Mostrar mensagens com a etiqueta Yeongam. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Yeongam. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Os elefantes brancos do automobilismo ecclestoniano

Hoje apareceu na Autosport portuguesa um artigo interessante sobre os circuitos que foram usados para a Formula 1 e que foram deixados ao abandono. E o mais interessante e que isso não é novidade, já têm mais de vinte anos. Istambul, Buddh, Yeongam e Ti-Aida são alguns dos exemplos de pistas onde depois da Formula 1, só ficou o deserto. E o melhor exemplo da megalomania "ecclestoniana", dos vicios dos novos-ricos e das centenas de milhões de dólares que foram deitados fora, semelhante a querer construir a casa pelo telhado...

Lembro-me sempre da história de Yeongam, uma pista no meio de nenhures na Coreia do Sul, e o facto de os espectadores terem muito pouca capacidade hoteleira e que por vezes, os jornalistas acabavam por ficar em motéis pouco recomendáveis, de camas redondas. A saga durou quatro temporadas, até que saiu do calendário, porque as coisas se tornaram num pesadelo para os organizadores e claro, para os governos locais. Mas por exemplo, em 2011, os membros das equipas chegaram ao local e tinham visto que tudo estava tal qual como deixaram no ano anterior... incluindo a comida nos frigoríficos e as embalagens nos caixotes do lixo. Tudo por causa de uma providência cautelar contra a organização, e que impediu de mexer nas coisas de forma preventiva.

Mas o artigo de Luis Vasconcelos lembra de Buddh, na India, que acabou por não vingar por causa da enorme e inepta burocracia indiana que queria cobrar o Grande Prémio como... entretenimento e não como uma manifestação desportiva (de uma certa maneira, quem teve a ideia não deixa de ter razão), e de Istambul, que andou no calendário entre 2005 e 2011, e que o governo local se livrou dele depois de um certo dia, ter sido multada por ter colocado o presidente de uma entidade reconhecida por... ninguém, a não ser os próprios turcos, a entregar a taça ao vencedor da corrida. O incidente aconteceu em 2006, e o senhor em questão era o presidente da "República do Chipre do Norte", a entidade turca que ocupou o norte do Chipre, em 1974, numa invasão do exercito turco para impedir que o país se unisse aos gregos numa "Enosis", apos uma tentativa de golpe de estado por parte da extrema-direita grega.

Como a organização era sustentada pelo governo turco, e depois da multa (avaliada em 8,5 milhões de euros), o governo desinteressou-se de injetar dinheiro para ficar com a pista no calendário. E se de Yeongam e Buddh não lamentamos os tilkódromos, neste caso, sentimos a falta da Curva 8, pois por acaso, este até foi um circuito feliz, bem desenhado, ao nível dos melhores. Só que depois da formula 1, não houve nada de relevante a cair por lá - nem Endurance, nem WTCC, nem o que quer que seja - e o abandono por lá começa a ser evidente.

O caso de Ti-Aida é mais idoso, pois falamos de meados dos anos 90. Duas edições, em 1994 e 1995, de um circuito muito lento e sinuoso, aborrecido e isolado do resto do Japão - lembro que a edição de 1995 foi adiada devido a estragos nas estradas de acesso devido ao terramoto de Kobe - depois disso não trouxe muito mais do que o WTCC, no inicio desta década. Nem sei se as provas locais, como a SuperFormula, visitam aquele local... mas quero acreditar que sim.

Em suma, o legado da Formula 1 nos últimos 15 anos quase faz lembrar os estados falidos e que ergueram obras megalomanas nos tempos das vacas gordas. Mas nada disso impede que o anão negoceie novos circuitos a valores cada vez mais exorbitantes - os alegados 72 milhões de euros por ano que o Qatar poderá dar podem ser um exemplo disso - e esse dinheiro irá para todos... menos os mais necessitados.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Formula 1 em Cartoons - Coreia do Sul (Grand Prix Toons)

E se Bruno Mantovani já mostrou como foi a corrida da Coreia do Sul, já o Hector Garcia, dos Grand Prix Toons, mostrou que na corrida de Yeongam, há um pódio onde o vencedor já está em Suzuka, o segundo classificado não quer saber do que se passa e deveria haver um "numero Pi" no pódio para premiar a performance de Nico Hulkenberg. E claro, "Webber on fire"... 

domingo, 6 de outubro de 2013

Formula 1 2013 - Ronda 14, Coreia do Sul (Corrida)

Havia muita expectativa em relação à corrida da Coreia do Sul. Não tanto em relação aos carros ou ao campeonato em si, mas em relação ao tempo. Depois do aviso de tufão, havia a expectativa de que a corrida iria ser debaixo de chuva, pois o tufão não iria passar muito longe dali - embora mais longe do que o inicialmente previsto. Contudo, no dia da corrida... essas expectativas saíram goradas. O céu estava nublado, mas as chances de chuva eram mínimas, pois o tufão estava mais longe e tinha-se dissolvido mais depressa do que o esperado.

A desilusão era de facto grande, mas isso não impedia de esperar que as coisas saissem bem no circuito de Yeongam. O público apareceu em magotes neste domingo - vale o facto de haver uma ligação direta em comboio de alta velocidade - mas havia bancadas vazias naquele circuito construído no meio de nenhures, onde o motel é o meio de dormida de eleição. Sebastian Vettel estava na frente, ladeado por Lewis Hamilton e o Lotus de Romain Grosjean.

A partida começou com Vettel a ir embora em relação à concorrência, seguido por Rosberg e Grosjean. Atras, o pelotão juntava-se e na curva 3, houve toques, com Felipe Massa a ser o pior, sendo tocado por Fernando Alonso e despistado, caindo para o fundo do pelotão. Enquanto alguns caiam, outros subiam imenso, como Pastor Maldonado, que saltou de 18º para nono.

Nas voltas seguintes, as coisas andavam calmas, com Webber a subir alguns lugares enquanto que Button teve de trocar de nariz por causa dos toques na primeira volta. Mas com o passar das voltas, os pilotos começaram a parar nas boxes devido ao desgaste dos pneus. Grosjean pára na volta 11, ao mesmo tempo que Rosberg e Ricciardo. Na volta seguinte, foi a vez de Vettel, e na volta 13, foi de Webber.

Após as paragens, Hamilton tentou superar Grosjean, mas não conseguiu. E a seguir, a corrida chegou a um adormecimento, pelo menos nas posições da frente. Mas depois, as atenções centraram-se em Hulkenberg, que sofria com o asédio de Alonso, Kimi Raikkonen e Mark Webber. Ele aguentava todas as tentativas de ultrapassagem, mesmo que os pneus não dissessem o mesmo.

Depois vieram os problemas dos Mercedes. Primeiro, foi Hamilton a queixar-se dos pneus, e isso fazia com que Rosberg aproximasse ao ritmo de dois segundos por volta. E na volta 29 - uma depois de Paul di Resta ser a primeira desistência da corrida - Nico Rosberg apanha-o, no preciso momento em que a asa cai na pista! Claro, as faiscas fizeram lembrar o passado, mas o alemão tinha de parar, fazendo com que Hamilton tivesse de esperar até que resolvessem o problema.

Mas na volta 31, foi pior: o pneu de "Checo" Perez delamina-se e os destroços ficam no meio da pista, obrigando a entrada do Safety Car para poderem retirar esse pedaço. E isso foi o pretexto ideal para irem às boxes, como Vettel, Webber (que estava atrás de Perez e sofreu um furo) e Grosjean. A corrida foi neutralizada até à volta 37, mas foi sol de pouca dura. Apesar de Hulkenberg ter passado Nico Rosberg, Adrian Sutil despistou-se e bateu em Mark Webber. Imediatamente depois, o Red Bull do australiano pegou fogo. E a seguir, os bombeiros tiveram de entrar e o SC também esteve na pista.

A bandeira verde é agitada na volta 41, e a partir dali, Hamilton começou a pressionar Hulkenberg pelo quarto posto, mas apenas na volta 48 e que o passou... mas o alemão voltou ao lugar na curva seguinte. Hamilton não deixou de tentar, mas o Sauber do alemão conseguia resistir aos ataques. 

E conseguiu resistir até ao fim, enquanto que na frente, Sebastian Vettel vencia pela 34ª vez na sua carreira, na frente dos Lotus de Kimi Raikkonen - excelente corrida, vindo de décimo para segundo - e de Romain Grosjean. Hulkenberg foi o herói da corrida, conseguindo levar o carro ao quarto posto, a sua melhor classificação de sempre e a melhor da Sauber nesta temporada, na frente de Hamilton e Alonso, que recolhendo apenas oito pontos, fez com que a diferença subisse para 77. Assim sendo, Vettel arrisca-se a ser campeão... em Suzuka!

Mas agora, despedimo-nos de Yeongam. Apesar de não haver tufões, a corrida foi tão agitada como se esperava, graças aos Safety Cars e os bombeiros "à la anos 70". Espera-se que esta despedida seja definitiva, e que o promotor seja inflexível com Bernie Ecclestone, ou que Kim Jong-un mande um míssil para aquela zona, pois confirma-se a cada ano que a Formula 1 vai para um circuito situado numa zona de nenhures, onde nada é construido por ali e os motéis continuam a ser o meio de dormida de eleição. 

sábado, 5 de outubro de 2013

Formula 1 2013 - Ronda 14, Coreia do Sul (Qualificação)

A Coreia do Sul é um país desenvolvido, e nos tempos que correm, um país com um nivel de vida invejável, apesar das ameaças e dos barafustamentos do seu irmão desavindo do Norte, naquela que é a última divisão da Guerra Fria. No país que nos deu Hyundais, Kias, Samsungs, LG's e outros, seria ótimo que a Formula 1 fosse para lá. Mas neste campo em particular, desde 2010 que se vê que a localização da pista e o seu acolhimento são mais motivos de chacota do que de elogio. Todos querem estar lá o minimo de tempo possível, porque não desejam ser "chulados" em motéis onde, como se sabem, se paga à hora.

Mas para além deste precalço do qual se demora a resolver - se é que alguma vez se resolverá - este ano havia uma nova ameaça, e ela se chamava... "Fitow". Um tufão que se desenvolveu no norte da ilha de Taiwan e que se dirige para norte. Primeiro, temia-se que passasse a pelo litoral coreano, mesmo na zona do circuito, mas nos últimos dias, verificou-se que iria para a China, mais concretamente para o nordeste de Xangai, bem dentro do interior da China continental. Mas não estaria longe da Coreia, com previsões de que o olho do tufão iria passar entre 200 a 320 quilómetros de Yeongam. E isso poderia querer dizer "tempestade" pela certa.

Mas o sábado de manhã acordou com céu limpo em paragens coreanas. E sendo assim, o resultado final foi mais do mesmo: Sebastian Vettel acabou na pole-position, mas teve luta por parte de Lewis Hamilton e Romain Grosjean. E digo isto porque Mark Webber ficou com o terceiro lugar, só que como tinha a penalização de Singapura para cumprir, caiu dez lugares. No seu lugar entrará o Lotus de Romain Grosjean, na frente do segundo Mercedes de Nico Rosberg e dos Ferrari de Fernando Alonso e Felipe Massa. O alemão da Red Bull conseguiu assim a sua 42ª pole-position da sua carreira. Em apenas... 115 Grandes Prémios.

Ao longo dos treimos, vimos que houve a previsibilidade da Q1, com os Caterham e os Marussia a ficarem por lá - milagres, só na chuva - e os Williams-Renault de Valtteri Bottas e Pastor Maldonado. Definitivamente, esta gente já está a pensar em 2014 e os novos motores Mercedes.

É sempre a Q2 que nos mostram as coisas mais interessantes, especialmente para sabermos quais são os pilotos do meio do pelotão passam para a elite, e quem da elite cai para o meio da "burguesia". No final - e pela primeira vez esta temporada - os Sauber-Ferrari de Nico Hulkenberg e Esteban Gutierrez entraram na Q3, com um desempenho que têm vindo a subir desde Monza. Kimi Raikkonen, mesmo com as costas magoadas e o acidente na sexta-feira, conseguiu levar o seu carro "in extremis" para a Q3, mas ficou-se pelo décimo posto na grelha - nono, com a penalização de Mark Webber.

Em claro contraste, os McLaren de Jenson Button e Sergio Perez não entraram por lá, e dá-nos pena e motivo de preocupação, pois se nos treinos conseguem ser mais lentos do que os Sauber, é porque algo de mal se passa... ou então é como a Williams: já mandaram esta temporada dar uma volta e preparam-se para 2014.

Em suma, os dados estão lançados. Amanhã, e caso a chuva não faça a sua aparição, já saberemos como é que isto vai acabar.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Noticias: GP da Coreia do Sul sob ameaça de tufão

O fim de semana coreano pode ser muito molhado. Isto porque há um alerta de tufão previsto para o final desta semana na peninsula coreana que promete trazer muita chuva para a zona de Yeongam. O "Fitow", nome dado ao bicho, formou-se ao largo de Taiwan e está no rumo norte, a caminho da Coreia e do Japão. Caso passe pelo estreito da Coreia, que separa ambos os paises, poderá largar muita chuva na região, dado que a pista está na zona sul, e poderia ser a repetição dos acontecimentos de 2010.

Contudo, existe uma segunda hipótese, que o Fitow poderá passar um pouco mais a sul e atingir o Japão, e isso implicaria que a Coreia do Sul não seria afetada e que a corrida aconteceria em piso seco. Em suma, os próximos dias servirão para monitorizar a situação de forma atenta.

Li isso no GP Series, do Marcos Antôinio.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Noticias: Coreia do Sul deu prejuízo em 2012

Mesmo com o "rapper" Psy nas bancadas, e mesmo com os pilotos a fazerem o Gagnam Style, a musica do momento na Net, o GP da Coreia do Sul em 2012 deu prejuízo. Segundo o site GPUpdate.com, os organizadores tiveram um prejuízo de 22,8 milhões de libras, ou pouco mais de 22 milhões de euros num evento que vão receber até 2016, com possível prolongamento até 2021, caso este evento seja bem sucedido. 

É complicado afirmar que tipo de impacto estas perdas terão na edição do próximo ano." afirmou um responsável do circuito à agência Reuters. “Apesar da existência destas perdas pelo terceiro ano consecutivo, acreditamos que o seu impacto é apenas a curto prazo. No longo prazo, a Formula 1 irá trazer mais benefícios ao nosso país, pois poderá abrir caminho para a industria automóvel coreana, e poderá também ajudar a desenvolver novas industrias nesta área", concluíram.

A Formula 1 está na Coreia do Sul desde 2010, no circuito de Yeongam, situado no oeste do país, numa área classificada como "o meio de nenhures", e onde muitos dos que acompanham o circo da Formula 1 costumam estar em motéis de duvidosa qualidade... isto, porque o projeto imobiliário que deveria acompanhar o circuito de Yeongam, ainda está a ser construido. 

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

5ª Coluna: Vettel, o subestimado

A semana que passou foi marcada pelo GP da Coreia do Sul, onde no meio dos "Gangnam Style", Sebastian Vettel venceu pela terceira vez consecutiva na temporada, e assim passou para o comando do campeonato do mundo, com sete pontos de diferença para o Ferrari de Fernando Alonso. Com quatro corridas até ao final do campeonato, parece que os candidatos ao títulos ficaram reduzidos a dois, o alemão da Red Bull e o espanhol da Ferrari.

Ambos, curiosamente, lutam por um terceiro título mundial, e caso seja o espanhol vencedor deste campeonato, dará a Alonso um titulo que lhe escapa desde 2006. Contudo, caso o piloto vitoriosos seja o simpático alemão de Heppenheim, será o terceiro piloto da história da Formula 1 que alcança três títulos consecutivos, depois de Juan Manuel Fangio e Michael Schumacher. E isso nos faz pensar - e discutir - sobre quem é o melhor piloto da atualidade.

Que toda a gente diz que Fernando Alonso é o melhor piloto do pelotão, sou tentado a concordar. Conseguiu nesta temporada de 2012 fazer milagres com um mau carro, especialmente no seu inicio, fazendo boas posições e uma vitória em Sepang, debaixo de chuva, quando a equipa mais necessitava de um bom resultado, face a um carro que era muito provavelmente o quarto melhor do pelotão, atrás de McLaren, Red Bull e Sauber, e a par da Lotus. E depois, quando o chassis melhorou, a meio do ano, Alonso passou a somar consecutivamente vitórias, podios e bons resultados, contra os McLaren e os Red Bull.

Mas fico com a sensação de que as pessoas subestimam Sebastian Vettel, e isso é perigoso. Vettel pode ser mais discreto do que Alonso, por vezes quando o carro não domina o pelotão, mas nos momentos decisivos, não falha. Não digo só por ser alemão e estes tem aquela fama de eficácia, mas também porque ele é tão bom piloto que Alonso.

Eu gosto de Sebastian Vettel. É cerebral e ambicioso, como Jackie Stewart, é duro, mas leal, como Gilles Villeneuve. Adora a competição pela sua essência, diverte-se e detesta a sua politica. Só está ali para vencer corridas e divertir-se enquanto o faz. Não quer ganhar a qualquer preço, como Michael Schumacher, que como sabem, fez tudo para ganhar, incluindo abalroar os adversários. Todas as polémicas em que Vettel esteve envolvido nesta temporada tem mais a ver com o que faz na pista - a penalização por ter ultrapassado com as quatro rodas fora da pista em Hockenheim, ou "quando apertou mais para além do tolerado pela Ferrari" em Monza - do que por exemplo, o que se passa fora dela.

Provavelmente o problema de Vettel é esse: a sua discrição. Não tem uma namorada mediática, como Lewis Hamilton ou Jenson Button. Não tem ares de "Principe das Asturias" e têm a equipa à sua volta, como Fernando Alonso. Não tem endereço no Twitter, não tem conta no Facebook, não empresta a sua voz numa série de desenhos animados, não se vê em festas, nada fora do quadro da Red Bull. Caramba, não tem uma tatuagem enorme nas costas, como Alonso e Button... aliás, nem sabemos direito quem é a sua namorada! Só sabemos que é divertido, adora ouvir Beatles e ver Monty Python.

Como disse atrás, Vettel detesta o confronto, a politiquice. Daí eu não acreditar nos rumores que andaram a puluar durante a semana, afirmando que o alemão e o espanhol estariam juntos na Scuderia em 2014. Eu sei que isso é o sonho de muita gente, que acha que ter dois génios numa equipa é uma coisa boa. Sou dos que voto contra porque a história quase sempre demonstrou que na maior parte dos casos, são relações que acabam mal. E nada garante que a Ferrari em 2014 esteja a caminho de ter um carro de sonho nesse ano em que tudo muda em termos de regulamentos de chassis, e com um motor de 1.6 litros Turbo. 

Passar de cavalo para burro, ainda mais quando não há sinais de que Adrian Newey esteja disposto a sair da Red Bull, não creio que seja apanágio de Vettel. Pode ser que saia da Red Bull um dia, claro, mas a melhor data para isso será em 2015, depois de andar uma temporada a experimentar o novo carro, o novo motor e a nova regulamentação. É para aí onde estou apontado, e não em 2013, como muitos parecem querer acreditar.

Não sei como esta temporada vai acabar, mas se depois de Monza acreditava que Alonso tinha vantagem, agora acho que Vettel vai mais a caminho do "tri". Estes tilkódromos favorecem o seu carro e o seu estilo de pilotagem faz o resto. E se o conseguir, merece-o perfeitamente. 

domingo, 14 de outubro de 2012

Formula 1 2012 - Ronda 16, Coreia do Sul (Corrida)

Confesso que acordei madrugada com a musica "Road to Nowhere" dos Talking Heads a zumbir nos ouvidos. E pensaria que seria a musica ideial para colocar no iPod do meu carro de aluguer, se estivesse na Coreia do Sul a caminho de Yeongnam. Seria como que alguém decidisse construir um circuito algures no Tocatins (no caso brasileiro) ou ao lado da barragem do Alqueva (no caso português) e ali se realizasse um Grande Prémio de Formula 1, graças à idiotice do promotor local do qual Bernie Ecclestone alegremente suga o seu dinheiro, qual Conde Drácula dos tempos modernos...

É essa a minha descrição de Yeongam, onde o público dorme nos moteis mais desenhados para outras atividades, e onde a grande atração desse ano é um cantor que já foi visto 400 milhões de vezes no Youtube. E digo isso porque a organização - que não é nada boba - convidou-o para dar animação à corrida. Não sei se convenceu o anãozinho a dançar Gangnam Style... mas se tivesse feito, teria feito o meu dia.

A qualificação tinha mostrado a tendência atual da Formula 1: a Red Bull, depois do dominio em Suzuka, tinha colocado ambos os carros na primeira fila da grelha de partida. Mas se Mark Webber tinha sido o melhor, os olhos estavam todos em Sebastian Vettel, que em caso de vitória, passaria Fernando Alonso no comando do campeonato e estaria melhor lançado rumo a um eventual tricampeonato consecutivo. Alonso era o quarto na grelha, depois de Lewis Hamilton, e o melhor que poderia fazer era minimizar os estragos, ou seja, ser melhor que o piloto da McLaren e ficar com o lugar mais baixo do pódio, e esperar que mais adiante, a Ferrari arranje uma solução para superar os Red Bull. 

A partida começou com uma confusão cada vez mais habitual, mas... na Curva 3. E desta vez, Romain Grosjean não sai culpado. Os eventos nessa curva aconteceram ao mesmo tempo em que Sebastian Vettel conseguiu passar Mark Webber, depois de terem ficado lado a lado na reta interna, mais atrás, a confusão acontecia com Kamui Kobayashi a travar mal (já tinha danificado a sua asa na primeira curva) e a levar consigo Nico Rosberg e a Jenson Button. Os dois pilotos acabaram ali a sua corrida, enquanto que o japonês da Sauber, com uma asa quebrada e um pneu furado, arrastou-se para as boxes. Mais tarde, os comissários de pista penalizaram Kobayashi com um "drive through".

Curiosamente, o acidente aconteceu na zona de DRS, com destroços na pista e um carro parado na berma, o de Rosberg, e isso fez com que as bandeiras amarelas ficaram a ser agitadas, impedindo o uso do DRS até à décima volta.

A partir dali, não houve grande coisa, mas a partir da na volta 13 houve a primeira ronda de paragens na boxe. Não houve grandes passagens por lá, excepto com Hamilton a aproximar-se de Alonso para o terceiro posto, mas nada de especial. A partir dali, o grande interesse da corrida foi a lenta agonia de Lewis Hamilton, que perdeu lugares para Felipe Massa e Kimi Raikkonen, mas ambos reagiram bem, com o inglês a retomar o quinto posto. Mas depois Hamilton foi para as boxes, decidindo mudar uma estratégia de três paragens.

Após isso, as coisas voltaram ao aborrecimento. A não ser que Felipe Massa começava a ser mais veloz do que Fernando Alonso, algo invulgar nesta época e na história. Da boxe, eles pediam a Massa para fazer de guarda costas, para ver se o "Principe das Asturias" não perdesse mais pontos.

E a partir dali, o grande motivo de atenção passou a ser... o relvado artificial. Explica-se: na antepenultima curva antes da meta, um conjunto de relva artificial tinha sido arrancado graças à ação dos carros de Formula 1 que passavam constantemente por ali, e crescentemente começaram a ser um perigo para os pilotos e seus carros. E claro, algum carro tinha de levar com um pedaço grande. Foi o McLaren de Lewis Hamilton que tendo uma tarde má, onde perdeu até para os Toro Rosso - antes do "tapete mágico" - não podia ficar ainda pior.

No final, com Psy a dar a bandeirada - pena que não tivesse sido feito em Gangnam Style... -  Sebastian Vettel foi o melhor, numa corrida dominadora por parte do alemão, a frente de Mark Webber e Fernando Alonso. O alemão igualou Jim Clark e Niki Lauda em numero de vitórias, numa dobradinha da Red Bull, na frente de Mark Webber e do Ferrari de Fernando Alonso. Lewis Hamilton, mesmo com um pedaço de relva artificial no seu carro, e pressionado por Sergio Perez, acabou em décimo e marcou um ponto.

No final, todos respiraram aliviados: o aborrecido GP da Coreia chegava ao fim, e todos podiam sair daquele pequeno inferno no meio de nenhures o mais rapidamente possível  No pódio. Adrian Newey aparecia com o seu mais novo projeto, uns óculos de proteção contra jorros de champanhe, sinal de que pelos lados de Salzburgo, tudo estava a correr maravilhosamente bem. Dali a algumas horas, no deserto americano, iria saltar Felix Baumgartner, e esperava-se que as coisas corressem bem para que o dia fosse perfeito para o lado dos energéticos.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Troféu Blogueiros - Japão e Coreia do Sul

Esta semana vai um "dois em um", com as tabelas das notas das corridas do Japão e da Coreia do Sul, que aconteceram uma semana depois do outro. E como as coisas vieram um pouco tarde e apanharam-me numa fase onde estava muito ocupado em fazer artigos, decidi que, depois de chegar ontem à noite a tabela coreana, fazer um "dois em um".

No caso japonês, como sabem, foi a corrida de consagração de Sebastian Vettel e a vitória de Jenson Button, logo, houve uma unanimidade em relação às notas que tiveram, e foram justas, claro. E de uma certa forma, as notas que Fernando Alonso e Mark Webber tiveram também foram as mais justas.

Uma semana depois, a Coreia do Sul, com a vitória de Sebastian Vettel e a pole-position da McLaren no seu 700º Grande Prémio da sua carreira, apareceram as notas da corrida coreana, onde tal como aconteceu no Japão, não andaram muito longe da verdade, apesar de ter sido uma corrida pouco emocionente, apesar do acidente entre Vitaly Petrov e Michael Schumacher. Aliás, alguns deram nota zero ao russo...

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Mais uma adenda sobre o "elefante branco coreano"

Escrevi o post mais em baixo sobre o "estado de abandono" do circuito de Yeongam, mas não sabia dos dados todos sobre a razão pelo qual as equipas chegaram lá e pareciam que tinham recuado um ano no trempo, chegando ao ponto que falei, das rolhas de champanhe que ainda estavam no pódio. O Luis Vasconcelos, da Autosport portuguesa, explica esta semana na revista que a razão pelo qual encontraram aquilo decrépito e abandonado, na terça-feira passada, foi por causa de um diferendo local, que se arrastou por dez meses. Eis alguns excertos do artigo que escreveu:

(...) "Quando as equipas chegaram ao circuito, na terça-feira passada, ficaram abismadas com o que encontraram. Além da manutenção das instalações ter sido a mínima nos últimos doze meses, a área dedicada a cada equipa não tinha sido limpa e, na Ferrari, encontraram mesmo os sacos de lixo que tinham deixado no domingo à noite, depois da corrida do ano passado, nos mesmos caixotes em que tinham sido colocados!

Além disso, a relva colocada à frente das instalações estava enorme, pois não tinha sido cortada, e em muitos casos completamente seca. O piso do paddock mostrava sinais de afundamento em diversos pontos - a pista foi construida em solo pouco consistente - e notavam-se sinais de abandono em todo o circuito.

Segundo fontes coreanas, o circuito de Yeongnam esteve completamente fechado durante dez meses, devido a problemas legais. Os agricultores que tinham vendido os seus terrenos à KAVO - o organizador do Grande Prémio - reclamaram mais dinheiro, porque o valor das terras subiu muito nesta zona nos últimos anos e acabaram por ver a sua pretensão parcialmente satisfeita depois de terem levado o seu caso até às mais altas intâncias politicas do país.

Até a situação ter sido resolvida o circuito esteve fechado, o que explica o desleixo a que algumas áreas chegaram, mas os problemas coreanos não se ficam por aqui." (...)

Pois é: ainda não esqueceram da expressão "elefante branco coreano"? Bom, o circuito faz parte de um enorme projeto imobiliário na zona de Yeongnam - que toda a gente sabe, fica no meio de nada - e no qual está previsto um investimento de largas centenas de milhares de euros até 2025. Mas devido às polémicas com os habitantes locais, está a ser cada vez mais um pesadelo para os organizadores, e o Grande Prémio está a ser cada vez mais um enorme prejuízo para eles. Tanto que a continuidade do GP coreano está em dúvida a partir de 2013, pois pagar 27,5 milhões de euros a cada ano para Bernie Ecclestone, numa corrida que não encheu - apesar dos trinta por cento de desconto nos bilhetes este ano - e que está a dar crónicos prejuízos...

Em suma, um projeto que nasceu muito torto, e provavelmente nunca se endireitará. E é mais um exemplo do tipo de negócios que o "anãozinho tenebroso" gosta de fazer.