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segunda-feira, 22 de junho de 2026

As imagens do dia







Tal como agora, em junho de 1986, ou seja, há 40 anos, vivia-se o Mundial de futebol. E nesse ano, foi no México, onde a mais de dois mil metros de altitude, os futebolistas habituavam-se ao ar mais rarefeito que havia na superfície do mar. E um dia antes, tinha havido um dos mais importantes jogos dos quartos de final: o Brasil-França, jogado no Estádio Jalisco, em Guadalajara. 

Ambas as equipas tinham excelentes jogadores. Se na equipa francesa tinha gente como Michel Platini. Manuel Amoros, Patrick Battiston e Jean Tigana, no Brasil, ainda tinham alguns dos elementos da equipa de 1982, como Zico, Sócrates, Careca, Josimar e Edinho, entre outros. Foi um jogo longo, com um empate a uma bola, que levou a prolongamento e penalties. E a meio do jogo, Zico falhou um penalti.

Nos penalties, a sorte foi para os franceses - ironicamente, Platini falhou um penalti, enquanto do lado brasileiro, Sócrates e Julio César falharam - e pela segunda vez seguida, os franceses iam à meia final, e os brasileiros, treinados por Telé Santana, ficavam pelo caminho.

Na Formula 1, era fim de semana de GP dos Estados Unidos, em Detroit, e os franceses que trabalhavam na Renault decidiram comemorar a vitória. Alguns estavam na Lotus, que tinha Ayrton Senna como piloto, e decidiram escrever uma mensagem provocatória ao piloto por causa dos seus resultados futebolísticos. Senna, nessa tarde, conseguiu a pole-position, deixando Nigel Mansell, no seu Williams, a mais de meio segundo.

Foi uma corrida agitada, numa pista citadina como aquela, e onde a margem de erro era muito baixa. Senna perdeu o comando para Mansell na segunda volta, para depois ser recuperada pelo brasileiro na oitava volta, pois o britânico tinha problemas com os seus travões traseiros. O brasileiro começou a afastar-se do pelotão, mas na volta 14, um pneu começou a perder ar e ele foi às boxes para fazer uma troca de pneus não-programada, perdendo o comando para o Ligier de René Arnoux.

Três voltas depois, o francês foi para as boxes, trocar de pneus, e o primeiro lugar ficou nas mãos do outro piloto da Ligier, Jacques Laffite, que o manteve nas 12 voltas seguintes, porque estava a correr com os pneus duros da Pirelli. Atrás, Senna recuperava o tempo perdido, aumentando o seu ritmo, e depois de passar os Ferrari de Michele Alboreto e Stefan Johansson, passou Arnoux na volta 18, quando este foi às boxes, depois Prost, na volta 28, Mansell, na 31, na mesma volta em que Piquet passou Lafitte, para ser o líder da corrida. 

Quando Laffite parou para meter pneus novos, Senna herdou o segundo posto, e quando Piquet foi às boxes, na volta 38, o seu compatriota herdou o comando. A partir dali, o piloto da Williams puxou pelo seu carro para o poder apanhar, com os pneus novos, mas na volta 42, despistou-se e bateu nas barreiras, abandonando de imediato. Contudo, o chassis estava numa zona precária, ao ponto de pouco depois, René Arnoux ter batido ali, quando era segundo e estava a apanhar Senna porque tinha pneus mais frescos. Para piorar as coisas, quando Arnoux conseguiu sair do lugar onde tinha batido, para levar o carro às boxes, apareceu o Arrows de Thierry Boutsen... e ambos bateram!

A parte final foi mais calma, com Laffite a apanhar Prost para ser segundo, enquanto Senna se mantinha intocável, cortando a meta em primeiro, na frente de dois pilotos franceses, com um carro com motor francês. Na volta de arrefecimento, a caminho do pódio, viu um comissário com uma pequena bandeira brasileira, pediu a ele que o desse e fez o resto da volta com ela na mão. Mal ele sabia que tinha começado uma tradição que o iria acompanhar até ao final da sua carreira. 

segunda-feira, 23 de junho de 2025

A imagem do dia





Detroit é um local para muitos marcos. E dois deles tinha a ver com a Tyrrell e com a Cosworth. Separados por dois anos, foi o local da última vitória e da última vez que um motor atmosférico chegou aos pontos. E em 1985, foi o último grande momento de um piloto do qual muito tinha de promessa, do qual não teve tempo de o demonstrar. 

Já se sabia que, na primavera de 1985, os dias dos motores Cosworth atmosféricos estavam contados, e em Ockham, sede da Tyrrell, já se construía o carro que iria acolher os Renault Turbo, os primeiros de sempre, depois de 15 anos de lealdade para os Cosworth atmosféricos. E enquanto isso não acontecia, o calendário continuava, com a Formula 1 em paragens americanas. E a 23 de junho, corria-se em Detroit, a capital do automobilismo americano.

Uma pista citadina, algo estreita, travada, de baixa velocidade, era um bom local para os carros mais lentos brilharem. E desde 1982, ano em que a Formula 1 chegou a aquela pista, a Tyrrell sempre se dera bem. Em 1983, Michele Alboreto ganhou o que viria a ser a última vitória para a equipa do velho lenhador. Mas também foi em Detroit que se descobriu o esquema que os viria a serem excluídos da Formula 1, em 1984, depois de Martin Brundle ter conseguido um segundo lugar na corrida.

Numa corrida onde Keke Rosberg triunfou sobre o Ferrari de Stefan Johansson, onde parou para tirar papeis dos radiadores do seu Williams, e onde os travões foram penalizados até ao limite, os Tyrrell até se derem bem. Beneficiaram da chuva que caíra no sábado para conseguirem o 18º e 19º tempo, com Martin Brundle na frente de Stefan Bellof, na corrida, as coisas foram melhor, suportando uma corrida de sobrevivência. Na partida, se Nigel Mansell superou Ayrton Senna nos primeiros metros, para depois ser passado pelo piloto da Lotus, atrás, os Tyrrell arrancaram muito bem, passando cinco carros na primeira volta.

Contudo, nas voltas seguintes, os pilotos começaram a sofrer com o asfalto, que derretia com o calor. Os pilotos começaram a ir constantemente para as boxes, trocar de pneus, e a partir da volta 10, quando Lauda desistiu com problemas de travões, as coisas começaram a piorar um pouco para o pelotão. Prost teve o mesmo destino na volta 19, batendo no muro na curva 2, por causa dos travões. No meio disto tudo, os Tyrrell subiam posições sem problemas, e na volta 29, Bellof já era quarto, com Brundle atrás, em quinto. Mas quando dobrava o RAM de Philippe Alliot, depois de ter deixado passar o Ferrari de Michele Alboreto, ele não viu o Tyrrell e acabaram por colidir. As corridas de ambos os pilotos acabaram ali.

A curva 2 era um lugar perigoso. A superfície estava a estalar, com a constante passagem dos carros, e indo fora da trajetória era o ideal para evitar bater no muro. Alboreto e Rosberg faziam uma trajetória diferente, mas Senna não. Na volta 51, cometeu o mesmo erro de Mansell e Prost e a sua corrida acabou ali. 

Foi nessa altura que na frente, Rosberg começava a ver a temperatura do seu motor a aumentar. Alertado pelas boxes que tinha algo agarrado aos radiadores, foi para lá trocar de pneus e tirar as impurezas. Johansson passou para a frente, mas o finlandês, com pneus novos, carregou a passou o piloto da Ferrari em três tempos. Logo a seguir entraram em duelo, que acabou quando um disco dos seus travões quebrou e limitou a aceitar o segundo posto. Alboreto, entretanto, tentava salvar os travões e o seu terceiro posto... do Tyrrell de Bellof. Manos potente, mas mais "fresco", o alemão tentou a sua sorte, e a duas voltas do final, parecia que o lugar iria ser seu, porque estava na traseira do Ferrari. Mas por essa altura, a sua embraiagem começou a falhar e se calhar o melhor seria ficar com o pássaro na mão e cortar a meta.

Todos sabiam que quando ficou com o quarto posto, eram os últimos pontos de um motor Cosworth na Formula 1, depois de uma aventura que tinha começado em 1967, no GP dos Países Baixos, com uma vitória de Jim Clark, no seu Lotus 49. Dali a umas semanas, em Paul Ricard, um novo carro, com um novo motor, iria aparecer, encerrando uma era que rendeu 155 vitórias. 

O que não se sabia era que Bellof tinha pouco menos de oito semanas de vida, e tinha conseguido ali os seus últimos pontos da sua carreira, e claro, a sua melhor posição de sempre num Grande Prémio de Formula 1.     

Ali fechava uma era. Só regressaria dois anos depois, em 1987, e - se calhar, sem surpresa - com um Tyrrell pelo meio.

sexta-feira, 22 de março de 2024

A imagem do dia




A história da Williams nesta sexta-feira em Melbourne, com Logan Sargent a ter de ceder o carro a Alex Albon, depois deste se acidentar, era algo que... não diremos que fosse esperado, agora que as equipas não tem mais os carros de reserva. Mas também o facto de, porque, com ele, a equipa tem melhores garantias de pontuar, é também demonstrativo das hierarquias. 

Contudo, se falar que isto não é inédito? Que há quase 42 anos, um exemplo desse também aconteceu? E nessa altura... existiam chassis de reserva! 

Falemos, então, de Detroit. Em 1982, a FISA decidiu meter no calendário uma corrida na cidade americana, a capital do automóvel. Uma das três que a Formula 1 iria estar na América, ao lado de Long Beach e Las Vegas. 

Foi uma qualificação anormal. Na quinta-feira, foi a sessão de adaptação ao circuito e na sexta, a primeira sessão de qualificação, com o primeiro escândalo, quando Nelson Piquet, o campeão do mundo, conseguiu marcar o penúltimo tempo por causa de problemas com o seu motor BMW Turbo. E para piorar as coisas, choveu no sábado, causando o primeiro escândalo do fim de semana, pois era o primeiro campeão do mundo a não participar numa corrida na temporada seguinte! Em contraste, o ATS de Manfred Winkelhock conseguiu o quinto melhor tempo.

Entre os qualificados, ficaram os Osella de Jean-Pierre Jarier e Riccardo Paletti. Na 22ª e 23ª posições, respetivamente, era a primeira vez na temporada que entravam ambos os carros, tirando o boicotado GP de San Marino, onde só entraram 14 bólidos. 

Para o italiano, as coisas corriam bem, até ao domingo, no warm-up. Numa das voltas rápidas, um dos braços da suspensão quebrou a alta velocidade, fazendo-o perder uma roda e bater no muro de proteção. Paletti saiu do carro sem arranhão, mas o chassis estava danificado e tinha pouco tempo para o reparar, por causa da corrida. Ali, começou uma corrida contra o tempo, e os mecânicos correram para tê-lo pronto, para poder correr. 

No outro lado, Jarier tinha azar. Primeiro, o seu carro habitual não podia ser usado porque o extintor disparara acidentalmente, indo para o carro de reserva, pois tinha prioridade. Logo, Paletti tinha de usar esse carro para correr. E por um milagre - ou o bom trabalho dos mecânicos, se quiserem... - o carro ficou pronto a tempo, precisamente no momento em que os carros alinharam na grelha. 

Parecia que Paletti iria correr, mas... um azar nunca vem só. Jarier, no seu carro de reserva, ia a caminho da grelha, quando bateu na parede, causando danos. O francês estava de regresso às boxes e viu o carro de Paletti, e ficou com ele, obrigando o italiano a assistir a corrida como espectador. 

Uma semana depois, no Canadá, Paletti voltaria a qualificar-se por mérito próprio para uma corrida. Infelizmente, iria ser a sua última ocasião, porque na partida, colidiu contra o Ferrari de Didier Pironi, parado na grelha, causando ferimentos mortais no piloto italiano. Tinha 23 anos.   

segunda-feira, 5 de junho de 2023

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Ontem, por acaso, a IndyCar correu na baixa de Detroit, lugar onde, 40 anos antes, era a Formula 1 que andava por ali. E precisamente há 40 anos, fazia-se história. Dezasseis anos depois do primeiro triunfo, com Jim Clark, no seu Lotus 49, Michele Alboreto dava à Cosworth a sua 155ª e última vitória do seu motor de 3 litros. E também seria a última de um motor atmosférico num Grande Prémio de Formula 1 até 1989, quando Nigel Mansell ganhou o GP do Brasil, com o seu Ferrari de 12 cilindros. 

E o mais interessante é que também foi a última vitória da Tyrrell, que uma década antes, ganhava corridas e campeonatos, com Jackie Stewart como piloto.  

Quando em 1983, os Turbo dominavam, existiam ainda lugares onde a potência não contava muito, e os circuitos citadinos eram uma espécie de "ultimo reduto". Os McLaren tinham ganho em Long Beach, com os Cosworth e a mesma coisa tinha acontecido com Keke Rosberg, no Mónaco. E em Detroit, paco do GP americano, mesmo que os quatro melhores tenham sido Turbos, Alboreto conseguiu ser sexto, o segundo melhor dos não-Turbo, depois do Arrows de Marc Surer.

Alboreto, que estava na sua segunda temporada completa, tinha ganho alguns meses antes, noutro circuito americano, e era visto como uma das maiores esperanças italianas no automobilismo. Nascido 26 anos antes, a 23 de dezembro de 1956, em Milão, tinha começado a correr em monolugares em 1976, ganhando o Europeu de Formula 3 em 1980 e andado na Endurance, sendo piloto oficial com a Lancia nas 24 Horas de Le Mans. A sua estreia na Formula 1 foi em Imola, quando a Tyrrell lhe deu a chance, no lugar de Ricardo Zunino, que ficara sem dinheiro.

O ano de 1982 foi o de consolidação. Os seus primeiros pontos foram em Jacarépagua, com um quarto posto, e duas corridas depois, o seu primeiro pódio, com um terceiro lugar, atrás dos Ferrari de Didier Pironi e Gilles Villeneuve. Na última corrida do ano, em Las Vegas, ele conseguiu lebar o carro até ao lugar mais alto do pódio, e foi um dos... 11(!) pilotos que trinfaram nessa temporada. 

Em 1983, a equipa só tinha conseguido dois pontos com Danny Sullivan no Mónaco, e o sexto tempo em Detroit era um boa noticia para toda a gente. Na partida, ganhara um lugar com o Ferrari de Tambay parado na grelha, e nas voltas seguintes, os problemas com os carros Turbo fez com que a meio da corrida, especialmente com os problemas com o Ferrari de René Arnoux e o Brabham de Nelson Piquet, ele era segundo. E na volta 50, já comandava a corrida.

No final, ele acabou a conseguir a sua segunda vitória na Formula 1, tornando-se no terceiro piloto mais vencedor da equipa, sendo apenas superado por Jackie Stewart e Jody Scheckter. Rosberg e John Watson, no seu McLaren, que tinha vindo da 21ª posição da grelha (!) compunham o pódio. Todos sem terem motores Turbo, porque eram mais resistentes. Quanto ao italiano, iria ter a sua recompensa: em 1984, seria o primeiro piloto italiano na Ferrari depois de Arturo Merzário, uma década antes.  

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Youtube Formula 1 Vídeo: Porquê a Formula 1 falhou na América


Em 2023, pela primeira vez desde 1982, teremos três corridas americanas no calendário. Miami, Austin - palco do GP americano - e Las Vegas serão palcos da Formula 1, e em duas delas, serão circuitos urbanos desenhados nas ruas dessas cidades. 

A Formula 1 é agora recebida em braços abertos pelos adeptos, graças a programas como "Drive to Survive", que passa na Netflix, a rede de streaming por excelência. Mas há 40 anos, como recordei em cima, a Formula 1 corria em Detroit, Long Beach e Las Vegas, todos circuitos urbanos, e quase impostos por Bernie Ecclestone, que teve uma obsessão de fazer a Formula 1 um desporto americano. E falhou redondamente.

E o melhor exemplo, se quiserem, foi o de Dallas, onde correr em julho... e o asfalto derreteu! Também houve Phoenix em junho, em 1989, onde o asfalto não derreteu... mas houve poucos a acabar aquela corrida. 

Então, agora que tudo está a correr pelo melhor, o Josh Revell está a fazer uma pergunta: porque é que agora deu certo, mas não há 40 anos? Afinal de contas, é o objetivo deste vídeo: explicar os fracassos passados. 

terça-feira, 22 de junho de 2021

A imagem do dia


E a pensar que tudo isto aconteceu por causa de um jogo de futebol.

Em junho de 1986, o mundo estava de olhos postos no México, em pleno Mundial de futebol, e na véspera da corrida, aconteciam os jogos dos quartos de final. Se a Argentina batia a Inglaterra com um golo ilegal de Diego Maradona - que nem o outro golo, considerado com o melhor da história de um campeonato do mundo, o conseguiu olvidar esse outro golo infame - já o Brasil tinha pela frente a França, e ambas eram das melhores equipas do momento. No caso francês, era o atual campeão da Europa, e guiados por Michel Platini, os brasileiros, então treinados por Telé Santana, tinham gente como Zico, Sócrates, Toninho Cerezo e Careca, entre outros.

O jogo fora nivelado, e acabou nos penalties, porque Zico, que teve um penalti a seu favor, permitiu a defesa de Joel Bats, o guarda-redes francês. E claro, nessas coisas, é uma questão de sorte e azar, e a fava caiu no colo dos brasileiros, que tiveram de esperar mais quatro anos para ver se conseguiam o tetra.

Esse jogo aconteceu num sábado, e alguns três mil quilómetros mais acima, nas ruas de Detroit, a Formula 1 estava ali a correr. Os vencedores provocavam os vencidos, e estes queriam ter algo para vingar. E um deles era Ayrton Senna, que tinha sido algo das provocações dos franceses da Renault, que forneciam os motores do seu Lotus.

Ora, ele largava da pole, numa corrida que iria ser complicada. Aguentou a pressão de Nigel Mansell no inicio da corrida, mas depois, na volta 5 falhou uma marcha e deixou que o britânico o passasse. Recuperou três voltas depois, quando Mansell começou a ter problemas nos travões do seu Williams. Ia afastar-se do pelotão quando sofreu um furo lento e teve de ir às boxes, caindo para oitavo. 

Senna voltaria ao comando no final da volta 38 quando Nelson Piquet parou para meter pneus. E as coisas estavam mais aliviadas para ele na volta 42, quando o seu compatriota se despistou e embateu no muro de proteção. E calmamente, caminhou para a meta, conseguindo a sua segunda vitória do ano e quarta da sua carreira. 

No final, alguém deu a Senna uma bandeira brasileira - ou ele pediu - e ele fez o resto da pista com ela na mão. E a grande ironia naquela tarde é que iria subir ao pódio com dois franceses: Jacques Laffite, no seu Ligier-Renault, e Alain Prost, no seu McLaren-TAG Porsche. E de uma certa maneira, ao agitar aquela bandeira, símbolo do orgulho restaurado depois do que acontecera no dia anterior, e ainda por cima, superior a dois pilotos franceses, foi provavelmente a vingança perfeita. E o começo de uma tradição.   

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

No Nobres do Grid deste mês...

No passado dia 15 de outubro, a Formula One Management, através da Liberty Media, e os donos do clube de futebol (americano) Miami Dolphins anunciaram um acordo para receber nos seus terrenos uma corrida na cidade, que fará parte do calendário da Formula 1 a partir de 2021. Caso as autoridades da cidade aprovarem o traçado, que será desenhado nos terrenos do Hard Rock Stadium, o estádio de futebol (americano), será a primeira vez desde 1984 que a Formula 1 terá duas corridas nos Estados Unidos.

Contudo, isto não é a primeira vez que isto acontece. Aliás, houve uma altura na história, entre 1976 e 1984, que a Formula 1 queria correr nos Estados Unidos quantas vezes que fossem possíveis. E em 1981, quando esteve prestes a dividir-se em dois, o calendário "rebelde" tinha a esmagadora maioria das suas provas em território americano. E essa era a obsessão de uma pessoa: Bernie Ecclestone.

Durante muito tempo, os Estados Unidos foram um "eldorado" para todos os promotores desportivos. A maneira como eles conseguem mostrar um espectáculo é admirado, copiado e perseguido pelo resto do mundo, especialmente na parte da gestão desportiva. A NBA, o campeonato americano de basketball, a MLB, a liga americana de baseball, o NFL, a liga americana de futebol (americano), ente outros, são ligas bilionárias, graças aos milhões de adeptos que têm, que proporcionam espectáculos dentro de outros espectáculos, que são os próprios jogos. Mas isso tudo tem um problema: raramente são as modalidades vindos de fora que triunfam. A única grande excepção é a MLS, a liga americana de futebol (europeu), que triunfa porque os americanos são a maior potência... no futebol feminino. Aliás, o nosso futebol na América chama-se "soccer", e a popularidade deste desporto entre as mulheres deu origem à expressão "soccer mom", mães de familia que vão buscar os seus garotos aos jogos de futebol escolares nas suas carrinhas de sete lugares.

Quando falo das excepções sobre as modalidades vindas de fora, digo com alguma autoridade porque, historicamente, a Formula 1 queria marcar a sua presença na paisagem americana. E fez de tudo para conseguir, sem sucesso. Projetos abortados, corridas em parques de estacionamento de casinos, asfaltos que derreteram, e o legado foi pouco mais do que zero. Excepto Long Beach. (...)

Entre 1975 e 1991, a Formula 1 decidiu que a América iria ser o seu eldorado. Graças a Bernie Ecclestone, que a partir de 1978 começou a cuidar dos seus aspectos comerciais, procurou dinheiro das cidades que pretendiam ter um espectáculo tão prestigioso como aquele. Chegou a correr em Detroit, na capital do automóvel, mas ao longo desses anos, as provas aconteciam no meio das cidades, com asfalto que muitas das ocasiões, não aguentava a passagem constante dos carros.

Sítios como Las Vegas, Dallas, Phoenix e Detroit receberam a Formula 1, mas não deixaram saudades nem nos adeptos, nem nos pilotos, apesar de, por vezes, serem palco de disputas de títulos. Poucos eram os espectadores que viam essas corridas e os organizadores saiam com prejuízo. Em dois ou três anos, mudavam-se para a CART, mais barata de se organizar.

E Bernie tinha sonhos maiores, especialmente de correr nas ruas de Nova Iorque. Mas depois de algumas tentativas sem sucesso, em 1983 e 84, e ter voltado à carga em 2012, acabou por ver a Formula E correr onde ele sempre sonhou. E é sobre toda esta relação entre a Formula 1 e os Estados Unidos que falo este mês no Nobres do Grid.

terça-feira, 19 de junho de 2018

A imagem do dia

Pierluigi Martini passando pela estátua do Espirito de Detroit, um dos monumentos icónicos da cidade americana, durante o fim de semana do GP americano de 1988. Há precisamente 30 anos, a Minardi alcançava o seu primeiro ponto da história, graças a um piloto que estava a aproveitar a sua terceira chance de guiar um Formula 1. 

Quando Giancarlo Minardi chamou Martini para correr num dos seus carros no GP dos Estados Unidos de 1988, ele tinha 27 anos e iria ser a sua terceira chance de andar num Formula 1, e as suas duas tentativas anteriores tinham sido um fracasso. 

Nascido a 23 de abril de 1961, Martini tinha chegado à Formula 2 em 1983, devido ao seu talento e aos contactos familiares. Era sobrinho de Giancarlo Martini, piloto de Formula 2 nos anos 70 pela Scuderia Everest, a antecessora da Minardi, e tinha feito duas corridas extra-campeonato... com um Ferrari 312T!

Contudo, na sua primeira experiência na Formula 1, a bordo de um Toleman TG184, foi um desastre. Em Monza, no lugar de... Ayrton Senna, castigado por ter assinado pela Lotus sem o conhecimento do seu patrão, Alex Hawkridge, o piloto italiano não conseguiu se qualificar, enquanto o seu companheiro de equipa, o sueco Stefan Johansson, alcançou o quarto lugar, na mesma prova. Mas isso não o impediu de correr na Minardi quando esta chegou à Formula 1, em 1985. Foi uma temporada de aprendizagem para todos, mas Martini não deslumbrou.

Com isso, foi para a Formula 3000, onde cresceu e amadureceu. Vice-campeão em 1986, estava a correr pela italiana First, quando Minardi o voltou a chamar para o lugar de Adrian Campos, que tinha sido despedido depois de não ter conseguido a qualificação por três das cinco vezes que tinha participado. Martini estava a fazer outra boa temporada na Formula 3000, e estava bem mais maduro do que quase quatro anos antes.


A sua adaptação foi fácil, e causou impacto: 16º na grelha, a melhor até então, na frente dos Ligier e dos Tyrrell, imediatamente abaixo do Arrows de Eddie Cheever. E na corrida o seu objetivo era um: chegar ao fim inteiro. E chegou, numa posição absolutamente inédita: deu à Minardi o seu primeiro ponto na Formula 1. Chegou a rodar em quinto, atrás do Rial de Andrea de Cesaris, mas no final, Jonathan Palmer ficou com o lugar. Mas foi mais do que suficiente para fazer alegrar todos na boxe da Minardi. E a ele mesmo, que provou estar suficientemente maduro para correr na Formula 1.

O resto já se sabe: 18 pontos em 124 Grandes Prémios, quase sempre pela Minardi, e depois, a vitória nas 24 Horas de Le Mans de 1999. Hoje em dia, vive a reforma e correndo com alguns dos chassis da equipa que o colocou no mapa... e que pertencem a ele.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

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No meio das fotos que andava à procura para escrever sobre o GP dos Estados Unidos de 1988, para o site Autoracing, descobri esta fotografia: Ivan Capelli, a sair do seu March, depois de uma forte batida, durante a qualificação da corrida americana.

Capelli acabou por se magoar no pé e não correu na prova, vendo-a do camarote. Tinha-se qualificado, e até vinha de uma boa corrida, onde tinha conseguido os primeiros pontos da temporada, com um quinto lugar.

De uma certa forma, esta fotografia e as suas consequências mostram que aos dias bons, podem aparecer dias maus. E nesse ano, agora sabemos que isso foi um ponto baixo de uma temporada inesquecível para ele e para a March.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Youtube Racing Crash: O acidente... do Pace Car em Detroit

Como contado ninguém acredita, é melhor mostrar as imagens. 

Mas deve dar para dar uma rápida explicação: nas voltas que antecederam a segunda corrida em Belle Isle, em Detroit, o Corvette que serve de Pace Car perdeu o controlo e bateu no muro de proteção, obrigando a interrupção da corrida... ainda antes de começar. O piloto da ocasião era um dos vice-presidentes da GM, encarregado do desenvolvimento dos veículos de performance, como o Corvette. Ou seja... deveria saber da coisa, mas se calhar exagerou.

O carro foi retirado e a corrida recomeçou, com a vitória da Ryan Hunter-Reay, da Andretti Autosport.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

A imagem do dia




Riccardo Paletti, durante o "warn up" do GP de Detroit, em 1982. Pela primeira vez, tinha conseguido a qualificação para um Grande Prémio - fora 23º, imediatamente atrás do seu companheiro de equipa, Jean-Pierre Jarier - e esperava fazer o seu primeiro Grande Prémio da sua carreira, depois de se ter qualificado no boicotado GP de San Marino quando uma das suas rodas traseiras se soltou em plena aceleração, acabando nas barreiras de pneus.

Felizmente, o piloto saiu do carro sem qualquer arranhão, mas não iria correr naquela que iria ser a sua segunda corrida, e o sorriso que tinha ao receber a oferta d e um Marlboro do comissário de pista, talvez mostrava que tinha tido sorte naquele momento. 

Dali a uma semana, essa sorte iria acabar de maneira trágica...

sábado, 30 de maio de 2015

Youtube Motorsport Crash: O acidente de James Davidson em Detroit


A corrida da USSC Tudor Championship em Detroit acabou mal para o Aston Martin 007, esta tarde, quando nos metros finais, após o final da corrida devido à chuva, ele perdeu o controlo e bateu no camião de socorro da organização, que estava a socorrer outro carro. Houve ainda mais um Porsche envolvido, mas o carro guiado por James Davidson foi o que sofreu mais os estragos.

Aparentemente, o piloto nada sofreu, mas aquele acidente faz lembrar as circunstâncias do que aconteceu com Jules Bianchi em Suzuka.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Youtube Motorsport Duel: O final Taylor vs Barbosa em Detroit

O final da corrida da Endurance na pista urbana de Belle Isle foi desafiante e com bastante incerteza entre os irmãos Taylor (Jordan e Ricky), que foram sempre pressionados por outros dois Corvettes, o de João Barbosa (parceirado por Christian Fittipaldi) e o de Richard Westbrok, que fez parceria com Michel Valiante.

Na última volta, o duelo pela vitória era entre Jordan Taylor e João Barbosa, que fez o possivel para o passar. Quando o conseguiu... foi com um toque que fez furar o seu pneu traseiro esquerdo, mas Taylor não ficou aliviado, pois Westbrok partiu para cima dele no sentido de conseguir roubar a vitória em cima da meta, mas não conseguiu. Quanto a Barbosa, ainda cruzou a meta, mas no sexto posto da geral.

O video, narrado pela francesa Motors TV, mostra esses duelos, num final alucinante.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Youtube IndyCar Crash: o "Big One" de Detroit

A IndyCar Series teve este fim de semana algo inédito - e vai acontecer em mais duas ocasiões - de ter um fim de semana duplo, com os pilotos a terem a oportunidade de conseguirem o dobro dos pontos. E em Detroit, Mike Conway e Simon Pagenaud foram os melhores em duas corridas onde acidentes onde curiosamente, ambos venceram pela primeira vez na IndyCar.

E acidentes não faltaram na pista de Belle Isle, tal como este, que aconteceu na segunda corrida, neste domingo. O acidente ocorreu na 28ª volta, e envolveu os carros de - entre outros - Justin Wilson, Will Power, Graham Rahal, E.J Viso, Ryan Briscoe e Ed Carpenter, entre outros. Era a sexta vez que a corrida seria interrompida devido a acidente, e esta foi a que deu mais nas vistas.

Interessante é ouvir a frase de um dos comentadores: "Não se vencem corridas nas relargadas, mas podes perde-las". É uma verdade bem absoluta.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

GP Memória - Estados Unidos 1987

Com três semanas de espaço no calendario entre Mónaco e Detroit, devido à ausência do circuito canadiano de Montreal - devido a profundas obras de remodelação - a Formula 1 só ia ao continente americano por duas vezes, sendo que a segunda passagem, para correr no México, só aconteceria mais lá para o final da época. Sem alterações no pelotão em termos de pilotos inscritos, a batalha nas duas sessões de qualificação foi entre os carros com motores Honda, apesar de este ser um circuito sinuoso e as diferenças entre os primeiros serem um pouco mais esbatidas. 

E no final, Nigel Mansell foi o melhor, superando o Lotus-Honda de Ayrton Senna. Na segunda fila ficou o segundo Williams de Nelson Piquet, seguido pelo Benetton de Thierry Boutsen. Alain Prost, no seu McLaren-TAG Porsche, era o quinto na grelha, segundo pelo Arrows-Megatron de Eddie Cheever. Michele Alboreto, no seu Ferrari, largaria do sétimo posto, na frente do segundo Benetton de Teo Fabi. A fechar o "top ten" estava o Brabham-BMW de Riccardo Patrese e o segundo Arrows-Megatron de Derek Warwick.

O tempo tinha estado instável ao longo do fim de semana, com chuva no sábado à noite e no domingo de manhã, mas na hora da corrida, o asfalto tinha secado o suficiente para que os pilotosa partissem com pneus "slicks". No momento da largada, Mansell foi melhor do que Senna, seguido de Piquet, Cheever, Fabi e Alboreto. Na terceira volta, Piquet travou demasiado tarde numa curva e sofreu um furo que o atrasou e o levou às boxes, promovendo Cheever à terceira posição.

Contudo, o piloto americano estava a ser pressionado pelo Benetton de Fabi e na volta sete, o italiano tentou ultrapassá-lo numa manobra que correu mal. O piloto da Benetton arrancou-lhe o nariz, enquanto que o o da Arrows acabou nas boxes, para novos pneus. Cheever voltou à pista com uma volta de atraso, mas no caso de Fabi, os estragos foram demasiadamente grandes para ele continuar na corrida.

Na frente, Mansell tinha Senna na sua traseira, mas após uma travagem mal calculada, o brasileiro decidiu abrandar o seu ritmo, já que tinha mais de vinte segundos de avanço sobre Alboreto. As coisas mantiveram-se assim até à volta 25, quando a caixa de velocidades do italiano quebra e o lugar é entregue a Alain Prost. Na volta seguinte, Senna volta à carga e vai atrás de Mansell, que começa a ter problemas fisicos, pois sofria de cãimbras na sua perna direita. Abranda o ritmo, para ver se passavam as dores, e Senna aproveitou para se aproximar.

Na volta 34, Mansell vai às boxes, mas a sua paragem é demasiado longa - 18 segundos perdidos! - e Senna aproveita para ficar com o primeiro lugar. Ainda por cima, na mesma volta, Prost também vai para as boxes. Na frente, Senna realizava que o seu jogo de pneus era melhor do que esperava, e decidiu não parar até ao fim.

Mansell voltara à pista, mas estava a ficar exausto. Pensou varias vezes em desistir, mas decidiu continuar, mesmo sabendo que estava a perder tempo em pista. Atrás, Piquet recuperava posições atrás de posições, e na volta 53, chegou-se ao pé de Mansell e ficou com o segundo posto. Pouco depois, Prost fez-lhe a mesma coisa, e na volta 56, foi a vez do Ferrari de Gerhard Berger ficar com o quarto posto.

Nas voltas finais, os céus ficaram cinzentos e ameaçavam chuva, mas não o suficiente para baralhar a classificação. Assim, Senna vencia pela segunda vez consecutiva na temporada, seguido por Nelson Piquet e Alain Prost. Gerhard Berger era o quarto, seguido por Nigel Mansell - que apesar dos problemas fisicos, chegara ao fim - e o Arrows de Eddie Cheever, que apesar de ter ficado sem gasolina na última volta, conseguira o último ponto disponivel.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

GP Memória - Detroit 1982

Duas semanas depois do atribulado final no GP do Mónaco, máquinas e pilotos rumavam para a América do Norte, após dois meses de ausência, para a segunda das três visitas que iriam fazer aos Estados Unidos naquele ano. Desta segunda viagem, esta iria durar mais algum tempo, pois ainda iria haver uma passagem pelo Canadá, dali a uma semana.

Na Ferrari, por fim, arranjou-se um substituto para o falecido Gilles Villeneuve: iria ser o francês Patrick Tambay. Contudo, o piloto francês estava retido com os seus compromissos na Can-Am, competição no qual se tinha mudado no final da temporada anterior, depois de meia temporada ao serviço da Ligier, logo, não estaria disponível para correr nas etapas americanas. Quem não estava em Detroit era a Toleman, que decidira não aparecer nas duas corridas americanas para poder desenvolver o carro da melhor maneira possivel. 

Quanto à Theodore, de Teddy Yip, teve o seu fim de semana encurtado quando o holandês Jan Lammers bateu com o seu carro na parede e fraturou o seu polegar direito, impedindo-o de correr naquele final de semana. 

Detroit era uma nova pista desenhada nas ruas da cidade que era conhecida como a "Motor City". Era relativamente pequena, com habituais curvas a 90 graus, e a sua velocidade média garantia ser relativamente baixa. Esperava-se muito publico, quer local, quer o que provinha do Canadá, que distava apenas... do outro lado do rio, pois é uma cidade de fronteira. O circuito era, como seria de esperar, desconhecido para todos, mas quando começaram a guiar por lá, viram que era demasiado estreito. E para piorar as coisas, houve atrasos na colocação dos muros de proteção, tanto que a sessão extra, prevista na quinta-feira, teve de ser cancelada e a de sexta feira adiada. As duas sessões de qualificação tiveram de acontecer no sábado.

O fim de semana esteve incerto, chovendo no sábado pela tarde. E quem não conseguisse marcar um tempo decente na sessão da manhã, estava condenado na sessão seguinte. E foi o que tinha acontecido a Nelson Piquet, para espanto e algum escândalo dos que acompanhavam. O piloto da Brabham, campeão do mundo em título, tivera um acidente na primeira sessão, e quando quis marcar um tempo decente, a chuva fez a sua aparição. Assim sendo, o piloto brasileiro não iria participar na corrida americana.

E quem fez a pole-position foi Alain Prost, que a bordo do seu Renault, tendo a seu lado o Alfa Romeo de Andrea de Cesaris. Na segunda fila estavam o Williams-Cosworth de Keke Rosberg e o Ferrari de Didier Pironi, enquanto que na terceira estava, de forma surpreendente, o ATS do alemão Manfred Winkelhock e o segundo Alfa Romeo de Bruno Giacomelli. Nigel Mansell e Elio de Angelis monpoloizaram a quarta fila com os seus Lotus, e a fechar o "top ten" estavam o Ligier-Matra de Eddie Cheever e o McLaren de Niki Lauda.

Alguns pilotos tiveram más colocações, como o vencedor do Mónaco, Riccardo Patrese, que era 14º na grelha, imediatamente na frente do Renault de René Arnoux, o 15º e o McLaren de John Watson, o 17º.

No dia de corrida, o tempo estava bom e com calor, e no momento da partida, Prost largou melhor que De Cesaris e Rosberg, mas atrás, havia confusão, com o March de Raul Boesel, o Osella de Riccardo Paletti e o Arrows de Mauro Baldi a ficarem de fora. Mas os estragos continuariam a seguir, com Winkelhock a retirar-se na segunda volta com um despiste devido a uma suspensão quebrada, enquanto que alguns metros mais adiante, De Cesaris retirava-se com a transmissão do seu Alfa Romeo destruida.

Na sexta volta, houve mais confusão na pista, quando De Angelis tentava passar o Ensign de Roberto Guerrero na primeira curva. Ambos colidiram, e enquanto que o italiano pode continuar, o carro do colombiano ficou parado no meio da pista, fazendo com que o Brabham de Riccardo Patrese acabasse por bater no Ensign, arrancando uma roda e indo parar na barreira de pneus, pegando fogo. O diretor de corrida não teve outra hipótese que agitar a bandeira vermelha e parar a corrida por cerca de uma hora.

Com os carros recolhidos e a pista limpa, deu-se nova largada, com Prost a manter a liderança, apesar dos ataques de Rosberg e Pironi. O francês começou a distanciar-se até ter cerca de cinco segundos de vantagem sobre o finlandês da Williams, mas na volta 21, o Renault começou a apresentar problemas com a sua injeção eletrónica. Rosberg aproximou-se e na volta seguinte, após uma manobra que o colocou um pouco fora da trajetória ideal, o finlandês passou para a liderança. Pouco depois, o francês foi às boxes, deixando o segundo lugar numa briga às mãos de quatro pilotos: Pironi, Giacomelli, Cheever e Lauda, com o segundo McLaren de Watson mesmo atrás, depois de uma partida fulgurante, da 17ª posição.

Pouco depois, Watson decidiu passar todos eles o mais depressa possivel, e o primeiro deles foi Giacomelli, na volta 30. Mas o italiano contra-atacou, numa manobra que acabou com um toque entre os dois e com o Alfa Romeo a acabar no muro. Sem estragos no seu McLaren, Watson continuou, e em pouco tempo, passou Lauda, Cheever e Pironi, para acabar no segundo lugar na volta 35. A partir daqui, passou ao ataque de rosberg, que parecia estar inalcançável, pois tinha 15 segundos de vantagem.

Só que pouco depois, Rosberg ficou sem a terceira velocidade, e o piloto da McLaren apanhou-o rapidamente. Na volta 37, Watson passou-o facilmente, e o finlandês tentou andar o mais perto possivel dele, mas os problemas com a caixa de velocidades agravaram-se, bem como os seus pneus estavam cada vez mais gastos, e gradualmente, foi apanhado pelo grupo perseguidor, agora liderando por Lauda. Este tentou passar Rosberg na volta 40, mas falhou a travagem para a curva 1 e bateu no muro.

Com o passar do tempo, e a lenta velocidade média por volta, chegou-se rapidamente ao limite das duas horas. Este foi alcançado quando os carros faziam a 62ª passagem pela meta, catorze antes do previsto, a bandeira de xadrez foi mostrada, com Watson a comemorar a sua vitória pela segunda vez na temporada, e a ser o lider do campeonato. Eddie Cheever foi o segundo, o seu melhor resultado de sempre, e o Ferrari de Didier Pironi completou o pódio. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram os Williams de Keke Rosberg e de Derek Daly, e o segundo Ligier de Jacques Laffite.   

quarta-feira, 22 de junho de 2011

GP Memória - Estados Unidos 1986

Uma semana depois de Montreal, máquinas e pilotos estavam em Detroit para correrem no GP dos Estados Unidos, realizado naquele circuito urbano. Após a corrida canadiana, a Arrows tinha por fim Christian Danner no seu carro, em substituição de Marc Surer, acidentado três semanas antes, enquanto que na Osella, no lugar de Danner vinha o canadiano Alan Berg. Na Lola-Haas, com Patrick Tambay ainda a recuperar das lesões, Carl Haas foi buscar o americano Eddie Cheever, que não tinha contacto com um Formula 1 desde que a Alfa Romeo tinha fechado as portas, no final do ano anterior.

Contudo, Cheever não era a escolha inicial de Carl Haas, que queria Mario Andretti. Só que a FISA decidiu não lhe conceder uma Super Licença, devido a um feudo que tinha com a CART, a organizadora do campeonato americano. Mas mesmo assim, a escolha de Cheever era acertada.

Na qualificação, Ayrton Senna fez o costume, conseguindo a pole-position por mais de meio segundo de diferença para o segundo classificado, o Williams de Nigel Mansell. Nelson Piquet foi o terceiro, seguido pelo Ligier de René Arnoux. Na terceira fila estavam o Ferrari de Stefan Johansson e o segundo Ligier de Jacques Laffite, para na quarta fila ficarem o McLaren-TAG Porsche de Alain Prost e o Brabham-BMW de Riccardo Patrese. Para fechar o "top ten" estavam o segundo McLaren de Keke Rosberg e o Lola-Haas de Eddie Cheever.

O dia estava quente, mas nublado e com possibilidades de chuva. Na largada, Senna ficou na frente seguido por Mansell, Arnoux e Piquet. As coisas continuaram assim até à terceira volta, altura em que o brasileiro falha uma marcha e Mansell aproveita a oportunidade para ascender à liderança da corrida. Nas duas voltas seguintes, o britânico tentou afastar-se, mas depois começou a debater-se contra problemas nos travões, que o impediram de ganhar avanço. Assim, Senna aproximou-se de Mansell e no final da oitava volta estava de novo na liderança.

Assim, Senna afastou-se do resto do pelotão, mas na volta 13 descobriu que tinha um pneu a esvaziar-se e teve de fazer uma paragem não programada na boxe. Caiu para o oitavo posto, entregando a liderança a Arnoux, depois de ter passado Mansell. Mas ficou lá apenas por três voltas, pois foi também às boxes trocar de pneus, e cedeu a liderança ao seu companheiro Jacques Laffite. Este, aos 42 anos, tornava-se num dos pilotos mais velhos de sempre a fazê-lo desde 1970.

Atrás, Senna começava a recuperar terreno. Em quatro voltas tinha passado Alboreto, Johansson e Arnoux, e na volta 28 já tinha passado Alain Prost e era quinto. Na volta 31 passara Mansell, e ao mesmo tempo que Laffite ia parar para colocar pneus novos, Senna chegava ao segundo posto, atrás de Piquet.

As coisas mantiveram-se assim por mais oito voltas até que o brasileiro da Williams parou para meter pneus novos, fazendo com que Senna voltasse à liderança. Mas a paragem de Piquet foi demasiado demorada, e ele quando voltou à pista tentou recuperar o tempo perdido. Na volta 42, Piquet puxou demais e bateu na curva antes da chicane anterior à meta, deixando o seu carro por ali, pois a grua não era capaz de o tirar dali. Numa posição precária, exposta a outros carros, colcoaram bandeiras amarelas para assinalar a posição. Só que na volta 46, o Ligier de Arnoux passou ali demasiadamente alargado, e bateu no Williams abandonado. Sem estragos de maior, Arnoux volta à pista, mas no preciso momento em que passava o Arrows de Thierry Boutsen! Na colisão resultante, ambos abandonaram.

Assim, Senna levou o seu carro sem problemas para a meta, vencendo a sua segunda corrida do ano. Jacques Laffite herdou o segundo lugar do acidentado Arnoux e dos problemas de travões que Prost sofreu na parte final da corrida, sendo relegado para o terceiro lugar. Michele Alboreto, Nigel Mansell e Riccardo Patrese, no seu Brabham-BMW, ficaram com os restantes lugares pontuáveis.

Fontes:

http://www.grandprix.com/gpe/rr427.html
http://en.wikipedia.org/wiki/1986_United_States_Grand_Prix

domingo, 1 de maio de 2011

Ayrton Senna e as vitórias nos circuitos de rua

"Das 41 vitórias que Ayrton Senna teve ao longo da sua carreira de onze temporadas, treze delas aconteceram em circuitos citadinos. Senna conseguiu vencer em todos os carros que andou, exceto na Toleman e Williams. O Mónaco é o circuito mais óbvio, pois foi nesse circuito de rua que Senna conseguiu erguer grande parte do seu mito, vencendo por seis vezes entre 1987 e 1993. Mas houve outros circuitos de rua onde Senna conseguiu vencer, como Detroit, Phoenix e Adelaide, na Austrália. Aliás, foi no circuito australiano que conseguiu a sua 41ª e última vitória, em 1993, ao serviço da McLaren."

É assim que começa o artigo de hoje no Pódium GP. No dia em que se lembram os dezassete anos do desaparecimento de Ayrton Senna, as vitórias nos circuitos urbanos são uma parte importante da sua carreira, sendo que alguns dos seus grandes feitos aconteceram em pistas de cidade. O seu primeiro grande momento foi no Mónaco, em 1984, onde ainda na Toleman, consegue chegar ao segundo posto numa corrida marcada pela chuva.

O Mónaco será o palco mais meritório de Senna. Vencerá seis vezes, cinco delas consecutivamente, e a vitória de 1992 é a mais lembrada pelo fato de ter "caido do céu", onde aproveitou um azar de Nigel Mansell com uma das suas rodas e o fato de Senna ter defendido o seu primeiro lugar nas últimas cinco voltas da corrida, conseguindo na altura igualar o recorde de Graham Hill. E no ano seguinte, conseguia superá-lo, um recorde que se mantêm até hoje.

Mas é também num circuito citadino que Senna conseguiu a sua última vitória. Foi em 1993, e aquilo marcava o final de uma era. O seu grande rival, Alain Prost, retirava-se e ele iria para o seu lugar na Williams, e claro, era a última corrida pela McLaren. No final da corrida, e num gesto de desportivismo, saudou o seu grande rival, pois sabia-se que os dois não correriam mais um contra o outro. E assim foi.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

GP Memória - Estados Unidos 1985

Na semana em que passou entre as corridas canadiana e americana, a FISA tinha remarcado o GP da Belgica para o dia 9 de Setembro, uma semana depois do GP de Itália, dando tempo aos organizadores para colocar uma nova capa de asfalto, já que o outro, demasiado frágil, tinha sido danificado num só dia. Entretanto, Carl Haas, dono da nova equipa americana na Formula 1, anunciava que tinha assinado um acordo com a Ford para ter motores turbo, preparados pela Cosworth.

O ano de 1985 tinha uma particularidade no panorama da Formula 1: pela primeira vez em dez anos, só haveria uma corrida em solo americano, depois das passagens por pistas como Long Beach, Watkins Glen, Las Vegas e Dallas, duas e até três vezes por ano, numa tentativa da Formula 1 ser mais popular nas terras do Tio Sam, que tinham nesse ano como presidente... um antigo actor de Hollywood.

Na qualificação, continuou o espectáculo da Lotus, com Ayrton Senna a ser o melhor, tendo a seu lado o Williams-Honda de Nigel Mansell. Na segunda fila estavam o Ferrari de Michele Alboreto e o McLaren-Porsche de Alain Prost, enquanto que o segundo Williams-Honda, de Keke Rosberg, era o quinto a partir. Derek Warwick era o sexto, no seu Renault, à frente do Alfa Romeo de Eddie Cheever e do segundo Lotus de Elio de Angelis. A fechar o "top ten" estavam o segundo Ferrari de Stefan Johansson e o Brabham-BMW de Nelson Piquet.

O dia da corrida amanheceu com céu limpo e calor, mas muito vento. No momento da largada, Senna menteve a liderança, mas atrás, Keke Rosberg tem uma excelente largada, passando de uma só vez os carros de Mansell, Prost e Alboreto, que largou mais lento do que o resto do pelotão. Nas voltas seguintes, Senna lutou contra um mau jogo de pneus, e rosberg aproveitou a oportunidade para chegar à liderança no final da oitava volta. Pouco depois trocou de pneus e ficou pelo meio do pelotão.

O finlandês abriu uma vantagem sobre o resto do pelotão, mas cedo começou a ter problemas devido aos papéis que ficavam colados no seu radiador. Por esta altura, os Williams-Honda tinham as duas primeiras posições, mas na volta 20, uma volta depois de Prost ter tido problemas de travões e bater no muro, Mansell sofre um pião e foi ultrapassado por De Angelis, que algumas voltas antes tinha passado Prost e Alboreto. O "brutânico" voltou à pista, mas seis voltas mais tarde sofreu novo despiste e ficou-se por ali.

Com isto, Rosberg continuava na liderança, apesar dos problemas. De Angelis aproximava-se rapidamente, mas quando dobrava pilotos atrasados, um deles tocou-lhe na asa dianteira e teve de ir às boxes fazer a respectiva substituição. Isso deixou Alboreto e johansson nos lugares seguintes, com o Tyrrell de Martin Brundle no quarto posto. Algo surpreendente, para um carro ainda com motor Cosworth...

Mas na volta 30, essa boa corrida acaba quando o RAM de Philipee Alliot não o vê e bate forte nele, deixando os Ferraris um pouco mais sozinhos. Entretanto, mais atrás, Senna fazia uma boa recuperação e já estava na zona dos pontos, à frente do outro Tyrrell de Stefan Bellof. Cedo o brasileiro o ultrapassou e foi em busca de Alboreto, que já tinha sido ultrapassado por Johansson. Mas num circuito como o de Detroit, onde os pneus se desgastam rapidamente e os travões são fortemente solicitados, cedo ou tarde acontecem os despistes devido às falhas do material. Na volta 53, quando Senna já estava em cima de Alboreto, pelo terceiro lugar, o brasileiro da Lotus bate na barreira de pneus e ficou-se por ali.

Com isto, e com Rosberg mais à vontade, depois de tirar os papéis que se acumulavam no radiador, o finlandês rumava à vitória na corrida americana, a primeira do ano para ele e para a Williams, à frente dos Ferraris de Johansson e Alboreto. O Tyrrell de Stefan Bellof, o Lotus-Renault de Elio de Angelis e o Brabham-BMW de Nelson Piquet ficaram com os restantes lugares pontuáveis.

Fontes:

http://www.grandprix.com/gpe/rr410.html
http://en.wikipedia.org/wiki/1985_United_States_Grand_Prix

quarta-feira, 24 de junho de 2009

GP Memória - Detroit 1984

Uma semana depois de Montreal, no Canadá, a Formula 1 atravessava a fronteira e fazia a primeira das suas duas duas corridas marcadas em solo americano, nomeadamente no circuito citadino de Detroit, que albergava pela terceira vez consecutiva o GP dos Estados Unidos.


Nestes sete dias passados, havia três regressos no pelotão: o francês Patrick Tambay tinha recuperado dos seus ferimentos numa das pernas e voltava a conduzir o seu Renault, o italiano Teo Fabi estava de volta ao seu Brabham, depois do seu irmão Corrado Fabi ter corrido na Canadá, e o inglês Jonathan Palmer voltava ao volante do seu RAM, depois de ter preferido correr as 24 Horas de Le Mans a fazer o GP canadiano.


Depois da performance dominadora da Brabham-BMW no Canadá, esperava-se que isso tivesse a mesma continuidade na capital do automóvel americana, e assim foi: Nelson Piquet fez a pole-position, a quarta do ano. Ao seu lado, o piloto brasileiro tinha o McLaren-TAG Porsche de Alain Prost. Na segunda fila ficavam o Lotus-Renault de Nigel Mansell e o Ferrari de Michele Alboreto. O segundo Lotus-Renault de Elio de Angelis era o quinto a partir, logo seguido pela Renault de Derek Warwick. O “rookie” Ayrton Senna continuava a mostrar-se no seu Toleman-Hart e tinha conseguido o sétimo tempo, o melhor lugar na grelha até então. Ao seu lado tinha o “local” Eddie Cheever, no seu Alfa Romeo, e a fechar o “top ten” estavam o segundo Renault de Patrick Tambay e o McLaren – TAG Porsche de Niki Lauda. Numa lista com 27 inscritos em 26 lugares, a fava saiu ao Spirit do holandês Huub Rothengarter.


O dia da corrida, 24 de Junho de 1984, amanheceu sob céu limpo e temperatura amena. Isso fez com que mais de 80 mil pessoas tivessem comparecido para ver a corrida nas ruas de Detroit. Mas a partida tornou-se num caos: Piquet e Prost largam lentamente, e Mansell é mais rápido do que os dois e tenta encontrar um espaço onde possa ultrapassar. Só que não consegue e provoca uma carambola. Bate na traseira de Prost, e o carro atinge também o Brabham de Piquet e o Ferrari de Alboreto, causando ainda mais confusão. Uma das rodas do Brabham atinge o Toleman de Senna, quebrando a suspensão frente esquerda. Para piorar as coisas, do fundo da grelha, o Arrows de Marc Surer vê o carro do brasileiro e não consegue evitar bater no carro dele. Inevitavelmente, a corrida é interrompida.


Piquet, Senna, e Alboreto correram para os seus carros reserva, enquanto que Surer ficava apeado porque a equipa não tinha carro-reserva para ele. Passada meia hora, e limpa a pista dos carros que ficaram danificados, nova partida foi dada. Desta vez, tudo correu bem, e Piquet manteve a liderança, seguido de Prost e Mansell. No final da primeira volta, Alboreto era quarto, á frente de Cheever, Warwick, De Angelis e Lauda.


Nas voltas seguintes, Piquet distancia-se de Prost, que se debatia com problemas de aderência dos seus pneus, e foi ultrapassado na volta dez por Mansell. Logo a seguir, o piloto inglês tentou ir buscar Piquet, mas este estava inalcançável, tal como aconteceu no Canadá uma semana antes, continuou assim até ao final da corrida.


Mais atrás, era uma questão de sobrevivência: Na volta 20, Senna despista-se contra a barreira de pneus e abandona, e sete voltas mais tarde, é a vez de Mansell ficar sem a segunda velocidade e abandona de imediato. Poucas voltas mais tarde, na volta 33, é a vez de Niki Lauda ficar parado na pista devido a problemas eléctricos. Com estes abandonos, a meio da prova as pessoas ficam surpreendidas em ver os Tyrrell-Cosworth de Martin Brundle e Stefan Bellof a entrar na zona dos pontos. Era a primeira vez este ano que ambos os carros, ainda aspirados, estavam em condições de acabar bem colocados! Mas ainda na volta 34, Bellof bate e desiste. Nessa altura, os seius primeiros eram, depois de Piquet, o Ferrari de Alboreto, o Lotus de De Angelis, o Williams de Keke Rosberg, o Renault de Warwick e o Tyrrell de Brundle.


Pouco depois, Warwick passa Rosberg e De Angelis e fica com a terceira posição, e passa ao ataque para apanhar Alboreto na segunda posição. Essa cavalgada termina na volta 40, quando fica sem caixa de velocidades. No seu lugar fica Rosberg, que desiste sete voltas depois, sem Turbo. E duas voltas de pois, foi o motor Ferrari de Michele Alboreto que explode e encomenda a alma ao seu Criador.


E desta razia, sobrevivia Piquet, que continuava na frente, sozinho, numa luta contra o relógio. Agora a seguir vinha De Angelis, que era ameaçado por… Brundle! O italiano tinha problemas de caixa, e o inglês aproveitava para ganhar tempo. Na volta 56, passa para o segundo posto e vai atrás de Piquet. No final, fica colado na traseira do Brabham, mas o brasileiro mantêm a calma e termina a corrida como vencedor, seguido pelo piloto da Tyrrell e De Angelis. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o segundo Brabham de Teo Fabi, o McLaren de Alain Prost e o Williams de Jacques Laffite.


Fontes:


http://en.wikipedia.org/wiki/1984_Detroit_Grand_Prix
http://www.grandprix.com/gpe/rr396.html