Mostrar mensagens com a etiqueta Giunti. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Giunti. Mostrar todas as mensagens

domingo, 16 de março de 2025

A imagem do dia





O quarto lugar de Andrea Kimi Antonelli, de 18 anos, é um feito digno de registo, mesmo depois da penalização de cinco segundos por causa do "unsafe release" o ter perdido um lugar para Alex Albon, da Williams. Contudo, o recurso da Mercedes, onde mostrou, por uma outra câmara, que a largada foi legal, fez com que recuperassem essa posição. E foi um feito: afinal de contas, ele largou de 16º na grelha - ou seja, falhou a entrada na Q2 - e acabou num lugar tão alto na pontuação que merece ser referenciado.

Em termos históricos, é o segundo melhor de sempre em termos de pilotos da Mercedes. Apenas Karl Kling, no GP de França de 1954, quando foi segundo, fez melhor. E até foi melhor que Kimi Raikkonen, o ídolo do seu pai, que na sua estreia em 2001, largou de 13º e acabou em sexto, conseguindo um ponto - na altura, só pontuavam os seis primeiros.

Mas em termos de pilotos italianos, há outra referência. Retirando Giuseppe "Nino" Farina, que ganhou o GP da Grã-Bretanha de 1950, ou Giancarlo Baghetti, que ganhou o GP de França de 1961, mas o seu Ferrari fora inscrito por uma equipa privada, a corrida inicial da Formula 1, há um outro piloto italiano que teve o mesmo resultado que ele. E é a história de um promissor piloto, que correu pela Ferrari, tinha grande talento, mas infelizmente, o destino não o permitiu ir mais longe. Logo, para imensa gente, está esquecido.

Ao contrário de Antonelli, Ignazio Giunti tinha 28 anos quando conseguiu a sua estreia na Formula 1. Nascido em Roma, a 30 de agosto de 1941, e de origem nobre - seu pai era barão e a sua mãe condessa - começou a correr aos 20 anos, às escondidas da família. Começou a correr em Alfa Romeos e com o tempo, e o domínio do Autódromo de Vallelunga, nos arredores da Cidade Eterna, contra gente como Nanni Galli, Andrea de Adamich, Roberto Bussinello, Enrico Pinto, entre outros, foi apelidado de "O rei de Vallelunga".

A partir de 1967, tornou-se num dos pilotos oficiais da Alfa Romeo, especialmente na Endurance, e ao lado de Galli, conseguiu alguns excelentes resultados, como o segundo lugar na Targa Florio de 1969 e o quarto lugar nas 24 Horas de Le Mans. E foi o suficiente para que Enzo Ferrari prestasse atenção a ele. 

Em 1970, Ferrari decidiu contratar alguns jovens para o seu programa de Endurance. Giunti andou com o modelo 512, e ganhou as 12 Horas de Sebring, ao lado de Mário Andretti e Nino Vacarella. Mais alguns bons resultados na Endurance deram-lhe uma chance para participar na Formula 1, onde Ferrari queria alguém ao lado do belga Jacky Ickx. E havia outro piloto em mente, para além dele: Clay Regazzoni, que ao contrário de Giunti, era suíço - nascera em Lugano.

A primeira corrida de Giunti foi em Spa-Francochamps. Apenas 18 carros participaram, e no enorme circuito belga - foi a última corrida no traçado de 14,1 quilómetros - e o italiano conseguiu o oitavo melhor tempo, a quatro segundos do "poleman" Jackie Stewart. Giunti não andou entre os da frente, numa corrida marcada pelo duelo entre Stewart, Chris Amon, Jacky Ickx e Pedro Rodriguez, o vencedor do Grande Prémio. Conseguiu acabar ainda na mesma volta do vencedor, o que é de louvar. 

Contudo, na corrida seguinte, nos Países Baixos, Regazzoni estreou-se e a sua temporada foi espantosa, ao ponto de na sexta corrida da sua carreira, em Monza, ganhou a sua primeira corrida na Formula 1. Quanto a Giunti, ainda correu em algumas provas, no terceiro carro da Scuderia. No final, participou em quatro corridas, e aqueles três pontos foram os únicos da temporada, mas a Scuderia o manteve para 1971, quer para a Formula 1, quer para a Endurance.

O mais interessante é que ele tinha o capacete mais incomum da altura. Com muitos a limitarem-se a capacetes brancos, algumas linhas e o seu nome, Giunti tinha decidido pintar uma águia azteca sob um fundo verde, causando algum impacto. 

Infelizmente, tudo teve um final abrupto a 10 de janeiro de 1971, em Buenos Aires. Giunti participava na corrida dos 1000 Km, a bordo de um Ferrari 312PB, quando colidiu com o Matra de Jean-Pierre Beltoise, que, sem gasolina, tentava empurrar o seu carro para as boxes. A certa altura decidiu atrawessar a pista, e estava num angulo morto, que evitou que ele o visse. O choque oi brutal, o carro pegou fogo, e apesar das tentativas do seu companheiro de equipa, Arturo Merzario, de o salvar, tinha ficado com queimaduras por todo o corpo e acabou por morrer algumas horas depois, no hospital. Tinha 29 anos.

Giunti está enterrado no jazigo de família, no Cimiterio dal Verano, em Roma, e em Buenos Aires e Vallelunga, há bustos em sua memória.      

domingo, 10 de janeiro de 2016

A imagem do dia (II)

Lembrando de Jean-Pierre Beltoise por hoje, o calendário calha de modo coincidente num 10 de janeiro, onde há precisamente 45 anos, em Buenos Aires, o piloto francês foi noticia pelas piores razões, quando o seu Matra chocou contra o Ferrari 512 de Ignazio Giunti, acabando com a morte do piloto italiano de 30 anos.

Empurrar um carro sem gasolina de um lado para o outro da pista não parece ser a melhor das táticas, mas como Beltoise estava à entrada das boxes, achou por bem tentar. Mas esse era um tempo onde a segurança não era a coisa mais fantástica do mundo, e as mortes no automobilismo eram frequentes. Contudo, todos sentiram que aquilo era evitável e a ideia de um homicídio negligente pairou nas cabeças de muitos. E ele sofreu por causa disso, quer na sua vida, quer na sua carreira.

E a imprensa, tal como foi na altura e tal como é hoje, gosta de sangue. No final desse ano, o seu cunhado, Francois Cevért, lembrou-se disso quando viu os poucos jornalistas que tinha à sua espera quando vinha com o troféu de vencedor do Grande Prémio dos Estados Unidos, a prova mais rica do ano (50 mil dólares para o vencedor, uma quantia bem gorda naqueles tempos...) "Esses jornalistas!" - começa por dizer à sua irmã Jacqueline - "quando Jean-Pierre voltou da Argentina depois do 'caso Giunti', estavam 300 jornalistas à espera dele no aeroporto. Eu venço uma corrida e não estão mais do que três ou quatro à minha espera. Decididamente, a imprensa adora os escândalos!", conclui.

A vida, quando quer ser injusta, mostra-se em todo o seu esplendor.

E demorou para que ele pudesse deixar para trás o que aconteceu nesse dia. Só em 1973, quando andava na BRM, é que pode ir a terras argentinas, e em 1974, no último ano da Formula 1, conseguiu pontuar, com um quinto posto.

terça-feira, 21 de julho de 2015

A equipa que mais pilotos matou foi... (Parte 2)

(continuação do episódio anterior)

Wolfgang Von Trips (Alemanha), GP de Itália de 1961

Em 1961, a Ferrari tinha o melhor carro do pelotão, graças ao facto de se ter adaptado aos regulamentos de 1.5 litros, e tinha uma equipa de sonho, com pilotos como o alemão Wolfgang von Trips, o americano Phil Hill, e outros como o belga Olivier Gendebien e o americano Richie Ginther. Mas a luta pelo titulo era entre Von Trips e Hill, e tudo iria ser decidido a 10 de setembro em Monza, palco do GP de Itália.

Von Trips tinha ficado com a pole-position, na frente do piloto americano, mas ele partiu mal. Tentava recuperar posições quando lidou com o Lotus de Jim Clark, então uma estrela em ascensão na Formula 1. Ambos tocam-se no final da reta oposta, na entrada para a Parabólica - por causa de um excesso do piloto alemão - e o carro descontrolado vai parar a uma zona cheia de espectadores, matando a ele e mais 14 pessoas.

Hill venceu a corrida e o campeonato, mas a corrida ficou marcada por esse incidente. Dezassete anos depois, iria acontecer a mesma coisa, mas entre pilotos da Lotus: o americano Mário Andretti e o sueco Ronnie Peterson.


Lorenzo Bandini (Itália), GP do Mónaco de 1967

Durante muito tempo, todos os olhos viraram-se para Bandini, no sentido de saber se iria cumprir o legado de Alberto Ascari. Apesar de várias tentativas, somente venceu uma corrida, em 1964, e as coisas na Ferrari não andavam muito boas em 1966, especialmente depois do despedimento de John Surtees.

Em 1967, a equipa era constituída por Bandini e pelo jovem neozelandês Chris Amon, pelo menos os que correriam na Formula 1, com Ludovico Scarfiotti e Mike Parkes para a Endurance. A 7 de maio, palco do GP do Mónaco, esperava-se muito de Bandini, pois largaria da segunda posição. Após uma luta com Dennis Hulme pelo comando - que incluiu uma dificil ultrapassagem a Graham Hill, tinha mantido o segundo lugar na volta 81 de cem quando na chicane do Porto, embateu contra um pilar de ferro fundido e incendiou-se.

Quando foi retirado do carro em chamas - com os fardos de palha a ajudarem a propagar o incêndio, Bandini tinha mais de metade do corpo queimado e os pulmões irremediavelmente afetados pelos fumos tóxicos. Resistiu por três dias até sucumbir aos ferimentos. Tinha 31 anos.   

Ignazio Giunti (Itália), 1000 Quilómetros de Buenos Aires, 1971

Giunti era um dos talentos promissores que a Itália estava a produzir no final dos anos 60, na onda de outros como Andrea de Adamich, Nanni Galli ou o italo-suiço Clay Regazzoni. Em 1970, Ferrari deu-lhe a chance de pilotar em quatro corridas dessa temporada, tendo conseguido um quarto lugar em Spa-Francochamps. Mas em termos de ficar com a segunda vaga, perdeu para Regazzoni, que tinha vencido o GP de Itália no processo. 

Apesar de tudo, ficou na equipa em 1971, com um projeto de correr na Endurance e Formula 1. E estava ao serviço da Scuderia no inicio do ano quando participou nos 1000 km de Buenos Aires, ao lado do seu compatriota Arturo Merzário. Na volta 38, aproximava-se da reta da meta quando viu o Matra 650 de Jean-Pierre Beltoise, que o empurrava para as boxes, vitima de falta de combustivel. Só que o francês tinha estacionado do outro lado da pista e estava a empurrá-lo. Giunti viu o Matra tarde demais (estava imediatamente atrás do outro Ferrari guiado por Mike Parkes) e atingiu-o em cheio, ficando gravemente ferido. Acabaria por morrer horas depois, aos 29 anos de idade.  

Pedro Rodriguez (México), Duzentas Milhas de Norisring, 1971


Pedro Rodriguez foi um dos pilotos mais talentosos dos anos 60, especialmente na Endurance. Irmão de Ricardo Rodriguez, que também foi piloto da Ferrari em 1962, Pedro esteve na Scuderia quer em termos de formula 1, quer em termos de Endurance, mas as suas grandes conquistas foram ao serviço de outras equipas como a Porsche, onde foi vencedor do Mundial, com os 917, ou da Ford, quando ganhou as 24 Horas de Le Mans. Até na Formula 1 as suas vitórias vieram ao serviço da Cooper e da BRM.

A 11 de julho de 1971, depois de ter ajudado a Porsche a vencer mais um Mundial de Endurance, Rodriguez aceitou o convite do suiço Herbert Muller para correr nas Duzentas Milhas de Norisring, para a Interserie europeia, ao volante de um Ferrari 512M. A corrida ia bem para o mexicano quando viu o carro de Kurt Hild e um mal entendido causou uma colisão, levando o carro a pagar fogo. Socorrido de imediato, viria a morrer horas depois, vitima das queimaduras em todo o seu corpo. Tinha 31 anos. 


Gilles Villeneuve (Canadá), GP da Bélgica de 1982

Desde 1977 na Ferrari, em pouco mais de um ano ele se tornou num dos pilotos mais admirados da Scuderia e da Formula 1, graças ao seu estilo arrojado e à sua atitude de "win or wall". Vice-campeão do mundo em 1979, em 1982 estava com uma máquina capaz de atacar o título mundial, em conjunto com o seu companheiro de equipa, o francês Didier Pironi.

Contudo, no GP de San Marino, em Imola, ambos os pilotos estavam em duelo pelo primeiro lugar, com ordens de equipa para manter a hierarquia, ou seja, Villeneuve tinha prioridade sobre Pironi. Mas o francês desobedeceu às ordens e atacou o canadiano, no sentido de conquistar o primeiro lugar para a Scuderia, no que foi bem sucedido.

Villeneuve considerou isto como uma traição e decidiu retaliar na prova seguinte, no GP da Belgica, em Zolder. Nos treinos de sábado, o canadiano vinha numa volta rápida quando se aproximou do March de Jochen Mass, que tinha numa volta lenta. Contudo, ambos se desentenderam e o carro do canadiano embateu nas rodas do March, acabando por "voar" e quebrar-se em dois quando atingiu o solo, cuspindo Villeneuve para as redes de proteção. Socorrido de imediato, viu-se que tinha lesões irreversiveis no pescoço, acabando por morrer naquela noite, aos 32 anos de idade. A Ferrari retirou os seus carros da corrida belga, e ainda hoje os seus fãs sentem a sua falta.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Sobre o acidente mortal de Ignazio Giunti

Estava a deixar escapar a efeméride, porque já escrevi sobre ela há algum tempo, por achar que as circunstâncias da sua morte eram demasiados chocantes para deixarem de ser esquecidas. Ao ler a história, fica-se com a sensação de que tudo isto poderia ter sido evitado, se as pessoas tivessem pensado melhor no calor da corrida.

Faz hoje quarenta anos que o italiano Ignazio Giunti morreu, vitima de um acidente nos 1000 km de Buenos Aires. Giunti morreu vitima de um choque com o Matra de Jean-Pierre Beltoise, quando o francês empurrava o seu carro no meio da pista para poder reabastecer o seu carro nas boxes, que ficavam mais adiante. Hoje em dia, se acontecesse a mesma coisa, muito provavelmente as autoridades locais teriam detido para interrogatório e a FIA teria tirado a sua Super Licença por tempo indeterminado, digamos assim. Aliás, na altura houve vozes a pedir que impedissem Beltoise de correr em provas, e durante algum tempo assim aconteceu. Mas ele voltou a correr por mais algum tempo, e o acidente de Giunti foi considerado como mais um nesses tempos onde as possibilidades de morrer em acidentes eram muito grandes.

Há precisamente três anos escrevi um post descrevendo as circunstâncias do seu acidente mortal. Em plena recta da meta, à frente de toda a gente, ver Beltoise a atravessar o seu carro era perigoso, e não sei se alguém assinalou devidamente o perigo que existia. Provavelmente sim, mas não foi suficiente para evitar o pior. Aliás, Giunti não teve hipóteses para se desviar do Matra porque estava mesmo detrás do outro Ferrari do veterano Mike Parkes. O britânico viu o carro e conseguiu desvirar-se a tempo, mas Giunti, demasiado colado a ele, não teve tempo.

Giunti tinha 29 anos. Com um dos desenhos mais excêntricos na altura - uma água azteca no seu capacete verde - era altamente considerado por Enzo Ferrari, e ele julgava que era um digno sucessor de Alberto Ascari ou de Lorenzo Bandini nos carros da Scuderia. Deu-lhe uma chance na Formula 1 no ano anterior, em quatro corridas, al lado do belga Jacky Ickx e do suiço Clay Regazzoni. A sua estreia correu-lhe bem, ao acabar no quarto posto no GP da Belgica. Nesse ano, venceu as 12 Horas de Sebring ao lado do seu compatriota Nino Vacarella e de Mario Andretti, batendo "in extremis" o Porsche 908 Barchetta guiado por Peter Revson e... Steve McQueen.

Muitos consideravam-no um piloto promissor, e de uma certa forma, este acidente mortal deixou um certo amargo de boca, pois fica-se com a ideia de que era um piloto promissor que teve demasiado pouco tempo para demonstrar o seu talento. E que o seu fim, nas circunstâncias que se conhecem, teria sido no mínimo evitável.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Memento Mori: Ignazio Giunti, 1000 Km de Buenos Aires, 1971

Não é nada bonito lembrar pormenores de um acidente mortal, mas como há uns tempos atrás me mandaram as fotos deste choque, e como hoje se comemoram 37 anos sobre este horrivel acidente, resolvi contar. Ao menos vocês ficam a saber como um promissor piloto italiano morre vítima de algo que hoje em dia roçaria a estupidez, e que nenhum piloto no seu juízo o faria hoje. O falecido chamava-se Ignazio Giunti, e o outro piloto era o francês Jean-Pierre Beltoise.

A 10 de Janeiro de 1971, disputavam-se os 1000 km de Buenos Aires, proba a contar para o Mundial de Endurance. Nesses anos, as marcas apostavam forte neste tipo de competição, que tinha os seus pontos altos em provas como o Targa Florio, as 12 Horas de Sebring e as 24 Horas de Le Mans. A Ferrari estava lá, com os seus 512B e os Matra também.


A prova corria normalmente, mais a correr para o fim da corrida, quando o Matra de Beltoise para, com falta de gasolina perto as boxes. Decide empurrar o carro pista fora, até às boxes, no sentido de fazer o devido reabastecimento, e voltar a correr, provavelmente muito atrasado em relação aos pilotos da frente. Contudo, Beltoise cometia um erro infantil, ao empurrar o seu carro no meio da pista, no sentido de atravessá-la para poder ir às boxes. E não era a primeira vez que o fazia, pois parece que na curva anterior, já tinha atravessado a pista da mesma maneira...


Quando Beltoise apontou o carro em direcção das boxes, dois Ferrari faziam a curva: eram os de Mike Parkes e de Ignazio Giunti. Quando viram o Matra azul atravessado no meio da pista, ambos tentaram escapar daquele objecto parado no meio da pista. Parkes, conseguiu, mas Giunti não. E isso foi-lhe fatal, pois quando colidiu, ia a alta velocidade, e o choque causou o rompimento do tanque de combustivel, que o fez explodir o Ferrari em chamas.


A corrida prosseguiu, e os bombeiros tentaram apagar as chamas. Se Beltoise safou-se incólume, já não se podia dizer de Giunti, que morreu preso no seu carro. Muitos querem acreditar que o piloto italiano de 30 anos teve morte imediata, pois acham que seria horrivel demais saber que ele acabou consumido pelas chamas...


A manobra de Beltoise fez com que muitos pedissem a cassasão da Super-Licença a Beltoise, mas somente sofreu uma suspensão de três meses de conduzir. Nessa altura, ele também era piloto da Matra na Formula 1. Beltoise competiu na Formula 1 até 1974, tando ganho o GP do Mónaco de 1972, mas a sua carreira vai estar sempre marcada por aquele incidente numa tarde quante de Janeiro, nas pampas argentinas.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

GP Memória - Austria 1970

A Austria sempre foi viveiro de talentos. Deu ao mundo pilotos de craveira como Jochen Rindt, Niki Lauda, Gerhard Berger e mais recentemente, Alex Wurz e Christian Klien. Agora é mais conhecida pela sua marca de bebidas energéticas Red Bull, que tem duas equipas no actual pelotão da Formula 1, mas entre 1970 e 1987 tinha no calendário da Formula 1 umas das pistas mais rápidas e desafiadoras: Zeltweg.

O primeiro Grande Prémio foi realizado em 1964, no aeródromo local. A prova foi ganha pelo Ferrari de Lorenzo Bandini, na sua unica vitória na Formula 1, e onde um jovem piloto da casa, Jochen Rindt, correu pela primeira vez na sua carreira na categoria máxima. Seis anos mais tarde, Rindt era estrela mundial e o governo local decidiu construir uma pista rápida nas encostas das montanhas que circundavam o vale de Speilberg, na provincia da Styria.

A pista era rápida, desafiadora, com curvas grandes... mas sem escapatórias, o que a tornava perigosa. Mas em 1970, a segurança não era tida em conta, apesar dos acidentes fatais serem frequentes. E quando a Formula 1 chega a Zeltweg, a 16 de Agosto de 1970, o pelotão da Formula 1 já tinha visto morrer o neozelandês Bruce McLaren, a 2 de Junho, e o inglês Piers Courage, em Zandvoort, dezanove dias depois.


Mas os espectadores não queriam saber disso. queriam ver o seu heroi local, Jochen Rindt, a bordo de uma máquina vencedora: o novo Lotus 72. Rindt tinha ganho a prova anterior, em Hockenheim, e liderava destacadíssimo, com 45 pontos, contra... os 25 pontos do segundo, Jack Brabham. O belga Jacky Icxx tinha apenas 10 pontos, e não tinha ganho qualquer corrida nesse ano.

O companheiro de Jacky Icxx era um estrante na Formula 1: o suiço Clay Regazzoni, e o Ferrari 312B começava a ser uma máquina forte, depois de um inicio titubeante. Icxx tinha sido segundo na corrida anterior, em Hockenheim, lutando pela vitória com Rindt. Este já não achava tão fácil ganhar, mas na sua mente, isso não importava: ele só queria ser Campeão do Mundo para que pudesse abandonar a competição de vez. O que ele não sabia era que só teria mais três semanas de vida...

Na lista de inscritos, Havias duas ausências: o Lotus de Graham Hill, inscrito pela Rob Walker Racing, que estava à espera de um modelo 72, e o sueco Ronnie Peterson, que no seu March 701 inscrito pela Antique Automobiles, ficara sem motores. Em compensação, a Ferrari inscrevia um terceiro carro para o italiano Ignazio Giunti. Na De Tomaso-Williams, sem Brian Redman, que tinha compromissos na Endurance, Frank Williams teve de ir buscar o australiano Tim Schenken para correr em Zeltweg.

Na qualificação, Rindt fez a pole-position, tendo ao seu lado o Ferrari de Clay Regazzoni. Na segunda fila estava o outro Ferrari de Jacky Icxx, enquanto que no quarto posto estava o March de Jackie Stewart, grande amigo de Rindt. A terceira fila era ocupada pelo terceiro Ferrari de Ignazio Giunti e pelo segundo March de Chris Amon, enquanto que o Matra de Jean Pierre Beltoise era o sétimo, à frente do carro de Jack Brabham. A fechar o "top ten" estava o March do jovem francês Francois Cevért e o segundo Lotus de John Miles.

N
a partida, Rindt é surprrendido pelos três Ferrari, que se dão muito bem com os ares austriacos. Regazzoni é o primeiro lider, mas cede a poisção para Ickx no inicio da segunda volta, e os dois carros rolam a seu bel-prazer até ao final da corrida.

Quanto a Rindt, é quarto classificado no final da primeira volta, à frente de Brabham, mas ele já devia pensar um pouco nos pontos, tamanha era a diferença para eles. Na volta 21, depois de passar o Ferrari de Giunti, desiste em plena reta da meta com o motor partido. E se antes dominavam, agora os Ferrari esmagavam a seu bel-prazer e no final, o belga Icxx é o vencedor, com Regazzoni a menos de um segundo, mas ambos a darem mais de um minuto ao terceiro classificado, o alemão Rolf Stommelen. Será o seu unico pódio da sua carreira.

Nos restantes lugares pontuáveis ficariam os BRM de Pedro Rodriguez, que de um péssimo 22º posto à partida, fez uma corrida de recuperação até ao quarto lugar final, o outro BRM de Jackie Oliver e o Matra de Jean Pierre Beltoise, que conseguiu ficar à frente de Giunti. Já Emerson Fittipaldi era 15º classificado, a cinco voltas do vencedor.

E foi assim a primeira das dezoito edições do Grande Prémio austriaco no circuito de Zeltweg. Três semanas mais tarde, era uma Austria em choque que recebia a morte do seu herói Rindt, no circuito de Monza, e seria o unico Campeão do Mundo a título póstumo da história da Formula 1, mas em breve, outros heróis austriacos estavam ao virar da esquina...

Fontes:

terça-feira, 10 de julho de 2007

O piloto do dia - Ignazio Giunti

O piloto do dia teve uma carreira curta, mas recheada de sucessos. Foi acarinhado por Enzo Ferrari, que via nele um digno sucessor de Lorenzo Bandini e de Alberto Ascari. Ainda passou na Formula 1, e era considerado uma das grandes esperanças italianas. Contudo, tudo isso terminou abruptamente numa prova das Interseries em Buenos Aires, causada pela manobra imprudente de um carro parado... eis Ignazio Giunti.


Nasceu em Roma a 30 de Agosto de 1940 (teria agroa 66 anos se estivesse vivo). Começou a sua carreira nos automóveis em 1966, a bordo de carros da Alfa Romeo. Dois anos mais tarde, a bordo de um Autodelta (o departamento de competição da marca), no seu modelo 33T, consegue resultadso de relevo, como um segundo lugar na Targa Florio e um quarto lugar nas 24 Horas de Le Mans daquele ano, em conjunto com o seu compatriota Nanni Galli. Tudo isso fez com que atraísse a atenção de Enzo Ferrari, que o quer na sua equipa de Turismos, guiando o seu modelo 512 T
Em 1969, ele e Galli transferem-se para a Ferrari, onde guiam nas várias provas da competição, mas sem resultados de relevo. Em 1970, as coisas melhoram, ganhando as 12 Horas de Sebring, com o 512S, partilhando a condução com Galli. Ainda consegue resultados de relevo, como o segundo lugar nos 1000 Km de Monza e o terceiro posto na Targa Florio e nas Seis Horas de Watkins Glen.


Entretanto, Ferrari procurava um segundo piloto para a sua equipa de Formula 1. Com Jacky Icxx garantido como primeiro piloto, "Il Commmendatore" queria um segundo piloto talentoso, e fez um concurso entre debutantes para ver quem ficaria com o lugar. Ignazio Giunti foi o escolhido, enquanto que o outro era... Clay Regazzoni! Giunti estreou-se em Spa-Francochamps, onde andou bem e terminou num excelente quarto posto. Correu em mais três provas, mas o melhor que conseguiu foi um sétimo lugar na Austria. Só que o suiço ganhou em Monza e terminou em terceiro no campeonato, com 33 pontos, trinta a mais do que Giunti. Vê-se quem foi o escolhido...


Apesar de tudo, continuou na Ferrari, correndo nos Sport-Protótipos para 1971, e era nessa condição que estava na Argentina quando correu os 1000 Km de Buenos Aires, a 10 de Janeiro de 1971. Corria num Ferrari 512PB, outra evolução do carro original, e tinha como companheiro o seu compatriota Arturo Merzario, e tudo parecia correr bem até que... Jean-Pierre Beltoise ficar sem gasolina no seu Matra, perto da meta. Decidiu empurrar o seu carro até lá, mas como o seu carro estava no lado esquerdo e as boxes ficavam no lado direito, decidiu atravessar a pista.


Só que nesse momento surgiram os Ferrari dele e de Mike Parkes (1935-1977). O inglês escapa, mas Giunti, que vinha logo atrás, não se desvia a tempo e embate com força no Matra, incendiando-se logo de seguida, sem dar hipóteses de sobrevivência ao piloto italiano. Tinha 30 anos.



A sua carreira na Formula 1: 4 corridas numa temporada, três pontos no total.




Hoje em dia, há um busto de Giunti no circuito de Vallelunga, nos arredores de Roma, em sua homenagem. Também se corre todos os anos nessa pista uma corrida de Clássicos, que tem o seu nome. Giunti podia ter ido longe, caso tivesse mais oportunidades. Havia a hipótese de correr algumas corridas de Formula 1 nesse ano, mas não sabia quantas provas iria fazer. Giunti também tinha um dos capacetes mais originais da altura: era verde, com uma águia azteca desenhada...