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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Noticias: Viso reage a noticias sobre fraude cambial

A fraude cambial que foi denunciada hoje pelo governo venezuelano, onde aparentemente houve abusos nas autorizações de alguns pilotos para conseguir autorização para levantar mais dólares do que o previsto, já mereceu a reação de pelo menos um piloto: Ernesto Viso, que corre na IndyCar. Numa entrevista ao jornal local "El Nacional", Viso, que já disse que não participará na prova final da IndyCar, em Fontana, afirmou que espera um investigação séria e que os que cometeram as fraudes sejam encontrados para a situação ser normalizada.

Creio que esse tema é controverso no ministério, pois quando perguntamos o que está acontecendo com os pagamentos que não recebemos, não temos explicação alguma. Mas é frustrante saber que há oportunistas que buscam se aproveitar do momento desportivo tão bom que vive a Venezuela para tirar benefícios pessoais. No final, os verdadeiros prejudicados somos nós, os atletas que têm números e resultados que comprovam o bom trabalho que fazemos.” começou por comentar.

Acho bom que façam uma investigação séria a este respeito porque isso é algo muito delicado, mas é necessário que o ministério coloque em dia os pagamos porque a minha situação é cada vais mais insustentável porque tenho muitas contas a pagar”, concluiu.

Recorde-se que o esquema de fraude cambial apareceu quando as autoridades de Caracas denunciaram a falsificação de assinaturas da Ministra do Desporto, Alejandra Benitez, para que esses pilotos pudessem usar as permissões especiais, que são passadas pelo governo, para levar muito mais dólares do que o permitido.

Com os venezuelanos limitados a levantar três mil dólares por ano, as pessoas com essas autorizações especiais poderiam levantar muitos mais, e os dólares que sobravam nesse esquema eram muitas vezes canalizados para o mercado negro (onde a diferença entre o câmbio oficial chega a ser seis vezes superior), para conseguir ainda mais lucros do que teriam inicialmente. E num desses casos, denunciada pela ministra, fala que houve aprovações no valor de 66 milhões de dólares.

domingo, 6 de outubro de 2013

Youtube IndyCar Crash: O acidente de Dário Franchitti em Houston (II)


Surgiu agora um novo video, mais pormenorizado, do acidente múltiplo entre Dário Franchitti, Ernesto J. Viso e Takuma Sato na segunda corrida de Houston, onde o piloto escocês da Chip Ganassi saltou pelas redes de proteção, acabando magoado como resultado. Como é sabido, o piloto de 41 anos têm alguma concussões, fratura no tornozelo direito e uma fissura na coluna vertebral, de pouca gravidade.

Desconhece-se ainda a sorte dos 15 espectadores atingidos pelos destroços, mas aparentemente continua a não haver casos graves. Haverá uma atualização assim que for possível. 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Youtube IndyCar Crash: o "Big One" de Detroit

A IndyCar Series teve este fim de semana algo inédito - e vai acontecer em mais duas ocasiões - de ter um fim de semana duplo, com os pilotos a terem a oportunidade de conseguirem o dobro dos pontos. E em Detroit, Mike Conway e Simon Pagenaud foram os melhores em duas corridas onde acidentes onde curiosamente, ambos venceram pela primeira vez na IndyCar.

E acidentes não faltaram na pista de Belle Isle, tal como este, que aconteceu na segunda corrida, neste domingo. O acidente ocorreu na 28ª volta, e envolveu os carros de - entre outros - Justin Wilson, Will Power, Graham Rahal, E.J Viso, Ryan Briscoe e Ed Carpenter, entre outros. Era a sexta vez que a corrida seria interrompida devido a acidente, e esta foi a que deu mais nas vistas.

Interessante é ouvir a frase de um dos comentadores: "Não se vencem corridas nas relargadas, mas podes perde-las". É uma verdade bem absoluta.

quarta-feira, 6 de março de 2013

O legado automobilista de Hugo Chavez

Não vou falar sobre o homem ou sobre a politica. Para isso cabe aos outros, porque sei que imensa gente irá falar de Hugo Chavez como se fosse o maior herói americano desde Simon Bolivar ou Fidel Castro, só porque ele falou mal dos Estados Unidos. Ou então irá vilipendiá-lo, afirmando que era um ditadorzinho de meia tigela, só porque andava com ditadores, ou outra coisa qualquer só para falar mal dele e celebrar a sua morte. Em suma, Hugo Chavez Frias, nascido a 28 de julho de 1954 em Sabaneta, no estado de Barinas, e falecido a 5 de março de 2013 em Caracas, foi uma personalidade polarizadora, para o bem e para o mal.

Contudo, eu quero lembrar Hugo Chavez pelo que fez no campo que conheço melhor: o automobilismo. Alguém se recorda quantos venezuelanos andavam a correr nas categorias automobilisticas em 1998, e quem eram os melhores pilotos desse tempo? Provavelmente não se lembram porque tirando Johnny Cecotto ou a Milka Duno, não havia ninguém a levar o nome da nação de Simon Bolivar aos quatro cantos do mundo. 

Em 15 anos, tudo isso mudou, e não falo só em Pastor Maldonado e as suas aventuras na Formula 1. Falo de pilotos que andaram na IndyCar, como Ernesto Viso, ou os pilotos que andam nas categorias de base, a tentar chegar ao topo. Existe, quer nos Estados Unidos, quer na Venezuela, mais de uma dezena de pilotos a correr por lá, com resultados variáveis. E tudo isso graças a uma coisa: o apoio da petrolifera estatal PDVSA.

Durante estes últimos anos, a PDVSA injetou dezenas de milhões de euros nas carreiras de pilotos, o mais famoso dos quais é Pastor Maldonado. Campeão da GP2 em 2010, mas com fama de destruidor, chegou à Formula 1 em 2011 através da Williams. Com ele, trouxe um patrocinio "gordo", no valor de 40 milhões de euros. Esse dinheiro serviu para pagar os estragos que o inconstante Maldonado teve ao destruir os carros da equipa, mas serviu também para injetar um dinheiro altamente necessário para uma Williamns em decadência, cuja sobrevivência começava a ser questionada. Nas três temporadas que já leva - ele vai começar a sua quarta ao serviço da equipa de Grove - os venezuelanos deverão ter injetado para cima de 120 milhões de euros, o que e uma quantia bem considerável.

Esse dinheiro está a compensar, pelos vistos: a equipa melhorou as suas performances e no ano passado, em Barcelona, voltou às vitórias, após uma ausência de sete anos. Espera-se que a equipa tenha melhores performances em 2013 e que Maldonado bata menos com o seu carro. E vai precisar de melhorar a sua performance, para tirar a imagem de que está ali por causa dos "petrodólares chavistas". É que o dinheiro não é eterno e já se fala que houve uma auditoria interna no final do ano passado para saber sobre o bom uso dos dinheiros da PDVSA. Até agora, Maldonado esteve salvo e provavelmente enquanto os descendentes de Chavez estiverem no poder, o dinheiro fluirá. E fluirá nos outros pilotos que a marca apoia nas outras categorias, que tentam emular o sucesso de Maldonado e de Viso, como Johnny Cecotto Jr.

Contudo, desde que se soube da doença de Hugo Chavez, colocaram-se dúvidas sobre se este iria continuar a fluir com tanta força após o desaparecimento físico do seu líder. Quero acreditar que sim, porque acho que o governo honrará os seus compromissos. E se nas próximas eleições presidenciais forem ganhas pelos partidários pró-Chavez, provavelmente o fluxo continuará, talvez com um ou outro controlo aqui e ali, mas creio que isso não será questionado. Outra história será se o candidato da oposição for o vencedor dessas eleições, e achar que o dinheiro do petróleo seria melhor gasto em outras coisas. 

Essa e outras questões ainda não têm resposta, num país que esteve paralisado até agora por causa do seu estado de saúde, e agora que o desfecho é conhecido, o futuro está ainda indefinido. E é esse pensamento que não só Maldonado, Cecotto ou Viso estão na sua cabeça, mas também os jovens como Jorge Gonçalvez, na Indy Lights, ou a Roberto LaRocca e a Samin Gomez, ambos na GP3.

Em suma: posso pessoalmente detestar a sua retórica e o facto de ele acreditar em teorias da conspiração, mas tenho de tirar o meu chapéu em relação a aquilo que ele fez ao automobilismo na Venezuela. Ele conseguiu colocar o país no mapa e apoiou as carreiras dos que quiseram triunfar neste mundo dificil que é o automobilismo, quer fosse nos Estados Unidos ou na Europa. Isso deve ser lembrado, quer nós queiramos, quer não.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Pastor Maldonado, a ponta do "iceberg" venezuelano

A semana passada, dei por mim a ver a minha amiga Serena Navarrete na TV venezuelana, num programa que há por lá que faz o rescaldo da Formula 1. Neste caso em particular, tinha a ver com a primeira vitória do Pastor Maldonado e de um piloto do país de Simon Bolivar (se quiserem ver o programa, basta seguir este link), mas mais do que ver uma amiga tua na TV, dei comigo a pensar em algo que tenho visto nos últimos tempos: a força da Venezuela no automobilismo. 

É que, parecendo que não, ela tem sido imensa. Digo isto porque caso percam um pouco de tempo a ver as listas de inscritos nas categorias de promoção, desde a Formula Renault ou a Formula 3, até à GP2, o degrau imediatamente anterior à Formula 1, não há nenhum que não tenha pelo menos um piloto venezuelano. E nos Estados Unidos é a mesma coisa: Ernesto Viso é a face mais visível de uma quantidade de pilotos que evoluem nas categorias mais abaixo, seja na Indy Lights ou na Star Mazda, as duas categorias mais abaixo da principal. E parece que os tempos de se identificar os pilotos venezuelanos com as curvas da Milka Duno estão bem próximos do fim. É que o entusiasmo, aliado com os petrodólares, estão a fazer com que depois da Argentina e do Brasil, a Venezuela seja a terceira potência sul-americana.

Pastor Maldonado e os seus 50 milhões vindos da PDVSA podem ter ajudado imenso a pagar os prejuízos que ele faz a cada 15 dias nos circuitos um pouco por todo o mundo, mas há mais a caminho. Um deles é o filho do primeiro piloto venezuelano a dar nas vistas, Johnny Cecotto. Johnny Cecotto Jr. pode ter nascido e crescido na Alemanha, mas ele está na GP2 com as cores da Venezuela, e nesta temporada venceu duas corridas ao serviço da  A imprensa local fala hoje que Cecotto Jr. está a falar com duas equipas, no sentido de conseguir um lugar para a temporada de 2013. Cecotto Jr. pode ter agora acabado a sua quarta temporada na GP2, mas conseguiu este ano vencer as suas primeiras corridas na categoria.

Ainda é novo - tem 23 anos - mas a altura de dar o salto para a categoria máxima do automobilismo é agora. Vagas nas equipas mais pequenas são uma boa hipótese - menos a Marussia, mas isso é outra história... - e tem dinheiro e bons contactos para se mostrar na categoria máxima do automobilismo e provavelmente fazer melhor do que o seu pai, que foi o último representante de uma raça que foi bem sucedida nas duas e quatro rodas, como John Surtees e Mike Hailwood.

Mas a GP2 tem outra coisa mais: uma equipa venezuelana. A Lazarus é uma equipa italiana, fundada em 2009 e que entrou na GP2 em 2012, no lugar da Super Nova Racing. Contudo, arranjou um gordo patrocinio do Turismo da Venezuela, e um dos pilotos é o veterano - tem 31 anos - Giancarlo Serenelli. Não marcou qualquer ponto - a equipa só marcou um em toda a temporada - e Serenelli parece ser mais um "turista" com muito dinheiro do que alguém com talento. Mas ele também andou pela AutoGP, onde marcou 26 pontos, mas sem pódios.

Mas para além destes pilotos, mais estão a aparecer em categorias mais baixas. A Formula Abarth Itália teve nesta temporada três pilotos - Juan Branger, Samir Gomez Briceño e Francisco Javier Amado - e um deles, Briceño, irá correr em 2013 na GP3, ao serviço da Jenzer Motorsport. E também existiam três pilotos na espanhola Formula 3 Open Series: Roberto La Rocca, Trino Raul Rojas e uma mulher, Valeria Carballo. Nenhum destes seis pilotos teve uma participação relevante nessas duas competições, mas o facto de todos eles quererem subir a difícil escada de acesso à Formula 1, e aparentemente existirem os fundos para isso, significa que mais gente irão aparecer nos próximos tempos.

Mas no outro lado do Atlântico, há também venezuelanos a quererem seguir os passos de Ernesto Viso e de Milka Duno. Na Indy Lights, categoria imediatamente abaixo da IndyCar, existem Jorge Gonzalez e Bruno Palli, num campeonato onde curiosamente há mais colombianos a tentar a sua sorte do que até brasileiros! Dos dois, só Gonzalez fez toda a temporada, pois Palli apareceu na última corrida do ano, depois de ter feito toda a temporada na Star Mazda, o equivalente americano da Formula 3 ou GP3.

Aí, Palli teve a companhia de mais três pilotos e uma equipa, a Linares Racing. Diego Ferreira, Carlos Linares e Camilo Schmidt estiveram nessa categoria. Ao todo, os quatro pilotos conseguiram uma vitória no campeonato, através de Schmidt. E Ferreira é o piloto mais bem classificado, no oitavo lugar de um campeonato que falta uma corrida, em Road Atlanta, para que o calendário esteja completo.

Ainda temos o "gentleman driver" Enzo Potolicchio, a correr na LMP2 na World Encurance Championship, onde este ano, correndo no HPD da americana Starworks, venceu na sua classe nas 24 Horas de Le Mans, a primeira vez que um venezuelano consegue uma vitória na clássica da Endurance mundial.

Em suma, a Venezuela parece querer cravar uma forte estaca no automobilismo mundial. Está fortemente apoiada em termos financeiros, embora se verifique que a esmagadora maioria desses apoios são estatais. A PDVSA é pertencente ao estado, e o apoio governamental é evidente, através do organismo de Turismo venezuelano. Numa altura em que o pais está em campanha eleitoral para as eleições presidenciais, será que o resultado final poderá influenciar as carreiras futuras de todos estes pilotos, quer os mais consagrados, quer os que lutam por um lugar ao sol?

Uma pergunta ainda sem resposta, mas saberemos que nos próximos tempos, ouviremos muito do país de Simon Bolivar no automobilismo.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Revista Speed, edição numero três

Após muito trabalho, eis a edição deste mês da Revista Speed, mais concretamente o seu numero dois - depois de um numero zero, claro. Nesta edição temos algumas coisas especiais. A começar, duas entrevistas: uma feita ao Ernesto Viso, feita pela Patricia Fukui, passando por outra entrevista ao Ubiratan Bizarro Pereira, a pessoa que desenhou um dispositivo para proteger os pilotos de objetos voadores. Essa é da minha autoria.

Também da minha autoria é a matéria sobre Didier Pironi. No mês em que se comemoram 25 anos da sua morte, escrevi sobre a sua carreira e os seus feitos, bem como o seu acidente na Alemanha, em 1982 - do qual se faz agora 30 anos - e da sua recuperação, antes de se virar para a motonautica e o seu acidente fatal.

Ainda em termos de história, o Paulo Abreu fala sobre a Copa Peron de 1951, onde a Mercedes fez o seu regresso às competições, com as suas máquinas de 1939, mas que foram sumariamente batidos pelo Ferrari F166 de Froilan Gonzalez.

Para além disso, temos o Eduardo Casola Filho, com a sua análise da Formula 1, a matéria do Bruno Mendonça sobre a passagem do WTCC por Curitiba, e as colunas, minha e a do Rafael Ligeiro.