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sexta-feira, 28 de setembro de 2018

A imagem do dia

E de repente, já passaram dez anos. Toda a gente tem a sua historieta de Singapura... e eu tenho a minha, mesmo estando sentado em casa a ver o Grande Prémio.

Tudo começa dois minutos depois do acidente, ainda os carros estavam atrás do Safety Car. Toca o telefone na minha casa, e era de uma pessoa que colaborava comigo num site que não existe mais. E a primeira pergunta que me perguntou foi algo como "não achaste nada estranho?". Respondi que não. Depois prosseguiu: "não achaste estranho ver o Piquet a bater na parede no preciso momento em que o Alonso estava nas boxes a ser reabastecido? Eu achei estranho, não achas?"

Achei tudo muito estranho, mas do lado dele. Detesto teorias da conspiração, porque sempre acho que a maior parte dessas pessoas são estranhas, entre o paranóico e o iludido. Mas ouvi e fiquei com aquilo na cabeça até ao final da corrida, quando o espanhol - que tivera uma temporada modesta até então - conseguira a sua primeira vitória do ano. Iria conseguir outra, em Fuji, e acabaria o ano no quarto lugar da geral.

Falei das desconfianças de modo muito ligeiro no dia seguinte, e a mesma coisa li no Ico, no blog que tinha então. E claro, o "diz que disse", que andou por muitos, muitos meses, à boca cheia, e sem provas.

Depois, o dia em que Nelson Piquet Jr. foi despedido, depois do GP da Hungria, e no fim de semana do GP da Bélgica, o escândalo a rebentar e as consequências que conhecem. Briatore e Symunds expulsos da Formula 1 - Symmonds voltou, o italiano não - e de uma certa forma, Piquet Jr. também não voltou mais à Formula 1, com todas as portas a fecharem-se para sempre. E a Alonso, parecia ser de "teflon", onde dizia ao mundo que "não sabia de nada".

A Formula 1 sempre foi um sitio onde sempre houve coisas estranhas. Ordens de equipa, é verdade. Pessoas que montam equipas como esquema de lavagem de dinheiro, também. Mas resultados combinados, nunca. E de uma certa forma, os eventos de Singapura pareciam ser um novo baixo. Mas aconteceu. 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Formula 1 em Cartoons: Briatore comenta o regresso da Renault (Cire Box)

O regresso da Renault já suscitou comentários em vários quadrantes, incluindo o do banido Flávio Briatore, que segundo o "Cire Box", largou a sua opinião no seu francês macarrónico:

"Francamente, o que eles vêm aqui a fazer na Formula 1 é uma boa coisa, mas aqui entre nós. falta-lhes verdadeiramente um bom lider..."

O seu banimento não era perpétuo? Se não, deveria ser...

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Quem sai aos seus não degenera

Nelson Piquet Jr. fala pouco, mas quando acontece, ele mostra que é filho de Nelson Piquet. Na parte zueira, claro. O atual campeão da Formula E deu uma entrevista ao jornal "Lance!" onde demoliu alguns aspectos do seu país, e referiu sobre outros pilotos, especialmente os patrocinios que Felipe Nasr levou para correr na Sauber.

"Nunca quis me meter com coisa governamental, é tudo corrupto. O mundo inteiro zoa o Brasil, qualquer notícia o mundo zoa. Lógico que companheiros e o pessoal da equipa comentam sobre as notícias de corrupção. Em qualquer lugar todo mundo sabe que o Brasil é uma piada. O pessoal rouba dinheiro como se fosse bala. É o Brasil, infelizmente. Adoro meu país, a cultura, a música, a comida, mas, infelizmente, não posso falar muito da política, apesar de entender pouco. Meus amigos mesmo, alguns do Banco Central, que me contam", revelou o piloto de 30 anos.

Piquet Jr. também não entende a razão porque o Banco do Brasil esteja a injetar dinheiro no seu conterrâneo Nasr (ambos são de Brasilia). "Precisa ter um cheque de dez milhões [de dólares] para correr na Fórmula 1. É injusto, mas, bom, é a crise da economia no momento. Na minha época, quando um piloto pagava para correr, eram dois milhões no máximo. O Banco do Brasil está enchendo o Felipe Nasr de dinheiro (o acordo está na casa das dezenas de milhões de reais), não entendo o porquê", comentou.

Seis anos depois de sair da Formula 1 pela porta pequena, depois do "Crashgate" em Singapura, em 2008, Piquet afirma que não se arrepende disso. Diz que o Renault daquele ano era uma "bosta", mesmo com Fernando Alonso como companheiro de equipa, e não perdoa Flávio Briatore: "Todo mundo sabe o que ele é. Vai ser preso agora por não pagar imposto, todo mundo sabe o que ele é. Ele é um nada, um cara com ego gigante. Em algum ponto, ele deve ter sido bom empresário. Se ele está onde está, é porque fez alguma coisa".

"Não olho para trás. Tento amadurecer. Obviamente que você com trinta, quarenta anos, tem outra maturidade do que quando tinha vinte. Então, olha para trás e se arrepende. Como vai ter cabeça naquela época? Só quando amadurece e aprende. Se eu soubesse que a escola era importante quando eu tinha quinze anos, não ficaria matando aula para paquerar as meninas. É difícil falar que a gente não pode entrar nessas. Faltou alguém para me dar um pouco de conselho. Na hora, assim, não tem como fazer essas coisas. Faltava um empresário e maturidade. Faltava alguém do meu lado.", concluiu.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

As reações da "Swissleaks"

Falando na passada segunda-feira sobre o mais recente escândalo de fuga aos impostos em terras suiças, que está a ser referido como "Swissleaks", sabia-se que havia desportistas entre os mais de cem mil nomes referidos na "lista Falsiani", referentes a clientes do banco HSBC (Hong Kong and Shangai Bank) entre 2007 e 2008. Fernando Alonso, Michael Schumacher, Flávio Briatore e Valentino Rossi estavam entre eles, mas ressalva-se que isso não significa que toda esta gente andou a fugir às autoridades tributárias dos seus países.

Tanto que algumas dessas pessoas já reagiram e prestaram esclarecimentos, como Flávio Briatore, que diz que não têm domicilio fiscal em Itália há mais de 25 anos, ou então, decidiram agir judicialmente, como Fernando Alonso, que se viu manchado no seu nome e honra. “Fernando Alonso Díaz ordenou a seus advogados a imediata e urgente interposição de várias demandas por infração ao seu direito de honra diante a distintos meios de comunicação como consequência da publicação de informações em que se vincula sua imagem a eventuais delitos fiscais e a posse de patrimônios não declarados às autoridades fiscais competentes”. disse o piloto num comunicado à imprensa.

Em entrevista ao diário espanhol "Marca", um acessor do piloto da McLaren afirmou que estando a viver na Suiça naquela altura, não tinha qualquer obrigação de pagar os impostos no seu país. “Fernando vivia ali [na Suíça] e pagava ali. Nunca teve nada na Espanha desde que foi viver na Grã-Bretanha com uma mão na frente e outra atrás. O fisco nunca nos pediu nada”, começou por referir. “Coloca-se sob suspeita um comportamento inatacável, que é o que Fernando teve durante todos estes anos”, acrescentou.

Já Briatore também lançou um comunicado, afirmando que as autoridades fiscais italianas sabem que é um expatriado e que apenas responde às autoridades fiscais suiças.

As contas e as cifras mencionadas têm mais de 10 anos, por isso o senhor Briatore não sabe confirmar ou negar os detalhes apontados pelo Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo. O senhor Briatore pode confirmar que ele e algumas de suas propriedades eram administradas na Suíça e que tinha algumas contas bancárias ali de modo perfeitamente legal, respeitando todas as leis e regulamentos fiscais”, esclareceu. 

De qualquer forma, Briatore não mora na Itália há mais de 25 anos e, portanto, não está sujeito às leis da Fazenda Italiana. As contas que tinha no HSBC foram notificadas há anos à autoridade judicial italiana, que nunca encontrou nenhuma irregularidade fiscal nelas”, completou.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Os desportistas da "SwissLeaks"

As exigências de transparência, que a cada ano que passa, são cada vez mais audíveis. E ao ver que, com a crise de 2008 e as exigências de que os países compram planos de austeridade, as pessoas querem que todos cumpram a lei. E quando se diz para cumprir a lei, significa que têm de pagar os seus impostos, por exemplo.

Só que estes tempos estão a demonstrar que os mais ricos fazem de tudo para não pagar, sejam empresas, sejam indivíduos. No final do ano passado, falou-se do "LuxLeaks", onde se descobriu que o governo luxemburguês deu incentivos às empresas para fugirem aos impostos, fazendo com que pagassem um minimo fiscal, arrecadando milhares de milhões de euros de receitas. E a pessoa que fez isso foi o atual presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. Apesar da tentativa de moção de censura, em Bruxelas, ele ficou no poder.

Contudo, agora, a denuncia é outra. E este vêm da Suiça, outro paraíso fiscal, mas que ultimamente está a ser pressionado por vários estados para acabar com a sacralidade do sigilo bancário. Especialmente dos Estados Unidos, que ameaçou vetar a atividade dos seus bancos (Credit Suisse, UBS, entre outros) no seu país. Só que se há denuncias de estados, outras vezes são funcionários de bancos que denunciam essas más práticas às autoridades tributárias de outros países. E o mais recente caso - já chamado de "SwissLeaks" - têm a ver com um balcão do banco HSBC (Hong Kong and Shanghai Bank) em Genebra, que ajudou a desviar para outros paraísos fiscais centenas de milhares dos seus clientes, vindos dos quatro cantos do mundo, através de lavagens de dinheiro.

Estes dados dizem respeito apenas ao horizonte temporal entre Novembro de 2006 e Março de 2007, e foram fornecidos por um informático, Hervé Falciani, então trabalhador do banco em Genebra, ao Governo francês em 2008, que deu início a uma investigação. O jornal francês "Le Monde" teve acesso a parte da documentação e partilhou-a com o ICIJ e com jornalistas de mais de 40 países. 

Porque é que falo disso? É que entre as centenas de milhares desses clientes endinheirados, há dezenas de desportistas, e alguns do automobilismo. Michael Schumacher, Fernando Alonso, Heiki Kovalainen, o motociclista Valentino Rossi e o dirigente Flávio Briatore são alguns dos visados no esquema. Claro, abrir uma conta num paraíso fiscal não é crime - e sejamos honestos, qualquer um que tivesse uma fortuna nas suas mãos, faria o mesmo - mas temos de ver que muitas dessas fortunas são obtidas de modo ilícito. Sejam políticos que recebem dinheiro vindo de fundos duvidosos, ditadores que saqueiam os tesouros públicos para seu próprio proveito, traficantes de armas e drogas, são muitos desses exemplos.

Apesar de tudo, a própria investigação ressalva: “Não é nossa intenção sugerir ou indicar que quaisquer pessoas, companhias ou outras entidades incluídas neste aplicativo interativo quebraram a lei ou agiram de maneira imprópria”. Basicamente, o que querem afirmar é que a HSBC agiu de forma anti-ética.

Indo para os casos em particular, pode-se dizer que algumas situações já vinham do passado. Por exemplo, Valentino Rossi teve problemas com o governo italiano em 2008, quando morava em terras inglesas, e as autoridades tributárias reclamavam uma divida de 19 milhões de euros. Posteriormente, chegaram a acordo. Já Alonso, que na altura vivia em terras suíças, agora voltou a Oviedo e paga os impostos como cidadão espanhol. "Estou feliz por pagar o dinheiro. Não estou pobre, só menos rico”, falou.

Já Briatore tinha as suas empresas em domicilio fiscal suíço, tendo em 2008 sendo o titular ou tendo ligações a 38 contas ao todo, com o montante combinado de 73 milhões de dólares. O seu advogado já disse que todas elas são legitimas, vindas de negócios legítimos, e que não deve nada às autoridades fiscais do seu país. No caso de Schumacher, os valores não são referidos, e ele é residente em terras suíças há mais de 15 anos.

Sobre isto, a filial suíça do banco britânico garantiu, nesta segunda-feira, que promoveu uma "transformação radical" das práticas da instituição, após os "incumprimentos verificados em 2007", para evitar casos de fraude fiscal e de branqueamento de capitais. "O HSBC (Suíça) levou a cabo uma transformação radical em 2008 para evitar que os seus serviços sejam utilizados para defraudar o fisco ou para lavagem de dinheiro", disse o director-geral da filial, Franco Morra, num comunicado enviado à AFP.

Essas revelações relativas a práticas do passado, devem lembrar que o velho modelo de negócios do banco privado suíço já não é aceitável”, adiantou. O HSBC Suíça “não está interessado em estabelecer relações comerciais com clientes ou potenciais clientes que não respeitam as nossas exigências em relação à criminalidade financeira”, concluiu.

Contudo, alguns países exigem mais informações sobre a atividade dos seus concidadãos nesse banco. Um deles, a Bélgica, já pondera emitir mandatos de detenção aos seus diretores, pela demora em fornecer informações pedidas há cerca de três meses, e dos quais ainda não obtiveram resposta.

Em suma, não se pode dizer que estes desportistas fizeram algo ilegal, apesar de haver casos nebulosos. Mas vê-los no meio de familiares de ditadores africanos, traficantes de armas ou construtores civis que sobrefaturaram as obras não é lá uma grande companhia. E de uma certa forma, a fama de sigilo nas contas vinda das terras helvéticas começa a esboroar-se. Quer seja através de ações de outras nações, quer seja através de pessoas que "colocam a boca no trombone". A evasão fiscal é um assunto sério.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Os rumores andam doidos

Os rumores, quando o assunto é Fernando Alonso, parece que rebentam a escala. Mas nesse campo, é de simples explicação: a pessoa que está por trás de todas elas é Flavio Briatore, que parece ser feito da mesma massa de Bernie Ecclestone. E de uma certa maneira, poderá fazer sentido.

Vamos explicar: o jornal espanhol "Sport Bild" lançou a ideia de que Fernando Alonso poderá ir para a Lotus, que como sabem, já se chamou Renault, que já têm há algum tempo uma espécie de acordo com a Mercedes para ter motores na próxima temporada. Mas isto poderá correr em paralelo com outro negócio: o da compra da equipa por parte de Lawrence Stroll, que quer comprar uma equipa e está a ser aconselhado por Flávio Briatore nesse sentido. Stroll parecia estar a negociar com a Sauber nesse sentido, mas parece que por estes dias, o interesse esfriou.

A ideia da Lotus até poderá fazer sentido, dado que ela precisa de dinheiro e têm enormes prejuízos. Mas a ir para lá, vai significar que o espanhol vá de cavalo para burro, porque mesmo que tenha motores de primeira linha, têm que lidar com uma "sangria" em termos de pessoal especializado, engenheiros incluídos. É que nos últimos dois anos, muitos dos engenheiros e projetistas da Lotus-Renault foram embora para outras marcas devido a salários em atraso, por exemplo. E nesta temporada, só há dois oitavos lugares, todos por obra de Romain Grosjean.

Indo para a Lotus em 2015, numa equipa que está numa situação critica, não me parece uma boa alternativa para alguém que procura desesperadamente se manter competitivo. E no lado da Ferrari, parece que se procura por um substituto. Segundo conta o jornal "Gazetta dello Sport", Marco Mattiacci procurou por Sebastian Vettel e perguntou se estava disposto a ir para a Scuderia, ao que ele ficou de responder. Mas também se estuda a alternativa de Jules Bianchi, atualmente na Marussia e piloto de desenvolvimento da Ferrari.

Em suma, os rumores voam, mas parece que convergem num ponto: Fernando Alonso parece que se fartou da Ferrari e procura ser competitivo noutro lado. Mas tudo isto poderá acabar tudo na mesma, com Alonso a cumprir o contrato até 2016.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Briatore e os galões que a Red Bull puxou

O caso Malásia (ou RedBullGate) continua a fazer correr tinta, três dias depois do sucedido. E se à maré de criticas sobre a atitude de Vettel continua a agitar o meio, parece que a Red Bull - que se fecha em copas sobre este caso, querendo resolvê-lo dentro das suas quatro paredes, parece que reagiu perante as declarações de uma pessoa: Flávio Briatore.

O ex-dirigente da Benetton e da Renault comentou o sucedido de modo duro: “Agora sabe-se quem realmente manda na Red Bull, é Vettel.", começou por dizer aos microfones da Radio RAI. "Já existiram problemas no passado. A relação entre eles era apenas formal e agora simplesmente não existe relação. (...) O carro da Red Bull é muito competitivo, portanto nenhum deles quer sair, mas Sepang foi a prova de que não há ninguém a mandar na equipa. Na Red Bull quem manda é Vettel, e não pode haver um piloto que também é Team Manager", ironizou Briatore.

Há uma razão do qual Flávio Briatore tenha mandado tais "bocas": ele é o manager de Mark Webber, desde há muito tempo, e no ano passado, falava-se amiúde que o australiano poderia ser piloto da Ferrari em 2013, no lugar de Felipe Massa, e ao lado de Fernando Alonso, já que se considerava que ele era o segundo piloto ideal. Mas isso tudo aconteceu antes de Webber renovar pela Red Bull até ao final desta temporada. 

Às criticas, a Red Bull respondeu ontem com um comunicado enviado para a BBC, mostrando os seus galões a Briatore: "Mark e Seb são companheiros desde 2009 e em conjunto conseguiram 35 vitórias, 80 pódios, 13 dobradinhas e seis títulos mundiais de Fórmula 1. Este período de sucesso incluiu alguns momentos de intensa rivalidade em pista, que começou na Turquia em 2010 e no qual ambos já ignoraram ordens de equipa em diferentes alturas. A equipa geriu cada um desses momentos à porta fechada e à sua maneira", começou por explicar.

"É pura especulação dizer que Mark não estará com a equipa em 2014. O seu contrato foi sempre renovado anualmente, tanto por opção própria como da equipa, e Mark é um excelente piloto e um desportista competitivo", continuou.

"Quanto à ida do diretor de equipa ao pódio na primeira vitória do ano, esta é completamente opcional. Christian (Horner) nem sempre foi ao pódio na primeira vitória em cada ano e a Lotus também não enviou o seu Team Principal ao pódio na Austrália - isto é irrelevante. Um diretor fraco não teria guiado a equipa a três títulos mundiais consecutivos ao mesmo tempo que dirigia o extenso trabalho coletivo que é necessário para este feito - gerindo ainda dois pilotos talentosos. Este feito apenas foi conseguido por quatro equipas em toda a história do desporto", recorda, em jeito de conclusão, o comunicado da equipa com sede em Milton Keynes.

terça-feira, 22 de maio de 2012

O regresso de Briatore e o "bluff" de uma série paralela

A noticia surgiu no final de semana e por aquilo que já li, cheguei à conclusão que ainda não se deve levar a sério. Contudo, leiam isto na mesma. Segundo a revista alemã "Auto Motor und Sport", Flávio Briatore, antigo patrão da Renault, expulso da Formula 1 depois do "Crashgate" de Singapura, em 2008, poderá estar a preparar o regresso à ribalta sendo o patrão de uma série chamada "GP1", uma espécie alternativa de Formula 1, caso a FIA não concorde com os termos acordados com o novo Acordo de Concórdia, que caso seja aprovado, estará em vigor a partir de 2013.

A ideia que fica é que parece ser um "plano B" do qual algumas pessoas estão a fazer caso as negociações sobre um novo Acordo da Concórdia corram mal. Falta mais de meio ano para que a validade deste Acordo chegue ao fim, mas não é de mau tom que se comece a discutir uma nova distribuição dos dinheiros da Formula 1, mas parece que as equipas querem uma percentagem maior, contra um Bernie Ecclestone que nunca abdicara da sua parte, pelo menos enquanto ele for vivo.

Joe Saward, que foi onde li esta sugestão pela primeira vez, afirma que esses regulamentos da tal de GP1 "é como entregar as chaves do banco a Bonnie & Clyde". Ou como dizemos por estas bandas, colocar a raposa no galinheiro. Mas a ideia que fica é que, ao contrário do que Bernie Ecclestone afirmava alto e bom som no inicio do ano, é que o novo Acordo de Concórdia pode estar longe de estar negociado ou assinado. Sabe-se das divergências da Mercedes sobre a sua parte do acordo, sabe-se sobre a possivel colocação da empresa "Formula 1" na Bolsa de Singapura (interessante: porque não Londres, Paris ou Nova Iorque?) e também por causa das tensões existentes entre Jean Todt e Bernie Ecclestone.

Mas também há outro assunto que apareceu nos últimos dias: controle de custos. Muitas equipas começam a discutir tal ideia, que parece ter alguma recepção em muitas equipas, especialmente as do meio do pelotão, que poderia dar algum equilibrio, ou pelo menos, não faria com que a diferença para uma Red Bull, McLaren ou Ferrari fosse tão gritante, como acontece por vezes. A ideia que exista um tecto máximo em termos de orçamento, fora assuntos como o salário dos pilotos, por exemplo.

E também há outra coisa que a FIA estaria de bom grado receptiva, que é o controlo de custos nas categorias de base, como na Formula 2. É que competições como GP2 e GP3 são simplesmente um sorvedouro de dinheiro, regido em chassis monomarca e monomotor, com um monopólio de peças. E claro, os custos são proíbitivos. E o exemplo disso é que os pilotos da GP2 nesta temporada gastaram cerca de 1,5 milhões de euros para correr por lá, e os de GP3 estão a desembolsar perto de 600 mil euros para uma temporada inteira. A World Series by Renault vale um milhão para um lugar e a Formula 2 custa pouco mais de metade disso, 320 mil euros.

Em jeito de conclusão, parece que, ao contrário do que se vê, parece que existem tensões entre as partes em conjunto sobre a negociação do Pacto de Concórdia. Nada que não se saiba ou se conheça de cada  vez que se negoceia a sua renovação, não é?

Eis um bom tema de conversa para o verão europeu. Que promete ser longo e quente. 

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Youtube Monaco Moment: Top Gear nas ruas de Monte Carlo



Descobri estas imagens há pouco no blog do Octeto: os três meninos do Top Gear a fazerem uma corrida nas ruas de Monte Carlo com três carros interessantes, um Fiat 500, conduzido por Richard Hammond, um Renault Clio, conduzido por James May, e um Citroen DS3, cujo piloto é Jeremy Clarkson.

Os três andam a gravar a nova série, que começará a ser emitida a partir de julho na BBC, mas eles tinham, nesta corrida em particular no circuito monegasco, três passageiros especiais: Clarkson tinha Bernie Ecclestone - que pensava não ter posto o cinto de segurança, mas afinal tinha colocado de modo incorreto - o "Capitão Lento" tinha Flávio Briatore e o pequeno Hammond levava Christian Horner como passageiro.

E as reações dos passageiros às corridas dos pilotos foram engraçadas: Briatore não tugiu nem mugiu, enquanto que Horner adorou e Ecclestone sorriu. Pena foi que o Clarkson não se lembrou de fazer um "break test" na La Rascasse para ver se o Ecclestone não saisse janela fora...

quarta-feira, 30 de março de 2011

É muito cedo para cantar derrota, parte dois

Ontem dizia que era muito cedo para as pessoas começaram a cantar o que quer que seja. Derrotas ou vitórias. Da mesma maneira que ainda não acredito que a Red Bull vá dominar a temporada, apesar do sinais latentes, também não acredito que a concorrência esteja derrotada em toda a linha logo após Melbourne. Digo isto depois de ler as preocupações sobre o projeto da Virgin e depois de ler as declarações de Flávio Briatore sobre a Ferrari:

"Pode parecer absurdo, mas a Ferrari deveria concentrar-se no monolugar de 2012. A equipa tem os meios e os recursos necessários, mas meio segundo de diferença para os Red Bull é uma eternidade", afirmou o ex-diretor da Renault em declarações ao diário finlandês Turun Sanomat.

Sobre a Virgin, Timo Glock não esconde o seu desânimo à Autosport portuguesa: "Porque esperávamos muito deste projeto e a verdade é que não progredimos nada e os nossos adversários diretos, a Lotus, deram um claro passo em frente".

Por isso, o alemão só espera que "as modificações que vamos levar para a Turquia surtam efeito, mas a diferença é muito grande e será difícil atingir os objetivos a que nos tínhamos proposto no início deste ano".

Vamos lá fazer de advogado do Diabo: primeiro que tudo, continuo a dizer que é prematuro dizer algo sobre os carros e sobre a época em si. Ninguém tem bolas de cristal para adivinhar o futuro e o que temos são tendências, nada mais. Segundo: Flávio Briatore nunca foi e nunca será um especialista. É um "alien" que nunca se interessou verdadeiramente sobre os aspectos técnicos da Formula 1, que certo dia, ainda na Renault, considerava como "demasiado chatos para serem entendidos". Nesse aspeto, é como Bernie Ecclestone: sempre que abre a boca, sai asneira. Portanto, tudo aquilo que diz é quase um insulto aos especialistas.

Claro, podemos dizer que tudo isto poder servir para o seu plano de regresso à Formula 1, cujo objetivo seria o ingresso na estrutura dirigente da Ferrari. Se ele for inteligente, a ideia pode ser essa. Mas mesmo assim, tais declarações continuam a ser prematuras e descontextualizadas. O fato da Ferrari ter sido a terceira equipa em Melbourne, atrás da Red Bull e da Ferrari, e que, por exemplo, o sétimo lugar de Felipe Massa se deve à desclassificação dos Sauber, não quer dizer absolutamente nada, pelo menos neste inicio da época. O ano passado, os Ferrari eram pouco considerados até meio da época, e depois recuperaram ao ponto de quase alcançarem o título. Lembram-se?

Portanto... Briatore perdeu uma boa oportunidade para estar calado. Tivesse um pouco mais de paciência e talvez dentro de algumas corridas poderia ter razão no que dizia.

Sobre a Virgin, diremos que estão a pagar o preço de usarem uma estratégia diferente. Desenhar carros por computador pode ser uma boa ideia no papel mais precisa ainda de tempo para dar certo. E parece que neste ano dois da agora Marrussia Virgin nas pistas, pelo menos na Austrália andaram muito perto do limite dos 107 por cento, o que é perigoso para Timo Glock e Jerôme D'Ambrosio. Ver escapar a Team Lotus pode ser frustrante, e para piorar as coisas, há rumores de que a pífia Hispania poderá ter um bom chassis, quando conseguirem afiná-lo.

Quem conta essa é o James Allen: o fato de Vitantonio Liuzzi ter ficado 1,7 segundos atrás da pior das Virgin significa que mesmo com todas as trapalhadas dentro daquela equipa, alguém poderá ter feito o trabalho de casa e combinado o que de melhor se fez da Williams (a caixa de velocidades) com o motor Cosworth. Se aquilo que o Colin Kolles anda a arrotar para fora for verdade, então temo que haja muita gente a engolir sapos vivos a meio do ano...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Tudo aquilo que você queria saber de Flávio Briatore, mas ele nunca iria contar...

As biografias das principais personagens da Formula 1 atual parecem estar na moda. Se tivemos nas últimas semanas dois livros sobre Bernie Ecclestone, que a principio condescendeu, mas depois os repudiou, agora surgiu em Itália uma biografia não autorizada de Flávio Briatore, uma personagem que muita gente considera como misteriosa e capaz de fazer coisas ilegais, como já sabemos da historieta do "Crashgate". E segundo os seus autores, Andrea Screnersini, Maria Elena Scandaliato e Nicola Palma, ao desvendar os mistérios da vida de Briatore, demonstra a vida de uma pessoa que para chegar onde chegou, não se importou de fazer coisas á margem da lei.

Eis a resenha escrita no sitio Cronacaqui.it, e traduzida para português graças ao site Speedblog, o conteúdo demonstra o potencial explosivo deste livro, editado apenas em Itália e que Briatore - que segundo eles nunca leu um livro - se demonstrou exageradamente interessado em comprar todos os exemplares...

"Um sócio que voa pelos ares e outro que desaparece do nada, a esposa secreta, as relações perigosas. E, ainda, o jogo e os golpes, a condenação, a fuga, o voo e o esconderijo. Está nas livrarias o 'Signor Billionaire' (editora Aliberto), a autobiografia não autorizada de Flavio Briatore.

Um livro de investigação que traça a vida do 'marinheiro', como lhe chamavam em sua cidade natal, Cuneo, por causa de sua movimentada diária. Aqui está ele, o gerente italiano mais famoso no mundo, o fenómeno da Fórmula Um, um homem que fez estrago nos corações das super modelos como Naomi Campbell e Heidi Klum.

Ele, Briatore: a prova viva de que o lema 'Se você quiser, você pode', cunhado por ele, às vezes realmente funciona, como nos filmes americanos.

Briatore, um ícone do self-made man, o filho de professores da província Granda, que deixou para trás com apenas um diploma de agrimensor no bolso e uma tese sobre a
'construção de um estábulo' para se tornar multimilionário. E hoje só anda num jato particular e um iate de 60 metros, vangloriando-se de jamais ter lido um livro.

Mas de onde vem tanta fortuna? Quem era Flavio Briatore antes de se tornar o Senhor Bilionário? Andrea Sceresini, Maria Elena Palma e Nicola Scandaliato contam a sua história pirotécnica. Uma longa jornada em busca de ex-sócios, conhecimento do passado e da ex-mulher, esquecida há tempos.
Uma viagem de Cuneo a Nova York, passando por Milão, Nice e Saint Thomas.

E que descobre um mundo cheio de velhas investigações criminais, antros de jogo e casinos. E ainda amizades com empresários emergentes, com um sócio marcado pela má sorte, que misteriosamente saltou no ar com seu carro. Um mundo que ninguém tinha revelado.


E depois há o capítulo sobre as mulheres. Além de Naomi e Heidi, existem Adriana Volpe, Vanessa Kelly, Elle MacPherson. Mas há uma mulher que Briatore sempre se escondeu dos repórteres. Seu nome é Marcy Schlobohm, uma ex-modelo americana. É sua primeira esposa e ficou com ele por mais de quatro anos (1983-1987). A esposa secreta. Sobre Marcy, Briatore fez apenas uma pequena referência, enganosa, em uma entrevista há três anos. Marcy agora ocupa o capítulo final do livro."

Espero que haja interessados em traduzir o livro para várias linguas, pois creio que seria interessante saber as surpresas que o livro nos revela.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

5ª Coluna: As razões para a amnistia a Briatore

No inicio da semana, soube-se que a FIA decidiu reduzir a suspensão de Flávio Briatore e de Pat Symmonds, repectivamente director desportivo e director técnico da equipa Renault de Formula 1 para uma pena de quatro anos de suspensão de actividade, na sequência do "Crashgate": o escândalo em que Nelson Piquet Jr. foi obrigado a bater no muro de protecção no GP de Singapura de 2008, obrigando à entrada do Safety Car e à subsequente vitória de Fernando Alonso nessa corrida.

A FIA, numa das últimas decisões que tomou enquanto Max Mosley era o presidente, inicialmente tinha banido Briatore para o resto da sua vida e suspenso Symmonds por cinco anos. Ambos apelaram, e depois de Briatore ter contestado esta sentença num tribunal comum de Paris, e ter ganho, agora chegou a um acordo com a FIA, chefiada nos dias de hoje por Jean Todt. Briatore afirmou
"assumir as culpas enquanto chefe da Renault", e ficaria afastado da Formula 1 até 2012, para depois voltar, se quiser, a partir de 2013.

Nos bastidores, fala-se que esta decisão foi tomada tendo em conta a influência de Bernie Ecclestone. O patrão da FOM nunca escondeu a sua admiração por Briatore, que o vê como alguém que pensa como ele: move-se no meio como peixe na água, e está mais interessado em fazer dinheiro do que nos aspectos técnicos da competição. E desde que se soube da sentença aplicada, ele defendeu uma espécie de amnistia pelo crime cometido, para o ter de novo no meio da Formula 1. E a razão para isso é mais simples do que se julga: para Bernie Ecclestone, que fará 80 anos no próximo dia 30 de Outubro, Flávio Briatore é o seu sucessor à frente da FOM, a organização que trata dos dinheiros das transmissões televisivas.

E a escolha de 2013 para o regresso às actividades de Briatore é também simples: em 2012 termina o actual Pacto de Concórdia, assinado em meados de 2009, depois de uma guerra entre a FOTA (a Associação de Construtotres de Formula 1) e a FIA que quase resultou numa ruptura e consequente criação de uma série paralela. Os construtores assinaram este Pacto, não só para enterrarem o "machado de guerra", mas também para uma distribuição mais equitativa dos dinheiros das transmissões televisivas, mas muitos dentro do sistema continuam a dizer que ainda continua a ser um "acrordo leonino": a FOM (leia-se, Ecclestone) ainda recebe cerca de 50 por cento dos dinheiros, sendo os restantes 50 por cento divididos entre as 12 equipas de Formula 1.

Toda a gente sabe que isto é uma trégua. A partir de meados de 2012, a FOTA virá em força para conseguir uma fatia maior do bolo, e a agitação nos bastidores poderá voltar em força. E Ecclestone, sabendo que os seus dias nesta terra já não serão muitos, precisa de um sucessor igualmente forte para resistir ao asslato da FOTA. E quem melhor do que... um ex-membro da FOTA? E Briatore já assumiu que, a voltar em 2013,
"será num papel diferente".

Hoje em dia, os muitos milhões que mexem com a Formula 1 são motivo de cobiça. E quem controlar o fluxo, é o rei. E "King Ecclestone" com esta sentença, já trabalha na sua sucessão.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A reabilitação futura de Flávio Briatore

Lentamente, quase fora no nosso alcance visual, cozinha-se uma possivel reabilitação de um homem que há cerca de nove meses, foi banido para o resto da vida de um "paddock" de Formula 1. Aparentemente, Flávio Briatore prepara o seu regresso, depois do Singaporegate de 2008. Contudo, ele não quer voltar como director de uma equipa, mas como alguém nos bastidores. E o mais provável é que ele quer ser o sucessor de Bernie Ecclestone. Não que o Tio Bernie não queira, até o acolhia de braços abertos, devido aos vários negócios que os dois tiveram juntos. É o homem certo para cuidar da nau depois da sua partida.

Nâo sei quando é que isso vai acontecer, mas tal reabilitação estará condicionada a vários factores. Desde saber os resultados do recurso apresentado à FIA sobre a sentença dos tribunais comuns, que reverteu a pena aplicada pelo Tribunal de Apelo, até à ideia de que somente em 2012 é que estaria disponivel para estar nesse cargo. Acho que não é inocente essa data. É o ano de negociações para um novo Acordo da Concórdia.

A ser verdade, vai ser mais um motivo de tempestade no "paddock". A sua ausência não é de todo lamentada, pois toda a gente sabe que era mais um homem de negócios do que própriamente um técnico que percebesse a mecânica e a electrónica dos bólides. Apesar de ser um homem que esteve de lado da FOTA, nas lutas de 2009, creio que muita gente sabia que ele estava ali porque, em caso de ruptura definitiva, alguém teria de ficar à frente dos aspectosa comerciais. Dinheiros das TV's e tudo o mais. E creio que ele é tão ganancioso quanto o Ecclestone, mas tem outra visão.

Não sou futurólogo, mas não ficaria surpreendido se existisse alguma forma de "reabilitação" de Briatore, uma forma de "apagar o passado" por parte da entidade máxima do automobilismo. Mas corre-se o risco de, caso o pior aconteça, a credibilidade de um desporto, que lentamente está a reabilitar-se, depois de algum tempo de agitação politica, com Max Mosley ao leme, atinja novos baixos.

E depois... o que seria a Formula 1? A GP2 foi dirigida por Briatore (indirectamente, pois o conjunto chassis/motor são da Renault) e temo que se transforme em corridas de "Sprint" com uma hora de cada, duas vezes a cada fim de semana. Seria mais uma forma de adulterar este desporto, já de si modificado por causa da entrada dos dinheiros das televisões. Já por aí, mete medo.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A 5ª Coluna desta semana

Passadas as festividades do Natal e Ano Novo, a Quinta Coluna volta à carga no sitio do costume, e desta vez dedico-me a três assuntos: o Rali Dakar, o regresso de Michael Schumacher e o "indulto" concedido por um tribunal comum a Flávio Briatore, que tenta anular a sentença concedida pela FIA depois do "Crashgate" que o baniu do "paddock" para todo o sempre.
E o seguinte excerto tem a ver com este ultimo assunto:

"(...) Briatore, claro, goza uma vitória transitória, se quiserem, o seu ressuscitamento às mãos da FIA e das entidades automobilísticas. Até Bernie Ecclestone disse que seria bem-vindo de volta à Formula 1, caso queria voltar algum dia. Com o “anãozinho tenebroso”, ele até estenderia o tapete vermelho ao Belzebu, caso ele quisesse montar a sua equipa e correr na categoria máxima do automobilismo…

O italiano não ficou quieto e já ameaçou os Piquet de o colocar em tribunal, caso abram a boca, bem como Lucas di Grassi e Heiki Kovalainen, que tinham contratos assinados com ele, como 'manager' e que foram aconselhados a quebrar, pois caso contrario seriam considerados como 'personas non gratas' no paddock e as suas carreiras seriam prejudicadas no futuro. De uma certa maneira, é a vingança do italiano, agora que venceu esta batalha… mas ainda não ganhou a guerra.

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos
."

Isto e muito mais podem ver a partir aqui. Boas leituras.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Então anularam a sentença, hein?

A justiça francesa decidiu esta tarde reverter a pena de banimento vitalícia que tinha dado a Flávio Briatore pelo "Crashgate", o acidente de Singapura 2008, causado de propósito por Nelson Piquet Jr. para favorecer o seu companheiro Fernando Alonso. Para melhorar as coisas, a FIA foi obrigada a pagar a Briatore 15 mil euros de indemenização por "danos à sua imagem". Sendo uma decisão de um tribunal civil sobre uma sentença lavrada por uma organização desportiva, creio que não deve ter força de lei sobre a FIA. Pelo menos é assim em relação à FIFA, que até ameaça as federações de suspensão das suas equipas nacionais, caso haja qualquer caso a ser lavrado em tribunais civis.

Se a FIA comportasse como a FIFA, esta deveria recorrer desta sentença e não autorizar a entrada do irrequieto italiano a qualquer boxe de qualquer autódromo até ao final dos seus dias. Ele e Pat Symmonds, que também viu a sua sentença anulada e tem direito a uma indemnização de cinco mil euros. Mas algo me diz que, neste mundo cinzento e maleável, a FIA irá comportar-se desta maneira. Espero que esteja tremendamente enganado, mas acho que, a bem da própria organização, deveria reforçar o peso das suas leis, sob pena do seu próprio descrédito. E isso não era bom para a sua imagem, numa altura em que esta precisa de ser recuperada.

Isto não é o fim do caso. Eventualmente, Jean Todt e a FIA irão reagir, recorrendo da sentença para um tribunal superior, eventualmente às mais altas instâncias nacionais e europeias. Vai ser uma questão de prestigio, pois caso contrário, qualquer dia teremos Ron Dennis a pedir à FIA que revogue a desclassificação de 2007, resultante do "Stephneygate", e o retorno dos 500 milhões de dólares que foi obrigado a entregar à FIA, resultante da multa que foi obrigada a pagar.

Acho que a FIA deveria recorrer, pois sabe-se que Briatore, que apesar de genial, tem imensos anticorpos no "paddock", e estes até parecem ter respirado melhor após a sua expulsão. Pessoalmente não gosto dele, pois pareceu-me ser um corpo estranho, tipico desta era corporativista de "marketing", que Bernie Ecclestone e Max Mosley tanto cultivaram e este último decidiu "enxotar" no seu último ano de mandato, quase causando a cisão da categoria máxima do automobilismo. Se o defendi no ano passado, foi porque detestava mais o Mosley. E quando se afastou, não chorei lágrimas de crocodilo pela sua partida.

Como já disse anteriormente, isto não é o final da história. Seguirão outras cenas, de outros capítulos. Apesar de haver um novo galo, a politica que segue não vai ser muito diferente da anterior. Eles vão recorrer, nem que seja por uma questão de honra pois ver uma sentença destas anulada por um mero tribunal comum é demasiado humilhante. E como disse atrás, um precedente perigoso.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O último post do ano e as prespectivas para 2010

E pronto... chegamos ao Dia de São Silvestre. Ou se perferirem, ao último dia de 2009, a primeira década do século XXI. Dentro de algumas horas, veremos os primeiros fogos de artificio na Nova Zelândia e Austrália, e depois veremos, vindo o nosso Leste, no sentido dos fusos horários, a inevitável marcha do relógio, apontando para as doze badaladas da meia noite. Nessa altura, vestidos de branco, abrimos o champanhe (Espumante, Cava ou Asti...) e comemos as doze passas, esperando nós que o ano que aí vem seja melhor do que o ano que passou.


Até foi um bom ano, no meio da crise. Tivemos... o quê? Um campeão inesperado, de uma equipa que no inicio do ano ninguém dava nada, um grande susto, uma tentativa de regresso frustrada (mas mais tarde corrigida, noutra equipa) alguns ingressos, um "regresso" e lutas interinas por várias razões, desde um sistema de pontos... ridiculo, até a um "combate dos Chefes" entre FIA e FOTA, que chegou ao ponto de ruptura. E tivemos escândalos na pista... ao retardador, e a consequente explusão dos prevaricadores. E a retirada de duas construtoras, com uma terceira a decidir a sua permanência, mas a um nivel reduzido.

Isto foi 2009. O ano que aí vêm prespectiva-se como atraente, no mínimo. Teremos pelo menos seis ou sete bons candidatos ao título, o regresso de Michael Schumacher, mas não a bordo de um Ferrari, como muitos esperavam. O seu destino vai ser a Mercedes, a mesma que dezoito anos e meio antes, pagou-lhe o lugar vago na Jordan para, numa pista onde nunca tinha corrido antes, surpreender meio mundo. Teremos o regresso dos nomes Mercedes e Lotus, teremos uma grelha alargada a 26 carros e um calendário de 19 pistas, cada vez mais dirigidas para o Médio e Próximo Oriente... mas teremos o regresso do Canadá. Ao menos isso!

Estas são as prespectivas que veremos na Formula 1. Noutras categorias, o panorama também vai ser diferente: o ingresso de Kimi Raikonnen nos Ralies, a bordo de um Citroen C4 WRC vai ser um motivo de atracção e curiosidade, e decerto que a IRL e a Le Mans Series também vão ser motivos de interesse para todos nós, bem como o Rali Dakar, que arrancará no final da semana, em Buenos Aires para a sua voltinha na América do Sul, bem longe das suas origens africanas.

Perspectivas pessoais para 2010? Bom, como já disse, preparo a publicação do meu primeiro livro. Não é uma obra de ficção, é mais uma colectânea do que de melhor já escrevi aqui. De uma certa forma, é começar a ganhar dinheiro com isto, sem Google Adsense ou algo parecido. Se as coisas correrem bem, outros surgirão. Até uma obra de ficção, que claro, nada tem a ver com o automobilismo. Mas espero um dia ter força de vontade para escrever tal.

E 2010 também é um ano redondo por outra coisa, algo que, confesso, tem a minha atracção: será o 40º aniversário de uma temporada tão "horribilis" como o facto de este ano termos comemorado o 15º aniversário dos eventos de Imola. Ao longo do ano que aí vêm, falarei dos eventos que rodearam esse ano anormal, onde três pilotos encontraram a morte, um deles acabou coroado campeão do mundo.

E agora, ergo antecipadamente o meu copo de champanhe, desejando a todos vocês, amigos e vistantes deste blog, um excelente ano de 2010!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Youtube F1 Classic: GP da Australia 1994



Num dia em que confesso ter ficado parado à frente do ecrã sem fazer nada, ia-me esquecendo que hoje comemora-se o 15º aniversário de uma das mais polémicas decisões da História da Formula 1: a colisão entre Michael Schumacher e Damon Hill no GP da Austrália de 1994.


Foi o final polémico de um "annus horribilis" na Formula 1: duas mortes em pista, vários feridos e partidas catastróficas, do qual provavelmente o GP da Alemanha seria a melhor marca, culminando com o incendiário reabastecimento de Jos Verstappen, no qual se viu descobrir depois que tinha sido manobra de Flávio Briatore, de retirar um dispositivo de segurança no bocal da mangueira, no sentido de poupar segundos no reabastecimento.


Na altura, passou-me pela cabeça que a coisa foi unicamente obra de um Michael Schumacher que queria ganhar o seu título a todo o custo, fazendo até manobras polémicas como a de abalroar adversários, para ver se conseguia o seu título mundial. Mas após estes anos todos, começo a perguntar: qual foi o papel de Flávio Briatore no meio disto tudo? Não tanto na colisão em si, mas sim durante a temporada, pois houve um forte e constante rumor (investigado pela FIA, mas sem provas suficientes para uma incriminação pura e dura) de que o carro usava controlo de tracção, um dos dispositivos electrónicos abolidos pela FIA no final da temporada de 1993.


Hoje em dia, passados 15 anos, aplaudimos Michael Schumacher como um dos maiores pilotos da história da Formula 1. Mas não esquecemos a maneira como conseguiu este seu primeiro título...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Eis uma hipótese interessante

Falamos bastante durante o dia de ontem sobre o "Crashgate" e aplaudimos (ou não) a sua sentença. Julgamos que sabemos a razão pela qual Flávio Briatore ordenou uma decisão tão pouco desportiva (para ser mais meigo) sobre Nelson Piquet Jr. e até alguns de nós acham que o ideal seria que todos fossem expulsos para sempre, Renault incluida. Mas hoje li uma hipótese não tão disparatada assim, a julgar pela zona do globo e pelo perfil de Briatore: que isto tudo foi uma combinação... vinda das casas de apostas asiáticas. Quem o defende é Domingos Piedade, actual presidente do Autódromo do Estoril e antigo manager de pilotos.


Falando na edição de hoje do jornal "Público", Domingos Piedade referiu que as duas unicas vitórias da Renault e de Fernando Alonso em 2008 foram em paises asiáticos (Singapura e Japão). Coincidência ou não, o piloto espanhol partiu em posições bem atrás na grelha, logo, uma vitória do espanhol em ambas as corridas seria improvável. A ideia de apostas na China ganha força, por serem lucrativas... e ilegais. Para além de serem combinadas e controladas pelas tríades chinesas, verdadeiros sindicatos do crime organizado. Se é verdadeiro ou não, desconheço. Mas o facto de hoje, a Premier League ter pedido detalhes da sentença da FIA sobre Flávio Briatore, para lançar a sua própria investigação, é sintomático de que podem haver suspeitas sobre um dos actuais proprietários do Queens Park Rangers. A ser provado, pode significar o banimento puro e simples do futebol.

António Vasconcelos Tavares, representante português na FIA, que participou ontem na reunião do Conselho Mundial, admite que a viciação de apostas é um cenário "possível", mas frisa que a investigação por parte da FIA se limitou "ao âmbito desportivo", vincando ainda que a comprovação do cenário da viciação de apostas "exigiria uma investigação judicial" - algo que, até ontem, não foi pedido, nem pela FIA nem pelas restantes equipas que participaram no Mundial de 2008.



Não ficaria nada admirado que este caso tenha mais capítulos, pelo menos no caso do Briatore. O passado dele comprova-o...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A capa do Autosport desta semana

A capa da edição desta semana do Autosport tem como grande destaque a decisão do "Renaultgate", onde resultou na suspensão da Renault por dois anos (mas com pena suspensa) e a expulsão de Flávio Briatore e de Pat Symmonds. Contudo, a revista lança algumas dúvidas sobre o futuro da Renault na Formula 1 "Renault F1 em risco!" é o título em destaque.


Para além disso, fala-se de dois assuntos que dominaram a semana que passou: o regresso da Lotus e a compra da Sauber por um fundo árabe. "Quem está por detrás do regresso da Lotus à F1" e "BMW salva por petrodólares" são títulos demasiado apetitosos para não serem lidos amanhã...


Depois da Formula 1, fala-se de António Felix da Costa. O piloto português de 18 anos tornou-se campeão NEC da Formula Renault 2.0, conquistando assim o seu primeiro título internacional em monolugares, numa jornada que teve o seu quê de polémico. "Felix da Costa, o seu primeiro título internacional". Que seja o primeiro de muitos, é o que desejo...


E para finalizar, o fim de semana competitivo em Portimão, onde Alvaro Parente foi quarto numa das corridas da GP2, e Miguel Ramos, no seu Maserati de GT, foi terceiro. Até foi um bom fim de semana para as cores portuguesas...

A vida de Flávio Briatore, agora banido da Formula 1

No dia em que Flávio Briatore foi banido permanentemente da Formula 1, o jornal português Público decidiu fazer um artigo sobre a vida e a carreira deste vendedor nato, que veio para a Formula 1 pela mão de Luciano Benetton e que construiu uma carreira dentro dela à custa de dois pilotos-maravilha: Michael Schumacher e Fernando Alonso. Nada percebia de carros, mas ficou por lá duarante quase 20 anos, deixando a sua marca na coompetição. E o artigo mostra que o "Renaultgate", que acabou por ser a sua perdição, já teve alguns antecedentes no passado, especificamente em 1994...

O PLAYBOY DA FORMULA 1 CAIU DO PEDESTAL
21.09.2009 - 15:05 Victor Ferreira


Flavio Briatore tem os ingredientes certos para atrair as atenções. Lutas de poder, fama, dinheiro, excentricidades, sexo, ascensão e queda. Hoje a vida do italiano de 59 anos que há quase três décadas entrou de mansinho no restrito círculo da Fórmula 1 (F1), mundo do qual se prepara para sair com estrondo, pode conhecer mais um capítulo. O Briatore sedutor, o empresário que se tornou magnata, que soube vender como ninguém a roupa da Benetton, espectáculos desportivos e a sua própria imagem, pode ter dado a sua última curva quando, na semana passada, se demitiu (ou foi forçado a demitir-se) da Renault F1, por suspeitas de batota.


O destino de quem chegou a ser apontado como possível sucessor de Bernie Ecclestone, detentor dos direitos comerciais da F1, pode mesmo ser o afastamento do desporto automóvel. O que nunca o deixará desocupado, pois Briatore tem muito com que se entreter: é dono do clube nocturno Billionaire, na Sardenha, de um beach club na Toscânia e de um resort de luxo no Quénia, tem uma marca de roupa desportiva de luxo (Billionaire Italian Couture), um restaurante em Londres (Cipriani) e comprou o Queens Park Rangers (QPR), clube de futebol da segunda divisão inglesa.


Como muitos empresários que chegaram ao topo, Briatore somou vitórias mas também inimigos. Isto ao mesmo ritmo que ia coleccionando namoradas top model. Esta última faceta, bem documentada pelas revistas cor-de-rosa, fez com que não fosse preciso ser adepto da F1 para saber quem é que ele é (ou foi). Quem não o acompanha nas pistas, conhece-o como o bon vivant que escapou a um cancro nos rins em 2006. Ou como o anfitrião de muitas celebridades no seu iate Blue Force (que aluga por 250 mil euros por semana). Ou ainda como aquele playboy que, mesmo sem uma figura apolínea, trazia muitas beldades pelo beicinho (a lista daria para fazer uma passerelle de luxo: Naomi Campbell, Adriana Volpe, Emma Heming e Heidi Klum). Porém, esta espécie de Casanova moderno já se reformou das conquistas amorosas. Ou assim quer fazer crer. Em 2008, casou com Elisabetta Gregoraci, uma modelo 30 anos mais nova e conhecida pelas campanhas da Wonderbra.


Agora que Briatore está para cair do pedestal, por suspeitas de ter encomendado a Nelson Piquet Júnior um acidente no Grande Prémio de Singapura 2008, com o objectivo de beneficiar outro dos seus delfins, Fernando Alonso, os inimigos do ex-chefe de equipa da Renault estarão a bater palmas ou a suspirar de alívio. Para esses, o abandono de Briatore é o fim de um adversário temível que não percebia nada de carros, mas que sabia como ganhar. Frank Williams, o eterno patrão da Williams, resumiu esta característica melhor do que ninguém: “Flavio não é um homem das corridas, mas toma sempre a decisão certa."

Herói ou vilão?


O caso em que está acusado de batota foi descoberto depois de Nelson Piquet, pai de Nelson Piquet Júnior, ter denunciado as instruções que vieram da boxe da Renault para o seu filho. Piquet, que trabalhou com Briatore na Benetton, acaba por ser o seu carrasco, num caso em que “se descobriram as verdades depois de uma zanga entre comadres”, diz ao P2 António Vasconcelos Tavares, membro do órgão que se reúne hoje em Paris com a missão de julgar o caso de alegada batota que envolve o italiano e a equipa francesa. É que antes da denúncia, Piquet Júnior fora afastado da Renault por Briatore.


Apesar de achar “reprovável” o episódio que conduziu à saída de Briatore da Renault, este representante português no Conselho Mundial da Federação Internacional do Automóvel (FIA) “não usaria a expressão batoteiro” para o definir. “Não se deve avaliar alguém apenas por um aspecto negativo da sua carreira”, sublinha, acrescentando que independentemente do juízo que vier a ser feito sobre o que se passou com a Renault em Singapura, Briatore “foi uma figura importante para uma modalidade que também precisava de ícones”. Mesmo descrevendo-o como “alguém que, a partir de determinada altura, se sentiu um deus”, Tavares não tem dúvidas de que Briatore “vai ser lembrado tanto pelas companhias magníficas que sempre teve, como pelo grande contributo que deu à promoção da Fórmula 1


Pedro Lamy, piloto português que corria pela Lotus no ano em que Briatore conseguiu o seu primeiro título mundial (1994), vê o italiano como “um grande líder”. “É uma figura muito importante na F1, um dos que mandam, um vencedor nato que foi buscar pilotos muito bons, que sabe como vencer”, diz Lamy ao P2, recordando que foi o italiano quem lançou para a ribalta dois campeões: Michael Schumacher e Fernando Alonso. Lamy, que andou pelo paddock nos anos áureos da equipa Benetton orientada por Briatore, recorda também a faceta mais obscura do italiano. “Era excêntrico e controverso. Tinha algumas situações estranhas, como ser manager de pilotos e, ao mesmo tempo, de uma equipa”, situação que lhe dava “um poder imenso” – o de criar (ou destruir) carreiras.


António Vasconcelos Tavares, que conhece Briatore, fala de um homem “temperamental” que “não gosta de perder” e que pode ter-se descontrolado em nome dessa sede de vitórias, com muito dinheiro à mistura. “Era um sedutor, e não apenas com as mulheres”, recorda Tavares. “Conseguia ser charmoso com qualquer pessoa que era do seu interesse, que pudesse ter alguma relevância para a sua vida ou a sua carreira.”



Sucesso made in Benetton



Filho de um casal de professores, Flavio nasceu a 12 de Abril de 1950, em Verzuolo, nos Alpes italianos. Foi apenas um aluno mediano e a sua primeira ocupação foi como instrutor de esqui. Aos 24 anos, era vendedor de seguros e é precisamente nessa década de 1970 que a sua vida começa a mudar, com os primeiros sucessos e também as primeiras controvérsias.


Antes de conhecer Luciano Benetton, o homem que daria a volta ao seu futuro, Briatore trabalhou na Bolsa de Milão. Isto já depois de ter sido assistente de um homem de negócios, Attilio Dutto, assassinado em 1977. Um episódio nunca esclarecido e que alegadamente teria ligações à máfia siciliana.


Após a morte de Dutto, Briatore assumiu o comando dos negócios, mas não por muito tempo. A empresa faliu e ele acabou condenado por fraude a uma pena de prisão que não chegou a cumprir porque fugiu para as Ilhas Virgens. Mais tarde, uma amnistia permitiu-lhe regressar ao país e a Milão, onde se cruza com o patrão da Benetton, que o convida para gerir a marca nos EUA.


Instalado em Nova Iorque, Briatore revela uma habilidade ímpar para os negócios. “Era um esperto”, garante Tavares, e conseguiu expandir num ápice a rede Benetton, que, em sete anos, passa de sete para 800 lojas. “Não tínhamos grandes orçamentos para publicitar a marca nos principais meios. Por isso, decidimos fazer qualquer coisa controversa, algo que implicasse os consumidores”, explicou já várias vezes à imprensa o empresário.


Estava lançada a semente das campanhas-choque, receita que colocaria a marca nas bocas do mundo. E foi este sucesso, assente na sua capacidade de gestão, que lhe abriria as portas da F1, um mundo com o qual nunca contactara, com excepção de uma presença como espectador nas bancadas do Grande Prémio da Austrália de 1988, a convite de Luciano Benetton. Três anos antes, a companhia italiana comprara a equipa Toleman, passando de patrocinadora a dona de uma das escuderias. Em 1989, Briatore é nomeado director comercial da Benetton Formula One Ltd.


Luiz Pinto de Freitas, presidente da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting, recorda o homem que praticamente viu chegar a esse mundo. “Era alguém muito mais tímido e reservado do que a figura que hoje todos conhecemos”, disse ao P2.


As primeiras suspeitas


Sem currículo na F1, Briatore chegou às pistas com a vontade de conduzir pela esquerda quando todos o faziam pela direita. “A minha abordagem foi a de gerir a equipa como se gere qualquer outra empresa. Emocionalmente, aquilo não me dizia nada porque a F1 não era a minha paixão”, explicaria o próprio Briatore, mais tarde.



Dois anos depois, já tinha assumido controlo total, gerindo todos os aspectos da equipa, desde a escolha dos pilotos aos membros das equipas técnicas. Sempre perseguindo a mesma ideia, que muito irritava aquele mundo povoado de engenheiros e ex-pilotos: “Em todas as reuniões, ouço as pessoas falarem de pistões e suspensões, o que é um erro. Ninguém vai ver uma corrida por causa dessas coisas. O público vem ver [Michael] Schumacher correr contra [Ayrton] Senna”, dirá em 1994, ano em que um dos seus delfins lhe dá o primeiro título mundial.


A chave desse sucesso foi a contratação de Michael Schumacher, cujo talento lhe saltou imediatamente aos olhos, mas os indefectíveis da F1 não esquecem eventuais factores externos que teriam contribuído para esse título de pilotos de “Schumi”. Nesse ano houve muitas suspeitas de batota à volta da equipa liderada por Briatore. A começar pela alegada existência de ajudas electrónicas, que na altura estavam proibidas (encontraram software, mas nunca se provou que tivesse sido usado em corridas e, por isso, a Benetton escapou sem castigo). Na mesma época, descobrir-se-ia que a equipa retirara os filtros das mangas de combustível, tentando dessa forma acelerar os abastecimentos durante as corridas. Uma decisão que poderia ter custado a vida ao holandês Jos Verstappen, cujo carro se incendiou no Grande Prémio da Alemanha desse ano.


Na temporada seguinte, Schumacher repete o título de pilotos e, com a ajuda de Johnny Herbert, dá o primeiro e único título de construtores à Benetton. Briatore entrara para ganhar num mundo desconhecido e completava enfim o sonho da vitória. Teve o mérito de se rodear das pessoas certas, mas a saída de Schumacher para a Ferrari viria a marcar o início do fim do primeiro reinado de Briatore e da própria Benetton F1, que acaba por ser absorvida pela Renault.



Em 2000, a casa francesa chama Briatore para gerir a equipa. O italiano não perde tempo com os seus detractores e começa a construir mais um campeão do mundo. Era Fernando Alonso, contratado aos 17 anos, que daria mais dois títulos mundiais a Briatore. O italiano tornava-se assim o único team manager a vencer Mundiais por duas equipas diferentes. Apesar dos seus méritos, Pinto de Freitas não hesita em chamar a Briatore “papagaio de pirata”, expressão brasileira aplicada aos que se limitam a aparecer na fotografia ao ombro dos que realmente conquistam alguma coisa. E acrescenta: “Daqui a seis meses, ninguém se lembrará dele.”


Em sua defesa, Briatore disse na semana passada que tudo o que fez foi para salvar a Renault e que a sua demissão é um “sacrifício”. Acredite-se ou não, ninguém esperava ver o galã Briatore vestido de cordeiro.