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quarta-feira, 2 de julho de 2025

As imagens do dia




Na primavera de 1914, alguém que conhecia o automobilismo sabia que a certa altura do ano, alguém iria tentar bater o recorde do mundo de velocidade. E nessa altura, no meio de preparações para o GP de França, previsto para o inicio de julho, tínhamos alguém que iria tentar a sua sorte. E o piloto era alguém que, como pessoa, foi uma personagem digna de nome. E a história do seu recorde do mundo foi a maneira como os recordes acabariam por ser medidos dali em diante.

Lydston Hornsted, então com 31 anos, era o filho do então cônsul britânico em Moscovo, na Rússia imperial. Começara a correr relativamente cedo, tendo sido piloto de marcas como a Calthorpe, participando no Grande Prémio de França de 1912, em Dieppe, onde não acabou a corrida devido a um problema na sua caixa de velocidades. 

Para 1914, decidiu tentar a sua sorte na corrida para o recorde de velocidade em terra, usando um velho conhecido: o Blitzen Benz. Para além de ser uma máquina já com cinco anos de idade, também já tinha tido, por algum tempo, o recorde do mundo. Aliás, com os seus 200 cavalos de potência, era um carro habituado a recordes. 

O primeiro dos quais tinha sido a 9 de novembro de 1909, em Brooklands, quando Victor Hemery entrou nele e conseguiu 202,7 quilómetros por hora, num percurso de uma milha. O carro era potente: com um motor de 21,5 litros (!), tinha uma caixa manual de quatro velocidades e tração traseira, conseguiu aquilo que iria ser o seu primeiro recorde do mundo de velocidade. Menos de dois anos depois, o carro estava no outro lado do Atlântico, em Daytona, onde Bob Burman colocou num patamar ainda mais alto, conseguindo 228,3 quilómetros por hora, num percurso de uma milha lançada, num recorde que durou até 1919. Isso acontecera a 23 de abril de 1911. 

Em 1914, havia novos regulamentos. A AIACR, antecessora da FIA, decidiu que o percurso de uma milha se mantinha, mas havia algumas alterações: o percurso seria feito nos dois sentidos, e o piloto ew a equipa teria uma hora para fazer, sob pena da tentativa ser invalidada. Hornstead decidiu que ele tentaria o recorde em Brooklands, que para ele era o melhor lugar para o fazer, em vez de, por exemplo, numa praia onde a areia fosse mais lisa que o cimento ou o empedrado - a tecnologia de asfalto ainda estava na sua infância. 

A 24 de junho de 1914, tudo estava pronto para a tentativa de recorde. A Benz - a fusão com a Mercedes só aconteceria dali a década e meia - era uma máquina potente e claro, continuava capaz de bater recordes. E naquele dia de verão... cumpriu. Usando o chassis número três, de seis construídos, e apesar da velocidade ter sido mais pequena - 200,7 km/hora de média - por causa dos novos regulamentos, Hornstead tornou-se no novo detentor do recorde. E o mais interessante, foi numa máquina alemã. E bem a tempo: se tentasse isso a 24 de agosto, por exemplo, não seria muito patriótico...

Para Hornstead, foi o auge da sua carreira automobilística. Depois disto e com a entrada da Grã-Bretanha na guerra, ele alistou no exército e sobreviveu, acabando como capitão. O recorde aguentou até 1922, altura em que foi batido por outro britânico, Kenelm Lee Guinness, num Sunbeam. O Blitzen Benz continuou a competir até 1923, altura em que teve uma versão aerodinâmica. Acabou por ser foi desmontado - aliás, dos seis, apenas dois sobreviveram, um deles está no museu da marca, agora Mercedes-Benz.

Quanto a Hornstead, casou-se por quatro vezes e acabaria por morrer em 1957, aos 74 anos.   

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Youtube Motorsport Animation: Line

Nas minhas deambulações pelo Youtube, dei de caras com esta animação automobilística. E achei bem interessante por diversos motivos: a qualidade dos gráficos, e a estória. Um carros de recordes, baseado no Bluebird, está na África do Sul para tentar bater a barreira do som.

A personagem também é interessante, principalmente o nome, porque ele se chama... Niki. E os paralelismos com a realidade são ultra-ewidentes. No final, confesso ter gostado dos gráficos de 16 bits (ou serão 32?) e a história. Aproveitem e tirem uns minutos do dia para irem ver, e claro... descontraiam.   

domingo, 26 de novembro de 2023

Youtube Presentation Vídeo: O regresso do Bloodhoud LSR

Eu já falei por aqui do Bloodhoud LSR (Land Speed Record), o carro construído para bater recordes. Ele andou na África do Sul em 2019, em algumas tentativas de teste, antes da pandemia ter congelado tudo, incluindo o chassis ter sido vendido. Agora, quatro anos depois, tentam de novo, com uma nova equipa e claro, estão a arranjar fundos para regressar à África do Sul para o tal recorde de velocidade e ser a primeira a chegar às mil milhas por hora, ou 1609 km/hora.   

quinta-feira, 6 de abril de 2023

The End: Craig Breedlove (1937-2023)


O americano Craig Breedlove, piloto que bateu alguns recordes de velocidade a bordo do seu "Spirit of America", morreu ontem aos 86 anos, anunciou a família. Ele entrou na história por ser o primeiro a bater recordes num carro a jato, em 1964, e também o primeiro a bater a barreira, primeiro dos 800 km/hora, e depois dos 900 km/hora. Para além disso, a certa altura, a sua mulher, Lee Breedlove, também pilotou o seu carro e foi temporariamente a mulher mais rápida do mundo, a quase 500 km/hora. 

Durante um período de tempo nos anos 60 e 70, foi o homem mais rápido do mundo em terra, e até muito tarde, sempre quis ir mais além.

Nascido a 23 de março de 1937, Breedlove envolveu-se cedo no automobilismo e em 1962, aos 25 anos, apareceu com o seu primeiro Spirit of America em Bonneville, no lago salgado, para a sua primeira tentativa de recorde. O carro, apenas com três rodas, não era válido para a FIA, que exigia que qualquer veículo tivesse quatro rodas, mas mesmo assim, alcançou 655,73 km/hora no final das duas passagens obrigatórias para validar o recorde. Contudo, apenas a FIM, a Federação Internacional de Motociclismo, é que se interessou na homologação do recorde. Para além disso, tinha sido o primeiro carro a usar um motor a jato, um  General Electric J47 vindo de um F-86 Sabre. 

Na altura, o recorde durou pouco tempo porque por esses dias, Donald Campbell tentava bater o recorde com o seu Bluebird, ainda com motores a pistão. Tinha conseguido em 1964, mas Breedlove regressou em outubro a Bonneville com uma nova versão do Spirit of America, para ver se alcançava as 500 milhas por hora, ou 800 km/hora. Mas tinha concorrência. 

Nesse ano, dois projetos estavam presentes em Bonneville: o Green Monster, guiado por Art Arfons, e o Wingfoot Express, guiado por Tom Green e Walt Arfons, o irmão mais velho de Art. A 2 de outubro, o recorde foi batido por Tom Green, com 665,0 km/hora, para tres dias depois, a 5, o Green Monster chegar aos 698.50 km/hora. Breedlove reagiu no dia 13, fazendo 754,330 km/hora, e melhorando dois dias depois, com 846,961 km/hora de média, sendo o primeiro piloto a passar acima das 500 milhas por hora. 

Contudo, o recorde durou... 12 dias. A 27 de outubro, Arfons alcançou os 863,751 km/hora na sua última tentativa do ano com o Green Monster. Que tinha quatro rodas, a propósito. 

Os dois regressaram no ano seguinte para melhorar o recorde, numa competição que, de uma certa maneira, tinha encantado a América, na era da corrida espacial. Aliás, as duas principais marcas de pneus, Goodyear e Firestone, apoiavam cada um os seus pilotos, e Breedlove era patrocinado pela Goodyear. Ele apareceu com um novo Spirit of America, e a 2 de novembro, conseguiu 893,966 km/hora, tirando o recorde e Arfons, e este respondeu cinco dias depois com o seu Green Monster, alcançando 927,872 km/hora. a coisa ficou resolvida a 15 de novembro a favor de Breedlove, que conseguiu 966,574 km/hora, mas em medida imperial, eram 600,601 milhas por hora, o primeiro a alcançar. 

Pelo meio, até a sua mulher, Lee tentou a sua sorte, alcançando um recorde feminino, conseguindo 496,492 km/hora no seu Spirit of America. Contudo, teve o seu quê de golpe publicitário, porque queria ter um dia só para o seu carro e não dando chances ao seu rival de poder responder ao seu recorde, e claro, com o apoio do seu patrocinador. Esse recorde ficou nas mãos dela até 1976.

O recorde ficou nas mãos de Breedlove até 1970, quando Gary Gabelich o bateu com o Blie Flame, um carro pilotado por foguetes, sendo o primeiro a ultrapassar os 1000 km/hora. 

Um tempo antes, em 1968, a AMC, American Motor Company, contratara o casal Breedlove para bater recordes de pista no seu novo "muscle car", o AMX. Acabaram por conseguir 14 recordes de velocidade e endurance num carro de produção, com médias de 226,58 km/hora em 24 horas, e 278.487 km/hora em 100 milhas (161 km), largando de forma parada. Levados a Bonneville, o AMX conseguiu 304 km/hora, num recorde sancionado pela USAC. 

Depois disto, Breedlove afastou-se dos recordes por mais de 20 anos, para se dedicar à imobiliária, até no inicio de 1990, regressar o seu interesse pela velocidade. Desenhou um novo Spirit of America - Formula Shell LSRV, com um motor a jato GE J79, e a 28 de outubro de 1996, foi ao deserto de Black Rock, no Nevada, para tentar passar dos 1000 km/hora e tentar alcançar a barreira do som, algo que outro projeto, os britânicos da ThrustSSC, com dois motores a jato Rolls-Royce, guiado por Andy Green, tentava fazer. O carro descontrolou-se a 1086 km/hora, e ficou danificado, mas Breedlove, então com 59 anos, saiu ileso. Regressou no ano seguinte, mas a sua tentativa acabou cedo, quando bateu de novo com o carro, depois de ter conseguido 1088 km/hora, e assistiu depois à quebra da barreira do som batido pelo ThrustSSC, com 1228 km/hora, o recorde atual.

Breedlove vendeu o chassis para Steve Fossett, conhecido por bater diversos recordes na terra e no ar, e preparava-se para tentar a sua sorte quando em 2007 desapareceu no seu avião na Sierra Nevada californiana, tendo os seus restos mortais encontrados um ano depois. 

Até morrer, Breedlove continuou a projetar carros para tentar bater o recorde de velocidade, mostrando que a sua paixão continuava a fluir nas suas veias. Teve tempo para ver o seu nome no Motorsports Hall of Fame of America, entrando em 1993, no International Motorsports Hall of Fame, no qual pertence desde o ano 2000, e no Automotive Hall of Fame, em 2009.

quarta-feira, 8 de março de 2023

Youtube Motorsport Vídeo: A busca pela velocidade

A busca pela velocidade é humana, especialmente no automobilismo. E desde que Karl Benz construiu a primeira carruagem sem cavalos viável, que essa busca tem sido incansável. E o pessoal da Donut Media decidiu fazer este vídeo sobe os recordes de velocidade, incluindo algumas mulheres-piloto que também foram mordidos pelo bicho.

O lado mau deste vídeo é que é... americano, e usa a medida imperial, com o resto do mundo a usar o sistema métrico... portando, peguem na calculadora!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Youtube Motorsport Video: O sonho supersónico de Donald Campbell

Semana passada, falei-vos sobre a fascinante história de Donald Campbell e da sua obsessão de bater os recordes de velocidade, herdados do seu pai, Malcom Campbell. E de como ele a querer ser o mais rápido em terra e na água terminou abruptamente numa fria manhã em janeiro de 1967, a bordo do Bluebird K7.

O que também falei por alto é que depois de ele bater o seu recorde na água, ele queria regressar de novo a terra para conseguir um recorde a bordo de um carro a jato. O Bluebird Mach 1.1/CN8 seria um carro que bateria a velocidade do som e ele pensaria que estaria pronto para as suas primeiras tentativas em 1969 ou 1970, com tecnologia britânica, capaz de a colocar na vanguarda da técnica. 

O carro foi apresentado a 7 de julho de 1965 em Londres, e Campbell disse o seguinte na conferência de imprensa:

"... Em termos de velocidade, o meu próximo passo deve ser construir um carro Bluebird que possa atingir Mach 1,1. Os americanos já estão fazendo planos para tal veículo e seria trágico para a imagem mundial da tecnologia britânica se não competirmos neste grande concurso e vencermos. A nação cujas tecnologias são as primeiras a conquistar o recorde do 'mais rápido que o som' em terra será a nação cuja indústria será vista como [dando] um salto para os anos 70 ou 80. Podemos ter o carro na pista dentro de três anos.", afirmou.

Sobre o que seria o Bluebird Mach 1.1, eis um vídeo que encontrei no canal do Youtube "Scarf and Goggles", que trata de recordes de velocidade, e sobre um carro que poderia ter sido, mas acabou por não acontecer. E curiosamente, o Mach 1.1 só foi alcançado em 1997, quase 30 anos depois do planeado.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

A história mortal de Donald Campbell


(...)

Donald, nascido a 23 de março de 1921, já tinha experiência e o "bichinho" da velocidade, especialmente depois da guerra. Com a morte do seu pai, em 1948, esperou pelo ano seguinte para tentar a sua sorte com o barco do seu pai, o Bluebird K4. Mas não só não conseguiu, mas soube que Stanley Sayres melhorou o recorde para os 257 km/hora, para além das capacidades do seu barco. 

Na altura, Campbell seguia as tentativas de velocidade de John Cobb. Ambos se davam bem, porque ele tinha sido amigo do seu pai. Em 1952, ele tinha construído o "Crusader", o primeiro barco com um motor a jato. E enquanto ele reconstruia o "Bluebird", Cobb ia para o Lago Ness, na Escócia, para bater o recorde de velocidade sobre a água. Mas a 29 de setembro desse ano, durante uma nova tentativa, o barco de Cobb desequilibra-se sobre uma onda e desfaz-se, causando a morte imediata do piloto, que fora cuspido do seu barco no impacto. 

Ali, Campbell ficou a saber que aquele poderia ser o seu destino, e que o seu pai até foi um privilegiado por ter tido uma longa vida. 

(...)

Depois da água, regressou à terra, onde outra ideia se apossou dele: ter ambos os recordes. Outro carro Bluebird foi construído, com a ajuda da Dunlop e da BP, e com a ajuda de Sir Alfred Owen, que iria ser o dono da BRM, graças à sua firma, a Rubbery Owen. Batizado de CN7, tinha um turbina e cerca de 4450 cavalos, com a esperança de alcançar 450 a 500 milhas por hora, ou... 800 km/hora. 

Pronto na primavera de 1960, e equipa foi para o lago salgado de Bonneville, no estado americano do Utah, e a ideia inicial era de chegar aos 700 km/hora nesse ano, ficar com o recorde e depois regressar em 1962, para levar o carro ao limite, ultrapassando os 800 km/hora. Pelo meio, regressaria à água e melhoraria o recorde com o outro Bluebird, e depois, quem sabe, abandonaria a competição, porque já estava perto dos 40 anos e sabia que o futuro era o jato puro e a barreira do som.

Contudo, na sua sexta tentativa, a 360 milhas por hora - cerca de 579 km/hora - perdeu o controle do carro e despistou-se. Foi hospitalizado com fratura craniana e um tímpano perfurado, mas sobreviveu para contar a história. Tinha sofrido o acidente mais rápido em terra e iria contar a história.


(...)

Para 1966, e também para arranjar publicidade para o seu projeto para o carro-foguete, Campbell regressou à água com o seu Bluebird K7. O objetivo era chegar para os 480 km/hora, ou as 300 milhas por hora, se calhar, passar dos 500 km/hora. O lugar escolhido foi Conninston Water, no Lancashire inglês, e Campbell esperava resolver a questão antes do final do ano, quando lá chegou, em setembro. Contudo, problemas no motor o impediram de tentar ao longo do outono de 1966. 

O barco ficou pronto em dezembro, e nas primeiras tentativas, andou a rondar os 400 km/hora, pronto para bater o recorde. Mas por causa de problemas com o sistema de alimentação de combustível, Campbell não conseguia chegar à marca pretendida. Alguns dias no estaleiro para tentar resolver o problema, e tudo ficou pronto por alturas do Natal. Com isso, agora, ele esperava por um dia perfeito para tentar. E este só apareceu depois do Ano Novo, a 4 de janeiro. 

Na véspera, ele estava a jogar póquer com os amigos quando lhe saiu uma mão com a Rainha e o Ás de Espadas, precisamente as mesmas que Mary, a rainha da Escócia, jogava na véspera da sua decapitação, em 1587. Ao reparar na coincidência, Campbell disse que tinha um mau pressentimento e e acabou dizendo: "acho que acabarei sem cabeça, desta vez." (...)


Donald Campbell herdou a paixão pela velocidade e a obsessão pelos recordes do seu pai. Conquistador em terra e na água, por um tempo, foi o homem mais rápido do mundo em ambos os elementos, e quis alcançar os 1000 km/hora em terra, e provavelmente, aproximar-se da barreira do som. Era do tipo de pessoas que Bruce McLaren descreveu-os certo dia como aqueles que "medem a sua vida em realizações e não em anos."

Contudo, a 4 de janeiro de 1967, há 55 anos, em Conniston Water, Campbell tentou alcançar os 550 km/hora na superfície aquática, no seu Bluebird K7. Na sua passagem de regresso, o seu barco voltou-se e desintegrou-se no impacto, matando-o de imediato. Aos 45 anos, terminava ali o percurso do homem que odiava o verde e o número 13, não corria às sextas-feiras e não se separava de Mr. Whoppit, o seu ursinho de peluche. E é sobre ele que falo este mês no Nobres do Grid.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

No Nobres do Grid deste mês...


Nascido a 22 de setembro de 1896, em Baltimore, Maryland, era filho de uma americana e de um irlandês, que era proprietário de terras. Educado na Irlanda, e depois no prestigiado (e elitista) Eton College, aos 18 anos, rebenta a I Guerra Mundial e pretende alistar-se no exército. Vai para a Academia Militar de Sandhurst, onde o curso é encurtado e em novembro de 1914, vai para o Royal Warwickshire Regiment, onde vê combates nas trincheiras da Flandres. Ferido por duas vezes, quando recupera demonstra interesse na aviação.

Ali, pede - e consegue transferência - para o Royal Flying Corps, a predecessora da Royal Air Force, e em 1916, começa a voar a bordo de um Airco DH2. Contudo, a 1 de julho de 1916, o primeiro dia da Batalha do Somme, onde o exército britânico perderá 60 mil homens, a maior de sempre na história, Segrave é abatido por anti-aéreas alemãs e despanha-se, fraturando um tornozelo. Anos depois, descreveu-se a si mesmo como "o pior aviador do mundo, fazendo o pior quando tentava aterrar".

(...)

Trabalhando ainda na Sunbeam [em 1924], convenceu-os a aderir a um projeto para construir um carro especificamente dedicado aos recordes de velocidade. O LadyBird era um carro com um motor de 4 litros, aerodinâmico, desenhado para ser veloz. A 16 de março de 1926, em Ainsdale, uma praia na zona de Southport, no Reino Unido, Segrave fez uma tentativa que colocou o carro a 245,15 km/hora, um recorde que seria batido... um mês depois, por J.G. Parry-Thomas, em Pendine Sands, no País de Gales, num carro construído de raiz com um motor Liberty V12 de avião, de 27 litros e 450 cavalos de potência.

Segrave não ficou parado. Voltou ao trabalho, construindo um carro de mil cavalos, o Sunbeam 1000 HP - que ficou popularmente conhecida como "A Lesma", tinha dois motores de avião e um chassis aerodinâmico, para ajudar no seu objetivo: 320 km/hora, ou as 200 milhas por hora. 

O carro ficou pronto para a tentativa, que iria acontecer em Daytona Beach, na Florida. Contudo, tinha concorrência: na Grã-Bretanha, Parry-Thomas iria voltar a Pendine Sands com o seu "Babs", modificado também para alcançar esse objetivo. Tinha a companhia de Malcom Campbell, que a 4 de fevereiro de 1927, abriu as hostilidades com 281.447 km/h no seu Napier-Campbell, batizado como Bluebird. Parry-Thomas reagiu, mas um mês depois, quando fez a sua tentativa, o motor explode e os destroços decapitam-no.

Na América, Segrave assistia tudo à distância e três semanas depois, a 29 de março, fez a sua tentativa, alcançando 327.97 km/h, ou 203.79 milhas por hora, o primeiro a alcançar esse marco na medida imperial. Isso lhe deu capas de jornais e enorme prestigio. E logo a seguir, colocou olhos noute tipo de recorde: os da água. Nessa altura, ela pertencia a um barco americano, o Miss America, que tinha conquistado o Harmsworth Trophy, uma competição formada com esse objetivo. A ideia era de retomar o troféu para as mãos britânicas, e com esse objetivo, construiu o Miss England I. Construído de raíz, com um motor Napier Lion, de origem aeronáutica, tinha 900 cavalos e um chassis leve de madeira. O barco ficou pronto em 1929, e contra Gar Wood e o seu Miss America VII, ambos se desafiaram em Miami, com a vitória a sorrir para o britânico. (...)


Há um século, no rescaldo da I Guerra Mundial, o automobilismo era sinónimo de velocidade. E o que as pessoas queriam era, mais do que vencer corridas, quebrar barreiras. E ao longo da década de vinte do século XX, foram construídos carros monstruosos, com motores de avião, com centenas ou milhares de cavalos, tudo para serem os primeiros a chegar aos 300 km/hora, hoje em dia, uma velocidade corriqueira para os hipercarros de estrada.

E aí surgiram a primeira geração de pilotos recordistas como Malcom Campbell e Henry Seagrave. E é sobre este último que falo, de alguém que hoje é recordado por um mero troféu, um dos mais importantes da Grã-Bretanha, mas no seu tempo, foi um dos pilotos mais versáteis, desde vencedor de Grandes Prémios e recordista no ar e no mar. Falo sobre ele este mês no Nobres do Grid.  

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Vende-se: Carro supersónico Bloodhound


A saga do Bloodhound continua. Depois de em 2019 ter feito diversos testes, onde andou até aos 628 milhas por hora - 1010 km/hora - e de terem dito que o carro, por ele mesmo, poderá chegar calmamente às 800 milhas por hora (cerca de 1260 km/hora), o seu proprietário e financiador, Ian Warhurst, decidiu colocar o projeto a leilão por não ter o financiamento suficiente para fazer as modificações necessárias para que a máquina seja o primeiro objeto a alcançar as mil milhas por hora, ou seja, 1609 km/hora. E claro, ser o carro mais veloz do mundo.

"Eu fui o mais longe que pude com isso", disse Warhurst à BBC News. "Não posso colocar mais meu próprio dinheiro no projeto, então é hora de passar o bastão para outra pessoa para concluir o trabalho. E eu estarei torcendo do lado de fora."

Segundo ele, precisa de oito milhões de libras para colocar o projeto nos eixos para tentar esse recorde de velocidade. E a única condição que ele coloca é que o carro não seja desmantelado.

"Não vou deixar isso acontecer [o desmantelanento]. No mínimo, o Bloodhound irá para um museu para que todos possam admirar e se inspirar. Mas, realmente, o recorde está lá para ser batido", disse Warhurst.

A ideia inicial era de tentar o recorde em 2020, no Hakskeen Pan, na África do Sul, mas a pandemia adiou os planos, e claro, esticou o orçamento a Warhurst, que colocou o seu investimento pessoal num projeto que começou há mais de dez anos, em 2009.

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Youtube Land Speed Record: A nova marca do Bloodhound SSC


O Bloodhound SSC continua a fazer passagens no sentudo de aumentar a sua velocidade e estar pronto para o seu objetivo de bater a marca das mil milhas por hora, ou 1609 km/hora. E hoje, 15 de novembro, alcançou a marca das 562 milhas por hora no Hakespak Pan, na África do Sul. 

Isso significa que chegou aos 904 km/hora. Assim sendo, eis o video dessa marca, que já ultrapassou os seus projetos deste ano, que seria de chegar às 500 milhas por hora, metade do objetivo. 

domingo, 3 de novembro de 2019

Youtube Motoring Video: O projeto australiano de velocidade

A busca pelas mil milhas por hora (1609 km/hora) afinal... tem concorrência. Desde há mais de uma década que existe um concorrente australiano com esse propósito, o Aussie Invader 5R. A ideia é alcançar essa velocidade com um único foguetão, mais ou menos ao estilo do Bloodhound SSC. Está a ser construido em Perth, e a pessoa por trás do projeto chama-se Rosco McGlashan, que em 1994, bateu o recorde australiano, ao alcançar os 801 km/hora.

O carro já está a ficar pronto - é um projeto com quase uma década - mas nada ainda se sabe quando ele tentará a sua sorte. É que os britânicos, como sabem, e vêm por aqui, estão já na África do Sul a ensaiarem para a tentativa de recorde, com Andy Green ao volante...

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Youtube Motorspot Video: Os primeiros ensaios do recorde de velocidade em terra

Depois de onze anos de construção, com alguns soluços pelo caminho, o Bloodhound começou a ser ensaiado num lago salgado na África do Sul no sentido de bater o recorde do mundo em terra, ou seja, ir a mais de 1000 milhas por hora - 1609 km/hora, ou Mach 1. Eles esperam bater o recorde em 2020, mas ja estão no local a fazer os primeiros ensaios. E hoje, o carro chegou às 334 milhas por hora - 537km/hora para o resto do mundo - num ensaio cujo video pode ver aqui. 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

No Nobres do Grid deste mês...

"Uma imagem no Facebook do João Carlos Costa, jornalista da Eurosport, e uma curta conversa com ele no inicio de dezembro, explicou-me a razão porque a colocou: o Projeto Bloodhound, onde se propunha bater o recorde de velocidade em terra e elevá-lo para os 1690 km/hora, tinha sido definitivamente cortado este final de semana, devido à falência do projeto. Segundo conta a BBC, dez anos depois de ter começado, terminou antecipadamente por causa de problemas de financiamento. E o protótipo está à venda por... 250 mil libras. O preço de um super-carro, se preferirem.

O pessoal queria fazer em 2019 e 2020 uma série de experiências num leito de um lago seco na África do Sul para ver se alcançavam esse número mágico, mas infelizmente, pelos vistos, vão se ficar pelas intenções. E em 2018, a estrutura do carro estava completa, mas faltava um elemento importante: financiamento. E sem ele, o projeto chegou ao fim... aparentemente, porque no momento em que se escreve estas linhas, um empresário do Yorkshire apareceu e ofereceu uma soma ainda não divulgada para asseguerar o financiamento do projeto, o suficiente para o colocar a funcionar para os ensaios e a tentativa de recorde.

Mas vamos começar pelo principio. Dez anos antes, a 23 de outubro de 2008, foi anunciado o Bloodhound SSC. Onze anos depois do recorde do mundo, em 1997, por Andy Green, a bordo do Thrust SSC, que bateu a barreira do som - 1228 km/hora no deserto do Mojave americano - iria acontecer nova tentativa, com uma maquina mais potente. A pessoa por trás do projeto era Richard Noble, que em 1983 bateu um recorde de velocidade e catorze anos depois esteve por trás do projeto Thrust SSC. E como nessa altura, Andy Green iria ser o seu piloto. (...)

O projeto Bloodhound SSC está há mais de dez anos a ser construido na Grã-Bretanha para tentar bater um recorde de velocidade absoluto. Mas o projeto anda com problemas de financiamento, e em dezembro, parecia que tinha sido cancelado de vez, antes de um milionário ter entrado em cena e arranjado o financiamento que necessitavam para os testes, que irão ser realizados no leito de um lago seco na África do Sul.

Contudo, este projeto surge numa altura em que uma subcategoria de velocidade está ao rubro: a do carro de produção mais veloz de sempre. Com Bugatti e Koeingssegg e construírem carros que vão acima dos 450 km/hora, a entrada em cena dos supercarros elétricos poderá faz com que essa velocidade seja ultrapassada, pois tem um melhor torque do que os carros com motor a combustão. Um exemplo é o Roadster de segunda geração da Tesla, que mesmo limitado, promete alcançar os 400 km/hora de velocidade máxima.

Tudo isso e muito mais, falo este mês no Nobres do Grid

segunda-feira, 9 de abril de 2018

A(s) foto(s) do dia





A Porsche vai se dedicar em 2018 a fazer uma "tournée de despedida" do seu modelo 919 Hybrid. E neste domingo, em Spa-Francochamps, decidiu tentar bater o recorde da volta mais rápida no circuito belga. E conseguiu: a partir de hoje, o recorde é de 1.41,770 (apesar do 1.41,8 na placa), e pela primeira vez desde 1971 que o recorde da pista pertence a um não-Formula 1, o que é um feito.

Contudo, este é um carro "retirado". Não participa no Mundial de Endurance, não está conforme as regras da FIA, é mesmo para bater recordes e tentar alcançar alguns feitos. A barbatana não está conforme, a asa é diferente, a frente é aerodinâmica, sem faróis... é um "one-off", como muitas das vezes fez a Porsche com o 917, quando no final de 1971 a FIA decidiu ilegalizar os carros com motores de 5 litros, para favorecer os de três litros, iguais aos da Formula 1. Os carros, nessa altura, foram usados para bater recordes de velocidade e a andar noutras categorias como a Can-Am e consagrar a carreira de pilotos como Mark Donohue e George Follmer, por exemplo.

Não se sabe se é um híbrido puro, se tiraram os MGU's e é um puro motor a gasolina, não se sabe quantos cavalos faz, quantos turbos tem incluídos, mas pelas reações que andei a ler, os "porschistas" deliram. Estão a sonhar, não se importam com os detalhes. E se calhar é isso que querem: sonhar. E a Porsche deu-lhes esse sonho.  

Em agosto, se não chover, Lewis Hamilton ou Sebastian Vettel poderão bater esse recorde nos seus carros. Mas até lá, os carros alemães têm o seu dia de glória. E a seguir, irão tentar apagar dos registos o mítico recorde de Stefan Bellof no Nurburgring Nordschleife, que já têm 35 anos, a bordo de um 956. Se conseguirem, uma coisa é certa: é um recorde que não sai em casa. 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Noticias: Divulgado o calendário da Velocidade em 2016

A FPAK aproveitou hoje para divulgar os seus calendários. Já viram o dos ralis, agora é a vez da Velocidade, que a partir do ano que vêm terá um novo formato, com um sprint para os novos carros da TCR, e um mais longo para a Endurance. No final, existirão oito datas, mas nem todos andarão no mesmo sitio. No máximo, todos terão seis datas, e algumas coincidirão com as provas que Portugal vai receber, como por exemplo o de abril, no Estoril (a segunda ronda da TCR) e em julho, em Vila Real (onde receberão o WTCC).

A grande novidade será uma corrida em Jerez, a 5 e 6 de novembro, mas apenas para receber os Turismos. Eventualmente será uma ronda do TCR Portuguese Series, mas poderá acontecer também uma data da versão espanhola da competição. Os clássicos serão os unicos a ir a 23 de outubro a Portimão, mas apenas porque é no fim de semana do Algarve Classic.

Eis o calendário provisório:

T- Turismos 
E- Endurance 
C- Clássicos 
LC- Legend Cup

22/23 Abril - Estoril (C/LC) M.C Estoril
14/15 Maio - Braga (T/E/C/LC) CAM
11/12 Junho - Vila Real (T/C/LC) CAVR**
09/10 Julho - Portimão 1 (T/E) AIA
17/18 Setembro - Estoril (T/E/C/LC) M.C. Estoril
22/23 Outubro - Portimão 2 (C/LC) AIA
05/06 Novembro - Jerez (T) -----
26/27 Novembro - Estoril (T/E) M.C. Estoril


terça-feira, 23 de junho de 2015

Youtube Mororsport Record: Veja Stirling Moss a bater um recorde do mundo


Ver os videos da British Pathé no Youtube valem sempre a pena. Digo isto por causa deste video a cores de 1957 feito por causa do recorde de velocidade efetuado pela MG, com Stirling Moss ao volante, do quilómetro lançado num carro com motor de 1,5 litros. E o chassis de aluminio, com um motor de 290 cavalos, sobrealimentado, foi aos Estados Unidos, mais concretamente no lago salgado de Bonneville, para bater um recorde que já existia desde 1939.

O resultado? Sucesso. Moss andou a 395,32 km/hora, batendo cinco recordes mundiais, colocando mais este feito aos imensos que ele alcançou numa carreira ecléctica, que foi desde 1949 a 1962.

Esta vi no FlatOut! Brasil

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A capa do Autosport desta semana

A capa do Autosport desta semana mostra Sebastian Vettel em grande plano, falando de um "Vettel arrebatador" para falar sobre a vitória do piloto alemão no GP do Bahrein. 

Mas esse, como podem ver, não é o unico assunto que a revista aborda, pois se fala sobre Moto GP ("Marc Marquez faz história"), onde o piloto espanhol se tornou no mais jovem da história a vencer uma prova da categoria rainha; fala-se sobre o TT português ("Miguel Barbosa abre com sétima vitória em Reguengos"), fala-se da primeira semana de velocidade em Braga, com corridas de diferentes categorias, e faz-se também a antevisão da prova portuguesa no Europeu de Rallycross em Montalegre ("Petter Solberg é a estrela")

terça-feira, 2 de abril de 2013

Youtube Record Attempt: Este é o carro mais veloz do mundo


O Hennessey Venom GT não é mais do que um Lotus Exige modificado, mas as modificações foram tantas que ganhou o direito a ser um modelo por si mesmo. Lançado em 2010 pela preparadora americana, tem um motor V8 de 7 litros, twin turbo, tem uma caixa de velocidades Ricardo de seis velocidades, produzindo ao todo 1244 cavalos. Será limitado a dez modelos por ano. 

Com uma tamanha potência, e com um provável baixo peso, como é apanágio da marca fundada por Colin Chapman, a marca estava confiante de que poderia alcançar - senão ultrapassar - o recorde do mais veloz carro de produção, que pertencia ao Bugatti Veyron: 427 km/hora. Dito... e feito. A 9 de fevereiro desde ano, na Base Aérea Naval de Leomore, na Califórnia, um Hennessey esteve presente e alcançou essa marca... em apenas duas milhas (3200 metros), metade do que a Bugatti precisa para chegar a essa velocidade.

Apesar do carro ter feito 427,6 km/hora, e de ser um pouco inferior ao Bugatti Veyron SS, o tal que James May acelerou no Top Gear, este carro da Hennessey não tem limitador, logo, eles pretendem fazer nova tentativa em breve, para ver todo o potencial que o carro pode tirar. De repente, metas como os 450 km/hora parecem ser alcançáveis...

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Pedro Matos Chaves sobre Armindo Araujo, e outras coisas mais

Sobre Armindo Araujo, já falei muito sobre o facto de se correr muita tinta sobre os seus feitos nos ralis, sobre o facto de muita gente querer o impossivel ao piloto de Santo Tirso que é pera poderem destilar o seu ódio a ele, especialmente nos Fóruns de automobilismo, quase parecendo que existe da parte de alguma gente uma campanha para o desacreditar, baseado numa irritação qualquer pessoal. E como sabem, a persistência dessa gente, aliado às expectativas demasiadamente altas que muita gente poderia ter sobre ele, faz com que a tempestade aumente, em vez de ser ao contrário. Na sua segunda temporada completa a bordo dos carros do WRC, e provavelmente a alcançar os seus melhores resultados da sua carreira, ao volante do seu Mini John Cooper Works WRC, as criticas não deverão calar-se tão cedo, apesar de se saber que quase nenhumas delas se devem a ele.

Interessante é ler a Autosport deste mês, onde o Pedro Matos Chaves faz um comparativo entre os pilotos de ralis e os de velocidade. Ele que esteve nos dois mundos - e alcançou títulos em ambos - afirma certas coisas que são verdadeiras. Primeiro, que são poucos os pilotos de ralis que tentaram uma carreira verdadeiramente internacional, num país onde se adora esta modalidade e há excelentes exemplos em termos de organização e tradição. Ou seja: muito umbigo. Somente nos anos 90, com pilotos como Antonio Coutinho e Rui Madeira, é que se começou a olhar para a internacionalização com "olhos de ver". E claro, foi neste inicio do século que houve pilotos como Bruno Magalhães, Bernardo Sousa e Armindo Araujo, com os melhores resultados a caírem para o piloto da Santo Tirso.

Eis alguns extratos:

(...) "Será que os portugueses são melhores pilotos de velocidade do que de ralis? A frieza dos numeros pende os pratos da balança para a velocidade, mas para além de não concordar, a questão não pode apenas ser respondida com resultados...


Ao contrário da velocidade, poucos portugueses tentaram uma carreira internacional em ralis. Recordo-me do Francisco Romãozinho, António Borges, Carlos Torres (este com um programa internacional mais completo) e, mais recentemente, do Rui Madeira, António Coutinho, Adruzilio Lopes, Miguel Campos e do Bruno Magalhães. Não incluo neste lote o João Silva, por só agora estar a começar.

E porque apesar do talento de cada um, só muito pontualmente conseguem brilhar? Porque é que, de forma consistente, não conquistam resultados como o Pedro Lamy, Tiago Monteiro, João Barbosa, Alvaro Parente, Filipe Albuquerque ou Antonio Felix da Costa, só para citar estes exemplos? Por terem um talento interior? Não concordo! Por terem desenvolvido projetos para várias épocas? Também, mas não apenas...


Falo por experiência própria: os ralis exigem que um piloto guie pelo instinto, com improviso, com confiança nas notas. Quando cheguei ais ralis, chegava a treinar 15 dias. Era de loucos! Havia classificativas que percorria como uma rampa, porque decorava cada curva. E havia ralis que se assentavam em três troços, percorridos três vezes! Ou seja, os nossos pilotos nasceram, cresceram e tornaram-se adultos com essas condições. E isso ajudou à sua evolução? Não! (...)

"Nos ralis não há formação e os pilotos deixam-se moldar pelos vícios. Talvez isto ajude a justificar, de alguma forma, os resultados do Armindo. Mas com o respeito e a admiração que me merece, corro o risco de dizer que não justifica tudo.


O que lhe falta ao Armindo? O material traz os tempos, mas os tempos também trazem material. Não raras vezes é perferível fazer dois ou três tempos excepcionais, correndo o risco de ir contra uma árvore, do que fazer todo um rali no anonimato. Se calhar, o que falta ao Armindo é que os ´titulos mundiais tivessem sido na categoria S1600 e não na Produção, um campeonato que não é, nem nunca foi, reconhecido como escola de talentos. O que talvez falte é o regresso da confiança e a estabilidade de uma equipa genuinamente oficial ou simplesmente privada" (...)

Em muitos aspectos, Pedro Chaves pode ter razão. De facto, o limbo da Mini neste ano de 2012 não ajuda muito o piloto de Santo Tirso, ao contrário que se julgava anteriormente. Aliás, toda a gente afirma a pés juntos - uns julgando-se em comunicação directa com Munique, outros julgando-se senhores de dotes adivinhatórios, outros por puro "achismo" - que a BMW irá puxar o tapete no final de 2012, justificando a razão pelos fracos resultados obtidos. Pode ser que aconteça, mas estamos em Maio e não há sinais nesse sentido, apenas meia dúzia de estúpidos rumores.

Mas noutros aspectos, os que apontam defeitos a Armindo só fazem isso: apontar. Mostrar soluções, não mostram. E claro, a razão está à vista: o panorama nacional dos ralis está pobre, ninguém rola em máquinas de S2000, não há campeonatos de promoção - a crise também não ajuda - e o Open é a única categoria que mostra vitalidade. Mas um campeonato para iniciados, como havia nos anos 90, com ajuda da Federação para os colocar num WRC Academy, por exemplo, não existe neste momento. E Portugal, país pequeno e algo mesquinho de mentalidades, continua a viver da "geração espontânea". Culpam o Armindo? Ora, ao fazê-lo estão apenas a culpar a vocês mesmos. Por inação.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Youtube Motorsport Yearbook: Os acidentes de 2011


 Natal, final de ano, começa-se a fazer um balanço. E o pessoal da Motors TV decidiu fazer um videoclip das centenas de acidentes que aconteceram ao longo deste ano. Todas espectaculares, em carros e motos, alguns até tiveram o seu quê de arrepiante. Por exemplo, há um em que a moto cai em cima da coluna do motociclista, mas para que eles a mostrem, é porque ele se safou de boa. 

Enfim, são quase dois minutos e meio de acidentes. Apreciem.