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sábado, 22 de agosto de 2015

Youtube Motorsport Crash: O acidente de Daniel de Jong na GP2


Os campeonatos de acesso à Formula 1 parece que se estão a tornar-se numa espécie de luta para ver quem será o primeiro a matar o seu colega de equipa, pois os acidentes são sempre fortes. O melhor exemplo foi o que aconteceu esta tarde na corrida da GP2, quando Pierre Gasly e Daniel de Jong tocaram-se na zona de Stavelot, com o piloto holandês a ir direito para o muro de pneus, embatendo a alta velocidade.

Felizmente, ele está bem, mas o acidente quase fez lembrar aquele que Luciano Burti sofreu em 2001...

quarta-feira, 6 de maio de 2015

O futuro das transmissões televisivas

Bernie Ecclestone é um notório cético da Internet, e nunca perde tempo em aproveitar oportunidades para o denegrir, mas há quem pense para além disso, porque vê os exemplos de outras categorias. Hoje, soube-se que a Tata Comunications irá transmitir por streaming as corridas da GP2, GP3 e da Porsche SuperCup para serem vistas na Net. E o que isso tem a ver com a Formula 1? Tudo. São as corridas de suporte do fim de semana.

O anuncio pode ser lido no site do jornalista britânico James Allen, e isso poderá significar que poderemos estar a ver o principio da ideia de que a Formula 1 transmitirá, dentro em breve, as suas corridas em streaming, tal como fazem a grande maioria das categorias automobilisticas. Por exemplo, a Moto GP ou a WEC já transmitem as suas corridas por streaming pelos seus próprios canais. Isto vêm após gostos mais simbólicos no inicio deste ano, como a criação de um canal do Youtube e aplicações para telemóvel. 

Contudo, isto já vem de trás, mais concretamente de 2012, quando a FOM assinou um acordo com a Tata Comunications no sentido de transmitir o sinal da Formula 1 diretamente para os canais televisivos, com a possibilidade de, no futuro, criar o seu próprio canal de televisão e abraçar a Internet nesse sentido. Nessa altura, Eddie Baker, então o chefe de operações da FOM, afirmou que era "o momento mais significativo da formula 1 desde o advento dos satélites".

Depois, desenvolveu: "Isso dá-lhe [a Ecclestone] a capacidade de ser capaz de fazer o que ele quiser, pois os direitos de promoção são direitos sem limitações. Isso significa que ele pode avaliar todas as oportunidades, pode reagir a cada oportunidade, ele pode mover-se com os tempos em talvez de uma maneira do qual não fomos capazes de fazer no passado.

Claro que a distribuição direta não virá de graça: Ecclestone amealhou a sua enorme fortuna graças aos direitos televisivos, e estes, a acontecer, virá com um "paywall" do qual as pessoas pagarão um pacote por uma data de corridas. E não será barato. Mas há vantagens ao ter a Formula 1 num só canal, para além da transmissão direta e sem intermediários. E se o "paywall" for comportável em termos das bolsas do espectador médio, é algo do qual só terá vantagens, e estará de acordo com os tempos. A parte chata é que quem poderão sair a perder serão os canais de televisão especializados...

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

As novas polémcias da nova Super-Licença

Para quem não sabe, a FIA divulgou hoje os critérios para a atribuição das Super-Licenças que entrará em vigor a partir de 2016. E já deu polémica. A razão? Têm a ver com o sistema de pontuação, que privilegia uma competição... que ainda não existe.

De acordo com a Autosport britânica, as novas regras servem para impedir que cheguem à Formula 1 pilotos demasiado novos e pouco experientes em monolugares, como Max Verstappen, que se estreará este ano na Formula 1 com 17 anos, sendo o mais novo de sempre a fazê-lo. Para além de estabelecer um limite minimo de 18 anos para que os pilotos possam mostrar-se na categoria máxima do automobilismo, a FIA colocou um sistema de pontos do qual privilegia a Formula 2, que está inativa... desde 2012.

Os detalhes ainda não são conhecidos, mas aparentemente, um piloto teria de tirar um minimo de 40 pontos nas últimas três temporadas para poder ter direito à Super-Licença. A Formula 2 irá ter a primazia em relação à GP2 (o vencedor terá 60 pontos, contra os 50 da GP2), à Formula 3 europeia e à World Series by Renault. E essa última categoria, do qual a Red Bull está a meter todos os seus pilotos da formação (em detrimento da GP2) está apenas no sétimo lugar, sendo preterida pela IndyCar e pelo Mundial de Endurance. Contudo, mesmo nessa categoria, apenas contará a LMP1, onde têm os carros de fábrica, acabando por matar à nascença a categoria LMP3, que estaria a ser feita para ajudar competições em desenvolvimento, bem como os jovens pilotos na Endurance.

É claro que caso estes critérios vão para adiante, as coisas se modificarão bastante. A WSR terá provavelmente os dias contados, pois o esvaziamento será inevitável, da mesma forma que aconteceu aos campeonatos nacionais de Formula 3, que desapareceram quando a Formula 3 europeia voltou em força, a partir de 2012. E se a britânica não se vai realizar mais, pela primeira vez em 50 anos, ainda resistem campeonatos nacionais como o alemão e campeonatos regionais, como a Formula 3 Open, de base espanhola.

Em constraste, a Formula 2, quando voltar - se voltar - estará cheia de pilotos ambiciosos e com dinheiro nos bolsos, ansiosos para alcançar a categoria máxima do automobilismo. E talvez a GP2 tenha ganho uma oportunidade para se redimir, depois de nos últimos anos ter virado uma categoria de vacas leiteiras, com pilotos cheios de dinheiro nos bolsos, mas sem talento algum, pouco (ou nada) aproveitados pela Formula 1. 

Dito isto, se os critérios fossem cumpridos já este ano, Max Verstappen não teria direito a guiar um Formula 1, pois ele foi apenas o segundo classificado no campeonato de Formula 3, logo, teria de ficar mais uma temporada noutra categoria de acesso. 

Para piorar as coisas, ainda não se sabe quando é que a Formula 2 irá regressar ou se a FIA terá algum plano para isso, já que a última temporada aconteceu em 2012, com promessas de que poderia regressar em 2014. Só que estamos em 2015, e ainda não há planos. Aliás, bem pensado, só agora é que voltei a ouvir falar da Formula 2...

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Noticias: Felipe Nasr será piloto da Sauber

Afinal, não será Giedo van der Garde, mas sim Felipe Nasr. A imprensa brasileira está a anunciar esta quarta-feira que o piloto de 22 anos, vice-campeão da GP2 este ano, será piloto da Sauber na temporada de 2015 graças ao dinheiro do Banco do Brasil.

Estarei oficialmente participando da Formula 1 com a Sauber”, anunciou Felipe no Jornal Nacional, da Rede Globo. “É um sonho que acaba de se realizar. Se olhar o Felipe Massa, o Kimi Räikkönen também entraram na Formula 1 pela Sauber e tiveram a oportunidade de crescer”, avaliou. Segundo se conta, os valores do contrato poderão estar a rondar os 20 milhões de euros, o que será maior do que o que traz Marcus Ericsson, que aparentemente trará cerca de 15 milhões.

Nascido a 21 de agosto de 1992 em Brasilia, Nasr começou a correr no karting aos sete anos, passando para os monolugares em 2008, correndo na Formula BMW, primeiro na versão americana, e em 2009, na versão europeia, onde acabou por vencer. Em 2010, passou para a Formula 3 britânica, onde venceu no ano seguinte, ao serviço da Carlin, batendo o seu companheiro de equipa, o dinamarquês Kevin Magnussen.

Em 2012, passa para a GP2, onde começou na DAMS, conseguindo quatro pódios e o décimo lugar no campeonato. No ano seguinte, muda-se para a Carlin, onde consegue cinco pódios e o quarto lugar na classificação geral. Mas vai ser em 2014 que as coisas melhoram, sendo piloto de testes da Williams, enquanto que continuando na Carlin, consegue quatro vitórias e mais cinco pódios, terminando o ano como vice-campeão, sendo batido apenas por Joylon Palmer.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Noticias: Sauber dispensa Robin Frijns

A Sauber anunciou que iria dispensar os serviços do jovem piloto holandês Robin Frijns, fazendo com que ele já não esteja mais na equipa a partir deste GP de Itália. A decisão da equipa suiça prende-se com a atual situação financeira, que é má, e também pelo facto dos seus novos financiadores, vindos da Rússia, quererem que venha para o cockpit da equipa o jovem Serguei Sirotkin, de 18 anos, que este ano está na World Series by Renault e que desejam que seja piloto da marca a partir de 2014.

Apesar de não estar feliz com a situação, o piloto holandês compreendeu a posição da marca de Hinwill: “Eu não sei o que vai acontecer, só sei que eu estarei em casa, enquanto todo mundo estará em Monza. Sou um agente livre agora. Não os culpo, eles [Sauber] precisam se manter vivos, eu entendo”, ressalvou o piloto holandês.

"Para agora, não tenho planos, O mais importante é que estou livre e posso fazer o que quiser. Espero que alguém me dê uma chance de mostrar do que sou capaz", encerrou.

Frijns, atualmente com 22 anos, correu este ano em doze corridas do campeonato da GP2 pela Hilmer Racing, vencendo em Barcelona. Contudo, ele foi dispensado a meio da temporada, praticamente pelas mesmas razões: “Ajudei a Hilmer a conquistar a primeira vitória na GP2, um feito do qual me orgulho muito. Tirando isso, foi um ano terrível”, afirmou. 

Antes disso, a sua carreira está recheada de títulos: em 2010, venceu a Formula BMW Europe, e no ano seguinte, a Eurocup Formula Renault 2.0. Em, 2012, tinha saído também campeão na World Series by Renault, ao serviço da Fortec, batendo o francês Jules Bianchi. E na altura, rechaçou uma oportunidade de correr na Red Bull Junior Team, tendo o lugar ido parar ao português António Félix da Costa

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Os desabafos e as polémicas do GP do Mónaco da GP2

A batida causada por Johnny Cecotto Jr. na partida do GP do Mónaco da GP2 esta tarde, e que colocou doze carros fora de prova na curva de Ste. Devôte, causou consequências. A organização decidiu suspender o piloto venezuelano por uma corrida, considerando-o como o culpado da situação, e os outros pilotos decidiram soltar o verbo. Joylon Palmer, filho de Jonathan Palmer, desabafou no Twitter: "Colocado fora da corrida, na primeira curva, por idiotas. Completamente arrasado. Em breve, prefiro largar do pitlane a largar perto do Cecotto".

Só que nem todos os pilotos elogiam o trabalho da organização da GP2. Robin Frijns, por exemplo, reclamou no seu Twitter: "É uma piada que alguns pilotos puderam recomeçar e eu não. Porque tive um furo? A organização não fez hoje um bom trabalho..."

Já há muito tempo que se questiona a fogosidade destes pilotos nas categorias de acesso à Formula 1, só que os desabafos dos pilotos nas redes sociais como o Twitter me fazem pensar se há alguma bipolaridade ou é apenas as maluquices de alguns pilotos com mais chumbo no pé do que cérebro...

Veremos. E espero que Cecotto Jr. tenha aprendido a lição.

Youtube Racing Crash: O acidente da GP2 no Mónaco


Mónaco é sempre complicado de guiar, e então, quando os carros abordam a Ste Devôte, logo a primeira curva do circuito, o perigo de carambola tende a ser pior. Foi o que aconteceu hoje na primeira corrida da GP2, quando catorze carros se envolveram num acidente na primeira curva.

Tudo começou quando Johnny Cecotto Jr. arrancou mal e foi ultrapassado por Mitch Evans. Ao tentar reagir, o venezuelano - filho de Johnny Cecotto - trava tarde em Ste. Devôte e arrasta consigo o suiço Fabio Leimer e mais alguns carros, a saber: Robin Frijns, Stefano Coletti, Tom Dillmann, Jolyon Palmer, Marcus Ericsson, Julian Leal, Nathanäel Berthon, Alexander Rossi, Daniel Abt, Rene Binder, Rio Haryanto e Kevin Giovesi. A corrida ficou inevitavelmente interrompida e recomeçou atrás do Safety Car.

No final, o melhor foi Sam Bird, no carro da Russian Time, na frente de Kevin Ceccon e Mitch Evans.

Ultima Hora: A organização da GP2 acaba de banir Johnny Cecotto Jr, por uma corrida devido às suas responsabilidades no incidente da primeira curva.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Youtube GP2 Weirdness: o pássaro e o carro de Felipe Nasr

É definitivamente a imagem do dia. E não aconteceu na Formula 1, mas sim na GP2. Este pássaro queria ver a ação o mais perto possível da pista quando passou o carro do brasileiro Felipe Nasr. O resultado é este. 

Não sei se escapou da morte ou tinha tudo controlado... acredito mais na segunda hipótese.

quarta-feira, 6 de março de 2013

O legado automobilista de Hugo Chavez

Não vou falar sobre o homem ou sobre a politica. Para isso cabe aos outros, porque sei que imensa gente irá falar de Hugo Chavez como se fosse o maior herói americano desde Simon Bolivar ou Fidel Castro, só porque ele falou mal dos Estados Unidos. Ou então irá vilipendiá-lo, afirmando que era um ditadorzinho de meia tigela, só porque andava com ditadores, ou outra coisa qualquer só para falar mal dele e celebrar a sua morte. Em suma, Hugo Chavez Frias, nascido a 28 de julho de 1954 em Sabaneta, no estado de Barinas, e falecido a 5 de março de 2013 em Caracas, foi uma personalidade polarizadora, para o bem e para o mal.

Contudo, eu quero lembrar Hugo Chavez pelo que fez no campo que conheço melhor: o automobilismo. Alguém se recorda quantos venezuelanos andavam a correr nas categorias automobilisticas em 1998, e quem eram os melhores pilotos desse tempo? Provavelmente não se lembram porque tirando Johnny Cecotto ou a Milka Duno, não havia ninguém a levar o nome da nação de Simon Bolivar aos quatro cantos do mundo. 

Em 15 anos, tudo isso mudou, e não falo só em Pastor Maldonado e as suas aventuras na Formula 1. Falo de pilotos que andaram na IndyCar, como Ernesto Viso, ou os pilotos que andam nas categorias de base, a tentar chegar ao topo. Existe, quer nos Estados Unidos, quer na Venezuela, mais de uma dezena de pilotos a correr por lá, com resultados variáveis. E tudo isso graças a uma coisa: o apoio da petrolifera estatal PDVSA.

Durante estes últimos anos, a PDVSA injetou dezenas de milhões de euros nas carreiras de pilotos, o mais famoso dos quais é Pastor Maldonado. Campeão da GP2 em 2010, mas com fama de destruidor, chegou à Formula 1 em 2011 através da Williams. Com ele, trouxe um patrocinio "gordo", no valor de 40 milhões de euros. Esse dinheiro serviu para pagar os estragos que o inconstante Maldonado teve ao destruir os carros da equipa, mas serviu também para injetar um dinheiro altamente necessário para uma Williamns em decadência, cuja sobrevivência começava a ser questionada. Nas três temporadas que já leva - ele vai começar a sua quarta ao serviço da equipa de Grove - os venezuelanos deverão ter injetado para cima de 120 milhões de euros, o que e uma quantia bem considerável.

Esse dinheiro está a compensar, pelos vistos: a equipa melhorou as suas performances e no ano passado, em Barcelona, voltou às vitórias, após uma ausência de sete anos. Espera-se que a equipa tenha melhores performances em 2013 e que Maldonado bata menos com o seu carro. E vai precisar de melhorar a sua performance, para tirar a imagem de que está ali por causa dos "petrodólares chavistas". É que o dinheiro não é eterno e já se fala que houve uma auditoria interna no final do ano passado para saber sobre o bom uso dos dinheiros da PDVSA. Até agora, Maldonado esteve salvo e provavelmente enquanto os descendentes de Chavez estiverem no poder, o dinheiro fluirá. E fluirá nos outros pilotos que a marca apoia nas outras categorias, que tentam emular o sucesso de Maldonado e de Viso, como Johnny Cecotto Jr.

Contudo, desde que se soube da doença de Hugo Chavez, colocaram-se dúvidas sobre se este iria continuar a fluir com tanta força após o desaparecimento físico do seu líder. Quero acreditar que sim, porque acho que o governo honrará os seus compromissos. E se nas próximas eleições presidenciais forem ganhas pelos partidários pró-Chavez, provavelmente o fluxo continuará, talvez com um ou outro controlo aqui e ali, mas creio que isso não será questionado. Outra história será se o candidato da oposição for o vencedor dessas eleições, e achar que o dinheiro do petróleo seria melhor gasto em outras coisas. 

Essa e outras questões ainda não têm resposta, num país que esteve paralisado até agora por causa do seu estado de saúde, e agora que o desfecho é conhecido, o futuro está ainda indefinido. E é esse pensamento que não só Maldonado, Cecotto ou Viso estão na sua cabeça, mas também os jovens como Jorge Gonçalvez, na Indy Lights, ou a Roberto LaRocca e a Samin Gomez, ambos na GP3.

Em suma: posso pessoalmente detestar a sua retórica e o facto de ele acreditar em teorias da conspiração, mas tenho de tirar o meu chapéu em relação a aquilo que ele fez ao automobilismo na Venezuela. Ele conseguiu colocar o país no mapa e apoiou as carreiras dos que quiseram triunfar neste mundo dificil que é o automobilismo, quer fosse nos Estados Unidos ou na Europa. Isso deve ser lembrado, quer nós queiramos, quer não.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Tiago Monteiro e o mau negócio que fez com o Estado

A grande noticia por aqui nesta segunda-feira diz respeito a uma dívida que Tiago Monteiro, José Guedes e a Ocean Racing Technology (ORT), têm com o Estado português, através da Parkalgar, a entidade que detêm a propriedade do Autódromo de Portimão. E que por causa disso, iria haver um processo contra o Estado no valor de oito milhões de euros, segundo o jornal Público, que anuncia o caso na sua edição de hoje.

As coisas começaram quatro anos antes, em 2008, quando o governo socialista de José Sócrates terá concordado em financiar a Oceanational Motor, dona da ORT, a equipa que milita na GP2 Series, como forma de promoção do Autódromo Internacional do Algarve, que seria inaugurado em Novembro daquele ano. O acordo, apadrinhado por Laurentino Dias, tinha como objetivo apadrinhar uma equipa nacional na GP2 Series e levar o nome de Portugal para o resto do mundo. E começou com a compra da BCN, equipa de Enrico Scalabroni, e convertê-la na ORT, para participar na GP2.

Uma fonte do processo contou ao jornal português que Laurentino Dias, o então secretário de Desporto do governo Sócrates, terá enviado por e-mail um memorando à equipa portuguesa da GP2, em que diz que o apoio seria concedido através da Parkalgar e teria o valor máximo de dois milhões de euros por temporada durante o período de três anos. Tinha sido a maneira que o Governo tinha encontrado para financiar a Ocean por via indirecta.

O problema e que este acordo fora verbal e feito "nos bastidores", logo, nunca houve um acordo escrito entre ambas as partes e escrutinado publicamente. E é isso que o ex-secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, se está a valer como defesa, quando afirma que "não se recorda" que tal "acordo de cavalheiros" tenha existido. "Nunca o Estado interveio no sentido de contratualizar ou protaculizar o que quer que fosse com a empresa", disse. Contudo, quando foi confrontado com a existência de um memorando mandado para a equipa, o ex-secretário de Estado do Desporto afirmou estranhamente "não se lembrar de ter escrito aquele documento".

A razão porque ambas as partes tenham decidido fazer este tipo der acordo é que quando em 2005, o Estado, através do Turismo de Portugal, tinha decidido dar um apoio de dois milhões de euros ao piloto português para pagar a sua estadia na Jordan, o Tribunal de Contas veio depois a considerar que esse contrato tinha sido ilegal. Assim sendo, tinha-se de de arranjar outra forma para que o Estado cumprisse os compromissos, através de terceiros.

E claro, para piorar as coisas, o Estado somente pagou um milhão dos seis milhões de euros que tinha acordado nesse memorando. O problema é que agora, em plena crise e com a Parkalgar a pedir aos credores para que se renegociasse as dívidas em conta, a Ocean seja uma das credoras e precisa bem desse dinheiro para tentar resolver a sua situação. É que as suas finanças estão debilitadas e a equipa, que teve em 2012 uma equipa na GP3, acabou de abandonar essa categoria e não tem a certeza se estará a competir na GP2 na próxima temporada.

Não sei como isto vai acabar, mas o jornal fala que o atual governo tem conhecimento do caso. Não se sabe se estão a tentar resolver a situação ou não, mas isto é um bom exemplo de como funciona o Estado, especialmente no último governo, do socialista José Socrartes. E como provavelmente com centenas de negócios semelhantes, com uma mistura de displicência e uma atitude de "os outros que paguem depois", é que nos colocou na situação onde estamos. Francamente, a reputação do Estado como pagador está mesmo nas "ruas da amargura".

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Pastor Maldonado, a ponta do "iceberg" venezuelano

A semana passada, dei por mim a ver a minha amiga Serena Navarrete na TV venezuelana, num programa que há por lá que faz o rescaldo da Formula 1. Neste caso em particular, tinha a ver com a primeira vitória do Pastor Maldonado e de um piloto do país de Simon Bolivar (se quiserem ver o programa, basta seguir este link), mas mais do que ver uma amiga tua na TV, dei comigo a pensar em algo que tenho visto nos últimos tempos: a força da Venezuela no automobilismo. 

É que, parecendo que não, ela tem sido imensa. Digo isto porque caso percam um pouco de tempo a ver as listas de inscritos nas categorias de promoção, desde a Formula Renault ou a Formula 3, até à GP2, o degrau imediatamente anterior à Formula 1, não há nenhum que não tenha pelo menos um piloto venezuelano. E nos Estados Unidos é a mesma coisa: Ernesto Viso é a face mais visível de uma quantidade de pilotos que evoluem nas categorias mais abaixo, seja na Indy Lights ou na Star Mazda, as duas categorias mais abaixo da principal. E parece que os tempos de se identificar os pilotos venezuelanos com as curvas da Milka Duno estão bem próximos do fim. É que o entusiasmo, aliado com os petrodólares, estão a fazer com que depois da Argentina e do Brasil, a Venezuela seja a terceira potência sul-americana.

Pastor Maldonado e os seus 50 milhões vindos da PDVSA podem ter ajudado imenso a pagar os prejuízos que ele faz a cada 15 dias nos circuitos um pouco por todo o mundo, mas há mais a caminho. Um deles é o filho do primeiro piloto venezuelano a dar nas vistas, Johnny Cecotto. Johnny Cecotto Jr. pode ter nascido e crescido na Alemanha, mas ele está na GP2 com as cores da Venezuela, e nesta temporada venceu duas corridas ao serviço da  A imprensa local fala hoje que Cecotto Jr. está a falar com duas equipas, no sentido de conseguir um lugar para a temporada de 2013. Cecotto Jr. pode ter agora acabado a sua quarta temporada na GP2, mas conseguiu este ano vencer as suas primeiras corridas na categoria.

Ainda é novo - tem 23 anos - mas a altura de dar o salto para a categoria máxima do automobilismo é agora. Vagas nas equipas mais pequenas são uma boa hipótese - menos a Marussia, mas isso é outra história... - e tem dinheiro e bons contactos para se mostrar na categoria máxima do automobilismo e provavelmente fazer melhor do que o seu pai, que foi o último representante de uma raça que foi bem sucedida nas duas e quatro rodas, como John Surtees e Mike Hailwood.

Mas a GP2 tem outra coisa mais: uma equipa venezuelana. A Lazarus é uma equipa italiana, fundada em 2009 e que entrou na GP2 em 2012, no lugar da Super Nova Racing. Contudo, arranjou um gordo patrocinio do Turismo da Venezuela, e um dos pilotos é o veterano - tem 31 anos - Giancarlo Serenelli. Não marcou qualquer ponto - a equipa só marcou um em toda a temporada - e Serenelli parece ser mais um "turista" com muito dinheiro do que alguém com talento. Mas ele também andou pela AutoGP, onde marcou 26 pontos, mas sem pódios.

Mas para além destes pilotos, mais estão a aparecer em categorias mais baixas. A Formula Abarth Itália teve nesta temporada três pilotos - Juan Branger, Samir Gomez Briceño e Francisco Javier Amado - e um deles, Briceño, irá correr em 2013 na GP3, ao serviço da Jenzer Motorsport. E também existiam três pilotos na espanhola Formula 3 Open Series: Roberto La Rocca, Trino Raul Rojas e uma mulher, Valeria Carballo. Nenhum destes seis pilotos teve uma participação relevante nessas duas competições, mas o facto de todos eles quererem subir a difícil escada de acesso à Formula 1, e aparentemente existirem os fundos para isso, significa que mais gente irão aparecer nos próximos tempos.

Mas no outro lado do Atlântico, há também venezuelanos a quererem seguir os passos de Ernesto Viso e de Milka Duno. Na Indy Lights, categoria imediatamente abaixo da IndyCar, existem Jorge Gonzalez e Bruno Palli, num campeonato onde curiosamente há mais colombianos a tentar a sua sorte do que até brasileiros! Dos dois, só Gonzalez fez toda a temporada, pois Palli apareceu na última corrida do ano, depois de ter feito toda a temporada na Star Mazda, o equivalente americano da Formula 3 ou GP3.

Aí, Palli teve a companhia de mais três pilotos e uma equipa, a Linares Racing. Diego Ferreira, Carlos Linares e Camilo Schmidt estiveram nessa categoria. Ao todo, os quatro pilotos conseguiram uma vitória no campeonato, através de Schmidt. E Ferreira é o piloto mais bem classificado, no oitavo lugar de um campeonato que falta uma corrida, em Road Atlanta, para que o calendário esteja completo.

Ainda temos o "gentleman driver" Enzo Potolicchio, a correr na LMP2 na World Encurance Championship, onde este ano, correndo no HPD da americana Starworks, venceu na sua classe nas 24 Horas de Le Mans, a primeira vez que um venezuelano consegue uma vitória na clássica da Endurance mundial.

Em suma, a Venezuela parece querer cravar uma forte estaca no automobilismo mundial. Está fortemente apoiada em termos financeiros, embora se verifique que a esmagadora maioria desses apoios são estatais. A PDVSA é pertencente ao estado, e o apoio governamental é evidente, através do organismo de Turismo venezuelano. Numa altura em que o pais está em campanha eleitoral para as eleições presidenciais, será que o resultado final poderá influenciar as carreiras futuras de todos estes pilotos, quer os mais consagrados, quer os que lutam por um lugar ao sol?

Uma pergunta ainda sem resposta, mas saberemos que nos próximos tempos, ouviremos muito do país de Simon Bolivar no automobilismo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Revista Speed - edição de setembro

Na edição deste mês da revista Speed, comemoramos os 40 anos do primeiro título mundial conquistado por um piloto brasileiro, Emerson Fittipaldi. Para isso, escrevemos sobre o ano de 1972, a temporada em que foi campeão, a corrida que o consagrou, o GP de Itália, e o carro em que o tornou famoso, o Lotus 72, desenhado por Colin Chapman e se tornou no modelo seguido por todos os carros de Formula 1 desde então. 

Com a capa do venezuelano Hector Garcia, dos GP Toons, e agora um dos nossos mais recentes colaboradores, em termos de Formula 1, falamos também sobre o desaguisado entre a Red Bull e a FIA, as análises dos GP's da Belgica e de Itália e os vinte anos da primeira vitória de Michael Schumacher, entre outros.

Nas outras competições, os destaques têm a ver sobre os pilotos da GP2 que correram nesta temporada, e também se faz uma antevisão sobre as Seis Horas de Interlagos, prova do novo campeonato de Resistência, o WEC, que acontecerá este final de semana.

Podem ler esta edição através deste link. Boas leituras! 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Noticias: Lotus vai reavaliar projetos desportivos

Os estragos que Dany Bahar fez ao longo da sua estadia na Lotus, ao desperdiçar o dinheiro emprestado pela Proton em todo o tipo de megalomanias - que incluiu meter o nome da Lotus em tudo quanto é lado - estão agora a ser vistos e revistos, no sentido de estancar a sangria. Depois dos novos donos da Proton, a DRB-Hicom, terem despedido Bahar em julho, estão agora a tomar decisões no sentido de atenuar os prejuizos. Para começar, decidiram cancelar quatro dos cinco projetos de supercarros de estrada que estavam previstos nos próximos anos, do qual só o projeto do Esprit se manteve, pois este está num estado adiantado. E agora, são os projetos desportivos que estão a ser escrutinados.

Segundo o diretor da divisão desportiva, Claudio Berro, as decisões relativas aos projetos na Le Mans Series e dos Ralis, entre outros, serão discutidos no mês que vêm numa reunião na Malásia, onde o destino desses projetos serão decididos. Segundo afirma ele, os projetos da Formula 1, da LMP2, da GTE e da GT4 é que não estarão em causa, enquanto que os projetos na Indy, GP2 e GP3, através da ART, poderão ser terminados no final do ano.

Não vai ser um corte radical, mas a quantidade de projetos que estão em andamento já indicavam que mais cedo ou mais tarde, isto se tornaria insustentável. E que certos projetos, que pura e simplesmente passavam por dar o nome de algo que não tem quaisquer componentes fabricados pela usina de Hethel, desde sempre que não tinham qualquer lógica, como a parceria com a ART na GP2 e GP3, por exemplo.

Veremos no que isto vai dar, mas todos por lá já entenderam o absurdo da estratégia de Bahar. E agora trata-se de ir atrás do prejuízo...

terça-feira, 22 de maio de 2012

O regresso de Briatore e o "bluff" de uma série paralela

A noticia surgiu no final de semana e por aquilo que já li, cheguei à conclusão que ainda não se deve levar a sério. Contudo, leiam isto na mesma. Segundo a revista alemã "Auto Motor und Sport", Flávio Briatore, antigo patrão da Renault, expulso da Formula 1 depois do "Crashgate" de Singapura, em 2008, poderá estar a preparar o regresso à ribalta sendo o patrão de uma série chamada "GP1", uma espécie alternativa de Formula 1, caso a FIA não concorde com os termos acordados com o novo Acordo de Concórdia, que caso seja aprovado, estará em vigor a partir de 2013.

A ideia que fica é que parece ser um "plano B" do qual algumas pessoas estão a fazer caso as negociações sobre um novo Acordo da Concórdia corram mal. Falta mais de meio ano para que a validade deste Acordo chegue ao fim, mas não é de mau tom que se comece a discutir uma nova distribuição dos dinheiros da Formula 1, mas parece que as equipas querem uma percentagem maior, contra um Bernie Ecclestone que nunca abdicara da sua parte, pelo menos enquanto ele for vivo.

Joe Saward, que foi onde li esta sugestão pela primeira vez, afirma que esses regulamentos da tal de GP1 "é como entregar as chaves do banco a Bonnie & Clyde". Ou como dizemos por estas bandas, colocar a raposa no galinheiro. Mas a ideia que fica é que, ao contrário do que Bernie Ecclestone afirmava alto e bom som no inicio do ano, é que o novo Acordo de Concórdia pode estar longe de estar negociado ou assinado. Sabe-se das divergências da Mercedes sobre a sua parte do acordo, sabe-se sobre a possivel colocação da empresa "Formula 1" na Bolsa de Singapura (interessante: porque não Londres, Paris ou Nova Iorque?) e também por causa das tensões existentes entre Jean Todt e Bernie Ecclestone.

Mas também há outro assunto que apareceu nos últimos dias: controle de custos. Muitas equipas começam a discutir tal ideia, que parece ter alguma recepção em muitas equipas, especialmente as do meio do pelotão, que poderia dar algum equilibrio, ou pelo menos, não faria com que a diferença para uma Red Bull, McLaren ou Ferrari fosse tão gritante, como acontece por vezes. A ideia que exista um tecto máximo em termos de orçamento, fora assuntos como o salário dos pilotos, por exemplo.

E também há outra coisa que a FIA estaria de bom grado receptiva, que é o controlo de custos nas categorias de base, como na Formula 2. É que competições como GP2 e GP3 são simplesmente um sorvedouro de dinheiro, regido em chassis monomarca e monomotor, com um monopólio de peças. E claro, os custos são proíbitivos. E o exemplo disso é que os pilotos da GP2 nesta temporada gastaram cerca de 1,5 milhões de euros para correr por lá, e os de GP3 estão a desembolsar perto de 600 mil euros para uma temporada inteira. A World Series by Renault vale um milhão para um lugar e a Formula 2 custa pouco mais de metade disso, 320 mil euros.

Em jeito de conclusão, parece que, ao contrário do que se vê, parece que existem tensões entre as partes em conjunto sobre a negociação do Pacto de Concórdia. Nada que não se saiba ou se conheça de cada  vez que se negoceia a sua renovação, não é?

Eis um bom tema de conversa para o verão europeu. Que promete ser longo e quente. 

quinta-feira, 22 de março de 2012

Fibra de Carbono, episódio quatro

Gravamos isto em terça à noite, mas hoje divulgamos o podcast desta semana. Aqui falamos sobre o GP da Austrália, da situação da Ferrari, da contestação a Felipe Massa na imprensa italiana, de como o despedimento dele significa "entregar os pontos" já na primeira prova do ano.

O título escolhido é uma alusão futebolistica ao Massa, dito no meu mau italiano... 

Também falamos neste podcast sobre a GP2 e o carro da Delta Wing, fabricado pela HighCroft e motorizado pela Nissan para as 24 Horas de Le Mans, e promete ser revolucionário.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O inicio da temporada da GP2 e talento dos pilotos no pelotão desta

Com o intervalo de apenas sete dias entre Grandes Prémios, não vai haver muito que falar para além dos rescaldos da corrida de Melbourne e da antecipação da corrida de Sepang, na Malásia. Mas é lá que vai acontecer algo importante: o começo da temporada 2012 da GP2.

Ontem à tarde, li a noticia de que a Rapax, que ainda não tinha confirmado uma dupla para esta temporada, tinha anunciado a contratação do francês Tom Dillmann e o luso-angolano Ricardo Teixeira, que em 2011 tinha sido piloto de testes da Lotus - agora Caterham. Dillmann, atualmente com 22 anos, foi o campeão da Formula 3 alemã em 2010 e um ex-piloto da fileira Red Bull, e conseguiu um pódio e uma pole-position em 2011, na GP3, com passagens pela Carlin e a Addax. Um palmarés bastante melhor do que Ricardo Teixeira, que está ali por causa da sua carteira, apesar de uma temporada agradável na Formula 2, em 2010.

Com apenas um lugar por preencher, na Venezuela GP Lazarus, que substitui este ano a veterana Super Nova, faz-nos pensar um bocado a atual situação da GP2. E aparentemente, isto parece ser um reflexo da crise, pois pilotos talentosos, tirando o brasileiro Felipe Nasr, o indonésio Rio Haryanto ou o mexicano Esteban Gutierrez, não parece haver. Há mais uma grelha cheia de carteiras recheadas, graças aos dinheiros que as equipas exigem para toda uma temporada na categoria imediatamente abaixo da Formula 1. 

Segundo diz a Autosport na sua edição deste mês, numa matéria sobre a descoberta de talentos no automobilismo, uma temporada de GP2 numa equipa média vale agora entre 1.5 a 2 milhões de euros, dependendo da equipa. Um contraste com o um milhão de euros que as equipas da World Series by Renault pedem aos pilotos que vão para lá - e parece ter atraído muita gente como o dinamarquês Kevin Magnussen, o brasileiro Lucas Foresti, os britânicos Sam Bird Lewis Williamson ou o francês Jules Bianchi - e os 600 mil euros que a GP3 pede aos seus pilotos.

É por isso que pilotos como, por exemplo, o português António Felix da Costa, preferem ficar mais um ano na GP3 e tentar o título, do que "vegetar" na GP2 e provavelmente ficar apeado a meio do ano, porque o dinheiro acabou. A crise e a quantidade de carteiras recheadas de pilotos cujo talento é por vezes inversamente proporcional à quantidade de dólares, euros, ienes, rublos ou até kwanzas, fazem com que a qualidade dos pilotos que lá andam este ano seja, provavelmente, a pior de todas. Dou-vos um exemplo: acham que numa era "normal", iriamos ter dois pilotos monegascos no pelotão da GP2? Provavelmente não, apesar de Stefano Colletti (duas vitórias em 2011) e Stephane Richelmi serem bons pilotos.

Mas o que quero dizer é... esta gente toda tem talento para a Formula 1? Tirando talvez Nasr (ajudado por Eike Batista) e Gutierrez (apoiado pela Sauber e a Telmex do Carlos Slim), não. Haryanto ainda é muito novo, e os outros já andam ali há muito tempo, sem consegurem "dar o salto". E o melhor exemplo existente é o do holandês Gierdo van der Garde, que vai fazer a sua quarta temporada na GP2, depois de vários meses a ser falado para um lugar na Williams, Lotus, Caterham e até Marussia. Apesar de três vitórias em 2009, nunca teve a capacidade para disputar títulos, mesmo que seja o campeão de 2008 da World Series by Renault.

Não me admira que pessoas como Ron Dennis disse, em 2009, que não tinha visto ninguém suficientemente bom para a Formula 1, apesar de ter sido naquele ano que Nico Hulkenberg venceu o campeonato, um dos poucos campeões que o venceu no seu primeiro ano. O alemão tem talento, e já foi recompensado na Formula 1 com um lugar na Williams e depois na Force India. Mas penou em 2011 quando foi preterido na Williams por um piloto com dinheiro, Pastor Maldonado. Que por acaso, foi campeão da GP2 em 2010.

Em resumo: a GP2 está a ser cada vez mais uma máquina devoradora de dinheiro, aquilo que fez extinguir, de uma certa forma, a Formula 2, em 1984, e a Formula 3000, vinte anos mais tarde. Apesar de ser uma competição monomarca - todos os chassis são da Dallara, com motor Renault - só o fato de os pilotos terem de viajar para a Ásia, com duas passagens pelo Bahrein, para além da Malásia e Singapura, já encarece a competição, numa altura em que não há muito dinheiro para sustentar carreiras. Em contraste, a WSR e a GP3 são formulas essencialmente europeias. Será que vai ser assim por muito mais tempo?

E já agora, se quisermos ver os valores do futuro, espreitamos que categoria?

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Antonio Felix da Costa, GP2 e a Formula 1

Ando desde ontem a ler a matéria do Autosport desta semana sobre a hipótese de Antonio Felix da Costa poder ir para a Formula 1 em 2012. Estava curioso de ler, depois da chamada de capa na segunda-feira à tarde. Depois de espreitar a matéria escrita pelo jornalista Ricardo S. Araujo, conseguindo ir para além do cartão de visita do piloto e seu respectivo palmarés - e de algum "whisful thinking" por parte do autor do artigo, diga-se - descobres que há substância nesta matéria. Mas para o encontrar, temos de ir ao canto inferior direito da matéria que cabe duas páginas inteiras. E do qual transcrevo para aqui:

"Nem António Felix da Costa nem Tiago Monteiro o confirmam, mas a Autosport sabe que uma das hipóteses em cima da mesa é uma ligação à Lotus Renault já em 2012 que permitira ao jovem português ser piloto de reserva na equipa de Raikkonen e Grosjean na Formula 1, competindo em simultâneo na GP2 na formação apoiada pela estrutura de Enstone. Segundo o que apuramos, das propostas que Felix da Costa e Monteiro receberam, a da Lotus-Renault é uma das mais atrativas, até porque o orçamento pedido é pouco superior aos dois milhões de euros atualmente necessários para uma época na GP2 Series.

Para o enviado especial do Autosport, Luis Vasconcelos, 'a ligação à Lotus Renault - suponho que com um espaço pequeno no R32 para o patrocinador principal e com direito a um dia de testes no final da temporada - poderia ser um argumento de peso para o António na procura de patrocinadores. E seria bom, porque lhe permitiria ver, por dentro, como funciona uma equipa de Formula 1, passar horas no simulador, trabalhar com os engenheiros e perceber melhor como tudo funciona. Por outro lado, ficarias dependente na escolha de uma equipa na GP2, que pode ser boa ou má'

Contudo, o acordo com a Lotus Renault até pode contemplar que a época da GP2 seja com a Ocean, de Tiago Monteiro, além de incluir testes privados e demonstrações de Felix da Costa com um F1, inclusivé em Portugal. Outra hipótese, menos provável, seria um regresso à GP3 ou mesmo a F3 com umas equipa de topo para lutar pelo título. Com Tiago Monteiro e o pai de Antonio, Miguel Felix da Costa, a tentarem reunir apoios, as próximas semanas serão decisivas para eventual entrada do jovem português na Formula 1 em 2012."

Quando li isto, pensava que era algo do qual nenhuma das partes iria afirmar algo, nem que fosse para as desmentir. Iria ficar em "águas de bacalhau". Contudo, não sabia ainda que o próprio Felix da Costa tinha confirmado essa hipótese numa mensagem na sua página oficial do Facebook:

"Olá a todos, é verdade, estamos muito perto mas ao mesmo tempo é preciso que as pessoas que realmente acreditam e apoiam estejam cada vez mais presentes e ajudem cada vez mais, falem, divulguem e vamos conseguir lá chegar. É preciso que Portugal apoie e mais do que nunca nesta fase de 'crise' o turismo e o desporto com os excelentes atletas que temos sejam usados para trazer alegrias a Portugal! LETS GO AFC#13"

Mais tarde, nessa noite, o meu amigo Gonçalo Sousa Cabral, do 16 Valvulas, entrevistou o seu irmão Duarte, que é piloto nos GT's, numa equipa nacional, e quando falou do seu irmão, deu mais alguns pormenores, não muitos. Afirmou que a ideia era de o colocar na Gravity Sports, a agência que cuida dos pilotos da Lotus-Renault e que teve este ano pessoal como o Bruno Senna, o Romain Grosjean, mas também personagens como o Jerome D'Ambrosio e o Ho-Pin Tung. Por um lado pode ser com, se for bem planeado, mas um entre muitos... é complicado.

Mas depois de ler tudo isto, chega-se a certas conclusões. Primeiro que tudo: Felix da Costa é seguido atentamente por boa parte do pelotão da Formula 1 desde há algum tempo. Essa observação aumentou depois de novembro de 2010, quando esteve no "rookie test" de Abu Dhabi, ao serviço da Force India, onde fez o terceiro melhor tempo e deixou Paul di Resta, então o terceiro piloto da marca, a mais de um segundo. Apesar de ter tido uma modesta temporada de GP3 em 2011 - só venceu uma corrida em Monza - os elogios continuaram. O Luis Fernando Ramos, o Ico, elogiou-o há cerca de um mês e meio quando o viu correr de kart em Abu Dhabi, comparando-o a Esteban Gutierrez, que agora é o terceiro piloto da Sauber.

Ainda por cima, na sua primeira corrida a sério na GP2, com o carro da Ocean, no mesmo Abu Dhabi, apesar de uma má qualificação, conseguiu levar o seu carro para o sétimo lugar final. E agora em Macau, fez uma qualificação espantosa, apesar de não ter acabado nenhuma das corridas devido a problemas mecânicos. Ou seja: basta "enxotar o azar" para que os resultados apareçam e as suas perspectivas de um lugar na elite se aclarem.

Ainda por cima, é auxiliado na sua carreira por Tiago Monteiro, que puxou os cordelinhos na Force India - que já foi Jordan, Midland e Spyker - para lhe dar a primeira chance ao "Formiga". E o seu plano inicial na GP2 é o de aprender a conhecer o carro na Ocean, a equipa do Tiago Monteiro. Provavelmente ao lado do holandês Nigel Melker, anunciado hoje como piloto da equipa.

Em suma: daqui a algumas semanas, veremos se Felix da Costa deu mais um passo rumo ao seu objetivo de vida. Boa sorte para ele!

domingo, 20 de novembro de 2011

A prestação de Felix da Costa em Macau e o espelho do ano que teve

Um azar nunca vem só. Se ontem foi a caixa de velocidades que o impediu de andar pelas posições da frente, desistindo na quarta volta da corrida de qualificação, esta madrugada, a corrida de recuperação de Antonio Felix da Costa, que tinha começado da 25ª posição, foi interrompida quando, numa altura de Safety Car, descobriu-se um problema no rolamento da roda, que estava gripado, obrigando-o a abandonar.

Em termos de corrida, esta foi ganha pelo espanhol Daniel Juncadella (já agora, é o sobrinho de Luis Perez-Sala) que aproveitou da melhor forma uma passagem do Safety Car na pista, pois o lider era o alemão Marco Wittmann. Quando este recolheu-se às boxes, Juncadella, Wittman, o brasileiro Felipe Nasr e o japonês Yuhi Sekiguchi envolveram-se numa batalha pela liderança do qual o espanhol saiu vencedor, com Nasr sempre a pressioná-lo até nova saída do Safety Car, que acabou praticamente com a corrida, dando a vitória ao espanhol.

E assim acabou o seu fim de semana macaense, que foi mais de pesadelo do que outra coisa: "Estava a atacar e recuperar muitos lugares, já era 14º e sentia-me confiante para ir bem mais para a frente, mas na entrada do safety car percebi que algo estranho se passava na traseira do carro e vim as boxes mudar um pneu", começou por referir.

"2011 não foi mesmo o meu ano. Muitos incidentes, problemas técnicos e azares, enfim para esquecer. Aqui em Macau não foi exceção e infelizmente não pude lutar pela vitória, como tanto queria. Vamos agora trabalhar para 2012. Felizmente a minha rapidez, consistência e credibilidade enquanto piloto não estão em causa e as principais equipas de GP2 e World Series têm mostrado interesse em mim", concluiu.

Antes dos "campeões da Playstation" começarem a mandar as bocas do costume, deixem-me dizer que apesar de tudo, Felix da Costa venceu uma corrida na GP3 e das seis corridas que teve na Formula 3 britânica, pela Hitech, pontuou em todas elas e subiu ao pódio em quatro ocasiões, logo, a sua rapidez não está em jogo. E na GP2, acabou em sétimo lugar a sua primeira corrida, em Abu Dhabi, para não falar do terceiro lugar na qualificação desta corrida em Macau. Tudo isto para dizer que foi uma questão de sorte. Questões como "se o contrário tivesse acontecido" fazem-me, sinceramente, pensar na frase da Lili Caneças: "estar vivo é o contrário de estar morto".

Para o António, só digo que 2011 acabou, em 2012 há mais. E boa sorte no campeonato que escolher, claro.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A capa do Autosport desta semana

A capa do Autosport desta semana tem muito para mostrar. Tem a Formula 1 e a GP2, no Abu Dhabi, e tem os ralis, no País de Gales. E é isso que é destaque na sua capa, com o carro de Sebastien Löeb em "slide", quase que a comemorar mais um título mundial, o oitavo. "Löeb é melhor que Rossi e Schumacher" é o título da capa da revista.

Com um "Acidente em Gales não impede 8º título mundial", debaixo do título, reforça os feito do piloto da Alsácia de forma um pouco redundante ("Piloto da Citroen com mais títulos mundiais que Rossi e Schumacher") e sobre os eventos no País de Gales ("Latvala vence depois de desistência de Hirvonen e Löeb"). Acima, ainda há referências ao rali, quando se fala de um dos seus participantes, Armindo Araujo ("Armindo Araujo termina no 'top ten' inglês")

As refreências nacionais não terminam aí. Fala-se também de Carlos Sousa e os testes para o Dakar ("Carlos Sousa testa protótipo chinês") e os feitos de Antonio Felix da Costa no fima de semana de Abu Dhabi, pela GP2 ("Felix da Costa brilha na estreia e ruma a Macau")

E claro, a referência à Formula 1: "Vettel desiste e Hamilton vence em Abu Dhabi".

terça-feira, 8 de novembro de 2011

A capa do Autosport desta semana

Daqui a algumas horas estará nas bancas mais uma edição da Autosport portuguesa, e como sempre, já se sabe qual vai ser a capa. E até é bem interessante, pois fala sobre o duelo que irá acontecer em Gales para o título mundial de ralis. "Batalha de Gales decide título", é aquilo que a revista escolhe para destaque.

Ali, com os dois pilotos de perfil e de costas um para o outro, antecipa-se que "Löeb e Hirvonen estão separados por 8 pontos" e depois conta-se que "Löeb favorito para conquistar 8º campeonato"; que "Ogier pode baralhar contas da Citroen" e por fim "Armindo Araujo com ambições limitadas".

Em cima, também se fala de Ralis, mas tem a ver com o IRC, onde "Mikkelsen conquista título no Chipre". Mas também se fala de Formula 1, pois antecipa-se o GP do Abu Dhabi, onde se diz que "Vettel à caça do recorde de Schumacher", e no canto superior direito se fala de Antonio Felix da Costa, que se vai estrear-se na GP2 pela Ocean Racing: "Felix da Costa estreia-se na equipa de Tiago Monteiro".