sábado, 7 de janeiro de 2017

A imagem do dia (II)

Montreal, esta sexta-feira, no Muro dos Campeões do circuito Gilles Villeneuve. Ah, o inverno... 

A imagem do dia




Isto é Oruro, este sábado. O "bivouac" de Oruro, para ser mais preciso. A chuva tem sido inclemente, e isso tem acontecido desde que a caravana entrou em terras bolivianas: chuva ininterrupta, que tem transformado os ribeiros - muitas vezes sem água - em rios revoltos. Por causa disso, o Dakar foi interrompido este sábado, quando iam de Oruro até à capital, La Paz, para um merecido dia de descanso. Afinal, vão ser dois...

E estas imagens são um pouco o espelho da dureza que este Dakar tem sido. Claro, os organizadores fazem de tudo para que isto seja duro, mas parece que este ano, das duas uma: ou exageraram na dureza, ou os pilotos andam a puxar demasiado pelos seus limites. Uma coisa é certa: de aborrecido, o Dakar não tem nada. Ainda por cima, eles estão a mais de 4000 metros de altitude, e aguentar tudo aquilo não é para todos. A não ser que bebam um cházinho de coca... 

O Dakar voltará a competir na segunda-feira, fazendo o percurso de volta para a Argentina, do qual demorará mais um ou dois dias para lá sair, e claro, rumar velozmente para Buenos Aires, palco da chegada deste rali. Está a ser bem interessante!

No The Grand Tour desta semana...


TheGrandTour S01E09 Stuttgart por carabinieri8
Esta semana, no The Grand Tour, eles estão de volta à tenda, que desta vez esta montada em Estugarda, no coração industrial da Alemanha (Porsche e Mercedes têm aqui as suas sedes, recorde-se), e no programa, os Três Estarolas andarão em carros modificados, James May andará de bazuca e Jeremy Clarkson com uma metralhadora (depois de ter assassinado um Mercedes). Entre outras coisas.

Vai ser um bom programa. E a partir de agora, podem ver aqui. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Dakar 2017: Etapa 5 - Tupiza - Oruro

A quinta etapa do Dakar, a primeira a ser feita totalmente em terras bolivianas nesta edição de 2017, ligou as localidades de Tupiza e Oruro, no total de 692 quilómetros, 447 dos quais em troços cronometrados. Contudo, esta foi uma etapa dura, não só em termos de altitude - mais uma vez, andaram acima dos 3500 metros - como o mau tempo fez das suas. Tanto que esta foi encurtada, depois de alguns ribeiros terem transbordado com tanta água. Aliás, esta zona da Bolivia tem sido afetada no último mês com o mau tempo. A especial cronometrada acabou por ter "meros" 219 quilómetros.

A primeira grande novidade foi a desistência de Carlos Sainz. Apesar do forte capotamento que tinha sido vitima no dia anterior, ele acabou por chegar ao fim da etapa, mas os estragos no seu Peugeot eram tão grandes que simplesmente achou que o melhor seria deitar a toalha ao chão. Assim sendo, a Peugeot, que parecia estar destinada ao domínio, depois da desistência de Nasser Al Attiyah, sofreu a sua primeira grande baixa na sua equipa. 

E nas motos, se ontem falamos que Joan Barrreda Bort tinha sido penalizado um uma hora por ter reabastecido em local inapropriado, descobriu-se também que Paulo Gonçalves também foi penalizado, mas em 48 minutos, pelos mesmos motivos. Logo, caiu de quinto para o 16º posto da geral, a mais de uma hora do primeiro. 

Mas na marca do leão, nem tudo foram más noticias. Sebastien Loeb foi o grande vencedor do dia, ganhando sobre Nani Roma por meros 44 segundos. Stephane Peterhansel perdeu um minuto e meio na etapa, enquanto que Cyril Després foi quarto, perdendo dez minutos... e a liderança. Mikko Hirvonen é outro dos perdedores do dia, ao chegar à meta 40 minutos depois do vencedor, caindo para o quinto posto da geral.

Assim, Peterhansel lidera, com uma vantagem de um minuto e nove segundos sobre Loeb, e quatro minutos e 54 segundos sobre Després, e cinco minutos e 35 segundos sobre Nani Roma.

Nas motos, o britânico Sam Sunderland foi o mais veloz, numa etapa onde Paulo Gonçalves esteve em destaque, ao ser segundo classificado, a sete minutos do piloto britânico. Pablo Quintanilla perdeu 15 minutos na etapa, e em consequência, perdeu também a liderança para... Sunderland. Outro dos perdedores foi Matthias Walkner, perdeu mais de vinte minutos e caiu para o 20º posto na etapa, e é quinto na geral. Mas ficou na frente de Barreda Bort, que perdeu mais 37 minutos e caiu para a 22ª posição da geral. Adrien Van Beveren foi o terceiro na etapa, e agora é também o terceiro na geral.

Amanhã, o Dakar segue em terras bolivianas, rumando de Oruro para La Paz, a capital, num troço com o total de 786 quilómetros, 527 dos quais em troços cronometrados.

Noticias: Manor pediu proteção contra credores

A Manor pediu esta sexta-feira uma proteção contra credores, nos moldes do qual tinha pedido em 2012. Segundo conta hoje a Sky Sports, no seu site, a Just Racing Services Ltd, empresa proprietária da Manor Racing, decidiu chegar a acordo com a FRP Advisory, especialista em gestão de empresas em processo de proteção de falência. Eles já tinham feito o mesmo serviço quando a Marussia entrou num processo semelhante, e por agora, não pretende despedir nenhum dos 212 funcionários. Contudo, necessitam urgentemente de encontrar um novo parceiro para garantir a presença no GP da Austrália.

Nos últimos meses, a empresa tentou arranjar um novo comprador para a equipa, tendo havido contactos bem avançados com um grupo de investidores americanos, liderados por Tavo Helmund, o promotor do GP dos Estados Unidos, no Circuit of the Americas. Contudo, tais conversações parecem ter caído, logo, tiveram de tomar esta decisão.

Como é sabido, a Manor ficou na 11ª posição do campeonato de Construtores em 2016, depois de ter conseguido um ponto na Austria, graças a Pascal Wehrlein. Contudo, no GP do Brasil, Felipe Nasr fez um nono posto e com os dois pontos subsequentes, fez passar a equipa de Hinwill para a décima posição, importante para as finanças da equipa, pois permite uma injeção superior a 35 milhões de dólares por parte da FOM. Sem isso, e apesar de Stephen Fitzpatrick ter garantido que isso não afetaria as suas finanças a curto prazo, disse que a longo prazo, tinha de se fazer alguma coisa.

E é por isso que ainda não foram anunciados os pilotos que poderiam correr com eles em 2017. Há quatro candidatos para o lugar: O brasileiro Felipe Nasr - curiosamente, pode haver uma troca entre ele e Wehrlein, já que se fala que o alemão poderá ir para a Sauber - o mexicano Esteban Gutierrez, que foi dispensado pela Haas, o indonésio Rio Haryanto e o britânico Jordan King, cujo pai, Justin, já trabalhou para grandes empresas britânicas como a Sainsbury's e a Marks & Spencer.

Contudo, Haryanto perdeu recentemente o apoio da Petramina, a petrolífera indonésia, e Nasr tem apenas cerca de cinco milhões de euros de patrocínio pessoal, que é manifestamente insuficiente. Já Gutierrez poderá ter apoios mexicanos, mas estes tem de ser bem "gordos" para assegurar a sobrevivência da equipa, e claro, serem uma mais-valia, e King ainda não tem garantias de que vai arranjar bons apoios em terras de Sua Majestade.

Veremos no que isto irá dar. à partida, parece que tudo indique que estarão presentes em Melbourne, mas poderá ser uma temporada de "credo na boca", um pouco semelhante à última temporada da Caterham, em 2014, quando Tony Fernandes decidiu "desligar a ficha" por causa da Formula 1 ser um sorvedouro de dinheiro.

Dakar: Barreda Bort penalizado, Quintanilla lidera

O Dakar, como sempre, é palco de coisas inesperadas. E o inesperado alcançou o comando na categoria de motos, pois o então líder, o catalão Joan Barreda Bort, foi penalizado em... uma hora (sim, leram bem, 60 minutos de penalização!). A razão? Um reabastecimento fora de tempo.

Por causa dessa "brincadeira", o catalão cai para a 13ª posição, enquanto que o comando vai para o chileno Pablo Quintanilla. Paulo Gonçalves, deduzidos os dez minutos que perdeu a ajudar Toby Price, que como sabem, sofreu uma queda que o obrigou a abandonar o Dakar, é agora o quinto classificado da geral, a meros... sete minutos do novo líder. Matthias Walkner e o segundo, a dois minutos e sete segundos. 

Tudo isto quando a caravana do Dakar entrou em terras bolivianas, quando amanhã eles percorrerem o trajeto entre Tupiza e Oruro, em alta altitude dos Andes.  

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A imagem do dia

O eslovaco Ivan Jakes é um dos melhores privados que andam neste Dakar. Mas para 2017, ele tem uma história para contar... aos bisnetos. Jakes, atualmente com 40 anos, é um excelente "motard" que em 2013 alcançou a sua melhor classificação de sempre, ao ser quarto classificado.

Este ano, o piloto anda aos comandos de uma KTM, e na etapa de ontem, a cerca de 300 km de Jujuy, passava por uma parte complicada do troço, debaixo de chuva quando... foi atingido por um raio. Jakes parou, mas depois continuou, sem ferimentos aparentes. E chegou ao fim, com fortes dores no braço e visão turva, mas de resto, estava bem.

Foi ao posto médico, para fazer exames de rotina, mas depois de um diagnóstico aturado, descobriram que não teve nenhuma complicação cardíaca... e deixaram-no continuar! E continua: hoje terminou no 15º posto na etapa e está um lugar mais abaixo na geral.

Em suma, eis mais um episódio que pode contar aos seus descendentes, para além da dureza dos troços sul-americanos.

Dakar 2017 - Etapa 4, Jujuy - Tupiza

A etapa de hoje do Rali Dakar, que liga as localidades de Jujuy e Tupiza, na Bolivia, é uma em que todos continuam a subir até aos Andes e o Atacama, num troço que tem 521 quilómetros, 416 dos quais em troço cronometrado.

Não foi uma etapa fácil para os Peugeot. Apesar de ontem terem tido uma vitória em toda a linha - para além dos três primeiros lugares, ainda viu abandonar Nasser Al Attiyah, um dos seus maiores rivais - hoje, as coisas ficaram complicadas. Carlos Sainz, Stéphane Peterhansel e Sébastien Loeb perderam muito tempo. Primeiro, o espanhol parou e perdeu onze minutos por uma razão não especifica, do qual recuperou parcialmente... até ele capotar numa ravina, perdendo mais tempo. Já Sebastien Loeb perdeu muito mais, cerca de 25 minutos, e com isso cedeu o comando da geral. Peterhansel perdeu 15 minutos, e no final também fez uma recuperação parcial.

Quem desistiu de vez, entre os da frente, foi o saudita Yazid Al-Rahji, no seu Mini, que ia na sétima posição na geral, e o segundo melhor entre os Mini, depois de Mikko Hirvonen. Tinha já perdido mais de uma hora quando tomou a decisão de abandonar.

No final da etapa, o melhor foi Cyril Després, no quarto Peugeot, com dez minutos de vantagem sobre Mikko Hirvonen, que foi segundo, no seu Mini, e Nani Roma na terceira posição, a quase treze minutos do vencedor.

Na geral, Després aproveitou a hecatombe para ficar com o comando, e agora está a quatro minutos e oito segundos de Peterhansel e cinco minutos e quatro segundos de Hirvonen. Sebastien Loeb caiu para o sexto posto, mas está a seis minutos e 48 segundos da liderança, logo, isto pode ser recuperável para o francês, nove vezes campeão do mundo de ralis.

Já nas motos, a etapa também foi animada. A grande novidade foi a queda do australiano Toby Price, o atual campeão, que foi obrigado a abandonar o rali, pois sofreu uma fratura no fémur. A queda aconteceu no quilómetro 371, numa altura em que o australiano tentava apanhar Joan Barreda Bort, e chegou a haver uma altura em que a diferença era de um minuto entre ambos. Paulo Gonçalves parou para ajudar Price e perdeu mais de dez minutos. Por causa disso, acabou no nono posto na etapa e caiu para o mesmo posto na geral, a 38 minutos da liderança.

O grande beneficiado disto tudo foi, claro, Barreda Bort, que consolidou a sua liderança, mas o vencedor na etapa foi Matthias Walkner, que ganhou ao catalão em dois minutos e dois segundos. Sam Sunderland perdeu mais de 16 minutos na geral é agora o terceiro na geral. Michael Metge e Xavier de Soultrait foram, respectivamente, terceiro e quarto na etapa e mantêm-se nos lugares da frente. Outro português, Hélder Rodrigues, foi o 14º na etapa, cinco lugares mais à frente de outro português, Mário Patrão.

E já agora... Ivan Jakes largou para a etapa e chegou no 15º posto da geral. Vinte e quatro horas depois de ter sido atingido... por um raio.  

Amanhã, todos farão mais uma etapa em terras bolivianas, entre as localidades de Tupiza e Oruro, no total de 692 quilómetros, 447 dos quais em troços cronometrados.

Dakar em Cartoons - Nasser Al-Attiyah (Cire Box)

Os Cesares são o equivalente francês aos Oscares, e a estátua é basicamente uma espécie de compactação abstrata feita pelo escultor Cesar Balcaddini (1921-98), e no cartoon feito pelo "Cire Box", basicamente estão a dar como prémio "pelo melhor abandono precoce" aquilo que parece ser o seu carro...

Claro, Nasser Al-Attiyah não diz que está emocionado, afirma apenas que tem "poeira nos seus olhos"...

Este carro vai salvar a Faraday Future?

Depois de muitas especulações sobre o futuro da Faraday Future, o consórcio sino-americano que pretende construir carros elétricos - e autónomos - e das duvidas que existem sobre se há dinheiro para construir a fábrica que estão a fazer no estado do Nevada, entre outras coisas, a marca por fim apresentou o seu novo carro, o FF 91 (lê-se nove um e não novente e um, dizem eles)

O carro foi apresentado no CES (Consumer Electronics Show) em Los Angeles, na madrugada de terça para quarta-feira, e é basicamente a mistura de um SUV com uma berlina de luxo. A ideia é produzi-lo em 2018, mas já abriram encomendas para o modelo. Eles reclamam de uma aceleração de 0 aos 100 em meros... 2,5 segundos (!) e prometem fazer baterias de alta densidade com autonomia até 700 quilómetros. O sistema, com baterias colocadas ao longo do automóvel, apresenta uma potência que poderá ir até aos mil cavalos, e as baterias podem ser carregadas na sua totalidade em menos de quatro horas.

O habitáculo tem grandes dimensões, as portas são em forma de portão, que garantem um acesso fácil ao interior, tem bancos traseiros reclináveis e ajustamentos para otimizar o espaço para as pernas e apoio lombar, bem como funções de massagem, aquecimento e ventilação. Há  um tejadilho panorâmico em cristais líquidos, que pode se tornar transparente ou opaco conforme as necessidades dos ocupantes.

E então? No papel, é um concorrente sério do Tesla, e nesse campo, os engenheiros fizeram um bom trabalho. Mas também o Fisker Karma parecia ser um concorrente sério ao Tesla Modelo S e entrou em falência em 2014, e agora tenta reerguer-se como Karma, e com dinheiro... chinês. Contudo, ao ler as impressões que os jornalistas do Jalopnik tiveram quando foram à apresentação foi que há dúvidas por esclarecer. Não foi mostrado o interior, a tentativa de fazer uma demonstração de estacionamento autónomo foi um fracasso embaraçante, e tudo indica que aquele carro não é um modelo pronto para a produção. Claro, eles dizem que o carro estará à venda em 2018, mas a Tesla fez apresentações semelhantes no passado, com os seus modelos (o X e o 3) e todos puderam ver todos os aspectos desses modelos.

E isso não ajuda muito aos recentes rumores de que não há dinheiro para desenvolver tudo aquilo que a marca anda a fazer. Há salários em atraso, membros da equipa - engenheiros a diretores - que estão a abandonar o barco porque... o dinheiro acabou, e a fábrica que deveriam estar a construir no Nevada está parado desde meados de dezembro.

Este carro é capaz de ter chegado demasiadamente tarde.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

A(s) image(ns) do dia



Pobre Nasser. Que tem talento e velocidade, tem, mas um pouco mais de sorte poderia ter, especialmente quando este ano vai ter de lidar contra a armada da Peugeot, com os seus 3008 DKR, e com três pilotos capazes, nas figuras de Sebastien Loeb, Carlos Sainz e Stephane Peterhansel. A eventual perda do piloto qatari - mesmo que acabe a etapa e continue, já perdeu duas horas - é um golpe duro aos que esperavam forte concorrência às máquinas francesas, que muitos vêm como prováveis vencedores deste Dakar.

Para piorar as coisas, para Nasser, isto foi duro porque andava a disputar a etapa palmo a palmo com Peterhansel. A coisa poderia ter acabado mal para o outro lado, mas o azar calhou a ele. Arrancar uma roda e arrastar-se até ao final, com as pedras em cima do seu carro para tentar fazer contra-peso, para ver se tinha alguma chance de chegar ao fim e poder trocar todas as peças defeituosas (ou arrancadas) para estar fresco e viçoso para mais uma dura etapa em terras sul-americanas... e ainda por cima, é dos tipos mais simpáticos que se conhece do automobilismo.

Vamos a ver o Dakar não acabou por aqui. Não creio, porque ainda temos os Mini, e agora, o maior opositor aos Peugeot é um velho conhecido do líder, Sebastien Loeb: é o finlandês Mikko Hirvonen.

Dakar 2017 - Etapa 3, Tucuman - Jujuy

A terceira etapa, que ligou hoje as cidades de Tucuman a San Salvador de Jujuy, num total de 780 quilómetros, 364 dos quais em troço cronometrado, acontece numa altura em que motos, carros, camiões e quads começam a subir em altitude, rumo ao planalto do Atacama. As coisas foram de tal forma duras, até em termos de temperatura, que tiveram de suportar até 5ºC a quase cinco mil metros de altitude, o que levou a que existisse a certa altura a neutralização de parte da etapa.

Nos automóveis, o grande vencedor do dia foram os Peugeot, que provavelmente viram hoje o final do rali de um dos seus maiores rivais, o Toyota de Nasser Al Attiyah. O piloto qatari ficou sem uma roda no seu carro no final de uma etapa dura, depois de um duelo com o Peugeot de Stephane Peterhansel pela vitória na etapa. Perdeu mais de duas horas e poderá ter dito adeus ao rali. Por causa disso, houve uma tripla da marca do leão, com o francês a chegar três minutos na frente de Carlos Sainz, enquanto que Sebastien Loeb foi o terceiro, na frente do Mini de Mikko Hirvonen.

Para piorar as coisas, quem também teve um péssimo dia foi Giniel de Villers, pois o piloto sul-africano perdeu mais de 36 minutos devido a problemas mecânicos. Assim sendo, para a Toyota, este foi um péssimo dia.

Na frente. Loeb continua a liderar, mas agora tem 42 segundos de vantagem sobre Carlos Sainz, enquanto que Stephane Peterhansel está a quatro minutos e 18 segundos. Mikko Hirvonen subiu ao quarto posto e está a nove minutos e 18 segundos do comando, e é o melhor dos Mini.

Nas motos, o grande vencedor foi o catalão Joan Barreda Bort, que aproveitou bem para fazer um dos seus melhores desempenhos no Dakar. o piloto da Honda levou a melhor sobre Sam Sunderland, que ficou a 13 minutos e 29 segundos, e sobre o Husqvarna de Pierre-Alexandre Renet, que ficou a 16 minutos e 31 segundos. 

No final da etapa, Barreda Bort referiu que esta era uma “etapa que tinha anotada com especial atenção nos meus planos. Ontem perdi algum tempo, o que foi uma pena, mas hoje tudo correu bem. Controlei os acontecimentos durante o dia e tirei proveito das situações para atacar. A corrida ainda é muito longa pelo que as diferenças que foram estabelecidas ainda não representam muito. Esta estratégia que adotei de controlo e ataque penso que é a ideal”.

Paulo Gonçalves ficou na quinta posição, a 17 minutos e 20 segundos, enquanto que Joaquim Rodrigues Jr foi o segundo melhor português, sendo o 18º na etapa, na frente de Hélder Rodrigues, que é meramente o 24º e já perdeu uma hora para os da frente.

Na geral, Barreda Bort tem agora uma vantagem de onze minutos e 20 segundos sobre Sam Sunderland, enquanto que Paulo Gonçalves manteve o terceiro posto, a 14 minutos e 42 segundos.

Amanhã, o Rali Dakar continua a subir até aos Andes e o Atacama, num troço entre Jujuy e Tupiza, já em terras bolivianas, num troço que terá 521 quilómetros, 416 dos quais em troço cronometrado.

Formula 1: Mercedes e Ferrari já tem datas de apresentação

A Mercedes - que ainda tem de anunciar o seu segundo piloto na equipa - acabou de dizer que mostrará o seu W08 a 23 de fevereiro em Silverstone, numa ação promocional. Basicamente, eles irão aproveitar os cem quilómetros que todas as equipas terão direito para filmagens, no sentido de fazer o "shakedown" dos seus monolugares.

Contudo, esta apresentação da Mercedes vai ser um pouco mais original: irá ter público, nomeadamente os seleccionados da marca através de um concurso que está a promover no seu site.

Assim sendo, eles serão (pelo menos até agora) os primeiros a apresentar o carro em 2017, antecipando em um dia o carro da Ferrari, que será a 24 de fevereiro. Mas ambas as equipas apresentarão os seus carros três dias antes dos primeiros testes coletivos, que acontecerão a 27 de fevereiro, no circuito de Barcelona.

No Nobres do Grid deste mês...

"Em 1986, a Peugeot, liderada por Jean Todt, estava no Mundial de ralis, onde andava com o seu modelo 205 de Grupo B. Com pilotos como Juha Kankkunen e Timo Salonen, lutava pelo título mundial com os Lancia tripulados por Markku Alen e Massimo Biasion. Contudo, o acidente mortal de outro piloto, o finlandês Henri Toivonen, no Rali da Corsega, fez com que o Grupo B fosse abolido no final dessa temporada. Provavelmente, a Peugeot poderia continuar em 1987 com um modelo para a Classe S (que acabou nati-morta), mas as polémicas com a Lancia no rali de San Remo, onde os seus carros foram desclassificados pelos comissários italianos, fizeram com que a marca francesa decidisse retirar os seus carros dos Ralis, nem sequer alinhando os modelos 205 adaptados aos novos Grupo A.

Assim, a alternativa era mais “caseira”: o Rally Paris-Dakar. Até então, o Rali, iniciado em 1979 por Thierry Sabine, era uma prova dura no deserto do norte de África, onde essencialmente uma grande quantidade de amadores entravam em carros preparados especialmente para a ocasião, mas era essencialmente uma aventura. Contudo, em 1986, já começava a haver entradas de pilotos de fábrica nesta aventura, como a Porsche e a Mitsubishi, por exemplo. Só que esse rali ficou marcado pelo acidente mortal do seu fundador, vitima de um acidente de helicóptero no Mali. Com a organização a viver um pouco a crise que costuma existir após o desaparecimento do seu fundador, Eles acolheram de braços abertos a entrada em força da Peugeot, com os seus 205 Rallye, e com um regresso aplaudido: o finlandês Ari Vatanen, que ano e meio antes, na Argentina, tinha tido um grave acidente que o colocou às portas da morte.

(...)

Mas não foi fácil: um acidente no inicio do rali fez com que Vatanen caísse para a posição… 274, tendo de efectuar um percurso de recuperação. Lá conseguiu, mas outro susto na 13ª etapa, em solo mauritano, quase o fez ficar de fora, mas conseguiu levar o carro atè à meta, no Senegal. Era a recuperação que tanto queria, depois de tanto tempo a lutar pela vida.

No ano seguinte, Vatanen continua na marca, correndo agora com o modelo 405 mas desta vez junta-se o seu compatriota Juha Kankkunen, que faz esta “perninha” enquanto que corre pela Lancia no Mundial de Ralis, a bordo do seu Delta de Grupo A. Para além dele, alinharam os franceses Henri Pescarolo e Alain Ambrosino.

Há um recorde de inscritos (603, entre carros, motos e camiões), mas o percurso é duro. Vários acidentes causam ao todo dez mortes, no que se transforma na edição mais mortífera do Dakar, mas nos carros, a Peugeot voltou a ganhar, com Joha Kankkunen a ser o grande vencedor. So que isso aconeceu depois de a meio do rali, o seu compatriota Vatanen abandonou à conta de… um roubo. O incidente aconteceu durante uma paragem no Mali, e o carro foi encontrado dois quilómetros mais tarde, mas o incidente foi mais do que suficiente para baralhar a vitória para a marca francesa. (...)

Há precisamente 30 anos, a Peugeot trocou os ralis pelo todo-o-terreno, com excelentes resultados. A entrada da marca francesa no Dakar, com todo o seu aparato, marcou o inicio de uma era em que os amadores começavam a ser superados pelos profissionais, pelas equipas de fábrica, pois foi também nessa altura em que a Mitsubishi entrou no Dakar, também com o objetivo de vencer. Ficaram até 1990 com os 2015 e os 405, sempre acabando no lugar mais alto do pódio e com alguns episódios... insólitos. Depois, ficaram 24 anos sem aparecer, até que fizeram o seu regresso às areias do deserto, onde estão agora, e são os favoritos à vitória, contra os Mini e os Toyota.

Tudo isto pode ser lido neste mês no Nobres do Grid, mas se quiserem, também podem este video da edição de 1987 no Youtube

WRC: Ostberg com um Ford a partir da Suécia

O norueguês Mads Ostberg vai andar no WRC em 2017 com um Ford independente, em parceria com o checo Martin Prokop, adianta esta tarde a Autosport britânica. Ostberg, que andou na temporada passada na equipa oficial da marca americana, estava sem contrato oficial em 2017, logo, decidiu rapidamente montar uma equipa com o piloto checo, que participa regularmente no Mundial, também com uma equipa privada.

"O plano é fazer o que fizemos nas épocas de 2011 e 2012, quando estávamos dirigindo o carro com nossa própria equipa, a Adapta, [que estava] sob o guarda-chuva da M-Sport", afirmou o seu pai, Morten.

"Este ano parece que seremos ainda mais independentes, trabalhando com a equipa de Martin Prokop", continuou.

Apesar de ambos correrem de forma independente, terão de inscrever os seus carros sob o guarda-chuva da M-Sport, pois devido aos regulamentos da FIA, apenas os construtores poderão inscrever os carros com especificações de 2017.

Aos 29 anos (nascido a 11 de outubro de 1987) Ostberg não teve uma grande temporada de 2016, onde foi sétimo classificado e teve apenas dois terceiros lugares na Suécia e no México como melhores resultados. Em 108 ralis na sua carreira, apenas venceu um, o Rali de Portugal de 2012, e tem 16 pódios e 57 vitórias em classificativas. 

Já Prokop, de 34 anos (nascido a 4 de outubro de 1982) participou em apenas quatro ralis em 2016, tendo conseguido um sétimo posto no rali do México, tendo ficado na 15ª posição, com 12 pontos. Para além disso, participou no Dakar com um Toyota Hilux, terminando na 14ª posição da geral.