quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Ivan Capelli explica a crise actual da McLaren

Como todos os entendidos na matéria, Ivan Capelli também tem uma explicação para os factods que estão hoje em dia a manchar a reputação da actual Formula 1, e estão a dar cabo dos nervos a qualquer um, até do Ron Dennis...


Como será que isto vai acabar? Não sei, mas se quiserem saber o fim desta história antes dos outros, acho que o melhor conselho que vos posso dar, é abrir os classificados e procurar o numero de telefone do Professor Bambo ou do Mestre Alves, não?

Noticias: Mansell arrasa Button

O aniversariante Nigel Mansell (faz hoje 54 anos) decidiu hoje que a sua prenda seria mandar umas bocas para arrasar Jenson Button, que este ano anda a arrastar o seu Honda para lugares do fundo do pelotão. Numa entrevista à BBC, "Our Nige", as oportunidades de Button para ser bem sucedido já caducaram: "ele teve a oportunidade e não aproveitou – já não vai haver mais nenhuma".


Jenson Button ganhou o seu primeiro e único Grande Prémio na Hungria na passada temporada – depois de 115 corridas na F1. Este ano, o inglês tem sentido grandes dificuldades, já que o RA107 está muito abaixo do que seria de esperar. Brutal, como sempre...

Uma boa ideia, mas...

Todos conhecem esta imagem. Foi tirada a 19 de Setembro de 1986 no muro das boxes no Autodromo do Estoril. Os quatro (então) candidatos ao título, e os que dominaram a Formula 1 no fim daquela década de oitenta estão ali representados: Ayrton Senna, Alain Prost, Nigel Mansell e Nelson Piquet.


Ora, eu mosto esta foto porquê? Porque uma coisa destas vocês não irão ver repetida tão cedo. Segundo o site brasileiro Grande Prêmio, um fotógrafo suiço, Roger Benoit de seu nome, tentou reunir o atual “G4”: Fernando Alonso, Lewis Hamilton, Felipe Massa e Kimi Raikkonen para uma imagem. Bela ideia, hein?


No entanto, a Ferrari recusou imediatamente, por causa do episódio de espionagem que envolve as duas equipas. “Não vemos necessidade para esta foto e não há protocolo que nos force a fazer isso”, afirmou uma porta-voz da escuderia italiana ao site da revista inglesa “Autosport”.


De facto, os ares da Formula 1 actual mesmo inquinados...

terça-feira, 7 de agosto de 2007

GP Memória - Alemanha 1935

Para começar, este artigo tem como base outro escrito por um rapaz (tem a mesma idade do que eu...), de seu nome Nuno Vieira, mas que é conhecido no Fórum Autosport de NMAV (as suas iniciais). Mas no entanto, acrescentei tanta coisa que poderia dizer que no mínimo, é um artigo dele, com modificações minhas.


Esta deve ser talvez uma das maiores corridas de automobilismo de sempre. Nunca uma prova como esta demonstrou que o epíteto “David contra Golias” fosse tão bem aplicada, com um carro inferior, conduzido por um piloto superior, batesse carros supeiores, mas com pilotos inferiores. Foi a maior vitória de Tazio Nuvolari, perante 300 mil alemães impressionados. Tão impressionados com o feito que a própria organização não tinha um disco com o hino italiano para tocar no pódio! Falo do Grande Prémio da Alemanha de 1935, disputado no circuito de Nurburgring.


Estamos em 1935. Os “Flechas de Prata” da Mercedes e Auto Union dominavam os circuitos europeus, graças ao apoio do estado nazi, pois Adolf Hitler era um grande entusiasta. Pilotos como Hans Stuck, Rudi Caracciola, Bernd Rosemeyer e Manfred Von Brauchitsch, dominavam as pistas da Europa. Contra eles, os Alfa Romeo P3, pilotados por homens como Achille Varzi e Tazio Nuvolari, e comandados na box por Enzo Ferrari. Eles sabem que com mesmo com todo aquele talento, era incapazes de bater aquela maquinaria alemã, que fazia jus à frase “Vosprung Durch Technik” – A Perfeição através da Técnica. Porquê? Os Alfa P3, apesar de serem fiáveis, tinham menos 125cv e 30cv, respectivamente, que os carros rivais da Mercedes e Auto Union.

Para a corrida, Mercedes Benz tinha cinco W25 de 455cv, pilotados por Rudi Caracciola, Manfred Von Brauchitsch, Luigi Fagioli, Andreas Geier e Hermann Lang. Os quatro V-16 4.9L de 360cv da Auto Union eram pilotados por Achille Varzi, Bernd Rosemeyer, Hans Stuck e Paul Pietsch. Ambos os carros, conseguiam ultrapassar os 280 Km/h. A Alfa Romeo tinha três históricos P3 3.8L 330cv.


Comparados aos carros alemães, os Alfas estavam ultrapassados, pois eram projectos com 3 anos, no entanto eram extremamente fiáveis. Os pilotos eram Tazio Nuvolari, Louis Chiron, e René Dreyfus. Os restantes concorrentes não podiam aspirar a nada, eram 3 Maserati da Scuderia Subalpina (Zehender, Phillipe Etancelin e Siena), Balestrero com o seu Alfa Romeo privado, Piero Taruffi com um Bugatti de 3.3L, Ruesch, Hartmann e Soffieti em Maseratis privados e Max von Delius e Rex Mays em E.R.A 2 Litros.


Á partida, Nuvolari tomou o comando seguido de Carcciola, Fagioli e Brauchitsch, mas Caracciola ultrapassa-o e ganha 12 segundos, enquanto a nova promessa alemã, Bernd Rosemeyer, subia para quarto a frente de von Brauchitsch, Chiron, Brivio, Varzi, Taruffi, Lang e Geier.
Na segunda volta já a ordem era: Rudi Caracciola (Mercedes, 12 segundos à frente); Bernd Rosemeyer (Auto Union); Luigi Fagioli (Mercedes); Manfred von Brauchitsch (Mercedes). Tazio Nuvolari (Alfa Romeo) desce para sexto e Louis Chiron (Alfa Romeo) sobe para quarto. É então que, para espanto de todos, dois dos sempre fiáveis Alfa desistem quase de imediato: Chiron, com uma avaria no diferencial, e Dreyfus com motor partido. Nuvolari ficava sozinho, sem equipa contra os nove carros alemães.


É aqui que ele começa verdadeiramente a conduzir: ultrapassa Rosemeyer na sexta volta, von Brauchitsch na sétima, que recupera na oitava, na nona volta apanha von Brauchitsch outra vez e ultrapassa-o bem como a Fagioli, na décima volta ultrapassa Caracciola e assume a liderança. A multidão não podia acreditar no que via. Como era possível? Na 11.ª volta, a meio da corrida a tensão atinge o auge quando os quatro lideres Nuvolari, Caracciola, Rosemeyer e von Brauchitsch entram ao mesmo tempo para as boxes, a fim de reabastecer e trocar pneus.

Agora a corrida estava nas mãos dos mecânicos, e os da Mercedes eram na altura tidos como os melhores. Enquanto que von Brauchitsch partiu em 47 segundos, Caracciola em 1 minuto e 7 segundos depois, e Rosemeyer em 1 minuto e 15 segundos. Mas o Alfa de Nuvolari permanecia parado! Porquê? A bomba de gasolina avariou e carro teve de ser reabastecido à mão directamente dos bidões, enquanto Nuvolari gesticulava furioso. Vai ser a partir daqui que Enzo Ferrari tirará daqui uma lição: a partir daí a assistência às suas máquinas teria de ser sempre a melhor.

Entretanto, Nuvolari sai para a pista tendo perdido a eternidade de... 2 minutos e 14 segundos! Estava agora muito atrasado, na sexta posição, mas a conduzir como só o “Mantuano Voador” sabia. Entretanto as condições tinham mudado e Hans Stuck, embaraçado com o piso molhado, decide trocar de pneus. O líder temporário da corrida, Fagioli, decide fazer um reabastecimento e mudança de pneus à entrada da 12.ª volta e perde 51 segundos e quatro lugares na classificação. É então que Von Brauchitsch fica com liderança, enquanto Fagioli e Rosemeyer perdem terreno com problemas na suspensão e na alimentação, respectivamente.

Entretanto Nuvolari voava para recuperar o tempo perdido. Na 13.ª volta, o italiano ultrapassa Stuck, Fagioli e Caracciola como se de pilotos inexperientes se tratassem, pois em piso molhado ninguém pilotava melhor que ele. Entretanto, Rosemeyer tem de ir às boxes resolver o problema da admissão e Tazio fica em segundo, a apenas 1 min 9 seg. de von Brauchitsch.


Começa aqui uma perseguição memorável e tenaz. Ninguém, para além talvez do seu compatriota Varzi, descrevia curvas como ele, no entanto eram diferentes: enquanto Varzi primava pela perfeição técnica, Nuvolari tinha uma habilidade inata, fundia-se com a sua máquina, carro e piloto eram um só, parecia que ele conseguia sempre conduzir naquela ténue linha que define o limite. Em piso molhado parecia estar sempre para além dele. Enquanto von Brauchitsch desgastava os pneus tentando manter a liderança, Nuvolari ganhava-lhe segundos atrás de segundos (nas boxes mostravam aos pilotos os tempos a aproximarem-se) Nuvolari já só estava a 43 seg. Von Brauchitsch responde com uma volta feita à média de 130 Km/h, notável para a altura em piso molhado, nessa volta tinha ultrapassado por vezes os 280 Km/h, mas Nuvolari, mesmo não dispondo de tanta velocidade de ponta, faz melhor e ganha-lhe 11 seg, já só está a 32 seg.


À entrada para a 21.ª e penúltima volta, von Brauchitsch, consegue responder, ganhando 3 segundos. Tem agora 35 de vantagem, mas o germânico irá pagar a sua ousadia de tentar responder à pilotagem de Nuvolari. Nunca tivera a gentileza de Varzi ou a habilidade inata de Nuvolari a pilotar, nem o discernimento de Caracciola para saber isso. Travava e desgastava os pneus violentamente.


E chegamos à última volta. Em Flugplatz, a apenas 8 Km da meta, Nuvolari está a 30 seg. Quando ambos os carros passam por Adenauerforst, a diferença é 27 seg, e na zona do Karussel, menos de 200m separam o carro vermelho do prateado. Nos altifalantes os comentadores gritam entusiasmados. Apesar de Nuvolari se aproximar impiedosamente, a vitória do alemão ainda parece possível...


Mas subitamente... o silêncio! O pneu esquerdo traseiro do carro de Von Brauchitsch não tinha aguentado tão maus-tratos e desfazia-se pela pista. O carro ziguezagueava enquanto von Brauchitsch tentava manter o controle da sua máquina a mais 150 km/h. Quando finalmente consegue, vê Nuvolari desaparecer para a vitória no seu Grande Prémio perante uma multidão de 300.000 incrédulos!


Inesperada também será a classificação final: Stuck vai ser segundo, Caracciola completa o pódio, Rosemeyer será quarto e von Brauchitsch só acabará em quinto, depois do seu pneu ter furado completamente. O autoritário aristocrata e filho querido do Reich (era sobrinho do General Von Brauchitsch) irá esconder as suas lágrimas de desapontamento nas boxes, enquanto Nuvolari recebia os louros da vitória. Quanto ao esquecimento do hino italiano, referido no inicio, Nuvolari era um homem prevenido: levava sempre consigo um disco de 78 rotações com essa musica gravada…


O circuito alemão de Nurburgring marcará uma das derradeiras grandes vitórias do Alfa Romeo P3 e mais uma, senão a maior, das vitórias de Tazio Nuvolari. Tazio pilotou sempre no limite e por vezes para além dele. Naquela que será posteriormente considerada por muito como "a melhor corrida de sempre".

Noticias: Autodromo de Xangai danificado por tempestade

A época das tempestades, que afecta aquele cantro da Ásia por estes dias, afectou na passada sexta-feira as instalações do Autodromo de Xangai, a menos de dois meses do Grande Prémio chinês, marcado para o dia 7 de Outubro.


Ventos de até 130 quilómetros por hora arrancaram railes de protecção e derrubaram quatro arquibancadas, reduzindo a capacidade do autódromo, que é de 200 mil pessoas. Não se sabe ao certo quantos lugares foram destruídos. A organização afirma que os reparos já começaram, mas duvidam que estejam prontos antes da realização da prova.


“Talvez não reparemos todos os danos neste ano, como arrumar os assentos, limpar os escombros e refazer o trabalho, o que requer tempo. Mesmo que terminemos antes do GP da China, nós talvez tenhamos pouco tempo para nos preocuparmos com os testes de segurança na área reparada”, disse o director-geral do circuito, Wang Ying.


Os trabalhos podem alterar o preço dos bilhetes para a prova deste ano, e a organização já assegurou que todas as pessoas que têm bilhetes para as áreas afectadas, serão relocalizados.

É uma capa que não deixa dúvidas: Fernando Alonso lançou um ultimato a Ron Dennis, ou ele ou Lewis Hamilton. A imprensa espanhola pode ser muito nacionalista, mas até eles acham que Alonso exagerou. De acordo com o que leio no blog Saco de Gatos, eles também não gostam dele.


Quanto à luta, deixo-vos com este excerto:


"Ambos os pilotos são, por natureza, determinados e competitivos. Se não fossem assim, era melhor que brincassem de Playstation ou de rFactor num computador. O jogo entre os dois promete ser duríssimo até o fim do ano e a disputa pelo título, caso fique polarizada entre os dois, vai guardar contornos semelhantes aos da luta fratricida entre Alain Prost e Ayrton Senna. Na mesma McLaren, por sinal. Com o mesmo chefe de equipe, Ron Dennis."


No dia em que ambos se autoeliminarem numa curva de um autódromo chinês, japonês ou brasileiro, aí terei a certeza de que a história se repetirá. Até lá, é apenas uma suposição...

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Bolides Memoráveis - Honda RA272 (1965)

Este é mais um dos artigos escritos por um rapaz (tem a mesma idade do que eu...), de seu nome Nuno Vieira, mas que é conhecido no Fórum Autosport de NMAV (as suas iniciais). De quando em quando escreve excelentes artigos, e há uns tempos atrás escreveu sobre o Honda RA 272, de 1965. E como hoje a equipa do Sol Nascente está pelas ruas da amargura, é melhor elevar a moral dos “Hondistas”, recordando o seu primeiro momento alto, há quase 42 anos atrás.


Estamos em 1965: Começa o conflito armado no Vietname, Humberto Delgado é assassinado em Espanha, assim como Malcom X em Nova York. O Canadá hasteia a sua nova bandeira, vermelha e branca e com uma folha de plátano no meio. Aleksei Leonov realiza o primeiro passeio no espaço, depois de sair da sua cápsula em orbita da Terra.


Os Rolling Stones editam o álbum "Satisfaction", a sonda Mariner 4 sobrevoa Marte e envia fotografias do planeta vermelho pela primeira vez. A França lança o seu primeiro satélite, Singapura e Rodésia tornam-se independentes!


Jim Clark vence as 500 milhas de Indianapolis ao volante de um Lotus e obtem também o seu segundo titulo na Formula 1.


E que mais aconteceu?


A Honda investe a sério na Formula 1: já tinha estreado no ano anterior, entrando em 2 provas com o americano Ronnie Bucknum (1936-1992), mas no ano seguinte, Yoshiro Nakamura embarca para a Europa juntamente com uma equipa de engenheiros e mecânicos, totalmente japonesa.

A equipa decide montar uma verdadeira equipa com 2 carros, entregues a Ronnie Bucknum e também a outro americano: Richie Ginther. Desde o GP do Mónaco, os nipónicos começam a demonstrar a nova cultura que acabava de chegar à F1.


Apesar de obterem bons resultados nos treinos, por uma ou outra razão, o Honda precisava ainda de muitas afinações. Na Bélgica o pequeno V12 que gritava nas rectas (mais de 12.000 rpm!!), conseguia finalmente o primeiro ponto. Ginther conseguia mais um ponto na Holanda, mas de resto até ao México, o Formula branco e com o sol nascente desenhado, não conseguia terminar provas.


Para o México e depois de comprovarem que os circuitos com grandes rectas eram os ideais para o Honda, as coisas iam “aquecer”. Em Monza, apesar de tudo, as coisas não correram bem e Nakamura e a sua equipa, não se privaram de nada no circuito da Cidade do México.


Nos treinos fizeram centenas de quilómetros e na 6ª e no sábado do Grande Prémio tinham a pista só para eles entre as 6 e as nove da manhã, para testes privados. Com tantos quilómetros acumulados, conseguiram afinar a injecção ao máximo, para correrem sem problemas a 2245 metros de altitude, que era onde fica situado a Cidade do México.


No domingo, 24 de Outubro de 1965, Richie Ginther estava na primeira linha da grelha em 3º, ao lado do seu compatriota Dan Gurney e de Jim Clark. No arranque, o americano foi mais rápido que Jack Brabham e na longa recta à sua frente o Lotus, era rapidamente alcançado. À saída da curva “Espiral”, sai em 1º e não largou mais o comando até ao final. Conta-se ainda hoje, que quando Ginther se apercebeu que liderava o GP, pensou que tinha derramado óleo na pista e os seus adversários tinham-se despistado!


Ao fim de duas horas de prova, pela primeira vez na história da F1, era um carro japonês o vencedor. Alem disso, a Goodyear alcançava a sua primeira vitória em Grandes Prémios. A marca americana ainda hoje usa este resultado como a vitoria “1”, na sua cronologia desportiva!


Foi também a ultimo motor a vencer a categoria de 1.500 cm3, uma vez que no ano seguinte os motores até 3.000 cm3 começariam a ser usados. A tudo isto se juntarmos o 5º lugar de Ronnie Bucknum, podemos considerar este GP muito especial.


O Honda RA 272, possuía um motor V12 com 1.499 cm3, o que fazia com que cada cilindro tivesse a medida unitária de 125 cm3. De facto o motor era baseado no desenho do motor 6 em linha de 250cc que equipava a Honda RC166.


O motor era um autêntico propulsor de mota: além de atingir as 12.000 rpm, valores que lhe davam cerca de 230 cv, o cantar deste motor era de tal maneira estridente, que fez com pela 1ª vez, houvesse muita gente a meter as mãos nos ouvidos, quando o carro saía do pit lane! A alimentação estava a cargo de uma injecção indirecta com 6 corpos da Keihin, e tinha uma caixa de de 5 velocidades Honda transversal. Pesava cerca de 500 kg sem piloto e não há informações exactas da sua velocidade máxima. Apenas a informação de que onde houvesse longas rectas, ninguém o conseguia alcançar!

Extra-Campeonato: Os exageros de Chavez

Isto vem na edição de hoje do jornal "Público": o seu programa televisivo "Alô Presidente", Hugo Chavez já começa a rivalizar com os discursos do seu amigo cubano Fidel Castro em termos de duração... Quem é que o ouve?


"Hugo Chávez esteve ontem sete horas e 43 minutos no ar, no seu programa radiofónico e televisivo semanal 'Aló Presidente'.


O programa, que foi para o ar às 11h32 (15h32 em Lisboa) e só terminou às 19h15 (23h15 em Lisboa) bateu o recorde de duração e não teve nenhum intervalo para publicidade nem noticiários.

Uma das convidadas do programa foi Elena Poniatowska, vencedora do último prémio literário Rómulo Gallegos, que permaneceu no estúdio no palácio de Miraflores (sede do governo) durante toda a emissão, embora o Presidente se tenha desviado constantemente da entrevista.

Uma das distracções foi a confirmação pelo vice-presidente de Cuba, Carlos Lage, de que Fidel Castro estava a assistir ao programa. '[Castro] está a ver e a ouvir o programa, muito concentrado: não perde um minuto nem um detalhe', disse Lage.

O programa 'Aló Presidente' vai para o ar todos os domingos, por volta das 11h00, mas não tem hora para terminar. Nesta emissão (número 289), o presidente venezuelano anunciou uma digressão pela América Latina, com início hoje na Argentina."

Numa democracia, eu diria que este tipo de programa é um disparate completo, mas como isto vem de um país como a Venezuela, que caminha alegremente para uma ditadura de cariz marxista, tal coisa não me surpeende... E tenho pena.

Honda pode deixar a Formula 1 em 2008?

Eu sei que a "Silly-Season" vai alta e 90 por cento daquilo que leio são perfeitos disparates, e esta noticia pode ser mais uma, mas a pobreza franciscana de ontem, onde Rubens Barrichello foi último e Jenson Button desistiu, podemos sncarar isto como um ultimato.


Segundo o blogueiro Mario Bauer, do blog GP Insider, a Honda pondera fechar as portas no final da temporada de 2008. A casa-mãe, na pessoa de Takeo Fukui, está fula com a incompetência dos responsáveis, apesar de estarem a contratar bons engenheiros, como Löic Bigois (ex-Williams) e Jorg Zander (ex-BMW)


Basicamente, o que se entende desta noticia é que eles têm um ano para provar que têm um carro ganhador, caso contrário, é melhor abandonar a Formula 1 e encarar outros desportos... Vai ser complicado.

A capa desta semana do Autosport

Sintomático, não? Só espero que não acabe como em 1989...

IRL - Ronda 12, Michigan

Uma prova complicada, em todos os aspectos. Desde a chuva, que atrasou a partida em mais de cinco horas, até a um arrepiante acidente multiplo, que deu direito a cambalhota por parte do carro de Dario Franchitti, tudo aconteceu na Ronda 11 do Campeonato IRL, que decorreu na super-oval de Michigan, onde somente sete carros terminaram. A prova foi ganha pelo brasileiro Tony Kanaan, que bateu o seu companheiro Marco Andretti... por meio carro.
A prova deveria ter arrancado ao meio-dia, mas nessa hora, chovia na pista. logo, foi adiada. Pouco depois, a chuva parou e às 16:47 foi dada a largada, com Dario Franchitti na frente, até á altura da primeira paragem nas boxes. Quando tentava sair do seu lugar, o motor calou-se e foi parar ao final do pelotão. Mas dez voltas mais tarde, estava de novo colado aos líderes, disputando o comando da corrida.


Na volta 58, o primeiro incidente, entre dois brasileiros: Helio Castroneves desentende-se com Vitor Meira e ambos batem no muro. um incidente normal, sem consequências. Mas ainda iria haver mais...


Na entrada da volta 143, a corrida era disputada entre Franchitti, o sul-africano Thomas Scheckter e o americano Dan Wheldon. Só que Wheldon e Franchitti desentendem-se e o embate é inevitável. O escocês voa e capota, ficando de cabeça para baixo durante algumas dezenas de metros. Felizmente, tudo ficou em bem. Mas houve outros envolvidos: Scott Dixon e Thomas Scheckter tambem acabaram no muro.


A partir daí, somente sete carros puderam continuar. E os três da Andretti-Green eram os candidatos à vitória: Tony Kanaan, Marco Andretti e Danica Patrick. Parecia que a vitória iria ser para um destes três, mas a 15 voltas do fim, Danica Patrick teve um furo e arrastou-se para as boxes. A sua melhor oportunidade de ganhar tinha ido à vida. Com a luta reduzida a dois, Kanaan aguentou o jovem piloto de 20 anos e ganhou a corrida. O americano Scott Sharp completou o pódio.

domingo, 5 de agosto de 2007

GP2: Javier Villa vence pela terceira vez

O espanhol Javier Villa ganhou pela terceira vez nesta temporada, na segunda corrida do fim de semana da GP2, que decorreu no circuito de Hungaroring. Mas para vencer, o espanhol beneficiou do factor sorte: perdendo a pole-position na largada, em favor do sul-africano Adrian Zaugg. Mas à décima volta, Zaugg e Kazuki Nakajima desentenderam-se e acabaram na gravilha, dando a primeira posição de volta ao plioto espanhol da Racing Engennering.
Ainda assim, o espanhol não descansou enquanto não viu a bandeira de xadrez, uma vez que o inglês Adam Carroll, vencedor da primeira corrida, ganhou várias posições na primeira volta e não largou a traseira do monolugar da Racing Engineering até ao final. Outro espanhol, Roldan Rodriguez, completou o pódio.

Quanto aos lideres: Lucas di Grassi aproveitou bem o facto de Timo Glock, o seu maior rival, ter desistido com um problema na caixa de velocidades. O brasileiro foi quarto, e a diferença entre os dois pilotos está reduzida a um ponto! quanto aos outros dois brasileiros, Bruno Senna e Alexandre Negrão, tiveram desempenhos discretos e receberam a bandeirada juntos, em 12° e 13°, respectivamente.

WRC: Gronholm ganha o Rali da Finlândia

Era inevitável: os finlandeses dominaram o seu rali: Marcus Gronholm e Mirko Hirvonen deram à Ford a "dobradinha" no Rali da Finlândia, e a marca americana ganha distância face ao Citroen de Sebastien Löeb, que foi terceiro. Marcus Gronholm atingiu hoje uma marca histórica: é a sétima vez que ganha o mesmo rali, algo nunca atingido antes por qualquer piloto, algo que nunca tinha passado pela cabeça:

"Quando eu era piloto nos anos 90, nunca pensei que poderia ganhar o rali da Finlândia… mas sete vezes parece-me bem. Estou muito feliz e é bom conseguir 10 pontos aqui antes de encararmos o rali alemão". concluiu o piloto, que agora tem 13 pontos de avanço sobre Sebastien Löeb.

O tricampeão do mundo só conseguiu vencer uma especial e nunca esteve, sequer, perto de discutir a vitória neste rali. O piloto da Citroen acabou a mais de um minuto do líder e a mais de 45 segundos de Hirvonen. Completou o pódio com tranquilidade, já que Chris Atkinson e Henning Solberg ficaram bastante atrasados na luta pelo terceiro lugar. Algo pelo qual Löeb teve que se conformar:

"Na Finlândia temos que perceber que os finlandeses são os mais rápidos e não podemos fazer nada. Temos de aceitar o facto de eles estarem mais rápidos. Mas eu tenho de fazer melhor na Alemanha… preciso de ganhar muitos ralis se quero conseguir ser Campeão do Mundo" concluiu.

Este resultado significa que os novos Ford Focus WRC 07 são realmente bastante rápidos, já que proporcionaram um resultado de luxo à equipa da marca norte-americana. Contudo, só nas próximas provas é que se poderá atestar com mais precisão a competitividade do novo Ford, já que aqui, com "estes" dois finlandeses, o carro anterior deveria ter sido suficiente...

GP Hungria - A corrida

A corrida hungara fez jus à sua reputação: aborrecida. O Grande Prémio, com a excepção das primeiras voltas, foi uma autêntica procissão, apesar de Kimi Raikonnen ter pressionado Lewis Hamilton para que este cometesse um erro, algo que não aconteceu.

Com Fernando Alonso relegado para sexto, depois da sacanagem de ontem, o piloto espanhol perdeu duas posições no arranque, mas logo depois as recuperou. Passou o tempo todo atrás do Toyota de Ralf Schumacher, tanto que a própria equipa decidiu antecipar o reabastecimento, para ver se livrava dele. Acabou por não acontecer, e só mais para o final da corrida, quando Ralf Schumacher foi de novo às boxes, é que alonso conseguiu livrar-se dele. O espanhol terminou em quarto, atrás de Hamilton, Raikonnen e Nick Heidfeld.


Atrás de Alonso ficaram o polaco Robert Kubica, no seu BMW, o Toyota de Ralf Schumacher, o Williams de Nico Rosberg e o Renault de Heiki Kovalainen, que conseguiu superar o Red Bull de Mark Webber.


Quanto a Felipe Massa... largou no meio do pelotão e foi prejudicado pelo intensa luta e tráfego que por lá se viveu. Nunca conseguiu impôr-se como seria de esperar e acabaria por terminar em 13º lugar, ameaçando Fisichella até ao final, mas nunca chegando a ultrapassa-lo. Uma corrida muito frustrante.


A Honda é um pesadelo andante: acreditam que estiveram ao nível das Spyker? Rubens Barrichello acabou em último lugar (18º) e Jenson Button desistiu com problemas de motor. A continuar assim, mais vale arrumar as malas e ir embora...

O piloto do dia: Carel Godin de Beaufort

Numa altura conturbada para a Formula 1, achei oportuno falar sobre um dos últimos "gentleman drivers" da categoria máxima do automobilismo, fiel a uma só máquina, e um dos que melhor conhecia o "Inferno Verde" de Nurburgring. Ironicamente, morreu no circuito que mais adorava... Falo-vos de Carel Godin de Beaufort.

Carel Pieter Antoni Jan Hubertus Godin de Beaufort nasceu a 10 de Abril de 1934 em Masbergen, na Holanda. Era nobre, filho de um Conde, e herdou essa posição depois da morte do pai, em 1950. Depois de ter cumprido o serviço militar, em 1955, começou a correr em carros de Turismo. Ao longo da sua vida, sempre correu por uma marca: a Porsche.



Em 1957, corre em Le Mans, onde acaba em oitavo, ganhando na sua classe. Entretanto, corre na Formula 2, onde acabará por participar no Grande Prémio da Alemanha, a bordo de um Porsche RS550, onde termina no 14º posto. Mo ano seguinte, compete de novo nas 24 Horas de Le Mans, onde termina em quinto, e participa em mais duas corridas, sem grandes resultados. Nesta altura já tinha fundado a Ecurie Maasbergen, cujo "manager" era a sua irmã Cornelie, onde passeava o seu fiel Porsche laranja, a cor do seu país.



Entre 1959 e 1961, a sua vida é repartida entre os Turismos, a Formula 2 e uns quantas entradas na Formula 1. Consegue resultados do meio do pelotão, o que leva a que muttos dos seus companheiros de profissão o encarassem como uma chicane móvel, em um perigo na pista. Mas aos poucos, o seu estilo de condução melhora e a sua popularidade e o seu bom humor contagiam o "paddock" da Formula 1. Chamava-se a si próprio como "Fatty Porsche", devido não só ao seu carro, modelo 718, mas também ao seu físico, pois era muito alto e muito corpulento...



Mas a partir de 1962, os resultados melhoram, pelo menos na Formula 1. O seu Porsche 718 dá-lhe dois sextos lugares em Zandvoort e em Rouen, dando-lhe o 16º posto da classificação geral, com dois pontos. Em 1963, consegue outros dois sextos lugares em Spa-Francochamps e em Watkins Glen, ficando na 14ª posição da geral, com dois pontos.



Em 1964, Beaufort já encarava as coisas de um modo mais profissional. Tencionava virar-se para os Sport-Protótipos, tinha feito uma preparação física para se manter em forma, com a ajuda de Anton Geesink, o primeiro campeão olímpico de Judo. Em Nurburgring, Beaufort mantinha o seu bom humor: chegou a dar umas voltas com uma "cabeleira à Beatle" no lugar do seu capacete!


A 1 de Agosto de 1964, nos treinos de classificação, o seu fiel Porsche estava numa volta rápida, quando chegou à Bergwerk, onde o carro subitamente despistou-se e ficou empoleirado numa árvore, enquanto que o piloto era cuspido para fora. Sofreu um grave traumatismo craniano e toráxico, e foi levado para Colónia, onde acabou por morrer no dia seguinte. Tinha 30 anos.


A sua carreira na Formula 1: 31 Grandes Prémios, em oito temporadas, quatro pontos.



No dia do seu funeral, na Holanda, todo o pelotão da Formula 1 prestou o seu tributo. Foi levado para o talhão da familia, em Massbergen, num Porsche 356, e na sua tumba, lê-se a seguinte frase: "La vertu est um Beaufort". Era de facto um cavalheiro... Quanto ao seu fiel Porsche: foi reconstruido e depois a sua familia doou-o ao Driebergen Automobile Museum, onde se encontra em exposição.