quando a formula 1 regressou à Europa, para disputar o GP de Portugal, Arnoux tinha sido despedido para dar lugar ao sueco Stefan Johansson, que já tinha passado por Spirit, Tyrrell e Toleman.

A estreia do sueco na Scuderia aconteceu no chuvoso Estoril, sem grandes resultados, mas ao longo da temporada, Johansson até mostrou velocidade, conseguindo dois pódios nessa temporada, embora sem vitórias. Andaria mais uma temporada na Ferrari e outra na McLaren, acumulando nove pódios, mas nunca no seu lugar mais alto.


7 - Michele Alboreto/Jean Alesi (1989)


No final de 1988, o italiano Michele Alboreto sai da Ferrari e regressa à sua primeira equipa na Formula 1, a Tyrrell. O italiano até nem fez feio nesse seu regresso, conseguindo um terceiro lugar no GP do México, mas as relações com Ken Tyrrell rapidamente se degradaram quando foi preterido no uso do novo chassis, o 018, em San Marino, chegando até a não se qualificar em Imola.

Após a corrida mexicana, Ken Tyrrell tinha arranjado um bom patrocinio na figura da tabaqueira Camel, e Alboreto tinha contrato com a Marlboro. Tyrrell pediu a ele para quebrasse o seu vinculo com a marca, mas o italiano decidiu que não e o melhor seria abandonar a equipa. Tyrrell procurou por um substituto e encontrou na figura do francês Jean Alesi, que na altura liderava o campeonato europeu de Formula 3000. Alesi entrou na equipa no GP de França, e deslumbrou toda a gente, quando acabou na quarta posição da geral, chegando até a roçar o pódio.


8 - Alessandro Nannini/Roberto Moreno (1990)

O italiano Alessandro Nannini estava a fazer um campeonato interessante pela Benetton em 1990. Três pódios e uma volta mais rápida, em Imola, faziam dele um piloto a dar nas vistas, tanto que a meio desse ano, tinha recusado um contrato para correr na Ferrari. Em Jerez, tinha acabado a corrida no terceiro posto, conseguindo até ali 21 pontos.

Contudo, poucos dias depois, em Siena, sofreu um grave acidente de helicóptero, quando ia para a casa dos seus pais. Uma das pás decepou o seu braço esquerdo e teve de ser reimplantado, após mais de 15 horas de cirurgia. Quando a Benetton soube dessa noticia, teve de agir rápido, e lembrou-se do brasileiro Roberto Moreno, que naquela temporada, tinha estado a andar na pré-qualificação ao serviço da Eurobrun.

Moreno - que os americanos depois lhe deram o apelido de "super-sub" - alinhou ao lado do seu amigo Nelson Piquet nas duas últimas corridas do ano e conseguiu o seu único pódio da sua carreira, ao ser segundo classificado no GP do Japão, e dando à Benetton a sua primeira dobradinha da marca.


9 - Bertrand Gachot/Michael Schumacher (1991)


A Jordan era estreante em 1991 e tinha surpreendido muita gente ao fazer um chassis simples, mas eficaz, bem como ter um bom motor Ford HB, que conseguia cumprir, fazendo deles uma equipa do meio do pelotão, graças ao italiano Andrea de Cesaris e o franco-belga Bertrand Gachot. Chegas constantes nos pontos e uma volta mais rápida, na Hungria, fazia sorrir Eddie Jordan na sua estreia na mais alta roda do automobilismo mundial, ainda por cima, com os seus carros pintados de verde, a cor do seu patrocinador.

Contudo, no inverno de 1990, Gachot tinha estado numa rixa com um taxista em Londres e usou spray-pimenta, algo proíbido na Grã-Bretanha, e aguardou julgamento em liberdade, cuja sentença iria acontecer no final de agosto. Esperava-se uma penas suspensa e uma multa, mas o juíz condenou-o a quatro anos de prisão efectiva. A poucos dias do GP da Bélgica, Jordan teve de procurar uma "solução B", e encontrou na Mercedes, que lhe oferecia meio milhão de dólares se colocasse um dos seus pilotos da Junior Team de Endurance na Formula 1. Jordan aceitou.

A Mercedes mandou um rapaz chamado Michael Schumacher, e logo no primeiro teste, deslumbrou, e ficou logo com o lugar. Depois, continuou a brilhar no circuito belga - pista no qual nunca tinha andado ao volante de um monolugar! - chegando ao oitavo lugar na grelha de partida. Havia altas expectativas para o alemão, mas estas terminaram logo ma primeira volta, quando a embraiagem quebrou-se.

A sua performance assombrou de tal forma a Formula 1 que teve imediatamente algumas equipas interessadas nos seus serviços, que queriam ter de qualquer maneira, não interessando se tinham ou não pilotos titulares.  

O que nos faz ir para o caso seguinte.


10 - Roberto Moreno/Michael Schumacher (1991)


Flávio Briatore, o patrão da Benetton, tinha ficado encantado com a performance do piloto alemão em Spa-Francochamps, e tinha descoberto que o seu contrato com a Jordan era baseado em corrida a corrida. Ele chegou-se ao pé de Willi Webber, o "manager" do alemão, e ofereceu-lhe um contrato não só até ao final daquela época, mas para as duas temporada seguintes. Webber aceitou o acordo, efectivo no GP de Italia, em Monza.

Só que a Benetton tinha Roberto Moreno como piloto e ele tinha até feito uma corrida decente em Spa, conseguindo um quarto lugar e a volta mais rápida. Assim sendo, Briatore despediu-o, alegando que "não tinha condições mentais para fazer o serviço". Para piorar as coisas, Eddie jordan também processou Briatore, alegando que Schumacher tinha assinado um contrato com a equipa até ao final do ano. As coisas chegaram quase ao ponto de arresto de bens da Benetton em Itália, mas chegou-se a um acordo: Briatore indemnizava Jordan e Moreno iria correr para a equipa nas duas corridas seguintes, Monza e Estoril. E Schumacher começava a carreira que conhecemos, conseguindo os seus dois primeiros pontos após a corrida italiana. 

(continua)

domingo, 21 de junho de 2015

A imagem do dia

Eu sabia que o Nelson Piquet iria aprontar alguma ao Alain Prost... eis o momento captado em imagens.

A foto do dia (II)

Não há qualquer temporada em que toda esta gente correu junta. A primeira temporada de Jean Alesi foi em 1989, quando Niki Lauda já tinha ido embora quatro anos antes. Mas ver toda esta gente, este sábado, em Zeltweg, a guiar muitos dos carros que correram nos anos 80, fazem-nos recuar à nossa infância, à primeira incarnação dos motores Turbo e a equipas que não existem mais, que fizeram chassis miticos.

De esquerda para a direita, alguns dos heróis da nossa infância. Sentados, sorridentes, estão Christian Danner, Gerhard Berger, Niki Lauda e Nelson Piquet, sempre malandro...

De pé, estão Riccardo Patrese, Jean Alesi, Pierluigi Martini e Alain Prost. Todos grandes mitos da Formula 1 e do automobilismo. E só Piquet, Prost e Lauda são dez títulos mundiais.

quarta-feira, 11 de março de 2015

A foto do dia

A 11 de março de 1990, começava nas ruas de Phoenix, no Arizona americano, o Mundial de Formula 1. Havia expectativas para saber o que Alain Prost faria, agora que estava na Ferrari, e Ayrton Senna, depois de um campeonato que tinha acabado com uma espécie de Terceira Guerra Mundial, com os eventos de Suzuka.

A qualificação foi um autêntico "cabeça para baixo", com Pierluigi Martini a dar à Minardi a sua melhor qualificação de sempre, seguido pelo Dallara de Andrea de Cesaris e o Tyrrell-Cosworth de Jean Alesi, todos à frente de Ayrton Senna. Em muitos aspectos, o que aconteceu foi o resultado de um sábado chuvoso, algo raro naquela zona do globo.

Graças a essa qualificação, nasceu uma estrela. Gerhard Berger, o "poleman", tentou manter a liderança, mas foi superado na primeira curva por um jovem francês de 25 anos, que estava na equipa do velho lenhador desde meados da temporada anterior, e que pelo meio tinha sido o campeão da Formula 3000. Nas 23 voltas seguintes, aguentou os ataques de Ayrton Senna, e numa das vezes, ele reagiu, surpreendendo o brasileiro e voltando à liderança. Só que Senna aprendia rapidamente e quando o jovem francês tentou repetir a façanha, ele defendeu-se.

No final, Senna venceu e viu o seu rival parado na pista, vitima de problemas mecânicos. Era um começo perfeito numa temporada em que queria vingar os eventos do final da temporada anterior. Para a Tyrrell, foi o melhor resultado em sete anos, desde a vitória de Michele Alboreto em Detroit, e eles tinham mais alguns truques na manga, especialmente no carro que o seu projetista, Harvey Postlethwaithe, estava a desenhar. Mas isso fica para outro dia.

Quanto a Jean Alesi, este era apenas o seu primeiro grande feito daquele ano.

Post-Scriptum: Já agora, podem ver por aqui na narração da ESPN americana a corrida na integra. Tirem duas horas da vossa vida para poderem ver. 

domingo, 1 de março de 2015

A foto do dia (II)

Jean Alesi, no GP do Mónaco de 2001 ao serviço da Prost GP, numa foto de Paul-Henri Cahier. Para terminar esta semana dedicada a Alain Prost, na comemoração do seu 60º aniversário, não poderia deixar de falar sobre a sua aventura como construtor. Desde 1989 que Prost pensava na ideia de ser chefe de equipa, e discutiu isso com John Barnard. Aliás, queria até que o projeto avançasse em 1990, mas nunca houve suficiente dinheiro para isso. Aliás, conta-se que Prost é um notório forreta...

Como já disse há uns dias, Prost desejou a Ligier, com a ideia de ter uma "Ecurie de France". Namorou com a Renault para ter os melhores motores, e isso complementava o chassis, ou seja, a melhor tecnologia do hexágono. Depois de muitas lutas, e de uma primeira tentativa em 1992, conseguiu comprar a Ligier no inicio de 1997 a Flávio Briatore. Rebatizou de imediato com o seu nome, mas o motor era o Mugen-Honda e o chassis ainda era o JS45, bem desenhado por Loic Bigois

Essa combinação, aliado a pilotos como Olivier Panis e o japonês Shinji Nakano, e também os pneus Bridgestone, fez com que tivessem a melhor temporada em muito tempo. Panisa subiu duas vezes ao pódio e numa altura, era o terceiro classificado. Mas depois, um acidente no Canadá fraturou ambas as pernas e ficou de fora por meio ano. Jarno Trulli veio no seu lugar e conseguiu um quarto lugar em Hockenheim, e uma grande corrida em Zeltweg, até que o seu motor explodiu, provavelmente a caminho de uma vitória.

Mas depois da grande temporada de 1997, as coisas correram mal: com os franceses Peugeot, os carros a chamarem-se de AP, desenhados por John Barnard, acabaram por decair as suas prestações. Só conseguiram um ponto no famoso GP da Bélgica, e em 1999, foram mais sortudos com o segundo lugar em Nurburgring, ambos às mãos de Jarno Trulli. Parecia que estavam a caminho dos velhos tempos da Ligier, uma década antes. Em 2000 foi a catástrofe: zero pontos. 

E nessa altura, Prost acolhia um velho amigo seu, Jean Alesi. Já longe dos seus bons tempos na Ferrari e Benetton, o francês dava o seu melhor contra uma máquina que se arrastava no fundo do pelotão.Em 2001, substituiu os Peugeot pelos Ferrari, rebatizados de Acer, a marca de portáteis. E aí, as prestações foram mais estáveis, mas a dupla de pilotos era instável. Começou com o argentino Gaston Mazzacane, depois por Luciano Burti, e a meio do ano, Alesi chateou-se com o seu patrão e foi-se embora depois de dar um sexto lugar na Alemanha. Entrou Heinz-Harald Frentzen, mas no GP da Belgica, Luciano Burti choca com Eddie Irvine na veloz Staevlot e acaba em cheio no muro de proteção. Para o seu lugar entra o checo Tomas Enge.

Nessa altura, Prost luta para manter a equipa de pé, à medida que não consegue os patrocinadores franceses que quer. No final do ano, depois de conseguir quatro pontos, declara falência - tinha dívidas de 30 milhões de dólares - e a equipa fecha portas, terminando o sonho francês na Formula 1. O episodio afetou Prost, que nunca deixou de afirmar o seu desgosto pelo fracasso da ideia de uma "Ecurie de France".

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

GP Memória - Itália 1992

Quinze dias depois de terem corrido em Spa-Francochamps, a Formula 1 chegava a Monza, habitual palco do GP de Itália, sem os Andrea Moda, excluídos pela FIA, e a Brabham, que tinha acabado o dinheiro e fechado as portas de vez. Ao todo, 28 carros iriam alinhar na 13ª corrida de uma temporada já decidida há muito, tal tinha sido o domimio da Williams. O francês Eric Comas, acidentado na corrida anterior com o seu Ligier, tinha sido dado como apto e iria alinhar em Monza.

Mas na equipa campeã, o ambiente era tenso. Com o final da época e já se negociava para a próxima, começavam a surgir os acordos que Frank Williams tinha urdido ao longo do ano, nomeadamente a contratação de Alain Prost, que nesse ano estava a fazer um período sabático. Nigel Mansell, que não queria ver o francês nem pintado a ouro, depois da má experiência da Ferrari, em 1990, quando estava a negociar um aumento salarial para a temporada de 1993, soube do acordo e ficou possesso.

E provavelmente foi com essa energia que Mansell fez a "pole-position" com o tempo de 1.22,221, 601 centésimos na frente de Ayrton Senna, no seu McLaren. Jean Alesi foi o terceiro, na frente do segundo Williams-Renault de Riccardo Patrese. Gerhard Berger era o quinto no segundo McLaren, seguido pelo Benetton de Michael Schumacher. Ivan Capelli era o sétimo, seguido pelo Ligier-Renault de Thierry Boutsen, e a fechar o "top ten" ficavam o segundo Benetton de Martin Brundle e o Larrousse-Lamborghini de Bertrand Gachot.

Os dois azarados que fizeram os piores tempos foram o brasileiro Christian Fittipaldi, no seu Minardi, e o italiano Stefano Modena, num Jordan-Yamaha.

No domingo de manhã, horas antes da corrida, Mansell faz um anuncio chocante: iria abandonar a Formula 1 no final da época, tentando a sua sorte na americana CART. Toda a gente foi apanhada desprevenida, mas os que desconfiavam da razão, ficaram com a certeza de que Alain Prost iria retomar as atividades na Williams em 1993 e Mansell não o suportava. Mais tarde, iria se saber que Mansell iria correr na Newman-Haas, de Paul Newman e Carl Haas, ao lado do seu ex-companheiro de equipa da Lotus, Mário Andretti.

Antes de começar a partida, Gerhard Berger teve problemas e decidiu largar com o carro de reserva. No arranque, Mansell sai melhor do que Senna, enquanto que atrás, Schumacher tem um mau arranque e bate no Ligier de Boutsen, tendo partido a sua asa, arrastando-se ate às boxes. Na frente, Mansell começa a afastar-se paulatinamente até ter cerca de doze segundos de diferença sobre Patrese, que conseguira passar Senna para o segundo lugar na 12ª volta, duas voltas depois dos dois Ferrari terem se retirado: Capelli devido a problemas elétricos, Alesi devido a um problema com o tubo de combustível.

Depois, de súbito, o britânico abaixou o ritmo ao ponto do italiano se aproximar e o ultrapassar na volta vinte, numa altura em que Berger e Schumacher tinham recuperado o suficiente para andaram na zona dos pontos. A partir dali, Mansell andou exactamente atrás do italiano, dando a entender que poderia passar a qualquer momento, com Senna no terceiro lugar, a tentar acompanhar os Williams.

Contudo, os planos saíram-lhe furados para Mansell: na volta 41, teve um problema na sua caixa de velocidades e acaba por se retirar, deixando Patrese confortável na liderança, controlando Senna. Mas a Patrese também lhe calharia problemas, pois a três voltas do fim, um problema a nível hidráulico o fez perder a liderança e a se arrastar até ao fim da prova.

No final, Senna herda a vitória, conseguindo aquela que viria a ser a sua terceira vitória do ano. Ao seu lado no pódio ficavam os Benetton de Martin Brundle e de Michael Schumacher, enquanto que nos restantes lugares pontuáveis ficaram o McLaren de Gerhard Berger, o Williams de Riccardo Patrese e o Tyrrell de Andrea de Cesaris.