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sábado, 26 de dezembro de 2020

Pagos para dizer bem, ou porque há anticorpos contra a Formula E


O Natal é um para descansar, comer as doçuras da temporada e esperar pelo Novo Ano, porque logo a seguir vem provavelmente o Dakar e uma temporada que ainda sofrerá com os efeitos da pandemia. Como sabem, no WRC, o Rali de Monte Carlo não vai ter espectadores, e o da Suécia foi cancelado. Há rumores sobre o adiamento da temporada de Formula 1, que está marcada para março, na Austrália, e na Formula E, a ronda dupla de Santiago do Chile foi adiada para março, por causa da pandemia e de alegados pesadelos logisticos por causa de boa parte dos materiares virem da Grã-Bretanha, embora se ouviu que esses materiais já estariam no Chile quando o anuncio do adiamento foi feito.

E é um pouco sobre essa última categoria que quero falar. Num ano em que foi elevado a campeonato FIA, onde o campeão do mundo foi português, e foi votado como o terceiro melhor piloto de 2020, as noticias da saída da Audi e da BMW da competição abalaram um pouco as coisas, mais os avisos por parte de Porsche e Mercedes de que, apesar de manterem a aposta nos eletricos, há alternativas competitivas. Contudo, esta semana, uma entrevista feita a Loic Duval, veio colocar mais tinta sobre a competição. O piloto francês, que correu por três temporadas na Dragon Racing, antes de ir para o DTM, ao serviço da Audi, decidiu detonar a competição.

Na tal entrevista à Autosport britânica, afirmou:

"Não gosto da Fórmula E porque, para mim, os carros não são rápidos. E gostaria de dizer que gosto das localizações onde decorrem os eventos, do formato da coisa, gosto das corridas nas cidades. Mas eu pude correr, fazer alguns anos na Fórmula E atrás do volante. E atrás do volante, como piloto, não gostas tanto quanto gostas de outros carros com mais potência e aderência."

E continuou: "Quem quer que seja o piloto que diga hoje que a Fórmula E é ótimo de conduzir é porque está no campeonato e é pago para isso, para correr. Com certeza que não pode ser contra. Mas não pode ser tão agradável quanto um carro LMP, como um carro DTM ou um carro Super GT, com certeza".

Claro, a entrevista não passou despercebida. Alguns dos seus colegas reagiram "defendendo" a sua dama, e refutando as acusações de Duval, ora com ironia, ora afirmando que deve ser visto como uma classe à parte e não ser comparado com nada.

"Se recebes alguns milhões para conduzir carros de corrida pelas cidades mais incríveis do mundo, cara a cara com pilotos altamente talentosos... e promovendo tecnologia sustentável ao longo do caminho... Acho que há empregos piores por aí.", ironizou Lucas Di Grassi na sua conta do Twitter.

"É uma combinação muito boa de carros e pistas, proporciona um show muito porreiro, é um desafio conduzir em traçados citadinos. E mais do que isso, é um palco para os fabricantes apresentarem e desenvolverem os seus carros de estrada. O mais importante é empurrar o mundo da mobilidade na direção certa", defendeu António Félix da Costa, o campeão de 2020, também no Twitter.

Primeiro que tudo, vamos a ver o seu palmarés na competição. Dois terceiros lugares e duas voltas mais rápidas foi o que conseguiu em três temporadas na Dragon, entre 2014-15 e 2016-17. Pode-se ir por aí e dizer que o piloto de 38 anos não foi bem sucedido, logo, toca a dizer mal da competição. Mas há certas coisas no qual ele tocou na ferida, e também quis falar disso para atiçar aquela que é provavelmente uma das discussões mais presentes sobre isto. 


Contudo, eu sei que há muitos anticorpos em relação à Formula E. Há muitos fãs de automobilismo que odeiam por ela ser tudo aquilo que foram aducados a gostar. Não faz barulho, é lenta, só correm em cidades, não gostam dos carros, não gostam dos incentivos que os pilotos têm, desde o "Time Attack" atá ao "Fanboost", onde o publico interage com os seus pilotos favoritos afirmando que "não é desporto" etc e tal. Esquecemo-nos que os fãs vêm isto de forma apaixonada, que tem como ideal algo que só existe na cabeça deles. E há gente conservadora e classista, que odeia o futuro, e gostaria de que cristalizasse a sua ideia de automobilismo na cabeça para sempre.

E ao longo dos muitos anos, sei de gente que acha que o automobilismo só pode ser a Formula 1, só pode ter motores de combustão interna, desde V8 a V12, e tudo o resto deveria ser retirado. A ideia deles deveria ser como foi na sua infância, especialmente se for o que acontecia nos anos 70 e 80 do século XX. São as velhas ideias. Desejam o cheiro da gasolina, sangrar dos ouvidos pelo barulho e enjoar do cheiro a borracha queimada. E sei de gente que odeia ralis, odeia as provas de Endurance, porque acham que qualquer corrida de mais de uma hora é "chata", que não acham piada a eSports, corridas de simuladores, que a única coisa que querem ver é o real, quando se calhar, nunca foram a um autódromo na vida...

Mas também sei de gente que odeia tudo que é prova americana, como a NASCAR e a Indy. Ha quem jure que nunca verá provas de "drag racing", afirmando que isso não é "competição". Em suma, são facções, que tem uma reação emotiva a isto. E por vezes, essa discussão envenena a convivência saudável entre as pessoas que têm a paixão do automobilismo em comum.


Claro, a Formula E tem defeitos. É pouco potente? Claro, 275 cavalos não tem nada a ver com os mil dos V6 Turbo da Formula 1. Só correm em pistas citadinas? Verdade, mas a ideia é mesmo essa: pode-se assistir a isto sem ser incomodado pelo barulho. E essa gente ainda não entendeu que a maioria das pessoas, que não acompanha o automobilismo com paixão como acompanha esta gente, esqueceu-se que o mundo lá fora mudou bastante. Barulho e cheiro já não é uma coisa boa. O aquecimento global é um facto, quer queiram, quer não, e eles se tornaram numa minoria. Pior, a sua teimosia pode torná-los em maus da fita.

Podem também falar mal dos "Fanboost" e do "Attack Mode", mas a Formula 1 tem DRS e asa móvel, que também é um auxiliar para facilitar as ultrapassagens, logo, ao falar dos auxílios de um, não andam a ver os seus telhados de vidro. Pode-se falar de inveja, porque tem as marcas que eles gostariam de ver na Formula 1, por exemplo, mas no final é pura emoção. As paixões são assim.

Para mim, essas paixões podem ser irritantes. Considero que todos têm o seu lugar. Ninguém quer substituir um pelo outro. Eu, que sou adepto da tecnologia e das novas ideias, sei perfitamente que estamos num outro século, que as coisas tem de eoluir e há desafios enormes pela frente, do qual a tecnologia tem um papel para resolver esses problemas. Meter a cabeça na areia e fingir que está tudo bem não é a solução.

Agora, seria interessante se a Formula E divulgasse os salários dos seus pilotos, em nome da transparência. Tenho a certeza que ganham muito menos do que os 30 ou 35 milhões que ganha um Lewis Hamilton ou um Sebastian Vettel, mas seria ótimo se dissessem, por exemplo, quanto é que o António Félix da Costa conseguiu, ou se tinha algum prémio por alcançar o campeonato que acabou por conseguir.

Em suma, todas as competições tem os seus fãs e seus detratores. É preciso defender a sua dama, mas acima de tudo, respeitar os outros, mesmo não concordando. E que o mundo gira e avança.   

terça-feira, 30 de maio de 2017

O lobby por Robert Kubica... na Formula E

Que a Formula E está a tornar-se numa competição interessante, é um facto. Agora, que os pilotos defendem a integração de alguém como Robert Kubica, é algo diferente. Mas é isso que alguns deles falaram no final da semana passada à Autosport britânica, quando colocados com essa hipótese, depois do teste que ele fez há umas semanas, em Donington Park com um carro da Virgin.

"Nós falamos [sobre a Fórmula E] no Bahrein [no final de 2016] quando ele estava lá com ByKolles e eu disse 'acho que devias tentar!'. Espero que ele se junte a nós, pois seria um grande ativo para o campeonato" começou por dizer o suíço Sebastien Buemi, lider do campeonato.

"Eu adoraria ter ele, eu gosto muito dele, mas acho que é importante para ele quando provar que está a fazer [as coisas] bem, preparar bem, mas se ele preferir não fazê-lo, é compreensível", concluiu.

Outro que fala positivamente de Kubica é Loic Duval, piloto da Faraday Future, e que correu com Kubica em 2005 na Formula 3 europeia. "Nós sabemos que ele é um motorista extremamente bom, não há dúvida sobre isso", começou por dizer o piloto francês.

"Seria ótimo, e não só para o campeonato - ficarei feliz por ele poder correr novamente em um campeonato competitivo. Ele merece isso, ponto final".

Lucas di Grassi, piloto da Abt e que fazia parte do programa de jovens pilotos da Renault ao mesmo tempo que Kubica, em 2003, disse que não haveria nenhum problema em conceder a Kubica a permissão para correr, com adaptações, num carro de Formula E.

"Eu não sei como ele se sente em um carro de Fórmula E, mas alguns lugares que você precisa para dirigir com muito ângulo", começou por explicar o piloto brasileiro.

"Se ele precisar de qualquer tipo de adaptação, eu serei o primeiro a dizer: 'sim, venha correr connosco". concluiu.

Daquilo que se sabe sobre o futuro de Kubica na Formula E, é que poderão haver novas chances de ele testar um desses carros, mas qualquer coisa de concreto só poderá acontecer antes da próxima temporada.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Formula E: Conway corre em Paris no lugar de Duval

O britânico Mike Conway irá correr no lugar de Loic Duval na ronda da Formula E em Paris, que vai acontecer a 20 de maio nas ruas da capital francesa. O piloto correrá pela Faraday Future Dragon Race, pois Duval terá compromissos na DTM, onde corre com um Audi R5 da Team Phoenix.

"Estou honrado por ter a oportunidade de competir com Faraday Future Dragon Racing ", começou por dizer Conway no comunicado oficial da equipa, após o seu anuncio oficial. "A equipa mostrou fervor e proeza técnica nesta temporada e estou confiante dos resultados positivos que podemos conseguir em Paris", concluiu.

Jay Penske, o dono da equipa e diretor da Dragon Racing, comentou: "Estamos muito felizes por Mike Conway se juntar a nós no próximo mês para o ePrix de Paris. Ele é um piloto experiente, que sempre respeitei, e acredito que seu talento e tenacidade contribuirão para o desempenho geral da equipe nas ruas da capital francesa", concluiu.

Conway tem experiência com a Venturi, correndo na temporada passada em sete provas, conseguindo sete pontos e um oitavo lugar em Berlim como melhor resultado. O britânico de 33 anos assinou com a equipa Dragon no inicio desta temporada, e chegou a participar nos testes de pré-temporada em Donington Park, mas acabou por sair antes de começar a temporada atual.

sábado, 13 de junho de 2015

A(s) image(ns) do dia



As imagens da batida do Audi numero 8 na zona de Indianápolis, guiado nessa altura por Loic Duval. No momento em que escrevo estas linhas, com quase três horas de corrida, há uma luta entre Porsche e Audi, e o Safety Car entrou na pista para que as barreiras possam ser reparadas. Vai ser uma reparação demorada, logo, a hipótese de recorde de distância percorrida poderá ser comprometida...

quinta-feira, 12 de março de 2015

A chuva de franceses em Miami

Se as coisas em Melbourne andam agitadas no muito da Formula 1, em Miami, palco da quinta etapa da Formula E é tudo mais pacifico. Dragon Racing e China Racing colocaram este fim de semana dois pilotos franceses nos seus bólidos, e ambos têm prestigio: Loic Duval é vencedor das 24 Horas de Le Mans, ao serviço da Audi, enquanto que para Charles Pic (na foto, em Pequim) que vai correr na China Racing no lugar de Ho-Pin Tung, é um regresso, depois de ter sido quarto lugar na ronda de abertura do campeonato, em Pequim.

Pois bem, esta tarde escrevo no Motordrome que Duval deverá correr para o resto da temporada, já que o seu anterior titular, o catalão Oriol Serviá, decidiu pendurar o capacete, para ser um dos diretores desportivos da equipa quer na Formula E, quer na IndyCar, que vai começar no final do mês não muito longe dali, em St. Petersburg. E estes dois pilotos franceses juntar-se-ão a outro estreante, o americano Scott Speed.

Quanto à "chuva de franceses" no inicio do título, não creio que seja um exagero assim. É que para além destes dois ainda temos Nicolas Prost, Stephane Sarrazin e Jean-Eric Vergne. E cinco pilotos em vinte carros são cerca de um quarto do atual pelotão da Formula E...

segunda-feira, 9 de março de 2015

O regresso de Scott Speed aos monolugares

Faltam cinco dias para a próxima prova da Formula E, em Miami, mas a lista de inscritos para a primeira das duas provas em solo americano têm uma pequena surpresa: o americano Scott Speed pilotará um dos carros da Andretti, quatro anos depois da última vez que correu num monolugar. A história, que contei hoje no sitio Motordrome Brasil, mostra um Speed ansioso por voltar aos monolugares, pois a última vez que andou por ali foi em 2011, quando tentou - e falhou - a qualificação para as 500 Milhas de Indianápolis.

O interessante é saber que Speed está a andar no Global Rallycross ao serviço da Andretti Autosport, ou seja, está a dar uma chance a mais um piloto da sua estrutura. Ora, se formos por aí, poderemos dizer que, só na IndyCar, temos o Marco Andretti - que já correu em Buenos Aires - o seu compatriota Ryan Hunter-Reay e o colombiano Carlos Muñoz, para além da vaga em aberto na equipa, que poderia perfeitamente ir para Jean-Eric Vergne, caso ele não tivesse aceite o lugar de "piloto de desenvolvimento" da Ferrari. Ou será que é compatível com uma carreira nos "States"?

Mas Speed não será o único estreante em Miami: o francês Loic Duval também vai correr por lá, ao serviço da Dragon Racing, no lugar de Oriol Serviá. Duval é o vencedor das 24 Horas de Le Mans em 2013, ao serviço da Audi, e corre também no Japão ao serviço da SuperFormula.

domingo, 14 de dezembro de 2014

A(s) foto(s) do dia



As 24 Horas de Le Mans foram há seis meses, mas este domingo surgiram nas redes sociais as fotos do acidente de Löic Duval durante um dos treinos para a clássica da Endurance. As imagens falam por si e como é que o carro ficou fortemente danificado naquela semana anterior à corrida...

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Noticias: Marc Gené substitui Löic Duval na Audi

Com os Porsches a conseguirem os melhores tempos na sessão desta quarta-feira, soube-se esta noite que a Audi irá usar um chassis de reserva no sentido de colocar o chassis numero um pronto para a qualificação de amanhã. E que o francês Loic Duval, acidentado esta tarde, será substituído pelo espanhol Marc Gené, que este ano iria correr pela Jota Sport, pois o piloto francês sofreu um corte no pescoço e uma ferida profunda numa perna.

No regresso dos treinos, os 919 foram os melhores, com Mark Webber a conseguir um tempo de 3.23,157 segundos, mais 771 centésimos do que o segundo Porsche, tripulado pelo suiço Neel Jani, esta ficou marcada pelo acidente com o Aston Martin do brasileiro Fernando Rees, que ficou parado na saida das curvas Porsche, não muito longe do local do acidente de Duval.

Amanhã há mais uma sessão de qualificação, do qual espera-se que o carro numero 1 esteja devidamente reparado e possa alinhar para poder marcar um tempo que o coloque na grelha de partida para sábado.  

Youtube Training Crash: o impressionante acidente de Loic Duval em Le Mans

O Pedro Mendes mandou-me este video do acidente de Löic Duval, mais concretamente a transmissão da Eurosport. Se ouvirem as vozes dos comentadores, para além do inglês, podem ficar com a ideia de que isto assustou muita gente. 

E isto é mais uma vez, o triunfo da segurança e da robustez dos carros. E até que ponto o automobilismo foi longo no quesito de salvar as vidas dos pilotos, dos espectadores e dos comissários. 

As imagens do acidente de Löic Duval



Algumas das imagens impressionantes do acidente de Löic Duval, esta tarde, em Le Mans. As autoridades médicas já afirmaram que o estado de saúde do piloto francês (que amanhã comemora 32 anos de idade) é "satisfatório".

Eis o link para o comunicado oficial, em inglês. 

Le Mans: Acidente de Löic Duval marca treinos livres

Os treinos livres desta tarde em Le Mans ficaram marcados pela forte batida do Audi R18 e-Tron numero 1 na Curva Porsche, que destruiu completamente o carro. O bólido, guiado pelo francês Löic Duval - que vai partilhar a condução com Tom Kristensen e o brasileiro Lucas di Grassi - perdeu o controlo nas velozes curvas Porsche e bateu de traseira, ficando completamente destruido.

Socorrido de imediato pelas equipas de emergência, o piloto francês saiu, contudo, pelo seu próprio pé, afirmando estar bem do choque. Contudo, foi levado para o hospital para ser submetido a mais exames.

"Esperemos que não tenha acontecido nada de grave para ele, mas levamos para o hospital por precaução", afirmou o Dr. Wolfgang Ulrich em declarações à Eurosport.

Os estragos no carro de Duval foram extensos - a traseira ficou destruida, bem como o seu lado direito - o que poderá colocar em causa a participação do carro numero um na corrida, dada a extensão dos estragos e do pouco tempo que têm para o reparar, a três dias da corrida.

Recorde-se que no ano passado ficou marcado pelo acidente mortal do dinamarquês Allan Simonsen, piloto da Aston Martin nos GT's, na Tetre Rouge, nos primeiros minutos da corrida

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Youtube Rally Classic: Rali da Alemanha 2007



São imagens com pouco menos de quatro anos, mas bastou apenas este tempo para vermos as diferenças para a atualidade. As imagens só com os sons do Rali da Alemanha de 2007, montadas pelo amjayes ao longo de doze minutos mostram um bando de pilotos e marcas que hoje em dia já não estão nos ralis, e pilotos que já não competem, ou competem noutras categorias. Subaru, Skoda, Francois Duval ou Marcus Gronholm são marcas ou pilotos que já não participam mais ou aparecem de forma esporádica no atual panorama do WRC.

Uma coisa é certa: de 2007 aos dias de hoje, só houve duas coisas que não mudam: a paisagem e o vencedor do Rali da Alemanha...

domingo, 22 de agosto de 2010

Youtube Rally WRC 2010 - O acidente de Francois Duval



Regressado este ano aos ralis, depois de ter passado os últimos dois anos no Rallycross, o belga Francois Duval, especialista em asfalto, veio ao Rali da Alemanha no seu Ford Focus preparado pela Stobart para ajudar a marca americana a tentar contrariar o dominio dos Citroen, e em especial de Sebastien Löeb.

Contudo, a prova de Duval, até então honrosa, terminou na última classificativa de ontem, a Panzerplatte, com 48 quilómetros e a mais extensa de todos o rali, quando tocou numa pedra que estava na berma da estrada, ao fazer uma curva depressa demais... resultado: o carro ficou irrecuperável, até para o sistema de "Superally". As imagens são impressionantes.

sábado, 1 de novembro de 2008

WRC - Rali do Japão (Dia 2)

O Rali do Japão continua, com a Ford a ocupar os dois primeiros lugares da classificação geral, e Sebastien Löeb cada vez mais perto do título mundial, pois ocupa o terceiro posto, fazendo uma corrida calculista e sem esforçar muito. O líder, Mikko Hirvonen, tem mais de um minuto de vantagem sobre Löeb, com o finlandês Jari-Mari Latvala pelo meio, este a 15.5 segundos da liderança.


O piloto francês não arrisca um milímetro, e num terreno desconhecido para todos (o local onde o Rali do Japão se disputa é novo), deixou as despesas da prova para os homens da Ford, no sentido de assegurar o mais depressa possível o seu objectivo. Atrás de Löeb, vem o unico Subaru Impreza de Chris Atkinson, que têm mais de dois minutos de atraso sobre o lider, isto depois de Petter Solberg, no outro Impreza, ter desistido depois de um acidente, que lhe arrancou uma roda do carro. "Peço desculpa aos fans, mas vi uma oportunidade de me aproximar do Loeb e ataquei...", referiu Solberg. Os adeptos desculpam e agradecem, pois lutas por posições e espectáculo é que os ralis precisam.




Entretanto, na Produção, O russo Noikov lidera, e Armindo Araujo teve problemas de transmissão no seu Mitsubishi Lancer Evo X, viu-se obrigado a desistir. Contudo, o piloto português vai voltar amanhã, graças ao sistema de Super Rally.




Numa nota final, o navegador de Francois Duval, Stephane Pivato, que ficou ferido ontem num despiste, continua internado em estado grave, mas estável, depois de ter sido operado uma segunda vez, após terem sido descobertas, durante a primeira operação à pelvis, hemorragias internas mais sérias, o que obrigou a uma segunda intervenção. Uma declaração emitida pela equipa Stobart refere que Pivato está a melhorar de forma gardual, mas que continua em estado crítico, embora estável.

domingo, 12 de outubro de 2008

WRC - Rali da Corsega (Final)

E Sebastien Löeb fez o que devia: geriu a enorme vantagem que tem, levou o seu Citroen C4 WRC ao fim, e ganhou o Rali da Corsega, ficando perigosamente perto de um quinto título mundial consecutivo.




Se Löeb dependeu de si próprio para ganhar, já o segundo classificado, Mikko Hirvonen, beneficiou das "ajudas" de Francois Duval e Jari-Mari Latvala para subir ao segundo posto, pois ambos os pilotos penalizaram à entrada da última classificativa. Com este resultado, Hirvonen vê assim um pouco atenuadas as perdas no Mundial de Pilotos, se bem que no final pouca diferença deverá fazer. A não ser que surja alguma daquelas surpresas em que as corridas de automóveis são pródigas (não, aqui não há comissários!)


Sebastien Löeb está agora mais perto do seu quinto título consecutivo no WRC, pois a duas provas do final da competição, tem 14 pontos de avanço para Mikko Hirvonen. Esta vitória na Córsega é a décima da época para o piloto francês de 34 anos, que venceu 14 (!) das 16 especiais da prova.
Classificação final do Rali da Corsega:

1º - Sebastien Löeb (FRA) Citroen C4 WRC 3h42:58.02.
2º - Mikko Hirvonen (FIN) Ford Focus WRC + 3:24.7.
3º - Francois Duval (BEL) Ford Focus WRC + 3:31.6
4º - Jari-Matti Latvala (FIN) Stobart-Ford Focus WRC + 3:37.5
5º - Petter Solberg (NOR) Subaru Impreza + 5:35.4
6º - Chris Atkinson (AUS) Subaru Impreza + 6:10.4
7º - Urmo Aava (EST) Citroen C4 WRC + 7:25.2
8º - Matthew Wilson (GBR) Stobart-Ford Focus WRC + 9:02.2

sábado, 11 de outubro de 2008

WRC - Rali da Corsega (Dia 2)

O Rali da Corsega está cada vez mais uma cavalgada solitária de Sebastien Löeb rumo à vitória e ao quinto título mundial consecutivo no WRC. Pelo menos, é isto que andamos a ver...

Vencendo todas as especiais realizadas até ao momento (nove), o piloto francês tem agora uma vantagem de 41,7 segundos sobre o piloto da Ford, e seu maior rival, o finlandês Mikko Hirvonen, que continua em acesa disputa com o seu colega de equipa, o belga François Duval, pelo segundo lugar. A luta é intensa entre os dois, trocando frequentemente de posições: na sétima especial, Duval chegou a ascender ao segundo posto, mas Hirvonen recuperou-o logo na classificativa seguinte.


Também a luta pelo quarto lugar está muito acesa, com três segundos a separarem o finlandês Jari-Matti Latvala, agora na Stobart-Ford, e o norueguês Petter Solberg, no seu Subaru Impreza WRC. O australiano Chris Atkinson, no outro Impreza WRC, perdeu o comboio desta luta, ao furar na nona especial, caindo para o sexto lugar, a mais de um minuto do seu companheiro de equipa. O estonio Urmo Aava (PH Citroën) ocupa o sétimo posto, à frente de Toni Gardemeister, da Suzuki Swift WRC oficial.

domingo, 5 de outubro de 2008

A1GP - Ronda 1, Zandvoort (Corridas)

Foi sob intensa chuva e muito vento que começou a temporada 2008/09 da A1GP, a quarta temporada do Campeonato do Mundo das Nações. Uma competição que estreia uma nova parceria com a Ferrari, que teve que construir em poucos meses cerca de 25 chassis, motores, caixas de velocidades, sistemas eléctricos... e no final, os atrasos foram evidentes e nem todos os carros ficaram prontos a tempo. Nesta ronda inicial, apenas 17 das 25 equipas inscritas tiveram os seus carros prontos a tempo.

As duas corridas de hoje foram bastante agitadas, com o Safety Car a intervir na pista por algumas vezes, devido ao mau estado da pista e aos inumeros despistes que os vários pilotos sofreram. No final, a Feature Race acabou com a presença do SC em pista...

Mas voltamos antes, à Sprint Race. Na primeira corrida, a partida foi dada atrás do Safety-Car, mas ainda assim, o irlandês Adam Carroll não evitou um pião na última curva, quando os pilotos se aprestavam para iniciar a prova. O irlandês, que arrancava da terceira posição, acabou por ser colhido pelo monegasco Clivio Piccione, tendo os dois abandonado no momento.


Quando o Safety Car recolheu às boxes, Jeroen Bleekemolen, o "poleman" holandês, assumiu o comando, mas era muito acossado por pelo neozelandês Earl Bamber que acabou por lhe ganhar o comando. Contudo, o homem mais rápido em pista era o malaio Fairuz Fauzy que, depois de arrancar do quarto posto, começou a recuperar, passando todos os adversários que tinha pela frente, para chegar ao comando.



Mas no final da volta 12, os organizadores mostraram a bandeira vermelha, devido aos inumeros carros que estavam encostados à berma, pois não conseguiam estar muito tempo em pistra devido à chuva e ao vento. No final, foi validada a classificação ao final da décima volta, e a vitória foi para Fauzy, seguido por Bamber e o francês Loïc Duval. Filipe Albuquerque, aproveitando os azares alheios, conseguiu levar o carro até ao fim, terminando no nono posto, numa prova onde só os oito primeiros pontuam.



No final dessa corrida, o piloto de Coimbra dava-se por satisfeito com o resultado: “Fiz tudo o que me era possível. Com um carro completamente novo e sem grandes indicadores face ao seu comportamento, penso que terminar em nono, foi um óptimo resultado. Chovia bastante e foi muito complicado não cometer erros. Para além de que sentia claramente falta de andamento", afirmou.


Na segunda corrida, a Feature Race, o tempo estava na mesma: frio e tempestuoso. Tal como na Sprint, os organizadores decidiram que a corrida iria começar com o Safety Car por algumas voltas. Quando a corrida começou verdadeiramente, Fairuz Fauzy assumiu a liderança, fruto da pole-position oferecida pela vitória matinal, e ganhou rapidamente uma pequena vantagem sobre os seus perseguidores.


Entretanto, Filipe Albuquerque decidira assumir uma toada defensiva e uma paragem tardia, para poder subir algumas posições. Com isso, Albuquerque chegou até a liderar a corrida por algumas voltas, mas no final do primeiro pit-stop, quando seguia na sexta posição, um despiste terminou com as suas aspirações de obter pontos. “O carro estava realmente com um bom andamento, sempre entre os mais rápidos. Fizemos um ‘pit-stop’ excepcional. Mas, a pista estava demasiado perigosa. A quantidade de água em pista desenhava verdadeiros rios. Quando entrei em pista após o ‘pit-stop’, ocupava o quinto posto e entrei em ‘aqua planning’. Os pneus estavam frios e na recta interior o carro escorregou. Ainda tentei controlar, mas naquelas condições foi impossível”, disse.



O despiste de Albuquerque, juntamente com outras saídas de pista que ocorreram nos mesmos instantes, precipitou a reentrada do Safety-Car em pista, figurando então Loic Duval no comando da corrida. A partir de então, o piloto francês, que já tinha sido o principal adversário de Fauzy antes das paragens nas boxes, manteve sob respeito o malaio, e nem mesmo nova entrada do Safety-Car, devido a um forte toque entre o carro de Daniel Moran (Libano) e Ho-Pin Tung (China), impediu Duval de conquistar a vitória na Feature Race, onde apenas sete carros terminaram, e o Safety Car ficou em pista até ao final.


Apesar do desfecho, Albuquerque considerava que o fim-de-semana tinha sido produtivo: "Apesar de tudo, acho que dadas as condições, conseguimos fazer um óptimo trabalho. Carro novo, sem um único teste e com estas condições atmosféricas, fazer melhor, teria sido complicado. Acho que temos uma boa base de trabalho para desenvolver para a próxima corrida", concluiu.


A próxima jornada dupla acontecerá a 9 de Novembro, no circuito chinês de Chengdou, onde se espera que estejam as 25 máquinas que constituem o A1GP desta temporada.

sábado, 4 de outubro de 2008

WRC - Rali da Catalunha (Dia 2)

No segundo dia do Rali da Catalunha, continua o dominio de Sebastien Löeb e do seu Citroen C4 WRC nas classificativas de asfalto. Foi um dia desportivamente desinteressante, já que o francês e o seu companheiro de equipa, Daniel Sordo, estão em claro esforço de gestão, perante uma concorrência sem argumentos.

Loeb e Sordo completaram quatro dobradinhas nos seis troços da etapa, com a novidade a serem as vitórias de Mirko Hirvonen e François Duval em duas classificativas, num dia em que foi notório que os pilotos dos C4 WRC estavam mais preocupados com as muitas pedras encontradas nas segundas passagens, do que propriamente com a concorrência da Ford.

Loeb fechou o dia com vinte e sete segundos de vantagem para Sordo, que por sua vez tem uma vantagem de vinte cinco segundos face ao belga François Duval, que na derradeira etapa da prova vai certamente ceder o mais baixo do pódio a Mirko Hirvonen, pese embora nesta prova as contas do WRC fiquem já extremamente complicadas para o finlandês...

O quinto posto é ocupado pelo norueguês Petter Solberg, no seu novo Subaru Impreza WRC, e ele já tem bem perto de si o estoniano Urmo Aava, no seu Citroen C4 WRC, com apenas dois segundos a separá-los, enquanto a luta pelo sétimo lugar também promete animar o último dia, com o australiano Chris Atkinson (Subaru Impreza) e o finlandês Jari-Mari Latvala (Ford Focus WRC) separados por apenas quatro segundos. O Rali da Catalunha termina amanhã.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

WRC - Rali da Catalunha (Dia 1)

Com a temporada a aproximar-se do seu final, é a hora das decisões. E hoje começou o primeiro dos dois ralis em asfalto, o Rali da Catalunha, prova a contar para o Mundial WRC, onde Sebastien Löeb e o seu Citroen C4 WRC são os naturais favoritos à vitória. E após as três primeiras classificativas, não desiludiram: o piloto francês liderava com um avanço de 7,5 segundos sobre o segundo classificado, o seu companheiro de equipa Daniel Sordo.

Um pouco mais distante, mas a 23,5 segundos, está o belga Francois Duval, no Ford Focus WRC da equipa oficial (em substituição de Jari-Mari Latvala), que tenta andar na peugada dos dois Citroen. Mikko Hirvonen é quarto classificado e está somente a 2,5s de Duval. O quinto lugar é para Petter Solberg, no seu Subaru Impreza WRC 08, que em três troços perdeu quase um minuto para o líder, o que dá bem a ideia de como andam os dois Citroen. Jari Mari Latvala é sexto, atrás do norueguês da Subaru.


Na segunda ronda pelos troços, que se realizou durante a tarde, os Citroen mostraram que dominavam os acontecimentos, com Löeb e Sordo a manterem as posições, mas desta vez a alargarem a distância para Duval, no primeiro Ford Focus oficial, em 43.1 segundos...


Durante as classificativas da tarde, as posições mantiveram-se, expecto para Latvala, que perdeu o sexto posto a favor do estonio Urmo Aarva, num Citroen C4 WRC privado. Mas quer um, quer outro, estão a dois minutos do líder Löeb...

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Duval substitui Galli na Ford

Depois do acidente do italiano Giggi Galli no Rali da Alemanha, na passada sexta feira, que o obriga a para até ao final do ano, a Ford Stobart não demorou muito para escolher o seu sucessor na equipa. É o belga Francois Duval, que acabou o mesmo rali na terceira posição.

"Estamos muito satisfeitos por voltar a contar com Duval na Stobart. Ele fez um excelente rali na Alemanha e com a sua presença anteriormente confirmada para a Espanha e Córsega, acreditamos que esta prova seja uma boa oportunidade para ele ganhar mais confiança com o carro", admitiu o director geral da Ford, Malcolm Wilson.

Em comunicado oficial, a equipa secundária da Ford irá agora pedir à FIA que inclua o piloto belga na lista de elegíveis para os pontos da Stobart-Ford, em substituição de Galli.

Duval tem 27 anos, e começou a correr em 1999, quando ganhou o Ctiroen Saxo Challenge no seu país natal. Desde 2002 que participa no Mundial WRC, primeiro na Ford, depois na Citroen, onde foi companheiro de Sebastien Löeb. Foi na Citroen que ganhou o seu unico Rali da sua carreira, na Australia, em 2005, depois de ter sido largado durante dois ralies, Acrópole e Turquia, onde foi substituido por Carlos Sainz.

Desde 2006 que Duval corre esporadicamente no WRC, tendo conseguido o seu melhor resultado em 2007, na Alemanha, onde foi segundo classificado, com um velho Xsara WRC privado, mesmo atrás de Sebastien Löeb. Este ano, participara no Rali de Monte Carlo, ao volante de um Ford Focus da Stobart, onde fora quarto classificado.