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domingo, 11 de julho de 2010

Extra-Campeonato: e na final...

Foi uma final feia. Aliás, todas as finais, desde há uns bons vinte anos a esta parte são feias: a de 1990 decidiu-se num penalti. A de 1994 foi nos penalties, mas a de 2006 será talvez a pior de todas. Talvez a unica final que tenha valido a pena ver tenha sido a de 1998, quando a França ganhou em casa frente ao Brasil. Mas aí, a canarinha tinha um Ronaldo em péssima forma.

Esta final inédita entre Espanha e a Holanda tinha todos os ingredientes para um bom jogo, pois sabem jogar bem, à holandesa. A Espanha tem muito de Barcelona, que foi influenciada pelos holandeses e agora tem Guardiola como treinador, e a Holanda, que joga cada vez menos holandês, tem um obscuro ex-treinador do Feyenoord como seleccionador. Mas a Holanda era a equipa que estava há mais tempo sem perder, o que teria de ser levado em conta.

Contudo, as duas equipas não queriam perder. A Espanha era boa, mas ganhara todos os jogos pela margem mínima, 1-0 (contra Portugal, Paraguai e Alemanha), logo não iriam encher o olho. E a mesma coisa falaria da Holanda, apesar de alguns jogos cujas exibições foram de encher o olho. Houve ocasiões onde mais parecia um combate de luta livre, no qual o árbitro Howard Webb poupou umas explusões, especialmente na Holanda (De Jong contra Xavi) . Com o passar do jogo, as coisas passaram das defesas em bloco das duas equipas para apareceram as primeiras brechas. Mas quando acontecia, Skeklerburg e Casillas faziam defesas quase impossiveis.

Em suma, é uma final cerebral, algo que o adepto comum odeia, pois o que quer é golos. Alguém que falhe, não é?

E foram a prolongamento, onde as oportunidades aumentaram um pouco mais, mas sem conseguir furar as redes. Chegados aos 105 minutos e nada aconteceu. As equipas começaram a verticalizar o jogo, a apressá-lo, e em alguns jogadores, esses 105 minutos começavam a dar de si nas pernas. E aos 108 minutos, a Holanda fica reduzido a dez, com a explusão de Heitinga sobre Iniesta. Se pensavam que isso seria suficiente para ver a Espanha marcar... pois. Só aconteceu no minuto 118, com um golo de Andrés Iniesta.

Para finalizar, temos de dizer duas coisas: a Holanda sempre que vai a final, perde, e que o vencedor deste Mundial, é o polvo Paul. A partir de amanhã, em Madrid, Barcelona, Valencia, Vigo, Sevilha... haverão estátuas do polvo Paul por toda a parte. Ou que o dia 11 de Julho será em Espanha o Dia Nacional do Polvo Paul.

Para finalizar, lembro as palavras do Vicente del Bosque, quando foi entrevistado pela tv espanhola: que aguentamos 50 dias todos unidos, sem incidentes. A união faz mesmo a força, e o facto de se conhecerem uns aos outros há anos, e a não existência de uma estrela que brilhe mais do que os outros. Quando ouvi isto, recordamos as idiotices da França ou as estrelas como Lionel Messi ou Cristiano Ronaldo. No final, todos viram este jogo ou em casa ou nas bancadas.

À Espanha, parabéns. Merceram a Taça. Quanto à Holanda, fazem-me lembrar o Chris Amon: jogam como nunca, perdem como sempre. Eventualmente ganharão algum dia a Taça, mas mesmo aí, acho que o resto do Mundo se lembrará mais das finais perdidas do que eventualmente a que ganhar algum dia...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Extra-Campeonato: no final... o polvo teve razão

O grande protagonista desde Mundial de Futebol na Africa do Sul, mais do que a Holanda e a Espanha, que no Domingo jogarão para saber qual deles se estreará no rol dos campeões, é... um polvo. Alemão, ainda por cima. Em Osnabruck, creio eu, há um aquário onde a estrela da companhia é um polvo chamado Paul, que virou uma espécie de oráculo neste mês quando se pôs a adivinhar os resultados da selecção alemã. E como ele fazia isso? Os tratadores colocavam duas caixas cheias do seu alimento favorito, conchas e pequenos moluscos, com as bandeiras dos paises em questão, e ele aterrava em cima da caixa.

Os tratadores fizeram uma brincadeira por alturas do Mundial, no sentido de dar sorte à Alemanha, e até então descobriu-se que tinha acertado em todos, mesmo quando aterrou em cima da caixa com a bandeira sérvia. À medida que mais e mais pessoas tinham conhecimento desta história, as previsões de Paul viraram um acontecimento mundial, e quando fez as previsões para o jogo desta noite, poucos não ficaram incrédulos quando se colocou em cima da caixa que tinha desenhada a bandeira espanhola.

Pois bem, acertou de novo. Não sei se o polvo tem o dom de adivinhar o futuro ou foi apenas um "winning streak" dele, mas parece que é o grande vencedor deste mundial, pois... acertou em tudo.

Mas saindo da brincadeira e indo para o futebol puro e duro, acho que o polvo deve ver o "the beautiful game". A Alemanha, que no Sábado destruiu, sem apelo nem agravo a Argentina de Diego Maradona por uns expressivos 4-0, desta vez se viu superado pelo futebol jogado pela Espanha. Eles sempre tiveram mais vezes com a bola, controlando o jogo e criando a maioria das oportunidades de perigo. De inicio, pensava que tinham sido eles que tinham entregue a bola aos espanhois, para aproveitarem depois o contra-ataque e serem eficazes, mas na segunda parte, vi a Espanha ter uma oportunidade atrás da outra, a vulgarizar a "Mannschaft".

Marcaram um golo de canto, mas acho que deveriam ter marcado mais três ou quatro, mas a má pontaria ou as defesas de Adler adiaram o agravamento da inevitabilidade. E desta vez, pelo menos desta vez, a frase de Gary Lineker, cunhada como se fosse uma certeza tão grande como as revelações do polvo Paul ("O futebol são onze contra onze e no final ganha a Alemanha") não aconteceu.

E assim, pela primeira vez desde 1978, teremos dois finalistas que nunca ganharam um troféu. E um deles, a Espanha, estreia-se numa final mundial. A Espanha, palco da melhor liga do Mundo, por fim faz valer o bom trabalho que tem vindo a fazer nas camadas jovens há mais de duas décadas, as vitórias nas camadas jovens, quer a nivel continental, quer a nivel mundial. E a boa campanha do Euro 2008, em que se tornaram vencedores, contra esta mesma Alemanha, pode se transformar, no próximo Domingo, 11 de Julho, no momento mais alto da sua história.

E a mesma coisa pode acontecer à Holanda. Em 1974, a equipa de Cruyff, Rep, Neeskens, Van der Kerkhof, Resenbrink, Haan, Joengbloed, Muhren e outros, guiados pelo imortal Rinus Michels, demonstraram o "futebol total" no seu melhor, apenas batido na final pela pragmática Alemanha. Essa foi uma das melhores gerações que nunca ergueu um troféu, a par do Brasil de 1982 ou a Hungria de 1954, por exemplo. Em 1988, de novo com Michels ao leme, jogadores como Van Basten, Rijkaard, Gullit, Wouters, Van Breuklen, os irmãos Koeman, Winter e outros, foram campeões da Europa, mas nunca foram longe nos Mundiais, batidos por uma Alemanha nos oitavos de final, em 1990, e pelo Brasil quatro anos depois.

Agora, há uma nova geração de jogadores: Robben, Sneijder, Van Bommel, Van Bronkhorst, Huntelaar e outros, que tem a oportunidade de, 32 anos depois, conseguir aquilo que Cruyiff, Resenbrink, Van Basten, Gullit, Koeman nunca conseguiram. Mesmo que no final esta geração consiga trazer o troféu para Amesterdão, creio que não conseguirão esquecer destes nomes referidos anteriormente. Apenas poderão dizer que desta vez, conseguiram.

Uma palavra final sobre o jogo de Domingo: ambas as equipas tem futebol mais do que suficiente para proporcionarem um excelente espectáculo, aquilo que as tv's e a FIFA sempre desejam, para alimentar o gosto pelo "the beautiful game". Portanto, ficaria muito desiludido se ambas as equipas se acobardassem e levassem o jogo para prolongamento e penalties. Nâo creio que tal aconteça, pois todos os jogos que ambas as equipas fizeram, foram decididos dentro dos 90 minutos. Espero que no Domingo tal aconteça.

sábado, 3 de julho de 2010

Extra-Campeonato: são onze contra onze...

... e no final, ganha a Alemanha. Esta Alemanha, que acabou de dar 4-0 à Argentina de Diego Armando Maradona, que todos diziam ser a equipa mais atrativa desde Mundial 2010, mostrou que, para além de ser eficaz, tem uma geração de jovens dispostos a vencer. Esqueçam que um é descendente de turcos, o outro é ganês, com um irmão a jogar pelo Gana, aquele tem o pai tunisino ou há dois polacos (poloneses, versão brasileira) e um até é alemão naturalizado... todos foram formados pelo futebol alemão, apesar dos ADN's diferentes. É um sinal dos tempos.

Já não existem mais alemães louros e de olhos azuis na "Mannschaft". Aliás, o que eles provam é que, mesmo que todos eles fossem de Marte, o que interessa é jogarem à alemã. Ou seja: defender e marcar de forma eficaz. E terem cabeça fria, esperando que as falhas dos outros sejam proveitosas para eles mesmos. E lá vão eles, caminhando e rindo, provavelmente a caminho de uma quarta estrela na sua camisola...

Quanto à Argentina, é verdade que Maradona conseguiu juntar 22 jogadores o os fez jogar com prazer. Mas não é um treinador de futebol, pois estes tentam contrariar os maus dias no banco. Recordo-me a qualificação apertada que tiveram, o 6-1 que levaram da Bolivia em La Paz, e no final, com um resultado "in extremis", o treinador veio à conferência de imprensa e disse aquelas palavras imortais: "Que los chupen. E siguen chupando". E agora, a honra da América do Sul está nas mãos de duas selecções de segunda linha, o Uruguai e o Paraguai... em suma, Maradona privou-nos de ver o seu adjunto a ser submetido a sexo anal, ou então de ver ele próprio, nu, no frio de Buenos Aires, a dar a volta ao Obelisco.

Será assim tão inevitável como a "blitzkrieg"? Veremos. O primeiro sinal de contrariedade dessa aparente caminhada poderá estar, não no campo do adversário, mas sim num aquário alemão, onde um polvo anda a acertar em todas as previsões dos jogos da Alemanha, incluindo quando perdeu 1-0 com a Sérvia, depois daquele convincente 4-0 sobre a Austrália. Se o polvo disser que no final, a Alemanha não ganha... dá ao mundo um sinal de que, mais do que esquemas táticos e sistemas de jogo, o acaso tem um papel decisivo. Até prova em contrário, aposto numa repetição da final de 1974. E francamente, não queria que repetisse o resultado final...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Extra-Campeonato: o fim da linha para o Brasil

Surpreso com o resultado? Um pouco, confesso. Mas sabia perfeitamente que a Holanda era uma daquelas boas equipas deste Mundial, a par da Argentina, Uruguai ou a Alemanha, mas esta última era mais no sentido da eficácia do que no resto. Sabia que seria um jogo decisivo, um jogo entre duas boas equipas, do qual uma delas teria de sair, com muita pena nossa. Mas aquela que poucos pensariam, foi a derrotada. O Brasil.

A maior parte das pessoas julga que é só com talento que se ganham jogos. Já não estamos no tempo em que todos jogam em 3-4-3 ou 4-2-4 e que todos os jogos tem de ser ganhos no mínimo por 4-0, todos eles golos de bicicleta. Mas também, para ser eficaz, não se deve matar a criatividade. Acho que a equipa do Dunga era isso: pouco criativa, pouco alegre. Fazia lembrar uma Selecção dos tempos do Sebastião Lanzaroni ou coisa assim...

Sou daqueles que diz que o Brasil é uma equipa que sofre com a sua abundância. Se todos os seus estados fossem independentes, todos eles seriam candidatos ao título mundial. O problema vai ser sempre escolher os 23 eleitos para o escrete, vi (e li) as criticas da imprensa sobre as escolhas do Dunga, porque os jornalistas queriam o Neymar, Pato e o Ganso, o Ronaldinho Gaúcho e até o gordo do Ronaldo. Digo aos meus amigos, meio a sério, meio a brincar, que esta deveria ser a unica selecção mundialista que deveria ser convocada por referendo, pois assim se calhar acabariam as polémicas entre os jornais brasileiros.

Agora, claro, todos querem a cabeça do Dunga, afirmando que tinham razão quando criticavam as suas escolhas. Francamente, acho que isso é um insulto. Porque dão aos treinadores de bancada uma razão que nunca tiveram. E também estão a dizer aos adversários que ganharam porque os outros deixaram, o que é uma idiotice, para ser sincero.

Vou ter pena do Dunga, e do seu sucessor. Como o próximo Mundial será em 2014, em paragens de Vera Cruz, a pressão será ainda pior. Nâo haverá jogos de qualificação, andarão quatro anos a fazer jogos particulares e a participar na Copa América e pouco mais. Esse treinador terá de fazer uma selecção para o "hexa" que mais do que uma aspiração, é uma exigência. O Brasil nunca admitirá um segundo "Maracanazo". Aliás, o povão acha que este Mundial é deles por antecipação, e que as restantes 31 equipas lutarão entre si para para terem o previlégio de serem derrotadas copiosamente pelo Brasil. Em suma, por ali não se trata de um problema de selecção. Tem a ver com a auto-estima do brasileiro, uma questão psico-sociológica.

Nada de anormal, num país que reclama Deus como seu...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Extra-Campeonato: Um desfecho esperado

Não estou feliz, mas também não estou muito triste. Era o resultado que esperava. Porquê? Sejamos sinceros, não era uma selecção que me entusiasmava, apesar daquele resultado contra a Coreia do Norte. Achei que este era o nosso destino porque tinhamos tudo para termos uma passagem relativamente curta neste Mundial: tinhamos o Brasil no nosso Grupo, e se passassemos no segundo lugar, iriamos colidir com a Espanha nos oitavos de final, o que mesmo não sendo impossivel, seria muito dificil. Somente quando eles foram batidos no primeiro jogo, com a Suiça, é que achei que esse tal destino pudesse ser enganado. E o que aconteceu nos dias seguintes, com a França e a Itália, ainda deu mais algum alento. Afinal, os espanhois lá corrigiram o tiro e fizeram o que tinham a fazer.

O jogo foi equilibrado na primeira parte, mas quando ele tirou o Hugo Almeida, topei que tinha dado um tiro no pé. Deu o jogo aos espanhois e David Villa fez o resto, apesar da oposição do guarda-redes Eduardo, que vamos ser sinceros, foi o menor dos culpados. E que se descobriu agora ser o grande sucessor de Vitor Baía, guarda-redes de uma geração.

Acho que Portugal está ao nivel de uma Holanda, em termos de jogadores e de potencial. O que isso significa? Que na Europa podemos ganhar um título, quando os grandes falharem (Alemanha, Espanha, França, Itália, Inglaterra), e em termos de um Mundial, se tivermos uma geração condizente, seremos potenciais finalistas. Mas isso só acontecerá quando os outros estiverem numa má altura. Ou seja, num confronto directo com uma Itália, França, Brasil, Argentina, Alemanha... perderiamos seis ou sete vezes a cada dez hipóteses. Só quebrariamos isso se tivessemos uma "geração de ouro" ou algo assim. Não temos. Só um "menino de ouro", que só ganhará alguma coisa em clubes, e não em selecções, e para ser o melhor do Mundo, só em anos ímpares, pois nos anos pares teria de ganhar uma competição de Selecções...

Enfim, fizemos um mundial suficiente. Jogamos o que tinhamos de jogar, e no primeiro confronto directo, perdemos contra a campeã da Europa. Pouca gente fora de Portugal nos dava um "chavo", era mais por fé do que por convicção ou capacidade dos nossos rapazes. Não alinhei nessas tretas nacionalisticas dos "Navegadores", porque achava que estavam a criar uma ilusão tão alta que quando caíssem na realidade, o tombo seria duro. Quando vejo, por exemplo, a capa de hoje do jornal "A Bola", confesso que sorri, mas no sentido de que a coisa soava a idiotice pegada, pois realisticamente, um resultado positivo era dificil. E foi o que se viu.

Em suma, se o Cristiano Ronaldo quer ganhar de novo o troféu de Melhor do Mundo, tem de pedir ao José Mourinho para que arme uma equipa que lhe permita ganhar "La Liga" e a Liga dos Campeões, e que seja capaz de marcar 30 golos, porque na Selecção, com aquele treinador e aquele esquema tático, mas parece a Argentina no tempo de Maradona: ele e mais dez. Se não lhe passam a bola, é mais um.

Agora, eles que vão de férias, pois a nova época será longa e dura, como sempre. E espero que no meu clube, já que não seguramos o Angel di Maria, seguremos o Fábio Coentrão, David Luiz, Ramires e Luisão e contratemos o Eduardo. E talvez se concença o Jorge Jesus a fazer um part-time na Selecção, pois este senhor Carlos Queirós pode ser um bom treinador, mas francamente... não me entusiasma.

E a pergunta final: quem vai ganhar o campeonato? É a Alemanha. Não digo por convicção, mas por puro realismo.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Extra-Campeonato: Um resultado conveniente

O que interessava era que Portugal chegasse ao jogo com o Brasil numa posição em que a qualificação era uma certeza. O empate com a Costa do Marfim deixou algumas preocupações nas mentes das pessoas, mas a goleada à Coreia do Norte dissipou-as. Não esperava nada de especial neste jogo, e acho que o empate é um resultado justo.

Que o jogo foi rijo, foi. Achei, contudo, que a chuva de cartões amarelos do arbitro, na primeira parte, um exagero. Que houve uma altura em que o Brasil dominou e atacou a baliza, sim. Mas também Portugal atacou e teve oportunidades de golo, que não aproveitou. No final, foi um bom teste. Portugal aguentou, mas não jogou para o zero a zero.

Agora e o mata-mata, como diz o Scolari. Adversários? Naquele Grupo H, é um pouco "venha o Diabo e escolha". Chile, Espanha ou Suiça, qualquer um serve, e a mesma coisa serve para o Brasil.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Extra-Campeonato: Tiramos a barriga de misérias

Que este era um jogo em que não ganhar significava ter a qualificação em perigo, sim, era certo. Que desejavamos vencer, nem que seja um a zero, sim, era verdadeiro. Quer queriamos ver o "ketchup" vertido, definitivamente sim. Mas neste mundial onde ver mais do que um golo por jogo é quase tão fantástico como ver elefantes a voar e galinhas com dentes, o 7-0 que aplicamos à Coreia do Norte tem algo de surreal.

Depois de ver, por exemplo, a Nova Zelândia empatar com a Itália, achei que isto iria ser como em 2002: os europeus a irem para casa e alguma selecção desconhecida nas meias-finais, como aconteceu à Coreia do Sul, embora ache que naquele ano eles foram "levados ao colo"... contudo, a Holanda salva um pouco este Mundial, ao vencer os seus jogos.

Mas esta tarde, vi algo irreconhecível: num palco chuvoso, na cidade do Cabo, vi os coreanos a jogar pelo jogo e a abdicarem do "autocarro à frente da baliza". E mesmo com o 1-0 ao intervalo, nunca pensei ver em meros 42 minutos, a avalanche de golos que assisti pela televisão. E golos para todos os gostos! Mesmo com o Cristiano Ronaldo na sua "urucubaca", pois mandou uma à trave antes de marcar aquele seu golo estranho, que deu na altura o 6-0.

Esta tarde, verteram o ketchup e tiraram a barriga de misérias, é um facto. Mas no final... só conseguiram apenas três pontos, pois aqui ainda não tem o sistema de pontuação do rugby, que dá pontos extra às goleadas. Foi uma exibição de encher o olho, algo que acho que só tinha visto no Alemanha-Austrália e nos jogos da Argentina e Holanda. Mesmo o Brasil-costa do Marfim teve um final mais condizente com o "Rocky" do que propriamente com um jogo de futebol. E com um arbitro francês. Será que em 2010 tudo o que vem de França só faz lembrar m****?

Enfim, agora estamos muito mais aliviados. Na sexta-feira, podemos jogar com o Brasil mais para o gozo e o prestígio do que para os pontos. Que é para isso que as pessoas pagam bilhete, não é? E espero que o Querido Líder não fuzile os seus jogadores no regresso a casa. Gosto do Tae-Se...

terça-feira, 15 de junho de 2010

Extra-Campeonato: O empate futebolistico do dia

Acho que era um resultado que esperava, dado o facto do adversário ser a Costa do Marfim. Não foi um jogo mastigado, e acho que os "Elefantes", com ou sem o Didier Drogba, são a melhor equipa de Africa. Mas tal como todas as equipas africanas, tem os seus dias de sonho... e de pesadelo. É por isso que nunca vão longe, apesar de todos desejarem vê-los numa final.

Conseguiram defender-se e tapar os espaços junto à baliza, conseguiram atacar sempre que foi preciso, e com perigo, especialmente no final da partida. Mas mostraram-se que nem sempre aguentam o ritmo dos noventa minutos, especialmente quando vi as caimbrãs do defesa marfinense. Mas Portugal teve a posse de bola e Cristiano Ronaldo deu um ar da sua graça quando mandou uma bola ao poste, aos dez minutos.

Didier Drogba entrou, mas não se mostrou muito. Tipico, não só porque está a recuperar de uma lesão, mas também porque as estrelas são muito marcadas pelos respectivos "policias". A reputação vem muito de trás... e neste Mundial, tem no minimo três jogos para mostrarem o que vale.

Quanto ao resultado final... compromete? Talvez não. Aliás, acredito que isto pode acabar com três equipas com cinco pontos cada um. Isto é, se o Brasil fazer o favor de ganhar à Coreia do Norte. Se conseguir os três pontos, está a caminho da liderança do grupo e de uma vida mais ou menos facilitada. Mas isso só se verá mais logo.

Aos dois, resta tirar pontos ao Brasil, desde que ambos consigam cumprir o favoritismo e vencer ao país do Querido Líder. Se algum deles escorregar frente aos homens de Pyongyang, então o ponto conquistado pode se transformar em dois perdidos... o Mundial continua!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Extra-Campeonato: o Mundial e as Cornetas do Diabo

Já falta pouco menos de 24 horas. O primeiro Mundial em solo africano vai dar o seu pontapé de saída em paragens sul-africanas, como uma espécie de "completar o círculo", pois depois disto, só fica a faltar a Oceania para receber um campeonato do Mundo.

Cada Mundial deixa algo que não nos sairá da cabeça enquanto vivermos. E neste, os sul-africanos encontraram um que certamente será inesquecível: as vuvuzelas. Essas "cornetas do Diabo", como chamo, são excelentes instrumentos para confundir os adversários, pela enorme barulheira que fazem. Uma coisa inventada nesse país há cerca de vinte anos, e que, claro, são uma moda bem aceite. Mas o resto do mundo já percebeu que aquilo causa mais mal do que bem. Os jogadores queixam-se, os adeptos queixam-se, muitos juram entre si que preferem derreter as cornetas do que tocá-las.

Aqui em Portugal, essas cornetas são distribuídas por uma gasolineira, que claro, as pinta de laranja, a cor da marca. A popularidade dessa coisa foi tal que em muitos postos de abastecimento já estão esgotados, e antes da equipa nacional partir rumo a paragens sul-africanas, tiveram de fazer uma "paragem para publicidade", numa estação de serviço, para que eles pudessem assinar algumas das cornetas laranja. Credo... seria melhor se pegassem nas cornetas e fossem para a sede da gasolineira e soprar para o ouvido do seu presidente, cada vez que ele aumentasse os preços da gasolina.

Pessoalmente? Já toparam: detesto o barulho das vuvuzelas. Para dizer tal coisa, deve ser sinal de que estou a ficar velho. Ouvi a coisa na terça-feira, quando via na TV o Portugal-Moçambique, onde ganhamos 3-0. Os jornalistas presentes no local disseram que o ambiente era irritante, com todos eles a tocaram as cornetas. E estavam 30 mil naquele estádio de criquete, cuja relva fora pintada de verde, para parecer mais saudáviel na TV...

Com esta coisa toda, recuei mais de quinze anos na minha memória, mais concretamente ao Japão. Quando em 1993 o campeonato local, a J-League, começou, nos estádios era frequente ouvir-se uma espécie de apitos nos estádios, que faziam um ruído ensurdecedor, no qual ninguém se entendia. Pouco depois, essas cornetas foram proíbidas.

Provavelmente isso irá acontecer por aqui na Europa. Mais do que o barulho ensurdecedor, o facto de serem um objecto de arremesso, como o telemóvel, por exemplo, seria impeditivo de ser levado para os relvados ingleses, italianos, espanhois ou franceses. E num "derby" qualquer, ter 40, 50, 60 ou 70 mil adversários a assoprar na corneta durante os 90 minutos de jogo, só para lixar os ouvidos dos adversários, também é um factor importante.

Em suma, neste Mundial conheceremos o poder das vuvuzelas. E vai ser a unica vez os iremos ouvir, pois logo a seguir, depois de sentirmos o seu impacto, os iremos banir nos estádios do resto do Mundo. Querem apostar? Por mim, até seria bom. Já ando cansado de ouvir aquelas "cornetas do Diabo"... e o Mundial ainda não começou!

terça-feira, 11 de maio de 2010

A abundância e a escassez

As convocatórias das selecções, que decorrerão durante a semana que agora vivemos, vão dar sempre azo às habituais discussões entre adeptos. Cada um tem a sua selecção delienada mentalmente na sua cabeça, e se estes torcerem por um determinado clube, anseiam para que essa selecção nacional tenha dos seus jogadores em maioria. Tipico.

Ontem à noite, na Covilhã, e esta tarde no Rio de Janeiro, Brasil e Portugal apresentaram os seus escolhidos para o Mundial de futebol da Africa do Sul. As escolhas são controversas, como é obvio, mas torce-se sempre pelo melhor. Desejam-se que estas equipas vão longe e, no caso do Brasil, seja o suficiente para conquistar o "hexa", essa velha ambição brasileira: sendo a unica selecção a participar em todos os Mundiais, parte sempre para ganhar o título, nunca menos do que isso.

Os casos de Brasil e Portugal são dictómicos: um sofre com a abundância de talentos, e outro com alguma escassez. Tanta que tivemos de naturalizar três brasileiros, que possivelmente teriam lugar na "canarinha". Mas escolheram outra selecção, por viverem e jogarem há anos no nosso país. O Pepe, por exemplo, chegou aqui ainda junior, no Maritimo.

A nossa escassez, por exemplo, é evidente no nosso lateral esquerdo, e nos esquerdinos em geral. Podemos ter os melhores extremos do mundo, mas se não tivermos um lateral-esquerdo, é como se estivermos com dez jogadores. Por exemplo, a escolha de Fábio Coentrão, um jogador de 22 anos, descoberta do ano no Benfica, campeão nacional, e unica chamada feita por Carlos Queiroz (Dunga, em contraste, chamou Ramires e Luisão) é talvez um bom exemplo do que se passa neste rectângulo á beira-mar plantado.

Em contraste, no Brasil, a abundância de bons jogadores é o pão-nosso de cada dia. Costumo dizer que se cada estado fosse independente, até o Acre iria ao Mundial com uma equipa capaz de disputar o título. O Brasil pode se dar ao luxo de criar uma equipa B, equipa C, equipa D... e não perde qualidade. Daí que muitos gostassem de ver os seus jogadores favoritos no escrete canarinho. Lembro do clamor nacional por Romário em 2002, com apelos até do então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. E Luis Filipe Scolari manteve a palavra, não o convocando. Quando a equipa conquistou o "penta", isso foi esquecido.

Todos queriam Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Adriano, Neymar, Ganso, etc... para os 23 eleitos. Todos acham que, estando eles em topo de forma por três, quatro, cnco jogos, já serve para a selecção e de lá não saem. Qualquer rapaz de 18 anos que jogue muito bem é considerado um "novo Pelé", devido ao exemplo dado, numa mágica selecção de 1958, que foi ás frias terras suecas e de lá trouxe a primeira das três Jules Rimet. Esta tarde, a imprensa local foi implacável sobre Dunga para que justificasse porque escolheu este ou aquele e não outro jogador. Vai ser assim, sempre, no Brasil: é a maldição da abundância...

Claro, também certa imprensa julga que tem poder para escolher os seus 23. Mas é por isso que existe um seleccionador. Para o mal e para o bem, é ele que escolhe aqueles que estão capazes de fazer uma boa campanha. É algo que é planeado a longo prazo, e não porque um dia acroda e decide convocar tal e tal. Os jornais não fazem selecções. Os Estados não fazem selecções. Para isso existe um seleccionador, sustentado por um presidente, por muitos pecados que ele tenha.

Claro, quando falo do Brasil, também falo de Portugal. Houve muito sururu quando Scolari chegou para treinar a selecção. Decidiu cortar com algumas "vacas sagradas" antes do Euro 2004 e todos temiam o pior. Hostilizou o F.C. Porto, que então tinha José Mourinho ao leme, com muitos a exigirem a Gilberto Madaíl, o presidente da Federação, para o despedir e colocar Mourinho no seu lugar, à frente uma seleção esmagadoramente portista. Felizmente, Madaíl e Scolari mantiveram a cabeça fria e Portugal conseguiu a melhor classificação de sempre.

E foi também ele que quebrou o "tabu" de naturalizar estrangeiros na nossa selecção. Um tabu hipócrita, na minha opinião. Antes de Scolari convocar Deco, já tinha havido três brasileiros na Selecção nacional, e era costume chamar jogadores nascidos no estrangeiro, como Petit, que tinha nascido em Estrasburgo. Sem falar na míriade de cabo-verdianos que jogaram pelas nossas cores, desde Oceano até agora, com Nani, Miguel e Manuel Fernandes... Há outros exemplos: José Bosingwa, que não vai por estar lesionado, nasceu em Kinshasa, no Congo, Ariza Makukula, filho de um internacional zairense ou Daniel Fernandes, nascido na canadiana cidade de Vancouver. Se a ideia era de criticar os brasileiros por uma espécie de "pureza" linguistica, deviam também criticar a nossa diáspora...

No final, toda esta reclamação não vai servir de nada. Já estão escolhidos os eleitos e a responsabilidade por uma boa campamnha depende deles. E agora, neste ano de 2010, no primeiro Mundial em Africa, Brasil, primeiro no "ranking", joga no mesmo grupo que Portugal, terceiro no "ranking". Num "grupo da Morte" como este, para o bem e para o mal, eles têm de se qualificar, pois muito está em jogo.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A caderneta de cromos (ou album de figurinhas)

Este Domingo foi dia de feriado aqui em Portugal, mas todos os jornais decidiram oferecer de graça aos seus leitores, em mais um serviço de "jornalismo cafetaria", o álbum de cromos da Panini sobre o Mundial de Futebol na Africa do Sul, que como todos sabem, acontecerá dentro de mês e meio.

Sei que muitos dos meus amigos brasileiros já começaram (se calhar até já completaram!) o seu álbum de cromos. Já agora, se não sabem o que fazer com eles, é simples: em vez de os deitarem fora, mandem para mim... LOL!

Mas este acontecimento a cada quatro anos desperta por esta altura as minhas histórias que tenho guardadas no meu subconsciente. E acho que vale a pena partilhá-las. Desde 1990, tirando o de 1998 (foi um ano dificil em termos pessoais e colecionar cromos do Mundial estava um dos últimos lugares nos meus pensamentos), arranjei sempre o meu "Album da Copa", como isto é chamado nas Terras de Vera Cruz.

Uma das minhas historietas passou-se há quatro anos. Estava eu na RTP N, no Porto, no meu estágio curricular quando apareceu o álbum. Como de costume, não estava para aí virado no primeiro ou primeiros dias, mas quando comecei a vir o pessoal da secção de Desporto a comprar cromos "à caixa", gastando vinte euros de cada vez, numa competição para ver em quantos dias é que completavam a colecção, aproveitei. Não a completei, mas em cerca de uma semana, já tinha selecções completas. E o mais espantoso que ficou na minha memória foi como é que pessoas, que deveriam ser mais velhas do que eu, mas não muito, eram capazes de gastar dinheiro numa coisa daquelas. Mas acontecia.

A unica coisa que me ficava atravessado na garganta foi o completar dos álbuns. Desde 1994 que não completo um. Fico sempre a oitenta ou sessenta do fim, insuficientes para pedir os que me faltam à Pannini, demasiados para gastar dinheiro, acumulando repetidos que chega a uma certa altura que é inutil trocá-los, por falta de colecionadores perto da tua área de residência, ou então porque andamos à procura dos mesmos. E claro, o desânimo assola-nos e desistimos, pura e simplesmente.

O interessante no meu caso é que tenho uma caixa cheia de cromos do passado. Tenho as de 2006 no meu quarto, numa pequena caixa. As dos Mundiais anteriores, infelizmente os perdi, porque provavelmente agora, devem valer alguma coisa, pois sei perfeitamente que 90 por cento delas não são guardadas. E à medida que esses mundiais ficam para trás, os que guardaram esses cromos do passado se tornam valiosos. E quando digo "cromos", também falo dos álbuns.

E se agora falo de futebol, também se pode aplicar o automobilismo. Outro dia, algures no Twitter - creio que foi o Alexandre Carvalho, não tenho a certeza - dizia que se deveria convencer a Pannini a fazer algo semelhante para a Formula 1. Foi algo feito no final dos anos 80, e tenho esse álbum, completo, algures em casa (vou ver se consigo encontrar e colocar aqui). Mas pessoalmente, acho pouco provável que isso aconteça, pois estamos a falar de algo que terá de ser negociado por imensa gente. Teria de passar pela todo-poderosa FOM, do Tio Bernie, e provavelmente iria pedir um numero astronómico qualquer, que provavelmente convencesse a Pannini a não tentar mais incomodar o anãozinho tenebroso... para não falar das equipas, claro.

Em jeito de conclusão, acho que isto da caderneta de cromos é uma maneira que a Pannini tem, de quatro em quatro anos, para fazer despertar de novo a criança que temos dentro de nós, num tempo em que corriamos a escola de lés a lés, procurando por aqueles que faziam a colecção, buscando por "aquele que falta para acabar a colecção" como se fosse o Santo Graal. Tenho de tirar o chapéu a eles.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Extra-Campeonato II: Que belo sorteio!

Pois é: depois de uma hora em que aturamos grupos corais, uma mensagem do Nelson Mandela, um ser acima de todos os outros, e de babarmos perante a beleza de Charlize Theron (tão bonita como a Table Mountain na cidade do Cabo...) chegamos ao tal momento que todos queriamos ver: o sorteio para a primeira fase do Mundial do próximo mês de Junho, em terras sul-africanas.


Sabia-se que à partida, boa parte destes grupos iriam ser difíceis, e que nem todos os cabeças de série iriam ter nesta fase um "passeio no parque", mas ao ver o grupo que nos calhou, reparamos que vai ser tudo menos fácil: Brasil, Costa do Marfim e Coreia do Norte.


Em termos factuais, Portugal jogará nos estádios de Durban, Cidade do Cabo e Porth Elizabeth, o que é bom, pois é tudo ao nível do mar. O primeiro encontro da selecção será a 15 de Junho, em Port Elizabeth, frente à Costa do Marfim, pelas 16 horas locais. O segundo jogo do grupo será contra a Coreia do Norte, na Cidade do Cabo, a 21 de Junho, pelas 13h30. E o melhor fica para o fim: o jogo contra o Brasil, dia 25 de Junho, pelas 16 horas, em Durban.


Quanto aos nossos adversários: Brasil é o que é. A sorte é que vai ser o último a defrontar, a 25 de Junho, mas sabendo que 60 por cento dos futebolistas que atuam por aqui vêm das Terras de Vera Cruz, de uma certa maneira somos influenciados por eles. Sabemos que tipo de jogador iremos enfrentar. E a hipótese de ter pela frente, por exemplo, a actual linha defensiva do Benfica (Luisão e David Luiz, caso Dunga o chame) é bem plausível.


A Costa do Marfim é neste momento a melhor selecção africana. Claro que o Didier Drogba é o "cartão de visita" desta selecção, mas eles tem a escola francesa que, combinado com a fantasia tipica dos países africanos (que por vezes roça a indisciplina tatica) pode se tornar mortal. Mais um factor a ter em conta.


A Coreia do Norte é um enigma. Desenganem-se se julgam que iremos ter a repetição de 1966, porque isso não vai acontecer. Mas se eles chegaram até aqui, 44 anos depois do seu feito em Inglaterra, é porque merecem. Não os julguem como "bombos da festa", pois não devem ser.


E pronto, é isto que podemos encarar. É mau? Pode ser. Mas recordo-me que nos últimos tempos, os portugueses fraquejam perante grupos fracos (Coreia 2002) e agigantam-se perante grupos fortes (Euro 2000, lembram-se?) Espero que o Carlos Queirós se recorde dessa história recente, e que o Cristiano Ronaldo começe a jogar mais para a equipa, caso queira voltar a vencer o troféu de Melhor do Mundo...


Os grupos estão feitos, agora... alea jacta est!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Extra-Campeonato: o caso Thierry Henry

Os jogos dos "playoffs" da noite passada ficou marcada pela polémica no jogo França-Irlanda, que terminou com um empate a um golo, após 120 minutos de jogo, mas que os franceses marcaram o golo que lhes deu o passaporte para a Africa do Sul de forma ilegal: Thierry Henry recebeu a bola com o braço na grande área irlandesa, que passou para Gallas, cabeceando para o fundo das redes do guarda-redes irlandês.


O jornal "L'Equipe" coloca na sua primeira página de hoje o lance da polémica, acompanhada da seguinte frase: "La Main de Dieu", usando a mesma expressão que foi cunhado quando Diego Maradona marcou com a mão no Mundial de 1986, contra a Inglaterra. Quanto a isto, respondo com uma frase de Sir Bobby Robson:


"Não foi a Mão de Deus, foi a mão de um pulha. Deus nada tem a ver com isto. Naquele dia, a minha consideração por Maradona ficou diminuida para sempre"



No final, a Irlanda paga o preço de uma FIFA demasiado conservadora, ao não permitir que os arbitros possam ver as jogadas polémicas por video, ou que coloquem chips nas bolas para ver se estas entram na baliza ou não. Rugby e basquetebol, por exemplo, colocaram ajudas electrónicas para ajudar os arbitros nas jogadas mais polémicas, e a qualidade do jogo não diminuiu.

Para mim, a França não merece estar no Mundial. E para o resto da sua vida, esta vai ser uma marca que Thierry Henry não se livrará jamais.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Extra-Campeonato: Foi difícil, mas valeu a pena!



Por fim, depois de dois jogos extra, contra a Bósnia-Herzegovina, e de termos jogado num "ervado" (para não chamar de batatal), vencemos este último obstáculo e conquistamos de pleno direito o acesso ao Mundial de Futebol do ano que vem, na Africa do Sul. Com menos dificuldades que esperava (num relvado dito normal, provavelmente teriamos goleado os bósnios), Portugal termina hoje aque que foi uma das fases de qualificação mais sofridas dos últimos doze anos, talvez.


A história deste apuramento... não vou dizer que chegamos ao ponto de estarmos à beira do precepício, porque estivemos. Não vou dizer que já não acreditava na qualificação, porque tive fases dessas, Mas digo que provavelmente estivemos a dois minutos de ver esta equipa a jogar o mundial do ano que vêm na Playstation. E para isso, lembro-me do jogo com a Albânia, em Tirana, onde empatavamos esse jogo quando chegamos no minuto 90 + 2. E Bruno Alves, o nosso possante defesa do F.C. Porto, deu uma cabeçada decisiva para o fundo das redes albanesas. Para mim, esse foi o momento decisivo da qualificação para este Mundial. Muitos vão escolher como momento decisivo o golo do Liedson contra a Dinamarcam as se ma dão licença, eu escolho este, pelo facto de ter acontecido no fio da navalha.


Enfim, após todas estas dificuldades, conseguimos o passaporte desejado para o país de Nelson Mandela, Benny McCharthy, Charlize Theron e Jody Scheckter. Agora esperemos pelo sorteio do mês que vem, na Cidade do Cabo, para ver quem nos calha na rifa. Boa sorte!

domingo, 15 de novembro de 2009

Extra-Campeonato: Os All Whites



Quando falamos da Nova Zelândia, lembramo-nos dos "All Blacks", a temida e respeitada equipa de rugby que nos momentos antes dos jogos, fazem a famosa "haka", a dança de origem maori que serve para intimidar os adversários, afirmando que estão prontos para a "guerra", pois é isso que ancaram os jogos: como uma batalha. Graças a isso, o rugby é o desporto nacional da Nova Zelandia.


Mas nesse país de 4,3 milhões de habitantes, que serviu de cenário para a triologia do "Senhor dos Anéis", de Peter Jackson (ele próprio um neozelandês) também existe uma selecção de futebol: os All Whites, que jogam de branco (mas também jogam de preto, mas como "jersey" alternativo), e que durante anos a fio viveram na sombra da Austrália, na sua confederação oceânica, porventura a mais fraca das existentes. E mais fraca ficou quando a Austrália decidiu jogar na confederação asiática, onde teria mais chances de se qualificar para o Mundial.


Os "All Whites" estiveram uma vez no Mundial, em 1982, e jogaram num grupo constituido por Brasil, União Soviética e Escócia. Perderam todos os jogos, mas o que contava era participar. E dessa selecção ficou um nome: Wynton Rufer, que depois fez carreira na Europa, ao serviço dos alemães do Werder Bremen.




Com os critérios existentes na sua condederação, o apuramento é dificil, e implica ao vencedor que este dispute um "playoff" com alguém de outra confederação. No último Mundial, a Austrália jogoou com o Uruguai, da Confederação sul-americana, e venceu após os "penalties". Agora, em 2010, foi jogar contra o Bahrein, da Confederação Asiática, num jogo a duas mãos. Depois de um encorajador 0-0 no emirado barenita, o jogo da segunda mão foi em Wellington, a capital neozelandesa. E no minuto 43, o jogador Rory Fallon, que joga nos ingleses do Plymouth Argyle, deu a cabeçada que colocou os All Whites para o maior palco do mundo, 28 anos depois de Espanha. Um senhor feito, de um país que está na 83ª posição do ranking da FIFA, o mais baixo de todos até agora.


E agora, na pátria que deu ao automobilismo nomes como Chris Amon, Dennis Hulme e sobretudo Bruce McLaren, e é conhecida pela sua selecção de rugby, o futebol sai da sombra para ter hoje o seu dia de glória. Com direito a parada triunfal e tudo!

domingo, 25 de novembro de 2007

Mundial 2010: Hoje foi dia de sorteio

Depois do Europeu, preocupamo-nos com o Mundial. Como sabem, estra tarde decorreu em Durban o sorteio dos grupos para o apuramento para o Campeonato do Mundo de futebol, que decorrerá em Junho de 2010 na África do Sul.


A particularidade deste sorteio para nós, que eramos cabeças de série do grupo europeu (graças ao nosso oitavo lugar no "ranking" de FIFA), era saber que "tubarões" é que nos poderiam calhar no caminho do Mundial sul-africano, que desta vez apura directamente uma selecção, sendo que o segundo classificado de cada grupo (desta vez são nove) terá que jogar um "play-off" entre si para ficar com os restantes lugares de apuramento.


E o que é que calhou a nós? Bom, como na qualificação para o Europeu, tivemos que viajar até quase ao centro do Mundo (Cazaquistão) para podermos jogar (Arménia e Azerbeijão também faziam parte desse pacote), o que mais se desejaria era evitar de novo viagens longas. E esse desejo foi cumprido: em vez de viajarmos para Leste, viajamos para Norte, pois vamos jogar contra Suécia e Dinamarca!


Eis o grupo completo:


GROUP 1


PORTUGAL
SWEDEN
DENMARK
HUNGARY
ALBANIA
MALTA


É um grupo que, à partida, é fácil. Até posso dizer que é um grupo simpático, pois com uma Dinamarca em decadência e uma Suécia que, apesar de ser boa, não é aquilo que foi nos naos 90 (Dahlin, Andersson, Larsson) ou a Dinamarca campeão da Europa em 1992 (Schmichel, manos Laudrup), mas tem agora Thomasson. E claro, a Hungia de hoje é uma pálida sombra daquela que foi nos anos 50... Em suma, à partida, temos tudo a ganhar. Depende de nós mesmos uma terceira qualificação consecutiva para o Campeonato do Mundo.

Um outro espaço para as restantes selecções lusófonas. Se na América do Sul, já decorre os jogos de qualificação no unico grupo que reune as 10 selecções que fazem parte (neste momento, após quatro jornadas, o Paraguai é o lider), na Africa, era interessante saber o destino que tiveram as selecções lusófonas. Sendo que São Tomé e Principe desistiu de participar, por falta de dinheiro, e Guiné Bissau perdeu nos jogos de pré-eliminatória com a Serra Leoa (0-1; 0-0), restavam Cabo Verde, Moçambique e Angola.


Ora, os angolanos tem a tarefa mais facilitada, ao jogarem no grupo 3 com Benim, Niger e Uganda; já para Cabo Verde e Moçambique, as coisas não são tão fáceis assim. Os cabo-verdianos vão jogar com Camarões, Mauricia e Tanzânia, no Grupo 1, e Moçambique joga no Grupo 7 com Costa do Marfim, Botswana e Madagascar. A razão para este tipo de sorteio é por causa do CAN 2010, que será disputada em Angola (logo, o segundo classificado desse grupo é apurado automaticamente, pois Angola é organizadora) E vai ser nessa competição que se saberá quem são as quatro selecções africanas que acompanharão Africa do Sul no Mundial.


E pronto, acho que todos ficaram contentes com o sorteio. Que comecem os jogos!