Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011

As corridas do passado: Japão 1991

(...) Em Suzuka, a pré-qualificação estava bem reduzida, com a ausência da francesa AGS, que se tinha ido embora de vez da Formula 1. Mas a Coloni tinha feito o seu regresso, tendo conseguido arranjar um piloto, o local Naoki Hattori. No resto do pelotão, a Lotus voltava a contar com os serviços de Johnny Herbert, enquanto que na Leyton House, que estava cada vez mais apertado de dinheiro, decidiu dispensar os serviços de Ivan Capelli - que estava de saída para a Ferrari - e contratou o jovem austriaco Karl Wendlinger, que era piloto da formação da Mercedes nos Sport-Protótipos. E tal como tinha acontecido com Michael Schumacher, meses antes, a marca alemã pagou para que o austriaco pudesse ter a sua estreia na Formula 1.

(...) Estava um sol ameno de outono em Suzuka, no dia da corrida. Antes da largada, Piquet tem problemas e é obrigado a largar do último lugar. Quando foi dada a luz verde, Berger foi-se embora, enquanto que Senna segurava Mansell e Patrese, que conseguira passar Prost. Ao mesmo tempo que isso acontecia, o outro Ferrari de Jean Alesi desistia, vítima de do seu motor rebentado. Na volta seguinte, o Jordan de Andrea de Cesaris despista-se e causa uma carambola, levando consigo os Dallara de Emmanuelle Pirro e de J.J. Letho, bem como o carro do estreante Wendlinger.

Contudo, a corrida continuou e Mansell estava a pressionar Senna para que este cometesse um erro e o pudesse passar, para ver se tinha alguma chance de alcançar o título. Mas à entrada da volta nove, Mansell pisa a parte suja da pista e escorrega para a gravilha. A corrida do "brutânico" acabava ali, e nem precisava Senna terminar para comemorar o tricampeonato, pois este já era seu. (...)

Vai fazer vinte anos no próximo dia 20, mas para aproveitar o fato do Grande Prémio do Japão ser neste próximo final de semana, e tal como em 1991, se decidir por ali o título mundial, decidi colocar no Pódium GP o relato sobre o que acontecera. Uma corrida onde Ayrton Senna tinha tudo controlado, e dependia apenas de Nigel Mansell dar o seu melhor, à sua maneira: superá-lo ou acabar na gravilha. E foi esse último caso que aconteceu, dando um tricampeonato mais ou menos anunciado ao piloto brasileiro.

No final, Ron Dennis pediu a Senna para que abdicasse da vitória e oferecê-la a Gerhard Berger, seu companheiro de equipa, e que ainda não tinha ganho nada naquele ano. Assim foi, mas a reação desses dois homens foi mais de embaraço do que sorrisos, e consta-se que o austriaco não gostou da coisa...

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