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terça-feira, 9 de agosto de 2022

A saga de verão da McLaren


O mês de agosto - ou se preferirem, a "silly-season" - está a ser bem agitado em Woking. Especialmente com a história de Oscar Piastri, o piloto australiano que a Alpine anunciou a sua contratação, mas que ele disse logo a seguir que... não tinha nada a ver. Aparentemente, ele já assinou para a McLaren para ser piloto titular em 2023, apesar de ter gente como Colton Herta como uma possibilidade - ele fez um teste num Formula 1 em Portimão, por exemplo. 

E no meio disto tudo, parece que todos estão a dizer que Daniel Ricciardo já foi apontada a porta a saída no final da temporada. Ele que tem contrato até ao final de 2023. Contudo, nesta terça-feira, surgiu a notícia de que Ricciardo terá exigido 21 milhões de euros para terminar mais cedo o contrato com a McLaren. Acumulando isso com os custos que poderão custar para assegurar Oscar Piastri na equipa, o custo total poderá ser até 30 milhões de euros. Que alhada para Zak Brown!

Segundo conta o site recingnews365.com, esse valor serviria para contrabalançar caso o piloto assine por outra equipa. Se, por exemplo, assinasse um contrato com uma Alpine ou Haas F1 por 10 milhões de euros, teria de devolver esse valor para a McLaren, ficando com o resto.

Contudo, esse valor não passa de um mero número para começarem as negociações para a saída, os valores poderão baixar mais adiante, caso ambas as partes cheguem a acordo.

Entretanto, o contrato de Piastri com a Alpine poderá acabar em tribunal, porque na realidade, o piloto australiano assinou um contrato com a Academia de Pilotos da Alpine, no qual a equipa era obrigada a fazer algumas coisas, como por exemplo, cerca de 3500 quilómetros de testes. E como esse contrato foi registado no Conselho de Reconhecimento de Contrato [CRB, em inglês], toda e qualquer tentativa da Alpine de o processar poderá cair em saco roto, logo, poderá ter toda a legitimidade para seguir rumo à McLaren em 2023. 

Resta saber como titular ou não. 

Mas uma coisa é certa: será umas férias bem quentes em Woking e algumas dores de cabeça para Zak Brown resolver. Mas com a equipa ativa na Formula 1, IndyCar e a partir de 2023, Formula E, decerto haverá lugar para todos.     

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Monaco versus Formula 1


A organização do GP do Mónaco admite que as negociações com a Formula 1 estão mais complicadas que o habitual, mas estão confiantes de que ambas as partes chegarão a novo acordo. Segundo conta Michel Boeri, o presidente do ACM, Automobile Club de Monaco, o contrato termina em 2022, e as negociações estão complicadas, mas espera que deem frutos em breve. 

"De momento temos um diálogo contínuo e todos desempenham o seu papel – eles estão lá para tirar as nossas vantagens e nós estamos lá para mantê-las. Eles não estão completamente chocados e nós também não. Ainda pode haver dez por cento para negociar", explicou à publicação Monaco Info.

O pomo da discórdia tem a ver com a transmissão televisiva e as receitas publicitárias. O Mónaco é o único local onde a transmissão televisiva é uma cadeia local, ao passo que toda o valor pago pela publicidade estática reverte a favor do organizador, ao contrário do que sucede nos restantes Grandes Prémios, em que o dinheiro entra diretamente nos cofres da FOM.

E sobre isso, Boeri não quer ser flexível. E avisou:

"[Deixá-los] governar a pista, os anúncios, a cerimónia de entrega de prémios, os marshals, tudo isso[?] Lamento, mas organizámos 79 grandes prémios e, no que me diz respeito, é evidente que não estou perto de os seguir em todos os seus pedidos. Podem pensar que não sou suficientemente flexível, mas continuo a pensar, no que diz respeito ao Mónaco, que não é um grande prémio inspirado nos outros. Ao contrário do que a Liberty pensa, a singularidade de cada corrida é essencial", apontou.

Contudo, o Mónaco conta com muitos privilégios. Durante o tempo de Bernie Ecclestone, este necessitava do prestigio da cidade-estado para fazer subir o prestigio da Formula 1 no geral. Os valores pagos eram inferiores ao normal - descobriu-se recentemente que o estado paga 15 milhões de euros por ano para receber a Formula 1, muito inferior à Arábia Saudita ou até a outros lugares na Europa como a Bélgica e os Países Baixos, que rondam os 25 milhões de euros por ano. E agora com a entrada de novas pistas, o facto de Mónaco estar a ter um largo desconto com os privilégios que tem já começa a ser um motivo de discórdia com a Liberty Media. Aliás, muitos falam que o ACM e a organização do Grande Prémio tem atuado de forma arrogante e inflexível em relação às novas condições que a Liberty Media deu a eles. Daí a demora na conclusão do acordo para voltar a receber a Formula 1 no Principado a partir de 2023.

Para piorar as coisas, as condições degradam-se de ano para ano, com um paddock cada vez mais apertado para receber as equipas, apesar do investimento de dezenas de milhões de euros em projetos imobiliários para ganhar alguns quilómetros quadrados ao mar Mediterrâneo. E para piorar as coisas, o traçado não é alterado significativamente desde 1973, há quase 50 anos, e os carros ficam cada vez maiores. Este ano, com a chuva - que atrasou o inicio da corrida em uma hora - e a má realização, as criticas foram cada vez maiores, e começa-se a falar da necessidade da Formula 1 ter o Mónaco, cuja corrida não se realizou em 2020 por causa da pandemia. 

Em suma, a chance de termos visto a Formula 1 a passear pelo Monaco pela última vez poderá ter sido real. Veremos até que ponto ambos os lados cedem para que isso não aconteça.  

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Liberdade e muito dinheiro

É tudo especulação neste momento, mas... a McLaren ainda deseja Fernando Alonso. Numa altura em que ele vai correr em Austin com o mesmo capacete que usou nas 500 Milhas de Indianapolis, a equipa de Woking decidiu lhe dar um contrato bem milionário. Segundo fala hoje a imprensa espanhola, foi lhe proposto um contrato de 40 milhões de dólares por temporada (três temporadas no máximo), com a flexibilidade de correr em Daytona, Indianápoilis e nas 24 Horas de Le Mans, pois ele pretende alcançar a "Tripla Coroa" do Automobilismo.

E tudo isto numa altura em que a McLaren vai usar os motores Renault, depois do fracasso da associação com o motor Honda. 

Sobre isso, Alonso não abriu muito os detalhes, mas contou hoje numa sessão de perguntas e respostas na sua conta no Instagram que está perto de uma decisão.

"Digamos que eu poderia ter já tomado uma decisão, mas ainda há alguns detalhes que precisamos descobrir", começou por dizer.

"Como eu disse muitas vezes, o meu objetivo é ser o melhor piloto do mundo, para ser o piloto mais completo do mundo, e para isso você precisa ganhar em diferentes competições, em diferentes carros, em diferentes momentos. A Tripla Coroa ainda é uma grande prioridade para mim, então estou trabalhando nisso", continuou.

"Eu acho que vai ser uma temporada muito emocionante de 2018 para os fãs do automobilismo. Espero que você ame isso e espero que você avalie o esforço extra", concluiu.

Ao contrário do que pode acontecer este ano, em 2018, as 500 Milhas de Indianápolis poderão estar fora de hipótese, pois não só coincidem com o GP do Mónaco, como também ele acha que os motores Renault terão melhor chance do que os atuais motores Honda. Logo, a melhor chance será as 24 horas de Le Mans, onde se falou há algumas semanas de que estaria a falar com a Toyota para arranjar um lugar na sua equipa, e as 24 horas de Daytona, onde também haveria uma abertura por parte da McLaren em correr na competição, pois esta acontece no final de janeiro, sem testes ou competições no caminho.

Uma coisa é certa: Fernando Alonso, apesar dos seus 36 anos, ainda pretende mostrar a todos que está longe de querer pendurar o capacete.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Noticias: Kvyat fora da Toro Rosso em 2017

Parece que a Red Bull perdeu a confiança em Daniil Kvyat. Rebaixado da Red Bull para a Toro Rosso após o GP da Rússia, em troca com o holandês Max Verstappen, o piloto russo conseguiu apenas dois pontos e uma volta mais rápida, e as suas performances são largamente superadas por Carlos Sainz Jr de tal forma que o seu contrato não vai ser renovado para a próxima temporada. A informação vem hoje da agência de noticias russa Izvestia.

"A Red Bull esperava que o retorno à Toro Rosso fortalecesse Kvyat, tirando uma enorme carga de pressão sobre ele. Esperava-se que marcasse pontos regularmente e que fosse um exemplo para Carlos [Sainz], mas, nas últimas sete corridas, Daniil não conseguiu nada, e isso parece ter convencido Marko a não renovar com o piloto", diz a publicação.

Com apenas dois décimos lugares como melhores resultados, Kvyat bateu um ponto baixo na Hungria, quando largou apenas na 20ª posição, muito distante de Sainz Jr, que foi nono na grelha e acabou na oitava posição, pontuando pela quarta vez consecutiva.

Fala-se que o seu sucessor natural seja o francês Pierre Gasly, atual lider da GP2, com o brasileiro Sergio Sette Câmara a ficar com a posição na GP2, enquanto que se fala que esta saída de cena não é definitivamente da Formula 1, pois o russo pode estar a caminha da Williams, embora nenhum dos lados diga algo sobre esse assunto.  

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Youtube Formula 1 Signing: O momento da assinatura de Nico Rosberg

Como já foi dito, Nico Rosberg e Toto Wolff assinaram esta semana o contrato que liga ambas as partes até ao final da temporada de 2018. E o momento da assintatura foi registado em video. 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

A maneira como a Sauber fazia os seus contratos

A Sauber passou no final do ano passado por coisas muito, muito estranhas. Conhecemos a história de Giedo van der Garde, que exigiu o cumprimento do seu contrato em Melbourne, depois de ele ter dado cerca de oito milhões de dólares para correr em 2015, mas que foi superado por Felipe Nasr e Marcus Ericsson, mas a história de que Jules Bianchi tinha assinado pela equipa de Hinwill horas antes do seu acidente em Suzuka é a confirmação de um rumor que ouvi na altura, dito até por pessoas como o Joe Saward. E quem confirma isso é... Colin Kolles.

E se para alguns, esse nome é digno de torcer o nariz, para outros, nem é tanto. Numa entrevista à Servus TV austriaca, Kolles revelou que a Sauber tinha contratos para... seis pilotos. Para além de Van der Garde, Nasr, Ericsoon e Bianchi, os pilotos que fizeram parte da equipa em 2014 também faziam parte: Adrian Sutil e Esteban Gutierrez.

Havia um contrato assinado ao meio-dia de domingo”, declarou Kolles, afirmando que o objetivo era de sanar algumas das dívidas que a Sauber já tinha. E culpa Monisha Kalterborn por isso. 

Não consigo entender o comportamento de Monisha Kaltenborn. Você não pode vender um carro, arrecadar dinheiro para a equipa e seis meses depois vende-lo novamente para outra pessoa. Não havia três contratos. Havia seis”, comentou.

Em suma, estas revelações só mostravam a situação algo desesperante que a equipa andava a passar. Como Bianchi era um piloto da "cantera" Ferrari, era bem provável que tinha a ver com o asseguramento do motor na equipa de Hinwill e a utilização do túnel de vento que eles têm na sua área. Assim, provavelmente, só contratariam um piloto pelo seu talento, enquanto que o outro levaria consigo o seu dinheiro. O acidente do passado dia 5 de outubro só alterou as coisas e provavelmente foi necessário outro piloto pagante para assegurar o orçamento de 2015.

Em suma, o contrato do Bianchi não era uma surpresa. A grande surpresa era a quantidade de contratos que a Sauber assinou e como é que conseguiram manter um "cash flow" ao longo deste tempo todo. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O lugar do circuito alemão e a maneira como Ecclestone faz as coisas

Acho uma incrível piada as pessoas do meio da Formula 1 levarem as declarações de Bernie Ecclestone a sério, quando as pessoas "com dois dedos de testa" saberem que ele é um mentiroso compulsivo. Aliás, o Joe Saward, um dos jornalistas mais conhecedores cdo meio, têm uma expressão para esse tipo de pessoas: "papagaios".

Vêm isto a propósito das noticias que apareceram este fim de semana sobre a possibilidade de Nurburgring não receber a Formula 1 em 2015, dando essa vez a Hockenheim. As razões são relativamnte simples: o circuito mudou de donos e eles tinham outros planos do qual o velho não gostou. E como ele muitas das vezes têm a faca e o queijo na mão, usando técnicas "bullyistas", afirmou logo que Nurburgring, que receberia o circuito em anos impares, tinha deixado de ter o direito de receber o GP alemão, dando a coisa como um "fait accompli".

O engraçado desta história é que os organizadores do circuito de Hockenheim... não sabiam de nada. E para eles, isto, em vez de ser uma bênção, é mais um encargo para as suas finanças. É que parte disto é pago pelo "lander" de Baden-Wutemberg, dado que os proprietários do circuito não têm finanças próprias para assumir todos os encargos - aliás, Hockenheim é um dos circuitos europeus que admite que têm prejuízo quando recebe a Formula 1. Daí eles dizerem ao mundo que o acordo com Ecclestone ainda não existe, e por uma razão: foram apanhados com as "calças na mão".

A ideia de usar o calendário da Formula 1 como "arma de arremesso" não é nova, mas este ano parece que as pessoas vêm isso com "olhos de ver". A história do GP sul-coreano, agora retirado do calendário, os rumores sobre um circuito qatari, que na realidade não serviu mais para descobrirmos que os barenitas, seus vizinhos, têm uma clausula de veto nos seus contratos com a Formula 1, dão uma ideia de como é que estes negócios são feitos. Mais do que os valores em questão ou a sua posição do calendário, servir como arma para que Ecclestone leve sempre a sua água ao moinho, é algo imbatível. 

Resta saber como é que isto vai acabar e pensar como será tudo isto a partir do momento em que o anãozinho deixar fisicamente este mundo. Eu francamente, num desporto onde os contratos são tremendamente opacos, e sabemos tudo pela metade, espero tudo.

P.S: Para saberem mais e melhor sobre isto, recomendo a leitura que o Luis Fernado Ramos, o Ico, faz sobre isto. É muito esclarecedor, acreeditem. 

sábado, 25 de outubro de 2014

A Formula 1 no seu grau zero

Bom, a levar pelas palavras de Bernie Ecclestone, a Formula 1 chegou hoje a um novo baixo: A Marussia pode não alinhar em Austin e Interlagos devido às dificuldades financeiras que ambas passam. Da Caterham sabíamos, devido às lutas entre ambos os proprietários pela sua posse, mas da Marussia, depois dos eventos em Suzuka relacionados com Jules Bianchi, pouco ou nada se sabia, apesar dos rumores vindos de lá devido à falta de vontade de Andrey Cheglakov de injetar mais dinheiro, apesar de este ano terem conquistado dois pontos, com o nono lugar de Jules Bianchi no GP do Mónaco. E esse dinheiro daria - em teoria - 35 milhões de euros para segurar a equipa para a próxima temporada.

Falta ainda a confirmação oficial da Marussia - e vamos ser honestos, não confio em Bernie Ecclestone - mas como é ele que organiza os transportes dos carros para Austin (que terão de ser embarcados até este domingo), provavelmente eles deverão ter pedido uma dispensa semelhante a que a Caterham pediu ontem. A permissão de Ecclestone faria com que não pagassem multas, com a condição de estarem presentes na ronda final, em Abu Dhabi. Mas também não cremos que a Caterham volte, embora tenha esperanças em relação a Marussia.

Será que esta Formula 1 falhou? Bom, se a ideia era de levar mais gente, sim, é um fracasso. Mas se a ideia era de os expulsar para termos uma "elite das elites", onde o bolo é dividido pelo menor número possível, então aí é um enorme sucesso. Só falta a implementação dos terceiros carros para que a cereja fique no topo do bolo.

Mas fala-se há muito de que os contratos entre a FOM e os promotores dos circuitos e em consequência, das cadeias de televisão, têm clausulas que falam que terá de haver um numero minimo de carros a alinhar em cada corrida. E esse minimo é de vinte. Como haverão apenas 18 carros, chega-se a um numero negativo, do qual os promotores poderão rasgar o contrato. Mas Bernie deve ter dito aos promotores que esta situação é provisória. E bem vistas as coisas, não vai ser por aí que existirá razões para que o outro lado accione essa clausula. O problema será mais para 2015.

Mas aí, há a tal solução dos três carros por equipa. Algumas delas afirmam que precisam de tempo para tal coisa (uns falam de três meses, outros falam de seis) mas a implementação de tal coisa não é barata (fala-se de 35 milhões de euros por ano) e fala-se também que esse carro poderá não contar para os pontos. E se é para isso, então não vale a pena colocar esses carros em pista. E não se pode esquecer que isso poderá significar um aumento brutal das diferenças entre as equipas da frente e o meio do pelotão, para não falar do fundo. Em suma, a médio prazo, poderá significar uma "canibalização", pois as equipas médias poderão chegar à conclusão que que andar por ali só acumulará perdas. Nunca a expressão "Club Piraña" teve tanto sentido.

E acho irónico que isto aconteça a poucos dias do 84ª aniversário natalicio de Bernie Ecclestone. O que me deixa a pensar se isto não será um sinal que está a mandar ao mundo que "depois de mim, a Formula 1 falirá". Não sei responder, mas pelos vistos, parece que já bateram no icebergue e acham que salvar a primeira classe está nas suas prioridades...

Enfim, a ser verdade, é um grande dia para o Grupo de Estrategia. E provavelmente mais um passo rumo ao abismo. Mas se calhar esta Formula 1 merece esse abismo para que caiam alguns tabus, como, por exemplo, este excessivo secretismo que existe nos seus contratos e respectivas clausulas.

Mas é melhor esperar pelos próximos dias, para saber o que irão dizer, que surpresas não aparecerão por aí.