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quinta-feira, 23 de julho de 2026

As imagens do dia





Esta semana passam 20 anos sobre algo que poucos se lembram: um Formula 1 a tentar chegar aos 400 km/hora, num lago salgado nos Estados Unidos, que é a "meca" dos que tentam bater recordes de velocidade. Até aos dias de hoje, isto é considerado um dos mais insólitos projetos de uma equipa moderna de Formula 1. 

No papel, a ideia é simples: pegar num carro de Formula 1, leve-o até às planícies salgadas de Bonneville, no estado americano do Utah, para ver qual a velocidade máxima que consegue atingir numa milha lançada. E é o sítio ideal para isso: desde há mais de 70 anos que todas as tentativas de recorde do mundo de velocidade são ali feitas.  

Quanto ao piloto, foi escolhido um dos pilotos de testes da altura, o sul-africano Alan van der Merwe, filho de Sarel Van der Merwe, um dos pilotos mais prolíficos no seu país entre os anos 60 e 90 do século XX. Anos depois, falando ao site da Formula 1, Alan disse que, quando a ideia foi apresentada, em meados de 2004, parecia ser ridícula.

Sabíamos de inicio que era uma ideia ridícula porque o departamento de marketing [da BAR-Honda] tinha arranjado este número mágico de 400 quilómetros por hora. Dissemos que não era possível: os carros atingem a velocidade que atingem na pista – na casa dos 360-370 quilómetros por hora com reboque – e pronto: não é possível fazê-los andar mais depressa. Eles disseram: ‘Basta adicionar mais potência’ – mas não é tão simples como rodar um parafuso e ajustar uma válvula aqui e ali. Pensámos que precisaríamos de duplicar a potência para atingir os 400 por hora.”, contou.

O carro foi modificado, especialmente na asa traseira, que foi substituída por uma barbatana semelhante aos dos aviões, para garantir a estabilidade durante a aceleração, e o motor era inicialmente um dos Honda V10 que foi usado na temporada de 2005, e com isso, foram para Bonneville fazer os primeiros ensaios. Chegados lá, foram recebidos com ceticismo.

Quando começamos a correr [em Bonneville] pela primeira vez, os frequentadores habituais estavam a rir-se. Estavam habituados a despejar potência e peso, e nós aparecemos com esta máquina pequena e precisa. Eles acharam hilariante. E, a princípio, não conseguíamos tirar o carro da primeira velocidade. O ECU [a unidade elétronica do carro] não aguentava tanta patinagem das rodas. O carro era muito leve, com pneus largos numa pista de sal escorregadia. Isso frustrou todas as expectativas.”, continuou Van der Merwe.

Contudo, com o passar dos dias, as coisas acalmaram-se e o carro começou a andar de Formula a ficar pronto para a grande tentativa. Numa das vezes, Van der Merwe acelerou até aos 413,205 km/hora!

A 21 de julho de 2006, carro e piloto aceleraram para a tentativa de recorde em Bonneville. O protocolo para a homologação do recorde era o seguinte: uma milha lançada, nos dois sentidos, feitos com o intervalo inferior a uma hora, para que o recorde fosse homologado. O carro tinha uma aleta traseira, em vez de uma asa, para garantir a estabilidade do carro durante o arranque e a aceleração, e quanto ao motor Honda, este tinha sido afinado no sentido de ser o mais eficaz possível na aceleração.

Na primeira tentativa, Van der Merwe acelerou até além do objetivo - 400,454km/hora - mas no sentido oposto, ficou abaixo do esperado. Na soma das duas passagens, a média deu uns impressionantes 397,360 km/hora, o que, ainda assim, era mais rápido do que conseguia em pista. E foi fortemente festejado por aqueles que lá estiveram. E até calhou bem, porque algumas semanas depois, Jenson Button dava a sua primeira vitória à equipa no Hungaroring, num dos mais agitados GP's da Hungria de sempre.

Quanto a Van der Merwe, acabou por ser o piloto do carro médico da FIA entre 2009 e 2021. Anos depois, na mesma entrevista ao site da Formula 1, recordou esse dia.

Para ser honesto, nem devíamos ter chegado tão perto! Penso que precisaríamos de uma ferramenta completamente diferente para atingir os 400 km/hora, mas divertimo-nos muito nesta tentativa – e conquistámos o recorde. Foi um projeto único e tive muita sorte por ter participado.", começou por dizer.

"Isto também mudou o meu ponto de vista sobre as corridas de velocidade em terra. Como era piloto de circuito, no início não entendia isto. Olhava para aqueles carros americanos de 2000 cavalos construídos no quintal de alguém e não percebia. Eu sabia que devia ser divertido, mas não conseguia perceber como é que as pessoas se viciavam nisso: simplesmente conduzir em linha reta numa superfície de sal, tentando encontrar aquela milha extra. Eu realmente não via sentido nisso."

Trabalhar neste projeto mudou a minha perspetiva. Éramos 50 ou 60 pessoas e demorámos dois anos a conseguir o que conseguimos. Aprende-se que o que acontece no salar é apenas a ponta do icebergue. Encontrar aquela milha extra talvez tenha exigido nove meses de esforço. É como conduzir um carro na pista: todos precisam de dar cem por cento: todos precisam de otimizar a sua pequena parte e, se não o fizerem, não se vai encontrar essa milha extra – mas quando se encontra, é muito gratificante. Acho que ninguém no projeto olha para trás e pensa que foi uma perda de tempo – todos nós ganhamos algo com isso.”, concluiu.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Youtube Automotive Video: O recorde do Renault Filante

Pensar que andar mil quilómetros com uma só carga, num carro elétrico, parece algo utópico. Ou, se assim for, tem de haver algo especial, como "hypermileage", ou seja, andar a uma velocidade absurdamente baixa para lá chegar. Pois bem, a Renault decidiu, por estes dias - a tentativa aconteceu no pasado dia 18, numa pista de testes em Marrocos, fazer algo interessante: mil quilómetros numa só carga, através do seu protótipo Filante. 

O carro é interessante. Inspirado em conceitos do passado, foi para a estrada com pneus Michelin específicos para este projeto, e acelerando a velocidade média de 101 km/hora, basicamente, velocidade de auto-estrada, alcançou calmamente esse objetivo. Foram 1008 quilómetros, um nove horas e 52 minutos... e ainda tinha cerca de onze por cento de carga, ou seja, mais uns cem quilómetros.

Mas o que interessa é que alcançaram o objetivo.

O video que filmou este recorde saiu nesta terça-feira como uma "web serie" de três episódios, e espero que gostem.   

quarta-feira, 2 de julho de 2025

As imagens do dia




Na primavera de 1914, alguém que conhecia o automobilismo sabia que a certa altura do ano, alguém iria tentar bater o recorde do mundo de velocidade. E nessa altura, no meio de preparações para o GP de França, previsto para o inicio de julho, tínhamos alguém que iria tentar a sua sorte. E o piloto era alguém que, como pessoa, foi uma personagem digna de nome. E a história do seu recorde do mundo foi a maneira como os recordes acabariam por ser medidos dali em diante.

Lydston Hornsted, então com 31 anos, era o filho do então cônsul britânico em Moscovo, na Rússia imperial. Começara a correr relativamente cedo, tendo sido piloto de marcas como a Calthorpe, participando no Grande Prémio de França de 1912, em Dieppe, onde não acabou a corrida devido a um problema na sua caixa de velocidades. 

Para 1914, decidiu tentar a sua sorte na corrida para o recorde de velocidade em terra, usando um velho conhecido: o Blitzen Benz. Para além de ser uma máquina já com cinco anos de idade, também já tinha tido, por algum tempo, o recorde do mundo. Aliás, com os seus 200 cavalos de potência, era um carro habituado a recordes. 

O primeiro dos quais tinha sido a 9 de novembro de 1909, em Brooklands, quando Victor Hemery entrou nele e conseguiu 202,7 quilómetros por hora, num percurso de uma milha. O carro era potente: com um motor de 21,5 litros (!), tinha uma caixa manual de quatro velocidades e tração traseira, conseguiu aquilo que iria ser o seu primeiro recorde do mundo de velocidade. Menos de dois anos depois, o carro estava no outro lado do Atlântico, em Daytona, onde Bob Burman colocou num patamar ainda mais alto, conseguindo 228,3 quilómetros por hora, num percurso de uma milha lançada, num recorde que durou até 1919. Isso acontecera a 23 de abril de 1911. 

Em 1914, havia novos regulamentos. A AIACR, antecessora da FIA, decidiu que o percurso de uma milha se mantinha, mas havia algumas alterações: o percurso seria feito nos dois sentidos, e o piloto ew a equipa teria uma hora para fazer, sob pena da tentativa ser invalidada. Hornstead decidiu que ele tentaria o recorde em Brooklands, que para ele era o melhor lugar para o fazer, em vez de, por exemplo, numa praia onde a areia fosse mais lisa que o cimento ou o empedrado - a tecnologia de asfalto ainda estava na sua infância. 

A 24 de junho de 1914, tudo estava pronto para a tentativa de recorde. A Benz - a fusão com a Mercedes só aconteceria dali a década e meia - era uma máquina potente e claro, continuava capaz de bater recordes. E naquele dia de verão... cumpriu. Usando o chassis número três, de seis construídos, e apesar da velocidade ter sido mais pequena - 200,7 km/hora de média - por causa dos novos regulamentos, Hornstead tornou-se no novo detentor do recorde. E o mais interessante, foi numa máquina alemã. E bem a tempo: se tentasse isso a 24 de agosto, por exemplo, não seria muito patriótico...

Para Hornstead, foi o auge da sua carreira automobilística. Depois disto e com a entrada da Grã-Bretanha na guerra, ele alistou no exército e sobreviveu, acabando como capitão. O recorde aguentou até 1922, altura em que foi batido por outro britânico, Kenelm Lee Guinness, num Sunbeam. O Blitzen Benz continuou a competir até 1923, altura em que teve uma versão aerodinâmica. Acabou por ser foi desmontado - aliás, dos seis, apenas dois sobreviveram, um deles está no museu da marca, agora Mercedes-Benz.

Quanto a Hornstead, casou-se por quatro vezes e acabaria por morrer em 1957, aos 74 anos.   

sábado, 19 de agosto de 2023

Youtube Automotive Testing: O recorde do Rimac no Norsschleife

Ontem, no Nurburgring Nordchleife, caiu um recorde de pista. Não o absoluto, mas... quase. Um recorde para carros elétricos, não batido, mas esmagado por quase 20 segundos. 

Um Rimac Nevera, conduzido pelo seu piloto de testes, Martin Kodrić, encarou o Inferno Verde determinado a bater o recorde de 7.25,231 segundos, feito pelo Tesla Model S Plaid com Track Pack no passado mês de junho. E depois de uma volta sem obstáculos, conseguiu o tempo final de 7.05,298, quase 20 segundos que o recorde anterior.

E aqui se pode mostrar a evolução deste carro elétrico de origem croata, agora, um dos mais rápidos do mundo.  

quinta-feira, 27 de julho de 2023

A imagem do dia





Eis a história de um recorde de velocidade que foi "maquilhado" para vender um carro. E por causa disso, a FIA decidiu modificar um dos circuitos mais emblemáticos do automobilismo.

E começa assim:

A Welter Racing corre nas 24 Horas de 1988 com o seu modelo P88, e com a ajuda de um motor Peugeot, que tinha sido desenvolvido pela marca. Como sabiam que tinham um motor potente nas mãos - a fiabilidade é outra história... - decidiram estabelecer o "projeto 400". Qual era a ideia? Ser o primeiro carro a andar a 400 km/hora na reta das Hunaudiéres. Essa "linha direita" tinha, nesse ano, seis quilómetros de extensão, embora fizesse a meio uma curva - uma "falsa curva" porque os pilotos praticamente não levantavam o pé, confiando no downforce do carro - logo, tal objetivo poderia ser alcançado.

Com a ajuda da preparadora de carrocerias Heuliez, o carro, uma evolução do P87, fora modificada em túnel de vento para ser mais eficiente em termos aerodinâmicos, enquanto a marca de Sochaux arranjava um motor de 3 litros V6 biturbo, com uma potência de 910 cavalos.

Só foi construído um carro, e na clássica da Endurance, foi guiado por um trio francês constituído por Roger Dorchy, Claude Haldi e Jean-Daniel Raulet. E claro, numa equipa pequena como aquela, apenas iriam participar em Le Mans. Não queriam ganhar, o objetivo era outro: serem os mais velozes no lugar mais veloz do circuito. Completamente contra-natura ao espírito, não acham? 

O carro andava bem na qualificação, mas conseguiram apenas o 36º lugar na grelha. E na corrida, o primeiro a andar toinha sido Roger Dorchy. E ele iria ser o primeiro a tentar.

Nascido a 15 de setembro de 1944, em La Ferté Saint-Salmson, na Seine Inferieure, começou a andar nas 24 horas de Le Mans em 1974, sempre pela WM. O seu melhor lugar foi quarto na edição de 1980, ao lado de Guy Fréquelin - cuja carreira tinha sido feita nos ralis, e mais tarde se tornou no diretor desportivo da Citroen - também num WM, e onde alcançou a velocidade de 361 quilómetros por hora durante a qualificação.

Nesse ano, Dorchy sempre andou a fundo. Tinha de ser, porque não sabiam quantas voltas tinham para alcançar esse objetivo. Para terem uma ideia, na edição anterior, o motor cedeu apos... 13 voltas. E as coisas nem começaram bem: um problema no mapeamento do motor obrigou a ficar parado por três horas e meia. Quando regressaram, sabiam que estavam no fundo da grelha, mas o objetivo continuava intacto. 

No regresso, Dorchy deu umas voltas para saber se tudo estava bem, e depois, recebeu um sinal das boxes para aumentar o "boost" dos seus dois turbocompressores Garrett. E foi numa das voltas que conseguiu o objetivo: chegar aos 400 km/hora. Na realidade, conseguiu os 407 Km/hora na final das Hunaudiéres, antes de desistir na volta 57 por causa do sobreaquecimento do motor Peugeot, associado ao turbocompressor. Todo rebentado, é verdade, mas fora por uma nobre causa. 

Contudo, na altura, a marca francesa estava a promover a sua berlina, o 405, e achou por bem "arredondar" o número para poder ajudar a vendê-lo. Se isso resultou em mais pessoas a irem aos concessionários e comprar um dos carros, podemos afirmar que o carro foi um dos mais populares na Europa no final dessa década. Até 1997, foram vendidos 5,1 milhões de exemplares, fora a Argentina, onde se vendeu até 2001, e o Irão, onde seus descendentes continuam a ser fabricados.

Por causa disso, a FIA decidiu agir. Em 1990, a organização colocou duas chicanes na reta, porque a organismo que regula o automobilismo afirmou que nenhuma pista poderá ter uma reta superior a dois quilómetros. É por isso que, por exemplo, em Le Castelet, a reta Mistral tem uma chicane no seu meio...

Dorchy acabou por ter uma carreira na Endurance e GT's. Correu até 2002, quando competia no campeonato francês de GT, a bordo de um Porsche 996 GT3. Morreu esta quarta-feira aos 78 anos. O carro do recorde está no museu de Le Mans, e ambos são eternos.  

sábado, 17 de junho de 2023

Youtube Automotive Video: O recorde conquistado pela Koeingssegg

O pequeno construtor automóvel sueco, Koeingssegg, foi ao aeródromo de Orebro, com um modelo Regera, para bater um recorde: o carro mais rápido entre os 0 e os... 400 km/hora. E conseguiu: 28,61 segundos para chegar lá... e reduzir para o 0. E tudo em pouco mais de dois mil metros, ou seja, chegou e sobrou pista para consegur este recorde.

E para além disso, ainda houve mais um recorde, para as milhas por hora (250 milhas por hora são 402 km/hora): 29.02 segundos.

O recorde anterior era de outro Koeingssegg: um Agera RS, que em 2019 conseguiu um 0-400-0 em 31,49 segundos e um 0-250-0 (em milhas) em 33,29 segundos. 

Eis o vídeo deste feito. 

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Youtube Moroting Record: o Ford mais rápido do mundo

O Richard Rawlings, o senhor "WOOOHOOO!", e dono do Monster Garage, em Dallas, no Texas, mete-se em todos os projetos com quatro rodas e um volante, e um deles foi o projeto do Johnny Bohner, que na Florida, anda desde há uns anos a esta parte a acelerar o seu Ford GT para bater um recorde em terra de ser o carro de produção mais rápido no planeta.

Pois bem, no passado dia 9, o seu BADD GT entrou na pista do Centro Kennedy, na Florida, que servia para aterrar o Space Shuttle, para tentar alcançar o recorde. E eles conseguiram, marcando 310,8 milhas por hora, em medidas imperiais, ou seja, no mundo deles.

E em números que o Resto do Mundo entende? 500,1 quilómetros por hora!

De uma certa forma, é um carro de produção altamente modificado. É um Ford GT com 16 anos, mas não deixa de ser um carro que saiu de uma linha de montagem e estava à venda para quem quisesse comprar. Jeremy Clarkson teve um, lembram-se?

Enfim, eis o vídeo do feito. Parabéns a eles. 

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Youtube Automotive Vídeo: O recorde elétrico da Rimac

A Rimac é uma marca de automóveis da Croácia com um objetivo: construir supercarros elétricos. Diferente de um Koeingssegg ou um Pagani, por exemplo. É um caso de sucesso, ao ponto da Porsche ter uma parte dele, para acelerar o desenvolvimento dos seus carros elétricos. 

E há uns dias, o seu modelo mais recente, o Nevera, foi à Alemanha para tentar um recorde: o do carro elétrico de produção mais rápido de sempre. Depois de algumas tentativas, conseguiram os 412 km/hora, que os fazem como os novos recordistas nessa categoria.

Eis o vídeo desse feito automobilístico. 

sábado, 5 de março de 2022

No Nobres do Grid deste mês...

Hoje em dia, se falarmos a um americano entendido de automobilismo sobre as 500 Milhas de Indianápolis, provavelmente falará dos Unser, dos Andretti, de A.J. Foyt, de Rick Mears, dos estrangeiros que ganharam por lá, desde Emerson Fittipaldi a Hélio Castro Neves, passando por Jim Clark. Os ainda mais entendidos falarão se calhar de Dan Gurney, de Ray Harroun, o primeiro vencedor, dos homens que salvaram a pista em 1944, como Wilbur Shaw e Tony Hulman. Há quem falará de Eddie Rickenbacker, e ficará espantado como ele, um ás da aviação, tinha a ver com automobilismo. Ou que o fundador da Chevrolet era o irmão mais velho de um dos vencedores da competição.

Mas seu falar de Ray Keech, se calhar 99 em 100 me perguntarão quem ele é. Pois bem, posso responder que ele é o único que teve duas coisas: a vitória no "Brickyard"... e um recorde do mundo de velocidade. E como no caso de Jimmy Murphy, que vos falei há uns meses, teve uma vida - e carreira - curta, interrompida bruscamente por um acidente fatal. E como a história é fascinante, de algo que aconteceu há mais de 90 anos, achei por bem trazer para aqui, pois provavelmente já não há quem esteja vivo e que tenha assistido aos seus feitos automobilísticos.

Então, agora, falo de Ray Keech, provavelmente um os mais interessantes pilotos que andavam por aí há mais de 90 anos. (...)

(...) Por esta altura, o recorde estava nas mãos de Malcom Campbell, que o tinha batido em fevereiro, quando estabeleceu um recorde de 333,048 km/hora no primeiro dos seus Bluebirds. Depois do carro ter passado pelo crivo dos escrutinadores, ele começou a fazer as suas tentativas de recorde, e a 22 de abril, conseguiu uma média de 334,02 km/hora, batendo por pouco o recorde anterior e fazendo com que este ficasse nos Estados Unidos. O seu nome estava nas paragonas dos jornais, mas não ficaria por ali. Poucas semanas depois, iria correr o seu primeiro Indianápolis 500, a bordo de um Miller, que também iria ser a primeira corrida da temporada americana.


(...) Maio [de 1929] é o mês das 500 Milhas, e Keech era dos pilotos a ter em conta na prova, a par de Cliff Woodbury, o vencedor do ano anterior, Lou Moore. Até havia pilotos estrangeiros por lá, como o monegasco Louis Chiron, a bordo de um Delage, tentarem a sua sorte. Um grande curiosidade é que o seu Miller tinha sido inscrito... por uma mulher, Maude A. Yagle, Ele ficou em sexto na grelha, fazendo uma média de 116,914 milhas por hora (184.923 km/hora) confirmando de uma certa maneira que ele poderia ser um dos candidatos ao primeiro lugar.

Nas primeiras voltas, Keech saltou para a segunda posição, atrás de Leon Duray enquanto atrás na volta 10, Bill Spence sofria um despiste e era ejetado do seu carro. Socorrido de imediato, acabou por morrer a caminho do hospital, com uma fratura do crânio, tornando-se no primeiro piloto a morrer na corrida desde 1919. Nada disso afetava Keech, que na volta 21, trocou de pneus e voltava à pista na décima posição. subiu até ao quarto lugar perto da primeira metade da corrida, até parar pela segunda e última vez na volta 109, para trocar de pneus e reabastecer, algo que durou três minutos.

Regressando na décima posição, rapidamente chegou ao segundo posto, atrás de Louie Meyer, que acabou por ir às boxes, mas a sua paragem para reabastecer foi um desastre e durou... sete minutos! Moore ficou como segundo posto, mas a duas voltas do final, o seu motor estava nas últimas e na curva 2, este cedeu, perdendo o segundo lugar para Meyer, que tentava recuperar o tempo perdido. Vitorioso na sua segunda participação e recolhendo 31.350 dólares de prémio, ele era o favorito à vitória do campeonato, porque vencer ali era o equivalente a mil pontos. Chiron foi o melhor estrangeiro, terminando em sétimo. (...)

Ray Keech foi uma verdadeira estrela cadente. Bastaram duas temporadas para passar de mero desconhecido para ser recordista do mundo, vencedor das 500 Milhas de Indianápolis e um dos melhores pilotos do seu tempo. Vice-campeão da AAA em 1928 e 1929, teve um final abrupto e trágico aos 28 anos, quando liderava uma corrida em Altoona. E é sobre este piloto do qual quase toda a gente já esqueceu que falo neste mês no Nobres do Grid.

 

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Youtube Speed Video: O preço [a pagar] por um recorde

Ontem passaram-se 55 anos sobre o acidente mortal de Donald Campbell, o filho de Malcom Campbell, que tentava bater um recorde do mundo em água a bordo do seu barco a jato, o Bluebird K7, em Cominston Water, no norte de Inglaterra, no Lake District.

Campbell tentava marcar um recorde acima dos 500 km/hora a bordo do seu barco a jato, e tentava desde outubro, um projeto que era algo lento e penoso, numa busca que era mais por ele mesmo do que por "estar lá", ao contrário dos alpinistas que subiam ao monte Evereste, o ponto mais alto do planeta Terra. É que, sendo ele filho de quem é, estava a construir um legado maior que o do seu pai.

E é um pouco isso que passa neste documentário de meia hora, feito em 1968, e filmado no inverno de 1966-67, seguindo os passos dele até ao dia fatal. 

terça-feira, 3 de novembro de 2020

A controvérsia do recorde de velocidade

Quando o SSC Tuatara conseguiu - alegadamente - os 508,73 km/hora de velocidade máxima, pulverizando os 447,19 km/hora do anterior detentor da melhor marca, o Koenigsegg Agera RS, numa estrada nacional no Nevada, as pessoas ficaram curiosas e espantadas com tal feito, devidamente gravado. Contudo, logo a seguir, alguns dos especialistas colocaram dúvidas nos seus canais do Youtube, que, analisando as imagens que foram disponibilizadas,  afirmam que o hipercarro "apenas" alcançou a velocidade de... 450 km/hora, e que os engenheiros da marca terão calibrado o sistema de forma incorreta.

De tanta a contestação que apareceu nestes últimos dias que a SSC decidiu que a tentativa de recorde será repetida para uma nova (e, espera-se, definitiva…) tentativa de bater o recorde. 

E ao contrário do que aconteceu na primeira tentativa, desta vez a SSC utilizará GPS oriundo de vários fornecedores (que terão presentes os seus próprios representantes de modo a poderem avaliar as condições e os equipamentos) a bordo do hipercarro de modo a conseguir escrutinar com precisão o tempo obtido. Pelo menos, é o que afirma Jerod Shelby, o presidente da SSC, que construiu este modelo, no video acima.

Não se sabe quando acontecerá esta nova tentativa de recorde.  

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Youtube Automobile Vídeo: O recorde do SSC Tuatara


Aparentemente, um novo recorde de um carro de produção foi estabelecido. A SSC, Shelby Super Cars, uma construtora americana, anunciou hoje que o seu modelo Tuatara estabeleceu um recorde de elocidade num modelo de produção. Ao todo, nas duas voltas, o carro chegou à media de 306,110 milhas por hora, ou 508,729 km/hora. No seu auge, atingiu um pico de 331 milhas por hora, ou 532,692 km/hora, numa das tentativas.

O recorde aconteceu no passado dia 10, no Nevada, no mesmo local onde a Koenigssegg estabeleceu o seu, foi pilotado pelo britânico Oliver Webb, e só hoje é que foi anunciado. Eis o vídeo. 

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Youtube Motoring Record: O trator mais veloz de Nurburgring

O Nurburgring Nordschleife é o melhor lugar para testar todo o tipo de veículos. Motos, carros e hipercarros, todos querendo marcar um tempo para mostrar ao mundo da sua capacidade. As marcas usam-o tanto como "benchmanrk" que alguém como James May já veio a público mostrar o seu desagrado perante esta obsessão das marcas em andarem no enorme circuito alemão.

Contudo, um trator a andar por ali é... uma novidade. Mas aconteceu. A alemã Auto Motor und Sport decidiu levar para a pista o Claas Xerio 5000 Trac VC, um dos mais velozes do seu segmento, com um motor seis cilindros 12.8 litros que é capaz de atingir 500 cavalos e 2600 Nm de binário. Contudo, o trator pesa 17 mil quilos, e isso não o faz voar na Flugplatz ou no Karrusell.

Contudo, ele foi para a pista e marcou uma volta para a história, fazendo um tempo de 24 minutos, 50 segundos e 47 décimos. E eis o video do feito.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Youtube Land Speed Record: A nova marca do Bloodhound SSC


O Bloodhound SSC continua a fazer passagens no sentudo de aumentar a sua velocidade e estar pronto para o seu objetivo de bater a marca das mil milhas por hora, ou 1609 km/hora. E hoje, 15 de novembro, alcançou a marca das 562 milhas por hora no Hakespak Pan, na África do Sul. 

Isso significa que chegou aos 904 km/hora. Assim sendo, eis o video dessa marca, que já ultrapassou os seus projetos deste ano, que seria de chegar às 500 milhas por hora, metade do objetivo. 

domingo, 3 de novembro de 2019

Youtube Motoring Video: O projeto australiano de velocidade

A busca pelas mil milhas por hora (1609 km/hora) afinal... tem concorrência. Desde há mais de uma década que existe um concorrente australiano com esse propósito, o Aussie Invader 5R. A ideia é alcançar essa velocidade com um único foguetão, mais ou menos ao estilo do Bloodhound SSC. Está a ser construido em Perth, e a pessoa por trás do projeto chama-se Rosco McGlashan, que em 1994, bateu o recorde australiano, ao alcançar os 801 km/hora.

O carro já está a ficar pronto - é um projeto com quase uma década - mas nada ainda se sabe quando ele tentará a sua sorte. É que os britânicos, como sabem, e vêm por aqui, estão já na África do Sul a ensaiarem para a tentativa de recorde, com Andy Green ao volante...

sábado, 2 de novembro de 2019

Youtube Testing Video: Mais um ensaio do Bloodhound

O video é de ontem, mas eles alcançaram um objetivo interessante: chegaram perto do objetivo das 500 milhas por hora - 800 km/hora - no Bloodhound LSR (Land Speed Record), durante os testes em Hakskeen Pan, o lago salgado existente na provincia de Cabo Norte, na África do Sul. O piloto é Andy Green, que detêm o atual recorde, de 1226 km/hora - Mach 1 - feito em 1997 no Thrust SSC

O teste correu bem, chegaram às 461 milhas por hora - 740 km/hora - mas eles queriam ir até aos 800 km/hora quando viram que tinham danos na pele de titânio num dos deltas, que cobre a suspensão traseira, e então, fica para outro dia. os 800 km/hora são importantes porque é o objetio que querem alcançar em 2019, para depois tentarem chegar ao dobro em 2020, e assim chegarem às mil milhas por hora, 1609 km/hora.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Youtube Motoring Record: O recorde de velocidade do Bugatti Chiron


Já se sabia que o Bugatti Chiron era bem mais veloz que o seu antecessor, o Veyron. No ano passado, um video, com Juan Pablo Montoya ao volante, mostrou que era relativamente fácil ir dos 400 km/hora para zero em pouco mais de três minutos, e a marca disse que iria usar a pista de testes de Ehra-Lessen para levar o carro até ao limite.

Pois bem, fizeram-no. Há precisamente um mês, a 2 de agosto, o piloto de testes da marca, Andy Wallace, levou o carro até perto dos 500 km/hora, ou 300 milhas por hora, a bordo de um Chiron ligeiramente modificado em termos do seu motor W16 Turbo, que faz mais de 1600 cavalos. E a escolha de Wallace não foi por acaso: antigo piloto de Endurance - Vencedor em Daytona e Le Mans - tinha batido recordes a bordo do Jaguar XJ220 e McLaren F1.

No final, Wallace atingiu 490 km/hora, 304,77 milhas. Um feito inacreditável para um carro com motor a combustão. E depois de creditado o recorde, o presidente da Bugatti, Stephan Winkelmann, disse que "os recordes acabaram por agora, vamos concentrar noutras áreas".

Agora é a vez da concorrência.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

A(s) foto(s) do dia


A Volkswagen não tem grande história em termos de automobilismo, nem no campo de "bater recordes". Apenas no inicio desta década é que mudou a sua maneira de ser nesse campo, primeiro com o Polo R WRC, que venceu quatro títulos mundiais seguidos, e agora com o I.D. que de uma certa maneira aproveita os esforços do seu departamento de competição depois da retirada da marca alemã dos ralis, em 2016.

O carro já esteve no ano passado em Pikes Peak, onde destruiu o recorde da subida, e hoje, 2 de junho de 2019, estiveram no Nurburgring Nordschleife e bateram o recorde de volta num carro elétrico, fazendo 6.05,336, seis segundos mais veloz que o recorde de Stefan Bellof, feito 36 anos antes, em termos competitivos, durante os 1000 km de Nurburgring, a bordo de um Porsche 956.

É claro que o recorde está acima daquilo que já fez o Porsche 919 fez no ano passado, para ficar com os recordes todos dos circuitos míticos - Spa-Francochamps, por exemplo - mas o facto de este ser a segunda volta mais veloz de sempre no Inferno Verde, é algo excepcional. E Romain Dumas, que é conhecido por ser um dos mais ecléticos do pelotão atual - faz ralis, endurance e Dakar - entra na história do automobilismo graças a todos estes feitos.

E estes carros mostram que a velocidade é que conta. Não interessa muito com que sistema propulsor...

terça-feira, 16 de abril de 2019

Motociclismo: Venturi quer bater um recorde eletrico

A Venturi não anda só a construir carros, mas também ajuda noutros meios de transporte, neste caso em particular, para ver se bate um recorde de velocidade. Em duas rodas.

A Voxan, a marca do grupo Venturi, construiu um protótipo que pretende usar para um recorde de velocidade que vão tentar em 2020 no Salar de Uyuni, na Bolivia, com o italiano Max Biaggi ao volante. O objetivo é alcançar os 330 km/hora, e a acontecer, seria um novo recorde de velocidade em motos elétricas.

"Eu sempre adorei um desafio", começou por dizer Biaggi no e-racing365.com. “Quando meu amigo Gildo Pastor veio até mim com seu plano para o recorde mundial de velocidade terrestre e o Voxan Wattman, obviamente iria dizer sim. Gildo é especialista e pioneiro no campo da mobilidade elétrica. Sob seu ímpeto, a Venturi Automobiles estabeleceu vários recordes e marcou uma série de novidades no mundo.Estou orgulhoso de dar esse novo passo na minha carreira sob as cores do Voxan e do Venturi, com quem já comecei a trabalhar", continuou.

Os engenheiros e designers do departamento de pesquisa e desenvolvimento são movidos por um senso de determinação extremamente motivador. Pasando a marca de 330 km/hora com esta máquina "made in Monaco", irá fornecer ainda mais evidências da experiência do grupo neste campo", concluiu.

Conheço Max há 15 anos e compartilhamos os mesmos valores e paixões”, começou por comentar o presidente da Venturi, Gildo Pastor. “Hoje nos vemos reunidos em um projeto próximo a ambos os nossos corações, e um que nos aproxima um pouco mais. É uma honra confiar o Voxan Wattman a um piloto que deixou a sua marca na história das corridas de motos.Para participar dessa aventura ambiciosa e, talvez, escrever os nomes de Venturi e Voxan nos anais da história, era preciso ser Max!", continuou.

Alcançar 330 km/hora representa um enorme desafio para uma motocicleta nesta categoria, mas estou muito confiante. Minha fé na eletromobilidade de alto desempenho não diminuiu em 20 anos!”, concluiu.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Youtube Lego Record: Um recordista à medida


Os meninos do Donut Media - mais concretamente, o pessoal da Wheelhouse - receberam um Lego Technic do Bugatti Chiron à escala 1/8 com o intuito de irem tão rapidamente quanto o modelo real... à escala. A ideia era alcançar 32,6 milhas por hora - 52,46 km/hora - e este video mostra se o alcançaram... ou não. Vale a pena ver.