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segunda-feira, 2 de julho de 2018

A imagem do dia

Quando era garoto, queria ser piloto de Formula 1. Mas como não havia pistas de karting ao pé da minha casa e cedo fiquei com óculos - que julgava serem impeditivos de guiar um kart - decidi que havia outras maneiras de ligar-me ao automobilismo. Descobri aos 15 anos que o jornalismo seria uma delas.

E nesse tempo, aqui em Portugal, havia o Rotações. A nossa meca, o nosso porto de abrigo para todos os cabeças de gasolina. Não interessava o dia de semana - chegou a ser à quinta, depois passou a ser à terça, segunda ou sexta - pelas 19 horas, no segundo canal, havia um magazine dedicado ao automobilismo e aos automóveis. E o José Pinto era um deles. E desdobrava-se, pois muitas das vezes, ao lado do Adriano Cerqueira, era a voz da televisão portuguesa nos Grandes Prémios de Formula 1 nos anos 80 e 90. Era esses dois, mais o Domingos Piedade, que dizia umas coisas engraçadas pelo meio, para temperar as transmissões televisivas. E claro, cresci com essa gente.

O José Pinto morreu hoje, aos 70 anos. Lembro-me dele de ter entrevistado o Ayrton Senna algumas vezes. Aliás, ele foi o último jornalista português a entrevistá-lo - podem ver aqui o video - no fim de semana do GP do Pacífico, em Aida, quinze dias antes de morrer em Imola. Aliás, era ele e o Adriano Cerqueira - creio eu - que estavam a fazer as transmissões nesse fatídico dia.

Mas quero voltar ao Rotações. Nunca tivemos, nem voltaremos a ter um programa desses. Era uma coisa pequena, mas bem feita, e ali passaram um bom naipe de jornalistas e apresentadores que marcaram uma geração. Um deles foi o João Carlos Costa, que posso dizer que sou seu admirador. Quando crescemos, nunca pensamos que aqueles que nos captam a atenção também envelhecem, e um dia, morrem fisicamente, desaparecem de cena de vez. Mas de vez em quando, de repente, por algum motivo, nos lembramos e recordamos com nostalgia esses tempos.

Acabo com uma frase do Pedro Nascimento, um gajo da minha idade, que tinha os mesmos sonhos que eu e acabou a ser narrador na Sport TV. "Do passado se vê muito daquilo que querias ser no futuro. Apaga-se a luz, nunca a memória". Ars longa, vita brevis, caro José.

Youtube Formula One Classic: Ayrton Senna, Aida 1994


No dia em que se vai embora José Pinto, um dos apresentadores do Rotações e durante muitos anos o comentador da RTP nos Grandes Prémios de Formula 1, trago aqui a última entrevista que fez ao Ayrton Senna, no fim de semana do GP do Pacifico, em abril de 1994, duas semanas antes de Imola.

Da maneira como isto é apresentado, deve ter passado nos dias após Imola, e no rescaldo de um dos piores fins de semana da história do automobilismo.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Youtube Formula 1 Classic: A última entrevista de Ayrton Senna à RTP

No meu tempo de adolescência, no Portugal monolitico da RTP, antes dos privados, ver o "Rotações", era um grande momento para um "petrolhead" como eu. E isto é um achado. Já têm 20 anos, e foi em Aida, no GP do Pacifico. Era um Ayrton Senna que estava preocupado com o desempenho do seu Williams FW16 perante as performances (já suspeitas) do Benetton B194 do Michael Schumacher.

A entrevista, feita pelo José Pinto, acabou por ser a última de uma longa série, que começou quase dez anos antes, e do qual teve dezenas de presenças ao vivo no programa, que acontecia no segundo canal, sempre no final da tarde de quinta, sexta ou de segunda-feira, dependendo dos anos passados...

sábado, 2 de agosto de 2014

Youtube Rally Videos: A cobertura do Rali Vinho da Madeira


Para quem não sabe, o Rali da Madeira é (muito bem) acompanhado pela delegação regional da RTP, pois sabe que isto é o melhor promotor da região. É certo que já não têm o fulgor de outros tempos, onde fazia parte do Europeu de Ralis e onde os melhores pilotos do Mundo chegaram a andar por estas paragens (para terem uma ideia, é a primeira vez desde 1977 que não há estrangeiros inscritos neste rali), mas isso não impede de mostrar como são as coisas por lá e como é que são acompanhadas as coisas.

Os videos são longos, mas é para verem a qualidade da transmissão. O primeiro é o do primeiro dia do Rali (e não é da RTP), mas os outros dois já o são e mostram o segundo dia, com as transmissões em direto e tudo o mais. Vale a pena ver, numa noite de sábado sem muito com que fazer... 

terça-feira, 29 de abril de 2014

Seguir Imola como se estivesse a acontecer

Nestes dias, recomendo vivamente que sigam a página da Formula 1 da RTP no Twitter. E porquê? Pois eles decidiram reconstituir os acontecimentos de Imola ao minuto, como se a rede social existisse em 1994. E pelo que leio, vale a pena seguir.

Caso ainda não tenham o endereço deles, eis o link: http://twitter.com/f1rtp

sexta-feira, 1 de março de 2013

Youtube Motorsport Classic: Uma volta com Christian Fittipaldi no Estoril


Esta vi há bocado quando visitava um dos grupos do qual sou frequentador assíduo. E é um achado: o mítico programa "Rotações", da RTP, com uma matéria a mostrar como se faz uma volta ao circuito do Estoril. 

E o piloto que guia não é um qualquer: é Christian Fittipaldi, então com 21 anos e "rookie" na Minardi de Formula 1, a andar dentro do Opel Astra de outro grande piloto, mas do automobilismo português: Ni Amorim. E ele explicava como é que eles andavam naquela pista, e os lugares ideais para acelerarem e travarem, no tempo em que Portugal fazia parte do calendário da Formula 1.

É um video que vale a pena ver.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

A entrevista a Félix da Costa à RTP


A RTP fez uma longa entrevista este fim de semana a António Félix da Costa, no sentido de falar com ele acerca da temporada que passou, das vitórias que teve, quer na GP3, na World Series by Renault, no GP de Macau de Formula 3 e os testes que teve com a Red Bull em Abu Dhabi.

Claro, as suas perspectivas de entrar na Formula 1 em 2014 - ou provavelmente um pouco antes... - também estiveram em cima da mesa, assim como é o ambiente na Red Bull, a equipa que o acolheu na sua Junior Team em junho de 2012, com os resultados conhecidos.

A entrevista é longa - 17 minutos - mas creio que vale a pena ver.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Youtube Rally Classic: Angola 1990



Esta é interessante, porque colocaram hoje no blog Car Vice, que é gerido por pessoal que viveu a sua juventude na Angola nos tempos coloniais. Em suma, a geração da minha mãe. E o que interessa neste video em particular são várias coisas, a começar pelo programa que o coloca, porque é o mítico "Rotações" o programa que a RTP teve durante muitos anos no segundo canal, se bem se lembram.

Segundo, é o ano em que isto acontece: estamos em 1990, e Angola ainda vive a guerra civil, logo, o rali não se poderia deslocar muito longe da capital, Luanda. E o terceiro lado é o parque automóvel: há 21 anos, era tão... colorido. Desde um Mazda 323 ex-fábrica - pertenceu ao belga Gregoire de Mévius - até a máquinas tão antigas como Ford Escort Mk1 ou até... jipes e buggies. O que prova que em Africa, o que interessa é imaginação, e que se não há cão, caça-se com gato. O que se pode ver pelo nome do clube organizador: Os Persistentes.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Extra-Campeonato: O Ultimo a Sair, um reality show que não o é



Os "reality shows" andam por aqui há mais de dez anos nas televisões um pouco por todo o mundo e pessoalmente, sempre os achei uma treta. Hoje em dia há para tudo: famosos, gordos para emagrecer, famosos numa tribo longinqua, blá, blá, blá... mas pela primeira vez em dez anos, eu vejo um "reality show" com olhos de ver. E com vontade de ver o próximo episódio. E porquê? Porque este programa não é para ser levado a sério. Basicamente é uma comédia, mas tão convincente como um "reality show".

O formato é igual: doze concorrentes, nem todos famosos. Atores, comediantes, cantores (o Roberto Leal) um ex-concorrente do primeiro Big Brother, e um palhaço, daqueles pintados e tudo. Começou na semana passada e a cada episódio que passa está a ser uma coisa interessante de se seguir. Para mim, arrisca-se a ser o melhor programa do ano, mas vejam por vocês mesmos.

domingo, 6 de março de 2011

Extra-Campeonato: avacalhar o sistema



Costuma-se dizer que "a brincar se dizem coisas sérias", e o que aconteceu ontem à noite no Festival RTP da Canção foi um absoluto "abalo no sistema" quando escolheram como vencedores os Homens da Luta, a dupla constituida por Jel e Carlos Duarte, que são irmãos e há muito eram conhecidos pelo seu humor intreventivo e irreverente, e as suas intrevenções atrevidas, desde entrar em diretos na televisão até participar nas campanhas eleitorais, fazendo... a sua própria campanha.

Vou ser sincero: adorei o resultado de ontem à noite. Sempre achei que o Festival da Canção há muito que deixou de ter qualquer utilidade, e o Eurofestival não é mais do que uma mera troca de favores entre as várias regiões da Europa. Os paises do Leste a votarem em bloco uns com os outros, a trocas de favores entre os paises do Norte, os doze pontos que Grécia e Chipre trocam uns com os outros... há muito que esse "eurofestival" se tornou numa caricatura de si mesmo. Quando acontece, numa das semanas de Maio, só dá vontade de rir. Para não falar das musicas, que numa era da MTV's e quejandos, só tem visibilidade nos seus paises e pouco mais. Depois dos ABBA, não mais uma dessas musicas alcançou os tops euopeus.

Portanto, a melhor maneira de dizermos o que pensamos sobre esse Eurofestival é gozar com ela. Já fizeram no passado, mais concretamente em 2006, quando aqueles finlandeses metaleiros, os Lordi, deram ao seu pais a sua unica vitória na história do Eurofestival, mandando ondas de choque um pouco por toda a Europa e toda a comunidade eurofestivaleira. Nessa altura, adorei.

Claro, quando a votação popular escolheu os Homens da Luta como vencedores, estavam a mandar uma mensagem. Mais do que ser uma mensagem anti-sistema, é uma mansagem a dizer que isto há muito é uma caricatura de si mesmo. E a reacção das pessoas presentes no teatro naquele sábado à noite, com muitos a apuparem e metade das pessoas a abandonarem o local assim que se soube do vencedor, só demonstra o tipo de pessoas ques estavam por ali: absolutamente deslocadas da realidade.

Ver os Homens da Luta em Dusseldorf, em Maio, vai ser engraçado. Perderemos como sempre, mas perderemos com graça. Dêem-lhes, Neto e Falâncio!

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Extra - Campeonato: Como acabar um programa em grande!

Estamos em 1993. Os Gato Fedorento ainda andam na Universidade Nova de Lisboa, e Herman José é o rei e senhor da comédia portuguesa, mas há muito largou os programas para fazer concursos na RTP. Nesse ano fazia a "Roda da Sorte", mas em Junho decide acabar com o programa para seguir em frente, noutros projectos.


Herman queria acabar o programa com estrondo. Mas não era no sentido metafórico do termo: era mesmo acabar, de caçadeira na mão! E foi assim que milhões de pessoas assitiram a um dos mais insólitos finais da TV portuguesa em 50 anos de história. E passados 14 anos, ainda não houve nada que o igualasse... mesmo tendo agora os Gato Fedorento, o tipo da boina e o Fernando Rocha! É desse Herman que sinto saudades...

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Extra-Campeonato: Gala dos Tesourinhos Deprimentes

A primeira temporada do "Diz que é uma Espécie de Magazine", dos Gato Fedorento, terminará no Domingo, com uma Gala a homenagear os tesourinhos deprimentes da TV portuguesa, mas na noite de terça-feira foi feita a gravação desse programa, com uma Aula Magna a rebentar pelas costuras (com capacidade para duas mil pessoas, centenas ficaram de fora por manifesta falta de espaço)


Na 37.ª Gala dos Tesourinhos Deprimentes, os Gatos decidiram despedir-se com um "best of" da rubrica, por duas razões. "Primeira, porque é uma das partes mais giras. Segunda, porque a nossa série é, toda ela, um autêntico 'tesourinho'", explicou Ricardo Araújo Pereira. Ao longo de duas horas de emissão, os Gatos conversam no plateau com alguns dos protagonistas dos "tesourinhos", como Humberto Bernardo, Luís Pereira de Sousa, Luís Arriaga, Carlos Ribeiro, Rita Salema e Serenella Andrade. "Tenho admiração pelas pessoas que estiveram cá hoje", adiantou Ricardo Araújo Pereira.


E ele acrescenta que o seu "tesourinho" preferido é o de Ana Maria Lucas, no programa "Mistura Fina". Esse não é própriamente o meu favorito. Tou indeciso entre aquele em que está metido o antigo presidente da FIFA, o brasileiro João Havelange, e aquele outro das lições de auto-defesa...


Depois disto, os Gatos vão de férias e regressam em Setembro, para uma segunda série do programa. Depois, o contrato com a RTP acaba. "Em 2008 vamos parar para reflectir", diz Miguel Góis, outro dos Gatos.


Ah! e pelo que li nos jornais de hoje, vão cumprir o que prometem no genérico, ou seja... vamos ver gajas nuas! Tou ansioso por ver no que isto vai dar.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Extra-Campeonato: Hora H vs Gato Fedorento: quem ganhará?

Hoje em dia, as noites de Domingo na TV portuguesa são dominadas pelos programas de comédia: a RTP tem os Gato Fedorento, com o "Diz que é uma Espécie de Magazine", a SIC tem a "Hora H", com o Herman José, e TVI... bem, tinha um "pseudo-reality show", e pronto.

Nessas noites e Domingo, os Gatos batem toda a concorrência: o seu humor, aproveitando as situações do quotidiano, é marcante (e os tesourinhos deprimentes são demais!), e quase sempre o seu programa é dos mais vistos do canal a essa hora. Um verdadeiro serviço público! A média de telespectadores hoje em dia situa-se nos 1,2 milhões. Quando à Hora H, a ideia seria o regresso de Herman José à comédia pura e dura, depois de seis anos de "talk-show". Tinha bons argumentistas, vindas das Produções Fictícias (Nuno Atrur Pina, Nuno Markl), e a ideia era boa. Contudo, o horário tardio (23:45) e os sketches menos conseguidos fizeram com que tenha uma média de 450 mil espectadores, um terço daquele que os Gatos têm.

Herman está descontente com a estratégia feita pela SIC, especialmente com o seu director de programas, Francisco Penim. Ele, vindo da SIC Radical, foi o homem que pôs os Gatos na TV, mas também foi ele que fez com que saíssem da TV de Carnaxide, depois de terem colocado uma série de "scketches" no canal principal, para combater os "Morangos com Açucar", da TVI.

"O que leva um director a mudar de estratégia e a alterar o horário de exibição de um programa após 12 episódios já exibidos? Das duas, uma: ou confiança ou desespero.", disse Nuno Azinheira na sua crónica de terça-feira no Diário de Noticias. Penim está a caminhar sobre brasas: depois de quase 10 anos de liderança incontestada, a TVI, graças aos seus "reality-show", como o Big Brother e novelas como Morangos com Açucar, ganhou a liderança. Hoje em dia, os três canais de TV andam a pouca distância entre si, demonstrando a divisão em termos de gostos. "Decidimos antecipar o 'Hora H' para torna-lo mais competitivo", justificou Francisco Penim.

Será que isto vai funcionar? "Penim tem um 'feeling' que isto agra vai pegar”, afirma de novo Nuno Azinheira. O problema disto tudo é que, ao contrário a RTP, que não está muito interessado nas audiências (e um canal público), e consegue mostrar qualidade televisiva (e isso é muito bem preciso num panorama televisivo dominado pelo tele-lixo), acompanhando os privados, a SIC está demasiado ansiosa e demasiado dependente das audiências para conseguir aquilo que quer: a liderança. "A concorrência é terrivelmente feroz", afirmou Herman. E têm razão. Há muito que foram os seus dias de glória, e bem precisa de os recuperar, sob pena de Francisco Penim ser mais um dos muitos directores de programas que não aguentaram a inexorável ditadura das audiências...