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sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Youtube Formula 1 Wideo: A história do GP da Índia

Há 10 anos, Sebastian Vettel tornou-se tetracampeão da Formula 1 em Buddh, palco do GP da Índia, uma corrida que a Formula 1 apostava que iria ser algo que iria ficar, como acontecera na China e nos países do Golfo Pérsico. Ainda por cima, existia uma equipa indiana, com dono indiano: a Force India.

Contudo, as coisas... não correram bem e 2023 assinalam-se os 10 anos em que a Formula 1 está... fora da Índia. Os problemas, as complicações e os perigos da pista estão explicados graças a este vídeo que o Josh Revell meteu nesta sexta-feira para explicar o que aconteceu ao GP indiano. 

Sentem que vale a pena. 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Os elefantes brancos do automobilismo ecclestoniano

Hoje apareceu na Autosport portuguesa um artigo interessante sobre os circuitos que foram usados para a Formula 1 e que foram deixados ao abandono. E o mais interessante e que isso não é novidade, já têm mais de vinte anos. Istambul, Buddh, Yeongam e Ti-Aida são alguns dos exemplos de pistas onde depois da Formula 1, só ficou o deserto. E o melhor exemplo da megalomania "ecclestoniana", dos vicios dos novos-ricos e das centenas de milhões de dólares que foram deitados fora, semelhante a querer construir a casa pelo telhado...

Lembro-me sempre da história de Yeongam, uma pista no meio de nenhures na Coreia do Sul, e o facto de os espectadores terem muito pouca capacidade hoteleira e que por vezes, os jornalistas acabavam por ficar em motéis pouco recomendáveis, de camas redondas. A saga durou quatro temporadas, até que saiu do calendário, porque as coisas se tornaram num pesadelo para os organizadores e claro, para os governos locais. Mas por exemplo, em 2011, os membros das equipas chegaram ao local e tinham visto que tudo estava tal qual como deixaram no ano anterior... incluindo a comida nos frigoríficos e as embalagens nos caixotes do lixo. Tudo por causa de uma providência cautelar contra a organização, e que impediu de mexer nas coisas de forma preventiva.

Mas o artigo de Luis Vasconcelos lembra de Buddh, na India, que acabou por não vingar por causa da enorme e inepta burocracia indiana que queria cobrar o Grande Prémio como... entretenimento e não como uma manifestação desportiva (de uma certa maneira, quem teve a ideia não deixa de ter razão), e de Istambul, que andou no calendário entre 2005 e 2011, e que o governo local se livrou dele depois de um certo dia, ter sido multada por ter colocado o presidente de uma entidade reconhecida por... ninguém, a não ser os próprios turcos, a entregar a taça ao vencedor da corrida. O incidente aconteceu em 2006, e o senhor em questão era o presidente da "República do Chipre do Norte", a entidade turca que ocupou o norte do Chipre, em 1974, numa invasão do exercito turco para impedir que o país se unisse aos gregos numa "Enosis", apos uma tentativa de golpe de estado por parte da extrema-direita grega.

Como a organização era sustentada pelo governo turco, e depois da multa (avaliada em 8,5 milhões de euros), o governo desinteressou-se de injetar dinheiro para ficar com a pista no calendário. E se de Yeongam e Buddh não lamentamos os tilkódromos, neste caso, sentimos a falta da Curva 8, pois por acaso, este até foi um circuito feliz, bem desenhado, ao nível dos melhores. Só que depois da formula 1, não houve nada de relevante a cair por lá - nem Endurance, nem WTCC, nem o que quer que seja - e o abandono por lá começa a ser evidente.

O caso de Ti-Aida é mais idoso, pois falamos de meados dos anos 90. Duas edições, em 1994 e 1995, de um circuito muito lento e sinuoso, aborrecido e isolado do resto do Japão - lembro que a edição de 1995 foi adiada devido a estragos nas estradas de acesso devido ao terramoto de Kobe - depois disso não trouxe muito mais do que o WTCC, no inicio desta década. Nem sei se as provas locais, como a SuperFormula, visitam aquele local... mas quero acreditar que sim.

Em suma, o legado da Formula 1 nos últimos 15 anos quase faz lembrar os estados falidos e que ergueram obras megalomanas nos tempos das vacas gordas. Mas nada disso impede que o anão negoceie novos circuitos a valores cada vez mais exorbitantes - os alegados 72 milhões de euros por ano que o Qatar poderá dar podem ser um exemplo disso - e esse dinheiro irá para todos... menos os mais necessitados.

sábado, 26 de outubro de 2013

Formula 1 2013 - Ronda 16, India (Qualificação)

Desde que se começaram a fazer cálculos sobre a maior possibilidade do piloto alemão obter o seu quarto título mundial consecutivo, tudo indicava que Sebastian Vettel o iria comemorar na Índia, dada a vantagem que começava a ganhar desde que começou a vencer corridas consecutivamente, ou seja, a partir do GP da Bélgica. Agora, cinco corridas depois, o circuito de Buddh, um dos "tilkódromos" que surgiram nos últimos anos, recebia - talvez pela última vez - um Grande Prémio da India e poderia coroar, na sua curta história, um campeão do mundo.

A qualificação não foi tão diferente das outras vezes. Sebastian Vettel acabou por ser o melhor, com os dois Mercedes a fazer "escolta" ao piloto alemão, mas para até lá chegar, houve obstáculos e histórias para contar. Como por exemplo, horas antes, quando o terceiro treino livre foi retardado por algum tempo devido ao nevoeiro indiano, que impedia a descolagem e aterragem dos helicópteros de emergência.

Mas a qualificação começou com as primeiras eliminações a ser os do costume, com a grande surpresa a ser a de Romain Grosjean, que ficou para trás - devido a uma má escolha de pneus... - acompanhado pelo Williams-Renault de Pastor Maldonado. As diferenças já começam a não ser muitas, o que poderá indicar que mais para o final do ano - quem sabe - poderemos ver algum Caterham ou Marussia a chegar ao Q2...

Por lá ficaram... os do meio. Não houve pilotos da ponta que tivessem tido uma má segunda parte ou algum grave despiste que interrompesse a sessão, logo, os que ficaram por lá foram os dois pilotos da Toro Rosso, os dois pilotos da Force India, o Williams de Valtteri Bottas ou o Sauber de Esteban Gutierrez, que cada vez mais deixa que Nico Hulkenberg faça os seus brtilharetes, agora que o carro começa a ser mais eficaz com os pneus.

Aliás, foi a escolha dos pneus que ditou a qualificação final, a que define o "top ten". Um exemplo são os Mercedes, que correrão com pneus duros, ou o Ferrari de Fernando Alonso, que sairá do oitavo posto, depois de ter sido batido - de novo! - por Felipe Massa na qualificação. O brasileiro foi quinto, atrás do segundo Red Bull de Mark Webber, e ambos usaram os pneus médios.

Mas Sebastian Vettel usou os pneus "moles" e acabou com um tempo de 1.24,119 segundos, mais de sete décimos de distância de Nico Rosberg e Lewis Hamilton, ambos em Mercedes. Aliás, para além deles, apenas Mark Webber conseguiu um tempo inferior a um segundo nesta qualificação, o que demonstra o dominio do piloto alemão em paragens indianas.

Agora que a qualificação acabou, toda a gente deverá saber que somente faltam 24 horas para que Sebastian Vettel se coroe como campeão do mundo pela quarta vez consecutiva. Da maneira como andam as coisas, poderemos não esperar pelo inesperado, mas sim pelo inevitável.

sábado, 27 de outubro de 2012

Formula 1 2012 - Ronda 17, India (Qualificação)

Ao chegar a este dia de qualificação em paragens indianas, as apostas iam todas para o carro azul, com um touro vermelho pintado nos flancos e guiado por um jovem alemão de tenra idade, que em menos de cem corridas, está lançado no caminho da imortalidade automobilística. Poucos parecem conseguir contrariar nesta altura do campeonato, porque o carro desenhado por Adrian Newey parece ser de outra galáxia neste tipo de circuitos.

Apesar de muitos de nós sabermos como isto vai acabar, vemos a qualificação na mesma, pois queremos acreditar no inesperado. "Esperar o inesperado", é um lema que muitos de nós queremos agarrar, quando as coisas ou estão más ou estão a correr bem que queremos que não acabe nunca.

Assim sendo, a qualificação começou com calor, algum nevoeiro e pó na pista, que poderia causar alguns despistes. Depois de ver na Q1 os Ferrari e os Williams a mostrarem-se, Sebastian Vettel foi para a pista e marcou o seu tempo. No final, os que ficaram de fora foram, para além dos seis do costume, o Toro Rosso de Jean-Eric Vergne. E os esforços de alguns pilotos acabaram na gravilha, como aconteceu a Heikki Kovalainen, no seu Caterham...

Na Q2, os Red Bull fizeram a sua parte, adivinhando como isto iria acabar, enquanto que atrás, o resto fazia pela vida. Felipe Massa tinha dificuldades, mas passou para o Q3 "in extremis", tal como Sergio Perez. Mas Romain Grosjean, Michael Schumacher, Kamui Kobayashi, os Force India, Bruno Senna (saiu demasiadamente cedo para marcar o seu tempo) estes iriam ver a parte final da qualificação das boxes.

Com a Q3 em vista, provavelmente só Jenson Button, Fernando Alonso ou até Pastor Maldonado é que poderiam estragar o possivel monopólio. Se Sebastian Vettel teve um erro pouco habitual, que o fez abortar a sua primeira volta lançada, Mark Webber faz um tempo meio segundo mais veloz do que Fernando Alonso e faz a sua parte. Mas depois, Sebastian Vettel volta à pista e faz o seu tempo, conseguindo a pole-position e o terceiro monopólio consecutivo por parte dos energéticos.

E o mais interessante foram as três primeiras filas deste GP da India, um sinal da hierarquia atual: Red Bull na primeira, McLaren na segunda, Ferrari na terceira. E de um inicio louco de temporada, passamos agora para o dominio dos energéticos, um regresso à temporada anterior, e muito provavelmente, se nada acontecer a ele, como aconteceu a Fernando Alonso, o tri será de Sebastian Vettel, e muito provavelmente o comemorará a 18 de novembro, na nova pista de Austin.

Amanhã é dia de corrida. E não se esqueçam de atrasar os relógios para o horário de inverno.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Gutierrez gostou da experiência

Substituindo um adoentado Sergio Perez, Esteban Gutierrez correu no Sauber nesta sexta-feira, nos treinos livres do GP da India, e o jovem mexicano de 21 anos - nasceu a 5 de agosto de 1991, três semanas antes da estreia de Michael Schumacher na Formula 1 - qualificou de "grande experiência" estas suas voltas no circuito de Buddh ao volante do carro do seu compatriota.

"Foi uma grande experiência substituir a Sergio [Sergio Perez] esta manhã. Hoje disfrutei desde o cockpit aquilo que vi até agora das boxes", começou por dizer Gutierrez. "Foi interessante participar pela primeria vez num evento oficial, ao volante do C31. Obviamente, é muito diferente do que fazer testes de pista, e foi um grande desafio permanecer concentrado o tempo todo", concluiu.

Gutierrez não conseguiu mais do que o 20º tempo na sua primeira sessão de treinos livres, atrás do Caterham de Gierdo van der Garde, antes de dar o carro para Perez, que curado, fez o 12º tempo nos segundos treinos livres do dia, a pouco menos de dois segundos de Sebastian Vettel, que liderou a tabela de tempos.


domingo, 30 de outubro de 2011

Formula 1 2011 - Ronda 17, India (Corrida)

A primeira corrida de sempre na India acabou de modo previsivel: uma "vettelândia". Sebastian Vettel tinha feito ontem a pole-position, e hoje venceu a corrida, pela 11ª vez nesta temporada. E os que acompanham no pódio também parecem ser previsiveis, pois o McLaren de Jenson Button e o Ferrari de Fernando Alonso. E até Lewis Hamilton e Felipe Massa estão a ser previsiveis: na volta 25, Hamilton ficou sem espaço e bateu no carro do piloto brasileiro, com o britânico a ser penalizado e o brasileiro a desistir.

Mas a corrida começou minutos antes, quando os pilotos e responsáveis de equipa, incluindo Bernie Ecclestone, foram ao meio da pista para um minuto de silêncio em tributo ao britânico Dan Wheldon e o italiano Marco Simoncelli, mortos nas duas últimas semanas em outras pistas, noutras categorias.

E quando as luzes se apagaram... Sebastian Vettel foi para a frente e ficou-se por lá até à bandeira de xadrez. Jenson Button lá tentou apanhá-lo, mas não conseguiu aproximar-se o suficiente para o apanhar. E o seu ritmo foi o suficiente para ele próprio... não ser incomodado pela concorrência. Em suma, a India assistiu a três corridas: a do campeão, a do provavel vice-campeão e a do resto do pelotão.

O primeiro dos duelos foi entre Mark Webber e Fernando Alonso, onde ambos se degladiaram pelo lugar mais baixo do pódio, com o piloto das Asturias a ser melhor graças às estratégias nas boxes, onde conseguiu superar o piloto australiano para a medalha de bronze. Webber, mais uma vez, se viu batido e a classificação final dos quatro primeiros se verifica que vai ser a classificação no final do ano...

Mas se a corrida foi chata nos lugares da frente, o grande momento foi, pela terceira vez este ano, a colisão entre Lewis Hamilton e Felipe Massa. Na volta 25 e à entrada da Curva 5, o piloto britânico desafiou o Ferrari do piloto brasieliro e na curva, ambos bateram com aparato. Hamilton seguiu a foi às boxes para substituir a frente do seu carro, o mesmo acontecido a Felipe Massa. Os comissários decidiram penalizar o brasileiro por ter "fechado a porta", e ele lá foi cumprir a penalização. Mas na volta 33 quebrou a sua suspensão dianteira esquerda quando passou por uma das altas chicanes do circuito de Buddh, entrando em despiste.

Quanto aos dois, estão-se a transformar num caso clinico, do qual até um "petrolhead" mediático como o Rowan Atkinson, já começa a fazer as suas caracteristicas caretas... mas isso foi provavelmente o unico momento de emoção desse Grande Prémio.

No final disto tudo, Lewis Hamilton acabou em sétimo lugar, dois lugares mais abaixo do Mercedes de Michael Schumacher, que parece estar a regressar aos bons momentos, porque bateu de novo o seu companheiro de equipa, Nico Rosberg, e ajudando a consolidar o quarto lugar no campeonato de Construtores. Em oitavo ficou o Toro Rosso de Jaime Alguersuari, que poderia ter sido melhor se na volta 25, o motor Ferrari de Sebastien Buemi não tivesse explodido.

E para fechar o "top ten" estiveram o Force India de Adrian Sutil e o Sauber de Sergio Perez, que teve de aguentar nas voltas finais os ataques dos Renault de Vitaly Petrov e Bruno Senna. O piloto brasileiro poderia até voltado a pontuar, pois era o nono classificado a três voltas do fim, mas foi às boxes e perdeu tempo.

E assim foi o GP da India, a primeira incursão da Formula 1 no subcontinente. A corrida pode não ter sido o melhor espectáculo do mundo, mas parece que mostrou o seu cartão de visita para o resto do mundo...

sábado, 29 de outubro de 2011

Formula 1 2011 - Ronda 17, India (Qualificação)

Já lá vão treze, e começa a ser previsivel, com um carro daqueles. Sebastian Vettel é o primeiro "poleman" da história do GP da India, numa primeira fila que não foi monopolizada pela Red Bull porque... Lewis Hamilton não deixou. Na tabela de tempos, porque depois na secretaria iria perder mais três posições devido à penalização de ontem. E por causa disso, irá largar do quinto posto, superado pelo Ferrari de Fernando Alonso e o seu companheiro na McLaren, Jenson Button.

E já agora: a 13ª pole-position de Sebastian Vettel na mesma temporada o coloca a par de Ayrton Senna e Alain Prost, demonstrando que, quem ainda tem dúvidas, que esse chassis é mesmo dos dominantes.

Mas vamos à qualificação em si. Com Sebastian Vettel a marcar o ritmo na terceira sessão livre, como que a mandar um aviso á navegação, a hora da verdade para definir os lugares na grelha de partida começou com uma pequena surpresa, que foi ver os Hispania na frente dos Virgin, com o local Narain Kartikeyan a ser melhor deles todos, na 21ª posição e a dar uma alegria aos locais. Mas depois, Kartikeyan mudou de caixa de velocidades e cairá para a última posição da grelha. Um esforço inutil, sem dúvida.

Os Lotus ficaram na frente desta gente toda e não passaram da Q1, mas ficaram acompanhados - com uma certa surpresa, diga-se - pelo Sauber-Ferrari do japonês Kamui Kobayashi. Mas ganhará um lugar amanhã na grelha de partida por causa da penalização que o seu compenheiro de equipa, o mexicano Sergio Perez, sofreu por ontem ter feito o seu melhor tempo debaixo de bandeiras amarelas.

Na Q2, o interessante foi ver que os Renault de Bruno Senna e Vitaly Petrov não terem conseguido entrar na Q3, ainda por cima com o piloto brasileiro na 15ª posição da grelha, sinal de que a sua "entrada de leão" parece se ter desvanecido, sendo portentosamente batido pelo seu companheiro, o russo Vitaly Petrov. Entre os dois pilotos, para além do Williams de Pastor Maldonado e do Force India de Paul di Resta, está também o Mercedes de Michael Schumacher, apenas 12º na tabela de tempos, atrás de Petrov. Mas como o russo terá de pagar por aquilo que fez a... Schumacher na Coreia do Sul - cinco lugares, caindo para o 16º posto, ficando na frente de... Senna - de uma certa forma, Schumacher sai beneficiado. Mas perde para os Toro Rosso.

Sim, os Toro Rosso estão em nítida subida de forma neste final de temporada. Começam a entrar mais facilmente na Q3 nestas últimas corridas, e na India entraram os dois: Jaime Alguersuari e Sebastien Buemi. Apesar de não terem dado qualquer volta nessa Q3, para poupar os seus pneus para amanhã, o fato de eles estarem na "pole-position" para conseguirem pontos amanhã já é uma vantagem, e poderão ameaçar Force India e Sauber no Mundial de Construtores.

Um pouco acima dos dois ficaram o Force India de Adrian Sutil e o Mercedes de Nico Rosberg. Podem ser lugares aos quais estão habituados, e as suas qualificações não terem sido as mais fantásticas, mas o fato de terem chegado ao Q3 e pensar legitimamente em pontuar amanhã já é um bom feito.

E na Ferrari, até pode haver um sabor amargo. Se Fernando Alonso desabafou no final que a primeira fila estava ao seu alcance, o sexto lugar de Felipe Massa sabe a frsutração, especialmente quando se sabe que não evitou uma saída de pista na sua última tentativa. O piloto brasileiro abusou na passagem sobre os corretores da curva 9 e acertou numa pequena lomba de cimento colocada no interior dos corretores. Com isso, Massa partiu a suspensão direita do seu monolugar e embateu - sem grande violência, diga-se - na barreira de pneus.

E com isso, foi-se a qualificação, amanhã é dia de corrida. E Buddh parece ter combinado o melhor de Hermann Tilke. Se isso se confirmar amanhã, então poderemos dizer que está é uma pista que tem tudo para dar certo. Ainda há hipóteses de redenção para o arquitecto alemão...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Formula 1 2011 - Ronda 17, India (Treinos)

E já aconteceu esta manhã o primeiro dia de treinos em mais uma pista novinha em folha, desta vez no subcontinente indiano. E com o primeiro dia a ser marcado por... um cão solto na pista, que interrompeu a sessão por umas três vezes - e a Bruno Senna deve ter relembrado os eventos de Istambul, nos tempos da GP2 - no final das duas sessões de treinos fez com que McLaren e Ferrari ficassem no topo da tabela de tempos, embora Lewis Hamilton tenha sido penalizado porque marcou o seu melhor tempo numa altura em que estavam a ser mostradas bandeiras amarelas, devido ao Williams de Pastor Maldonado. Resultado: será penalizado em três lugares na grelha de partida.

Mas Hamilton não foi o unico: o mexicano Sergio Perez, da Sauber, foi outro dos pilotos apanhados a não respeitar as bandeiras amarelas e tembém sofrerá a mesma penalidade.

Atrás de Hamilton ficou o alemão Sebastian Vettel, a 592 centésimos de Hamilton, e conseguiu superar em meros 12 centésimos o tempo de Mark Webber, que ficou na terceira posição. Jenson Button foi o quarto, mas com um tempo 1,558 segundos mais lento do que o companheiro de equipa. Os Mercedes de Michael Schumacher e Nico Rosberg foram respectivamente quinto e sexto classificados. Felipe Massa, no seu Ferrari, foi o sétimo, seguido de Adrian Sutil, no seu Force India, o toro Rosso de Sebastian Buemi e o Sauber de Kamui Kobayashi.

Na segunda sessão, disputada um pouco mais tarde, a Ferrari deu um ar da sua graça, mas com um piloto que já não fazia tal gracinha desde há muito tempo: o brasileiro Felipe Massa. O seu tempo de 1.25,706 segundos foi 88 centésimos mais veloz do que o Red Bull de Sebastian Vettel. No terceiro posto ficou o segundo Ferrari de Fernando Alonso, a 224 centésimos de Massa. Lewis Hamilton e Mark Webber foram respectivamente quarto e quinto classificados.

A segunda sessão continuou a ser marcada pelo imenso pó que ainda existe na pista indiana, com alguns despistes, o mais grave dos quais o Virgin de Jerome D'Ambrosio, que obrigou a interromper a sessão.

Amanhã teremos a qualificação, e vai ser engraçado saber quem será o primeiro "poleman" do subcontinente...

Todos impressionados com Buddh, mas...

Faltam poucas horas para o começo do GP indiano, mas se pilotos e o anãozinho tenebroso adoram o circuito e estão impressionados com o trabalho feito por aquelas bandas, outros, porém, falam de um lado mais obscuro de uma estrutura que foi feita num tempo recorde e que tem... vá lá, os seus defeitos. Digo isto depois de ler os relatos do pessoal que já aterrou em Nova Delhi para ver e escrever sobre o GP indiano, como o Luis Fernando Ramos, o Ico.

Mas pra começar, quero falar de um artigo da edição de hoje do jornal "The Guardian" que encontrei, graças ao site F1 Fanatic. Ali, o jornalista Paul Weaver fala que se Ecclestone e os pilotos estão impressionados com as instalações e o desenho do circuito de Buddh, que faz lembrar uma montanha-russa, noutros aspectos... bem, só esperemos que o pior não aconteça na hora da transmissão televisiva.

Primeiro, Ecclestone: "Isto é uma maravilha. Fizeram tudo aquilo que nós tinhamos pedido, dois ou três anos após nós termos chegado a um acordo. O pessoal de Silverstone demorou 25 anos, portanto acho que eles fizeram um bom trabalho", relatou. De facto, pelas fotografias, o circuito tem bom aspecto, mas é engraçado ler o preço que pagaram para que as coisas tal qual elas estão. O mesmo jornalista do "The Guardian" fala desse "lado negro da Força":

"Longe da pista e 'off the record', há quem tenha de ser convencido da viabilidade deste Grande Prémio. 'Escuta, meu', afirmou um engenheiro que não quis ser identificado, 'este lugar está um caos. A electricidade não funciona [continuamente], a rede de gás também não funciona e há problemas com a canalização'.

"Ao mesmo tempo que esse engenheiro falava sobre o que se passava realmente, outro técnico passava por nós, procurando resolver uma tarefa com ar ao mesmo tempo vago e urgente, fazendo-me lembrar Ethelredo, o Impreparado [um dos piores reis de Inglaterra]. E há muitos Ethelredos no International Circuit."

E por falar em Ethelredos, coloco aqui uma passagem do Ico sobre o sitio onde está hospedado e os seus primeiros dias na sua primeira experiência indiana:

"Estou numa cidade/bairro chamada Greater Noida. É o conglomerado urbano mais próximo do circuito, cerca de 15 minutos de carro até lá. No projeto, um lugar fantástico: um enorme centro universitário e de tecnologia, com inúmeras universidades, prédios moderníssimos, um enorme campo de golfe desenhado por Nick Faldo, um gigante jardim criando uma área pública perfeita para a região.

Tudo isso eu vi numa maquete mostrando o projeto. A realidade é muito distinta: algumas universidades cujos prédios parecem bem mais velhos do que são, muito mato, várias favelas, uma porção de construções inacabadas e com cara de abandonadas. Perguntei a um dos funcionários do hotel em quanto tempo ele acreditava que a Greater Noida do projeto ficaria pronta. Uns dez anos?
'Ah, bem mais. Depende da vontade do governo. Temos dinheiro e mão de obra, mas cada hora entra um partido diferente com suas próprias prioridades'.

Soa familiar?
"

No final, temos de ser otimistas: as coisas melhorarão na India e nos anos seguintes aprenderão com os erros, mas esta primeira experiência irá muito provavelmente testar a paciência de toda a gente que está por aquelas bandas.