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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Dakar 2019 - Dia 1 (Lima-Pisco)

O Dakar começou hoje, com a ligação entre Lima e Pisco. Apesar de te apenas 84 km cronometrados, foi mais que suficiente para criar diferenças significativas. Nasser Al Attiyah foi o vencedor no seu Toyota, deixando o segundo classificado, Carlos Sainz, no seu Mini da X-Raid, a quase dois minutos.
O piloto do Qatar não deu a mais pequena hipótese aos seus adversários e tornou-se no primeiro líder deste rali.

O polaco Jakub Przygonski, noutro Mini 4X4, perdeu apenas um segundo para o espanhol, deixando atrás de si noutra Toyota Hilux, o russo Valdimir Vasilyev.

Yazeed Al Rajhi, noutro Mini 4x4, acabou em quinto, seguido pelo sul-africano Giniel de Villers. Stephane Peterhansel foi cauteloso e acabou a etapa no sétimo posto, perdendo quase três minutos.

Quem ficou muito mal hoje foi Sebastien Loeb, que perdeu mais de seis minutos nas areias de Pisco no seu Peugeot 3008 DKR.

Nas motos, Joan Barreda Bort foi o melhor, no seu Honda CRF 450 Rally. O piloto espanhol, como já é seu hábito, entrou com tudo em prova e foi sempre o mais veloz, batendo Pablo Quintanilla por um minuto e 34 segundos. Outro piloto Honda, Ricky Brabec, foi o terceiro, seguido pelo Yamaha de Adrian van Beveren

Paulo Gonçalves foi o melhor representante da nação lusa ao ser o 11º na etapa inicial deste Dakar. O homem da Honda começou a prova de forma cautelosa e foi seis minutos e 41 segundos mais lento do que o colega Joan Barreda Bort.

Foi a corrida possível, fiz uma corrida tranquila, não tive dores. Fui de forma bastante cautelosa, e estou contente por ter terminado este dia. Amanhã vamos ter uma etapa bastante maior em termos de quilómetros e vou ver como é que me vou sentindo, irei tentar melhorar o ritmo ao longo da corrida. O importante é terminar dia após dia e ir melhorando”, cdisse o piloto português, no final da etapa.

Amanhã, o Dakar continua nas areias peruanas, na etapa entre Pisco e San Juan de Marcona, no total de 342 quilómetros, 211 dos quais em etapa cronometrada.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Dakar 2017: Etapa 5 - Tupiza - Oruro

A quinta etapa do Dakar, a primeira a ser feita totalmente em terras bolivianas nesta edição de 2017, ligou as localidades de Tupiza e Oruro, no total de 692 quilómetros, 447 dos quais em troços cronometrados. Contudo, esta foi uma etapa dura, não só em termos de altitude - mais uma vez, andaram acima dos 3500 metros - como o mau tempo fez das suas. Tanto que esta foi encurtada, depois de alguns ribeiros terem transbordado com tanta água. Aliás, esta zona da Bolivia tem sido afetada no último mês com o mau tempo. A especial cronometrada acabou por ter "meros" 219 quilómetros.

A primeira grande novidade foi a desistência de Carlos Sainz. Apesar do forte capotamento que tinha sido vitima no dia anterior, ele acabou por chegar ao fim da etapa, mas os estragos no seu Peugeot eram tão grandes que simplesmente achou que o melhor seria deitar a toalha ao chão. Assim sendo, a Peugeot, que parecia estar destinada ao domínio, depois da desistência de Nasser Al Attiyah, sofreu a sua primeira grande baixa na sua equipa. 

E nas motos, se ontem falamos que Joan Barrreda Bort tinha sido penalizado um uma hora por ter reabastecido em local inapropriado, descobriu-se também que Paulo Gonçalves também foi penalizado, mas em 48 minutos, pelos mesmos motivos. Logo, caiu de quinto para o 16º posto da geral, a mais de uma hora do primeiro. 

Mas na marca do leão, nem tudo foram más noticias. Sebastien Loeb foi o grande vencedor do dia, ganhando sobre Nani Roma por meros 44 segundos. Stephane Peterhansel perdeu um minuto e meio na etapa, enquanto que Cyril Després foi quarto, perdendo dez minutos... e a liderança. Mikko Hirvonen é outro dos perdedores do dia, ao chegar à meta 40 minutos depois do vencedor, caindo para o quinto posto da geral.

Assim, Peterhansel lidera, com uma vantagem de um minuto e nove segundos sobre Loeb, e quatro minutos e 54 segundos sobre Després, e cinco minutos e 35 segundos sobre Nani Roma.

Nas motos, o britânico Sam Sunderland foi o mais veloz, numa etapa onde Paulo Gonçalves esteve em destaque, ao ser segundo classificado, a sete minutos do piloto britânico. Pablo Quintanilla perdeu 15 minutos na etapa, e em consequência, perdeu também a liderança para... Sunderland. Outro dos perdedores foi Matthias Walkner, perdeu mais de vinte minutos e caiu para o 20º posto na etapa, e é quinto na geral. Mas ficou na frente de Barreda Bort, que perdeu mais 37 minutos e caiu para a 22ª posição da geral. Adrien Van Beveren foi o terceiro na etapa, e agora é também o terceiro na geral.

Amanhã, o Dakar segue em terras bolivianas, rumando de Oruro para La Paz, a capital, num troço com o total de 786 quilómetros, 527 dos quais em troços cronometrados.

Dakar: Barreda Bort penalizado, Quintanilla lidera

O Dakar, como sempre, é palco de coisas inesperadas. E o inesperado alcançou o comando na categoria de motos, pois o então líder, o catalão Joan Barreda Bort, foi penalizado em... uma hora (sim, leram bem, 60 minutos de penalização!). A razão? Um reabastecimento fora de tempo.

Por causa dessa "brincadeira", o catalão cai para a 13ª posição, enquanto que o comando vai para o chileno Pablo Quintanilla. Paulo Gonçalves, deduzidos os dez minutos que perdeu a ajudar Toby Price, que como sabem, sofreu uma queda que o obrigou a abandonar o Dakar, é agora o quinto classificado da geral, a meros... sete minutos do novo líder. Matthias Walkner e o segundo, a dois minutos e sete segundos. 

Tudo isto quando a caravana do Dakar entrou em terras bolivianas, quando amanhã eles percorrerem o trajeto entre Tupiza e Oruro, em alta altitude dos Andes.  

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Dakar 2016: Peterhansel vence, Gonçalves é o novo lider nas motos

A quarta etapa do Rali Dakar de 2016, um percurso de 429 quilómetros cronometrados à volta de San Salvador de Jujuy, na Argentina, onde os mecânicos não poderão tocar nas máquinas, fez com que Stephane Peterhansel e Paulo Gonçalves fossem os vencedores desta etapa, beneficiando da penalização de Joan Barreda Bort em cinco minutos. Isso fez com que o piloto português passasse a ser o novo lider nas motos. Ruben Faria  foi o segundo na etapa, consolidando o quinto lugar na classificação geral. 

Começando nos carros, o dia foi dominado de novo pelos Peugeot, com uma tripla, mas desta vez foi Stephane Peterhansel o grande vencedor, assinando a sua 66ª vitória em especiais, onze segundos mais veloz do que Carlos Sainz. Sebastien Loeb foi o terceiro na etapa, mas mantêm a liderança no rali. Nasser Al Attiyah foi o quarto, e o melhor dos Mini, na frente de Cyril Després e do árabe Yazid Al-Rahji.

Na geral, Loeb mantêm a liderança com quatro minutos e 48 segundos de vantagem sobre Peterhansel, enquanto que Nasser Al Attiyah é o terceiro, a onze minutos e nove segundos do piloto francês. 

Nas motos, a etapa foi dominada pelo duelo entre Barreda e Gonçalves, com o espanhol a levar a melhor, ficando ambos separados por um minuto e 49 segundos. Contudo, o resultado foi ótimo para o piloto da Honda, pois subiu ao terceiro lugar da geral, agora a dois minutos e meio do seu companheiro da marca japonesa.

Foi uma etapa rápida. Ultrapassei alguns pilotos, o que foi bom, apesar de ter passado muito tempo no pó de alguém. Tudo correu bem. Não tive problemas mecânicos. Estou na posição perfeita para atacar o segundo dia da etapa maratona”, referiu o piloto valenciano da Honda.

Foi uma primeira etapa maratona rápida. Estava perto do Kevim Benavides antes de reabastecer, mas depois cometi um pequeno erro que me custou algum tempo. No final não terminei muito longe do primeiro lugar. Era importante trazer a moto em bom estado. Estou contente por mim e pela Honda”, comentou o piloto de Esposende.

Mas pouco depois, os organizadores decidiram penalizar Barreda em cinco minutos, caindo para o quarto lugar na etapa e fazendo com que o piloto português não fosse só declarado como o vencedor da etapa, como também é o novo lider da geral, com uma vantagem de dois minutos e 17 segundos sobre Kevin Benavides.

Já Ruben Faria foi o segundo, a quatro minutos e 24 segundos do vencedor, continuando a ser o ponta de lança da Husqvarna neste Dakar. Apenas a dois segundos de Faria ficou o local Kevin Benavides, que consolidou o segundo posto da geral. Com este resultado, Faria subiu ao quinto posição da geral.

Quanto a Helder Rodrigues, foi apenas o 14º na etapa, mantendo o 14º posto da geral.

Amanhã, o Dakar sairá de San Salvador de Jujuy para entrar em terras bolivianas, acabando a etapa em Uyuni, no total de 624 quilómetros, 327 dos quais em troço cronometrado.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Dakar 2016: Loeb volta a ser o melhor, Barreda Bort vence nas motos

O terceiro dia do Rali Dakar, a acontecer entre Termas de Rio Hondo e San Salvador de Jujuy, em terras argentinas, terminou tal como ontem, com Sebastien Loeb a vencer a sua segunda especial consecutiva e a alargar a sua vantagem para cinco minutos sobre a concorrência. 

Na etapa de hoje, o piloto francês conseguiu ser o melhor sobre o seu companheiro de equipa, Carlos Sainz, em um minuto e 23 segundos, enquanto que Nasser Al Attiyah foi o terceiro, a um minuto e 25 segundos do piloto francês. Giniel de Villiers foi o quarto, a dois minutos e dois segundos, mais 47 segundos do que o finlandês Mikko Hirvonen. Já Carlos Sousa chegou na 27ª posição a Jujuy, depois de ter dito que teve problemas mecânicos na especial do dia anterior.

Na geral, Loeb lidera, com um avanço de cinco minutos e três segundos sobre De Villiers, enquanto que Stephane Peterhansel é o terceiro, a cinco minutos e 15 segundos. Hirvonen é o quarto, a cinco minutos e 52 segundos, enquanto que Nasser Al-Attiyah é o quinto, a seis minutos e 39 segundos. Já Carlos Sousa subiu para o 69º posto, recuperando 25 lugares.

Nas motos, os melhores foram todos Honda. Juan Barreda Bort foi o melhor na etapa, com um avanço de dois minutos e 26 segundos sobre o argentino Kevin Benavides e dois minutos e 32 segundos sobre Paulo Gonçalves. Ruben Faria, na sua Husqvarna, foi o sétimo na etapa, a cinco minutos e 387 segundos do vencedor, enquanto que Helder Rodrigues atrasou-se um pouco.

No final, Barreda Bort afirmou: “Hoje foi um bom dia, depois de ontem ter aberto a pista, o que tornou as coisas mais difíceis. Tive um bom ritmo num dia que foi fácil, sem navegação. Apenas tive de dar tudo e manter-me concentrado. As diferenças são mínimas, pelo que o mais importante é estar a lutar com os pilotos e esperar pelas etapas de maior dificuldade”.

Já Ruben Faria explicou à Autosport portuguesa que iniciou a “especial com um ritmo calmo seguindo mais uma vez a estratégia delineada. A cerca de 80km do fim da especial reparei que algo estava errado quando quis trocar de gasolina do depósito traseiro para o dianteiro, percebi nessa altura que estava a ficar sem gasolina o que me obrigou a rolar muito devagar até final perdendo algum tempo para os primeiros”.

Na geral, Barreda Bort lidera, mas tem um avanço de "apenas" de 14 segundos sobre o eslovaco Stefan Svitko, e 48 segundos sobre Kevin Benavides. Paulo Gonçalves é o quarto, a um minuto e 48 segundos, mais dois segundos do que Charles Duclos. Ruben Faria é oitavo, a três minutos e 57 segundos, enquanto que Helder Rodrigues é 15º, a oito minutos e 25 segundos,

E não deu para mais, porque quando os camiões passaram, o piso cedeu, fazendo com que a especial fosse anulada.

A etapa de amanhã, a quarta será um especial de maratona, à volta de San Salvador de Jujuy, no total de 629 quilómetros, dos quais 429 serão em troços cronometrados. E vai ser uma etapa bem dificil, pois andarão a mais de 3500 metros, e no final do dia, os mecânicos não poderão tocar nos veículos, indo diretamente para parque fechado.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Dakar 2015 - Dia 12

O Dakar poderá ter acabado para Paulo Gonçalves. Não tamto porque caiu ou algo assim, mas a organização da cmpetição irá penalizar o piloto português porque, aparentemente, a Honda decidiu trocar o motor da sua moto, numa etapa sem assistência. E por causa disso, poderá ter uma penalização de 15 minutos, o que significa que salvo acidente, e a poucos dias da meta em Buenos Aires, este Dakar caiu para as mãos de Marc Coma.

A explicação é simples: as motas começam a dar sinais de cansaço e o pessoal da Honda decidiu que iriam tomar decisões nesse sentido. o piloto português teve o seu motor trocado por aquele que tinha Joan Barreda Bort, mais novo (tinha o montado em Iquique, no final da nona etapa). Já o catalão ficou com o motor da moto de Jeremias Israel. Resultado final, apesar de Gonçalves ter sido penalizado - agora está a vinte minutos de Marc Coma - que ficou pior foi Barreda, que levou uma penalização de 40 minutos. E Paulo Gonçalves não perdeu o segundo lugar da geral.

Preferimos fazer esta troca a deitar tudo por terra. Tive um problema com o meu motor, não tínhamos assistência mecânica, era uma etapa maratona, não podíamos correr riscos. Só tenho a agradecer o esforço do Barreda, do Israel e do Hélder, cuja experiência foi fundamental. Trabalhámos de forma incrível, mudámos três motores, estou muito orgulhoso dos meus companheiros”, explicou o piloto português.

Do outro lado, Coma era um homem feliz, mas cauteloso: “Terminámos agora mesmo. É sempre stressante quando temos de trabalhar na moto, mas está tudo bem. Há ainda um dia difícil para disputar amanhã e depois novamente no sábado. Não estou, para já, a pensar no final. Veremos, porque ainda temos uns longos quilómetros pela frente, mas, por agora, estou feliz”.

Na etapa, que ligou Salta a Termas de Rio Hondo, em território argentino, o melhor tinha sido Barreda Bort, com Gonçalves logo atras, recuperando a diferença para Marc Coma, que fora apenas sexto, e tinha ali uma diferença de cinco minutos e 12 segundos. Ruben Faria acabara no quarto lugar, enquanto que Helder Rodrigues tinha acabado em oitavo, a cinco minutos e 25 segundos.

Nos automóveis, a grande novidade do Dakar fora a desistência de Yazid Al-Rahji, que teve graves problemas no seu motor, isto numa altura em que era terceiro classificado e quando estamos a dois dias do final deste rali. Assim, Nasser Al Attiyah e Giniel de Villiers andam mais aliviados na luta pela vitória e por um lugar no pódio, embora as coisas hoje estiveram mais favoráveis para o piloto qatari, ao ser o mai veloz na etapa de hoje, conseguindo uma vantagem de 27 segundos sobre Olrando Terranova e 39 segundo para Giniel de Villiers.

Já Carlos Sousa foi o oitavo na etapa, a dois minutos e 27 segundos de Nasser Al Attiyah. No final, o piloto da Mitsubishi explicou:
Pelo segundo dia consecutivo, fizemos uma etapa limpa, sem registo de qualquer problema. Entrámos bem e conseguimos imprimir um ritmo forte até final da especial. O carro esteve perfeito e só foi pena o percurso não ser mais extenso, porque as diferenças finais acabam por ser curtas… Mas numa prova como o Dakar, nunca podemos relaxar e pensar que este ou aquele resultado já está garantido só porque estamos a poucos dias da chegada. Hoje, por infortúnio do Alrajhi – que estava a realizar uma excelente prova –, subimos mais um lugar na classificação. Confesso que a minha ambição é ainda tentar chegar ao 7º lugar, porque foi esse o objetivo que definimos para esta edição. Fácil não vai ser, até pelo maior potencial competitivo dos MINI. Mas vamos acreditar até ao fim e dar a luta possível ao Ten Brinke nestas duas especiais que faltam até Buenos Aires”, prometeu.

Em termos de geral, Nasser Al Attiyah têm agora uma vantagem de 29 minutos sobre De Villiers e tudo indica que ele será o vencedor deste rali Dakar, agora que faltam dois dias para o seu final, em Buenos Aires.

Amanhã, automóveis e motos sairão de Termas de Rio Hondo para chegarem a Rosário, numa etapa que terá mais de mil quilómetros de extensão (1024, para ser mais concreto), 298 dos quais em ritmo cronometrado. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Dakar 2015 - Dia 11

Com a caravana a andar entre Calama e Salta, saindo do Chile e entrando na Argentina, máquinas e pilotos passavam por mais uma etapa maratona de um Dakar que tem tudo para ser duro e mortifero, especialmente em categorias onde as diferenças entre os dois primeiros são medidas em poucos minutos. 

E isso era assim nas motos, onde se assistia agora a um duelo entre a KTM e a Honda, ambos pela vitória, e onde Marc Coma fazia de tudo para impedir a aproximação de Paulo Gonçalves, agora o homem forte da marca japonesa depois do atraso de Joan Barreda Bort no Salar de Uyuni. Mas hoje, Barreda Bort foi o melhor, mas sobretudo, Marc Coma ficou na frente do português da Honda. O espanhol ficou em segundo lugar, a um minuito e 39 segundos do vencedor, enquanto que Ruben Faria foi o terceiro, a um minuto e 57 segundos. Paulo Gonçalves foi o quinto na tirada, a três minutos e 46 segundos, perdendo assim dois minutos para a liderança.

"Hoje foi uma etapa rápida, sem dificuldades em termos de navegação. A pista estava um pouco escorregadia no início, você tinha que ter cuidado com ela. Logo havia quatro de nós a andar juntos. Eu acho que nós andamos bem, poupando as nossas motocicletas. Isso foi crucial, porque esta noite é uma etapa maratona. Minha moto já está pronta para amanhã... e eu estou pronto para continuar a lutar", comentou o piloto da Honda.

Helder Rodrigues terminou a etapa no sétimo lugar, a seis minutos e 26 segundos de Barreda Bort. Outro dos portugueses presentes, Mário Patrão, acabou por desistir na sua Suzuki, vitima de um problema na bomba de injeção de combustivel. 

Estou fora de prova, triste, exausto, fiz tudo o que podia mas a sorte não me quis acompanhar neste Dakar. Andei todos os dias como se estivesse na minha oficina, em Seia, sempre a reparar a mota pelo percurso, sempre com problemas. Fiz de tudo para me limitar a chegar a Buenos Aires, o objetivo principal era terminar já que impor o meu ritmo e as minhas capacidades estava fora de questão”, explicou depois o piloto de Seia.

Em termos de geral, o melhor é Coma, agora mais "descansado" - têm uma diferença de sete minutos e 35 segundos sobre Paulo Gonçalves - enquanto que Ruben Faria é sétimo, a mais de uma hora e 41 minutos de desvantagem, e Hélder Rodrigues é o 11º, a três horas e 22 minutos do comandante.

Nos automóveis, o destaque da etapa foi o acidente de Nani Roma, que perdeu o controle ao volante do seu Mini e capotou várias vezes. De acordo com as noticias vindas da organização, quer ele, quero  seu navegador, sairam ilesos do acidente, mas o carro poderá ter ficado severamente danificado, e acabado ali o seu rali.

Na etapa, Nasser Al Attiyah foi o grande vencedor, e poderá ter decidido o rali a seu favor, pois ganhou três minutos e 39 segundos a Yazid Al-Rahji e quatro minutos e 24 segundos sobre Giniel de Villiers. Já Carlos Sousa, que ontem penalizou cerca de 40 minutos e baixou para o oitavo lugar da geral, hoje não passou do décimo tempo e desceu para o nono lugar da geral, trocando de lugar com o holandês Bernard Ten Brinke.  

Amanhã, o Dakar prossegue em terras argentinas, com a realização da etapa entre Salta e Termas de Rio Hondo, no total de 512 quilómetros, 371 dos quais feitos em tempo cronometrado para as motos, 359 quilómetros para os carros e camiões.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A foto do dia

O Rali Dakar não é só os vencedores. Para lá chegarem, lembra-nos uma velha frase de Winston Churchill: "Não vos posso prometer mais nada senão sangue, suor e lágrimas". Há lágrimas de alegria, de tristeza e de dor, tal como as razões pelos quais as pessoas sofrem. Nâo tanto para vencer, mas muitas das vezes para sobreviver. O dakar também é isto.

Para quem não sabe, este é Joan Barreda Bort, até ontem o lider do Dakar. A foto foi tirada pelo fotógrafo português André Lavadinho, e mostra que a etapa de Salar de Uyuni derrotou-o. O frio e as avarias mecânicas na sua Honda destruiram aquilo que era um rali que tinha tudo para ser seu. Deve ter sido dos dais mais longos e dificeis da sua carreira. A face dele, suja de lama e sal, e o olhar vazio dizem tudo: ele tinha perdido. Podia continuar, mas a partir dali nada fazia sentido. A chance que tinha, perdeu-o. E isso diz tudo.

Ele continua, mas agora é para os serviços minimos. Vai ajudar o seu companheiro de equipa Paulo Gonçalves a ver se ele bate Marc Coma e consegue para a Honra uma vitória que não existe há 25 anos. Vai ser complicado, mas para Barreda Bort, apenas no ano que vêm é que poderá tentar de novo a vitória. Este ano, acabou, só resta lutar pela honra e pelo espirito motard.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Dakar 2015 - Dia 9

Se os carros descansam hoje em Iquique, depois de terem estado em paragens bolivianas, já hoje as motos passaram por um dia difícil no Salar de Uyuni. Debaixo de temperaturas quase negativas - estiveram 4 graus Cº - o efeito atmosférico dizimou o pelotão do Dakar. Cerca de 45 pilotos sofreram de hipotermia e alguns acabaram por ser evacuados por apresentarem sintomas preocupantes.

Entre os que abandonaram a tirada foi o catalão Jordi Viladoms, mas o abandono do vencedor de 2006 foi mecânico, pois o motor da sua KTM acabou por se partir. Outro dos que se atrasaram bastante foi o líder, Joan Barreda Bort, que perdeu muito tempo com problemas mecânicos (mais de hora e meia), e por consequência, a liderança, para Marc Coma. Aliás, Barreda Bort está agora no 14º lugar da geral, e todas as suas chances de vitória foram água abaixo.

No final, o grande vencedor foi o chileno Pablo Quintanilla, que ficou na frente de Juan Pedrero Garcia, a 11 segundos. O melhor português foi Ruben Faria, no 14º posto, a sete minutos e 44 segundos do vencedor, enquanto que Paulo Gonçalves ficou logo atrás, e conseguiu o segundo lugar da geral, agora comandada por Marc Coma. Quem também perdeu imenso tempo foi Hélder Rodrigues, que ainda não acabou a especial, no momento em que se escrevem estas linhas.

Na frente, Coma é o novo líder, mas a vantagem para Paulo Gonçalves é de nove minutos e onze segundos. Pablo Quintanilla é o terceiro, a onze minutos de Coma, enquanto que Ruben Faria é o sexto, a 34 minutos da liderança.

Amanhã, carros, motos e camiões sairão de Iquique a Calama, no total de 539 quilómetros, dos quais 451 são feitos de forma cronometrada.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Dakar 2015 - Dia 8

A oitava etapa do Dakar têm agora a caravana dividida em duas partes. Para as motos, trata-se de repetir o percurso que os carros e os camiões fizeram ontem entre Iqique e Salar de Uyuni, na Bolivia, enquanto que os carros percorrem em sentido inverso, voltando a terras chilenas.

No caso das motos, o dia foi especial para as cores portuguesas, pois Paulo Gonçalves foi o melhor aos comandos da sua Honda, numa altura em que Joan Barreda Bort sofreu uma queda, danificou o guiador e foi 12º na tirada, perdendo cerca de seis minutos para ele e para Marc Coma, que foi segundo, com uma desvantagem a rondar os quatro minutos. Isto significa agora que do primeiro (Barreda Bort) para o terceiro lugar (Gonçalves) distam apenas... dez minutos e 59 segundos.

"Tive uma queda no quilómetro 200, e tive sorte de não ter partido o pulso. Havia muita lama, travei, mas a moto escorregou por vários metros e, no final bati um buraco. Foi aí que caí", disse Barreda Bort à chegada ao campo de Uyuni na Bolívia: "Agora temos de mudá-lo para a segunda parte da etapa maratona e a moto vai ter que estar perfeita para amanhã", concluiu.

Entrei da melhor forma nesta segunda metade. Consegui chegar à frente da corrida nos primeiros quilómetros e ganhar tempo aos meus adversários mais diretos. Senti-me bem, ataquei e foi muito bom vencer a etapa. Tudo está em aberto, é preciso concentrarmo-nos nos próximos dias até à chegada a Buenos Aires”, declarou o vencedor da etapa, Paulo "Speedy" Gonçalves.

Quanto a Hélder Rodrigues, ele foi oitavo na tirada e subiu ao sexto lugar da geral, enquanto que Ruben Faria perdeu mais de seis minutos na etapa e caiu para o oitavo lugar da classificação.

Já nos carros, com eles a lutarem contra as dunas, o melhor foi o saudita Yazid Al-Rahji, que aproveitou os deslizes de Giniel de Villers, perdendo tempo para Nasser Al Attiyah, embora a diferença entre estes dois tenha sido de apenas... treze segundos. O qatari foi o terceiro, atrás de Al-Rahji e de Orlando Terranova, o segundo classificado.

Já Carlos Sousa está a ter um rali complicado devido aos problemas de suspensão que passa no seu Mitsubishi, mas mesmo assim chegou ao final da etapa no décimo lugar, mantendo o nono posto da geral.

Foi um dia longo, mas relativamente tranquilo, já que não tivemos as surpresas da véspera, quando a chuva e a lama nos obrigaram a três paragens na pista para limpar o pára brisas do carro. Pelo contrário, hoje encontrámos muito calor no regresso ao Chile e o físico já se começa a ressentir após uma semana de corrida. Amanhã é finalmente o dia de descanso e a prioridade é tentar encontrar uma solução para os problemas de suspensão que nos tem atormentado desde há quatro dias… Sem esse problema, acredito que poderíamos estar a discutir um lutar entre os seis primeiros, que era o nosso grande objetivo e uma meta perfeitamente realista para o potencial que este carro já demonstrou”, resumiu o piloto português.

Na geral, Nasser Al Attiyah continua na frente, com oito minutos e 27 segundos de avanço sobre Giniel de Villiers, quanto que Yazid Al-Rahji é o terceiro, a 18 minutos e 40 segundos. Carlos Sousa continua no nono posto, a mais de duas horas da liderança.

Amanhã, os carros descansarão em Iquique, enquanto que as motos farão o percurso de regresso de Salar de Uyuni para a cidade chilena.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Dakar 2015 - Dia 5

A sexta etapa do Dakar 2015, já a acontecer em território chileno, entre Copiapó e Antofagasta, onde começaram a ter real contacto com as dunas do deserto do Atacama, e o temido "fash-fesh", ou seja a areia fina a incomodar os carros e as motos presentes.

Após este tempo todo, pela primeira vez, Marc Coma venceu uma etapa e confirmou a sua recuperação na classificação geral. O piloto espanhol venceu a etapa com um avanço de dois minutos e 16 segundos sobre Joan Barreda Bort, e dois minutos e 46 segundos sobre Quintanilla.

Entre os portugueses, o melhor foi Paulo Gonçalves, que foi quinto, a quatro minutos e 37 segundos de Coma, consolidando assim o terceiro lugar na geral. Atrás dele, e a seis minutos e 35 segundos do vencedor encontrava-se Hélder Rodrigues, enquanto que o azarado do dia foi Ruben Faria, que perdeu 17 minutos devido a um atraso na navegação, acabando a etapa no 15º posto e trocando de lugar com Paulo Gonçalves no terceiro lugar da geral.

Foi uma etapa bastante difícil, 458 quilómetros, arranquei em 12º, tive nos primeiros quilómetros bastante pó dos pilotos que partiram à minha frente, perdi imenso tempo até ao quilómetro 100 mas depois consegui andar bem e recuperar. Na parte final perdi algum tempo a localizar um way point, mas o resultado final do dia acho que foi muito bom, terminei em quinto, perdi muito pouco tempo para a frente da corrida, julgo ter uma boa posição de saída para amanhã”, afirmou Paulo Gonçalves.

Em contraste, Ruben Faria lamentava o azar que teve hoje: 

Foi pena o erro logo no início. Foi numa zona muito rápida e estava concentrado na condução. Demorei algum tempo a regressar ao rumo correto e depois foi sempre em ritmo veloz para tentar recuperar o mais possível. Consegui entrar na última secção na 12ª posição mas estava muito desgastado fisicamente e perdi mais alguns minutos. Mas estou ao mesmo tempo satisfeito da minha prestação pois subimos aos 3000 metros por duas vezes e mesmo descendo ao sexto posto da geral não considero que estou fora da corrida ao pódio. Está a ser uma prova muito dura e seletiva e com um ritmo muito forte entre o pelotão da frente. Qualquer erro custa muito tempo e hoje fui eu que errei logo no início. Mas amanhã vou lutar para recuperar.

Na geral, Barreda Bort controla as coisas na frente, com um avanço de dez minutos e 33 segundos sobre Marc Coma, enquanto que agora, Paulo Gonçalves é o terceiro, a 22 minutos e 50 segundos do seu companheiro de equipa. Ruben Faria caiu de terceiro para sexto, enquanto que Hélder Rodrigues fecha o "top ten" a 43 minutos e 24 segundos do primeiro lugar.

Já nos automóveis, o vencedor de hoje foi... russo. Vladimir Vasilyev, no seu Mini, foi o vencedor da etapa, conseguindo um avanço de vinte segundos sobre o saudita Yazid al-Rahji. Robby Gordon foi o terceiro, no seu Hummer, a um minuto e 25 segundos, na frente de Nasser Al-Attiyah, que chegou à meta três minutos e 24 segundos após o vencedor.

A etapa não correu muito bem para Carlos Sousa, que perdeu cerca de meia hora, e isso fez cair de sétimo para o 11º posto, embora não muito longe do "top ten".

Era um percurso muito duro e exigente que, infelizmente, se transformou num autêntico martírio logo a partir do km 60”, começou por desabafar Carlos Sousa à chegada a Antofagasta. “Ontem já tínhamos tido um primeiro aviso na parte final da etapa, quando ficámos sem suspensão dianteira na zona das dunas. Hoje, porém, tudo foi bem pior, já que após ficarmos sem suspensão traseira ao km 60, ficámos também sem eficácia na suspensão dianteira uns quilómetros mais à frente. O carro simplesmente deixou de absorver qualquer irregularidade no terreno, pelo que foi um verdadeiro sofrimento conseguir trazê-lo até ao final. Pelo meio, cerca do km 100, ainda tivemos um furo, só que esse foi mesmo o menor dos nossos problemas hoje… Foi realmente um dia de verdadeiro sofrimento”, sublinhou o piloto português.

Outro dos que o dia no Dakar não correu bem foi Carlos Sainz, que bateu numa pedra e deu cinco cambalhotas no solo, acabando ali o seu rali.

Na geral, Nasser Al-Attiyah continua na frente, com um avanço de dez minutos e 35 segundos sobre Giniel de Villiers. Yazid Al-Rahji é o terceiro.

Amanhã, o Rali Dakar rola de Antofagasta a Iquique, em terras chilenas, com uma especial cronometrada de 319 quilómetros em zonas de duna e em percursos de terra, semelhantes ao enduro. E vai ser a especial anterior ao dia de descanso.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Dakar 2015 - Dia 3

O terceiro dia do Dakar de 2015 foi algo complicado, na ligação entre San Juan e Chilecito, onde os pilotos e os motards começaram a subir Andes acima - apesar de estarem em terras argentinas - e as dificuldades com o pó e a terra começam a fazer-se sentir.

Com esse cenário, continua a haver variedade entre os vencedores da etapa. Nos automóveis, com Orlando Terranova restabelecido do capotamento que teve no dia de ontem, correu veloz para a vitória na etapa de hoje, a última totalmente percorrida em território argentino. A vantagem do piloto do Mini para o segundo classificado, o sul-africano Giniel de Villiers, foi de um minuto e 54 segundos. O árabe Yazeed Al-Rahji, também em Toyota, foi o terceiro, a dois minutos e 52 segundos, seguido pelo Peugeot de Carlos Sainz, que nesta etapa ficou a quatro minutos e 16 segundos do vencedor.

Já em relação aos portugueses, Ricardo Leal dos Santos foi o melhor, na 17ª posição, a 23 minutos e 25 segundos, um lugar à frente de Carlos Sousa, no seu Mitsubishi, a 24 minutos e seis segundos.

"Era uma especial muito rápida e cometemos um ligeiro erro no percurso. Quando procurávamos um caminho alternativo, acabámos por ficar com o carro atolado. Só depois de várias tentativas e com a ajuda das pranchas conseguimos retirar o carro e retomar a prova, perdendo bastante tempo. Foi pena, mas são situações que acontecem num Dakar”, lamentou Carlos Sousa.

Ainda há muita corrida pela frente e a passagem para o Chile vai seguramente proporcionar muitas alterações na classificação. Temos ainda alguma margem para evoluir, mas precisamos de fazer algumas melhorias na suspensão do carro. Amanhã teremos a primeira etapa com areia e dunas. É uma especial que faz parte de todos os Dakar na América do Sul e é sempre uma caixinha de surpresa", antevê o navegador Paulo Fiuza.

Na geral, o lider é Nasser Al Attiyah (que hoje foi quinto, a quatro minutos e 18 segundos), seguido por Giniel de Villiers, a cinco minuto e 18 segundos, enquanto que Orlando Terranova é o terceiro, a 18 minutos e cinco segundos. Já Carlos Sousa é o nono classificado, agora a 41 minutos e 52 segundos.  

Já nas motos, terceiro dia, terceiro vencedor diferente. Hoje foi a vez do austriaco Matthias Walkner a conseguir, a bordo do seu KTM, que conseguiu uma vantagem de 40 segundos sobre Marc Coma, enquanto que o terceiro foi Joan Barreda Bort, a um minuto e 53 segundos. Já em relação aos portugueses, hoje o melhor foi Paulo Gonçalves, que foi quinto a dois minutos e 49 segundos, na frente de Ruben Faria, o sétimo a 3 minutos e 26 segundos, enquanto que Hélder Rodrigues acabou a etapa na 15ª posição, a sete minutos e um segundo.

Na geral, Barreda Bort continua a liderar, agora com uma vantagem de cinco minutos e 33 segundos sobre Paulo Gonçalves, enquanto que Walkner subiu ao terceiro posto, a dez minutos e 33 segundos. Marc Coma não anda longo, sendo o quarto, a dez minutos e 50 segundos, enquanto que Ruben Faria é o qunto da geral, a 12 minutos e dez segundos. Hélder Rodrigues é o nono da geral.

O Dakar prossegue amanhã, entre Chilecito de Copiapó, no Chile, numa extensão de 594 quilómetros, 315 dos quais em etapa cronometrada.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Dakar 2015 - Dia 2

O segundo dia do Dakar em paragens argentinas, na etapa que vai da Vila Carlos Paz à cidade de San Juan, ficou marcado por mais uma vitória de Nasser Al Attiyah, que não baixou os braços após uma penalização, e pela vitória de Joan Barreda Bort, aproveitado também pelos motards portugueses para continuarem a fazer boas performances nas suas motos, com Paulo Gonçalves e Ruben Faria a completarem o pódio.

Comecemos pelas motos, onde a etapa ficou marcada pela vitória de Joan Barreda Bort, que a bordo do seu Honda, conseguiu uma vantagem de seis minutos e 13 segundos sobre Paulo Gonçalves, também em Honda, e pelo KTM de Ruben Faria, que não ficou muito atrás do seu compatriota, a nove minutos e 16 segundos do vencedor. Na etapa em si, Sam Sunderland acabou por se perder e caiu na classificação geral. Helder Rodrigues foi o sétimo, a onze minutos, um lugar na frente de Marc Coma.

A fase final para mim foi a mais penosa. 40 quilómetros de areia muito duros sempre em constantes saltos que me obrigaram a baixar um pouco o ritmo. Mas senti-me bem durante todo o dia e depois do ataque na fase inicial mantive o meu ritmo e no fecho da especial tive que me preocupar não apenas com o físico mas também com o pneu traseiro que estava em muito mau estado. Foi um dia longo que vai certamente deixar marcas em todos os pilotos e estou muito contente pela minha prestação e estado físico. Para mim foi mais importante que ter subido a terceiro da geral pois estamos ainda no arranque da prova.”, comentou Ruben Faria.
  
Em termos de geral, Barreda Bort assumiu a liderança, aqui com uma vantagem de quatro minutos e 37 segundos sobre Paulo Gonçalves, enquanto que Ruben Faria é o terceiro, com dez minutos e 37 segundos de atraso. A 13 minutos e 26 segundos está Helder Rodrigues, no oitavo posto da geral.

Já nos automóveis, Nasser Al-Attiyah repetiu a graça ao vencer a etapa, com uma vantagem de oito minutos e 30 segundos sobre Giniel de Villiers, no seu Toyota. Attiyah aproveitou o facto do anterior lider, o argentino Orlando Terranova, ter capotado a dez quilómetros da meta, tendo perdido cerca de 24 minutos. Com isto, a liderança é do piloto qatari, que têm um avanço de 7 minutos e 42 segundos sobre o piloto sul-africano. Já outro dos que andavam na frente, o americano Robbie Gordon, perdeu tempo devidos a problemas nos travões, que o fizeram perder mais tempo.

Já Carlos Sousa terminou a etapa no nono lugar, com o seu Mitsubishi Lancer, conseguindo manter essa posição na geral, mas têm um atraso de apenas dois minutos para fazer parte do "top six", o que significa que está a andar ao ritmo dos primeiros.

Foi uma especial particularmente dura e exigente do ponto de vista físico, num dia em que as temperaturas foram também particularmente elevadas. Puxámos o carro até ao limite e honestamente mais não conseguíamos fazer… Continuámos a perder algum tempo nas partes mais rápidas, por falta de velocidade de ponta, mas também porque houve alturas em que tivemos que levantar o pé para baixar a temperatura do motor. De qualquer forma, o maior susto aconteceu já perto do final, quando dispararam os alarmes dos gases do escape. Aí, tivemos que ser cautelosos e aliviar drasticamente o ritmo, perdendo algum tempo nos 50 km finais, coincidentes com a passagem por um troço de areia. Em todo o caso, e face ao resultado deste dia, o balanço é bastante positivo. Queríamos subir alguns lugares na classificação e chegar já hoje ao top-10, o que foi cumprido. Vamos ver como será daqui para a frente, na certeza de que o ritmo na frente da corrida está já muito forte”, resumiu Carlos Sousa na Autosport portuguesa.

A terceira etapa do Dakar vai acontecer entre San Juan e Chilecito, ainda em território argentino, que vale 284 quilómetros em terreno cronometrado. 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Dakar 2014 - Etapa 10 (Iquique - Antofagasta)

A etapa de hoje do Dakar, corrida em território chileno, mais concretamente entre Iquique e Antofagasta, ficou marcada pelo abandono do local Jeremias Israel Esquerre, que segundo a Agência EFE, terá embatido num carro de espetadores ao km 114 da especial de hoje. O piloto sofreu vários traumatismos, mas sem muita gravidade.

No final, o melhor foi Joan Barreda Bort, que venceu a etapa com  oito minutos de avanço sobre Hélder Rodrigues, que continua a fazer a sua recuperação no Dakar. Com a queda de Esquerre, é agora o quinto da geral, e aproximou-se dos quatro primeiros. Cyril Després foi o terceiro, a nove minutos e 40 segundos de Barreda, enquanto que Olivier Pain terminou no quarto posto, a onze minutos e onze segundos, menos 15 segundos que Marc Coma, o quinto na etapa.

Foi uma etapa onde sabia que tinha de ir ao ataque, porque as diferenças para quem estava à minha frente e atrás de mim eram pequenas. Nas dunas estive bem, naveguei sem cometer erros e o percurso era bastante interessante. Já no segundo troço, o fesh fesh matou-nos. Mesmo assim consegui imprimir um bom andamento e na parte final o Joan juntou-se a mim. Estou satisfeito com a minha prestação e quero-me manter assim nos próximos dias”, salientou o piloto português à chegada a Antofagasta.

Na geral, Marc Coma têm um avanço de 44 minutos e dez segundos sobre Barreda Bort, enquanto que a diferença para Jordi Villadoms, o terceiro classificado, está em... duas horas e dois minutos. Mas Villadoms têm atrás de si o francês Olivier Pain (a 13 minutos de si) e Hélder Rodrigues, a 19 minutos de Pain.

Nos automóveis, a etapa também ficou marcada pelo acidente e consequente desistência de Carlos Sainz, quando capotou o seu buggy. Ambos sairam com ferimentos ligeiros (foi evacuado para o bivouac por precaução), mas para esta temporada, o rali ficou por ali. Segundo conta no seu Twitter pessoal, tinham saído do percurso porque precisavam de combustível, quando tiveram o acidente.

Na etapa, Stephane Peterhansel continuou com a sua recuperação, com hoje a conseguir recuperar quase dez minutos a Nani Roma (nove minutos e 55 segundos, para ser mais preciso), que foi vitima de um furo e perdeu tempo quando atravessava uma duna. Resultado final: a diferença entre os dois é de... dois minutos e 15 segundos. Muito pouco para um "rally-raid" como o Dakar.

Mas o vencedor da etapa foi outro: o qatari Nasser Al-Attiyah, que com o seu Mini, com uma vantagem de três minutos e 50 segundos sobre Stephane Peterhansel. Nani Roma foi o terceiro, seguindo pelo sul-africano Giniel de Villiers. Orlando Terranova foi o sétimo na etapa, depois de ter perdido meia hora numa duna, mas é o terceiro da geral.

Amanhã, o Dakar sai de Antofagasta e vai para El Salvador, num total de 605 quilómetros cronometrados.  

domingo, 12 de janeiro de 2014

Dakar 2014 - Etapa 7 (Salta - Salta/Uyuni)

Depois de um dia de descanso, na cidade argentina de Salta, máquinas e pilotos decidiram ir hoje por caminhos diferentes. Se no caso dos automóveis, a etapa de hoje é à volta da cidade argentina, com 533 quilómetros cronometrados, para as motos, teriam de fazer 409 quilómetros para visitarem a Bolivia e passar pelo Salar de Uyuni, um dos lugares míticos do deserto de Atacama, onde o Dakar faz a sua estreia nesse país sul-americano, depois de uma passagem pelo Peru, em 2012 e 2013. Contudo, o mau tempo que se fez nessa zona fizeram com que a partida se transferisse para aquele onde seria o terceiro "checkpoint" da etapa.

Entretanto, antes de começar esta etapa, a organização do Dakar decidiu penalizar o argentino Orlando Terranova em 15 minutos devido a um acontecimento ocorrido na sexta etapa. Aparentemente, o Mini destruiu a moto do colombiano Juan Sebastian Toro na passagem de uma duna, algo que Terranova não viu. O "motard" queixou-se do assunto à organização, e depois de vistas as imagens do acidente, declarou que ele tinha razão. Resultado final, o argentino - navegado pelo português Paulo Fiuza - caiu do segundo para o quarto posto da geral, agora a 45 minutos do líder, Nani Roma.

Nas motos, nessa etapa encurtada, o melhor foi o espanhol Joan Barreda Bort, quatro minutos e três segundos na frente do seu compatriota Marc Coma. A cinco minutos e 35 segundos do vencedor, apareceu Cyril Després. Pedrero Garcia foi o quarto na etapa.

Quanto aos portugueses, este foi um bom dia. Hélder Rodrigues terminou no sétimo posto, enquanto que Mário Patrão foi o oitavo, o seu melhor resultado de sempre numa etapa do Dakar.

Foi fantástico! Estou muito contente porque felizmente começam a vir os bons momentos depois de um Dakar que tem sido tão difícil e com tantos contratempos. Estar ao longo de todo o dia em luta com os melhores pilotos desta prova é sem dúvida muito importante para a minha motivação, sei que não temos as mesmas condições, eu trago a minha mota de casa, feita por mim, por isso chegar ao fim e ver que prova capacidades para estar nos lugares da frente é um grande orgulho”, contou o piloto de Seia.

Na geral, Coma está na frente da classificação, mas Barreda Bort é o segundo classificado. 

Nos automóveis, Carlos Sainz foi o melhor na etapa, na frente dos Mini de Nasser Al Attiyah e de Stephane Peterhansel. A diferença entre os dois primeiros foi de quatro minutos e 45 segundos, com Peterhansel a chegar a meta com uma diferença de sete minutos e 26 segundos sobre o piloto espanhol. Na geral, Nani Roma - que foi quarto, a nove minutos de Sainz - continua a ser líder, com Stephane Peterhansel a ser o segundo, a 31 minutos. O sul-africano Giniel de Villiers é o terceiro, a 48 minutos, mas Orlando Terranova não está muito longe, no quarto posto, a 54 minutos do líder.

Amanhã, o Dakar entra em terras chilenas, com as motos e os carros a reencontrarem-se na localidade de Calama, após as motos fazerem 462 quilómetros, e os carros e camiões, 302.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Dakar 2014 - Etapa 5 (Chilecito - Tucuman)


Parece que este Dakar está a ser demasiado duro para a maioria dos pilotos, sejam motos, sejam carros, sejam até os quads. Depois de ontem se ter noticiado que apenas seis quads chegaram ao fim na etapa entre San Juan e Chilecito, hoje parece que há problemas entre esta localidade de Tucuman. Primeiro, a organização da ASO decidiu encurtar a especial (de 527 para 220 quilómetros) por razões de segurança - boa parte dos concorrentes estão desidratados por causa do forte calor que se faz sentir - para além disso, uma confusão que houve ao quilómetro 195 fez com que muitos concorrentes se enganassem... excepto Marc Coma.

Mas se Coma foi o grande vencedor da etapa, subindo para o primeiro lugar, para as cores portuguesas, foi o desastre. Paulo Gonçalves acabou por desistir, vitima de um incêndio na sua Honda ao quilómetro 143 da etapa, depois de andar entre os da frente durante boa parte do percurso. Mas não foi só o piloto português vitima de incêndio nesta etapa: o espanhol Gerard Farres Guell também abandonou quando a sua Gas-Gas se incendiou. Em compensação, Hélder Rodrigues foi quarto classificado na etapa, a mais de 24 minutos de Coma.

Estou desolado, muito triste por ver terminada a prova desta maneira. Estávamos a fazer uma boa etapa, seguia na liderança e estava determinado a vencer. A uma dada altura dei pela mota em chamas, parei de imediato e fiz de tudo para parar o incêndio. Não foi possível. Senti-me impotente, já não havia nada a fazer. Assim terminou o meu Dakar”, declarou Paulo Gonçalves.

Atrás de Coma na etapa, ficou o espanhol Jordi Viladoms e o polaco Kuba Przygonski, todos em KTM. Aliás, a marca austriaca meteu as suas motos no pódio, com Rodrigues a ser o melhor dos Honda, já que Joan Barreda Bort foi um dos pilotos que errou no caminho e foi apenas o 17º classificado na etapa, afastando-se cada vez mais de Coma. A sorte é que "Chaleco" Lopez também se enganou no caminho e manteve-se no terceiro posto da geral...

Nos automóveis, a vitória pertenceu a Nani Roma, que repetindo o feito de há dois dias, voltou para a liderança do rali, depois de ontem ter sido batido por Carlos Sainz. O segundo na etapa foi o sul-africano Giniel de Villiers, a mais de quatro minutos de Roma, enquanto que Robby Gordon é o terceiro no seu "buggy", vinte minutos atrás do piloto espanhol. Orlando Terranova foi o quarto.

Carlos Sainz foi o grande perdedor do dia, acabando no 18º posto, a mais de uma hora do vencedor, caindo para o sexto lugar da geral. 

O Dakar prossegue amanhã entre Tucuman e Salta, num percurso cronometrado de 424 quilómetros para os motociclos, e 400 para os automóveis.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Dakar 2014 - Etapa 4 (San Juan - Chilecito)

A quarta etapa do Rali Dakar, que ligou as localidades argentinas de San Juan e Chilecito, foi marcada pelo feito de Carlos Sainz, que venceu a etapa com o seu "buggy" e assim ficou com a liderança do Rali, batendo completamente a armada Mini, enquanto que nas motos, o espanhol Pedrero Garcia foi o vencedor-surpresa desta etapa.

Comecemos com as duas rodas, onde como já foi dito, o espanhol da Scherco bateu o KTM do chileno Chaleco Lopez por meros 29 segundos, deixando também Marc Coma a três minutos e dez segundos. Quando a Cyril Després, teve um dia mau e perdeu mais de 42 minutos para os da frente, caindo para o sexto lugar da geral.

Quanto aos pilotos portugueses presentes na prova, Paulo Gonçalves conseguiu o sétimo melhor tempo na etapa no seu Honda, e está agora no 19º posto da geral, a mais de duas horas do líder, enquanto que Hélder Rodrigues perdeu algum tempo, com mais problemas mecânicos, chegando no 19º lugar na etapa, e caindo agora para o 15º lugar da geral.

Terminei mais uma etapa, esta por sinal difícil, estamos em etapa-maratona e não tive qualquer tipo de assistência mecânica no dia de ontem. Tive de partir muito atrás devido ao azar de ontem, sem road book e com a mota algo destruída. Estou contente por ter chegado ao fim em luta pelos lugares da frente, mesmo depois de ter de ultrapassar muitos adversários. Temos muito Dakar pela frente e ainda há muitas hipóteses de recuperar na classificação”, explicou Gonçalves. 

Nos automóveis, Sainz foi o melhor, mesmo com uma avaria na direção assistida do seu carro. Conseguiu uma vantagem de seis minutos e quatro segundos sobre Stephane Peterhansel. Nasser Al-Attiyah acabou no terceiro posto, na frente do argentino Frederico Villagra e do espanhol Nani Roma, o anterior líder do rali. Atrás, o motor de Guerlain Chicherit pegou fogo ao quilómetro 427, e ele poderá ter acabado o rali por ali.

Amanhã, o Dakar sai de Chilecito e vai para norte, na direção de Tucuman, numa etapa com 527 quilómetros de troços cronometrados.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Dakar 2014: Etapa 3 - (San Rafael - San Luis)

A terceira etapa do Rally Dakar, que ligou esta tarde as localidades de San Rafael e San Luis, na Argentina, foi complicada para muita gente, que perdeu tempo devido às dificuldades do terreno, muito rochoso, e à altitude, pois passaram perto dos Andes, mais concretamente no Aconcágua, a montanha mais alta, com quase seis mil metros.

Nos motos, as coisas foram más para os portugueses. Sem Rúben Faria, que se despistou e foi evacuado para o hospital mais próximo, e Bianchi Prata, que ficou doente, Helder Rodrigues e Paulo Gonçalves são agora os únicos sobreviventes a poderem rodar nos lugares da frente. Mas o melhor na etapa foi o espanhol Joan Barreda Bort, que teve uma boa etapa e conseguiu bater o Yamaha de Cyril Despres por quatro minutos e 41 segundos, ampliando a sua liderança, acima dos 13 minutos. Marc Coma perdeu quase sete minutos para o espanhol, mas foi o terceiro classificado, na frente de Alain Duclos.

No caso dos portugueses, Hélder Rodrigues teve problemas mecânicos e terminou apenas na 15ª posição da etapa, enquanto que Paulo Gonçalves demorou tempo para assistir Rúben Faria no seu acidente.

À chegada ao parque da assistência, Hélder Rodrigues considerou que a etapa foi “Dificílima. Muito exigente na navegação. Passei por algumas dificuldades, perdi bastantes minutos, mas consegui ultrapassar tudo e chegar aqui. O rali ainda tem muitos quilómetros para disputar”, referiu.

Foi um dia muito mau que comprometeu o meu resultado na prova. Cometi um pequeno erro a seguir outros pilotos, acabámos por descer a montanha e quando vi que era o caminho errado já não conseguia subir para a pista certa. Tentei subir várias vezes, caí muitas vezes a tentar subir e danifiquei bastante a mota, ficando sem road-book e instrumentos de navegação”, começou por explicar Paulo Gonçalves.

Assim que vi o Ruben caído parei de imediato a prova e chamei a assistência médica, ficando com ele até à chegada do helicóptero. Não me pareceu ter nada de grave, já sei que está bem e que vai ter de ficar um ou dois dias internado apenas para observação”, esclareceu.

Nos automóveis, sem Carlos Sousa, os Mini parecem não ter concorrência para a vitória. Mas para Stephane Peterhansel, este foi um dia para esquecer, acabando na 28ª posição na etapa e caindo na classificação geral, a quase meia hora do vencedor. Carlos Sainz também não teve um grande dia, acabando na 18ª posição da geral.

O grande vencedor foi Nani Roma, na frente do polaco Kryzsztof Holowczyc, também em Mini. A diferença entre ambos foi de um minuto e sete segundos. O sul-africano Leroy Poulter foi o terceiro, num Toyota Hilux, a três minutos e 19 segundos do vencedor, na frente de Orlando Terranova, o quarto na etapa, e que com isso subiu para o segundo lugar da geral, nove minutos atrás de Nani Roma.

Amanhã, o Dakar continua por caminhos dificeis, na etapa que liga San Juan a Chilecito, no total de 353 quilómetros cronometrados para as motos, e 657 para os carros.