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quarta-feira, 30 de julho de 2025

A imagem do dia






Há 25 anos, a 30 de julho do ano 2000, a imagem de um piloto a chorar agarrado à bandeira do seu país, numa autódromo alemão, comoveu todo o mundo da Formula 1, porque sabia que ele, acima de tudo, merecia aquela vitória. E muitos julgavam que a partir dali, ele poderia ir a caminho de uma carreira cheia de títulos, quando a realidade foi diferente.  

Mas mais que isso, a vitória de Rubinho foi o aliviar de uma pressão que existia desde maio de 1994 e que, provavelmente, condicionou boa parte da sua carreira. 

Nascido a 23 de maio de 1972, em São Paulo, Rubens Barrichello ganhou o nome de "Rubinho" porque, por coincidência, tinha nascido no mesmo dia que o seu pai. Começou cedo a sua carreira, nos karts, antes de em 1990, aos 17 anos, ter ido para os monolugares, na formula Opel Lotus. No ano a seguir, rumou à Formula 3 britânica, onde correu pelo título contra o escocês David Coulthard, conseguindo ser campeão. No final desse ano, decidiu-se contra uma oferta para ir à Formula 1, indo para a Formula 3000, correndo pela Il Barone Rampante, onde conseguiu quatro pódios, sem vitórias, e foi terceiro no campeonato.

Isso causou novo interesse do pessoal da Formula 1, onde acabou por ficar na Jordan. Estreou-se em Kyalami, na África do Sul, e na terceiro corrida, em Donington, andou bem perto... do pódio. Partindo do 12º posto na grelha, no final da primeira volta, tinha passado sete carros e era quarto, apenas atrás de Ayrton Senna, Alain Prost e Damon Hill. Andou boa parte dessa prova no terceiro lugar, aproveitando bem o piso húmido e sabendo trocar de pneus na altura certa. Contudo, a seis voltas do final uma avaria no sistema de pressão de combustível causou o seu abandono, masm mesmo assim ainda se classificou na décima posição. 

A duas corridas do final do campeonato, no Japão, conseguiu os seus primeiros pontos, ao ser quinto. Curiosamente, foi ali que se estreou aquele que iria ser o seu companheiro de equipa para as duas temporadas seguintes, o irlandês Eddie Irvine. 

A temporada de 1994 começou de forma auspiciosa. Um quarto lugar no Brasil seguiu-se um terceiro posto em Aida, no Japão, comemorado fortemente num pódio que tinha Michael Schumacher e o veterano Gerhard Berger. Contudo, na corrida seguinte, em Imola, as coisas poderiam ter acabado muito mal, quando sofreu um acidente na Variante Bassa, a mais de 200 km/hora, batendo contra a barreira de pneus e sofreu uma forte desaceleração. Quando acordou, tinha Ayrton Senna a seu lado, preocupado com o seu estado. Ele recuperararia, mas não iria participar na corrida. Dois dias depois, ele e o resto do mundo iria assistir, horrorizado, ao acidente mortal do seu compatrtiota. O que não sabia era que, as partir daquele momento, o país iria pedir, implorar, para que calçasse o mais rapidamente uns sapatos difíceis de calçar: o de ser o brasileiro campeão, herói dos domingos de manhã, como Senna era. 

Algum tempo depois, em setembro, conseguiu mais um feito: no sábado do GP da Bélgica, em Spa-Francochamps, e aproveitando o tempo instável, com o asfalto húmido, marcou o melhor tempo, e conseguindo, aos 22 anos e 84 dias, ser o mais jovem poleman da Formula 1 até então. E ainda por cima, num Jordan! Com isso, acabava a temporada com 19 pontos e o sexto lugar da geral. 

Ficou na Jordan até 1996, conseguindo mais um pódio, no Canadá. No final desse ano, rumou para a uma nova equipa, a Stewart, esperando que fosse o primeiro piloto da equipa montada por Jackie Stewart, mas fortemente apoiada pela Ford. Um segundo lugar no Mónaco, à chuva, foi o seu melhor resultado, numa temporada marcada por diversos problemas mecânicos. E as coisas não seriam muito diferentes em 1998, com dois quintos lugares. 

As coisas iriam melhorar bastante em 1999. Com Johnny Herbert como companheiro de equipa, voltou aos pódios em Imola, ao ser terceiro, e as constantes colocações nas primeiras filas da grelha pareciam fazer com que as aspirações de vitória pudessem ser concretizadas. Em Magny-Cours, palco do GP de França, ele conseguiu a pole-position, e a corrida aconteceu com chuva. Mas no final, ficou com outro terceiro lugar porque Heinz-Harald Frentzen tinha feito uma estratégia melhor, na sua Jordan.

Mais tarde no ano, em Nurburgring, parecia que iria ter uma nova chance, numa corrida parcialmente à chuva, turbulenta e com os principais candidatos a terem problemas. Mas no final, que fez melhor as coisas... fora Herbert, o seu companheiro de equipa. Ele iria dar a primeira - e única - vitória da Stewart, enquanto Barrichello voltaria a ser terceiro. Mais uma boa chance de vitória, em condições favoráveis a ele, apenas para outros aproveitarem. E ele no pódio, a aplaudir e a receber troféus mais pequenos. 

Contudo, no final dessa temporada, teve a chance que queria: correr por uma grande equipa. Acabaria na Ferrari, no lugar do seu ex-companheiro da Jordan, Irvine - curiosamente, o irlandês iria ficar no lugar de Barrichello, na Jaguar, a substituta da Stewart - onde iria ser o companheiro de equipa de um Michael Schumacher que passara parte da temporada passada fora de combate depois de um acidente no GP da Grã-Bretanha, em Silverstone.

Rubinho começou bem, com uma pole-position e um segundo lugar na Austrália, mas até ao meio da temporada, com mais cinco pódios e uma pole-position, mas... ainda não tinha ganho. A meio da temporada, tinha 36 pontos, era quarto classificado numa competição entre Ferrari e McLaren e 20 pontos atrás de Michael Schumacher. 

E assim chegamos ao final de semana do GP da Alemanha. 

Ao longo do final de semana, em Hockenheim, o tempo ficou instável e para piorar as coisas, teve problemas de óleo no seu carro, conseguindo apenas o 18º melhor tempo. E para piorar as coisas, fez o tempo usando o carro de reserva cuja prioridade era para... Schumacher. E quando o alemão teve problemas, o brasileiro estava limitado. Resultado final: 3,8 segundos atrás do poleman, David Coulthard.

O dia da corrida estava nublado, mas a pista estava seca. Contudo, a minutos da partida, começou a chover na zona do Estádio, obrigando os pilotos a escolherem os pneus mais adequados, com muitos a ficarem com secos, mas com ajustes nas asas, para o tempo molhado. Quando as luzes se apagaram, a sorte começou a ser favorável ao brasileiro, quando Michael Schumacher e Giancarlo Fisichella, no seu Benetton, se envolvem e acabaram na primeira curva. Atrás, Barrichello partiu ao ataque, passando oito carros na primeira volta, acabando em décimo. Havia uma razão: ele iria fazer duas paragens para reabastecimento.

Os McLaren estavam na frente, com Hakkinen na frente de Coulthard, enquanto o brasileiro subia volta após volta. Demorou cinco voltas até ser sexto e logo depois, tinha passado o Jaguar de Johnny Herbert, para ser quinto. Na volta 12, era quarto, passando o Arrows de Pedro de la Rosa. Depois, mantendo o ritmo, foi buscar o Jordan de Jarno Trulli, tentando chegar a terceiro. Conseguiu apanhá-lo na volta 15, passando-o, antes da primeira paragem para reabastecimento. Por essa altura, tinha feito a volta mais rápida da pista.

Regressando à pista em sexto, o destino, o acaso - ou a sorte - entrou em cena mais uma vez. Na volta 25, um trabalhador da Mercedes entrou na pista com cartazes no seu corpo, reclamando de um despedimento de uma das suas fábricas. O homem, um francês, foi imediatamente retirado da pista, causando a entrada do Safety Car. Boa parte dos pilotos foi às boxes, incluindo os McLarens... mas não Barrichello. Quando a corrida recomeçou, na volta 29, ele pressionou Trulli para tentar o terceiro posto, mas pouco depois, na volta 30, o Sauber de Pedro Diniz e o Prost de Jean Alesi colidiram, causando nova entrada do Safety Car, para limpar os destroços da pista. 

Quase ao mesmo tempo em que a corrida recomeçou... começou a chover em parte da pista, na zona do Estádio. A chuva era ligeira, humedecendo a pista, e colocava dúvidas sobre se valeria a pena colocar pneus de chuva ou não. As coisas pioraram na volta 35, mas quatro pilotos decidiram manter-se na pista. E um deles era Barrichello. Contra as ordens do seu engenheiro, ele menteve-se na pista, com pneus secos. Todos repararam nisto e queriam saber se essa aposta arriscada iria compensar ou não.

Hakkinen tinha colocado pneus de chuva, mas apenas tinha chovido em parte da pista e quando chegava à parte seca, ficava em desvantagem para o brasileiro da Ferrari. Na volta 36, o brasileiro passou-o e começou a afastar-se do piloto da McLaren, e com o passar das voltas, o tempo piorava. Mas não ia às boxes. 

E à medida que as voltas passavam, rumo à meta, parecia que o milagre iria acontecer. 

A chuva caiu ainda mais na última volta, mas Barrichello mantinha-se na pista, acelerando para a meta. No final, não só era o final de um jejum de sete anos de vitórias brasileiras, desde o GP da Austrália de 1993, como era o seu primeiro triunfo da sua carreira. E ainda por cima, como tinha sido apanágio durante a sua carreira, a sua condução tinha sido brilhante, aproveitando as condições instáveis naquele dia. E nisso, ele era realmente muito bom. 

E há muito tempo que todos não tinham visto uma vitória emocionante, e popular. 

terça-feira, 27 de agosto de 2024

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Há 30 anos, a Formula 1 ia à Bélgica, e ali, Spa-Fracochamps passava pelas mesmas modificações para aplacar as almas por causa dos eventos de Imola e Mónaco, em maio. E para aplacar essas almas, tinha-se de modificar Eau Rouge. Uma chicana mais lenta não era aquilo que muitos tinham em mente, mas era a solução possível em tempos como aqueles.

Mas naquele final de semana, todos estavam mais preocupados com outro assunto: a chuva. Choveu imenso na sexta-feira e todos andavam a olhar para o céu no sentido de encontrar uma abertura, um momento onde poderiam aproveitar e fazer a diferença. Foi o que aconteceu com Eddie Jordan, quando pediu aos seus pilotos que fossem para a pista com os pneus slicks quando tinha parado de chover e a pista ainda estava húmida. Eddie Irvine e sobretudo, Rubens Barrichello, apanharam todos desprevenidos quando foram para a pista e conseguiram os melhores tempos de sexta-feira. Contudo, todos pensaram que no dia seguinte, as coisas seriam diferentes. 

Afinal... não. Choveu ainda mais que no dia anterior, e aqueles que tiveram problemas em marcar um tempo foram a correr para a pista para tentar melhorar as coisas. E isso incluiu Michael Schumacher e Damon Hill. Eles bem tentaram, mas no final, ninguém bateu o tempo de Rubens Barrichello, que aos 22 anos de idade, batia o recorde de Andrea de Cesaris, então com 12 anos de existência, e era o poleman mais novo de sempre na Formula 1.

E quem viu o que Rubinho tinha feito no ano e meio que tinha desde que chegara à Formula 1, na primavera de 1993, não era nenhuma surpresa. Apenas os holofotes estavam apontados noutros lados. Lembram-se da primeira volta do GP da Europa de 1993? Ora, ele partiu muito atrás para ser apanhado pelas câmaras. Um pouco mais à frente, e tinha dado melhor espetáculo, por exemplo. E claro, o seu pódio em Aida, no Japão, só mostrava que tinha um bom carro e o chassis tinha nascido bem. E em Spa, foi a sorte, a habilidade e o talento que tinha dado aquele resultado. 

Agora, Rubinho e a Jordan só queria mais um dia de chuva para domingo. Será que conseguiria isso?  

segunda-feira, 29 de abril de 2024

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O brasileiro Rubens Barrichello chegou a Imola com a moral em alta. Tinha sido dos poucos que tinha pontuado nas duas primeiras corridas do ano, e ainda por cima, em Aida, tinha conseguido o seu primeiro pódio da carreira, e a primeira da Jordan. Aos 21 anos, e no inicio da sua segunda temporada completa, tinha um bom carro e a capacidade de fazer mais e melhor.  

Mais a razão pelo qual ele tinha todos os olhos em cima era que, num conjunto de circunstâncias, era o segundo classificado, com sete pontos. Mais sete que... Ayrton Senna. Digamos que era o "brasileiro errado" que estava numa posição superior, um pouco melhor que o esperado.

Com isso tudo, entrou na pista e... bateu forte na Variante Bassa, a chicane anterior à meta. Na sua primeira volta lançada. Nas imagens, vê-se que entrou com excesso de velocidade na chicane, tentou corrigir o erro, mas foi tarde. O impacto foi bem forte, e a berma não ajudou, porque lançou o carro rumo aos pneus. E se tivesse mais meio metro, teria sido lançado para as redes de proteção, fora da pista, e poderia ter sido muito pior. 

Lá estava ele, preso naquele Jordan capotado e destroçado, endireitado com intenso furor pelos seguranças. Inconsciente, com a língua dobrada. Afogando-se”, recordava o jornalista italiano Giorgio Terruzzi, um dos muitos que naquele fim de semana cobria aquele Grande Prémio.

Lembro-me de falarem do acidente no Telejornal daquela noite. O jornalista em questão referiu que "ele tinha escapado à morte. Achei um exagero, mas o que não sabia, no alto da minha idade adolescente, é que... tinha razão. Porque não sabia que tinha sofrido um choque de 90 G's. O Dr. Syd Watkins disse que, quando chegou, ele engolira a língua e não respirava. A manobra imediata foi tirá-la do lugar em que estava, para poder respirar normalmente, antes de o tirar do carro e transferi-lo para o centro médico. 

Em entrevista subsequente, Barrichello disse que ficou morto por seis minutos. Confirmou que a causa do acidente foi um excesso dele, que entrara rápido demais na Variante Bassa e quando quis corrigir, foi direito ao muro de pneus. 

Quando acordou, no centro médico, Senna estava lá, querendo saber do estado do seu compatriota. Tirando a comoção cerebral, o nariz partido e uma fratura num dos pulsos, ele estava bem, tanto que foi correr 15 dias depois, no Mónaco. Mas hoje em dia, se perguntarem diretamente sobre esse dia, não tem recordações. Sabe o que aconteceu, por aquilo que contou e pelas imagens que existem, mas dentro dele, não existe uma reconstrução mental desses eventos. A pancada foi suficientemente forte para que nada existisse no seu cérebro sobre esse momento. 

Mas claro, não impediu que tivesse uma carreira longa - correria até 2011, com passagens por Stewart, Ferrari, Honda, Brawn GP e Williams. Contudo, naquela sexta-feira de abril, uma parte dele ficou espalmado naqueles muros de proteção vermelhos e brancos. E claro, sempre afirma que naquele dia, nasceu de novo. 

quarta-feira, 17 de abril de 2024

A imagem do dia


Muitos falam sobre Rubens Barrichello e o resultado que conseguiu em Ti-Aida, que deu não só o seu primeiro pódio da sua carreira, como o primeiro de sempre da Jordan. Mas a história de hoje fala de Christian Fittipaldi e o que foi, provavelmente, um dos seus melhores resultados, num chassis que tinha potencial para ser bom, mas foi um dos grandes perdedores de Imola. 

Em 1994, o filho de Wilson Fittipaldi e o sobrinho de Emerson Fittipaldi estava na sua terceira temporada na Formula 1, depois de ter sido campeão da Formula 3000 em 1991, num carro da Pacific Racing. Nas duas primeiras temporadas, esteve na Minardi, conseguindo alguns resultados interessantes. Um quarto lugar no GP da África do Sul, em 1993, foi o seu melhor, num chassis que era bem interessante, conseguindo sete pontos nas primeiras seis corridas, e ele foi o piloto que mais pontuou, especialmente um quinto posto no GP do Mónaco. Contudo, o acidente que teve em Monza, quando disputava posição com Pierluigi Martini, seu... companheiro de equipa, fez com que pensassem em mudar de equipa para 1994. 

Assim sendo, a Footwork-Arrows foi a solução encontrada. 

Era uma equipa interessante naquela altura. Em 1990, Wataru Ohashi era o fundador da Footwork Express Co., Ltd, uma empresa de logistica japonesa, e queria apostar no automobilismo. Com o seu dinheiro, praticamente comprou a equipa que existia desde 1978 a Jackie Oliver, um dos fundadores e dono da equipa. No ano em que a comprou, decidiram fazer um acordo de fornecimento de motores com a Porsche, que tinha um 12 cilindros... e foi um desastre. Seis corridas bastarem para mudarem para os Ford, e pelo meio, Michele Alboreto teve um acidente bem feio em Imola, sendo um dos que batera na Tamburello e saiu com uma fratura no pé direito.

Nas duas temporadas seguintes, arranjou motores Mugen-Honda de 10 cilindros, e os resultados foram melhores, mas nada deslumbrantes. Derek Warwick e Aguri Suzuki andaram nesses carros, mas o melhor resultado foi um quarto lugar no GP da Hungria de 1993. Assim sendo, em 1994, o "lineup" era totalmente novo, com Fittipaldi e o italiano Gianni Morbidelli, que tinha corrido anteriormente pela Dallara, Ferrari e Minardi.   

O carro tinha sido batizado de FA15 e tinha o motor Ford que fora usado pela McLaren na temporada anterior, ou seja, tinha 700 cavalos à disposição. Só que nessa altura, a Footwork decidira retirar-se do envolvimento da equipa, especialmente do patrocínio, mas o Ohashi tinha ficado com as ações da equipa, sendo mais um "silent partner". Contudo, a equipa aproveitou bem os recursos e conseguiu construir um chassis competente, desenhado por Alan Jenkins.

No Brasil, Morbidelli qualificou-se na sexta posição, com Fittipaldi na 11ª da grelha, mas o italiano desistiu na sexta volta por causa de uma caixa de velocidades quebrada. A mesma coisa aconteceu com Fittipaldi, mas na volta 21.

Em Aida, Fittipaldi conseguiu superar Morbidelli, sendo nono na grelha, entre o Jordan de Rubens Barrichello e o Benetton de Jos Verstappen. O seu companheiro não ficou muito longe, na 13ª posição. E os dois, como os restantes 24 carros, enfrentaram uma pista que era lenta, mas sobretudo, desgastante para os materiais. Se Michael Schumacher aproveitou o acidente de Senna na primeira curva com o McLaren de Mika Hakkinen e depois, com o Ferrari de Nicola Larini, para icar com a liderança e não mais ser visto até à meta, todos os outros sabiam que acabar seria o maior prémio. Gerhard Berger foi o único que acabou na mesma volta do vencedor, mas a um minuto e 15 segundos. Até poderia ter sido passado por Schumacher, dando uma volta a toda a gente, mas isso não aconteceu.

Contudo, se Rubinho, no final, comemorava um pódio - e era segundo no campeonato, com sete pontos! - já Fittipaldi juntava-se à festa brasileira com o seu quarto lugar, igualando o seu melhor resultado na carreira, um ano depois do que tinha conseguido em Kyalami. 

Anos depois, em 2019, numa matéria para o site brasileiro Grande Prêmio, Fittipaldi elogiou o carro que tinha na altura:

O mais prazeroso foi a Footwork, antes de cortarem todo o difusor logo depois da corrida do Mónaco. Infelizmente, por causa da tragédia de Imola, eles acabaram com uma mudança radical no regulamento e sofremos um pouco com isso. Se não mudasse o carro até o final do ano, tenho certeza que aquele carro entraria não uma vez, mas várias vezes no pódio”, recordou.

As primeiras quatro corridas foram fantásticas, mas tivemos muitos problemas mecânicos. Na única corrida que terminei, em Aida, fui o quarto”, disse.

Eram resultados que, de certa forma, consolariam os nativos, por causa da surpresa negativa do inicio do campeonato de Ayrton Senna. 20-0, normalmente, é dificilmente recuperável, e em Terras de Vera Cruz, parecia não ser saboreado.    

terça-feira, 11 de abril de 2023

A imagem do dia


Já repararam que os feitos dele neste dia da há 30 anos aconteceram quando ele estava a cumprir o seu terceiro Grande Prémio da sua - que iria ser longa - carreira? E com 21 anos de idade? Pois é, mas se Ayrton Senna passou os Williams de Alain Prost e Damon Hill, o Sauber de Karl Wendlinger e o Benetton de Michael Schumacher, Rubens Barrichello ultrapassou oito carros, partindo de 14º para acabar a primeira volta na quarta posição, porque na frente, beneficiou da colisão do McLaren de Michael Andretti com o Sauber do austríaco. E foi aquele buraco deixado por ambos os carros que nos impediu de ver, logo nessa primeira volta que entrou na história do automobilismo, o Jordan do brasileiro na frente do pelotão.

De uma certa forma, é pena, porque Rubens merece ser chamado à atenção, 30 anos depois de ter conseguido algo ainda melhor do que Senna. Só que estava mais abaixo do pelotão, só isso. 

Pelas imagens que já observei desse dia de 1993 do GP da Europa, em Donington Park, uma tenho a certeza que nunca veremos: o seu onboard. Por uma razão simples: o carro não tinha uma câmara onboard instalada. O que é pena. Se tivesse, já teria aparecido há muito as imagens da sua primeira volta e tenho a certeza que muitos aplaudiriam e dariam crédito a ele.

Mas então... e depois?

Ao longo da corrida, Barrichello andou firmemente nos pontos. Chegou a andar no segundo e terceiro posto, andando na frente de Prost (!) e aproveitando tão bem as condições atmosféricas como Senna. Para terem uma ideia, o francês da Williams, que detestava correr à chuva, parou seis vezes nas boxes para trocar de pneus - numa delas, deixou cair o motor abaixo! - acabando com uma volta de atraso, embora no pódio. Mas foi por acaso porque Barrichello esteve perto de ficar com ele. O sistema de pressão de combustível do seu Jordan cedeu na volta 70, mas ainda se classificou na décima posição.

Mas no dia em que Senna mostrou a sua magia, um jobem rapaz de 21 anos mostrou o seu cartão de visita. Muitos não assistiram à primeira.  

quinta-feira, 30 de julho de 2020

A imagem do dia


E de repente, passaram-se vinte anos. A Formula 1 não via um brasileiro ganhar há sete, desde o GP da Austrália de 1993, quando Ayrton Senna chegou como vencedor. Foi muito tempo a suspirar por algúem que carregasse a tocha que Emerson Fittipaldi tinha pegado, depois passado a Nelson Piquet, e depois a Ayrton Senna. Agora, era Rubens Barrichello que tinha a esperança de continuar onde os outros tinham deixado. Mas o percurso não tinha sido fácil.

O seu percurso na Jordan e Stewart mostrou que era um bom piloto numa equipa do meio do pelotão, e houve ocasiões onde ele já merecia ganhar, especialmente no seu último ano na Stewart, em 1999. Uma pole-position e três pódios tinham sido um bom cartão de visita, mas quando foi o momento, esse foi aproveitado por Johnny Herbert, no Nurburgring. Mas a consistência foi suficiente para ser escolhido para a Ferrari, para secundar a Michael Schumacher

E naquele ano, o alemão esmagava-o, na sua busca pelo tricampeonato. Tinha vencido em cinco das dez corrida até ali realizadas, enquanto o brasileiro tinha apenas seis pódios e uma pole, mas nenhuma vitória. E para piorar as coisas, partia de um pálido 18º posto da grelha de partida. O que aconteceu a seguir foi uma prova de habilidade e talento à chuva, e um pouco de sorte. Não só pela chuva que caía, mas também pela eliminação dos seus adversários. E de um senhor que invadiu a pista.

Primeiro, a eliminação de Schumacher nos primeiros metros ajudou muito na progressão de Barrichello. Depois, ele começou a voar, subindo na classificação, numa estratégia onde o tinha colocado em décimo no final da primeira volta, e cinco voltas depois, já estava nos pontos, depois de ter passado o Arrows de Jos Verstappen.

Depois, foi a sorte. Na volta 25, uma pessoa decidiu protestar pelo seu - alegado - despedimento injusto da Mercedes e os comissários de pista não tiveram outra chance senão colocar o Safety Car enquanto o tiravam da zona perigosa. Quando a corrida recomeçou, Barrichello, que era quinto, pressionou Jarno Trulli e era quarto, enquanto atrás, Jean Alesi embatia o seu Prost no Sauber de Pedro Diniz, provocando nova entrada do Safety Car. Quando a corrida recomeçou, na volta 35, havia chuva ligeira e a pista ficou húmida o suficiente para que os carros com pneus secos poderiam continuar... se o piloto tivesse a habilidade. E ele tinha.

Conseguiu manter o carro na pista e até à volta 44, essa chuva não o incomodava, apesar da aproximação de Mika Hakkinen, com os pneus para piso molhado. E quando aumentou a carga de água, já era tarde para o finlandês apanhar. E claro, quando ele atravessou a meta, todos estavam felizes. Barrichello era um piloto querido no meio, e a sua vitória foi das mais populares da história do automobilismo. Nessa tarde, ele bem mereceu vencer. Nesse dia, naquela pista no meio da Alemanha, todos eram Barrichello.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Youtube Racing Interview: Uma entrevista com Rubens Barrichello

O pessoal do podcast oficial da Formula 1 faz entrevistas bem interessantes a ex-pilotos. E esta semana decidiu publicar a entrevista a Rubens Barrichello, que como sabem, esteve 18 temporadas em equipas como Jordan, Stewart, Ferrari, Honda, Brawn GP e Williams.

Ao longo de hora e meia, o piloto brasileiro, agora com 47 anos, conta sobre como foi a sua carreira, de momentos que passou com Ayrton Senna e Michael Schumacher, de momentos controversos, como o GP da Áustria de 2002, entre outras coisas.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Noticias: Barrichello volta a correr em monopostos

Rubens Barrichello vai no mês que vêm à Austrália para voltar a correr em monolugares, sete anos depois da última vez. O piloto de 47 anos foi convidado pela organização da S5000, a nova competição de monolugares australiana, para participar numa corrida no circuito de Sandown, que acontecerá a 22 de setembro. 

"Estive na Austrália muitas vezes durante minha carreira na Fórmula 1 e estou animado em voltar para a primeira corrida da história da S5000, em Melbourne. O conceito da S5000 é muito interessante, o carro parece um desafio real e estou ansioso de fazer minha parte nesse lançamento", começou por dizer Barrichello.

"É ótimo ver o ressurgimento de competições séries de monopostos na Austrália. Falaram que ver e ouvir o motor V8 de 5L na traseira do S5000 é incrível. Nunca estive no circuito de Sandown antes, então haverá muito a absorver, mas parece uma ótima praça para a estreia da S5000. Será uma grande experiência", concluiu.

Chris Lambden, o responsável pela competição, elogiou a decisão do veterano piloto.

"Estamos animados [por saber] que um piloto do calibre de Rubens venha a Melbourne para competir na primeira corrida da história da categoria. Quando nós criamos um campeonato de alto nível para a Austrália, moldada para a tradição australiana dos V8, esperamos que incentive novamente o foco numa forma de corridas que saiu do holofote nos últimos anos. O fato de ter Rubens Barrichello na grelha de partida é fabuloso", comentou.

"Rubens está trabalhando bastante desde que saiu da Formula 1 e da Indy - a Stock Car Brasileira é uma categoria de turismo não muito diferente da Supercar Australiana -, mas utiliza motores V8, numa grelha de 32 carros e vários pilotos brasileiros famosos no volante. Rubens venceu a última corrida, inclusive, semana passada, em Campo Grande. É um piloto de verdade. Estará em casa na S5000 e será um alvo de qualidade para jovens australianos esperançosos e pilotos mais experientes", concluiu.

A S5000 é uma categoria de monolugares que tem como base um motor V8 de cinco litros, semelhante ao que acontecia no inicio dos anos 70 com a Formula 5000, que acontecia nos Estados Unidos e Grã-Bretanha. Os chassis são feitos pela Ligier e o motor terá cerca de 560 cavalos. 

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Youtube Formula 1 Video: Cinco momentos chocantes na Áustria

O canal oficial da Formula 1 no Youtube decidiu meter um video sobre cinco momentos chocantes do GP da Áustria, no Red Bull Ring. E entre eles estão batidas de companheiros de equipa e aquela famosa chegada do "hoje não, hoje sim"...

terça-feira, 12 de março de 2019

Youtube Motorsport Video: Cinco bizarrias australianas

No fim de semana do GP da Austrália, que desde 1996 decorre em Melbourne (e antes disso foi em Adelaide), o pessoal da Formula 1 escolheu cinco momentos confusos, desde carambolas, acidentes espectaculares, até... faltas de gasolina. Obrigadinho, Jean Alesi!

sexta-feira, 20 de julho de 2018

GP Memória - Grã-Bretanha 2003

Duas semanas depois de terem corrido em Magny-Cours, a Formula 1 estava em terras britânicas para aquela que iria ser a 11ª prova do ano. Com Michael Schumacher oito pontos na frente de Kimi Raikkonen, ele esperava que esta corrida servisse para alargar um pouco mais essa vantagem para alcançar o sexto título mundial. Mas Kimi Raikkonen não pretendia desistir, apesar das contrariedades, e os Williams-BMW espreitavam uma chance para chegar ao comando, especialmente depois de Ralf Schumacher ter vencido as duas últimas corridas até então. 

No final da qualificação, o melhor foi um Ferrari... mas foi o de Rubens Barrichello. Conseguiu ser mais veloz em 172 centésimos de segundo sobre Jarno Trulli, da Renault, enquanto Kimi Raikkonen foi o terceiro, com Ralf Schumacher a ficar logo a seguir, a 518 centésimos de segundo. Quatro marcas diferentes nos quatro primeiros lugares.

Michael Schumacher era o quinto, na frente de Cristiano da Matta, no seu Toyota, enquanto Juan Pablo Montoya ficava com o sétimo melhor tempo, no segundo Williams, na frente de Fernando Alonso, no segundo Renault. Jacques Villeneuve, no seu BAR-Honda, e Antônio Pizzonia, no Jaguar-Cosworth, fechavam o "top ten".

Jenson Button acabaria por não marcar um tempo e largaria de último na grelha.

Na partida, Barrichello largou mal e caiu para terceiro, superado por Trulli e Raikkonen, com os irmãos Schumacher a seguir, no quarto e quinto postos no final da primeira volta. As coisas ficariam assim até que na sexta volta, David Coulthard viu um pedaço do seu encosto de cabeça a voar quando fazia a curva Copse, obrigando-o a ir às boxes para o substituir e causa a primeira situação de Safety Car.

No regresso da corrida, Barrichello aproximou-se de Raikkonen até o passar na volta onze para ser segundo. Mas na volta seguinte, o insólito aconteceu quando o padre irlandês Neil Horan invadiu a pista com cartazes bizarros sobre a Bíblia. Um comissário de pista decidiu tirá-lo do asfalto antes que algo de grave se pudesse passar, e o Safety Car entrou de novo em cena.

Boa parte do pelotão decidiu ir às boxes para reabastecer, e os Toyota, que decidiram ficar na pista nesse momento, lideravam a corrida quando este retomou a sua marcha. Raikkonen passou Trulli quando saíram das boxes e pouco depois, também passava Coulthard para ser terceiro, indo atrás dos Toyotas. A mesma coisa fazia Barrichello, especialmente depois de ter passado Ralf Schumacher, que tinha atuado como tampão para o tentar fazer perder tempo na sua busca pela liderança.

Barrichello apanhou Panis na volta 27, e duas voltas depois, Da Matta foi às boxes para o seu reabastecimento, deixando Raikkonen no comando. Este ficou por lá até que na volta 35, foi reabastecer pela segunda vez, cedendo o comando ao brasileiro da Ferrari. Barrichello parou na volta 39, na sua vez de reabastecer e cedendo o comando ao finlandês da McLaren, mas quando voltou à pista, estava em cima do finlandês e o pressionou até este cometer um erro e ceder o comando a ele.

A partir dali, Barrichello afastou-se de Raikkonen e da concorrência, até acabar a prova no lugar mais alto do pódio, enquanto atrás, o finlandês foi apanhado pelo Williams de Montoya para ser segundo, com Raikkonen a ficar no lugar mais baixo do pódio. Michael Schumacher foi quarto, na frente de David Coulthard e de Jarno Trulli, e nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Toyota de Cristiano da Matta e o BAR de Jenson Button.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

A imagem do dia

Neste dia em que falamos de algo que aconteceu no domingo de Pascoa de 1993, permitam-me que fale de um "herói desconhecido". Chama-se Rubens Barrichello e enquanto as câmaras estavam focadas no seu compatriota Ayrton Senna, que passava Michael Schumacher, Karl Wendlinger, Damon Hill e Alain Prost, ele passava oito carros nessa mesma volta, subindo de 12º para quarto, a bordo de um mero Jordan-Hart.

Se formos ver atentamente os videos da "volta dos deuses" de Senna, especialmente a partir da curva onde passa Prost, podem ver o buraco que existe entre os três primeiros e o quarto classificado, o resto do pelotão, diga-se. E ali, na ponta desse pelotão, podem ver um jovem de 20 anos, no seu terceiro Grande Prémio de uma longa carreira - só sairá da Formula 1 em 2011 - que aproveita o facto de também ser bom à chuva para mostrar serviço. Infelizmente, as câmaras não apanharam essa parte, mas pouco depois, souberam do que tinha feito e também o acompanharam.

Foi uma corrida tão boa como a de Senna, e ainda por cima, tinha um carro inferior a boa parte do pelotão. A Jordan estava no rescaldo da desastrosa temporada de 1992, onde com o motor Yamaha, apenas tinha conseguido um ponto com Stefano Modena na última prova do campeonato, na Austrália. E naquela temporada, o segundo lugar iria ter uma espécie de "aluga-se": Ivan Capelli, desanimado, tinha decidido abandonar a Formula 1, e ele foi buscar o belga Thierry Boutsen, que tinha ficado sem lugar depois de ter corrido nas duas últimas temporadas na Ligier.

A chuva poderia fazer "guerreiros do piso molhado", conseguindo fazer muito com muito pouco. Todos olhavam para Senna, que fazia algo que já tinha feito no Mónaco 84, com o seu Toleman, ou Estoril 85, com o seu Lotus, mas atrás, e até aquela corrida, ninguém sabia quem era Rubens Barrichello. E essa é a verdadeira surpresa, e o verdadeiro feito do piloto brasileiro.

Rubinho andou muito bem. A certa altura, o pódio era uma realidade bem tangível, o que teria sido o primeiro da equipa, e a uma certa altura, começou-se a falar que o feito dele era tão bom como o de Senna, mas sem câmaras a segui-lo. Contudo, no final, a bomba de combustível do seu Jordan cedeu a seis voltas do fim, privando-o de um grande resultado. Na realidade, classificou-se no décimo posto, mas isso não reflete a verdadeira natureza da sua exibição naquela tarde chuvosa de abril.

Contudo, teve tempo para entrar na história da equipa. Ficou na equipa até 1996, dando-lhes os seus primeiros pódios e a sua pole-position, no GP da Bélgica de 1994. 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Seis pilotos que nunca venceram em Montreal

O que Gilles Villeneuve, Thierry Boutsen, Jean Alesi, Lewis Hamilton, Robert Kubica e Daniel Ricciardo tem em comum? Todos venceram ali pela primeira vez na Formula 1. Mas provavelmente isso é algo do qual já deve saber. Mas provavelmente o que pode não saber é que há pilotos que nunca venceram naquele circuito, e alguns deles são campeões do mundo! 

A corrida canadiana é um local onde houve muita variedade em termos de vencedores, mas Michael Schumacher, o mais vencedor deles todos, com sete triunfos entre 1994 e 2004. Mas entre muitos dos vencedores da Formula 1, houve quem não tenha conseguido entrar nessa variedade, por algum motivo. Aqui aparecem cinco histórias de pilotos que tentaram sempre, mas não conseguiram nunca. 


1 - Niki Lauda


O piloto austríaco, tricampeão mundial - e um dos poucos pilotos cuja vida deu um filme - nunca subiu ao lugar mais alto do pódio. A sua primeira corrida, em 1972, acabou em... desclassificação, e na segunda, no ano seguinte, deu nas vistas, liderando boa parte da corrida no seu BRM, até ter um problema na bomba de combustível, quando seguia no quinto posto.

Nos anos seguintes, pela Ferrari, Lauda nunca teve grande sorte em paragens canadianas, e em 1975 não houve corrida, o que poderia ter dado azo para consagrar-se no seu primeiro campeonato do mundo. em 1977, despediu-se da Ferrari ainda antes da corrida de Mosport, o que fez antecipar a estreia de Gilles Villeneuve na Scuderia. E em 1979, Lauda escolheu o Canadá para retirar-se da Formula 1 pela primeira vez, depois de uma temporada frustrante na Brabham.

O seu único resultado relevante aconteceu em 1984, quando foi segundo classificado, a bordo do seu McLaren-TAG Porsche, numa corrida ganha pelo seu antigo companheiro de equipa, Nelson Piquet.


2 - Keke Rosberg


Entre 1978 e 1986, Keijo "Keke" Rosberg participou em sete corridas em paragens canadianas, e em nenhuma delas, se ouviu o hino finlandês. A razão? Por vezes, os carros que tinha em mãos, outras, por estar no lugar errado à hora errada. Nos primeiros anos, a bordo de carros como a ATS, Wolf e Fittipaldi, não se qualificou em 1979 e 81, mas na segunda parte, quando correu pela Williams, e depois McLaren, foi um pouco melhor: quartos lugares em 1983, 1985 e 1986.

Aliás, na edição de 85, a bordo do seu Williams FW10, Rosberg foi protagonista de um momento espectacular quando conseguiu controlar um pião na zona do "hairpin", evitando bater no guard-rail, rumando depois para o quarto posto final.

Curiosamente, o seu filho Nico ainda não subiu ao lugar mais alto do pódio em terras canadianas... será que conseguirá este domingo? 


3 - Jacques Villeneuve


As tentativas de Jacques Villeneuve de emular o sucesso do seu pai foram muitas mas todas terminaram sem que ele subisse ao lugar mais alto do pódio na corrida "caseira". Se o seu pai, Gilles, estreou-se ali na galeria dos vencedores, já o filho Jacques, nascido no Quebec, nunca teve essa chance, apesar das passagens por Williams, BAR, Renault e Sauber-BMW.

A sua primeira passagem por terras canadianas, em 1996, foi promissora, quando chegou no segundo posto e com a volta mais rápida no seu bolso. Mas isso viria a ser o seu melhor lugar, pois nos anos seguintes, isso viria a não acontecer. Entre muitas desistências, não voltou a pontuar. A única vez em que esteve próximo foi em 2005, quando chegou na nona posição, à porta dos pontos.


4 - David Coulthard

Senhor de uma carreira bem longa na Formula 1 - tal como os dois pilotos que apresentarei a seguir - o piloto escocês com passagens pela Williams, McLaren e Red Bull, nunca fez tocar o "God Save the Queen" nas quinze temporadas que esteve na categoria máxima do automobilismo.

A sua primeira passagem por terras canadianas, em 1994, foi importante porque foi ali que conseguiu os seus primeiros pontos, com um quinto lugar. Voltaria a pontuar em 1996, já na McLaren, com um quarto posto, e teve de esperar seis anos, até 2002, para subir ao pódio, com um segundo lugar. Pelo meio, teve uma pole-position em 1998, mas não terminou as corridas até ali.

Já na Red Bull, pontuou em 2005 e 2006, e foi em 2008 que o escocês subiu de novo ao pódio, com um terceiro lugar. O último de 62 pódios recolhidos ao longo da sua carreira.


5 - Rubens Barrichello


Entre 1993 e 2011, Rubens Barrichello foi um dos pilotos com a carreira mais extensa na história da Formula 1, com treze vitórias, mas nenhuma delas foi em terras canadianas, apesar das tentativas que fez e dos pódios que alcançou, ao serviço de equipas como Jordan, Stewart, Ferrari, BAR, Honda, Brawn GP e Williams.

O seu primeiro resultado relevante foi em 1995, quando foi segundo classificado, e conseguindo ali o seu segundo pódio da sua carreira. Só iria voltar a pontuar três anos depois, a bordo de um Stewart.

Já na Ferrari, Barrichello subiu ao pódio nas edições de 2000 (segundo), 2002 (terceiro), 2004 (de novo em segundo), 2005 (outra vez em terceiro), mas sem vencer. Em 2008, foi sétimo, a bordo do seu Honda, e em 2011, foi nono, a bordo da sua Williams.


6 - Felipe Massa


Tal como Barrichello, Felipe Massa tem uma carreira bem grande na Formula 1 - está a correr desde 2002 na categoria máxima do automobilismo - mas subir ao lugar mais alto do pódio em terras canadianas é algo que nunca conseguiu. Aliás, para sermos honestos, Felipe Massa nunca subiu ao pódio em terras canadianas!

O seu primeiro resultado relevante foi em 2005, quando Massa terminou a corrida na quarta posição, a bordo do seu Sauber, e no ano seguinte, a primeira na Ferrari, chegou ao fim na quinta posição. Só voltaria a pontuar em 2008, com um quinto posto, e sextos lugares em 2011, 2013 e 2015.

Claro, a sua carreira ainda está algo longe do fim, mas numa altura em que o Brasil vive um jejum de sete anos sem vitórias na Formula 1, não parece que esteja perto de acontecer. 

domingo, 10 de abril de 2016

Mais nomes automobilísticos nos Panamá Papers

Uma semana depois do mundo conhecer os "Panamá Papers", onde foram divulgados milhões de ficheiros contendo os documentos da firma de advogados Mossack-Fonseca, mais nomes estão a ser divulgados, um pouco por todo o mundo. Este sábado à noite, o blogueiro brasileiro Fernando Rodrigues, da UOL Noticias, afirmou que uma data de personalidades desportivas recorreu aos serviços da firma de advogados do Panamá, entre eles antigos futebolistas e os pilotos Rubens Barrichello e Felipe Massa.

No caso desses pilotos, os contratos tem a ver com os direitos de imagem, e o escritório nunca abriu nenhuma firma para eles. A mesma coisa aconteceu para os ex-jogadores Roberto Carlos, Clarence Seedorf e Sonny Andersson. Contudo, outros nomes como o empresário Gilmar Veloz e o internacional Dudu tiveram outro tipo de intervenção na firma, tendo constituído empresas nas Ilhas Virgens Britânicas e no Panamá, embora no caso do jogador, ele o fez durante os seus tempos no Dinamo de Kiev, da Ucrânia. E quando regressou ao país, em 2015, para jogar no Palmeiras, a firma foi desativada.

Contactados pela UOL, o advogado de Massa afirmou que, como ele não tem morada fiscal no Brasil desde 2002 (mora no Mónaco), não tem qualquer obrigação fiscal com o seu país. Já do lado de Barrichello, ainda não houve resposta, mas pode-se dizer que esse argumento poderia ser usado para ele, pelo menos até 2011, altura em que fez a sua última temporada na Formula 1.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Cinco histórias que parecem mentira... mas é verdade!

Primeiro de Abril é sempre um dia onde toda a gente inventa noticias para ver se alguém cai na esparrela. Como há sempre meio mundo a tentar enganar outro meio mundo, muitos caem nas patranhas, ainda antes que se diga "Feliz Dia das Mentiras"

(Contudo, em Espanha, o dia das mentiras é a 28 de dezembro, e eles o batizam de 'Dia de los Santos Inocentes', e aí, muitos que não sabem disso caem na esparrela!)

Contudo, ao longo da história do automobilismo, houve histórias tiradas do Dia das Mentiras que acabaram por ser bem verdadeiras. As mais famosas, se quiserem, foram coisas como a orgia sado-maso-nazi do Max Mosley ou o bizarro despedimento de Alain Prost da Ferrari, mas há outras mais interessantes que, parecendo mentira, acabaram por ser verdadeiras. E aqui conto cinco histórias bem bizarras da Formula 1, uma delas envolvendo um piloto português.


1 - Uma conversa longe demais (Gachot, Onyx, 1989)


A Onyx era mais uma das equipas estreantes na Formula 1, uma aventura feita por Mike Earle e Paul Shakespeare, com a ajuda financeira de um excêntrico belga, Jean-Pierre Van Rossem, que alegava ter um esquema de multiplicação de dinheiro que era chamado de "Moneytrom". Van Rossem tinha comprado a equipa por nove milhões de dólares, e tinham sido contratados dois pilotos: o sueco Stefan Johansson e o belga Bertrand Gachot.

A aventura, de inicio difícil (39 carros para 26 lugares, daí a FIA recorreu às pré-qualificações), correu melhor a partir da segunda metade do ano, quando a Onyx conseguiu dois pontos em França, fugindo desse "inferno". Contudo, quando as coisas começam a correr bem, começaram a ver-se as excentricidades de Van Rossem: jatos Gulstream e ultimatos para ter os motores Porsche V12, caso contrário, retiraria os carros de imediato.

Para piorar as coisas, Bertrand Gachot começa a queixar-se de que o pessoal da equipa estava a faltar ao combinado, especialmente em termos de dias de testes. Foi um desabafo, mas alguém contou a conversa a Van Rossem, que não hesitou em despedi-lo, sendo substituído por J.J. Letho a partir do GP de Portugal. Gachot arranjou um lugar na Rial (propriedade de outro... excêntrico, Gunther Schmid) até ao final da temporada, sem resultado de relevo.


2 - Com gás pimenta, muda tudo (Gachot, Jordan, 1991)


Pobre Gachot, deve ser dos pilotos mais azarados da Formula 1. Depois de uma temporada sofrivel na Coloni (sem se qualificar para qualquer corrida), em 1991 parecia ter acertado com Eddie Jordan para ser piloto da marca, ao lado do italiano Andrea de Cesaris. Contudo, em dezembro de 1990, em Londres, Gachot e Eddie Jordan iam a caminho de uma reunião com um potencial patrocinador, quando sofreram um acidente de trânsito com um taxista. Sentindo-se ameaçado, o belga puxou de um frasco contendo gás pimenta e borrifou-o.

Contudo, nessa altura, ter uma coisa dessas era ilegal e Gachot foi processado pela justiça britânica, e o caso chegou a tribunal e foi condenado a quatro anos de prisão efectiva, causando espanto na comunidade da Formula 1 e no fim de semana belga, foram imprimidos t-shirts a pedir pela sua libertação, e na pista de Spa-Francochamps, frases como "Gachot, la Belgique est avec toi" (Gachot, a Bélgica está contigo) foram pintados no asfalto.

Ele acabaria por ser liberto ao fim de dois meses, mas não voltaria mais à Jordan. Correria na Larrousse na corrida final do ano, na Austrália.


3 - Demasiado louco para correr (Moreno, Benetton, 1991)


Michael Schumacher entrou na Formula 1 com estrondo, no GP da Bélgica de 1991. Ao serviço da Jordan (e sem ter andado de carro na pista), conseguiu o oitavo tempo na grelha de partida, estando à frente do veterano De Cesaris. Contudo, a sua corrida foi bem curta: uma embraiagem partida nos primeiros duzentos metros ditou o seu abandono prematuro.

Contudo, isso foi mais do que suficiente para que a Formula 1 ficasse de olho nele. Na Benetton, Flávio Briatore estava impressionado com o alemão e queria contratá-lo o quanto antes. Mas tinha um problema: os seus pilotos, os brasileiros Roberto Moreno e Nelson Piquet. Para piorar as coisas, Moreno, amigo de infância de Piquet, tinha acabado a corrida belga no quarto lugar e feito... a volta mais rápida. Portanto, tinha tudo para ficar, certo?

Errado. Ao descobrir que o contato de Schumacher na Jordan não era suficientemente forte, falou com Willi Webber, seu "manager" e arranjou-lhe um lugar com efeito imediato, ou seja, correria para eles em Monza. E quando aos presentes, o elo mais fraco era Moreno, que foi despedido alegando... insanidade mental. Ninguém ficou contente e todos processaram Briatore. No final, alcançou-se um compromisso: Moreno correria por duas provas na Jordan e pagava uma indemnização a Eddie, enquanto que Schumacher ficava na Benetton, e começando ali a sua carreira...  


4 - Demasiado gordo para entrar (Mansell, McLaren, 1995)


Nigel Mansell tinha 41 anos e tinha-se mostrado que estava em forma quando venceu o GP da Austrália de 1994, sendo o mais velho vencedor num Grande Prémio desde Jack Brabham, no GP da África do Sul de 1970, no seu próprio carro. Contudo, Frank Williams decidiu apostar na juventude e ficou com David Coulthard, ao lado de Damon Hill.

Parecia que Mansell iria para a reforma (não tinha intenções de regressar à CART) quando a McLaren lhe bateu à porta para dar um lugar. Mentira, não foi a McLaren... foi a Mercedes, que exigiu a Ron Dennis que queria um campeão do mundo a seu lado para os seus motores (era o primeiro ano da longa parceria com os alemães, terminada em 2014), e assim, ele foi apresentado ao lado de Mika Hakkinen quando o MP4-10 foi mostrado ao mundo (e também considerado como um dos piores chassis da marca, com a famosa asa média...)

Quando Mansell tentou entrar dentro do carro, havia um problema: ele não cabia! Tinha engordado no inverno e o chassis era muito pequeno para caber no seu fisico, e assim sendo, a McLaen decidiu construir um MP4-10 para ele, e isso durou... duas corridas, no Brasil e na Argentina. Ali, foi substituido pelo piloto de testes, o britânico Mark Blundell.

Quando Mansell voltou a correr, em Imola, as suas performances não foram grande coisa. Décimo nessa corrida, não terminou em Barcelona, e para piorar as coisas, as relações com Ron Dennis degradaram-se (ele nunca gostou muito do "Brutânico"...) e abandonou de vez a Formula 1, por uma porta (muito) pequena.


5 - Dar o dito por não dito (Parente, Virgin, 2010)


O português Álvaro Parente tinha um excelente palmarés nas categorias de acesso. Campeão da Formula 3 britânica em 2005 e da World Series by Renault dois anos depois, com uma vitória no Mónaco (e à frente de um tal de Sebastian Vettel...), Parente nunca teve grandes chances na Formula 1 por causa do dinheiro necessário para correr. Contudo, no inicio de 2010, Parente poderia ter tido a chance de se envolver no meio, com um contrato para ser piloto de reserva na Virgin, que iria estrear naquele ano, com Timo Glock e Lucas di Grassi como pilotos.

Parente tinha um apoio do Turismo de Portugal, mas a poucos dias da apresentação, a entidade do estado deu o dito por não dito... e decidiu não apoiar, deixando-o em terra, e frustrando a chance de correr (ou de andar) num carro de Formula 1. Parente ficou furioso e expôs o caso à imprensa (até teve a solidariedade de... Cristiano Ronaldo), mas no final, não houve volta atrás e o piloto do Porto deixou os monolugares para trás, rumo a uma carreira bem sucedida nos GT'sm correndo em McLarens. 

quinta-feira, 30 de julho de 2015

GP Memória - Alemanha 2000

Duas semanas após terem corrido em Zeltweg, máquinas e pilotos tinham chegado a Hockenheim, palco do GP da Alemanha de Formula 1. E com o pelotão a cumprir a 11ª corrida da temporada, as coisas estavam cada vez mais escaldantes, com Michael Schumacher a sofrer a pressão, após duas corridas sem conseguir terminar nos pontos: uma por problemas mecânicos, outra por uma colisão. E isso tinha sido aproveitado pelos McLaren para se aproximar do piloto alemão e tentar a sua sorte.

No paddock, Eddie Irvine estava de volta á Jaguar, recuperado que estava da sua apendicite que o impedira de participar na corrida anterior. Ao mesmo tempo, o seu companheiro de equipa, Johnny Herbert, decidira anunciar que iria abandonar a competição no final do ano, depois de onze temporadas de bons serviços em equipas como Benetton, Tyrrell, Lotus, Ligier, Sauber e Stewart. Ao mesmo tempo, na Jordan, a equipa iria introduzir a versão B do seu modelo EJ10, esperando melhorar as suas performances na pista, ao mesmo tempo que Heinz-Harld Frentzen anunciava que iria extender o seu contrato por mais duas temporadas.    

A qualificação tinha acontecido debaixo de tempo intermitente, com o asfalto húmido durante esse tempo. David Coulthard aproveitou o piso seco numa das suas voltas para fazer a pole-position, 1,3 segundos mais veloz do que Michael Schumacher! Giancarlo Fisichella tinha sido o terceiro, no seu Benetton, enquanto que Hakkinen ficava com o quarto tempo. A terceira fila tinha um surpreendente Pedro de la Rosa no quinto lugar, com o seu Arrows, com Jarno Trulli ao seu lado, no novo chassis, enquanto que na quarta fila estavam o segundo Benetton de Alexander Wurz, seguido pelo Jaguar de Johnny Herbert, e a fechar o "top ten" ficava o BAR de Jacques Villeneuve e o segundo Jaguar de Eddie Irvine.

Após a qualificação, o escocês afirmou: "Tinha feito a volta perfeita. Consegui ler as condições da pista e consegui ser o mais veloz na segunda secção. Só tenteni de novo no final da qualificação porque a o asfalto poderia secar depressa e queria assegurar que estava numa posição onde poderia defender-me da pole e atacar ao mesmo tempo. A corrida vai ser dura e desejo os dez pontos."

Dos que ficaram prejudicados com o mudar das condições meteorológicas ficaram Heinz-Harlald Frentzen, que era 17º na grelha, um lugar na frente de Rubens Barrichello

O dia da corrida estava como no dia anterior, com o tempo incerto, e previsões de chuva durante a prova. Na volta de aquecimento, o motor do Williams de Jenson Button recusou a colaborar e acabaria por largar das boxes. Quando o sinal ficou verde, Hakkinen larogu melhor do que Coulthard, enquanto que Schumacher, ao ir para a esquerda no sentido de passar Coulthard, bateu no Benetton de Fisichella, com este a furar o pneu traseiro esquerdo, acabando por parar à barreira de pneus. Ambos retiraram na hora e pela terceira vez seguida, Schumacher não terminava a corrida. Pior: pela segunda vez consecutiva, nem terminava a primeira volta!

Atrás, Barrichello subia até à décima posição, e duas voltas depois, era oitavo, depois de passar os BAR. Na frente, Hakkinen mantinha a primeira posição, com algum avanço sobre Coulthard e Trulli, enquanto que o piloto brasileiro fazia a sua escalada imparável. Na quinta volta tinha passado Jos Verstappen e tinha entrado nos pontos e depois de passa Herbert, na volta segunte, era consecutivamente mais veloz para tentar apanhar Pedro de La Rosa, que era quarto. Atrás, Frentzen demorava mais tempo para passar os pilotos que estavam na sua frente, mas na décima volta, ele era sexto.

Na volta 12, Barrichello passava o espanhol da Arrows, enquanto que Frentzen já se aproximava dos dois. O piloto da Ferrari ainda passou Trulli para ficar com o terceiro posto, mas na volta 17, reabasteceu o seu carro, regressando à pista dois lugares mais abaixo. Frentzen parou na volta seguinte, voltando na sexta posição.

Por esta altura, os McLaren rodavam juntos, com 1,4 segundos a separar Hakkinen de Coulthard, mas com um avanço de 22 segundos sobre o Jordan de Trulli, mas na volta 25, o insólito acontecia: na reta de Hockenheim, antes da primeira chicane, um homem estava no meio da pista, a segurar um cartaz nas costas, a tentar perturbar a corrida. Os espectadores observavam, atónitos, sem saber o que se passava. A direção reagiu de imediato, colocando o Safety Car na pista, enquanto que os comissários de pista tiravam o intruso dali. Soube-se depois que era um ex-trabalhador da Mercedes, de seu nome Robert Sehli, então com 47 anos, que tinha sido despedido da fábrica onde trabalhava, em Le Mans, devido a questões de saúde. 

Com isto, os pilotos da frente aproveitavam a oportunidade - excepto Barrichello e Frentzen - para reabastecer. Os comissários de pista demoraram três voltas para apanhar Sehli e na volta 28, a corrida recomeçou, com Hakkinen na frente, seguido por Trulli, pressionado por Barrichello e Frentzen, mas as coisas não ficaram assim por muito tempo. No inicio da volta 30, Jean Alesi, no seu Prost, e Pedro Diniz, no seu Sauber, colidiram na Curva 1 e os destroços focaram espalhados por uma área perigosa, fazendo com que o Safety Car entrasse de novo, para que se pudesse varrer os destroços.

As coisas ficaram assim por duas voltas e quando recomeçou, o finlandês da McLaren manteve a liderança, mas na volta 33, a chuva começou a cair na pista. Este era ligeiro, e permitia que os pilotos com pneus secos pudessem ficar na pista, desde que tivessem o engenho suficiente para manter o carro por lá. Todos foram às boxes para mudar de pneus, menos Barrichello, Coulthard, Frentzen e o BAR de Ricardo Zonta.

Contudo, para Trulli, foi um pesadelo: na volta 37, fora penalizado porque os comissários de pisrta tinham visto passar o Ferrari de Barrichello numa zona de bandeiras amarelas, sendo penalizado com uma paragem de dez segundos, estragando as suas chances de pontuar, pois regressou à pista na 11ª posição.

Na volta seguinte, Coulthard para nas boxes para trocar para pneus de chuva, regressando em quinto, mas Barrichello ficava na pista, contra todas as expectativas. Hakkinen ficava à distância, sem se aproximar muito, enquanto que Frentzen encostava à berma na volta 40, quando a sua caixa de velocidades cedeu, deixando Mika Salo no terceiro lugar. Coulthard e Button o iriam apanhar nas volta seguintes.

Mas na frente, parecia que se assistia um milagre, e à medida que se avistava a bandeira de xadrez, a Formula 1 iria ver algo que já não via ha muito tempo: um brasileiro a vencer um Grande Prémio. E tal como tinha acontecido quase um ano antes em Nurburgring, iria ser uma vitória popular. Quando Rubens Barrichello cruzou a meta, o público e o paddock celebravam a vitória de um piloto popular. No pódio, ele sucumbiu às emoções e chorava compulsivamente quando ouvia o hino do seu país e terminava sete anos de jejum, desde Ayrton Senna, no GP da Austrália de 1993.

Mika Hakkinen e David Coulthard completavam o pódio, enquanto que nos restantes lugares pontuáveis ficavam o Williams de Jenson Button, o Sauber de Mika Salo e o Arrows de Pedro de la Rosa.     

No meio dos festejos, soube-se depois que Sehli tinha tentado protestar no inicio do Grande Prémio, em frente da grelha de partida, mas foi impedido de entrar pelos comissários de pista. E tinha tentado a mesma coisa tempos antes, em Magny Cours, mas os comissários também tinham conseguido impedir que ele entrasse na pista. No final, após ter sido interrogado pela policia, acabou por pagar uma multa de 600 dólares por ter violado os limites da pista.

Mas o que interessava é que no final da corrida alemã, o mundial estava ao rubro: Schumacher liderava com 56, mas quer Hakkinen, quer Coulthard estavam igualados, com 54 pontos cada um. E Barrichello, estreante nas vitórias, estava apenas a dez pontos do seu companheiro de equipa. Schumacher tinha de reagir, e rápido.